Inner Beauty 2

61 Capitulo Extra I - A Mente e a Força


Notas iniciais
Aleluia senhor! É ou não é pra glorificar de pé!? kkkkk Pois é amores, eu sei, demorei MUIIITTOO, mas quem é escritor sabe o estrago que um bloqueio criativo consegue fazer. Um agradecimento a ChristianaHoran, Grazy Chan, Manu and Poly, Dolly, Junli e Myla pelas lindas recomendações! E a todas pelos inumeros e lindo reviews! *_* Bom não vou enrolar apenas LEIAM OS NOTAS FINAIS. Boa leitura e desculpem os erros.

Capitulo Extra I

A Mente e a Força

Dick Taylor

Eu fiquei parado durante um breve tempo enquanto aquela faixa era estendida na escola, particularmente de todos as datas comemorativas aquela com certeza era mais desnecessária, suspirei pesadamente, eu tinha medo desse dia, bom, talvez não medo e sim repulsa... O terrível dia de são Valentin.

Não me entendam mal, eu não tenho completamente nada contra casais estupidamente apaixonados, afinal sempre penso que é em uma dessas datas que eu devo ter sido concebido, mas vejam meu melhor amigo e tapada da minha irmã que passam o dia conversando pelo computador e logo então quando ele se desliga os dois dão para entrar em uma depressão profunda por conta do romance á distancia, isso é irritante.

Não entendo por que eles têm a necessidade incontrolável de associar interação romântica à felicidade. E nesse dia tudo piora, pois parece que estar solteiro é a pior coisa do mundo, mesmo para alguém da minha tenra idade, dai você não ganha chocolates baratos ou cartões que contenham frases de pessoas solitárias desconhecidas e se torna o forever alone ridicularizado.

–Gostaria de passar o dia dos namorados bem longe de casa...-Comentei balançando o Milkshake desinteressado enquanto aquela maluca estava dependurada de cabeça pra baixo em uma arvore, um ano sendo minha amiga e não obteve nenhuma melhora... Deprimente.

–Por causa da Kailyn!? A deixe em paz Dick, ela chora um pouquinho e dai!?-Suspirei me levantando.

–Um pouquinho!?! Virou rotina, acho que os olhos dela mais gastam energia produzindo lágrimas do que colocando a visão dela pra funcionar.-Revidei e ela desceu da arvore tomando o Milkshake da minha mão.

–Mulheres são emocionais... Pelo menos é isso que meu irmão diz!-A incerteza dela sobre o próprio gênero chegava a ser uma graça. Undine sentou no meio fio ao meu lado tomando o resto.

–Emocionalmente instáveis você quer dizer, ainda sim não é motivo para tanto, certo, eu compreendo que existe saudade, mas aquilo ali é exagero! E nos dias dos namorados ela com certeza vai se entupir de chocolate assistindo filmes melosos e chorar o dia inteiro!

Ela tirou uma liguinha do bolso amarrando os cabelos, os cabelos dela eram tão negros que às vezes dependo da luz dava a impressão de ser roxo. Ela tinha resolvi deixa eles cresceram pelo que acredito ser inicio de vaidade feminina, minha irmã tem isso.

–Você não pode julga-la, não sabe pelo que está passando... Tadinha da Kailyn, deve ser complicado passar o dia dos namorados sozinha.-Suspirou e eu franzi o cenho estranho, desde quando ela era complacente com assunto desse tipo.

–Não é difícil, veja você, vai passar sozinha e não está nessa depressão!-Ela me socou fazendo careta.

–Eu tenho você e o irmãozão, não vou passar sozinha!-Disse agora sorrindo, pensei em dizer algo como “Eu não tenho nada haver com dias dos namorados e muito menos seu pai”, mas isso colocaria malicia na cabeça dela... Melhor deixar quieto.

–Que não vem ao caso, as vezes eu acho que seria melhor se eles terminassem.-Surpresa ela me encarou.

–Acha que separar o dois é a solução?

–Ela arruma um namorado aqui ele por lá, sim eu acho que seria uma solução viável.-Agora fez um bico de desdém negando.

–Você não é tão inteligente quanto pensa que é...-Depois de uma pausa na ofensa ela continuou.-... As pessoas não podem ser substituídas Dick, meu irmão disse... “Um casal é como peças de um quebra cabeça, existem varias peças no mundo, mas você só se encaixa a uma.”-Acho que vou vomitar.

–Ahh seu pai com certeza é a melhor pessoa para dar conselhos não é?! Por favor, ele deixa uma criança de dez anos fazer a contabilidade dele, deve ter tirado isso de um desenho da Disney pelo nível de romantismo!

–Então pra você todo mundo é substituível!-Pensei nas sete bilhões de pessoas povoando o mundo e conclui acenando.

–Sim.-Ela girou os calcanhares nervosa e começou a andar rumo a casa dela.-Hey onde você vai!?

–Procurar outro megamente por que cansei de você!-Gritou sem parar e lá vai eu correr atrás dela.

–Perai, não foi isso que eu quis dizer!

Argh...Garotas.

Eu geralmente não precisava pedir desculpas a ela, Undine era tão bipolar quanto minha irmã e quando chegamos a casa dela e viu aquele monte de tinta e a antiga decoração sendo tirada já voltou a se amigar comigo contente.

–Ahhh!! Dia de mudança!!!-Gritou dando pulinhos alegre segurando minhas mão.-Qual o tema?!-Perguntou pro cara vestido de pintor que só agora percebi que era o pai dela.

–Amor no espaço, em homenagem ao dia de São valentin!-Fiz careta, eu ainda quero vomitar.-Não precisa fazer essa cara Megamente, fiz o cálculos que você sugeriu e sobrou dinheiro pra mudança de ambiente!-Ele tinha um tom de filho falando com pai comigo que chegava a ser cômico se tratando de um cara de vinte anos pedindo permissão pra um de onze e meio.

–Mas tinha que ser amor?! Por que não the walking dead?-Ele negou pegando no meu braço e me puxando.

–Aquela ideia de marketing sobre o meu trabalho que você deu foi brilhante, consegui cinco vezes mais clientes, então eu resolvi adequar as mudanças da casa de acordo com as datas comemorativas! O dia dos namorados está bem perto, por isso precisamos terminar para fotografar e você publicar pra mim, fazendo aquela...Como se chama aquele negocio que informamos a pessoa sobre o trabalho...

–Argh, divulgação! Mas tinha mesmo que ser amor?!

–Qual o problema do amor?! É um sentimento universal!

–Han!? Qualquer sentimento é universal idiota, é só que...É um tema chato, não fazemos coisas divertidas?!-Undine me deu um soco no ombro.

–Não liga pra ele irmãozão, ele está zangado por que todo mundo tem namorado e ele não tem!-Fingi um refluxo negando.

