Innocence
28 Capítulo 27 - Resigning
Notas iniciais
Bella POV.
Eu acho que nunca tinha visto Edward dirigir de forma tão rápida como aquela. Meu coração pulava de ansiedade, porque parecia que eu estava prestes a encontrar a Sophie.
Só que estávamos indo para um hospital, o que significava que alguma coisa poderia ter acontecido.
Edward mal havia estacionando e eu já tinha descido, correndo o mais rápido possível – sem, por algum milagre, tropeçar nenhuma vez – até a recepção.
- Por favor, eu sou Isabella Swan... – Fui logo dizendo, sem cumprimentar a moça nemnada do tipo. – E minha filha...
- Sim, entendo. – Sorriu. – Tem uma garotinha com as mesmas características da filha de vocês no segundo andar.
Eu vi que Edward me seguia enquanto eu ia até escadas – ansiosa demais para esperar pelo elevador.
Perguntamos a uma enfermeira e ela nos indicou uma sala. Eu sabia que os policiais estavam por ali, tentando entender o que exatamente havia acontecido, mas, naquele momento, só queria saber se era a Sophie mesmo e me certificar que ela estava bem.
Não encontramos a Sophie assim que adentramos a sala, porém. Um pediatra, que parecia conhecer Carlisle de algum lugar, pediu que sentássemos, antes de irmos encontrar com a nossa pequena.
- Infelizmente – começou –, há um problema.
- Qual? – sussurrei.
- A menina que deu entrada nesse hospital chegou com febre alta, magra demais para alguém de sua idade...
Senti meu coração parar de bater.
- Eu... Eu preciso vê-la.
- Estão sendo realizados exames nesse momento – cortou-me, com um sorriso triste. – Mas temos quase certeza de que ela desenvolveu pneumonia.
Pneumonia...
Meu bebê, que mal tinha completado dez meses, com pneumonia...
Eu ouvi que Edward conversava com o médico, mas, naquele momento, eu não era capaz de prestar atenção a nada. Eu só queria vê-la, tê-la em meus braços, certificar-me que ela ficaria bem.
Só pedia por isso...
Uma batida à porta tirou-me de meus devaneios.
- Com licença, doutor. – Uma enfermeira adentrou o local. – A menina terminou os exames. Os pais podem vê-la.
- Obrigado.
Eu e Edward fomos encaminhados até outro quarto.
E eles abriram a porta para a gente.
E eu a vi.
Deitada, respirando com dificuldade, mais magra, mas minha filha.
Minha Sophie.
- Bebê... – murmurei, sentindo as lágrimas escorrerem pelo meu rosto.
- Sophie... – Escutei Edward murmurar atrás de mim.
Eu peguei nossa filha no colo, sentindo-a mais leve. Ela abriu os olhos verdes – tão verdes quanto os do pai – e eu suspirei.
- Mama... – murmurou.
Edward ficou ao meu lado e estendeu sua mão para acariciar o rosto de nossa filha.
- Papa...
- Ela está tão quente...
Eu só assenti, certa de que, naquele momento, não era capaz de dizer mais nada.
Terceira Pessoa POV.
Ela adentrou a casa e imediatamente estranhou.
Todas as luzes estavam apagadas, o que não era muito comum. Geralmente, a babá que contratara deixava a luz da sala acesa...
Respirando fundo, colocou a bolsa no sofá e se dirigiu até o quarto de Rebecca.
Mas ela não estava lá.
Desesperada, pegou o celular no bolso da calça jeans.
Havia uma mensagem não lida.
Desculpe-me, mas eu não podia mais fazer isso. Eu levei a menina para o hospital. Ela estava com muita febre. É só ir lá buscá-la.
Sinto muito.
J.
Os olhos dela se encontravam arregalados, enquanto um grito escapava de seus lábios. Com raiva e, bufando de ódio, ela jogou o celular na parede.
Ela sabia que não teria outra chance de pegar a menina.
Sabia que, por mais inacreditável que fosse, ela não era mãe mais.
Por quê? Por que ela?
O que ela havia feito para merecer aquilo?
Edward POV.
Foi confirmado que Sophie estava mesmo com pneumonia. Todos da minha família haviam sido informados, assim como os pais de Bella. Meus pais já estavam aqui. Emmett e Rose viriam no dia seguinte, assim como Alice e Jasper. Renée e Charlie chegariam no dia seguinte, já que não conseguiram passagem para hoje.
Bella se manteve no hospital todo o tempo, mesmo que pedíssemos que ela fosse embora. A polícia ainda não havia conseguido informações sobre quem estava por trás do sequestro; mesmo assim, eles continuaram trabalhando.
