Innocence
16 Capítulo 15 - Reason and Heart
Bella POV.
Eu fiz o exame.
Ele iria ficar pronto só na segunda, então saí de lá o mais rápido possível, tentando controlar as lágrimas que queriam vir. Eu e Edward havíamos transado sem camisinha umas duas vezes naquela noite – as duas últimas – só que eu andava tão estressada, tão machucada, que eu nunca tinha parado para pensar em gravidez.
Gravidez.
Enquanto seguia até o trabalho de Rose, eu pensava no que iria fazer se desse positivo. Minha vida mudaria completamente, eu teria que adiar a residência... E teria que contar ao Edward.
Teria?
Eu realmente iria contar a ele?
Procurei controlar minha expressão assim que parei em frente ao serviço de Rose e a vi. Eu não sabia se iria mesmo conseguir enganá-la – na verdade, não sabia nem se iria conseguir enganar alguém, já que não conseguia contar mentiras –, mas esperava adiar o máximo que fosse possível.
Só que, claro, ela percebeu que havia algo errado assim que adentrou o carro.
- Qual é o problema, Bella? – indagou-me.
- Eu posso falar sobre isso quando estivermos no apartamento? – perguntei, sem olhá-la.
- Tudo bem.
Seguimos, então, em silêncio até o nosso apartamento. O que me faz lembrar que, se eu estivesse mesmo grávida, teria de trabalhar até o fim da gravidez, se quisesse conseguir pagar o aluguel. Teria de me desdobrar.
Mas, mesmo assim, eu conseguia me imaginar sendo mãe. Eu conseguia ver meu filho – tão lindo quanto Edward – e sabia que o amaria sempre. Deus! Era como se eu o amasse mesmo agora, mesmo ainda não tendo certeza sobre a minha condição.
- Pronto – disse Rose, assim que nos encontrávamos na sala. – Conte-me tudo o que aconteceu.
- Rose... – suspirei, deixando, enfim, que as lágrimas viessem à tona. – Eu posso estar grávida.
Eu abaixei a cabeça, esperando que ela me xingasse, mas ela apenas se aproximou e puxou meu queixo delicadamente para cima.
- Do Edward?
Eu não consegui responder. Apenas fechei os olhos com força, pensando no quanto aquelas palavras – grávida do Edward – pesavam. Eu estaria estragando seu relacionamento com a noiva, sua vida... Eu estaria estragando tudo.
Interpretando aquela resposta como um sim, Rosalie me puxou para seus braços, deixando que eu soluçasse em seu ombro. Eu me odiei mais ainda; nem perguntava mais como minha amiga estava, porque a cada dia eu aparecia com um novo problema.
Mas ela não pareceu se importar, deixando que eu apenas contasse tudo.
- Eu vou com você na segunda – disse-me –, pegar o resultado do exame. E, seja lá qual for o resultado, Bella, eu vou estar com você.
- Oh, Rose... – suspirei. – Obrigada por tudo.
Ela apenas sorriu, me puxando para mais um abraço.
_
Domingo.
Aniversário do Edward.
O pai do meu possível filho.
Eu não queria ir.
Por diversas razões.
Primeira: a noiva dele estaria lá; segunda: eu o amava e não suportaria ver o carinho que, supostamente, eles iriam trocar; e, terceira: eu poderia estar grávida dele e isso mudaria tudo.
Eu teria que contar. E eu veria Edward pelo resto de minha vida.
Mas Rose me convenceu, dizendo-me que eu teria que começar a enfrentar todo esse medo e todo esse sentimento.
Então, ontem tínhamos ido comprar alguma coisa para ele. Eu acabei comprando uma maleta, onde tinha mandado colocar o nome Dr. Edward Cullen, e dentro havia materiais médicos. Era uma coisa formal e não fora barata, mas eu sabia que Edward iria gostar.
Já Rose decidira comprar uma camisa, alegando que Emmett já iria dar um relógio.
E agora estávamos a caminho da boate. Eram oito da noite e eu queria vir no meu carro, mas Rose me obrigou a ir com ela e eu bem sabia o por quê – ela sabia que eu fugiria na primeira oportunidade.
Edward estava sentado na área VIP, junto de Emmett. Alice e Jasper ainda não haviam chegado, assim como Tanya. Era excelente a Tanya não estar, porque me daria alguns minutos para me acalmar. Eu cumprimentei Emmett, deixando Edward por último.