–Érrr primeiramente no meu caso é namorada, segundo todo mundo é exagero, terceiro você não tem namorado, seu pai não tem namorada, meu amigos virtuais não tem...Então....Não! Não estou zangado por isso, mas essa coisa de amor é melosa nojenta e úmida!-Nesse momento o Marvin deu uma risada.

–Úmida? De certa forma...

–Piadinhas sujas perto da filha, isso é que eu chamo de bom exemplo!-Disse o fazendo parar de rir se segurando quando Undine não entendeu nada pra variar.

–Okay, é o seguinte, o amor pode não ser tão divertido aos onze anos, mas pensa nos clientes que eu vou conseguir Megamente, você é o gênio não é?! Quanto você acha que o povo gasta com presentinhos nesse dia?!-Suspirei compreendendo.

–Muito, meu pai mesmo todo ano compra um monte de besteira pra minha mãe e se não compra dorme no sofá... É uma situação lastimável, mulheres se tornam dominadoras e chantagistas nesses dias.-Recebi outro soco com um serzinho me olhando zangada.-Ahh é, você é menina, saquei! Desculpa.-Ela bufou já me puxando pelo braço.

–Vamos começar daquele lado!-Eu acenei que tudo bem.

Okay, okay, eu tinha que confessar o dia da mudança era incrível, não um nível de incrível de zerar um final fantasy, mas algo estrondosamente prazerosa. Como posso explicar, é como construir a casa dos sonhos no the sims sem se preocupar com dinheiro. O pai da Undine arrancava a tinta de um lado enquanto nós pintávamos de branco a outra parte onde já estava tirado. Ele trabalhava com decoração, sabia grafitar, fazer desenhos incríveis em paredes e ajeitar todos os moveis de um jeito que fique perfeito ao ambiente criado... Ele até não podia ser muito inteligente em calcular impostos, mas era ótimo naquilo que fazia e a melhor parte é que deixava a gente ajudar sem se importar se éramos crianças ou não.

No fim depois que os dois apareceram eu ficava mais na casa deles do que na minha própria casa, lá em casa é sempre tudo pronto, mas aqui não, eles precisam de mim para resolver problemas, ter ideias pra divulgar o trabalho dele, fazer trabalhos junto a ela e para não perder o costume quase todo mês do nada eles inventavam uma atividade diferente para se fazer, eu não sei, acho que me adaptei de uma forma agradável ao jeito que eles levavam a vida, me deixava feliz participar de tudo aquilo.

Mas os dias de mudança eram os melhores, nada era mais divertido do que participar daquilo, o pai dela ligava o som no máximo com uma música bacana e passávamos a semana deixando aquele lugar parecendo um cenário de cinema.

–Está tarde, preciso ir pra casa.-Murmurei olhando o relógio e vendo que estava escurecendo, a garota biônica ainda um pouco zangada comigo se aproximou.

–Não vai amolar sua irmã!-Que ótimo, além do meu pai, agora a Undine está do lado da Kailyn.

–Conselhos não matam!-Revidei indo calçar meus tênis.

–Não.... Mas os seus machucam...-A mirei pelo o canto do olho engolindo seco, ia dizer alguma coisa, porém a infantilidade dela impediu que eu retrucasse saindo correndo pra dentro.

–Não se preocupe Megamente, a raiva dela não dura muito.-Disse Marvin vindo pra perto de mim.-Quer que eu vá com você?-Neguei na mesma hora.

–Não, não, eu vou sozinho mesmo.

Eu passei o resto do dia pensando naquilo enquanto fazia meu dever de casa, eu não quis dizer que ela era substituível, mas não é mais fácil quando a gente não tem alguém encontrar outra pessoa pra não ficar naquela melancolia eterna? Em meu raciocínio básico isso era até mais logico, por que pro dela não?

–Acabei de falar com o Oliver, ele disse que você não está entrando ultimamente.-Disse minha irmã se aproximando de mim, ela estava limpando os olhos vermelhos por ter chorado de mim.

–Siga meu raciocínio se puder...-Falei pra ela sério.-...Não é mais fácil vocês terminarem e cada um encontrar outra pessoa do que ficar nessa choradeira todo dia?-Reação completamente previsível de indignação já que ela é sentimental.

–Terminar com o Oliver? Como pode dizer isso? Ele é seu amigo!-Suspirei.

–Eu sei, eu estou pensando por ele também, terminem encontrem outra pessoa, despejem a necessidade social amorosa nelas quando ele voltar...SE ele voltar e tiver a resquício de sentimentos de antes vocês voltam a namorar...Não é simples!?-Agora zangada ela sentou na minha frente.

–Se o papai e a mamãe....

–Papai e a mamãe são CASADOS e tem filhos, querendo ou não os dois vão ter uma ligação pra vida inteira!-Interrompi a fala dela antes que viesse com teorias fora de contextos.

–Papai ouça isso, Dick quer que eu termine com Oliver e arranje outro namorado!-Gritou meu pai da sala, na verdade o que ela queria era um ajudando mais inteligente pra debater comigo.

–O QUE?! Ficou louco filho!? Eles se amam, não podem terminar por causa da distancia!-O mirei seco quando se aproximou.

–Você só está dizendo isso por que o congresso de biociência é no mês que vem e quer usar ele como medalha “Ahh meu genro é de Oxford”.-O imitei vendo minha mãe rindo querendo entrar na conversa.

–Isso é verdade, ele não para de falar nesse congresso, e talvez Dick tenha razão dessa vez querida, se permita viver outras experiências com outras pessoas, vai te fazer bem!-Meu pai e ela se olharam extremamente ofendidos.

–NUNCA! Entendam os dois que eu AMO o Oliver e não vou largar dele só por que vocês acham que é o melhor!!-Revidou a revoltadinha zangada.-E você senhor Dick? E se sua namoradinha fosse pra longe? Você arrumaria outra? Sem se importar com ela?-Rangi os dentes nervoso me levantando.

–A Undine é minha AMIGA!

–Isso mesmo Kailyn! Seu irmão tem só onze anos..

–E meio!-Completei, não sou tão pirralho assim.

–Que seja! A verdade é que não existe outra garota pra aturar o robozinho aí, em outras palavras estaríamos no mesmo barco irmãozinho!

–Concordo com a Kailyn!-Meu pai entrou no meio.-Oliver hoje, Oliver amanhã, Oliver SEMPRE!-Falou com as mãos pra cima.-Assunto encerrado, vamos querida...-Puxou minha irmã pra sala e eu e minha mãe nos entreolhamos espantados.

–E você diz que eu sou o senso irracional, não é?-Sorri de lado recebendo um beijo na testa.

–Gênios também erram de vez em quando.-Familia de loucos da nisso.

