Inner Beauty 2
66 Especial Michael II - Papai e eu
Notas iniciais
Especial Michael II
Papai e Eu
Eu não tenho o costume de me meter nos assuntos dos meus pais, principalmente quando eles fazem questão de me deixar na sala e se enfiarem no quarto, normalmente ficar na sala queria dizer duas coisas: Estavam felizes ou estavam brigando.
Mas pelos gritos que ouvia a mamãe soltar, não era bem um momento feliz.
Eu ouvia papai pedindo para ela falar baixo, assim como estourada mamãe gritava para ele não mandar ela calar a boca... Não que eu nunca tenha visto os dois brigarem, só que essas brigas de agora são diferentes, bem diferentes de antes que no dia seguinte mamãe acordava super bem humorada cantarolando na cozinha, é como se nada, mesmo depois de tanta conversa se resolvesse.
Mas a parte mais estranha é que se passou uma semana e lá estava eles no quarto de novo, às vezes papai alterava a voz o que é mais difícil acontecer do que o coiote pegar o papa-léguas.
A pior parte é que quando eu perguntava eles fingiam que se quer tinham brigado.
Só que hoje eu senti que algo estava mais diferente ainda, principalmente quando mamãe desceu com uma mala enorme na mão e os olhos vermelhos me olhando como se tivesse uma péssima noticia a dar.
—Onde pensa que vai? —Corri até ela sem entender nada.
—Michael... A mamãe vai viajar por uns dias, mas logo eu volto, está bem? —Me deu um beijo na testa se virando para o meu pai que acabava de descer as escadas com o rosto baixo.... Espera, espera, espera!
—Viajar??? Para onde!? Por que? O que aconteceu? —Tentei ficar de frente para ela, porém meu pai me segurou no mesmo instante.
—Quietinho filho... —Mirou minha mãe. HEY! Ninguém vai me responder o que eu perguntei? —...Eu vou tomar conta dele. —Nisso ela simplesmente saiu com mala e tudo. Eu tentei correr atrás dela...
—Mãe!!! Mãe!!! Me solta PAI! Para onde ela está indo?? Eu quero ir junto! —Meu pai ficou em silêncio e quando ouvimos o carro dela ligar e sair ele me soltou. Depois de uns segundos me virei para ele pasmo PARA ONDE MINHA MÃE FOI?
—Vá para o seu quarto, amanhã... Amanhã conversamos... —É o que?
—Amanhã!? Pai! Como assim?! Que viajem.... O que...!? Eu não estou entendendo NADA!! —Ele que ia subindo as escadas se virou.
—Ela vai num congresso, em uma semana deve voltar, vem ta na hora de dormir. —Franzi o cenho engolindo seco, pensei até em gritar com ele, porém estava com aquele tom grosso que fiquei com medo de levar uns tapas se insistisse.
Eu não subi com ele, não mesmo, eu quero saber da minha mãe, não vou conseguir dormir sem uma explicação. “Foi a um congresso”? Essa eu não engulo! Mas de uma coisa eu sei... Claro a culpa é do meu pai, não interessa se a culpa no fundo é da mamãe, no fim a culpa será sempre do papai!
Fiquei na sala a noite toda esperando a mamãe voltar com aquela expressão que sempre faz depois de uma briga arrependida e correndo para cima do papai. Mas dessa vez a coisa parecia séria... Ela não voltou. Ela quase nunca dorme fora de casa.
Na manhã seguinte eu fui bem cedo no quarto dela como sempre, mas o quarto estava vazio e a cama arrumada, meu pai eu sei que corria toda madrugada... Não estou gostando nada disso.
Preciso de ajuda nesse mistério e já que os adultos só sabem mentir o jeito é procurar meus colegas de sala.
—Como você é burro Michael! Seus pais estão se divorciando! —Divorciando? Olhei para o Martin fazendo uma careta.
—Como assim? —Eu nem ia muito com a cara do Martin, vira volta a gente parava na secretaria, mas como ele parecia estar por dentro do assunto permiti ele dirigir a palavra a mim.
—Divorciar ora essa, estão se separando, o que quer dizer que seu pai vai arrumar outra namorada e sua mãe outro namorado e você vai morar com seus avós! —Me levantei da cadeira negando.
—Nunca! Minha mãe jamais daria meu pai outra pessoa! E eles não vão se separar, eles são unha e carne!—Aquele sorrisinho maldoso no rosto dele me fez fechar o punho, ele que não escolha bem as palavras.
—Você mesmo não disse que ela viajou e nem falou nada? Então, nesse exato momento sua mãe deve estar com outro homem tendo alguém bem mais agradável que você e obvio que seu pai não vai te querer, ou seja... —O fuzilei rangendo os dentes.
—Minha mãe não tem outro homem... —Ele tornou a sorrir, cansei disso.
—Sua mãe é uma vag... —Eu já sei o palavrão, mas não ia deixar ele terminar de falar. Voei em cima dele dando socos na cara e logo a trupe dele veio para cima de mim e foi pesada e murro para todo canto.
Quatro contra um, que cachorrada. Mas eu ganhei... Embora fosse melhor não ganhar quando fui mandado para a enfermaria junto aos outros e vi a cara de furioso do meu pai frente ao diretor que apontava para mim.
—Intolerável! As atitudes do seu filho são intoleráveis! É a quinta vez que briga no colégio só esse mês e o resultado é sempre esse... —Apontou para os outros que choramingavam, qual é? Vocês não são machos? —... Ele não tem disciplina, não tem educação e como se não bastasse é violento com os colegas de sala! Outro dia foi procurar briga com garotos de outra turma.... —EPA!!
—MENTIRA!! Eu estava indo lanchar e eles tentaram roubar meu dinheiro do lanche, e ficaram ainda me chamando de ‘tamborete’, então eu bati neles! —Me defendi, por que o papai não diz nada, mamãe já teria assustado o diretor com um monte de leis a meu favor.
—Está vendo, nem mesmo respeito pelos mais velhos ele tem e é sempre desse jeito, sua mulher sempre é chamada e passa a mão na cabeça dele sempre, vou relevar essa e dar apenas uma suspensão de 3 dias, no entanto, espero que dessa vez alguma coisa mude ou teremos que expulsa-lo.
—Ahh vá ver se estou na esquina... —Me levantei indo até os dois. —...Sua sorte minha mãe não estar aqui ou...
—CHEGA Michael! —Ele gritou comigo? Além de não me defender ele gritou comigo? — Peça desculpas ao diretor agora! —É o que?
—Você bebeu? Nunca que...
—Ou você pede desculpas... —Se aproximou de mim nervoso, é aquele tom, aquele tom que usa quando bate no tio Devan. —...Ou seu castigo vai ser pior. —Engoli seco abaixando o rosto... Com ele não tem conversa, que droga.
—Desculpa. —Falei baixinho e ele pegou no meu braço com força.
—Muito bem, mas uma vez eu sinto muito senhor Roger, eu garanto que essa situação não vai se repetir. —O velho acenou.
—Fico contente em ouvir isso, e você Michael, tenha juízo. —Mostrei a língua para ele enquanto meu pai ia me puxando pelo braço.
Eu não quero falar com ele, não quero nem ouvir o som da voz grossa dele, não quero nem mesmo ouvir o respirar dele. Estou com tanta raiva do meu pai que se não fosse maior e mais forte do que eu com certeza eu entraria numa briga com ele agora mesmo. QUE ÓDIO! Além de ter deixado a mamãe ir embora agora ele me faz ter que me humilhar na frente do diretor? Quer saber? Eu não gosto do meu pai! Ele é chato, mandão, careta, injusto e nenhum pouco divertido.