- Feliz aniversário, Edward. – Eu tentei não respirar profundamente, para que seu cheiro não me invadisse quando o abracei. Afastei-me rapidamente e entreguei o embrulho que entrara carregando. Edward sorriu e eu logo desviei o rosto; não era capaz de olhar para ele, não quando o amava e quando tantas coisas estavam acontecendo.
- Obrigado, Bella – sorriu. – Mas não precisava.
Ele abriu o presente e eu logo me afastei, sentando-me no canto mais isolado possível. Eu não queria alarmar ninguém, mas estava um pouco enjoada – o que não significava nada, já que estava ansiosa.
- Own! Obrigado, Bella – sorriu. – Eu estava mesmo precisando de uma dessas.
- Não há de quê – respondi apenas.
Eu procurei ficar na minha enquanto ele abria o presente de Rosalie.
- Obrigado, Rose. – A voz dele era tão linda! Eu não estava olhando-o, mas sabia que ele estava sorrindo. – Eu adorei.
Eles ficaram conversando por alguns minutos, mas eu mantive minha cabeça baixa.
- Os senhores desejam alguma coisa? – Eu olhei para cima a ponto de ver um garçom sorrindo para Rose e eu. Segurei-me para não revirar os olhos.
- Duas cervejas. – Emmett disse. – Rose, meu bem, o que você quer? E você, Bella?
- Apenas água. – Eu costumava beber, raramente, mas podia estar grávida e não podia arriscar. Troquei um olhar com Rose e ela pareceu entender.
- Duas águas.
- Eu volto com tudo em um minuto.
Continuei com a cabeça baixa, ignorando a conversa de propósito.
- Algum problema, Bellinha? – Emmett perguntou e eu sorri, dando de ombros.
- Cansada, apenas.
- É, Bella se formou, mas continua estudando – Rose disse, rindo.
- Faz parte – sorri.
Eu queria, muito, ir embora dali. O enjoo estava realmente me torturando um pouco e tudo o que eu queria era descansar, porque no dia seguinte eu saberia de algo que poderia mudar minha vida completamente.
Minha residência teria de ser adiada, para depois que o bebê crescesse... Tudo mudaria. Eu teria que tomar decisões por alguém mais. Na verdade, todas as minhas decisões seriam em torno desse bebê.
Peguei-me suspirando e corei quando vi que Edward me observava. Eu estava prestes a abrir a boca para dizer qualquer coisa que tirasse a atenção de mim – como o casamento de Rose e Emm, por exemplo –, quando o garçom voltou com nossas bebidas. Eu peguei minha água sem realmente vê-la e a bebi calmamente, esperando que o enjoo passasse.
Mas ele não passava.
Eu já estava querendo arrumar uma desculpa para ir embora, quando Alice e Jasper chegaram. Eles abraçaram Edward e simplesmente não teve como fugir mais, porque Alice incluiu Rose e eu em um assunto.
- Você está muito calada, Bella... – Alice fez uma careta.
- Estou cansada – disse.
Ela deu de ombros, me avaliou por alguns minutos, e desviou o olhar, continuando a conversar com a Rose sobre o casamento que aconteceria em setembro.
Eu prometi a elas que sairíamos essa semana para olharmos tudo: vestidos, decorações... Não queria ir, mas Rose parecia tão sorridente... E eu era a madrinha, então...
- Oi, amor, desculpe o atraso, mas você sabe como meus pais são.
Eu congelei imediatamente. Era Tanya.
Ela cumprimentou todos e eu murmurei um ‘oi’, não ousando encará-la, porque eu a havia traído, desistido de carregar seu filho, e, naquele momento, poderia dar ao seu noivo o filho que ela nunca daria.
Não ousei olhar para cima, para ver o beijo e o abraço que certamente eles iriam trocar. Reparei apenas nos olhares de Alice e Rose em mim e suspirei.
Eu queria ir embora.
Eu precisava ir embora.
Eu não escutei a resposta de Edward, simplesmente porque uma tontura forte me invadiu naquele momento.
- Oh! – sussurrei.
Droga, droga, droga.
Encostei minha testa na mesa, respirando profundamente.
- Bella? – Rose me chamou. – Qual é o problema?
Eu percebi que ela sussurrara baixinho para mim, porque fora a única que tinha percebido. Os outros pareciam entretidos em alguma coisa que Jasper falava.
- Tontura – murmurei por entre meus lábios. – E enjoo. Eu preciso sair daqui, Rose. Eu... É demais para mim.
Eu apenas levantei minha cabeça um pouquinho porque sabia que ela poderia ler a dor em meus olhos. Ela assentiu levemente.
