Innocence

29 Capítulo 28 - Stay


Notas iniciais
Último capítulo! DD:

Bella POV.


Talvez fosse até um pouco egoísta da minha parte, mas, naquele momento, tudo o que eu queria era manter meus filhos em segurança. Edward não acreditara em mim quando eu dissera que era Tanya... E eu simplesmente não podia me manter ali; perto dela, colocando meus filhos em risco.

Eu sabia que sofreríamos; eu, com a falta de Edward. Ele, com a falta de nossos filhos. Toda a família Cullen sofreria com a falta dos bebês. Mas eu só queria mantê-los seguros.

Era tudo o que eu queria.

Talvez se eu tivesse contado a alguém, principalmente a Edward, o que Tanya me dissera no Central Park há mais de um ano... Não, ele não iria acreditar em mim nem se eu tivesse contado isso. Talvez fosse incapaz de acreditar que a ex-noiva tivesse mesmo dito isso.

Seria sempre assim.

Edward nunca superaria Tanya novamente.

Suspirando, fitei Edward, enquanto ele assimilava tudo o que eu havia acabado de dizer. Ele apertava a maleta dele com força – a maleta que eu havia dado de presente – enquanto me fitava.

- Não pode estar falando sério. – Ele passou a mão nos cabelos, enquanto respirava fundo. – Não pode tirar meus filhos de mim. Não pode ir embora, assim, do nada, Bella.

- Não é do nada. – Eu não sabia como estava conseguindo falar de maneira tão calma. – Eu apenas quero a segurança dos meus filhos em primeiro lugar, Edward.

- Eles estão seguros! – Edward largou a maleta no sofá e se dirigiu até a mim. – Por favor, não faça isso.

Os olhos verdes dele, cheios de sentimentos, me olharam, súplices. Eu suspirei.

- Não estão, Edward – sussurrei, gentil. – Eles correm perigo a cada dia que passa e eu simplesmente não posso deixar que isso aconteça. Você poderá visitá-los quando quiser, sem nem avisar, só não me peça para ficar.

- Eu contrato seguranças, faço o que você quiser. Só... não vá.

- Eu sei que vai ser dolorido ficar longe deles, Edward, e pode parecer egoísmo, mas eu não posso deixar que eles corram perigo. E sinto que em Londres estaremos seguros.

- Bella... Por que você não entende?

- Eu sinto muito, mas não há muito que posso fazer. Vou ficar aqui até conseguir outra residência, em Londres, e então partirei.

- Bella...

- Boa noite, Edward.

Certa de que eu não seria capaz de ficar ali muito tempo sem sucumbir àquilo que ele queria, dei-lhe um beijo na bochecha e subi, deixando enfim que as lágrimas escorressem, de uma maneira silenciosa, pelo meu rosto.

Edward POV.

Eu permaneci parado, observando Bella se afastar, ainda chocado para dizer qualquer coisa. Ela parecia decidida, mas não eu deixaria. Conversaria com mais calma com ela depois.

Eu simplesmente não podia deixar que ela fosse embora.

Não conseguia me imaginar longe dela e de meus filhos. Não acompanhá-los a cada dia que passasse, não vê-los crescer, não estar lá com eles quando eles precisassem de mim, e só vê-los a cada quinze dias.

Dormir foi uma coisa completamente difícil naquela noite, e, no dia seguinte, nem confrontar Bella eu conseguira, porque ela acordara cedo, alimentara as crianças e saíra. Eu não sabia para onde, mas a babá comentara que ela não parecia muito feliz.

Despedi-me de meus filhos com um beijo e um abraço demorados.

E então fui trabalhar.

Rose POV.

Desde que meu filho, Luke, nascera, minha vida mudara completamente. Antes eu pensava em fazer trilhões de cursos para melhorar o diploma que eu já tinha. Agora não. Ainda com a licença maternidade, eu dedicava meu tempo a ele e a Emmett. Ambos estávamos bastante felizes que nosso filho, apesar de ter nascido prematuro e nas circunstâncias que nasceu, estava bem.

E saudável.

E é claro que devíamos tudo isso a Bella.

Minha melhor amiga.

Bella sempre foi o tipo de pessoa que prefere sofrer a deixar outros sofrerem. As escolhas que ela fez na vida nunca foram pensando nela, e, sim, em outras pessoas.