—Sabe como se chama isso? “Manipulação de menor” e de acordo com suas cartilhas é CRIME! —To nem aí se ele está zangado, eu também estou! Me fitou bravo logo se virando para o transito.
—Quer dizer então que todo mês é isso? Você apronta e sua mãe te acode sem te dar o devido castigo? E agora que eu vou te castigar se torna ‘manipulação de menor’, que alias não é crime, nessas circunstâncias se chama ‘repreender’. —Virei o rosto.
—Eu vou contar para a mamãe... SE ela um dia voltar, não é? —O sinal estava vermelho e ele me encarou.
—Já disse que... —Mais mentirinhas.
—Ahh vá inventar mentiras para quem acredita pai, a mamãe nunca se interessou por congressos, quero dizer, eu nem sei o que é isso, mas com certeza não combina com ela. —Revidei e ele voltou o olhar para a estrada.
—Certo, certo, você quer saber, não é? —Olhei para ele. —Ela realmente foi num congresso, mas no fundo disso é que estava estressada com o trabalho e um monte de coisa...
—Esse ‘monte de coisa’ é você, não é? —Deu um sorriso de lado me olhando pelo canto do olho. Acho que também preciso de férias nesse caso. To cheio dele.
—E você também, na verdade é tudo Michael, ela precisa de um tempo sozinha, para descansar a mente e o corpo, igual você quando não quer que ninguém te perturbe no domingo e fica jogando o dia inteiro. —Engoli seco.
—Então... Ela vai voltar, não é? —Ele fez que sim.
—Vai, só vamos dar um tempinho pra ela está bem? —concordei. Isso meio que já me tranquiliza, ela quer descansar... Ta bem, se for assim, tudo bem. —Mas voltando ao tópico inicial... Está de castigo! Enquanto sua mãe estiver fora, você limpa a casa. —APROVEITADOR!
—O QUE?! Isso é abuso infantil! —Ele sorriu.
—Está sem advogada agora senhor Michael, vai pedir ajuda pra quem? —Cruzei os braços nervoso, ARGH!!!!
Eu tinha um plano quando chegasse em casa, correr para o quarto e me trancar lá dentro e nem ver a cara do meu pai hoje, porém quando eu vi ele virando em outra rua e tomando um rumo diferente percebi que talvez Martin tinha razão... Por que aquela rua dava na casa dos meus avós. Então a mamãe não vai voltar?
—Por que estamos indo para casa do vovô? —Ele nem se quer me olhou, continuou dirigindo tranquilamente, claro, ele não se importa em me largar, afinal ele não vai com a minha cara — O que é ridículo por que todo mundo diz que eu sou a cara dele.
—Vamos almoçar lá. —Almoçar? É essa a desculpa que vai usar para me abandonar lá?
—Eu não quero! —Ele ignorou.
—Não é bem uma questão de querer. —Bati o pé com força porta luvas fazendo um estrondo dentro do carro, se ele vai me deixar ao menos olha na minha cara!
—EU-NÃO-VOU. —Falei rangendo os dentes e quando ele parou virou os olhos para mim, eu senti meu corpo gelar e toda minha coragem ir embora... Eu quero a minha mãe...Eu fiquei com tanto medo achando que ele ia me bater que quase chorei antes da hora.
—O que deu em você? —Engoli seco me encolhendo, ele voltou o olhar pro transito suspirando. —Nós vamos almoçar e vamos embora pra casa, pelo menos na casa dos seus avós finja que é educado.
—Eu não vou ficar por lá...? —Negou.
—Para sua avó ee mimar e você ficar sem castigos? Não dessa vez. —Revidou sério.
A conversa acabou ali e quando chegamos na casa do vovô Adrian e da vovó Victoria eu corri desesperado para o colo deles, eu não quero ficar perto daquele baixinho... Como a mamãe consegue gostar tanto dele? Agora eu finalmente agradeço ele nunca ter tempo para mim, não passou um dia se quer que minha mãe está fora e ele já me encheu o saco.
—Minha nossa o que aconteceu? —Pergunto minha avó preocupada olhando meu rosto e minhas mãos, eu tinha pequenos sangramentos, mas nada tão grave.
—Briga na escola mãe, acredita que esse pivete tem caçado briga quase todo dia e a Eloise passava a mão na cabeça dele e se quer me contava? —Meu avô deu uma breve olhada para mim depois começou a rir.
—Como diz o ditado: Filho de peixe peixinho será. —Meu pai fez uma careta.
—Não tem graça pai, olha estado dele e se dependesse da Eloise não ia nem receber castigo! —Meu avô riu mais ainda.
—Se as semelhanças continuarem, sabe muito bem que castigos não funcionam. —Que história é essa?
—Papai brigava no colégio? —Quando perguntei isso os dois caíram na gargalhada. Eu falei alguma besteira?
—Vem querido, deixa a vovó dar um jeito nesses machucados. —E eu fui levado para dentro e mimado até o infinito. Tive direito até mesmo de assopro no machucado. Entre viver com o papai e os dois eu prefiro os dois.
Apesar da comida ser a melhor, o papai fez questão de transformar tudo num terror me dando bronca enquanto comíamos. “Você isso” “Não pode aquilo” “Devia ter consciência disso” ARGH! Meus avós por alguma razão desconhecida só riam.
—Por que não mudamos de assunto, tipo a vida amorosa do tio Devan, com certeza é mais engraçado, né tio Devan? —O tio me fitou super sem graça.
—Mi-minha o que? Dillan triplica o castigo desse moleque! —Meu pai gargalhou e comentou.
—Não posso castiga-lo por dizer a verdade Devan, mas até que ele soltou um tópico interessante, como vai você e a Emma? Ela já se cansou de você? —Ele ficou vermelho.
—Nós não somos um casal ainda, estamos nos conhecendo...
—Devan, se deixar ela te conhecer demais aí é que não vão virar um casal mesmo, lembre-se que ela pensa que vai ter um namorado, não um filho. —Quando papai disse isso eu quase engasguei com a comida de tanto rir. Até que faz sentido.
—Chega! Por que não falamos de outro assunto mais sério, como, cadê a Eloise? —Foi só ele pronunciar o nome da minha mãe e todo mundo ficou sério de repente.
—Ta viajando, já disse. —Respondeu meu pai seco.
—Por quanto tempo? Ela nunca foi de ir em...
—Devan! —Meu avô o interrompeu dando uma rápida olhada para mim. O que foi?
—Ela só foi descansar, certo? —Perguntei pro meu pai achando aquele clima muito estranho. Ele sorriu e concordou.
—Isso, só umas férias, vai voltar. —Engoli seco um pouco com medo.
—E quando ela vai ligar? —Ele suspirou.
—Não sei, quando chegar lá, eu acho, vamos mudar de assunto, sim? Sugestões para castigar o Michael, alguém tem uma? —O QUE?
—Hey! Nada disso! E o papo de não levar problemas de casas para casa dos outros?
Eu confesso que apesar dos mimos e tudo mais, eu me senti aliviado quando meu pai me chamou para ir embora. No fundo, no fundo eu realmente pensei que ele fosse me deixar lá. Quando chegamos em casa a raiva tinha se passado, mais eu ainda estava um pouco chateado com ele e o pior é que ele não é como minha mãe que tenta agradar quando eu fico assim, o papai é durão e simplesmente ignora.
