Innocence
12 Capítulo 11 - Decisions
Bella POV.
No dia seguinte, enquanto eu tomava banho, Edward foi buscar os papéis necessários para a minha alta. Antes de eu entrar no banheiro, ele tinha me entregado uma roupa que, de acordo com ele, Alice tinha deixado. Eu a vesti com uma careta e coloquei o sapato esquerdo com cuidado – somente meu tornozelo estava enfaixado – e segui para o quarto.
Edward olhou minha roupa e sorriu.
- Você está linda – murmurou, fazendo com que eu corasse.
- Obrigada – sorri, tentando ignorar meu coração acelerado. – Posso ir embora agora?
- Sim, senhorita – riu. – Você vai ter que voltar na sexta para ver se seu tornozelo melhorou.
- Claro, claro – revirei os olhos. Peguei a bolsa que Alice havia deixado ali e saí mancando do quarto.
Edward me deixou em casa, e foi com pesar que me despedi dele. Eu não sabia simplesmente o que iria fazer, porque a cada dia que passava eu me apaixonava mais por Edward, e isso não podia estar acontecendo. Eu devia estar esquecendo-o, não amando-o cada vez mais.
Eu tinha que fazer alguma coisa.
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Na sexta feira eu já pude andar normalmente. Edward fez questão de me levar ao hospital, sempre rindo quando eu reclamava. Eu não conseguira me afastar dele, simplesmente não dava.
Eu o amava, eu queria ficar perto – se não pudesse ser como eu queria, pelo menos eu podia ser amiga dele.
Eu comecei o estágio e estava gostando. Ficava bem cansada, mas eu sabia que isso logo acabaria.
Em junho eu me formaria... E em julho... Em julho eu teria que receber o embrião.
E aí não haveria mais volta.
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Fevereiro e março passaram voando e logo estávamos em abril. Tanya agora aparecia praticamente todos os dias no hospital, para mostrar roupinhas de bebês, móveis e utensílios. Eu não sabia mais o que iria fazer, porque simplesmente não tinha coragem de virar para Tanya e Edward e dizer que não podia. Que era fraca demais – que havia me apaixonado por Edward.
Alice e eu nos aproximamos também. Como eu não pude fazer comprar naquele domingo com ela, ela vivia tentando me levar em outros fins de semana. Então, em um domingo que eu sairia mais cedo do estágio, eu marquei com ela.
Ela me pegaria no hospital.
Alice me fez ir até meu apartamento, para trocar de roupa. Rosalie não iria poder ir com a gente; ela tinha que fazer um trabalho para a faculdade. Então, depois de pronta, eu e Alice seguimos até o shopping.
Depois de trezentas lojas, sentamos em uma mesa da praça de alimentação e ficamos ali, comendo e conversando.
- Eu posso te fazer uma pergunta? – murmurou Alice, sorrindo um pouco.
- Claro – dei de ombros.
- Você está apaixonada pelo Edward, não está?
Eu engasguei, sem realmente acreditar que ela tinha adivinhado. Será que estava tão na cara assim?
- Eu... – sussurrei, abaixando a cabeça.
- Bella – disse-me –, você tem chances com o Edward. Lute por ele.
- Ele ama a Tanya, Alice – murmurei. – Ele vai ter um filho com ela.
- Não vai – riu. – Não se você não quiser.
- Eu tenho que proporcionar isso para o Edward – suspirei. – Porque ele quer ser pai... E como ele escolheu Tanya...
- O Edward está confuso, Bella. Ele não sabe direito o que fazer e fica tomando decisões precipitadas. Agora, Bella, pense: você se vê entregando o bebê para Edward e Tanya?
Eu fechei os olhos por alguns minutos, imaginando-me grávida, cercada de mimos de Edward, somente porque o bebê estava ali. Imaginei-me andando com Tanya, comprando roupas, conversando sobre enjoos, desejos e tudo o mais. Imaginei-me passando por tudo isso, sabendo que, quando o bebê nascesse, eu não seria capaz de pegá-lo no colo, porque ele não seria meu.
- Não – admiti. – Mas eu tenho que fazer, Alice.
- Não, não tem. Por mais altruísta que você seja, Bella, pense bem. Pense em ser egoísta uma vez, porque uma vez feito, não há mais volta.
- Eu sei – suspirei. – É tanto para pensar, tanto para decidir. Tem hora que eu chego a abrir a boca e dizer para o Edward que não posso, mas... Ele quer tanto isso, e eu posso dar, então...
- Só pense bem, Bella – sorriu. – Você tem todo o direito do mundo, ok?
- Obrigada, Alice.
- Não há de quê.