Como quando ela aceitou ser barriga de aluguel da Tanya e do Edward. Como quando ela aceitou morar com ele pelos bebês – e bem no fundo, embora não quisesse admitir, ela o amava.

Ela sempre foi esse tipo de pessoa; amável, sincera, generosa, altruísta. Ela tinha tantas qualidades.

E bastava olhar para ela que sabíamos o que havia de errado. Bella era um livro aberto; qualquer um que ficasse com ela o tempo suficiente saberia que havia algo errado ou algo certo. Bastava olhar para aqueles olhos que mostravam sua alma.

E quando eu abri a porta da minha casa, naquele dia, e vi minha amiga, com os olhos tão assustados e arregalados, eu sabia que havia algo errado.

- Oi, Rose – murmurou, tentando sorrir um pouco. E é claro que não deu certo. – Posso entrar?

- Claro.

Eu me afastei dela, e, assim que ela passou, fechei a porta, trancando-a em seguida.

- Onde está o Luke? – indagou-me, sentando-se no sofá que eu havia apontado para ela.

- Está dormindo. – Sentei-me também. – O que há de errado, meu bem?

Os olhos de minha melhor amiga se encheram de lágrimas.

- Rose... – começou. – Eu estou indo embora. Para Londres.

Respirei fundo, tentando manter a calma. Eu precisava dela para entender exatamente o porquê de Bella querer isso.

- Por quê?

- Eu disse para o Edward que tinha descoberto quem era a seqüestradora da Sophie. – Bella sussurrava, enquanto lágrimas escorriam de seus olhos.

- E quem era? – sussurrei, cerrando minhas mãos em punhos.

- Eu... Tanya.

Tanya.

De repente, todas as peças embaralhadas de um quebra-cabeça maluco pareceram fazer sentido, encaixando-se sem nenhuma dificuldade, como se fosse, o tempo todo, óbvio.

- Tanya... – murmurei. – Por que ninguém se deu conta disso antes?

Bella respirou fundo e mordeu o lábio inferior.

E eu sabia que havia algo que ela não tinha contato.

- Fale, Bella.

- Promete que não fala isso com ninguém? – sussurrou.

Assenti, certa de que iria me arrepender depois.

E me arrependi.

Quando Bella começou a falar, eu fiquei completamente chocada. Eu não conseguia acreditar que, naquele dia, quando Bella disse que Tanya a tinha levado até o Central Park, para as duas conversarem, ela tinha pedido o bebê...

- Bella... – Minha boca se abria e fechava. – Você... Por que não contou isso para ninguém?

- Edward ainda sente algo por ela, Rose – murmurou, com lágrimas jorrando de seus olhos. – Ele nunca iria acreditar em mim.

Nós conversamos por mais alguns minutos e eu aconselhei Bella o máximo que pude. Assim que ela saiu, eu peguei o Luke e parti para a casa de Esme.

Eu precisava deixar o Luke um pouco lá e depois ir conversar com a Alice.

E aí sim nós agiríamos.

Não podíamos deixar que Bella e Edward se separassem, que ela levasse os bebês embora. Não podíamos, principalmente, deixar que Tanya se safasse.

Ela precisava de tratamento.

E urgente.

Edward POV.

Naquela noite Alice me ligou, séria, pedindo que eu fosse até o apartamento que ela dividia com Jasper, naquela noite. Eu lhe expliquei que não podia, que queria ficar com meus filhos, mas o jeito que ela falou...

Minha irmã não costumava ser assim, só quando ela queria falar algo sério.

Então, eu fui.

E me surpreendi quando encontrei Rosalie ali também.

- Ok. – Passei a mão nos cabelos, extremamente nervoso. – O que está acontecendo?

- Há algo que precisamos lhe contar.

E a medida que as palavras foram saindo de suas bocas, eu fui me surpreendendo a cada vez mais.

- Preciso falar com Bella – murmurei, já me levantando. – Agora.

Bella POV.

Eu estava dando banho em Thomas, enquanto nossa babá terminava de vestir Sophie. Estava exausta, tanto física quanto emocionalmente, e louca para me deitar, dormir, e esperar que tudo se resolvesse sozinho.

Mas é claro que não iria.