Será que ele aguenta uma carga forte encaramento excessivo? Eu faço isso às vezes com o primo Stuart, ele sempre perde. Fiquei assentado na mesma mesa enquanto ele fazia umas somas e o encarei sem parar. Às vezes ele me olhava, as vezes ignorava, mas estava quase desistindo.
—Então quer dizer que você lê minhas cartilhas? —Perguntou depois de uns 20 minutos desistindo.
—Ta escrito direito infanto-juvenil, eu sou juvenil e mamãe sempre diz que saber as leis é ótimo para se livrar de encrenca. —Ele deu uma risadinha.
—Você ainda é infantil e sua mãe sabe bem como te estragar. —Mexi os ombros.
—Por que o senhor mexe com essas coisas?
—Você fala as cartilhas? —Eu fiz que sim, embora estivesse mais curioso da razão do por que ele mexe com crianças se não gosta de criança.
—Eu distribuo em faculdades e no próprio reformatório, é informativo. —Fechei a cara.
—Reformatório? O que é isso? —Ele me fitou com um sorriso de lado malvado.
—Continua brigando no colégio e logo, logo você vai descobrir. —Relaxei na cadeira.
—É um ringue de briga?! —Gargalhou negando.
—Não, mas de certa forma sim. —Agora to confuso.
—Pai! —Tornou a rir.
—Reformatório é como uma prisão para jovens delinquentes, ou seja, crianças que fazem coisas erradas, porém a finalidade é a reeducação, ainda que seja muito difícil eles consertarem... —Cocei a nuca, entendi uma parte.
—Você diz trombadinhas? —Fez que sim apontando para mim.
—E brigões também. —Me encolhi, não quero ir para a prisão.
—E você sai procurando essas crianças malvadas e leva para lá?
—Não! Eu não, isso é responsabilidade da policia e da justiça, eu trabalho no tratamento psicológico, tento convencer eles que não se deve fazer aquilo de novo. —Franzi o cenho.
—E consegue? —Girou os olhos.
—Nem sempre, é um processo lento. — Ficou um silêncio depois que disse isso. Respirei fundo olhando para o telefone em cima da mesa.
—A mamãe nem ligou... —Ele não disse nada, continuou mexendo nos papeis.
Acabei indo jogar vídeo game enquanto aquele nanico ficou por lá na cozinha digitando e escrevendo e ignorando tudo que acontecia. Quando escureceu a casa ficou num silêncio assustador, como se fosse assombrada. Se minha mãe estivesse aqui não estaria assim, ela cantaria na cozinha a espera desse babaca que é o meu pai ou ficaria jogando comigo roubando no jogo... Quer saber? Nem jogar tem graça mais sem a minha mãe.
—Pai...
—Hun?! —Fui subindo as escadas.
—Vou dormir.
—Boa noite Michael. —Suspirei... Que saco.
Novo dia e era muito estranho acordar, ir no quarto da minha mãe e não encontrar ela lá, eu nem mesmo conseguia dormir e eram ainda seis da manhã. Normalmente eu deitaria na cama deles e ficaria junto com a mamãe até às sete e meia.
Fui para cozinha e comecei a preparar meu café da manhã me sentindo entediado por que nem escola eu teria hoje, ficaria o dia todo sem fazer nada. Talvez eu ande de skate ou algo do tipo.
—Michael? —Mirei meu pai que me fitou assustado, qual é agora?
—Que foi? —Fez uma careta farejando alguma coisa.
—Tava brincando no fogão? —Minha vez de fazer careta. Ele acaba de chegar e vem com uma pergunta dessa?
—Eu lá sou menina para ficar brincando com fogão? —Ele girou os olhos confuso. —O senhor bebeu? —Arqueou a sobrancelha vindo para perto de mim tirando meu copo da mão e cheirando. —Eu não queimei nada!
—Exatamente, você não queimou. —AHHH ele está tomando meu leite!!
—PAI!! Isso é meu! Folgado! —Sorriu me devolvendo.
—Muito bom! Faz um para mim enquanto eu tomo banho. —Isso é brincadeira não é?
—Escuta senhor Cooper... —Ele deu uma risadinha voltando para perto de mim. —... Você me põe de castigo, briga comigo, mente e me deixa sozinho em casa e ainda quer que eu faça um achocolatado para você?
—Duplo, se for possível. —Ahh se eu fosse mais forte que você pai.
—Eu não sou a mamãe que te perdoa no dia seguinte só por que te acha bonitinho. —Suspirou.
—E se eu dobrar seu castigo? —Abri a boca perplexo.
—Você é pior pai do mundo, maltrata seu filho, não sabe onde está sua mulher o que mais entra? —Opa, acho que o zanguei.
—Eu sou um pai ruim? Acha que eu sou um pai ruim só por que te castigo quando se comporta mal? Você tem brinquedos por toda parte, tem comida em abundancia e...
—Não comece a meter as crianças da África nisso, não vai mudar o fato da minha mãe não ter voltado e no pouco tempo que fiquei com você eu também querer ir para um lugar onde não precise voltar! —Revidei e dane-se se ele vai me bater.
—Tudo bem. Faz o que você quiser, certo? —Meu pai subiu as escadas e eu fiquei ali sem entender muito bem o que aquilo queria dizer.
Bom, nesse caso, eu vou andar de Skate o dia inteiro. E se quer saber eu vou fazer mais do que isso, vou brincar na pista de Skate da Rua 188 que ele vive dizendo para eu não ir, afinal eu posso fazer o que eu quiser, não é? Ele não manda mais em mim!
Eu sempre tive curiosidade por que a Rua 188 era tão mau falada, eu vim aqui uma vez e não tem nada de mais, só umas pichações típicas e um pessoal desarrumado que curtia Skate, nada demais.
Eu mal cheguei lá e conheci dois garotos da região que me ensinaram umas manobras muito legais, um deles se chamava Hulk — o que com certeza é apelido. — e outro que um tal de bocão.
—Vocês não vão á escola? —Perguntei por que já era tarde e os dois ainda estavam ali.
—Escola? —Os dois riram de mim.
—Qual a graça? Eu teria que ir se não tivesse levado suspenção. —Resmunguei, só de pensar que depois de amanhã teria que ir.
—Eu só vou a escola quando me da vontade! —Franzi o cenho quando Hulk falou isso.
—Sério? E seus pais não brigam? —Ele ignorou minha pergunta.
—Ihhh não vai me dizer que você é filhinho de papai Michael? —Fiz careta negando.
—Eu... Eu não. Eu nem tenho pai.—Falei e eu não quero ter pai.
—É, eu também não. —Revidou Hulk num sorriso. —Aí, vamos continuar aqui conversando que nem mulherzinha? Bora!
Pegamos nossos Skate e fomos para a pista, mas ai olhei ao longe... Estava escurecendo... E eu tava longe de casa. Talvez seja melhor eu ir embora.
—Aí pessoal... Eu...
.. Foi muito rápido. Um grito ecoou pela rua e de repente veio meio mundo de crianças e adolescente para a pista com uma expressão de pavor correndo desesperadas, devia ser uns sete garotos tudo no nosso rumo, eu fui empurrado para o chão e enquanto tentava entender o por que de tanto alvoroço eu vi aqueles homens fardados parecidos com aqueles que me salvaram uns meses atrás do David.
Procurei o Bocão e o Hulk com os olhos, mas eles já tinham sumido, sem saber o que fazer eu acabei me levantando e correndo também largando meu Skate no chão.
