Innocence
11 Capítulo 10 - Doubts, Parte 2
Edward POV.
Estranho.
Eu me sentia estranho.
Não entendia o sentimento que havia tomado conta de mim quando eu vi o Mike conversando com Bella. Não entendi o que senti quando a vi ali, no estacionamento, tão próxima de mim.
E o beijo... Era errado, mas eu havia gostado, e daria tudo para beijá-la mais uma vez.
Respirei fundo, tentando tirar esses pensamentos da minha mente e segui até a casa dos pais de Tanya. Eu a levaria para jantar hoje e conversaríamos sobre o bebê, o casamento...
E eu já não sabia mais o que pensar. Estava cercado de dúvidas.
Estacionei em frente à casa dos pais de Tanya e liguei para seu celular. Ela avisou que estava descendo e eu fiquei esperando.
Ela chegou e me deu um selinho rápido, pedindo que fôssemos rápidos, porque ela tinha que organizar tudo.
No restaurante, pedimos camarão com legumes – e foi inevitável não pensar em Bella. Ela sempre cozinhava tão bem!
- Então. – Tanya começou a falar e só a assim percebi que estava perdido em pensamentos. – A Bella vai formar em junho, certo?
Eu assenti rapidamente, sem saber o que dizer.
- Então, no começo de julho ela recebe o embrião – continuou. – Teremos que tomar todo o cuidado com ela durante a gravidez. E, assim, no ano que vem poderemos nos casar, Edward! Vamos esperar, é claro, que o bebê tenha pelo menos uns dois meses... Eu vou vesti-lo de branco, é claro, e ele vai entrar comigo na igreja.
E eu visualizei. Visualizei Tanya com um vestido branco, entrando com nosso filho na igreja. E, pela primeira vez, não me senti ansioso.
- Você quem sabe – disse apenas. – Vamos? Eu estou cansado, e tenho uma cirurgia amanhã cedo.
- Claro – sorriu. – Ai, Edward! Eu estou tão animada! Não vejo a hora de ter nosso bebê nos braços.
Somente assenti. Porque, agora, sem entender exatamente o motivo, eu não me sentia tão ansioso mais por ter o bebê nos braços. E nem me casar com Tanya.
Definitivamente, eu estava ficando louco.
Bella POV.
Procurei me recompor rapidamente e segui até o aeroporto. Meus pais já esperavam do lado de fora, com as malas nas mãos. Eu saí de minha caminhonete e corri até eles, abraçando-os demoradamente.
Durante todo o caminho para o apartamento, conversamos sobre os mais diversos assuntos – inclusive o fato de eu carregar o bebê de Edward e Tanya. Meus pais estavam animados com o fato de minha formatura estar se aproximando e comentaram bastante sobre isso.
No apartamento, jantamos. Rosalie e Emmett estavam lá e eles conversaram bastante com meus pais. Eu arrumei o quarto de hóspedes para eles e depois desejei boa noite para todos e fui dormir.
O dia seguinte era um sábado, eu não trabalhava, mas tinha que estudar.
Então, pensando no beijo de Edward – e no fato de que nunca teríamos nada – e não consegui impedir que as lágrimas, mais uma vez, viessem.
Eu sentia meu coração totalmente apertado e uma dúvida se apossando de mim. Não sabia qual decisão tomar, o que escolher...
Era tudo muito confuso.
_
No dia seguinte, à tarde, Alice ligou, convidando-nos para jantarmos com os pais dela. Eu aceitei, queria que meus pais conhecessem os Cullen e tudo o mais. Avisei para eles e para Rosalie e fui terminar de estudar.
Depois, decidi ir tomar banho e me arrumar, ficando, de repente, nervosa.
Será que Edward iria? Será que ele levaria Tanya?
Coloquei uma roupa simples, prendi meu cabelo em um rabo de cavalo e segui até a sala. Meu pai já estava pronto, assim como minha mãe. Então me sentei ao lado dele e fiquei esperando Rosalie.
Assim que ela ficou pronta, fomos até a casa dos Cullen. Decidimos ir todos no carro de Rose, já que não caberíamos todos na minha caminhonete.
Foi Alice quem atendeu a porta, toda animada, já nos puxando para dentro. Ela apresentou Jasper para meus pais, e apresentou Esme e Carlisle também.
Então, eu o vi.
Edward usava jeans escuro e uma camisa azul. Os cabelos estavam molhados, então ele deveria ter acabado de chegar.