A babá foi embora, as crianças dormiram, já se passava das nove da noite, e Edward ainda não havia chegado. Tentando não pensar muito nisso, suspirei, e me dirigi até o quarto, partindo para o banheiro.

Deixei que a água quente escorresse por minhas costas, lembrando-me dos acontecimentos daquele dia. Conversar com Rose fora bom, me fez tirar o peso daquela conversa com Tanya de quando eu estava grávida e ainda dividia um apartamento com minha amiga.

Permaneci ali por mais algum tempo e, assim que saí do banheiro, dei de cara com Edward.

Sentado na minha cama.

- Hmmm... – murmurei, sem saber o que dizer.

Ele me encarou, sério, e cruzou os braços.

- Bella... Eu vou te fazer uma pergunta... – sussurrou. – E eu realmente quero que você seja sincera, por favor.

- Tudo bem...

- Naquele dia, que Tanya te levou ao Central Park, o que ela disse?

- Edward...

- Por favor – pediu. – Me diz a verdade.

E olhando para aqueles olhos verdes, contei.

Porque eu realmente não conseguia mais esconder aquilo.

Flashback.

- Ontem eu fui até o apartamento de Edward. – Assustei-me um pouco por ela ter começado a falar, mas logo me acalmei e continuei a olhar para qualquer lugar, menos para Tanya. – Eu imaginei que ele ia dizer que você tinha mudado de ideia, que ia carregar um bebê nosso... Imaginei qualquer coisa. Imaginei que ele fosse falar do casamento, ou que ia fazer uma viagem. Mas nunca, nunca mesmo, imaginei que ele fosse falar que havia me traído.

“Você não imagina a dor que eu senti, Bella, quando ele me disse que você estava grávida de um filho que eu, a noiva dele, nunca poderia dar. Não assim. Não comigo tendo enjoos, não com a minha barriga crescendo... E era óbvio, mesmo se sentindo mal por ter me traído, que Edward está animado com o fato de ser pai. Eu vi isso nos olhos dele.”

- Tanya, eu... – murmurei, sentindo as lágrimas começarem a escorrer.

- Você o ama, Bella. – Não era uma pergunta, era uma afirmação. – Você o ama, não fez por mal, eu sei. Só que você sabe também que Edward não te ama de volta.

As lágrimas rolavam com mais força e eu não via como impedir Tanya de vê-las. Ela sabia que eu amava seu noivo, assim como sabia que eu nunca poderia tê-lo.

Porque Edward não me amava.

- E, pensando nisso tudo – continuou –, é que eu peço que você, depois que esse beber nascer, dê-o para mim. Eu vou criá-lo com Edward, Bella, e nós três seremos muito felizes.

- O quê? – Eu olhei para ela. – Não, Tanya. Eu não vou dar meus filhos. Eu estou grávida de gêmeos.

- Então... Você pode me dar um – sussurrou, ignorando-me. – E o outro fica com você.

- Não, Tanya. Que tipo de pessoa pensa isso? Eu nunca seria capaz de pensar em dar meus filhos.

Levantei-me e, antes que Tanya pudesse falar alguma coisa, saí dali.

Fim do flashback.

Eu respirei fundo, mordendo o lábio inferior, e sem encarar Edward.

Será que ele seria capaz de acreditar em mim ou preferiria acreditar em Tanya?

Então, de repente, senti Edward perto de mim e uma mão sua erguer meu queixo, fazendo com que eu o olhasse. Nervosa, fechei os olhos.

- Bella. – Sua voz era baixa e tensa. Engoli em seco. – Abra os olhos, por favor.

- Não posso – sussurrei. – Já faz tanto tempo, Edward. Por que isso é relevante?

- Porque eu preciso que você olhe em meus olhos.

Eu os abri e fitar aqueles orbes verdes fez com que meu coração batesse com o dobro de velocidade.

- Por que não me contou antes, Bella? – murmurou. – Por quê?

- Você a ama, Edward. – Doía, muito, dizer aquilo. Mas Edward a amava. – E eu não queria que você pensasse que eu estava dizendo aquilo apenas para que ficasse comigo e com os bebês. Você era livre para fazer o que quiser.

- Eu não a amo – disse, de maneira firme. – Quantas vezes eu vou ter que repetir que não a amo? Parece que não importa, já que você nunca confia em mim.