Eu corri e corri e corri, mas sinceramente não era o rumo de casa, na verdade eu nem sei para que rumo estava indo. E quando eu pensei que tinha me livrado fui puxado com violência pela gola da camisa. Um policial grandão me suspendeu.
—Te peguei vagabundo! —Ele falou um palavrão?
—Não!! Me solta!! Eu não fiz nada!! ME solta!! PAI!! —Gritei desesperado.
—Claro, ninguém nunca faz nada, mas o que é isso aqui... —Beliscou com força meu machucado que tinha ganhado na briga. —... Andou se metendo com gente grande pivete?
—Boris! —Outro policial apareceu. —Ahh você pegou um deles... Vamo levar ele. —Neguei varias vezes já chorando.
—Não!!! Eu juro, eu não fiz nada, eu só briguei na escola!! Liguem pro meu pai, ele vai confirmar... —Levei um tapão na cara... Aí...
—CALADO! Joga ele na viatura Freud.... —Me empurrou com força pro outro... Eu quero a minha mãe...
Eu fui jogado na traseira de uma viatura como um delinquente junto a mais dois caras que nunca tinha visto antes. Limpei as lágrimas, eles não pareciam assustados. Me aproximei de um deles engolindo seco.
—Para onde estão levando a gente? —Um deles deu uma risadinha.
—Para onde você acha pirralho? Reformatório. —Fiz uma careta, eles não podem, eu não fiz nada.
—Mas... Mas, eu não fiz nada, eu... —O outro riu.
—Tão pouco de fudendo para isso... —Engoli seco. Tudo bem, meu pai trabalha no reformatório, ele me tira de lá.
Respirei fundo, calma, muita calma Michael. Engole o choro, vai terminar tudo bem.
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Sem nenhuma pergunta, sem nenhuma explicação e sem qualquer direito me entregaram uma roupa e me jogaram num quarto miúdo onde tinha mais 1 garoto. PErai!!! Como assim?
—Eu não tenho direito a uma ligação? —Perguntei para o policial que olhou no relógio.
—Só amanhã moleque e abaixa a crista antes que eu te enfie a mão na cara. —Engoli concordando. Cadê a Emma? Ela pode me livrar dessa.
—Espera!! Isso é um engano, eu não estava com aquele pessoal, eu sou um bom menino! —Ele olhou para minhas mãos que estavam machucadas por eu ter batido nos garotos do colégio... Ahh ferrou, ele acha que eu sou um delinquente. Ele me ignorou, será que é parente do meu pai? Espera, é isso. —Moço! Espera! Fala com o Dillan Cooper, ele é meu pai! —Ele já se mandou.
Que merda
Quando meu pai disse que o reformatório era como uma prisão para crianças, eu duvidei, mas agora olhando de perto eu vejo que ele realmente tem razão. É uma prisão. E se as pessoas achavam que eu tinha uma cara esquisita, meu caro... Você tinha que ver o naipe do pessoal daqui. Tudo mal encarado e eu tive que dormir nesse lugar horrível. De manhã fomos obrigados a ir tomar o café da manhã que até que não era a gogoroba que pensei que fosse.
—Eai?! —Ah era o carinha que dividiu a currutela comigo. Acenei.
—Eai?! Eu sou Michael. —Ergui a mão e ele sorriu.
—Primeira vez, não? —Acenou em volta e eu afirmei. —Percebi, tentou conversar com um desses... —‘Desses’ ele quis dizer os policiais.
—Por que você ta aqui? —Ele tinha o rosto mais machucado que o meu e já que eu devo ser o único inocente nessa joça, duvido que a razão dele seja boa.
—Por que eu quero e você? —A gente falava baixinho, apesar de ser só gritaria ali dentro. Que lugar horrível.
—Também quero saber... —De repente ele ficou sério e aproximou o rosto do meu.
—Rápido a bandeja... —Ele a empurrou um pouco para a ponta da mesa e eu não entendi nada.
—Han?!
—A bandeja... São as regras, oferece sua comida pro Montanha! —Cochichou, quem é Montanha?
Me virei para trás e vi um garoto enorme de cara feia passando pelas mesas dos garotos e pegando o que vinha na telha. Hey! Eu choro, mas ainda tenho orgulho! Segurei minha bandeja, ele não vai pegar minha comida, eu to com fome!
—Pois ele que tente... —Resmunguei o que fez o garoto na minha frente se encolher de medo, comi sossegado até quando o Montanha ficou do meu lado.
—Novato, a bandeja. —Mirei ele com a mesma intenção que me encarava.
—Ainda não terminei, quando eu terminar te chamo GARÇOM. —Eu sei, arrumei uma briga feia, mas eu to mesmo afim de quebrar o nariz de alguém.
—Olha o novato, cheio das gracinhas, né tampinha... —Ele jogou minha comida no chão deixando só a bandeja, ele me chamou de tampinha? O encarei cheio de raiva. —... Será que vou ter que mostr...
POWW! Acertei a bandeja em cheio na cara dele que cambaleou e já veio os amiguinhos dele para cima de mim. Subi duma vez na mesa e chutei a cara de um, outro veio por trás e me empurrou, foi quando eu cai no chão e acho que machuquei a cabeça. O montanha ia se jogando para cima de mim quando dei uma virada no chão e me levantei apertando os punhos e indo com tudo para cima dele.
Em certo momento fui segurado por um dos garotos, mas era fraco de mais, dei uma cabeçada no queixo dele e um soco no estomago. Só que ai perdi a concentração e o Montanha me deu a maior porrada na cara que me fez ir pro outro canto da parede. Cara ele é enorme, como é que eu vou derrubar esse infeliz?
Foi mau vovô, eu sei que o senhor sempre diz que não devemos jogar sujo, mas se eu for tentar sozinho sendo desse tamanho vou acabar levando uma surra e nem conseguindo dar o retorno a ele. Peguei a comida que tinha numa bandeja desesperado e comecei a jogar na cara dele, joguei uma laranja bem no meio da testa e isso o irritou demais que veio para cima de mim.
É agora Michael, peguei duas bandeja e com toda força que tinha acertei a cabeça dele... Respirei fundo vendo o semblante dele ficar tonto, ele colocou a mão na cabeça, ajoelhou e... Começou a chorar? Eu tava todo dolorido e com sangue escorrendo no nariz, minhas mão vermelhas e quem chora é ele.
Eu não era o único pasmo com aquela cena, tipo, ele lembra meu avô quando dá um chilique. Olhei para os lados e nem os comparsas dele acreditaram.
—Perai eu não bati tão forte assim... —Murmurei sem graça indo até ele. O que eu to fazendo? —...Ta doendo? —Caraca ele se afastou de mim com medo, só por causa dessa bandejada na cabeça?
—Você de novo Montanha?!? —Agora eles entram? Agora eles aparecem? Depois que a briga acabou? —Será que mais uns dia no quarto te conserta? —O Montanha tremeu de medo, e se já estava chorando agora batia o queixo. Só por causa de ficar no quarto? Eu pensei e pensei e pensei e me senti mal ter quase quebrado a cara dele e dos amigos.
—Fui eu! Eu procurei briga. —O policial se espantou quando falei e se virou para mim.
—O que disse? —Fechei a cara.
—Isso que ouviu, fui eu que cacei briga com ele. —Ele mirou o outro policial, as crianças ficaram me encarando como se eu tivesse feito algo pavoroso e no fim me puxaram pelo braço me xingando e dizendo que eu ia repensar meus atos no quarto.
