Inn

8 Seth x Cody


Seth.

Bom, estamos aqui faz uma meia hora, certo que chegamos atrasados, mas o garoto está mais atrasado ainda! Não sabe que é falta de educação se atrasar?! Fora que estou me arriscando ficar aqui fora, aos olhos do público, só para esperá-lo. É o que dá ajudar as pessoas.

Estamos em algo como uma pequena praça no calçadão da Boulevard, a avenida de luxo da cidade, as pessoas cheias de pompa, ricas, com carros importados passavam por nós por bastante freqüência. Conversas, latidos agudos, risadas espalhafatosas, crianças chorando em braço de babá, moças belas e esguias, homens bem cuidados e dondocas, tudo isso em meia hora de espera.

- Acho que ele não vem, Seth. – Joh me disse sentado ao meu lado, estava com um pouco de ressaca, mas mesmo assim ele veio.

- Muito mal agradecido esse garoto... podia pelo menos avisar.

- Você lhe deu o número do celular?!

- Não...

- Ele lhe deu o dele?!

- Não...

- Tem como vocês se comunicarem?!

- ... Não.

- Você é um cabeça de vento.

- Sei lá, ele me parecia bem interessado e... ah, lá está, do outro lado da rua. Que roupas são aquelas?! – Joh também riu um pouco.

- Acho que vamos ter trabalho.

- Acho que não vamos conseguir, fora que... você acha que ele tem chance de melhorar esse visual?! Tipo, ficar bonito ou sei lá... o carinha que ele ta afim precisa pelo menos notá-lo.

- Ele tem potencial. – o garoto quase foi atropelado ao atravessar a rua.

Finalmente chegou até a gente, com uma calça frouxa meio desbotada, aquelas blusas sacolas com algo de videogame escrito, os cabelos assanhados e um tênis meio sujo...

- Está atrasado. – eu disse a ele.

- Ah. – ele disse sorrindo e desviando o rosto. – É POR QUE VOCÊ NÃO ME DISSE ONDE ENCONTRÁ-LOS!!!

- Claro que falei...

- Na Boulevard!!! Sabe quantos quarteirões tem essa avenida?!

- Desculpe o Seth, Téo, ele é meio avoado. – Joh se meteu.

- E quem você pensa que é para falar comigo assim?! – eu retruquei.

- Eu... Seth, não chame muita atenção, sim?! – Joh tentou de novo.

- Um pobre garoto que ficou andando pela avenida por quase uma hora procurando vocês!

- Certo, certo, vamos acalmar nossos ânimos. – Joh disse com aquele sorrisinho que derretia qualquer um. – Pronto para começarmos, Téo?!

- Ah... sim... eu acho.

- Teve muito tempo para pensar e ainda não se decidiu?! – eu falei de novo.

- Com licença, estou aqui com a cara e a coragem!

- Rapazes, rapazes, por favor. – Joh se meteu de novo. – Téo, vamos começar por suas roupas. – ele disse segurando as duas mãos do rapaz e avaliando as roupas dele. – É por minha conta, você é meu convidado.

- Não... eu tenho dinheiro. Não precisa...

- As coisas aqui são bem caras, Téo, considere um presente.

- Tá bem.

- E você deixe de ser birrento e vamos lá. – disse a mim, eu?! Quem começou foi ele.

Entramos na loja preferida do Joh, sentei na cadeira enquanto Joh colocava quase o estoque inteiro da loja em cima do moreninho ao seu lado. A vendedora sorria satisfeitíssima. Sentei em uma das cadeiras perto dos provadores, tinha um homem lá também, sentado, com uma cara de preocupação, e saiu uma mulher muito bonita de dentro dos provadores.

- O que acha, amor?! – ela disse ao homem que apenas a elogiou.

- Está divina, meu bem... assim como nos outros... seis... não acha que já está bom?!

- Achei que me queria bem vestida... e você, rapaz?! – ela disse sorrindo na minha direção e jogando charme discreto. – Querido, pode ir pagar esses. – o homem foi rapidinho, parecia que estava com medo de mais uma compra.