- Não é isso... – suspirei. – E também não importa. Eu vou me mudar, Edward. Eu preciso manter nossos filhos seguros.

- Eu te entendo. – Finalmente ele tirou a mão de meu queixo. Só que ao mesmo tempo em que eu tinha gostado, porque meu coração só se sentia mais agitado com sua mão ali, eu queria que ele a colocasse ali de volta, porque sentia falta de seu toque em mim. Doentio, não? – Mas não vá, por favor.

- Edward, eu sei que não quer ficar longe deles, mas é o melhor.

- Me dê alguns dias – pediu. – Eu vou fazer Tanya confessar, eu vou dar um jeito nisso, só, por favor... Por favor, Bella...

- E as crianças? – sussurrei.

- Elas não vão ficar nem um minuto sozinhas, eu prometo para você.

E olhando para aqueles olhos verdes, eu assenti.

Porque eu era capaz de acreditar, sim, em Edward.

Edward POV.

Tudo esclarecido entre Bella e eu, comecei a colocar meu plano em prática. Contratei dois seguranças, que trabalhariam cada um em um turno. Eles trabalhariam, óbvio, de forma discreta. E isso acalmou Bella.

Um pouco.

Os bebês nunca ficavam sozinhos. Além dos seguranças, da babá, sempre havia minha mãe, Alice, e até mesmo Rosalie – levando o pequeno Luke, claro – que apareciam por lá.

E naquele momento eu estava caminhando para tirar toda aquela história a limpo.

Sobre Tanya ter dito aquelas coisas para Bella no Central Park, sobre ter sequestrado a minha filha.

Ela precisa de tratamento.

E muito sério.

Dirigi até a casa dos pais dela, local que eu não vinha há muito tempo, e estacionei, saltando dali rapidamente. Então, depois de respirar fundo, toquei a campainha.

E foi a mãe de Tanya quem atendeu.

- Edward? – sussurrou confusa.

- Olá, senhora Denali. Eu sei que é muito grosseiro da minha parte chegar aqui, depois de tanto tempo, e dizer o que vou dizer, sem nem conversar com a senhora direito, mas... eu poderia falar com a Tanya? É urgente.

Ela assentiu, mais confusa que antes, e me dando passagem para entrar.

A casa dos pais dela era enorme, não tanto quanto a dos meus pais, mas grande. A senhora Denali me encaminhou até o escritório do marido dela e pediu que eu esperasse ali, que ela iria chamar a sua filha. Eu fiquei em pé mesmo, nervoso demais para sentar.

Alguns minutos depois, Tanya adentrou o local, e eu a encarei.

Eu já havia amado essa mulher, mas ela nunca me amou realmente. Acho que ela sempre me viu como um bom pai para o filho que um dia ela julgava que teria comigo. Ela era bonita, claro, mas... não entendi. Não entendi porque me prendi tanto a ela, porque aceitei tanta coisa e passei por tanta coisa.

Porém, se não fosse por tudo o que tinha acontecido, talvez eu nunca tivesse me envolvido com Bella e talvez nem a conhecido.

- Edward... Oi.

- Olá, Tanya – disse, formal. – Eu preciso conversar com você.

- Claro – assentiu, dirigindo-se até uma das poltronas que havia ali. – Sente-se.

- Não, obrigado. Estou bem.

Ela tornou a assentir, cruzando as pernas de forma tensa.

- Eu... Eu preciso que, em consideração a tudo o que aconteceu, você me fale uma coisa... – sussurrei. – Preciso que seja sincera, não importando-se com mais nada, e que não tenha medo do que vá acontecer.

- Claro. – Engoliu em seco.

- Tanya... Lembra-se de uma noite, que você foi atrás da Bella, e lhe disse algumas coisas? – murmurei. Ela assentiu, ainda nervosa. – O que você exatamente disse?

Ela me olhou, parecendo um pouco confusa.

- Edward...

- Diga – pedi. – E diga a verdade, por favor.

E ela me contou.

Exatamente o que Bella havia dito.

- Pronto. Foi isso. Satisfeito?

Sorri.

- Sim. Porque você acabou de me dar a confissão que eu precisava. Foi você quem seqüestrou a Sophie.

- Edward! – Tanya se levantou. – Eu nunca faria isso.