Grande coisa, quem tem medo de ficar um tempo no quarto? Meu pai costuma me colocar de castigo no quarto.
Mas não é um quarto escuro de janelas lá no alto que mal iluminavam o lugar e completamente vazio... De quarto aquele lugar não tinha nada, ali era uma solitária isso sim. Eu me virei para tentar falar com eles, mas já fui trancado. Que merda! Achei que me colocariam num quarto não num buraco!
E agora? Como é que eu vou falar com meu pai? Por quanto tempo eu vou ficar aqui sozinho? Eu quero ir embora, to cansado disso tudo, topo até pedir desculpas pro meu pai e me conformar com a viajem da mamãe.
E passou uma hora, e passou duas, e foi três... E eu já tinha esgotado meu reservatório de lágrimas, meu medo era meus pais me abandonarem, nesse instante era mais ou menos isso que tinha acontecido. Será que papai está pelo menos um pouquinho preocupado comigo?
—Policial! —Chamei o único moço que ficava naquele lugar. —Quero falar com Dillan Cooper, ele trabalha aqui não é? —O homem lá fora pigarreou.
—Ele está de licença, semana que vem talvez você consiga, agora fica quieto aí. —O que?
—O que é licença? —Ele soltou um som de desagrado.
—Ele não está vindo, deu pra entender agora? Parece que o filho dele desapareceu... —Arregalei os olhos batendo na porta.
—EU sou filho dele!!! —O guarda gargalhou, nem sei por que eu não contei uma piada.
—Essa é nova! Eu já ouvi muitas coisas, mas essa é a primeira vez que usam essa táctica. —Do que ele ta falando?
—Se ta duvidando por que não liga para ele? Se eu estiver mentindo pode me deixar trancado nesse lugar por um milhão de anos! Eu sou filho do Dillan Cooper! —Nisso ele parou de rir.
—É sério? Quer dizer que se eu conferir e você não for filho dele...
—EU sou! Olha para a minha cara, todo mundo diz que eu sou copia viva dele! —Ele abriu a porta me olhando e depois tornou a fechar trancando. Qual é?! Suspirei ouvindo ele sair de perto do quarto onde estava.
Depois de uns vinte minutos ouvi vozes se aproximando, era mais do que uma pessoa e de repente pararam na minha porta e a abriram, o guarda estava do lado de outro policial mais velho.
—Qual o seu nome garoto? —Engoli seco me levantando do chão.
—Michael... —Ele fez uma careta.
—Qual o nome da sua mãe?
—Eloise. —Por que todas essas perguntas.
—Quantos anos você tem? —Mirei os dois.
—Sete e meio. —O mais velho acenou para ir com ele.
—O Dr. Cooper vai me matar... —Murmurou e eu sorri largo. Eles estão me levando para casa? AHHH QUE FELICIDADE!
Tecnicamente eu não fui levado para casa e sim fiquei sentado num baco numa secretaria onde uma mulher me fitava com nojo — como se ela fosse bonita para se achar desse jeito — mas pensando bem, quando me vi no reflexo da porta de vidro também fiquei daquele jeito. Tava com a cara toda machucada, sujo só daquele tanto, cabelo espetado e mal lavado e nem preciso dizer que o uniforme estava detonado por conta da briga.
O Dr. Cooper vai ME matar, isso sim.
Mas sabe que, quando ele entrou ali com aquela expressão de desespero ofegando... Meu reservatório de lágrimas se encheu de novo... Eu corri tão feliz para cima dele que até pareci a mamãe nos seus dias normais. Ele me abraçou de volta e ficou fazendo perguntas no meu ouvido, mas eu chorava tanto que nem conseguiria responder.
Por incrível que pareça, meu pai não me deu uma bronca daquelas feias, nem me colocou de castigo ou coisa do tipo. Só estranhamente cuidou de mim. Quem é esse homem?
—Aí eu bati no Montanha e ele começou a chorar, daí eu fiquei com dó por que ele pareceu com medo de ficar no quarto...
—E você achou que ‘o quarto’ era realmente ‘um quarto’? —Eu fiz que sim e ele riu.
—É eu também achei da primeira vez... A outra mão. —Ele enfaixou minha mão direita. —...O Montanha não é um menino tão mal quanto quer parecer, mas deve ter percebido que o mais forte manda por ali. —Fiz que sim.
—O senhor não está zangado comigo? —Sorriu negando.
—Eu estou zangado, mas não com você, até por que eu acho que a partir de agora você vai evitar ir pro reformatório, to certo? —Fiz que sim.
—Como está meu netinho? —Acenei que bem para a vovó. —Você quase mata a gente do coração! Tudo bem se parecer com seu pai, mas não precisa pegar o legado dele querido.—Han?! Ela riu sozinha por que papai não gostou.
—Mãe tem dó, não fica enchendo a cabeça do menino com coisas desnecessárias.
—Que coisas? —Ela não respondeu, tanto faz. —Mudando de assunto pai, e a mamãe? —Ele limpava meu machucado no joelho.
—Ela ligou, disse que está bem e perguntou por você. —Sorri largo.
—E quando volta? —Mexeu os ombros.
—Não sei, prontinho, vá dormir. —Se levantou e ia saindo.
—Vou dormir aqui na casa da vovó? —Fez que sim e ia fechando a porta quando me levantei. —Espera! Eu... Eu não quero ficar sozinho... —Meu pai olhou para minha avó que sorriu e fechou a porta.
—Deita. —Eu obedeci e ele sentou do meu lado. —Sabe, eu tinha mais medo de ficar aqui fora do que lá dentro. —Hein?
—Como assim? O senhor já foi parar no reformatório? —Confirmou.
—Fui, eu gostava de lá. —Fiz uma careta.
—GOSTAVA? Você era louco? Como podia gostar de um lugar daqueles? —Sorriu.
—É complicado, eu me identificava com aqueles garotos sem rumos, eu... Estava sem rumo. —Não entendi nada.
—Ainda sim é um lugar horrível! —Concordou deitando ao meu lado.
—Mas você se saiu bem. —Suspirei ficando com sono.
—Pai?! —Me fitou. —Como é que conheceu a mamãe?
—A sua mãe já não te contou essa historia um bilhão de vezes? —Sorri concordando.
—Sim, mas eu ouvi a historia dela, não a sua.
—Tá bem, chegue um pouco para lá... —Se aproximou deitando praticamente do meu lado. —Foi um dia cansativo, eu era babá do seu tio e ele resmungava o tempo todo me irritando, e um dia... Ela apareceu no campo do time de baseball e a primeira coisa que pensei foi que ela com certeza estava no lugar errado. —Sorri largo. —... Eu fiz de tudo para tirar ela de lá... —Ele pareceu contente dizendo isso. —...Nada deu certo, felizmente.
Eu não ouvi a historia inteira, mas até onde eu ouvi, até que gostei. Mamãe é maluca nas duas.
Eu não fui pro colégio no dia seguinte, meu pai achou que eu estava machucado e seria melhor ir com ele para o trabalho e resolver meu problema com o pessoal do reformatório. Não me deixaram fazer parte da conversa para variar, só fiquei sentado no lado de fora da sala enquanto ouvia ele gritar dizendo que devia processar todos eles por terem me colocado lá dentro sem provas e sem nem mesmo uma autorização da justiça.
