Innocence
15 Capítulo 14 - Consequence
Notas iniciais
Edward POV.
Bella tinha se demitido e não me deixou falar nada sobre o assunto.
Em breve, ela iria partir.
E, aí, eu, provavelmente, quase não a veria mais.
Tanya adiou a conversa, então, não pude comunicar a ela que Bella não carregaria o bebê mais. Eu também não insisti muito; confesso que estou fugindo desse momento.
Doeu em mim ao chegar ao hospital em uma quarta feira, pouco mais de duas semanas depois do que tinha acontecido, e não encontrado Bella ali.
A partir de hoje, minha secretária era uma mulher mais velha, que atendia pelo nome de Bree. Eu a cumprimentei educadamente e entrei em meu consultório.
Agora, eu lancharia à tarde sozinho, não haveria ninguém mais para ir comigo até o estacionamento.
E, ao sair de minha sala, eu não encontraria Bella tropeçando ou vermelha por algum motivo. Porque, simplesmente, ela não estaria lá.
E isso doía mais do que eu sequer poderia admitir.
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Na quinta à noite, Tanya me ligou, avisando que iria ao meu apartamento.
Hoje, enfim, iríamos conversar.
Eu não sabia como ela iria reagir, mas teria que aguentar o que quer que fosse.
Resolvi tomar um banho e comer alguma coisa enquanto ela não chegava. Enquanto esperava, peguei-me lembrando-me do sorriso de Bella, de como ela ficava linda quando corava... Lembrei-me dos beijos e da noite maravilhosa que eu havia passado com ela.
Só que nada disso importava.
Porque Bella sempre deixou claro que fora um erro; ela não sentia nada por mim, estava apaixonada por outro e se deixou entregar.
E, agora, ela havia ido embora.
- Edward?
Eu congelei e lentamente me virei, olhando para Tanya. Ela tinha um sorriso no rosto, e, assim que viu que eu estava olhando para ela, veio em minha direção.
Antes que ela pudesse me beijar ou fazer qualquer coisa do tipo, eu segurei seu pulso e respirei fundo.
- Tanya... – murmurei. – Precisamos conversar.
Bella POV.
Os lábios de Edward trilhavam um caminho do meu pescoço até meu umbigo, deixando-me completamente arrepiada. Ele riu suavemente quando ouviu meu gemido baixo e eu o olhei. Seus olhos também ardiam; ardiam de desejo.
Eu queria – na verdade, implorava – para que ele pudesse ver o amor que estava estampado no meu rosto. Eu queria, pelo menos por uma noite, que ele me amasse de volta.
Era pedir muito?
Não. Não era.
Ele voltou para cima de mim e eu não consegui esconder o gemido alto. Sua ereção – completamente descoberta – roçava e pulsava em minha intimidade.
- Edward...
- Shhh, Bella. – Ele murmurou, enquanto seus lábios passeavam pelo meu rosto. – Só... sinta...
- Bella! Bella!
Eu abri os olhos, ofegante, corando imediatamente assim que vi a Rose me olhando. Respirei profundamente enquanto me sentava.
Toda noite eu sonhava com o que acontecera naquele dia na casa de Edward. Das diversas vezes que ficamos juntos, que nos entregamos ao desejo carnal – no meu caso, ao amor também. Eu amava Edward demais para o meu próprio bem.
- Desculpe – murmurou Rose. – É que você está meio que atrasada para a faculdade.
- Ah, obrigada. – Joguei as cobertas para o lado e me levantei. Corri até o banheiro, ignorando Rosalie completamente.
Eu só precisava tomar banho, me arrumar, ir estudar, e depois procurar outro emprego.
Teria que ir aguentando; um dia de cada vez.
Arrumei-me apressadamente, e, na pressa, não tomei café. Era uma sexta-feira, final de maio. Na quarta que vem começariam nossas provas finais, depois seria a formatura.
E eu seria oficialmente formada.
Depois, iria passar duas semanas com meus pais, e, quando voltasse, começaria a me preocupar com meus dois anos de residência – que começaria em setembro.
E a vida seguiria.
Eu tinha que me esquecer de Edward.
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- Ei, Bella.
Eu me virei, tirando os olhos do livro e avistando Jake a minha frente.
- Ah, oi, Jake – sorri. – Como vai?
- Vou bem. – Ele se aproximou, ainda sorrindo. – Posso me sentar aqui?
- Claro.
Eu fechei o livro e depois olhei as horas. Estávamos no intervalo e eu já estava louca para ir embora.
- Jake – comecei –, você sabe de algum lugar que está contratando pessoas?
- Por quê? – indagou-me, parecendo confuso. – Pensei que estivesse trabalhando.
- Eu me demiti – contei. – Por motivos pessoais. Só que eu preciso de um emprego, até setembro, enquanto minha residência não começa.
- Bom... Eu posso olhar com minha mãe. – Ele sorriu. – Ela tem uma loja de roupas, e acho que está precisando de alguém... Só que ela está viajando e só volta na terça que vem.
- Ótimo – sorri. – Obrigada, Jake.