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Querendo ou não, as palavras de Alice ficaram em minha mente nos dias que se seguiram.
Continuei a trabalhar, estudar, agüentar Tanya... E era simplesmente demais para mim quando Edward a beijava – um mero selinho, de cumprimento, mas que era capaz de acabar comigo.
Eu tinha decisões a tomar, escolhas a fazer.
E não tinha a mínima ideia de como agir.
Era simplesmente demais.
Edward POV.
Tanya estava me estressando.
Todos os dias – sem exceções – ela aparecia no hospital, com roupinhas de bebês, e ficava falando na minha cabeça. Agora, Bella não me acompanhava mais na hora do intervalo, porque Tanya estava lá.
E eu sentia falta de passar esse tempo com Bella.
Ela era tão inteligente e tinha um jeito tão especial. Quando ela falava do estágio, que ela estava cuidando de crianças... Nossa, era simplesmente demais.
Ela ficava tão linda falando daquelas crianças, falando no quão estava animada e no quão feliz ficava quando conseguia cuidar de alguém.
E eu não conseguia mais parar de pensar nela – em todos os minutos do dia –, mesmo quando Tanya estava conversando comigo. Tornou-se um monólogo; era uma conversa tão chata que eu fingia estar escutando.
Quando eu fiquei assim?
Quando eu comecei a querer ignorar minha noiva?
- Tanya – suspirei –, você não pode ficar aparecendo aqui, entendeu? Não pode. Aqui é meu lugar de trabalho, não pode ficar trazendo roupinhas de bebês e tudo o mais. Então, por favor, deixe para fazer isso depois. Depois do meu expediente.
- Tudo bem. Desculpe. É que estou muito ansiosa.
Eu apenas assenti. Fingi estar ocupado, assim não teria que beijá-la. Logo que ela saiu, respirei, aliviado. Esperei que Bella fosse entrar a qualquer momento e me fazer rir de um tombo, um tropeço ou algo do tipo, mas isso não aconteceu.
O resto do dia correu calmo, e na hora de ir embora, me senti meio mal. Eu gostava da companhia de Bella, mas, agora, eu só a veria no dia seguinte.
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Nos dias que se seguiram, eu fiquei pensando muito na história de gravidez de substituição. Não sabia se seria capaz de fazer isso com Bella. E não sabia se queria, mesmo, me casar com Tanya. Muito menos ter um filho com ela – algo que nos ligaria para sempre.
Era confuso – e muito – e eu já não tinha mais ideia do que fazer.
Bella POV.
Março passou e abril chegou. As coisas na faculdade estavam corridas – assim como no estágio –, já que em junho nos formaríamos. Eu tinha trabalhos para entregar, coisas para estudar. Iria ficar louca a qualquer minuto.
Era uma sexta feira, no outro dia teria estágio, mas no domingo não. Pelo menos, eu teria o domingo para descansar e tudo o mais.
O dia foi longo e um pouco cansativo, mas agora eu já podia ir embora. Edward estava dentro do consultório, terminando de juntar suas coisas; as minhas já estavam prontas, então eu estava somente esperando por ele.
- Bella. – Sua voz despertou-me de meus devaneios, e, imediatamente, senti meu coração acelerar somente ouvindo sua voz. Era assim. Somente com a presença dele, eu ficava completamente incoerente. – Vamos?
- Claro. – Tentei sorrir, mas acho que saiu mais uma careta que tudo.
- Então… — Edward disse, assim que chegamos ao estacionamento. Eu o olhei, esperando. – Amanhã vai ter um baile para médicos e futuros médicos, para arrecadar fundos para uma associação que cuida de crianças com câncer…
- Sério? – sorri.
- Sim. – Ele sorriu também. – E eu gostaria que você fosse comigo.
Eu parei, esperando. Edward estava me convidando para sair?
- Eu… — suspirei. – Eu não sei o que dizer.
- Vamos, por favor? – pediu. – Eu prometo que não demoro muito.
- Tudo bem. – Eu sabia que era um erro, mas não conseguia negar quando ele me olhava daquele jeito.
- Ótimo! – riu. – Eu passo no seu apartamento às oito da noite.
- Claro – sorri também. Era inevitável não sorrir quando ele ria daquele jeito. – Até amanhã, Edward.
- Até, Bella.
Edward se aproximou e me deu um beijo no rosto, que foi curto, mas lento o suficiente para fazer meu coração acelerar, minhas pernas tremeram e minhas bochechas corarem.
Ele se afastou, sorrindo, acenou mais uma vez e entrou no carro.
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- Vai com esse vestido, Bella!