No dia seguinte lá estava eu tendo que aturar meus colegas de sala falando sobre chocolates e cartões, aborrecentes de onze anos falando de relacionamentos como se realmente entendessem alguma coisa disso. Eu costumo ignorar conversas assim, mas de repente lá estava eu imaginando que uma caixa de chocolates seria bem interessante, lá estava eu engolindo seco me perguntando se alguém em sua sã consciência pensaria em me dar alguma coisa que não fosse minha mãe.

Dei um tapa no meu próprio rosto no mesmo instante! Fique longe de mim puberdade, não está a hora de você chegar, meu pai teve o inicio da sua só aos quatorze anos não tem por que eu começar a ter isso mais cedo!

Argh maldito dia dos namorados que enfeitiça nossa cabeça...Pra quem será que a Undine vai dar os chocolates? Pela conversa dela a puberdade dela já tinha chegado.

Mas naquele dia ela foi não colégio, a procurei por todo canto e realmente não tinha vindo a aula.

Estranho, ela adora essa escola.

Engoli seco mordendo os lábios me sentindo um tanto quanto ressentido ao ver o que estava diante meus olhos, todo o trabalho do dia anterior foi transformado em borrões de tinta sujando a parede como aqueles quadros surrealistas que quase ninguém entende. Cadeiras reviradas, latas de tintas jogadas de qualquer jeito e uma bagunça que não sei o que deu na cabeça deles pra fazer. Respirei fundo vendo o Marvin no canto da casa juntando as latas, assim que virou pra mim seus olhos estavam vermelhos.

–Ah...Oi Megamente...-Me disse suspirando.

–O que aconteceu?-Ele ficou choroso como uma criança.

–A sargenta e minha garotinha, toda vez é isso!-Disse se aproximando.

–Cadê a Undine? E quem sargenta? -O fitei assustado.

–A sargenta venceu...-Ele suspirou pesado sentando no chão.-...É a mãe da Undine, ela insisti que eu tenho capacidade pra criar ela e volta e meia pega ela a força.-Pisquei varias vezes juntando informações suficientes pra dialogar sobre o assunto.

–Pensei que a mãe da Undine não quisesse ela, você disse que ela queria vender pra outro casal.-ele acenou que sim.

–Isso foi antes, muito antes...Quando a Undine fez cinco anos ela incutiu que tinha mais disposição do que eu pra cuidar dela e desde então arma esse escândalo atrás dela.-Fiquei um pouco chocado, primeiro por que ele estava sério, segundo por que parecia ser realmente sério.

–Ela vem e pega a Undine assim!? A força?-Afirmou.

–Sim, mas não se preocupe, a Undine sempre foge.-Pisquei algumas vezes, realmente ele não é um bom exemplo, a filha vai fugir e vim sozinha não sei da onde e ele não se preocupa?

–Quanto tempo leva até ela conseguir?

–Uns dois meses, da ultima vez foi três!-OMG! Isso é loucura!

–Marvin não seja idiota, liga pra policia!-Ele sorriu amarelo.

–Ela é rica agora, pode conseguir facilmente que tirem a minha menina de mim!

–Isso é besteira, você está com direito e ela abriu mão!-Se levantou voltando a arrumar o lugar.

–Ainda sim, eu prefiro esperar, a sargenta me dá medo...-Disse estremecendo e eu....Eu não sabia o que pensar.

–Vamos atrás dela então! Vamos ajudar a Undine a fugir?!-Retruquei pensando rápido correndo até a frente dele que sorriu amargo.

–Eu sei o quanto isso é difícil pra você, mas acredite em mim...É melhor esperar.

Na raiva o empurrei saindo daquela casa, como poderia dizer isso? Como poderia deixar as coisas como estavam? Era a filha dele! Devia estar usando todas as armas que tinha para correr atrás dela, no entanto, lá estava ele se dando por vencido.

Cheguei em casa furioso e um tanto incrédulo, mas como assim!? Do nada, sem que eu nem pudesse me despedir ou sei lá!!!

Vou jogar vídeo game, fugir da realidade sempre é um ótimo caminho. Liguei meu som o máximo colocando os fones de ouvido colocando o jogo mais complexo que tinha, na raiva em que eu estava se ficasse na internet era muito provável que invadisse o site da segurança nacional e ativasse misseis a casa daquele idiota!! Esperar? Esperar?!?! Eu tenho um Qi maior que boa parte da população, minha imperatividade não permite esperar.

Respirei fundo, dois meses, são apenas dois meses.

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Dois dias.... Minhas olheiras voltaram, dois dias... Eu não conseguia me concentrar, dois dias....Pateticamente eu me sinto solitário. Era sábado e lá estava eu sem ter o que fazer com a cabeça deitada na mesa enquanto todo mundo tomava seu café sorrindo pelo maldito dia dos namorados estar chegando.

–E o Oliver como está querida?-Virei o rosto ainda com ele na mesa vendo a Kailyn suspirar.

–Ele está bem, fisicamente, mas acho que brigou novamente com os pais, parece que eles querem que ele more com eles e ele já deixou claro que quer distancia... Eu sei lá pai, acho que ele não ta bem não, tanto que vai fazer uma viajem de campo e me pediu desculpas seis vezes por isso e pra eu não levar pro lado pessoal, que ele precisa de um tempo longe dos dois.-Grande novidade, girei os olhos engolindo seco.

–São os pais dele, ora bolas, mais cedo ou mais tarde ele vai ter que enfrentar os dois.-Disse impassível, eu estava pouco me lixando para o que acontecia com o casal do momento.

–Qual é o seu problema em garoto? Está amargo, insensível e falando do Oliver como se ele não fosse ninguém.-Levantei o rosto suspirando.

–Eu adoro o Oliver, mas sinceramente estou de saco cheio disso, se ele fosse um pouquinho mais racional já tinha resolvido esse problema, mas não, ele prefere ficar namorando você.-Ela mordeu o canto da boca zangada.

–Ainda com a ideia do termino? Por você simplesmente não entende que nós dois nos gostamos pra valer e não queremos ficar separados?-Suspirei voltando a deitar minha cabeça.

–Romanticismo perto do dia dos namorados...Que clichê insuportável.-Murmurei e minha mão afagou meus cabelos.

–Querido você não é assim, o que houve?-A mirei virando o rosto em sua direção.

–Vou chutar e dizer que a Undine arrumou companhia melhor do que você e por isso está ranzinza desse jeito, qualquer criança é melhor companhia do que você mesmo.-eu bufei apertando os olhos.

–Um macaco é companhia mais agradável que você ruiva chorona, não está em condições de me julgar!-Disse zangado me levantando.-E não! Sua dedução impertinente está errada pra variar!-Sai da mesa sem querer ouvir mais nada, mas ouvi mamãe brigando com ela.