- Ficou muito bem, realçou suas curvas. – falei jogando o mesmo charme que ela, dois podem jogar esse jogo.

- Hum...

- Onde fica os provadores?! Joh está chamando você. – o Moron chegou ao meu lado estragando o clima, não viu que eu estava flertando com uma mulher casada, moleque?!

- Aí na frente, cego. E ele que venha aqui. – a mulher se recolheu ao vestiário. – Ah droga, de qualquer forma, o que é essa montanha de roupa?!

- Eu devo escolher alguma.

- Pode começar.

Ele foi a um dos provadores e ficou por lá.

- Eu chamei você! – Joh chegou ao meu lado e sentou-se no braço da minha cadeira.

- Eu estava ocupado na hora.

- E ele?!

- Está ali dentro.

- Não vou agüentar ficar aqui parado sem fazer nada. – ele foi até a porta do vestiário e entrou.

Ouvi o garoto meio que gritar pela invasão. Não pude deixar de rir um pouco, Joh está acostumado a fazer isso, é basicamente o trabalho dele, mas nem todo mundo está acostumado com isso, Joh, principalmente esse enrustido.

- Tcharam! Primeira roupa! – Joh disse saindo com ele do vestiário.

Estava muito, muito melhor, era apenas uma camiseta normal com uma jaqueta sem mangas e uma calça mais colada no corpo dele, realmente estava bem apresentável, chegava a ficar bonito mesmo com aquele cabelo horrível. Falou algo como “não é meu estilo”, mas Joh o convenceu rapidinho.

- Tchau. – ouvi a voz da mulher que já ia bem distante de mim, nem a vi passar, mas me despedi sem muita cerimônia.

O estranho é que, mesmo ele sendo meio nerd, ele tem postura, o que é raro. E ainda combinou muito bem algumas outras peças de roupas depois dessa.

Joh acabou pagando algumas roupas para ele, mas sugerimos que ele ficasse com a primeira roupa já que Pierre, o cabeleireiro, provavelmente iria se recusar a atender alguém vestido como ele estava antes e, como ele é o melhor por aqui, vamos jogar o jogo dele.

Entramos no salão lotado de gente rica, eu achei que ele ia ficar todo abobado com o luxo dos lugares por onde passamos, mas não, ele não parecia se impressionar com nada.

- Então... eu vou pagar o corte. – eu disse para ele enquanto Joh lançava um charminho para que Pierre nos atendesse sem hora marcada.

- Eu posso pagar.

- É caro garoto, e eu disse que ia ajudá-lo, então é por minha conta.

- Tá.

- Como ele é?!

- Quem?!

- O cara por quem você ta apaixonado.

- Ele é meu primo.

- Ah.

- Ele é legal, é meu amigo, me dá atenção, me escuta, é gentil, sério... bonito. Mas acho que ele realmente nunca me olhou com outros olhos.

- Parece um irmão mais velho.

- É... mas o que sinto por ele é amor.

- Tem certeza?!

- Tenho.

- Então vamos trabalhar... começando para onde você olha. O chão não tem nada de interessante, tudo o que é interessante está a sua volta. Para de olhar pra o chão e olha para frente. Fez aquele exercício que eu disse?!

- Fiz.

- E o que você viu?!

- Você espalhado pela cidade inteira.

- Viu como as coisas interessantes estão a sua volta?! – consegui arrancar um leve sorriso dele.

- Você é bem convencido.

- Me exigem que eu seja. Senão pisam em mim.

- Téo! – Joh falou na nossa direção e nós fomos até lá.

- Oh, olá Seth! Soube que foi à concorrência... abandonou o pobre Pierre. – Pierre falou com falsa tristeza, é um homem gordinho, de bigodes, que tem um olhar de desdém, mas é só o olhar, ele na verdade é uma boa pessoa, tentou tanto ter postura que é meio arqueado para trás. Mas é o mais respeitado cabeleireiro da cidade, e um dos mais procurados no meio artístico.

- Tudo culpa de Max. Ele é meu agente, ele quem manda. – respondi.

- Aquele falso... o que temos aqui... ai minha nossa, que cabelo horrível é esse, rapaz.