No mesmo instante, a sineta tocou, indicando o final do intervalo. Eu acenei mais uma vez para Jacob e segui para a minha próxima aula, rezando para que tudo desse certo.
Duas semanas depois.
Edward POV.
Eu respirei profundamente, buscando controle, enquanto organizava minhas coisas para ir embora. Mais duas semanas haviam se passado e eu ainda não tinha visto Bella. Era junho, e, pelo que eu me lembrara, a formatura dela seria na semana que vem.
Sorri ao pensar nisso. Eu sentia falta do modo que Bella falava da faculdade e do seu sonho de ser pediatra. Com toda a certeza, ela se daria muito bem com crianças...
Crianças...
Isso me lembrava a maneira que Tanya reagiu, há duas semanas...
Flashback.
- Tanya... – murmurei. – Precisamos conversar.
- Conversar sobre o quê, querido? – sorriu. – Ah, sobre a Bella? Então, eu estava pensando e acho que devíamos marcar logo os exames que ela tem que fazer... Temos, também, que conversar com um advogado, e, claro, temos que...
- Tanya – cortei. – Bella não vai mais carregar o bebê.
Não entendi por que não consegui pronunciar nosso filho. Soava tão incerto, tão... falso.
Tanya parou e me olhou, assustada.
- Co-como? – gaguejou.
- Isso mesmo – disse. – Ela está certa, Tanya. Ela começa a residência em setembro; não pode abrir mão disso. Eu a entendo.
- Mas... Mas... – Ela começou a andar de um lado para o outro. – Eu vou falar com ela! Tenho certeza de que se eu explicar tudo... Podemos oferecer dinheiro e...
- Tanya. Bella não é assim. – Levantei-me e a fitei. – Ela não quer se sentir uma barriga de aluguel. Não quer. Ela iria fazer isso, porque... – Parei, pensando nos olhos de Bella, em como eles eram lindos e tão claros. Eu parecia ser capaz de ler sua alma através deles. Pensei em seu sorriso e tudo o que acontecera desde que eu a conhecera. – Porque ela é diferente. Ela é especial e única. Ela iria fazer isso por amor, Tanya.
- Mas... Edward, e a gente? – perguntou.
- Eu não sei. – Eu não tinha certeza de mais nada, só que conseguia pensar no que eu dissera e me dera conta.
Bella era especial.
E única.
- ELA TEM QUE ACEITAR, EDWARD – gritou. Eu nunca a tinha visto daquela forma, então paralisei, chocado. – ELA TEM!
- Não – cortei-a. – Ela não tem. Ela é dona de si mesma.
Fim do Flashback.
Depois daquilo, Tanya simplesmente ficou histérica e saiu de meu apartamento, dizendo que precisava encontrar outra pessoa.
Fui tirado de meus devaneios por batidas à porta. Eu suspirei pesadamente e me virei.
- Entre.
Bree adentrou o consultório, parecendo meio nervosa. Eu a fitei, esperando que ela começasse a falar.
- Tem uma moça aí fora, Dr. Cullen. – Bree insistia em me chamar de doutor, mesmo eu tenho lhe pedido mil vezes para não fazer isso. – Eu lhe disse que o senhor já estava de saída, mas me lembrei que ela trabalhava aqui antes de mim, e...
- Bella? – sussurrei, sentindo-me extremamente ansioso. Mas... podia ser Angela, não podia? – Pode mandá-la entrar, Bree, e depois pode ir, obrigado.
- Claro. – Ela sorriu. – Com licença.
Eu esperei, agora mais ansioso.
E, então, ela entrou.
E não havia palavras que seriam capazes de descrevê-la, que fariam jus à sua beleza.
- Bella... –sussurrei.
Ela parecia... diferente. Eu não sabia dizer o que havia exatamente acontecido com ela, mas ela parecia mais madura, mais mulher. Havia um brilho diferente em seus olhos.
Talvez fosse o fato de que eu a havia visto nua e conhecia cada detalhe do seu corpo...
- Oi, Edward – sorriu. – Desculpe vir tarde, mas era o único horário que pude vir. Fiz minha última prova hoje e tudo o mais.
- Ah, claro. Oi, Bella. Você sumiu. Não ando tendo notícias de você.
- Eu sei – suspirou e desviou os olhos. – Desculpe, mas as coisas andam corridas. Eu tenho que ir logo, mas vim aqui deixar um convite para você. Da minha formatura.
Eu sorri.
Ela havia se lembrado de mim.
- Obrigado – sorri. – Será um prazer ir.
- Claro.
Bella mexeu em sua bolsa e retirou um convite. Ela me entregou, mantendo distância.
- Bom, eu vou indo – disse. – Até semana que vem, Edward.
- Até, Bella.
Eu queria dizer para ela ficar, para poder conversarmos, porém, não consegui. Só fiquei ali, vendo-a se afastar, vendo-a sair, com a certeza de que a veria de novo na semana seguinte.
Bella POV.
Eu respirei fundo assim que saí do consultório de Edward. Um mês sem vê-lo e eu o amava ainda mais.