- Gente, eu vou acompanhar a Bella até em casa e volto, ok? – disse, despertando a atenção de todos.
- Algum problema, Bella? – Alice perguntou, entrando em meu campo de visões. Eu ainda estava um pouco tonta, mas melhor.
- Eu só estou mesmo cansada – disse em voz baixa, mas alta o suficiente para que todos pudessem escutar. – E amanhã preciso acordar cedo... De qualquer jeito, eu passei aqui só para desejar feliz aniversário para Edward e lhe entregar seu presente.
Era meio infantil eu fugir, ainda mais quando Edward ficara comigo o tempo todo na minha formatura, sorrindo orgulhoso para mim... Só que era mais forte que eu. Não era capaz de observar a troca de carinhos entre ele e Tanya.
- E não precisa ir comigo, Rose – continuei, agora olhando para ela. – Todos podem ficar aqui. Eu vou pegar um táxi.
- Então leve meu carro – Rose disse. – Emmett me leva para casa.
- Não – suspirei. – Eu já permiti que seu carro ficasse destruído uma vez, não posso permitir que isso aconteça de novo, ainda mais comigo cansada desse jeito.
Eu percebi que ela iria discutir, mas eu levantei antes que ela pudesse dizer mais alguma coisa.
- Bom, feliz aniversário de novo, Edward. – Tentei sorrir, mas não consegui. Não com Tanya ao lado dele, as mãos dos dois entrelaçadas. – Foi um prazer, gente, e eu realmente sinto muito.
Eu joguei uma nota de cinco dólares na mesa, ignorando os comentários machistas de Jasper, Emmett e Edward. Deixei o dinheiro ali, acenei mais uma vez para todos, e me virei.
Quando estava do lado de fora da boate, respirei fundo. As lágrimas queriam sair, mas tentei segurá-las ao máximo. Só mais um pouco, pensei, só mais um pouco e eu poderei chorar.
- Bella... – Virei imediatamente, dando de cara com Rose. – Quando você chegar, você me liga?
- Sim – sussurrei. – Eu te ligo.
Eu entrei no primeiro táxi que vi, murmurando o endereço.
Enquanto o motorista dirigia, eu tentava ignorar as imagens que queria surgir em minha mente, implorando para que elas aguentassem mais um pouco, porque eu precisava estar sozinha para deixar que as lágrimas viessem.
- Chegamos, senhorita.
Eu dei o dinheiro para o motorista e desci, andando mecanicamente até o elevador.
E, então, assim que estava na segurança do meu apartamento com Rose, chorei.
Chorei tudo o que tinha para chorar.
E adormeci logo depois, com a certeza de que amanhã seria um dia decisivo na minha mente.
_
Eu não queria despertar, não queria admitir que o dia chegara e que eu não tinha coragem para ir buscar o exame. Mas o despertador fez o seu trabalho de tocar na hora certa, então, eu me levantei.
O banho foi mais curto do que eu esperava. Tentei enrolar na escolha de uma roupa, mas acabou que não havia motivo para enrolar, já que eu acabaria escolhendo jeans e uma camiseta. Quando cheguei à cozinha, Rosalie já estava lá, e ela apenas sorriu para mim.
- Eu fiz café – riu. – Provavelmente não ficou tão bom, mas...
- Eu não vou conseguir comer – mordi o lábio inferior. – E eu vou ter que tirar o café da minha vida por um bom tempo, se estiver grávida.
- E se você tiver grávida vai precisar se alimentar melhor.
- Eu sei, mas é que agora estou realmente ansiosa...
- Ok. Então, vamos.
Foi Rose quem dirigiu, tentando puxar assunto toda hora, mas eu realmente não conseguia me mexer nem falar nada. Por fim, Rose acabou desistindo.
Ela entrou comigo no hospital, caminhando até o local onde eu tinha que buscar o resultado. Eu o peguei e pedi que voltássemos para o apartamento para que eu pudesse abri-lo. E voltamos.
A viagem de volta foi feita em total silêncio. O envelope com o resultado parecia pesar uma tonelada, quando, na verdade, era leve como uma pluma.
Assim que entramos, eu fui até o sofá e me sentei, vendo que minhas mãos tremiam.
- Abre, Bella. – Foi só quando falou que eu percebi que Rosalie estava sentada ao meu lado. – Você não vai poder adiar para sempre.
- E se der positivo? – perguntei, ainda sem olhá-la.
- Eu já te disse, Bella – sorriu suavemente. – Não importa o resultado, eu vou sempre estar ao seu lado. E tenho certeza que a família Cullen também.