Depois fui arrastado para outro lugar, onde esse parecia outro escritório do papai.... Eu sabia que ele tinha dois empregos, mas não que era a mesma coisa. Fiquei sentado e só aparecia famílias junto com crianças nem um pouco amigáveis.
A secretaria dele me explicou mais ou menos o que ele fazia, era tipo aqueles programas chatos onde o apresentador ouve os integrantes da família e dá conselhos para eles se entenderem, só que sem câmeras.
—Isso é engraçado. —Comentei quando finalmente o trabalho dele acabou, eu já estava de saco cheio de ficar ali sentado.
—O que é engraçado? —Olhei para ele me perguntando se devia dizer aquilo.
—Você passa o maior tempão com um bando de família estranha para unir eles enquanto a nossa está toda separada. —Ai ai ai... Eu sabia que não devia ter dito, ele me olhou feio.
—Michael sua mãe vai voltar, e nós somos muitos unidos, estamos enfrentando apenas um pequeno problema.
—Somos unidos? Aonde? A mamãe vai embora sem me dizer nada, o único tempo que o senhor tem para mim só serve para dar bronca, eu não sei que família o senhor pertence, mas com certeza não é a que eu faço parte! —Ele fez uma careta.
—Quantos anos você tem? —Hun? Ele balançou a cabeça parando o carro no acostamento. —Que historia é essa de ‘único tempo que tenho para você’? Fazemos muitas coisas juntos?
—Com a sua outro filho imaginário, só se for. —Resmunguei e meu pai engoliu seco.
—E aquela fez que eu te levei ao jogo de baseball? —Fechei a cara.
—Qual? Aquela que foi um monte de amigos seus e eu não consegui ver nada e quando fui falar com o senhor você disse: ‘Vou ligar para sua mãe vir te buscar, você ainda não está pronto’! —Falei imitando um débil mental.
—Certo, mas é que eu pensei que não estava gostando do jogo!
—Eu não estava enxergando! Se tivesse me deixado ficar com a altura da minha mãe quem sabe, não é? —Não sei por que ele começou a rir.
—Ta bem, e o dia no aquário? —Neguei, isso é ridículo pai.
—Você ficou no telefone, jogou a prima Sophie nas minhas costas e eu passei o dia correndo atrás dela, nem consegui ver os peixes direito, o dia do aquário NÃO CONTA! —Ele voltou a rir.
—Certo, esse não conta, mas e...
—Desiste pai, todas as vezes que o senhor saiu comigo foi uma droga, mamãe tem passa tempos divertidos, o senhor só sabe brigar. —Suspirou.
—Quer saber? Tem toda razão. —Ligou o carro. —Você e sua mãe...
Fomos mais uma vez para a casa da vovó e íamos dormir lá de novo, bom se ele vai ficar, então não tem problema. Quando chegamos as luzes estavam todas desligadas e nem sinal da vovó ou do vovô, geralmente esse horário estavam no restaurante.
—Ouviu isso? —Perguntei pro meu pai que me fitou curioso.
—Ouvi. —Ele me puxou para trás dele e conforme fomos indo para a sala notamos os pés de alguém. Meu pai me segurou suspirando. —Devan!! —Só aí que eu vi meu tio se levantar de trás do sofá e do lado... Oh policial Jackie-chan!
—Eu disse que era uma má ideia! —Ela socou meu tio que olhou feio para o meu pai.
—Você não mora aqui! Vai para casa procurar sua mulher! —Olha, ele está mesmo nervoso e eu comecei a rir.
—Olha lá...
—Que jeito esquisito de se conhecer uma pessoa tio Devan! —Interrompi meu pai que riu também.
—Será que vocês podem... —Puxei meu pai pelo braço.
—Claro, claro, vamos pai, mamãe tinha me dito que se algo entre eles acontecessem por nada no mundo devíamos atrapalhar ou o tio Devan vai virar um velho inútil sozinho.
—Tem razão, pelo menos sozinho ele não fica. —Eu gargalhei indo rumo ao carro.
—Vamos para casa? —Ele sorriu largo me encarando quando entramos no carro.
—Está com fome? —Eu estava morrendo de fome.
—Claro, naquele escritório só tinha café! —Concordou.
—Sabe o que eu e sua mãe costumávamos fazer quando estava grávida de você? —Neguei. —Competição, quem comia mais ganhava, foi o jeito que achei de fazê-la comer sem se preocupar com o peso e como ea é uma apostadora compulsiva, topava sempre. —Eu ri.
—E ela ganhou alguma vez? —Ele tornou a rir.
—Eu sou um campeão Michael, seu papai não perde nada para ninguém! —Sorri de lado.
—Pois vamos ver! Aposto que ganho de você!
—Apostador compulsivo, igualzinho a sua mãe... Pois então, feito! Se eu ganhar você lava meu carro!
—Tá, se eu ganhar você aumenta a minha mesada! —Uhuuu!! Ele concordou! Ninguém me vence no prato!
[........................]
Eu já tinha devorado seis fatias de pizza e eu estava me sentindo tão cheio que achei que fosse explodir, do outro lado da mesa lá estava ele, o devorador infinito na sua decima segunda fatia com um sorriso malvado no rosto.
—Isso não vale! Seu estomago é maior que o meu! —Mexeu os ombros.
—Devia ter pensado nisso antes de apostar filho da Eloise. —Revidou rindo. A mamãe ia gostar de estar aqui...
—Sente falta dela? —De repente ele ficou triste concordando.
—Não tem noção do quanto.... —Colocou a fatia que comia no prato e ficou olhando para ele. — ...Eu quero que você entenda que... Não consigo ficar naquela casa sem ela, por isso vamos ficar um tempo na vovó. —Nesse momento eu criei coragem para perguntar.
—Vocês vão se divorciar? —Ele arregalou os olhos me encarando.
—O que? Não! É claro que não! Quem disse uma coisa dessas para você? —Mexi os ombros.
—Martin, ele disse que ela já teria outro namorado e você ia me deixar vivendo com meus avós... —Respondi.
—Que moleque infeliz... Ainda bem que bateu nele. —Resmungou. —Michael, não vamos nos divorcia. A razão pela qual sua mãe fez essa viajem é por que... Ela não te contou, mas... Ela estava grávida e perdeu o bebê, para piorar o médico disse que as chances dela conseguir engravidar de novo são... Quase nenhuma.—Ele contou isso num tom muito baixo e eu não entendi muito.
—É isso? Então ela abandona o filho por que não consegue ter outro?
—Michael! Seja sensível, ela queria...
—Então eu não sou o suficiente? Tem que sumir e nem se quer me ligar, só por...
—Michael!! —Gritou comigo batendo a mão na mesa. —Eu sabia que não devia ter te contado... Filho isso não tem nada a ver com você, é entre ela mesma! Sua mãe sofreu muito com isso e a razão de ter ido para longe é não passar esse sofrimento para você! —Engoli seco, mas não me conformei.
—Ela devia ter me ligado, devia ao menos querer falar comigo!
—Eu sei, mas vamos deixar ela quietinha como está, ela... Precisa disso, não seja insensível como eu fui.
Não falamos mais sobre aquele assunto de novo, voltamos para a casa da vovó e eu pedi para dormir com ele de novo, não queria ficar sozinho... Eu não quero ficar sozinho. Enquanto deitado eu só conseguia pensar onde minha mãe poderia estar e no fim acabei desistindo de ser forte e chorei, meu pai percebeu e acho que por isso me abraçou.
[............]