Sophie ficou no hospital mais dois dias, depois foi liberada. Ela tomaria os medicamentos em casa. Assim, aos poucos, nossa rotina foi voltando ao normal.
Só que Bella continuou afastada de mim.
Falar de nosso conturbado relacionamento parecia algo extremamente proibido. Bella dormia no quarto de hóspedes, eu no quarto que outrora era nosso. Eu ia trabalhar, Bella ia para sua residência...
E parecia que éramos dois estranhos.
No Natal, o primeiro Natal dos bebês, todos fomos para a casa de meus pais. Emmett vestiu de Papai Noel, e foi divertido ouvir as risadas de Thomas, Sophie e Luke. Eles se divertiram bastante naquela noite.
Foi naquela noite, também, que Jasper e Alice anunciaram que se casariam dentro de cinco meses, em maio. É claro que ficamos um pouco surpresos, porque pensamos que eles iriam demorar algum tempo, mas eles estavam feliz, então tudo estava bem.
No Ano Novo, Renée e Charlie vieram, já que eu e Bella não queríamos viajar para Londres, ainda, com as crianças. Estávamos esperando que elas completassem um ano e alguns meses primeiro.
Em Janeiro, começou os preparativos para a festa de um ano de meus filhos, que cairia em um domingo, dia 12 de fevereiro. O tempo estava passando tão rápido!
Bella e eu não queríamos fazer nada; o sequestrador estava quieto, não havia nenhuma pista, e ainda estávamos apreensivos. Porém, quando se tem Esme, Alice e Rose – e até mesmo Renée, que, à distância, queria saber de todos os detalhes – na mesma família... Não havia muito que podíamos fazer.
Foi decidido, então, que o tema seria do filme ‘Procurando Nemo’. Bella e eu estávamos cansados de assisti-lo; mesmo sem entender bem, nossos filhos amavam assisti-lo.
Por isso, num sábado, final de janeiro, Bella saiu com minha mãe, minha irmã e cunhada, para comprar tudo o que era necessário, e a roupa das crianças. Eu, Emmett, Jasper e meu pai ficamos em casa, para ficarmos com a criança.
Nenhum paciente acreditaria se eu contasse, mas era incrível o que o Vovô Carlisle poderia fazer para divertir seus três netinhos.
Luke ainda estava novo, com seus quase cinco meses. Ele estava sentado no colo de Emmett, prestando atenção a tudo a sua volta e mordendo seu brinquedo, enquanto meu pai estava sentado no chão, brincando com Sophie e Thomas.
Thomas pronunciava os famosos ‘vrum, vrum’, imitando um barulho de um carro. Ele vestia uma calça jeans e uma blusa de frio azul, seus cabelos cor de bronze a cada dia mais rebeldes, assim como os meus. Seus olhos brilhavam, enquanto ele chamava meu pai, mostrando seu brinquedo.
Sophie puxava a blusa de meu pai toda hora, para lhe mostrar suas bonecas. Minha filha tinha os cabelos castanhos – que já estavam passando de seus ombros – presos em um rabo de cavalo, seus grandes olhos verdes se movimentando por todo o tapete, procurando por novos brinquedos. Ela estava vestida com um vestidinho verde. E estava a cada dia mais linda.
Eu ainda me perguntava por que alguém tinha sequestrado a minha filha e nem em contato entrado. Parecia estranho isso.
E como ela havia parado naquele hospital? Como? Por que quem a sequestrou a devolveria sem nem entrar em contato?
Era confuso, estranho.
Mas ela estava bem, estava viva.
E eu nunca mais iria deixá-la sumir.
Era doloroso demais.
Agora só restava torcer para que Bella e eu nos juntássemos de novo. Assim, tudo ficaria perfeito.
Bella POV.
Era incrível como o tempo voava.
Naquele momento eu estava fazendo compras. Se me dissessem, alguns meses atrás, enquanto passávamos por aquele aperto com Sophie, que logo eu estava fazendo compras para o aniversário deles... Eu realme nte não acreditaria.
Era claro que eu estava exausta e completamente louca para ir embora. Não podia, entretanto. Era o primeiro aniversário de meus filhos e eles mereciam essa grande festa.
Era só rezar para que tudo desse certo.
Terceira Pessoa POV.
Conforme os meses foram se passando, ela ia tomando mais ódio daquela família.