Mas ela tremia – e muito.

- Faria sim, Tanya – disse, ríspido. – Mas... por quê? Ela é apenas uma criança! E não tem nada a ver com seus problemas! Sabia que ela teve pneumonia? Sabia que ela ficou bastante doente, que ficou assustada, que chorou durante dias? E tudo por sua culpa?

- Edward... Não fui eu! Acredite em mim, por favor.

- Foi você, Tanya. Por que não para de mentir de uma vez?

- Eu...

- Só fale, por favor.

- Sim – soltou. – Fui eu quem sequestrou a Sophie.

Naquele momento, várias emoções passaram por minha mente.

Ela fez minha filha sofrer, sabe-se lá por que, sabe-se lá para que.

Por que ela iria querer que um bebê, que minha filha, sofresse assim?

- Então, agora – disse com muita dificuldade –, você vai confessar para a polícia.

E eu simplesmente me esqueci de todo o meu cavalheirismo quando a peguei pelo braço e a arrastei.

Tanya POV.

Pela minha cabeça várias coisas se passavam enquanto Edward me arrastava até uma delegacia. Ele não me dirigiu a palavra, mas eu pude notar que ele estava nervoso.

Não adiantava fugir, nem negar. Ele havia feito com que eu confessasse.

Agora eu nunca mais seria mãe.

Edward pediu que um policial ficasse me vigiando enquanto ele conversava com o delegado responsável pelo caso. Não demorou muito para que eu fosse chamada.

Para a sala de interrogações.

Edward POV.

O meu celular vibrou enquanto eu conversava com o delegado, então pedi licença.

Era uma mensagem.

De Bella. Perguntando o que tinha acontecido. E eu mandei uma para Bella, lhe explicando o que tinha acontecido. E ela me mandou outra de volta, dizendo que chegaria ali.

Em breve.

Então, nós nos dirigimos até a sala de interrogatório.

E olhamos para Tanya.

Era hora de ela começar a falar.

Tanya POV.

Eles se apresentaram para mim. Um a um. O escrivão, a psicóloga, o delegado e o investigador. Edward estava ali ao meu lado, e não demorou muito para que a Isabella chegasse.

Ela não me olhou, apenas cumprimentou os outros educadamente. E se sentou ao lado de Edward, que segurou a sua mão.

E aquilo não doeu.

- Então, Srta. Denali – começou o delegado –, conte-nos tudo. Desde o começo. Nós temos todo o tempo do mundo.

Eu respirei fundo, abaixando minha cabeça por alguns momentos, para logo depois levantá-la.

E contar a minha história.

- Desde muita pequena eu sonhava em ser mãe – murmurei. Eu sentia todos os olhares em mim, mas não olhava para ninguém em especial. – Tinha minhas bonecas, as casinhas, roupinhas... E cuidava delas como filha. Ao longo de minha adolescência fui fazendo planos e traçando metas. Meus filhos teriam um pai bem sucedido, teriam uma boa família. E nós seríamos felizes. Eu garantiria isso. Seria uma boa mãe.

“Só que eu sempre conhecia caras que não pareciam querer uma família. Namorei algumas vezes, tive casos longos... Até conhecer Edward. Ele parecia ser um bom cara, tinha uma boa família, era responsável, inteligente e médico. E bonito. Parecia que eu tinha encontrado a pessoa certa. Nós saímos, namoramos... Ele me pediu em casamento. E nós falávamos de filhos. Sempre falamos. E ele sempre disse que queria ser pai. E nós tentamos. Mas eu não ficava grávida. E isso começou a me machucar bastante.

“Começamos a freqüentar médicos... Eles diziam as mesmas coisas. Começava com os pedidos de exame, depois eles falavam de questões psicológicas. Os exames do Edward sempre davam normais... E os meus, bom, meu útero não conseguia segurar uma gravidez. Tentamos inseminações, mas não deu certo. E então uma médica sugeriu a barriga de aluguel.”

Isabella tremeu levemente, eu percebi isso. E vi que Edward apertou sua mão com um pouco mais de força também.

- No começo – continuei –, Edward ficou um pouco receoso, mas logo aceitou. E nós procuramos por diversas pessoas. E então, eu percebi que a Isabella seria uma ótima candidata. Fiz com que o Edward se aproximasse dela... Só que eles acabaram se aproximando mais do que devia... E um tempo depois, o Edward me contou que a Bella estava grávida, dele...

