Innocence
1 Weg
Notas iniciais
O silêncio dominava o ambiente dentro do carro e até o ar parecia se encher da ansiosidade que transpirava dos corpos de todos ali.
Afundei-me no banco escuro, sentindo o cheiro sutil de couro que se desprendera com meu movimento. Olhei para meu pai, ele parecia concentrado enquanto dirigia o automóvel, provavelmente por causa da forte tempestade que começara e turvava o vidro que mostrava a estrada, porém de seu olhar determinado podia-se perceber uma fagulha de satisfação que eu nunca havia visto, e em seus lábios finos um pequeno sorriso se despontava.
Minha mãe estava ao seu lado, no lugar em que estava, eu só conseguia ver seu longo cabelo negro, como o meu, mas eu podia apostar que sua expressão não seria muito diferente da felicidade de meu pai. Todos estavam animados com a compra da magnífica casa que eles tanto sonhavam, só eu parecia estar apreensiva quanto a nossa nova moradia.
Uma sensação sufocante dominava meu peito toda vez que pensava que estávamos nos mudando, como se aquele fosse um passo que nunca deveríamos ter tomado. Direcionei-me entre os dois bancos dianteiros do carro e me aproximei, ficando ao lado de meus pais.
- Pai, vai demorar muito para chegarmos? — perguntei, direcionando meu olhar para o homem sorridente.
- Um pouco, filhota. Talvez mais uma horinha. — disse ele, olhando para mim em poucos segundos antes de se voltar para o caminho tortuoso novamente.
Filhota. Meu pai nunca me chamava assim. Ele devia estar realmente animado com aquilo tudo.
Joguei-me novamente no banco, minha mãe direcionou-me um sorriso tranquilizador, pedindo silenciosamente para eu ter paciência. Isso parecia um pouco impossível depois de quase quatro horas presa em um carro.
Olhei para a paisagem fora do automóvel, tentando encontrar algo para passar o tempo. As árvores passavam rapidamente diante de mim, seus galhos movendo-se apressadamente à força do vento, dando a impressão de que elas quisessem mostrar todas as suas danças apenas naquele instante em que passavam pelo vidro.
Encostei a testa na superfície gelada da janela, observando as gotas de chuva riscarem o material fragilmente para depois se juntarem a outras e formarem um só caminho transparente.
O embalo do carro que tentava mover-se por cima dos montes que haviam se formado naquela estrada de terra levou-me à sonolência, e quando percebi meus olhos já haviam se fechado pesadamente, e eu havia mergulhado no pior pesadelo que eu poderia ter.
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