Só que nunca o teria.
Eu pensei que demoraria um pouco mais para vê-lo, mas ele tinha o direito de ir à minha formatura. Edward me dera muito apoio e eu queria que ele estivesse ali, me vendo receber meu diploma.
Segui até minha caminhonete e entrei, partindo para casa. Eu passara todos esses dias perguntando-me se deveria ou não convidar Edward, até que hoje tomei coragem.
Eu só esperava que ele fosse.
Porque eu queria vê-lo.
Nem que fosse pela última vez.
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Eu fiquei imensamente feliz ao descobrir – através de Jacob – que eu tinha conseguido o emprego na loja da mãe dele. Seria temporário, mas eu tinha certeza de que adoraria trabalhar lá.
Só que, por causa do emprego, eu não iria poder passar uns dias na casa de meus pais, porque começaria a trabalhar na semana apenas minha formatura.
É claro que eles ficaram um pouco chateados, mas entenderam.
Então, dediquei-me completamente à formatura. Ainda teria de fazer alguns exames de rotina, como a mãe de Jacob havia solicitado, já que a loja dela era de grande porte e tudo o mais, mas eu havia explicado a ela que faria isso depois da formatura e ela entendera completamente bem.
Na quinta, meus pais chegaram, sem cansar de dizerem o quão orgulhosos de mim eles estavam.
E, na sexta, eu me formei.
Foi algo magnífico, esplêndido, algo que não consigo explicar com palavras. Porque todos que eu amava estavam lá.
E Tanya não estava.
O que era perfeito, já que eu não sabia o que iria fazer se tivesse que olhar para ela mais uma vez.
E quando meu nome foi chamado para pegar meu diploma e todos – inclusive Edward – aplaudiram, eu senti as lágrimas formando em meus olhos.
Lágrimas de felicidade.
Eu havia lutado tanto para chegar até aqui. Passei por cada coisa, venci e superei cada obstáculo.
E fui recompensada. Eu tinha meu diploma, e, depois de dois anos de residência, eu finalmente iria poder me dedicar totalmente ao trabalho.
Então, fomos jantar para comemorar, já que o baile só seria no dia seguinte.
- Bella, você vai ao aniversário do Edward, não vai? – Alice me indagou. Imediatamente senti todos os olhares em mim, inclusive os dele.
- Aniversário?
Fui informada que o aniversário dele seria na próxima semana, no dia vinte de junho. Daria em um domingo, então todos iriam para uma boate.
Eu prometi pensar, usando a desculpa de que tinha que trabalhar no dia seguinte. Para fugir do assunto, comecei a conversar com Carlisle sobre minha residência. Eu havia feito provas em alguns hospitais, estava somente esperando resposta.
Acabou que Edward começou a conversar sobre isso conosco também, dando-me sugestões e dicas. Confesso que na maioria das vezes eu me perdi no que ele falava, simplesmente porque não conseguia parar de olhar sua boca, seus olhos... e o modo que ele ficava extremamente bonito quando dava aquele sorriso torto que era capaz de amolecer meu coração.
Eu tinha que parar de agir como uma estúpida apaixonada.
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O baile se passou, e, na segunda bem cedo, depois de deixar meus pais no aeroporto, segui até o hospital, onde fiz alguns exames. Eles ficariam prontos em três dias.
Passei esses três dias organizando tudo da faculdade. Joguei fora o desnecessário e guardei aquilo que sabia que iria precisar ao longo desses dois anos.
Eu estava extremamente ansiosa para que setembro chegasse. Seriam dois anos de trabalho duro, plantões intermináveis e dores de cabeça constante, mas eu sabia que valeria a pena.
Na quinta, eu me dirigi até o hospital novamente, e fiquei surpresa ao ver que haviam me pedido mais um exame. Todos os meus tinham dado normais, a não ser um de sangue que tinha dado algo alterado.
E isso só poderia ser confirmado através de um exame específico.
Eu já ia abrir o papel do pedido do exame quando meu celular tocou.
Era Rose. Ela queria que eu a buscasse no serviço, dentro de meia hora, porque seu carro estava sem gasolina. Eu concordei, dizendo-lhe que tinha apenas que fazer um rápido exame e que logo estaria lá.
Então, a caminho do laboratório, eu abri o pedido do exame e congelei.
Porque ali, no pedido do exame, estava escrito algo que eu jamais teria sido capaz de pensar.
Teste de gravidez.
Imediatamente uma tontura forte tomou conta de mim e eu me encostei no primeiro lugar que vi, fechando os olhos com força e contando mentalmente.
Não.
Não podia ser.
Era cisma, isso, cisma. Eu andava tão estressada ultimamente que era mais do que normal que minha menstruação estivesse atrasada.
Mas não podia ser, podia?
No dia 20 de junho, dia do aniversário de Edward, iria fazer cinco semanas desde que havíamos transado. A falta de tonturas e enjoos não era algo anormal; tinha mulheres que nem sentiam isso e outras sentiam só depois da sexta semana.
Só que eu não podia estar grávida.
Não.
Podia?
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