“Eu não sei bem o que senti, só que ela podia lhe dar filhos, não eu. Então fui atrás dela, pedindo que desse o bebê a mim... Fiquei por perto durante toda a gravidez, e quando os bebês nasceram, eu tive que ir até o hospital... E quando eu vi a menina... Ela era tão linda! Não tinha quase nada da mãe, só de Edward...

“E durante os meses que se passaram, eu fiquei por perto, observando cada movimento que eles davam... E quando tive uma oportunidade, eu mesma entrei na casa, com a chave que eu conseguira, fazendo uma cópia da chave da babá, e peguei a Sophie. Só que ela começou a ficar doente e a babá que eu contratei a levou para um hospital.”

Eu me calei. Não havia mais nada para eu falar.

Bella POV.

Nós já havíamos saído da sala de interrogatório e agora estávamos esperando para ver o que aconteceria.

- Está tudo bem com você? – Edward sussurrou.

- Sim, tudo bem.

Na verdade, eu não sabia o que pensar, nem como me sentir. Tudo estava solucionado, meus filhos seguros...

Mas e Edward? Será que ele estava bem? Será que ele não estava nem um pouquinho triste que a mulher que ele amava fosse presa ou algo do tipo?

- Tem certeza? Você não parece muito...

- Com licença. – A psicólogo adentrou o local, interrompendo Edward. Agradeci-a mentalmente por isso. – Quero conversar com vocês antes de vocês irem.

- Claro – sussurrei.

- Quero que saibam para onde Tanya será levada e por quê. E quero que tenham consciência da doença dela também.

- Doença? – Edward indagou-a. – Tanya tem uma doença?

- Sim. – A psicóloga se sentou e suspirou, olhando para nós. – Pessoas que querem filhos acima de tudo, chegando ao ponto de seqüestrar outras apenas para virar mães, e fazer tudo o que sua ex-noiva fez, Sr. Cullen, se chama obsessão. E quando atinge certo ponto, não é normal.

“A Srta. Denali era obcecada, para ter um filho. Ela idealizava isso, colocava na frente de qualquer coisa, e, bom, ela não queria um homem para amar, para ter uma família. Ela queria um bom partido para que pudesse passar bons genes para o filho. E era só isso.”

Não olhei para Edward, porque eu simplesmente era covarde demais para isso. Saber que amava uma mulher que era doente e que só queria seus genes... devia doer. E muito.

Assim como doía saber que Edward amava outra mulher e que nunca seria capaz de me amar.

- Ela não vai ficar aqui, presa. – Eu acho que a olhei tão assustada, que ela riu um pouco. – Calma, Srta. Swan. Nós vamos levá-la para uma clínica psiquiátrica e ela será internada. Quando melhorar vai ser transferida para um presídio feminino.

Suspirei.

- Ela vai tomar os medicamentos certos, obviamente – continuou. – Veremos como ela vai reagir e então... É isso.

- Podemos ir? – sussurrei. Tudo o que eu queria era ver meus filhos, abraçá-los e beijá-los até eles me pedirem para afastar.

- Claro.

Eu assenti, agradeci e saí dali.

Edward POV.

Tanya nunca me amara... Nunca.

Mas... agora, parando para pensar em tudo, só me xinguei, porque eu nunca havia parado para pensar nisso antes.

Ela nunca me amara. Eu nunca realmente a amara. Talvez estivesse encantado...

Eu amava Bella. E tinha mais certeza do que nunca agora.

Quando chegamos em casa, Bella e eu ficamos brincando com os gêmeos, os nossos corações mais leves, agora que praticamente tudo estava resolvido. Agora só faltava eu me acertar com a mãe deles que eu sabia que tudo ficaria bem.

Não demorou muito para que Sophie andasse até a mim e se aconchegasse, bocejando e fechando seus olhinhos verdes. Thomas demorou um pouquinho mais, mas logo estava dormindo também.

E só restavam Bella e eu acordados.

- Bella... – murmurei. – Podemos conversar?

Ela assentiu, mordendo o lábio inferior, e me seguiu até a sala. Eu sorri para ela e ela meio que tentou retribuir o sorriso; mas saiu mais uma careta do que tudo.