Eu tentei ignorar Rosalie, mas sabia que, no final, ela acabaria vencendo. Eu tentava decidir entre um vestido azul e um preto – e Rose insistia que eu usasse outro azul, que ela simplesmente achava maravilhoso.
- Tudo bem – revirei os olhos. – Eu vou com ele.
Eu já havia tomado banho, secado meu cabelo e o prendido em um coque frouxo. Rosalie passara uma maquiagem leve em mim; com a ajuda dela, eu coloquei o vestido, os sapatos, e fui me olhar no espelho.
- Você está linda, Bella! – Rose disse, sorrindo.
- Obrigada – corei.
Assim que terminei de colocar as coisas mais essenciais na pequena bolsa de mão, o porteiro avisou que Edward estava me esperando lá embaixo. Despedi-me de Rose, respirei fundo, e desci.
Olhei-me pela milésima vez no espelho do elevador, enquanto ele descia. Eu estava nervosa, tinha medo de que Edward não gostasse de meu visual. Droga! Ele não tinha que gostar…
Entretanto, eu perdi qualquer linha de razão quando eu o vi. Ele estava lindo, trajado de preto, com a gravata azul – como Rose lhe disse ao telefone para usar. Ele sorriu para mim e tudo se iluminou. Esqueci-me naquele momento que ele era noivo, meu chefe e que eu provavelmente carregaria o filho dele.
- Você está linda – disse-me, sua voz gentil. Eu corei, e ele riu com isso. – Adorável.
Edward abriu a porta do carona para mim e me ajudou a entrar. Eu procurei acalmar minha respiração e fazer minhas mãos parar de tremerem, e quando Edward entrou, eu sorri para ele.
Naquele momento, não importava se ele amava outra, se ele me via somente como uma barriga de aluguel e uma empregada; naquele momento, não me importava, tampouco, se ele não sabia dos meus reais sentimentos por ele. Tudo o que eu queria era ficar perto dele – pelo menos como amiga – naquela noite. Eu pensaria nas consequências – meus sentimentos – depois.
Edward POV.
Bella estava simplesmente… maravilhosa. Ela sorria a todo o caminho e nós conversávamos sobre diversos assuntos.
Eu a apresentei como estudante de medicina no salão, e percebi como os homens a olhavam, como conversavam naturalmente com ela. Bella sabia comandar a conversa, sem deixar que tudo ficasse um tédio.
- Quer dançar? – indaguei, sorrindo.
- Não! Pelo amor de Deus, não deixe ninguém me convidar para dançar.
- Por quê?
- Edward, minha coordenação é péssima, esqueceu? – Foi impossível não rir quando ela falou isso.
- Você vai ficar me devendo uma dança – ri. – Se não for hoje, vai ser em outro dia.
- Tudo bem – bufou.
Nós não ficamos muito lá; era meia noite quando fomos embora. Mas eu gostava da companhia de Bella e isso fora suficiente para me fazer ir dormir feliz naquela noite.
Bella POV.
Assim que eu cheguei ao apartamento, permiti-me pensar. Eu tinha que tomar uma decisão de uma vez por todas. Não aguentava mais ficar pensando em tudo, ficar pensando nos prós e nos contras.
Edward procurava ser sempre prestativo, e eu simplesmente amava conversar com ele. Ele era tão inteligente, tão lindo, tão... tão Edward.
Em menos de três meses eu iria receber o embrião... Iria assinar um contrato... Não teria mais como voltar atrás. Eu tinha que pensar, tinha que decidir.
Só que eu não tinha ideia do que fazer.
(O anjo diz:)
Leve um segundo
Pense nisso
Pergunte a si mesmo
Isso realmente vale a pena?
Realmente vale a pena
Você tem uma boa garota ao seu lado
Mesmo que ela não mereça isso
Não mereça
Eu não sabia com quem conversar, porque tinha medo que as pessoas me julgassem.
O que elas falariam se descobrissem que eu estava apaixonada pelo meu chefe?
E, pior, que ele era noivo?
(Mas o diabo diz)
Olha como ela está olhando para você
Você sabe que você quer mandar a ver
Mandar a ver
E mais, como sua garota pode se machucar
Se ela nem sabe que isso aconteceu?
Que isso aconteceu
Eu só sabia que tinha que tomar uma decisão. Julho se aproximava e depois não haveria mais como voltar atrás.
Eu amava Edward... Não era algo que passaria, eu sabia, porque já tinha feito de tudo para esquecê-lo, mas não adiantava.
Bastava eu vê-lo de novo para perceber que todo o esforço tinha sido em vão.
Isso me deixa tipo Oooh
Porque eu quero fazer o certo
Ela está tão linda esta noite
E isso me faz dizer ooh
Eu quero mandar a ver
Mas eu sei que é errado
Era errado amá-lo, eu sabia. Mas não era algo que eu podia evitar, simplesmente porque não havia nada que eu pudesse fazer.