O modo que eles sempre apareciam sorrindo, o modo como a Sophie, sua Rebecca, parecia tão mais feliz, ao lado do irmão e dos pais. O modo como eles estavam sempre juntos, sempre se divertindo.
E mais preocupados com a segurança do que nunca.
Ela sabia, não haveria outra chance de pegá-la de volta. Talvez, se acontecesse um milagre.
Mas ela sabia, entretanto, que o aniversário de um ano das crianças tinha chegado.
E Edward, mais por educação do que por qualquer outra coisa, havia convidado-a.
Casualmente, é claro. De forma sutil, quase sem querer, ela fez com que ele esbarrasse nela. Assim, acabou tendo que convidá-la.
E, assim, nessa festa, ela estaria perto dos bebês. Estaria perto de sua Rebecca.
Poderia vê-la e fingir que tudo estava bom, que tudo estava tranquilo.
Ela a veria mais uma vez.
Edward POV.
Domingo, 12 de fevereiro. Aniversário de um ano de meus dois filhos.
Todos nós acordamos cedo naquele dia, já que estávamos cheios de coisas para fazer. Bella ligou para Alice, eu e ela demos café às crianças e depois, despedindo-se de nós, saiu de casa.
Ela iria buscar os pais no aeroporto.
Não demorou muito para que Alice chegasse, junto de minha mãe e do pessoal que ela havia contrato para cuidar da festa. Bella chegou pouco depois, junto de Charlie e Renée. Então, eu fiquei com Charlie na sala, assistindo a TV, enquanto Bella subia junto de nossos filhos e as outras mulheres.
Estava na hora de arrumar tudo.
_
Eu realmente não sabia como Alice havia feito para trazer tantas crianças e tantas pessoas à festa.
Alguns eu conhecia; eram colegas de trabalhos, junto de esposas e filhos. Outros eu não fazia a mínima ideia de quem eram, mas também não fazia questão de saber.
Thomas foi o primeiro que desceu, no colo de Renée, fantasiado do peixe Nemo. Sua roupinha alaranjada, com listras, era uma graça, e ele parecia extremamente animado, repetindo a todo o momento que ‘ela um pexe’ e que se chamava Nemo.
Minha mãe e Alice desceram logo depois, dizendo que Bella só estava terminando de colocar os sapatos e desceria com Sophie.
O que logo aconteceu.
Sophie estava vestida de Dory, sua roupinha azul, com preto e amarelo. Ela também sorria, animada, e veio toda feliz me dizer que ‘ela a mais ninda da festa’.
Eu me pegava sorrindo, simplesmente porque era incrivelmente divertido ver meus filhos se divertindo daquela maneira.
A festa estava sendo no enorme jardim e havia seguranças para cuidarem das crianças. Havia pula-pulas e em todo o jardim podia-se ver o tema da festa.
Eu não tinha reparado que mais um convidado havia chegado até ver Tanya, cumprimentando meus pais e conversando com todos. Eu procurei ignorá-la; realmente, não queria falar com ela agora.
Notei, um tempo depois, que Bella parecia tensa demais, ficando perto de Sophie o tempo todo, assim como de Thomas. Eu me aproximei dela, cauteloso.
- O que está acontecendo? – indaguei-a.
- Não é nada – suspirou. – Mais tarde a gente conversa.
Assenti.
- Sente-se um pouco – murmurei. – Eu fico com as crianças.
- Não. Está tudo bem.
Ela se afastou, correndo atrás de Sophie, que insistia em correr, mesmo ainda não tendo forças o suficiente nas pernas para isso. Thomas estava abraçado à perna de meu pai, mostrando todos os detalhes de sua roupinha.
Eu me mantive atento a Bella o resto do dia, percebendo que, mesmo cansada, ela fazia questão de estar perto dos filhos o tempo todo.
Cantamos parabéns, distribuímos o bolo e docinhos. Não muito depois todos começaram a ir embora e a equipe de limpeza começou a organizar tudo. Ofereci para levar os pais de Bella ao aeroporto, e, mesmo parecendo completamente estranho – porque eu achei que ela iria querer ficar mais um pouco com os pais –, ela aceitou.
Eu os levei até o aeroporto, esperei que eles embarcassem e me dirigi até em casa novamente. Quando cheguei, tudo estava limpo novamente, e vazio.
Fui até o andar de cima, até o quarto das crianças, onde Bella terminava de colocar um pijama em Sophie. Nossa filha estava quase dormindo, o que me fez supor que ela estava exausta. Thomas já dormia no berço, com seu pijama de carrinhos.
- Ah, oi, Edward. – Escutei Bella dizer, enquanto colocava Sophie no berço. – Precisamos conversar.