Fui pro meu quarto e comecei a fingir que lia um mangá, fiquei na mesma pagina por um bom tempo querendo que o tempo passasse logo, mas ou meu relógio estava com defeito ou o dia demorava de proposito pra me infernizar.

–Maninho...-A ruiva chata bateu na minha porta já entrando sem eu permitir, educação nessa casa é difícil.

–Vá embora, vá chorar pelo Oliver em outro lugar.-Revidei mudando a pagina sem nem ter lido a primeira.

–Dick não fala assim, eu sei que está chateado com alguma coisa, mas não jogue em cima de mim e do Oliver.-Retrucou sentando na cama.-Vamos, diga qual é o problema, talvez eu possa ajudar.-Sentei a fitando seco.

–Me ajudar? Você? Com a mente pequena que tem?-Com desdém ela mostrou a língua, quanta maturidade.

–Diga logo, é por causa do dia dos namorados? Estão pegando no seu pé no colégio de novo?-Neguei suspirando.

–Eu tenho onze anos e meio, zuações pelo dia dos namorados é o mesmo que nada pra mim.-Ela afirmou sorrindo.

–O mesmo não vale pra Undine, não é? Garotas entram mais cedo nessa fase...-Girei os olhos entediado, não precisava ser lembrado disso.

–E o que ela entrar nisso tem haver comigo?-Mexeu os ombros fazendo um bico.

–Ciúmes?-A fitei mais seco ainda.

–Você não tem vergonha de incitar a minha sexualidade a desenvolver mais cedo?-Ficou boquiaberta pensativa e eu suspirei.-...É como falar com uma chimpanzé.-Levantei na cama mexendo nas minhas miniaturas.-... A mãe dela a levou embora.-Ela veio pra atrás de mim.

–Embora? Como? O Marvin não tem a guarda dela?-Me virei de frente pra ela.

–Marvin é um idiota, ele tem medo da mãe dela, disse que vai esperar a Undine fugir, pois ao que tudo indica não é a primeira vez que isso acontece.-Minha irmã acenou que entendeu.

–E se fossemos atrás dela? Vamos ajudar a Undine a fugir! Se o caso é só esse com a nossa ajuda, ela foge e todo mundo fica feliz no final!-Encolhi os ombros um pouco surpreso, ela falou no plural? Queria dizer que estava disposta a me ajudar?

–Pode ser, aposto que o Marvin sabe onde é a casa da mãe da Undine... Mas sabe que o papai e a mamãe não vão deixar, não é?!-Ela suspirou tocando meu rosto sorrindo.

–Faço qualquer coisa pra você não encher meu saco mais!-Sorri largo e ela bateu na minha cabeça.-E também isso é pelo Oliver, me prometa que nunca vai dizer a ele que seria melhor se terminássemos por que eu não paro de chorar?-Apertei sua mão fazendo que sim.

–Está bem, eu guardo meus conselhos pra mim mesmo.-Ela passou o braço em torno de mim.

–Já que você é o cérebro dessa operação, pense em tudo e quando estiver pronto é só me chamar!-Apertei os punhos sentindo meu entusiasmo e minha cabeça voltar a funcionar a todo vapor.

Eu não pensei que fosse precisar fazer isso, mas eu preciso, ela minha amiga, quantas vezes ela não me defendeu dos valentões na escola e aquela vez que ela bateu em um monte de gente por minha causa? Eu precisava fazer isso por ela, precisava pagar minha divida e....Okay, eu confesso, queria que voltássemos ao que era antes, eu o cérebro, ela a força e o Marvin as loucuras.

No dia seguinte eu já tinha um plano infalível. Mesmo que não conhecesse a mãe dela direito não tinha como dar errado. Eu tinha dinheiro, uma desculpa pros meus pais, e minha irmã me ajudando.

–Você ficou louco Megamente? Não podemos ir atrás da sargenta!-Falou amedrontado enquanto eu puxava ele pela camisa.

–Claro que podemos! Anda entra no carro, nós vamos tirar sua filha de lá!-Ele negou batendo na minha mão.

–Não! A sargenta vai me matar!-Furioso eu apontei pro carro.

–MARVIN ENTRA NO CARRO AGORA!! EU TO MANDANDO!!

–Não!! Ela vai me matar, eu tenho medo dela!-Revidou e eu neguei.

–Pela sua filha! Não seria capaz de enfrentar um monstro de level 999 pela sua filha!?!!?-Questionei indignado e ele ficou pensativo tremendo.

–Você disse que tem um plano?-Eu fiz que sim e ele respirou fundo entrando no carro no banco passageiro enquanto minha irmã tinha dores na barriga de tanto rir.-Pela minha lolitinha então!-Bateu no peito e eu entrei acenando pra minha irmã dirigir.

–Vai dar tudo certo, vai ver!-Tentei acalmá-lo.-Agora dê as coordenadas pra minha irmã.

–Espera! Qual é o nome da missão?-Cerrei os olhos, esqueci que ele tinha essas besteiras.

–Não sei, qual nome você quer?

–O resgate da soldada Aincurt!-Mirei minha irmã que gargalhou mais uma vez, ele disse isso como se fosse uma missão suicida.

–Ta, que seja ‘o resgate da soldada Aincurt’.-Eu mereço.

A mãe dela morava há duas horas em uma cidade que pelo que entendi era um polo industrial. De acordo com meus planos nós chegaríamos lá e Marvin diria que tinha me trazido para ver a Undine, ela me deixaria vê-la, enquanto ele a distraia com conversa fiada eu sairia pelos fundo com a filha deles, assim que garantisse que ela dava conta de ir até o carro eu voltaria pra sala e mentiria que não havia encontrado a Undine. Desesperada a mãe dela iria até seu quarto e eu e o Marvin daríamos o fora dali.

–É aqui?-Perguntou minha irmã e eu também estava bem surpreso.

Não era uma simples casa, era uma mansão com jardim enorme, como uma mulher rica como essa queria vender a própria filha? Pior e ainda insisti em tirar ela do Marvin a força? Mas agora eu entendia por que a Undine demorava tanto pra conseguir fugir.

–Sim, a família dela ganhou uma bolada na bolsa de valores uns anos atrás.-Revidou ele e descemos do carro.

–Complica, mas não é impossível, vamos!-Ele estremeceu respirando fundo.-Kailyn você fica aqui por enquanto.- Ela acenou que sim.

–Aí, meu estomago está embrulhado...-Isso tudo era nervosismo?

–Qual é?! Tem tanto medo dessa mulher assim?-Ele engoliu seco tocando e minha mão, caraca, a mão dele estava gelada.

–V-você vai entender muito bem quando a conhecer, sabe a força da Undine?-Fiz que sim já imaginando o que vinha a seguir.-...Não foi herdada por mim.-Revidou ele mais nervoso ainda.