Era complicado, confuso e estranho.
Eu queria carregar seu filho, mas queria que esse filho fosse meu.
Decisões, decisões
Eu disse decisões, as decisões
Eu disse decisões, as decisões
Eu disse decisões, as decisões
Decisões, decisões
À medida que os dias foram passando, eu fui pensando. Pensar, pensar, pensar. Era tudo o que eu fazia, entre o trabalho, a faculdade e o estágio. Tanya parou de ir ao consultório – o que melhorou e muito meu humor e o de Edward – e era simplesmente muito bom conversar com ele, rir com ele...
Mesmo que isso fosse provocar uma dor mais tarde, quando eu chegasse em casa e visse que Tanya o teria todos os dias, e eu, em breve, pararia de trabalhar como secretária, e aí seria o fim. Eu seria apenas uma barriga de aluguel – e nada mais.
(O anjo diz:)
O que você faria
Se ela estivesse na mesma situação?
Situação
Disse, pense em seu relacionamento
E vá embora, ignore a tentação
Disse tentação
E isso doía tanto, provocava uma dor e um sofrimento tão grandes, que eu me pegava perguntando o que eu tinha feito para passar por tudo isso.
Porque eu não desejava para ninguém – nem mesmo para meu pior inimigo –, a dor que eu estava passando. Ninguém merecia passar por isso. Ninguém.
(Mas o diabo diz:)
Ela é daquele tipo de garota, então não saberá como seria
Ela nunca se colocou naquele lugar
Então agora vá em frente e seja um homem
Apenas certifique-se que ela nunca se saberá
E vai dar tudo certo
Eu me perdia nas conversas com Edward. Simplesmente me esquecia de tudo, quando estávamos conversando.
Nos dias que se passaram, eu me vi saindo com ele, conversando com ele, rindo, brincando, fazendo piadinhas – tudo com ele.
Isso me deixa tipo Oooh
Porque eu quero fazer o certo
Ela está tão linda esta noite
E isso me faz dizer ooh
Eu quero mandar a ver
Mas eu sei que é errado
Ele simplesmente tinha o dom de e fazer sorrir. E eu me permitia ser enganada. Permitia-me pensar que Edward sabia de meus sentimentos, que ele sabia que eu o amava mais que tudo, e que se fosse carregar o seu filho com Tanya, seria apenas porque ele queria ser pai.
Porque eu queria – e podia – proporcionar isso para ele.
Decisões, decisões
Eu disse decisões, as decisões
Eu disse decisões, as decisões
Eu disse decisões, as decisões
Decisões, decisões
Nós nos divertíamos tanto, ríamos das coisas mais toscas… Era tão bom passar um dia com ele. Nem que fosse como amiga, nem que ele não soubesse que eu o amava, que eu sonhava com ele todas as noites. Só que quando eu acordava, eu via que nada não passar disso – um sonho.
Só que as palavras de Alice não saíam de minha mente, também. Eu não conseguia parar de pensar no que ela havia me dito, no que ela havia me perguntado.
Então o que você vai fazer?
Sabe que tem que fazer um movimento
Você vai fazer o certo
Ou mandar a ver essa noite?
Saiba que você tem que escolher
Digo, você sabe que você ama sua garota
E você sabe que ela também te ama
Mas você tem que agir por si mesmo
Valerá a pena perdê-la para você
Eu sabia que não seria capaz de carregar o bebê. E era exatamente por isso que eu tinha que tomar uma decisão.
E rápido.
E era isso o que eu fazia agora. Segurando o meu celular.
Isso me deixa tipo Oooh
Porque eu quero fazer o certo
Ela está tão linda esta noite
E isso me faz dizer ooh
Eu quero mandar a ver
Mas eu sei que é errado
Eu precisava mandar uma mensagem para Edward. Se eu optasse pelo sim – eu iria carregar o bebê deles – eu mandaria uma mensagem para que pudéssemos conversar sobre o contrato.
E se eu optasse pelo não, eu iria mandar uma mensagem para ele, pedindo que ele reservasse um dia para que pudéssemos conversar, e eu simplesmente iria dizer que não podia.
Decisões, decisões
Eu disse decisões, as decisões
Eu disse decisões, as decisões
Eu disse decisões, as decisões
Decisões, decisões
Então o que você vai fazer?
Respirei fundo, fechei os olhos por alguns segundos, e, quando os abri, eu estava determinada.
Digitei uma mensagem para Edward e enviei.
Reserve um dia para que possamos conversar. É urgente. B.
Agora, era só esperar.
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