- Não acredito que seja tão ruim assim. – Téo disse meio sem jeito.

- Mas ainda tem salvação. Vamos trabalhar nele. Sente-se aqui.

Duas horas. Duas horas se passaram e eu não tenho paciência para essas coisas se não tiverem a ver comigo. Joh já tinha conversado duas vezes com todos os cabeleireiros do local, Joh é a criatura mais simpática que já conheci, carinhoso e sensível. Minha mãe o adora e sempre faz com que outros caras fiquem olhando docemente para ele... menos Luke, nosso amigo produtor de eventos, já tentei juntá-los, mas a família de Luke é meio tradicional e... não deu muito certo, até me arrependi depois.

- Iuhuu!!! – Pierre disse a mim que estava estabanado no sofá e já havia recusado uns dez copos de água e seis copos de champanhe de pessoas diferentes. E Joh foi correndo para lá.

- Minha nossa! – Joh falou com um sorriso enorme.

- O que duas horas não fazem, eim, xuxu?! – Pierre disse ao garoto que sentava na cadeira à sua frente.

- Téo! Wau. – Joh falou e eu ficava cada vez mais curioso.

E realmente, realmente, realmente... foi muita bela mudança, eu conseguia ver o rosto dele agora e era muito bonito... era lindo. Ele cortou o cabelo mais curto e fez umas mexas de um tom um pouco mais claro que a cor original. Ficou legal.

- Gostou?! – ele me perguntou ainda se acostumando com o visual.

- Está... legal. – foi o que eu disse.

- Está uma obra prima! – Pierre disse todo sentido. – Faz tempo que não faço uma transformação tão boa. Vou buscar minha câmera, você vai pra um quadro na minha parede. – e ele saiu rapidinho.

- Está excelente, Seth, admita. – Joh disse me estendendo a mão e lhe passei meu cartão, ele foi pagar lá no caixa.

- Sério... acha que está bom?! – o garoto me perguntou de novo, passando a mão no cabelo

Eu me apoiei atrás dele na cadeira, meu rosto ficou na altura do dele e ele ficou me encarando do espelho.

- Olha só, seus olhos são verdes. – foi instantâneo, ele baixou a cabeça escondendo o rosto, vou ter muito trabalho. – Ficou muito bom, Téo. – eu falava perto de sua orelha e ele meio que encolhia.

- Podemos ir?! – quase saiu correndo da cadeira.

- Sua carteira. – ele havia deixado em cima do encosto do espelho.

- Valeu. – praticamente arrancou a carteira da minha mão, mas eu segurei sua mão.

- Você tem que aprender a olhar para as pessoas nos olhos. – ele suspirou e ergueu um pouco a cabeça, ficou me olhando meio de baixo. Vou admitir porque, enfim, mas foi uma das coisas mais fofas que já vi. – É um começo.

- Vamos rapazes?! – Joh falou me devolvendo o cartão.

Fomos tomar um café depois disso. Ele é tímido, mas basta você dar espaço que ele começa a falar, acho que ele se sentia a vontade conversando com Joh, algumas vezes até conversou comigo, o problema dele é a timidez. Mas ele tem um sorriso lindo que combina com o rosto meio inocente.

Sério mesmo que o primo dele nunca o notou?!

Depois, Joh e eu o levamos para casa, era uma pensão na verdade, numa rua sem saída.

- Bom, é aqui. – ele disse. – Obrigado por tudo.

- Daqui a três dias... – eu comecei. – Vou ter que fazer trabalho voluntário num lar de idosos.

- Você?!

- É! Por que?! – acho que fui meio grosso.

- Nada...

- Então, anime-se, você vai comigo!

- O que?! O trabalho é seu!

- Coisa do meu agente. Mas é um bom lugar para você praticar a convivência com as pessoas.

- Eu convivo bem com as pessoas!

- Vai ajudar a perder essa timidez que te atrapalha.

- Eu não...

- Venho te pegar as oito. Esteja pronto.

- Mas é domingo!

- E daí?!

- Quero dormir!

- Eu te pego as oito. Faz parte do programa “melhorar o Moron.”