É vida, no resto dos dias da semana eu fui obrigado a ir para o colégio e ver aqueles alunos chato, mas a melhor parte da semana foi que para não me deixar ficar atoa na secretaria do reformatório ele me deixou ir brincar com os delinquentes que vou te contar, são bem mais legais que os garotos do colégio. E não é de ver que o Montanha e eu viramos amigos.
—Aqui Montanha! —Entreguei minha luva de baseball, eu tinha umas quatro e não faria falta dar uma a ele que era obrigado a jogar com umas maus acabadas.
—Ta me dando? —Fiz que sim.
—Agora não tem desculpa! Vai perder calado e sem reclamar! —Também trouxe um taco e dei um dos meus tênis para o Dudu que usava um sapato quase sem sola. —Certo! Vamos dividir, impar! —Ele sorriu largo fechando o punho.
—Par!
Tecnicamente falando a gente só podia jogar naquele horário por causa do meu pai, ele liberou o campo para ficarmos ali a tarde inteira. Eu estaria mentindo se dissesse que não tinha medo de alguns garotos dali, mas o bebe chorão do Montanha consegui manter a ordem e sendo meu amigo, estava valendo. Embora alguns caras mais velhos de vez em quando davam uma de valentões.
—Posso ir para lá no final de semana? —Perguntei meu pai, seria legal jogar futebol com eles também, eu tinha três bolas, podia muito bem deixar uma lá... Ter vários parentes dá nisso, a gente ganha um monte de presente repetido.
—Esse final de semana não, esse nós vamos fazer uma coisa realmente divertida! —Fiz careta.
—Pai... Eu já disse, o senhor não serve para coisas divertidas.
—Ahh é? Isso é o que vamos ver! Vou provar que consigo ser mais divertido que a sua mãe! —Eu tive que rir, pensei que fosse piada.
Fiquei imaginando que possivelmente ele me levaria para um lugar super tediante, mas quando chegamos naquele lugar eu fiquei boquiaberto...Tipo... Aquilo não parecia nunca fazer o tipo do meu pai, ele não devia gostar disso, ele é velho demais para gostar disso! Olhei para ele como se estivesse do lado de outra pessoa...
—Tem algum bingo no meio desses carros? —Ele riu.
—Tenho um amigo que participa sempre, então conversei com ele e Tcharan! Vai confessa?! Isso sim é da hora! —Eu pisquei inúmeras vezes olhando novamente aquele lugar.
Era um enorme espaço onde tinham preparado tendas e ao lado delas incontáveis carros sujos e uma estrada sinistra ao longe com uma placa escrita INICIO.... Caramba... Eu estava mesmo em uma pista de corrida!
—Vamos entrar? —Sorriu largo confirmando.
—Para ficar olhando é que não vamos! —Eu tenho que dizer que minha atitude a seguir foi como de um pirralho que ganha tudo que mais quer no mundo. Comecei a pular de alegria sem parar batendo os pés nos chão não acredito!!
—AHHHHH!!! LEGALLL! Vamos mesmo estar na competição? —Ele concordou rindo.
—Calma, calma, nós vamos... —Papai parou de falar quando estacionou o carro. —... Por favor, me diz que aquela coisa tosca vestido de motorista de formula um não é o seu tio?! —Assim que virei o rosto e avistei não acreditei.
—Você o convidou? —Se virou para mim fazendo careta.
—O seu tio? Para um corrida? Ele nem sabe dirigir Michael! —Descemos do carro e fomo até aquela figura que com certeza não deveria estar ali. —Devan! —Disse já em timbre zangado.
—Irmão! Sobrinho! Animados para corrida? —Nos entreolhamos.
—Devan... —Ele sorriu sem graça.
—O que foi? Você disse que íamos numa trilha!
—Não! Eu disse que ia com o Michael numa trilha, não que você era convidado! —Ele se aproximou olhando para os lados sem graça.
—Mas vamos fingir que a ideia foi minha e eu consegui tudo e convidei vocês, não é? —Pisquei incrédulo olhando para o meu pai.
—É o que? Por que faríamos isso? —Ele engoliu seco apontando o dedo para mim.
—Sua mãe disse que se algo acontecesse entre nós você teria que ajudar! —Ahhh tá.
—Espera, é por causa da Emma que está vestindo essa roupa ridícula de Penelope charmosa e vai participar com a gente? —Afirmou quando meu pai perguntou.
—Tio Devan, para que isso? Eu não dou meia hora para o senhor desistir da corrida...
—Haha meia hora filho? Tente cinco minutos!
—Será que vocês podem ao menos fingir que gostam de mim? Eu não quero parecer um fraco eternamente.
—Mas você é um eterno fracote! —Me olhou feio e logo sorriu largo, quando nos viramos vimos a razão.
—Que roupa é essa? —Perguntou ela cumprimentando meu pai e depois me dando m abraço.
—É roupa de corrida! Não é? —Eu ri.
—Talvez numa corrida espacial, além do mais é só uma disputa de entretenimento, certo? —Meu pai concordou.
—É, apenas diversão, nada ao ponto de se vestir como um astronauta com faixas de sinalização rosa. —Meu tio encolheu.
—Vamos logo ao que interessa! Qual vai ser nosso carro pai? —Meu tio pigarreou.
—Eu digo querido sobrinho, é aquele ali! —Girei os olhos.
—Também vai dirigir querido titio? —Curtir com a cara dele e a Emma gargalhou.
—Sua moral tá baixa Garfield, muito baixa!
Infelizmente eu tive que ir no banco de trás por que só tinha sete anos e meu tio foi no da frente com meu pai. O mais legal era que estávamos em um jipe!
—Prontos? —Perguntou ele e confirmamos. —Tente não vomitar em mim... —Murmurou pro meu tio e finalmente ligou o carro.
A estrada era simplesmente terrível, cheia de lama e buracos por toda parte fora a mata que batia nos vidros e ficávamos de um lado pro outro. Teve uma hora que eu jurei que o carro ia virar, mas nada foi tão impressionante quanto os gritos e berros do meu tio para parar.
Ele bateu a cabeça no teto não sei quantas vezes e a Emma estava dando crises junto comigo de tanto rir, tipo, era divertido o percurso, só que ter o bebe do meu tio chorando de medo gritando ‘VAI CAIR, VAI CAIR’ era simplesmente hilário.
—CHEGA!!! POR FAVOR, PARA DILLAN! —Levamos um susto quando ele falou naquele ressentido. Meu pai deu uma olhada na estrada e parou próximo a um riacho... Tio Devan saiu do carro correndo e desesperado.
Fiquei uns minutos dentro do carro imaginando o que tinha acontecido com ele.
—Ele ta bem, pai? —Papai mexeu os ombros.
—Vou falar com...
—Espera Dillan, deixa comigo, acho que sei qual o problema. —Ela desceu e ficamos os dois no carro.
—Qual é o problema dele? —Papai riu.
—Falta de confiança, seu tio acha que ser algo que não é, é o que todo mundo espera que ele seja. —Mirei da janela do carro Emma conversando com ele. Achei que ela fosse dar um soco nele e resolver o assunto, mas eles estavam mesmo tendo uma conversa, dessas de adultos. —Acho que ela gosta dele... —Meu pai tornou a rir.
—Ou gosta dele ou gosta de sofrer... —Eu sorri.
—Ou os dois. —Concordou gargalhando.
—É, pode ser isso também.
Desci o vidro do carro tentando ouvir atentamente a conversa deles e não foi só eu que queria curiar não, meu pai também estava de olho.