- Oi, Edward – sorri, meio constrangida, sem me aproximar.
- Ei, Bella – sorriu também.
Apresentei meus pais a eles e depois de termos conversado um pouco, fomos jantar. Assim que acabamos, tornamos a nos dirigir até a sala, onde todos engataram uma conversa. Eu conversava com Alice, ela queria que eu fosse com ela ao shopping no dia seguinte, e eu tentava dispensar o convite educadamente. Acabou que ficou combinado que eu, ela e Rose iríamos às compras. E todos riram de minha careta.
E então, meu telefone tocou. Pedi licença a todos e segui para um lugar mais afastado. Era o número de Jake.
- Oi, Jake, tudo bom? – perguntei, assim que atendi.
- Bella! – Ele parecia estar... desesperado. – Você pode vir aqui me ajudar?
- O que aconteceu? – indaguei-o.
- Eu estou perto da faculdade. Meu carro estragou e eu preciso chegar em casa rapidamente, porque meu pai está sozinho e ele precisa de mim e tudo o mais. Você pode vir? Eu até pegaria um táxi, mas estou sem dinheiro, e meu carro precisa que uma peça seja trocada, e...
- Claro que posso – ri. – Fique calmo, Jake. Eu chego aí em um instante.
- Ok. Eu estarei te esperando.
Desliguei rapidamente e segui até meus pais. Todos me olharam assim que eu voltei.
- Rose, você pode me emprestar seu carro rapidinho? – pedi. – Eu preciso ir a minha faculdade.
- Claro, Bella – sorriu. – Pode demorar o tempo que quiser.
Eu corei e ouvi risinhos a minha volta.
- Pai, mãe – virei-me para eles –, eu volto já, ok?
- Claro – mamãe assentiu.
- Quer companhia, Bella? – Edward me indagou. – Eu posso te levar no meu carro e te espero.
- Não precisa – sorri. Eu tinha que ficar longe dele. – Eu volto já.
Peguei a chave com Rosalie e segui até o carro dela. Dirigi rapidamente até a faculdade e assim que cheguei, avistei Jacob. Estacionei e acenei para ele.
- Obrigado, Bella – disse ele, assim que entrou no carro.
- Não há de quê – sorri. – Então, diga-me, onde é a sua casa?
Jacob me passou o endereço e eu o deixei lá. Ele agradeceu um milhão de vezes e acabamos ficando conversando. Depois, me despedi dele e tomei o caminho de volta para a casa dos Cullen.
Eu estava quase chegando quando ouvi buzinas. Um clarão forte tomou a minha visão e eu só senti minha cabeça batendo no volante antes de tudo escurecer.
Edward POV.
Não era da minha conta saber onde Bella iria ou o que ela fazia, mas eu estava ficando um pouco ansioso. Fazia meia hora que ela tinha saído e ainda não tinha voltado. Os pais dela não pareciam muito preocupados e nem Rose – parecia que ela tinha levado a sério o fato de oferecer a Bella para ficar com o carro a noite toda.
Por fim, Emmett se ofereceu para levá-los para casa, e Renée e Charlie foram, achando que o atraso de Bella era normal.
Mas será que era? Será que ela tinha ido se encontrar com o ex dela? E, se tinha, o que eu tinha haver com isso? Por fim, decidi me despedir de todos. Jasper já fora embora e Alice morava com meus pais, então, eu fui até meu carro e entrei.
Estava quase chegando em casa, quando meu telefone tocou.
- Alô? – murmurei. Era um número desconhecido.
- Dr. Cullen? Aqui é a recepcionista do hospital aonde o senhor trabalha.
- Algum problema? – Geralmente, eles só me ligavam nos finais de semana quando precisavam de algum plantão urgente.
- A secretária do senhor deu entrada aqui, há uns dez minutos, e eu a reconheci. O celular dela teve perda total e eu só pude pensar no senhor.
Imediatamente, fiquei super preocupado.
- Sem problemas – disse, tentando me manter são. – Eu estou chegando aí.
Desliguei o telefone e dirigi rapidamente até o hospital. Estacionei de qualquer jeito e corri até a recepção. Eu precisava saber se Bella estava bem.
- Dr. Cullen. – A recepcionista sorriu. – Chegou rápido. Ela está na sala 02.
Eu assenti e corri até lá, já pegando meu jaleco e o colocando.
E, na porta, estaquei.
Apenas uma enfermeira estava no quarto de Bella, verificando os aparelhos. Imediatamente corri até ela. Sua testa estava enfaixada e o seu rosto estava levemente inchado.
