Notas iniciais
E aqui está o segundo capítulo ^.^ Estou feliz por já ter conseguido reviews de modo a postar um capítulo depois do outro *-* Obrigada a Light Angel e ao Veloi Arender, que sempre acompanham minhas histórias macabras KK
Enfim, boa leitura pessoas!

Eu estava ao lado de meu pais, e nós olhávamos a casa a nossa frente. Um extenso campo verde rodeava a grande moradia, sendo emoldurado por grandes árvores escuras que nos observavam em seu silêncio.

Uma linha irregular de terra vermelha marcava o caminho até a porta da frente, e meus pais começaram a andar por aquela pequena estradinha, seus passos esmagando pequenas pedrinhas soltas pelo caminho. Comecei a andar atrás deles, e percebi que meu sonho estava reproduzindo o momento que visitamos nossa nova casa antes de comprá-la.

Meus olhos direcionaram-se a frente do local, como eu fizera no dia que haviamos estado ali, e eu percebi todos os detalhes da residência, agora que me aproximava. A pintura era perfeita, de um tom bege claro que tendia para o branco, duas janelas largas enfeitavam a frente, uma a cada lado da porta escura pela qual entraríamos.

Pequenos degraus de madeira nos levavam até a passagem, e um pequeno balanço claro movimentava-se levemente pela brisa suave que corria ali. Meu pai abriu a porta, essa deslizando para nos permitir passar sem fazer qualquer barulho, e entrou na casa. Minha mãe o seguiu e virou-se para mim, esperando que eu também entrasse para que ela fechasse a passagem.

Passei pela porta e fui recebida por uma sala extremamente espaçosa, aguardando a nova mobília. Um papel de parede com listras delicadas cobria toda a extensão do aposento, e uma escada se posicionava a um canto, levando ao quartos do segundo andar, enquanto uma porta na parede oposta levava a um aposento claro que parecia ser a cozinha.

Ouvi meus pais se dirigindo a outro cômodo, porém eu não queria ver novamente uma cozinha que possivelmente seria igual todas as outras das diversas casas que havíamos visitado antes. Eu estava mais interessada nos quartos.

Subi o lance de degraus rapidamente e me deparei com um corredor longo, onde duas portas esperavam para mostrar as salas em cada parede.

Percebi que de repente tudo ficara muito silencioso. As risadas de minha mãe cessaram como se nunca tivessem existido, e os comentários alegres de meu pai diminuíram a ponto de parecer um sussurro abafado, e então desapareceram também.

Olhei escada abaixo, porém a única coisa que via era o bonito papel de parede do cômodo abaixo, iluminado pela luz amarelada de uma lâmpada que meu pai acendera quando chegara.

Voltei meu olhar ao corredor, e andei hesitante até o primeiro quarto. Coloquei a mão na maçaneta fria e abri a porta escura, encontrando um quarto simples, com uma grande janela em uma das paredes e sem detalhes.

Olhei pelo vidro e me deparei com o campo que nos recebera pouco antes, a grama alta parecendo-se esticar pela ação do vento. O céu azul me encarava a sua grande distância, contrastando-se lindamente com a paisagem verde abaixo dele.

Olhei para o quarto novamente e percebi uma pequena falha na pintura que parecia perfeita em todos os outros lugares da casa, fui até o canto que se mostrava diferente e percebi que a falha se tratava de letras rasgadas, parecendo ter sido escritas apressadamente, as bordas da escrita mal feita manchadas de escarlate.

Cheguei mais perto para tentar decifrar as palavras, e um arrepio percorreu minha espinha quando entendi o que elas diziam.

"Saia daqui. Eu imploro."

O que aquilo significava? E por que as pessoas que nos indicaram aquela residência não haviam dado atenção a esse detalhe? Balancei a cabeça, convencendo-me de que aquilo era apenas uma brincadeira macabra de alguém que estivera por ali antes de nós.

Virei-me novamente para a porta e percebi que esta estava fechada. Parei por um momento encarando a madeira escura que barrava minha passagem. Quando eu havia fechado aquela porta?