- Eu... eu vou ter que contar ao Edward – murmurei para eu mesma. – Eu vou acabar com a vida dele. Ele tem uma noiva...
- Bella, ele fez sexo com você – cortou-me. – Ele sabe que não é impossível que aconteça. E, além do mais, ele será tanto pai quanto você será mãe. Ele tem total direito de saber.
- Eu sei... Ele vai me odiar.
- Bella, discutiremos sobre isso depois, ok? Agora, por favor, abra esse exame e me fale se serei tia ou não.
Com as mãos trêmulas rompi o lacre do envelope e o abri, certa de tudo poderia mudar.
Edward POV.
Deitado em minha cama, poucos minutos depois de ter chegado ao meu apartamento, eu estava extremamente exausto.
De tudo.
Meu aniversário fora ótimo, claro, mas eu queria entender porque Bella sempre dava um jeito de sair antes de todo mundo. Estava claro que ela não gostava de fazer compras e sair muito, mas naquela noite, parecia que havia algo errado.
Talvez fosse a pele mais pálida que o normal, ou os olhos meio vazios. Talvez fosse mesmo o cansaço, como ela citara, mas...
Balancei a cabeça. Não era da minha conta.
Depois que ela fora embora, Tanya se lamentou toda hora, dizendo que esperava, naquela noite, encontrar um jeito de convencer Bella a carregar o bebê, mas eu a ignorei, certo de que começaríamos uma discussão se eu desse minha opinião naquele momento.
Nós ficamos ali até meia noite e fomos embora. Meus pais acabaram aparecendo lá pelas dez da noite, e minha mãe se lamentou por não ter chegado mais cedo e ter visto Bella – ela simplesmente a adorava. Tanya foi embora para a casa dos pais no seu próprio carro, dizendo-me que retornara a entrevista. Ela me dizia que nunca acharia alguém que despertasse tanta confiança como Bella – na minha opinião ela ainda tinha esperanças que Bella fosse voltar atrás –, mas estava certa de que ainda teríamos o bebê em breve.
E, agora, eu pensava em quando veria Bella novamente. Não teríamos outra festa tão cedo, só no começo de agosto – que era o aniversário de Alice – e eu imaginava que agora ela se concentraria nos estudos por causa da residência.
Respirei fundo, procurei me concentrar no sono, e, antes de ir dormir, desejei que ela estivesse bem, que estivesse feliz.
Bella POV.
- E então, Bella? – Rose perguntou, mas eu não conseguia respondê-la.
Porque o exame dera positivo.
- Estou grávida – sussurrei. – Estou grávida, Rose.
E, de repente, eu estava sorrindo e com lágrimas nos olhos. Porque não importaria o que Edward iria dizer, nem o que iria fazer. Eu não me importava de estar assustada e do que ninguém iria pensar.
Porque ali, no meu ventre, estava crescendo meu bebê. Um ser que dependeria de mim durante anos, um ser que me encantaria, me faria rir, chorar...
- Oh, Bella!
Eu abracei Rose com força, dessa vez sorrindo ainda mais.
- Eu vou estar ao seu lado – prometeu.
Eu apenas assenti, porque sabia que era verdade; onde quer que eu estivesse, ela sempre me apoiaria.
- E, agora, você tem que contar para o Edward... – murmurou.
- Vou esperar uns dias... – murmurei. – Eu preciso, primeiro, me acalmar... Resolver o assunto emprego e a residência, que vou ter que adiar por um ano, no mínimo...
- Ok. Mas não demore, Bella. Eu tenho certeza de que ele vai querer curtir essa gravidez do início ao fim.
Contar ao Edward.
Contar a família dele.
Contar a minha família.
Contar a noiva dele.
Era tudo o que eu conseguia pensar.
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No dia seguinte eu fui conversar com a mãe de Jake. Expliquei-a da minha gravidez, esperando que ela dissesse que não poderia contratar uma mulher grávida. Mas, para a minha sorte, ela me contratou, e disse que eu começaria na próxima semana. Para ser mais precisa, na quinta-feira. Assim, eu poderia me organizar e tudo o mais.
Depois, na quarta, eu fui conversar com o reitor da minha faculdade. Eu lhe expliquei a situação, porque ainda não havia recebido as cartas de aceitação da residência, nos hospitais que eu me candidatara, então não sabia como proceder nesse caso.
- Bom, Srta. Swan – disse-me –, você vai ter que, depois de receber a carta, levar o exame que prova a sua gravidez ao hospital de sua escolha. É simples e fácil.