- Olha... – suspirei. – Eu sei que você não consegue acreditar nisso, mas eu quero deixar bem claro para você. E resolver isso de uma vez por todas.

- Não estou entendendo. – Bella realmente parecia confusa.

Suspirando pesadamente, me ajoelhei diante dela e olhei para seus olhos.

- Isso, Bella. – Apontei para ela e para mim. – Nós nos beijamos, ficamos juntos às vezes, e é tão bom! Só que no dia seguinte você age como se nunca tivesse acontecido nada.

- Edward...

- Não – interrompi-a. – Eu quero falar. Depois eu deixo você.

Ela assentiu.

- Você me encantou desde o primeiro momento que eu te vi. Foi a única que foi capaz de provocar tudo isso que provocou em mim. Eu me sinto bem só de te ver, de ver nossos filhos... E te ver sorrir, corar... É a melhor coisa do mundo para mim, Bella.

“Eu quero uma vida com você. Quero tentar, quero ser feliz. Quero ter mais uns mil filhos com você. Quero envelhecer ao seu lado. Eu te quero, Bella.”

- Edward, você está confuso. Eu entendo. Você acabou de saber que a mulher que você ama vai presa, que ela nunca te amou... Mas eu sinto muito, mas não posso ficar com você, para ser seu estepe. Mesmo te amando, eu...

- Amando? – sussurrei, sorrindo. – Você me ama?

Bella corou.

- Ah, eu... – Ela tentou se levantar, mas eu não deixei.

- Você me ama?

- Você nunca percebeu? De verdade? Eu sempre te amei, Edward. Mas eu não queria forçar nada e...

Mas eu não deixei que ela continuasse. Simplesmente me inclinei em direção a ela e a beijei.

- Por favor... – pedi. – Vamos tentar. Um dia de cada vez. Não estou te pedindo em casamento agora. É claro que quero me casar com você, mas nós saberemos quando for a hora certa. Eu te amo, Bella. E amo muito.

- Edward...

- Tentar...

Então, ela sorriu.

E se inclinou em minha direção e me beijou.

Mais tarde, naquela mesma noite, eu encarei seu rosto sereno. Estávamos nus, envoltos por um lençol, e eu simplesmente não conseguia parar de sorrir.

Nós tentaríamos. Um dia de cada vez, mas eu simplesmente tinha a certeza de que tudo daria certo.

- Eu te amo, Bella.

Tivemos de amadurecer e ainda teríamos. Seria um caminho longo, mas agora nós sabíamos de nossos sentimentos e sabíamos de nossos erros.

Agora tentaríamos juntos. Sem supor nada, sem agir pelas costas dos outros.

Caminharemos juntos. Não importava a velocidade, sempre estaríamos ali um pelo o outro. Passo a passo.

Sempre.

This innocence is brilliant

I hope that it will stay

This moment is perfect

please don't go away

I need you now

And I'll hold on to it

don't you let it pass you by

Essa inocência é brilhante

Eu espero que isso permaneça

Esse momento é perfeito

Por favor não vá embora

Eu preciso de você agora

E eu vou me prender a esse momento

Não o deixe passar

(Innocence – Avril Lavigne)

Notas finais
N/A: Oi, amores. Antes de qualquer coisa, tenho que falar que, NÃO, essa fanfic não foi inspirada na música da Avril. Eu apenas coloquei esse trechinho no fim, porque foi cute e apropriado. HAHA. E nem vou me despedir de ninguém agora, porque ainda temos o epílogo... E talvez uns dois bônus. Basta vocês quererem.

No epílogo vou dar umas ideias de como vai ser o segundo bônus. Já tenho o primeiro montado em minha mente, mas o segundo... Bom, vou pedir que vocês falem, se soltem, peçam o que vocês querem que seja! Quem sabe eu não tenha alguma ideia e atenda algum pedido?

Enfim, espero que esse último capítulo tenha esclarecido tudo e que vocês tenham gostado, de verdade.

Beijos,

Deh C.

/ Fla (L)

N/B: Olha, vou te dizer uma coisa. ESSA BELLA É UMA BURRA! Huahuha.

Mas, acho que vou me despedir no último bônus. Dói demais me “desfazer” de minha afilhada....