Assenti.
- Vamos lá para baixo, por favor.
Eu a segui, depois de dar um beijo nas crianças, até a sala. Bella se sentou em um dos sofás e suspirou.
- O que foi? – perguntei.
- Eu acho que sei quem sequestrou a nossa filha.
Congelei.
- Quem? – Consegui pronunciar, sentindo um ódio tremendo. Eu mataria a pessoa que tentou machucar meu bebê.
- Eu... Eu não sei como sei disso, mas essa pessoa esteve aqui hoje, na festa. E ela olhava de uma forma tão estranha para a Sophie... Quando ela a abraçou, desejando parabéns, a Sophie se encolheu todo, recuando, e me chamando...
- Quem foi, Bella?
- Foi a Tanya.
Bella POV.
Durante alguns minutos, Edward me encarou como se eu fosse louca, e isso podia até ser verdade, mas eu nunca tinha tido tanta certeza de algo na minha vida.
Edward respirou fundo.
- Eu sei que você tem alguns problemas com ela... – começou. – Mas, Bella, por que ela faria algo do tipo?
- Porque ela é doente! Por que a Sophie teria medo dela, Edward? Por que a Sophie iria recuar daquela maneira e Tanya a olharia com aqueles brilhos nos olhos? Por quê?
- Eu não sei, mas...
- Eu sei que é difícil de acreditar, mas acredite em mim, por favor – pedi. – Eu não confio nela, ela precisa de ajuda, e o modo que Sophie reagiu quando a viu...
- Bella, isso é absurdo.
Eu respirei fundo e mordi o lábio inferior, certa de que já tinha feito tudo o que podia fazer.
- Tudo bem, então. – Levantei-me. – Boa noite.
E saí dali, sem me importar em esperar uma resposta de Edward.
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A semana se passou comigo dividindo meu tempo entre a residência e as crianças. Eu não havia falado de minhas suspeitas com mais ninguém, mas a cada dia eu ficava com mais medo. Medo de que algo acontecesse com eles.
E eu sabia que continuaria sentindo esse medo até que eu tomasse uma decisão.
Uma decisão complicada, difícil, dolorosa...
Mas a única que – pelo menos, eu acreditava – manteria meus filhos a salvo.
E, desde o momento que descobri que estava grávida, soube que, dali em diante, toda e qualquer decisão que eu tomasse, seria em benefício deles. Seria pensando neles acima de qualquer coisa.
E era por isso que eu estava conversando com minha mãe naquele momento.
- Tem certeza, Bella? – Renée indagou-me pela décima vez. – É claro que eu ficaria imensamente feliz, assim como seu pai, mas é uma decisão complicada...
- É a única maneira de ter meus filhos seguros. Tenho certeza, mãe.
Nós conversamos por mais alguns minutos, mas eu logo tive que desligar.
Edward chegaria a qualquer momento e eu teria que contar a ele sobre minha decisão.
Sophie e Thomas já estavam devidamente agasalhados e em seus respectivos berços, ambos dormindo. Edward teve uma cirurgia complicada, de última hora, o que me levou a vir embora para casa sozinha, assim que terminei o que tinha de fazer no hospital.
Ouvi o barulho da porta e imediatamente fiquei tensa, sem saber como Edward reagiria ao que eu falaria. Mudaria nossas vidas, mudaria tudo.
Eu sabia disso.
E, talvez, ele fosse me odiar para sempre.
- O que foi? – Seus olhos verdes me analisaram e sua testa franziu.
- Eu... Eu tenho algo importante para lhe dizer.
- Então diga – sussurrou, tenso.
- Estou indo embora – soltei. – Com Sophie e Thomas.
- Embora? Por quê? Como? Para onde?
Eu nunca o havia visto tão desesperado.
- Para Londres. Vou morar com meus pais.
Notas finais
Eu sei que foi meio que maldade parar nessa parte, mas... Enfim, foi um capítulo um pouco complicado de escrever e eu realmente sinto muito por ter demorado tanto para escrever e postar, mas extraí dois sisos e fiz outra pequena cirurgia na boca, então eu fiquei com dor a semana inteira. Era difícil escrever diante dessas circunstâncias.
Não sei quanto tempo o próximo capítulo vai demorar. Tem muita coisa para se explicar nele e eu não quero que nenhuma ponta fique solta. Vou tentar postar no final de semana que vem, mas não é algo que eu garanto para vocês.
Enfim, é isso.
Beijos,
Deh C.
/ Fla (L)
N/B: vadia.
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