- Pode me passar a ficha dela? – pedi para a enfermeira.
- Claro, Dr. Cullen. – Ela estendeu a ficha para mim e eu a peguei.
Bella tinha um ferimento na testa e o tornozelo torcido. Fora isso, algumas escoriações leves. Ela havia feito alguns exames e não tinha quebrado nenhuma costela nem nada do tipo. Respirei fundo, aliviado.
- O que aconteceu? – perguntei.
- Parece que um carro invadiu a pista dela – deu de ombros. – A sorte é que era um cara prestativo que ligou para o hospital e tudo o mais.
- Obrigado – sorri. – Pode ir agora.
Eu sentei-me na cadeira ao lado da cama de Bella. Peguei meu celular e disquei o número da casa de Bella.
- Alô? – Reconheci a voz de Rose.
- Rosalie?
- Edward? Algum problema?
- Sim – suspirei. – Bella sofreu um acidente.
- Ah, meu Deus! E como ela está? Ela está bem?
- Está tudo bem – tranqüilizei-a. – Só avise aos pais dela e venham para cá amanhã, ok? No momento, não está em horário de visitas.
- Tudo bem – suspirou. – Obrigada por avisar, Edward. Até amanhã.
- Até.
Eu permaneci ali, com Bella, por um tempo. Ela só acordaria no dia seguinte, então segui até meu consultório. Eu até poderia dormir em meu apartamento, mas queria ficar por perto, caso Bella tivesse algum problema durante a noite. Então, programei meu celular para despertar cedo e dormi imediatamente.
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Assim que acordei, corri para casa e tomei banho. Depois de pronto, voltei ao hospital. Renée, Charlie e Rosalie já estavam lá.
- Bom dia – disse, assim que cheguei perto deles.
- Edward! – Renée veio até a mim, o rosto retorcido em preocupação.
- Fique calma, Sra. Swan – murmurei. – Eu vou lá verificar como Bella está e venho falar com vocês, certo?
- Obrigada – disse apenas.
Acenei para Charlie e Rose e entrei no quarto de Bella.
Ela estava dormindo ainda, e sozinha. Decidi que ficaria ali até ela acordar, e me sentei na cadeira novamente.
Dez minutos depois, Bella começou a resmungar e foi inevitável não sorrir. Lembrei-me das vezes que ela disse que o chão era seu melhor amigo, lembrei-me de quando ela quebrou o braço... Ela realmente parecia um ímã para o perigo.
Inclinei-me um pouco, assim que ela abriu os olhos e piscou rapidamente algumas vezes.
- Bom dia, Bella – murmurei, para não assustá-la. Ela virou o rosto um pouco e me encarou. – Fique calma. Você sofreu um acidente e está no hospital. Está tudo bem.
- Meus pais... – sussurrou.
- Assim que eu terminar de examiná-la, eu vou chamá-los. – Levantei-me e peguei meu estetoscópio. – Preciso que me diga se está sentindo alguma dor.
- Só um pouco de dor de cabeça – suspirou. – Droga! Eu sou muito azarada, não sou?
Eu ri.
- Está tudo bem. Seus exames estão ótimos. Provavelmente, amanhã você vai receber alta e vai ficar em casa durante alguns dias.
- Não posso. Eu tenho que ir para a faculdade e tenho que estudar. E trabalhar, também.
- Eu vou nos dar essa semana de folga, Bella – ri. – Fique tranqüila, nós merecemos isso. E quanto à faculdade, acho que você vai ter que, pelo menos, faltar amanhã.
- Tudo bem – suspirou. – Droga! Eu estou atrapalhando seus planos, desculpe-me.
- Não se preocupe com nada, Bella – sorri. – Só em se recuperar.
- Claro, claro – revirou os olhos. – Eu não tenho nada quebrado, tenho?
- Quebrado, quebrado, não – ri. – Mas tem um tornozelo torcido.
E eu apenas ri, quando ela xingou novamente.
Bella POV.
É claro que eu tinha que sofrer um acidente – meu azar era meu melhor amigo. Eu insisti para que meus pais fossem embora no domingo mesmo. Edward os levou até o aeroporto. Eu iria ficar aqui até amanhã de manhã e teria alta.
Eu insisti também para que Edward fosse embora, mas ele insistiu em ficar aqui durante a noite.