Dei de ombros, talvez eu tivesse esquecido de minha pequena ação, dada a curiosidade por conhecer os cômodos. Girei a maçaneta, porém a passagem não se abriu. Fiz o movimento novamente, mas o resultado foi o mesmo.

Senti as palmas de minhas mãos suarem, e um pânico primitivo começou a atacar meu peito. Bati na porta uma vez, ouvindo o som se propagar pela madeira, mas não obtive resposta.

Bati repetidamente, cada ato mais forte e nervoso, enquanto percebia que não conseguiria a atenção de ninguém.

Comecei a gritar, sentindo o quarto ficar cada vez mais frio. Olhei atrás de mim, a paisagem lá fora mostrava uma tempestade terrível, muito diferente da calmaria que eu vira minutos antes. As nuvens carregadas se colocaram entre a luz do sol, escurecendo o cômodo a ponto de parecer que já havia anoitecido, porém sem as estrelas ou a lua prateada para trazer sua fraca luz.

Tentei acender a lâmpada do quarto, porém não achei nenhum interruptor. O pânico dominava todas as minhas ações, que pareciam ansiosas e desastradas demais para serem satisfatórias. Virei para a porta e voltei a bater, gritando por socorro.

"Meu nome é Innocence."

Escutei uma voz fraca silvar em minha cabeça. No mesmo momento parei minhas ações, ficando petrificada pelo medo que crescia. Senti lágrimas quentes descerem por meu rosto, em uma atitude inconsciente que denunciava meu pânico.

- Quem está ai? — gritei, virando-me para o quarto escuro, mas ninguém me respondeu.

O quarto voltara a ficar silencioso, sendo interrompido somente pelo sussurro do vento forve que batia no vidro e por minha respiração descompassada.

Fui em direção a janela e tentei abrí-la, procurando uma forma de escapar dali, porém o material parecia firme sobre sua base. Esmurrei o vidro afim de quebrá-lo, mas não consegui fazer nenhuma linha quebradiça no material.

Um raio iluminou a paisagem lá fora, e eu percebi um vulto pequeno parado no meio da chuva que caía pelo campo rebelde, notei nos poucos segundos que seu rosto estava virado para minha janela.

Afastei-me da parede, encostando meu corpo trêmulo na porta imponente. Agachei até estar sentada no material estranhamente frio, enquanto mais lágrimas inundavam meus olhos transformando-se em um fraco choro.

Foi quando ouvi passos ecoando dentro quarto em que eu estava. Parei de chorar no mesmo momento, fazendo o máximo esforço para não fazer nenhum barulho que denunciasse minha presença.

A voz fraca voltou a dominar minha mente, agora cantarolando uma delicada canção infantil, enquanto eu sentia o vulto aproximando-se de mim.

Uma pequena risada inundou minha mente, uma risada inocente e maldosa ao mesmo tempo. Logo depois que ela cessou, um novo raio iluminou todo o quarto, seguido pelo barulho estrondoso de um trovão.

O brilho elétrico do relâmpago fez-me perceber a figura a minha frente. Era uma garotinha, não devia ter mais de sete anos, seu vestido rodado roçava o chão a sua volta, sendo totalmente branco com pequenos detalhes rosados, seus cabelos claros estavam presos frouxamente por duas fitinhas vermelhas, uma em cada lado de sua cabeça e seu rosto de feições delicadas marcava um sorriso rasgado e rubro, que não combinava com sua aparência inocente.

Em uma das mãos ela segurava os cabelos coloridos de uma boneca, que sustentavam a cabeça arrancada desta, os olhos vazios do brinquedo encarando-me com um sorriso plastificado nos lábios perfeitos.

"Meu nome é Innocence. Você quer brincar comigo?"

Notas finais
Eu acho que o capítulo ficou extremamente rápido T.T Mas enfim, eu gostei de escrevê-lo ^.^ Mandem reviews, ou a Innocence pedirá para vocês brincarem com ela MUAHAHAHA Parei ._.