Com esse assunto resolvido, eu comecei a pensar na melhor maneira de contar ao Edward. Resolvi deixar passar o fim de semana e fui para casa.
E os enjoos e tonturas se tornavam cada vez mais frequentes. Eu vomitava tudo o que comia pela manhã, principalmente, e não suportava algumas comidas que antes amava – mas parecia que meu filho não.
Rose ficou comigo no fim de semana. Eu pedi que ela olhasse tudo do casamento sem mim, por enquanto. Porque eu precisava ter cabeça para contar para tudo, e só depois me preocupar com isso.
Eu marquei com uma obstetra de confiança – que também era ginecologista – por recomendação de Rose. Ela me disse que sabia que Alice e Esme iam nela também. A consulta seria na quarta-feira que vem.
Então, na segunda, acordei certa de que não poderia mais enrolar.
Era dia de contar ao Edward.
Rose foi trabalhar depois de me desejar sorte e eu vesti jeans e uma batinha, além de All Star, claro. Segui até o hospital onde ele trabalhava pouco antes do almoço. Fiquei esperando-o perto de seu consultório, mas ele não apareceu. Perguntei a uma enfermeira e ela me disse que o Dr. Cullen filho tinha ido almoçar na lanchonete do hospital.
Certa de que aquele era o momento, eu segui até lá, pensando em milhares de maneiras de lhe dizer.
E, assim que cheguei, eu o vi.
Edward estava sentado em uma mesa, acompanhado de mais algumas pessoas – inclusive seu pai, Carlisle. Ele estava todo de branco, com o jaleco, e mais lindo que nunca.
Eu tinha que ir lá e lhe dizer, mas não podia. Tinha várias pessoas com ele...
Eu não podia contar...
Não saberia se conseguiria contar algum dia sequer.
Era errado esconder isso dele, eu sabia disso. Completamente errado. Mas, mesmo assim, eu não conseguia me mexer, não podia ir embora. Porque ele tinha o direito de saber, não tinha? Enquanto observava Edward na lanchonete do hospital, eu pensava no que era certo e no que era errado. Eu o amava, e duvidava que algum dia fosse superar esse amor.
Então, por que tudo não podia ser mais fácil? Por quê?
Respirei fundo, perguntando-me que tipo de masoquista eu era.
Imediatamente refiz meus planos. Eu podia pedir demissão de um emprego que eu nem começara e ir morar com meus pais em Londres. Eu sabia que eles iriam me apoiar. E Edward poderia ter o filho de Tanya, se casar com ela e ser feliz.
Eu tinha que partir, tinha que ir embora, antes que ele descobrisse tudo e me impedisse.
Só que eu não podia fazer isso. Agora tinha de pensar no bebê também. E era injusto com ele. Ele e o pai mereciam se conhecer, eles mereciam viver juntos.
Senti as lágrimas em meus olhos, mas não me permiti chorar.
Só que não podia contar naquele momento. Teria de ficar para mais tarde, quando Edward saísse do hospital. Porque ele estava com os colegas e com o pai. E eu não tinha coragem o suficiente para interromper a conversa deles.
Obriguei meus pés a se mexerem, mas antes que eu pudesse sair dali, nossos olhos se encontraram. O famoso calafrio percorreu meu corpo e o meu coração acelerou. Fazia alguns dias que eu não via Edward, mas o tempo, a ausência e a distância não foram suficientes para sequer diminuir o efeito que ele tinha sobre mim.
Ao contrário, cada parte do meu corpo, cada fibra do meu ser, queria cruzar aquele pequeno caminho e me encontrar com ele.
Ele chegou a abrir a boca, certamente para questionar sobre a minha presença ali, só que eu balancei a cabeça.
Olhei-o mais uma vez e dei-lhe as costas.
Andei pelos corredores do hospital, ansiosa para achar a saída. Eu tinha mais algumas horas para me acalmar, pensar em como e no que diria para Edward.
Não consegui segurar as lágrimas por muito tempo, entretanto. Desabei dentro de minha caminhonete, com medo de tudo.
Só que mesmo assim, eu tinha que contar.
Ele tinha o direito de saber.
Como eu criaria uma criança sozinha? Como eu seria capaz de olhar para ela e não me lembrar que o pai não fazia a mínima ideia de sua existência?
Respirei fundo, afastando esses pensamentos de minha mente, enquanto pegava meu celular.
Fitei-o por alguns minutos, pensando nos prós e nos contras.
Por fim, digitei uma mensagem e enviei-a para Edward.
"Precisamos conversar. B."
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