–Ohh entendi...-Murmurei ficando um pouco nervoso também, esperai, então quer dizer que estávamos indo era mulher mais velha com a força triplicada da Undine? Eu quase saio correndo de volta para o carro, mas ele já tinha tocado a campainha. Não tinha volta.... Vai dar certo, vai dar certo, tem que dar certo!

Assim que ele se identificou o portão foi aberto e fomos os dois de mãos dadas um com as pernas mais bambas do que a do outro. Minha nossa, espero que ela pelo menos não seja violenta como a filha.

Entramos na casa e meus olhos percorreram aquele lugar enorme cheio de vasos decorativos, cortinas brancas e moveis que pelos meus cálculos deveriam ser caros. Da sala brotou uma mulher de cabelos loiros bem arrumados e olhos azuis idênticos ao dá Undine, deduzi obviamente de que ela era a sargenta. Mas ela não era o monstro que o Marvin tinha mencionado, ao contrário estava bem vestida sorriso no rosto e andava elegante para perto de nós... Porém o medo dele o fez me empurrar pra de si como se me usasse como escudo humano.

–Para com isso Marvin!-Cochichei pra ele que ainda sim me segurou forte enquanto ela se aproximava.

–Você tem mesmo muita coragem de vir aqui, coragem ou burrice!-Disse a mulher e eu engoli seco sendo empurrado mais uma vez.

–E-eu s-só vim trazer ele, juro!-Revidou tremendo as pernas e eu sorri acenando pra ela, não tem jeito, vou ter que tomar a situação.

–Olá! Eu sou Dick Taylor!-Fiz sinal de cumprimento e ela apertou os olhos.-Eu...Sou amigo da Undine....-Franziu o cenho me fitando com curiosidade.

–Amigo?!-Acenei que sim engolindo seco.

–Posso vê-la? Enquanto isso você e o Marvin podem ficar conversando!-O puxei pela camisa trazendo para minha frente e mesmo sendo maior que ela, o cara quase desmaiou.

–E-eu!?-Perguntou me fitando assustando, mas o idiota esqueceu o plano de novo?

–Está vendo outro Marvin aqui? A filha é sua vai ter uma conversa descente com um adulto e eu vou ver ela!-O empurrei para frente que abraçou os próprios braços morrendo e medo, minha nossa, eu achava que o Scooby doo era medroso, mas esse cara era fora de sério.

–Tenho uma ideia melhor!-A interrompeu sorridente estalando os dedos fazendo alguns seguranças virem.-O idiota cai fora da minha casa, mas eu aceito a oferenda!-Oferenda? Ela veio até mim e sim, ela era mãe da Undine por que me pegou colocando em suas costas enquanto eu via o Marvin sendo levado pra fora.... OMG.

–Hey! Me coloca no chão!-Gritei e ela deu uma risadinha.

–Não se preocupe, eu vou te levar até Undine! Ela vai ficar tão feliz comigo quando eu dar você a ela!-Soltei um som de desagrado.

–Me dar? E eu lá sou brinquedo pra ser dado?-Ela tornou a rir.

–Não se preocupe, vou só modo de dizer, quando ela se cansar de você eu deixo você ir embora!-Arregalei os olhos, ela era louca!!-Undine! Olha o que a mamãe trouxe pra você!-Disse em alto som assim que chegamos na porta de um quarto, quando ela abriu só tinha coisas quebradas pra todo canto, bonecas sem cabeça e quando me colocou no chão eu pude ver ela lá no canto com a expressão zangada.-Tcharan!

Me ergueu como se eu fosse um boneco e com o semblante bem seco a mirei.

–Oi...-disse a minha amiga que se levantou assustada.

–Dick!?

–Sim! Seu namoradinho Dick! A mamãe acertou ou não dessa vez?-Ela mirou a mulher furiosa.

–Você sequestrou o Dick!?!?-Perguntou perplexa e tive a impressão de que não era tão surpresa assim ela sequestrar alguém.

–Ownnn está zangada com a mamãe de novo?-Perguntou a mulher fazendo bico alisando meu cabelo ao me colocar no chão.-Eu não machuquei ele, veja, bonitinho.-Undine veio correndo e parecia que ia peitar de frente com ela quando ela fechou a porta.-Será que nada te agrada garota? Eu estou tentando, brinque com seu namoradinho e quando for ao menos grata aí eu penso se você sai do seu castigo!-Eu sei lá, ela saiu fechou a porta e trancou a gente lá... Isso é algum tipo de alucinação?

Me belisquei algumas vezes e não, não é alucinação, eu tinha mesmo me metido nessa furada por não ouvir o Marvin que bem que avisou que com a sargenta não se brinca. Respirei fundo ouvindo a Undine chutar a porta zangada.

–Acho que a sua mãe tem distúrbios psicológicos.-Falei me levantando.

–Não, fique tranquilo, ela não é doida de te prender aqui de verdade.-Murmurou ficando de frente pra mim chorona.-...Eu quero ir pra casa.

–Não se preocupe, com o megamente não tem erro!-Sorri largo acenando pra minha cabeça, era estranho por que eu estava contente de estar ali.-É bom te ver.-Falei sem graça e ela me deu um soco no braço, era o jeito dela dizer ‘eu também’.

–Não acredito que ela foi atrás de você.-Disse sentando na cama e eu engoli seco.

–Na verdade, ela não foi. Eu tinha um plano que não abrangia ser trancado no quarto, eu... Vim te ajudar a fugir.-Sorri sem graça, parecia tão vergonhoso dizer isso, mas ela gargalhou.

–Você contra a minha mãe?!-Perguntou rindo e eu a fitei seco.

–Eu mereço ao menos um obrigada pela consideração, não?-Ela parou de sorrir fazendo que sim acenando pra sentar ao lado dela.

–O megamente usando seu cérebro para o bem, como sou uma garota de sorte.-Disse em um timbre curtidor não pude evitar de rir também.

–De incontável sorte, quando eu abrir minha empresa de sucesso você será minha segurança pessoal!-Empinei o nariz dizendo e ela negou.

–Não! Não tínhamos combinado que eu seria a vice-presidente?-Suspirei pesado.

–Não! Eu disse que não podia ser, é um trabalho muito intelectual pra você! Lembra? Eu sou a mente e você é a força!-Fiz sinal de punho pra ela que puxou a gola da minha blusa pra ela.

–Eu vou ser vice-presidente e pronto!-Engoli seco, isso que eu chamo de persuasão efetiva.

–Ta, ta, vice-presidente.-Repeti olhando para aquele quarto bagunçado.

–E o que vamos fazer? Você sabe de algum jeito?-A mirei suspirando.