Depois que ele voltou do aeroporto, se sentou ao meu lado e começou a conversar comigo. Eu estava entediada. Tinha ficado o dia inteiro na cama, saindo apenas para ir ao banheiro e tomar banho.
Era inevitável. Toda vez que eu olhava para Edward, eu ficava pensando em tudo. Eu tinha que tomar uma decisão. Não fazia a mínima ideia se seria capaz de carregar o filho dele e de Tanya. E, principalmente, entregá-lo a eles, sabendo que, talvez, eu nunca mais fosse vê-lo.
Antes mesmo que eu me desse conta, as lágrimas tornaram a tomar meu rosto, e eu tentei segurar os soluços. Edward pareceu perceber que havia algo errado e se levantou imediatamente.
- Você está bem? – perguntou.
- Sim – sussurrei. – Só um pouco de dor de cabeça. Quando a enfermeira vem trocar o curativo?
- Ah, eu vou trocar – sorriu. – Aí te darei o remédio e você poderá dormir.
- Obrigada.
Depois que ele trocou o curativo da minha testa, eu me permiti tentar dormir. Só que eu simplesmente não conseguia.
Por fim, desisti, e abri os olhos. Edward ainda estava ali, mas não me encarava. Decidi tomar outro banho e joguei a coberta para o lado. Meu tornozelo estava enfaixado, mas não doía.
- Onde vai? – Edward perguntou, se levantando imediatamente.
- Tomar banho – suspirei.
- Ah, claro – assentiu. – Quer que eu chame a enfermeira para te ajudar?
- Não precisa – ri. – Só vou amarrar alguma coisa no meu tornozelo, para não molhar.
- Eu te ajudo.
- Obrigada.
Eu só queria ficar longe dele, queria esquecê-lo. Mas, ao mesmo tempo, eu queria que ele ficasse comigo...
Eu queria carregar o filho dele, queria poder proporcionar a ele a alegria de ser pai. Eu tinha certeza de que Edward seria um excelente pai. E, ao mesmo tempo, eu não podia. Não podia, porque simplesmente eu não seria capaz de entregar o bebê.
- Droga! – sussurrei, debaixo da água.
Terminei o banho, e, com muito cuidado, saí do banheiro, tornando a colocar a roupa do hospital. Eu não havia lavado os cabelos – o curativo não me deixava molhar a cabeça.
Saí do banheiro e Edward ainda estava ali. Ele me ajudou a sentar na cama, retirou o saco, e me cobriu. Corei.
Ninguém nunca cuidou de mim assim.
- O que foi? – ele perguntou, ao ver que eu corara.
- Ninguém... – suspirei. – Ninguém nunca cuidou de mim assim.
- Sério?
- Sim – dei de ombros. – Meus pais trabalhavam muito. Eu mais cuidava deles do que eles de mim. Eu que cozinhava, arrumava a casa e tudo o mais.
- Mas... – Edward parecia confuso. – E seu ex-namorado?
- Mike queria uma mulher que ficasse em casa para sempre cuidando da casa. Eu terminei depois que ele começou a ficar extremamente obsessivo. E James não deu certo, também. Eu o conheci no segundo ano de faculdade, mas depois de dois meses de namoro, descobri que ele queria só mais uma, então, desde então, estou sozinha.
Edward POV.
Eu estava... impressionado. Bella realmente parecia surpresa quando eu fiquei ali, cuidando dela – e nem mesmo eu conseguia entender isso.
- Eu estou... surpreso – disse. Bella riu. – É sério.
- Não fique – deu de ombros. – Bom, obrigada por tudo, Edward. Sabe, você não precisa ficar aqui. Pode ir ficar com a Tanya.
- Não – neguei. – Vou ficar aqui com você.
Depois que Bella dormiu, eu deitei no sofá que havia ali e fiquei observando-a. Ela era tão linda, tão única, e parecia uma boneca de porcelana; completamente frágil. Eu não entendia porque queria cuidar daquela garota, mas eu queria.
E a cada dia que passava, eu ficava com mais dúvida. Logo entraríamos em março, a formatura de Bella era em junho... Eu não sei se seria capaz de pedir que ela carregasse um filho meu e de Tanya.
Eu não podia ser assim tão egoísta.
Não com Bella. Que tinha um futuro todo pela frente, que merecia ser feliz. Merecia encontrar alguém que pudesse ser capaz de amá-la.
- O homem que ficar com você vai ser um homem sortudo, Bella... – sussurrei, antes de, enfim, deixar que o sono me dominasse.
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