—Fez isso por minha causa? —Consegui a ouvi perguntar. —Argh você é mais idiota do que eu pensei! Devan eu lido com valentões e homens machistas que se acham bom em tudo o tempo todo, a melhor parte em você é que não tem nada disso! —Eu fitei o papai que fez sinal de silêncio.
—Então... Não...Se importa de...
—Ser fresco como uma mulherzinha? Eu me importo mais com as suas qualidades... Sabe, eu vivo num meio cheio de ódio, violência e morte, a melhor parte do dia é quando nos encontramos e nada disso existe, nenhum resquício se quer... Só rir da suas basbaquices. —Meu tio limpou os olhos rindo.
—Você é muito é muito grosseira... —Ela riu se levantando.
—Levanta dai florzinha, o que acha de irmos a uma doceria ao invés desse monte de lama aqui? —Os olhinhos dele chega brilharam.
Moral da historia, Emma se entendeu com o tio e eles voltaram para o carro, mas tivemos que deixar a corrida para outro dia, por que o imbecil do meu tio ainda estava enjoado e chorão. Mas pelo menos papai tentou e dessa vez ele acertou.
—Você vai perder... —Fiz careta não aguentando mais tomar milk-shake, como ele consegue tomar três de uma vez?
—ARGH! Isso é injusto pai! —Não aguento mais, entreguei o me para ele que tomou na maior tranquilidade.
—Se corresse comigo de madrugada, veria que tudo isso tem para onde ir. —Concordei.
—Okay, eu vou correr então. —Girou os olhos rindo.
—Vai acordar cinco e meia da manhã para correr até às seis e meia? —Se isso for me garantir ganhar um dia dele, ta valendo.
—Vou! E ainda ganho de você um dia! —Ele me abraçou rindo.
—Por que você tem que ser tão parecido com a sua mãe?!
—Nem tanto, de todas as coisas para puxar dela e puxei a miniatura de você. —Ao invés de brigar me deu um cascudo. —Hey! Você pode ser bom em comer, mas e no video game?
—Ta afim de perder lá também? Você que sabe moleque!
Tá bom, tá bom, eu confesso que no fundo, bem no fundo eu estava enganado sobre meu pai, ele é um cara legal e divertido, o que faltava era só conhecer eu acho.
[........]
Eu contei, ao total davam oito dias desde que mamãe saiu de casa e até hoje não deu noticias, apesar de eu e papai estamos nos dando bem, a falta que eu sentia dela não diminuía. Mas aí, um dia voltando da escola eu ouvi...
—Ahh que saudade eu senti do meu capitão...—OHH!! Só uma pessoa chama meu pai de ‘capitão’ e só acontece em ocasiões MUITO especiais. Mesmo que estivessem se beijando eu entrei no deles sorrindo largo.
—Mamãe!!! —Eu nem acreditei que era mesmo ela ali do lado do meu pai que sorria para mim.
—Hey moleque! Quantas vezes eu tenho que dizer para bater na porta antes de entrar? —Assim ela disse isso eu voei em cima dela que me apertou até machucar. —Uhhh meu tampinha filho, que saudades de você!— E lá foi ela me encher de beijos de novo, só que dessa vez eu não reclamei.
—Por que você não me ligou, mãe? —Ela se virou para o meu pai.
—Eu liguei um milhão de vezes, mas seu papai ficou me infernizando...
—Pai!
—Se eu não fizesse isso ela ia demorar mais ainda, sua mãe entra em desespero quando não fala com você.—Eu não me importei, o importante é que ela tinha voltado.
—E como você está? Descansou? —Ela mais uma vez olhou feio para o meu pai.
—Se eu descansei? Pergunta pro seu pai, esse cretino! —Hein?
—Devo entender isso como um sim ou não? —Ela sorriu me dando outro beijo.
—Eu estou ótima querido, melhor ainda estando em casa... Dillan... Você lavou o cabelo desse menino quando eu estava fora, olha só isso?! —Ficou mexendo.
—Como? É você quem arruma o meu e o dele. —Ela suspirou sorrindo.
—Ahh olha só pro meu baixinho... —Tornou a me abraçar com força.—... Eu prometo nunca mais ficar tanto tempo longe de você...
—Bom mesmo, por que a secretária do papai é muito bonita. —Me empurrou fazendo careta.
—Como é que é? E a velhinha que te arrumei senhor Cooper? —Meu pai fez careta.
—Ela tinha oitenta e três anos, ela morreu Eloise!
—Morreu? Mas ela era perfeita para o cargo! Vou te arrumar outra senhora, conheço uma de sessenta e seis completamente desinteressada por homens!— E lá foi ela atrás do meu pai com a mesma lenga lenga ciumenta de sempre. O que é ótimo!
Finalmente tudo tinha voltado ao seu lugar, quero dizer... Vendo por outro lado estava muito melhor do que antes, por que agora eu estava de boa com meu pai.
#BONUS#
Dillan
Eu levei uma bronca maior do que aquele pestinha ganhou, ele ter desaparecido e ido pro reformatório e eu continuar levando ele para brincar com os delinquentes fez minha linda esposa depois de muito tempo ficar furiosa comigo. Que bom, essa raiva é diferente da qual saiu de casa, é aquela que sei que vai me perdoar.
Em contra partida eu cai a ficha que realmente estava sendo um péssimo pai, na verdade estava agindo como minha agia comigo.
Afaguei os cabelos do meu pirralho que dormia abraçado com a mãe dele que não parava de me olhar feio, estava escuro, mas eu podia sentir a aura zangada dela. Eu pensei que seria melhor se eles não se falassem, assim ela perceberia que já tem o filho que precisa, só que ela não viu desse jeito e eu acho que agora eu entendo.
—Você tinha razão... —Falei baixinho para não acordá-lo. —...Eu não estava prestando atenção suficiente nele... Esse tempo que fiquei com ele foi como se finalmente eu tivesse sido apresentado ao meu filho... —Ela soltou uma risadinha.
—Como foi sua reação ao ver que ele é você com sete anos? —Eu gargalhei colocando a mão na boca.
—Eu fiz de tudo para ele não herdar meus problemas e não adiantou nada, ele é briguento, guloso e minha nossa Eloise... Ele é muito inteligente, se ouvisse as broncas que ele me deu.
—Eu sei, ele herdou essa mania feia sua também. —Dei uma risadinha. —... E pelo visto vocês estão se dando bem agora.
—É, acho que agora sim estamos tendo o tipo de relação que tenho com meu pai, eu não percebi que estava tratando ele da mesma forma que a minha mãe fazia comigo... E esse tempo também me fez refletir outra coisa...
—O que?
—Eu quero dar um irmãozinho pra ele. —Ouvi ela bufar.
—Mesmo e quem vai ser a mãe do seu outro filho? Deixando claro que eu mato ela antes de ficar grávida.—Dei uma risada.
—Eloise o médico disse que as chances eram mínimas, não que era impossível.
—Qual o seu plano? Sexo excessivo até conseguir... Opa, eu topo! —Gargalhei sem me controlar.
—Você não muda, né? Está mesmo melhor? —A ouvi suspirar.
—Vou ficar, eu... Ainda não me conformei, mas tudo vai ficar bem... Não é? —Procurei seu rosto na escuridão o acariciando.
—Se meu irmão consegue uma namorada de boa saúde mental, acha que não conseguimos passar por isso? —Ela gargalhou.
—OMG! Se ele conseguiu pegar a policial tudo nesse mundo é possível!
Eu espero que sim.
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