–Eu acho que sei de um jeito...-Murmurei, na verdade era meio arriscado eu não gostaa de usar esse truque a não ser que fosse uma questão bem séria.-...Eu sou alérgico a muitas coisas, sabe!?-Ela me fitou um pouco assustada acenando que sabia.

–É, eu sei, já vi como você fica quando está com alergia.-Engoli seco tirando minha arma secreta.-Você anda com tofu no bolso?

–Eu pensei em vários meios de deixar sua mãe distraída, um garoto alérgico sozinho era meu ultimo tiro.-Ela ficou um pouco pensativa.

–Não sei Dick, parece perigoso.

–É por isso que é meu ultimo tiro, mas a sua mãe vai me levar pro hospital, você aproveita pra fugir e depois a Kailyn vai me buscar.—Ela pegou o tofu da minha mão jogando ele pela janela, isso foi um não?

–Não gostei da ideia.-Fiz careta pra ela.

–Acabou de jogar nossa ultima chance!-Corri até a janela e ela me ignorou.

Duas horas se passou desde que eu tinha chegado e nós ficamos ali jogando conversa fiada, embora eu estivesse ao mesmo tempo pensando em uma saída. Pelo menos ela parecia feliz com a minha presença, não quebrou nada desde que cheguei e conversava abobrinhas sobre o que poderíamos fazer quando saíssemos.

–Nós nem terminamos o dia de mudança...-Disse sentando do meu lado.

–É, você e sua geradora fizeram um belo estrago.-Fez um bico infantil virando o rosto, deitei a cabeça na cama respirando fundo.- Por que os dois não resolvem isso com um acordo judicial?

–O que é isso?-Pigarreei entediado, do que adiantaria eu explicar.

–Esquece, se seu pai tivesse mais coragem, muitas coisas já seriam resolvidas.-Repliquei.

–Você não tem que ficar aqui, enquanto eu penso em como fugir você pode simplesmente substituir!-Lancei meus olhos raivosos sobre ela, era vingança?

–Digamos que eu tenho uma divida com você a pagar.-Ela também me fitou pelo canto do olho com a expressão de sabichona.

–Eu perdoou a divida.-Retrucou, precisei encará-la mordendo o canto da boca.

–Está bem, está bem, eu estava errado, nem todo mundo pode ser substituído, você é minha amiga e não tem como eu te substituir, satisfeita?-Ela sorriu largo batendo palmas sem fazer som.

–Obrigada senhor megamente, eu fico lisonjeada que alguém com o Qi TÃO alto pense em mim desta maneira.-disse em um timbre curtidor.

–HAHA engraçadinha.-Se levantou indo até um armário todo quebrado abrindo e... Uma caixa vermelha, espera um pouco, não é o que estou pensando é? Eu não estou em idade pra isso.

–Tcharan! Um presente do dias dos namorados, pra compensar sua desgastante viajem até aqui!-Ela me entregou e eu fiquei sem saber o que dizer.

–Falta três dias, e era pro seu pai?-Negou sorrindo.

–Não, eu ia forçar você comer até dizer que o dia dos namorados é um dia incrível!-Ohh tortura gratuita.

–Pra mim ainda é um saco...-Sorriu novamente.

–Depois eu enfio chocolate no seu nariz e você diz que eu sou violenta.-Sorri de volta.

–Eu acho que deveriam colocar nos dicionário seu nome como exemplo do que significava um ser violento!-Tornou a rir, mas logo parou.

–Eu não sei por que ela faz isso, ela diz que quer que eu goste dela, mas age de um jeito que eu jamais conseguiria gostar.-Fiquei pensativo olhando pra Undine.

–Talvez ela não saiba como, ela viveu longe de você por tanto tempo que talvez as opções que tinha na manga pra te agradar já se esgotaram e quando fica sem opções o que Senhorita Undine faz?-Ela me mostrou o punho logo caindo a ficha sobre onde eu queria chegar.-..É, usa a melhor arma que tem, vocês duas se parecem bastante.-Dei um sorriso para ela não ficar triste, a Kailyn estava me esperando, se eu não descesse ela doida do jeito que é ligaria pros meus pais.-Eu vou pensar em outro plano, só que eu não posso ficar aqui.-Ela acenou que sim.

–É eu sei...-E do nada Undine me abraçou, fiquei meio estático, engoli seco e criei coragem pra devolver o abraço.

Nos separamos no mesmo instante ouvindo um estrondo na janela corremos até ela e certo, isso foi meio inacreditável, Kailyn em cima dos ombros do Marvin tentando alcançar a janela...Minha irmã não era muito alta, mas não estava tão longe de consegui.

–Kailyn!!-Tapei a boca da Undine no mesmo instante, ela queria que fossemos presos?

–Fala baixo, pega alguma coisa pra ajudar eles!-Disse a ela em um sussurro e a doida rasgou a cortina no mesmo instante.-Não podia ter pegado o lençol?

–Cala boca!-Revidou jogando pra eles, como os seguranças nãos os viram? Amarramos Uma ponta no pé da cama jogando para eles subirem, espera, por que eles subiram? Nós deveríamos ter descido!

–Ahh gente, não é...-Fui impedido de falar, pois Undine avançou no pai abraçando ele, ficou um clima meio tenso pra apressar os dois.

–Irmãozão!!!-Gritou, outra péssima ideia, minha irmã veio pra perto de mim sorrindo.

–No fim tudo dá certo não é?-Disse e eu fiz careta.

–Que fim Kailyn!? Ainda estamos dentro da casa!-Sem graça simplesmente concordou.

–Ahh minha baixinha, como você está?-Perguntou ele se ajoelhando frente a Undine.

–Me leva embora!

–Nem por cima do meu cadáver!-Gritou uma voz na porta e como eu imaginei ela deve ter ouvido o grito deles.

–Sargenta!?-Marvin empurrou a filha pra frente dele e a Kailyn ficou atrás de mim.

–Seu miserável, você não vai tirar a Undine de mim!!-Ela avançou e eu pensei que Undine fosse pra cima dela, mas algo surpreendente aconteceu, Marvin tomou a frente mesmo com medo.

–Você tirou ela de mim!! Nem quis saber o que eu pensava!

–Pouco me importa, você é um irresponsável!-Vociferou indo pra mis perto dele.

–Irresponsavel? Eu sou irresponsável!? Você sequestra minha filha e eu sou irresponsável? Acha que só por que tem dinheiro tem mais direito que eu?

–Eu tenho condições de dar uma vida descente pra Undine, ela precisa de uma mãe, não de pai falido que faz loucuras atrás de loucuras!

–Só que você abriu mão dela pra ter o dinheiro que tem hoje! Então não aponte o dedo pra mim!-Revidou ele furioso e eu e a Kailyn junto com a Undine ficamos fazendo cara de paisagem sem saber o que fazer.

–Argh! Você sempre vai jogar isso na minha cara não é?! Acontece que eu não vou deixar a minha filha viver com um imbecil como você!

–E eu não vou permitir que ela viva com uma mulher que a obriga a ficar com ela!!-Respirei fundo ajeitando os óculos, aquela discussão não ia ter fim nunca e a Undine já não sabia de que lado ficar, embora eu acho que ela prefira o pai, obvio.

–CHEGA!!!-Vociferei distanciando os dois.-SENTA OS DOIS NA CAMA AGORA!!-Marvin correu se sentando ficando ereto enquanto ela me fitou indignada.

–Quem voc....

–EU DISSE AGORA!!!-Tornei a gritar e finalmente ela obedeceu ficando do lado do outro.-Vocês dois são adultos, mas agem como dois delinquentes!! Onde já se viu pegar a filha a força?-Questionei olhando pra ela que abaixou a cabeça.

–É isso aí!!-Marvin me interrompeu e eu apontei o dedo pra ele.

–CALADO! Ela tem toda razão de estar preocupada com o futuro da filha, você não tem juízo Marvin deixa um garoto de dez anos mexer na sua contabilidade, não põe limites, nem se quer se preocupa com a educação dela na escola...

–Hey!!-Undine ia dizer algo quando a fitei nervoso, Kailyn a puxou pra trás com o semblante assustado.

–Quer sentar no banco dos réus? Por que a senhorita eu vou te dizer... Bom senso passa longe!! Devia ter vergonha pelo que fez com esse quarto, não pode sempre que quiser sair quebrando as coisas, sua mãe ralou muito pra comprar pra você sabia!? O mínimo que deveria ter é bom senso!-Ela se encolheu abaixando a cabeça, me virei novamente pros dois.-Já que ambos não querem tomar uma atitude madura, EU vou propor uma atitude! Vão fazer um acordo!-A mulher já ia dizendo algo quando acenei e ela se calou.-O que está passando agora são as consequências dos seus atos, você tomou uma decisão no passado, Marvin tomou a dele. Eu sei que quer reverter isso, mas a força a única coisa que vai conseguir é o ódio da sua filha e tenho a leve impressão que pelo tanto de brinquedo que tem aqui, não é isso que você quer!-Ela negou.

–E se ela não quiser vir?-Suspirei mais calmo.

–Se você fizer as coisas da maneira correta, ela irá querer. Marvin continua com ela, porém vai ter que abrir mão de alguns feriados, eu imagino que é assim que pais divorciados fazem.-Respondi e ela mirou a Undine.

–Eu só queria que você gostasse de mim como mãe...-Olhou para Marvin sorrindo tristonha.-...Eu nunca vou conseguir...-E se levantou tive a impressão de que ela iria embora, mas ele a fez sentar novamente.

–Espera... O megamente tem razão, vamos fazer um acordo, eu te ajudo a se aproximar dela se prometer que não fará isso novamente.-Ela engoliu seco orgulhosa.

–Você é um imbecil se acha que vou deixar minha filha com você...

–Mila!-Ele a interrompeu.-Lembra da conversa que tivemos!? Você me deixou ficar com ela e o que você me disse?-O mirou suspirando.

–Pedi que tomasse conta dela.... Argh, você sabe muito bem que eu só não fiquei com ela por causa dos meus pais! Me deixe ficar ela agora!-Pediu a ele quase implorando, fiquei um pouco com medo que ele dissesse sim, isso queria dizer que eu não a veria por um tempo.... Engoli seco enquanto Marvin parecia pensativo, olhei pro chão e vi a caixinha de chocolates.

–Eu tive uma ideia! Por que você não vem com a gente? Passe o dia de namorados conosco participando do dia de mudança!-Marvin me fitou assustado, acho que ele entendeu bem o que eu queria com aquilo.

–Eu acho...

–A Undine adora o dia da Mudança!-O interrompi e ela sorriu mirando a Undine.

–Você se importaria se eu fosse?-Ela fez que não envergonhada.-Legal!-Ela abriu os braços comemorando acertando a mão bem na cara do pai da Undine que pelo visto doeu.-Vou pegar algumas coisas!-Ufa.

–Agora sim, tudo acabou bem!

–Bem uma ova, você é um diabinho! Eu sei muito bem o que você está planejando com isso!-Sorri largo.

–Não foi você que disse que o amor é um sentimento universal? Marvin pensa bem, quando a mãe da Undine ver que você não é um completo idiota e faz muito bem o seu trabalho ela terá uma visão melhor de você e não vai tentar tirar a Undine!

–É um ótimo plano.-Murmurou minha irmã surpresa.-Mas... O que foi aquilo? Papai baixou em você do nada!-Completou e eu sorri.

–E você tem o lado emocional exagerado da mamãe, mas a parte boa é que não solta metáforas!-Ela sorriu.

–Nós vamos pra casa?-Perguntou a Undine e eu fiz que sim.-A mamãe vai morar com a gente?-O pai dela engoliu seco.

–Se ela não me matar antes de chegarmos...-Demos uma risada do medo dele.

A mãe da Undine parecia bem feliz, e acho que minha amiga também estava no meio dos dois. Agora entendi por que ele a chama de sargenta, fora ela ser violenta e mandona, Mila estudava em um colégio militar e entrou pro exercito aos dezoito anos um ano após que teve a Undine, eis o motivo dos pais dela não aceitarem, ela não poderia ir se tivesse uma criança, então acharam melhor esconder esse fato.

Durante a viajem comendo os chocolates que ganhei eu comecei a pensar sobre isso, sobre as pessoas que costumam ser insubstituíveis pra nós, minha família era insubstituível e sim, eu confesso, minha melhor amiga também insubstituível. Talvez minha irmã não seja tão tola quanto pensei, já que ela enxergou isso antes de mim.

–Uhhh alguém ganhou presente dos dias dos namorados.-Brincou ela com seu tom malicioso.

–Alguém aqui ganhou, não é!? Um pena seu namorado estar na Inglaterra!-Apertou os olhos zangada, mas eu logo levei um tapa vindo do banco de trás.

–O que eu disse sobre não provocar sua irmã?!-Virei o corpo.

–Você é minha amiga devia estar do meu lado, não do dela!-Repliquei e minha irmã sorriu.

–Hey Undine por que não se vinga do meu irmão dando um beijo nele!?!-É o que? Não deu tempo de pensar, meu rosto foi puxado pra trás e uma boca se pressionou contra minha o suficiente pra eu sentir meu nariz se apertando contra o dela e os óculos desequilivrar por uns três ou quatro segundos. Ouvi minha irmã soltar uivos enquanto eu fiquei boquiaberto e perplexo com o que tinha acontecido. Mirei os pais dela que riam da minha cara enquanto a Undine mesmo corada colocou a mão na boca rindo.

–Não tem graça! Vocês deviam ter vergonha, é filha de vocês!

–Estou tentando fazer média com a minha filha, seria um péssimo momento ir contra as escolhas dela.-Respondeu a mãe dela que comparado a antes, estava bem mais calma agora.

–Você faz a minha contabilidade, meus banner, divulga meu trabalho, pagou a ida e a volta dessa viajem e enfrentou o chefão do pai dela.. Faço questão de dar minha permissão.-Quase explodindo de raiva e vergonha me afundei no banco passageiro com minha irmã quase chorando de tanto rir.

–O Dick tem namorada, o Dick tem namorada, o Dick tem namorada...-Cantarolou e eu cruzei os braços ouvindo os outros sorrirem.

–Seu namorado está na Inglaterra, seu namorado está na Inglaterra, seu namorado está na Inglaterra...-Cantarolei em retorno.

Mas no fundo, no fundo, bem no fundo mesmo eu estava feliz. Feliz o suficiente para fazer uma caridade que antes nunca tinha feito. Aquela ruiva idiota me ajudou mesmo indo contra as regras, me fez garantir uma coisa que talvez mais a frente eu não teria como conseguir. Então eu devia isso a ela.

–Toma isso é pra você.-Entreguei o cartão com os bombons a garota de cabelos negros que tinha acabado de invadir meu quarto, me sorriu agradecendo sem jeito.

–Megamente aderindo aos costumes dos dias dos namorados?

–Não enche, senta, quero te mostrar uma coisa.-Ela me sorriu largo pegando a cadeira e sentando do meu lado frente ao computador lendo o que tinha lá.

–Dick...O que você....-Ela me fitou me dando outro sorriso só que esse foi mais emocional, bateu a testa devagar contra minha como gesto de aprovação.-....Você é incrível! É o gênio mais incrível do mundo, não é o gênio mais estupefada...-Ela esqueceu a palavra me fazendo rir.-..Como se diz?

–Não sei, acho que esplêndido, deslumbrante e fantástico cai bem na sua frase!-Me gabei e Undine deu uma risada concordando.

–Sim, sim! Eu estou orgulhosa de você!-Acenei me curvando como em uma corte.

–Obrigado, mas vou dar a ela depois, qual sua ideia pra fazermos algo divertido?-Sorriu largo se levantando me puxando.

–Ohh tem um morro gramado perto do lago da cidade, vamos pegar sacos lá em casa e descer em cima deles!!-Disse animada.

Bom, o que poderia dizer, a puberdade viria, mas eu ainda sou tecnicamente uma criança, uma criança MUITO inteligente.

Sorte da minha irmã.

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Notas finais
*Mãe da Undine Vamos lá. ************************************************************************ REPOSTAS AS PERGUNTAS FEITAS NOS COMENTÁRIOS: Lacie: Algum progresso na escrita? (já conseguiu escrever algum capítulo?) O que devemos esperar da personalidade da nossa protagonista? Resposta: Ainda não, como eu havia mencionado eu escrevi três capítulos, porém saiu do foco e eu resolvi revisar o enredo novamente. Ainda não sei se vou continuar. A personalidade da principal é bem sarcástica e cheia de humor negro, ela tem um lado que as outras não tem, ela é bem negativa. **********************************II******************************** Leth:¹A nova Inner será postada antes do segundo semestre do ano que vem? ² Em IB3 os personagens das demais IB estarão mais velhos? Quanto tempo? Respostas: ¹:Ainda não sei se vou postar, não consegui arrumar ela. ²:Em IB3 é pra ter passado mais ou menos 18 anos depois de IB2, então sim, vão estar todos mais velhos. ******************************************II******************************** gabi:Quantos extras vai fazer? Resposta: Contando com esse são 4 extras e 3 especiais. ****************************************II******************************* Lena Thielle: Quem é Evelyn ?!? Quem é Michael ?!? Quando começa INB3 ?!? Como será os Extras ?!? Resposta: Evelyn era o nome que o capitão disse que daria se tivesse uma filha com a Eloise. Michael é o filho deles. Os extras são epílogos. ;D ****************************************II******************************* NoodlesDark: Bem, eu queria que o Devan aparecesse mais, ele vai aparecer pelo menos uma vez? E o principal, ele vai ter pelo menos uma coisinha de características dos outros? Resposta: O Devan vai aparecer no primeiro especial do Michael, o titulo do capitulo que escrevi é: "Uma noite com tio Devan" né por nada não, mas ficou muito engraçado, dos três vai ser o mais comédia. O principal de IB3 é o mais complexo dos IBs, ele não é timido nem arrogante, ele simplesmente não se importa com a vida. Particularmente o que criei dele apesar de complexo eu gostei. ps: Só terá um personagem ruivo e não será ele, não se preocupe xD ******************************************II***************************** Manu and Poly: 1- A personagem principal que é a Alice, ela vai ser aquela menina popular ? 2- quando mais ou menos vc vai começar a postar os capítulos ou pelo menos a sinopse ? 3- no inner 3 a Kailyn e o Oliver vao aparecer ? Resposta: Como eu disse não é certeza da postagem, porém Alice é do tipo popular sem gostar de ser. Oliver e Kailyn fazem aparições breves, mas fazem. ***********************************II********************************* Ani: ib3 vai ter uma vilã? ou um vilão? Resposta: De cabeça eu contei com uns 4 vilões, mas antagonistas mesmo são 2. *******************************************II********************** danynha: Esse irmão que não é irmão de sangue vai fazer parte do IB3? Resposta: Vou logo revelar que esse irmão é o principal. ************************************II***************************** Patriciamelo: Gostei desse capitulo,mas,eu queria saber,se vao passar dois anos depois? Respostas: Os extras são epilogos, você logo verá. ****************************************II*************************** Cris: Mai por favor peço que vc faça um IB 2.1 pois queria muito que tivesse a continuação. Resposta: Calma, os extras mostram depois da historia e o quarto bonus, também. xD *********************************************II*************************** Aisu Crim: O Dick tem a mesma idade do Oliver ou é mais novo? Resposta: O Dick tem 10 o Oliver tem 15 =D *************************************II****************************** Malignant Death: Acho que as dúvidas restantes vão ser respondidas nos bônus, certo? Resposta: Será assim, 3 extras, um BONUS e 3 especiais. Todos são epilogos. *****************************II******************************* Leth: IB3 passará quanto tempo depois do casamento do Dillan com a Lise? Resposta: Em torno de 18 anos. ************************************************************************8 _____________________________________________________ Ufa! Eai!? Gostaram, olha eu dei duro nesse extra, pq quase não quis sair. Eu disse antes que ele falaria um pouco sobre o pai a Undine, por isso ficou focado neles. Espero que tenham gostado xD Até o proximo!