- MOROY SEU BURRO!

- Tanto faz.

- Adorei passar o dia com você, fofura. – Joh começou antes que a gente começasse a discutir de novo. – Vamos nos ver de novo?!

- Aham. – ele disse todo sorridente, por que não ganho sorrisos também. – Então... tchau.

Ele pulou fora e entrou na pensão.

- Vá com calma com ele, Seth. – Joh falou brincando com a minha orelha.

- Foi ele quem me pediu ajuda.

- Hum... mesmo assim, o que está pensando em fazer?!

- Vou fazer com que ele lide com esses idosos, é mais fácil, os idosos falam muito. Depois quero fazê-lo interagir com gente da nossa ossada. Iai... vou levá-lo ao Red Star. – ele parou de mexer na minha orelha instantaneamente.

- Ao Red Star?! O Téo?!

- Isso.

- É perigoso para alguém como ele...

- Alguém como ele?!

- Inocente demais!

- Não tem lugar melhor para ele se virar e se testar do que lá.

- É perigoso até para você! Foi por causa daquele lugar que você está prestando esses serviços.

- Meu agente me proibiu de falar sobre isso.

- Falo sério, Seth.

- Eu também. E, além disso, vamos estar lá com ele.

O assunto morreu ali. Mas isso só vai acontecer se ele não der pra trás, ou se o primo dele não o notar nos próximos dias. O que, sério, seria impossível na minha opinião.

Cody.

Estou agora na faculdade, me sinto meio cansado, não achei que trabalhar em loja de livro fosse tão cansativo, e olha que é só meio período. Eu olhava o quadro de notícias, é um painel gigante na faculdade onde se anunciam coisas.

E lá estava ele, finalmente, o projeto que eu queria participar. Era um projeto muito interessante de robótica que trabalharia com a criação de um novo tipo de carro, flutuante, ou uma máquina discreta para ajudar deficientes. Eles ainda estavam decidindo. Os projetos me interessavam e eu já tinha alguns cálculos e teorias sobre isso que poderiam ser usados. Quero ser contratado por uma boa empresa de novidades tecnológicas, então projetos como esses são necessários, principalmente se forem bem sucedidos.

Eu fui até a sala do professor responsável... era o meu professor de física, ele não gosta muito de mim, dizem que fui rude com ele.

- Bom dia... – comecei e me encarou logo voltando ao que fazia.

- O que quer?!

- Participar do seu projeto.

- Meu projeto, não é algo muito inferior para você?

- Não... acho bem interessante. Dizem que os olhos do mundo se voltam aos projetos daqui.

- Sim, é verdade.

- Acho que tenho algumas coisas que podem ajudar, uns cálculos que...

- Sinto muito, mas você não pode participar do projeto, eu aceito apenas alunos a partir do semestre acima do seu.

- Mas...

- E é isso. Mais alguma coisa?!

- Eu vim aqui para isso... para essa universidade.

- Sinto muito, para os meus projetos você não pode participar. – eu fiquei meio, triste com isso, sabe.

- Eu... sempre estudei muito, tenho certeza que posso acompanhar...

- Já disse que não!

- O que está acontecendo aqui, professor?! – um rapaz de óculos e cabelo escorrido apareceu na sala atrás de mim, eu me lembro dele, é aquele monitor que me ajudou no primeiro dia.

- Esse garoto, não entende que naquele meu projeto eu não aceito garotos do semestre dele.

- O de robótica?!

- Isso, o que você vai participar.

- Hum... mas você não tem nada a ver com isso professor. Sem querer lhe faltar com o respeito, mas todos os alunos do curso tem direito a fazer a prova de admissão ao projeto, se passarem, serão aceitos. – juro que nunca vi uma luz tão brilhante no fim do túnel.

- Mas eu não aceito.

- Você, de certa forma, não tem escolha. O projeto é subsidiado pela faculdade, se o senhor quiser seu projeto... terá que aceitar qualquer um.

O homem estava bem sério, respirou fundo algumas vezes.

- Está bem, faça a prova, garoto, e veremos. – ele disse passando por nós quase nos derrubando. Acho que ele não calculou muito bem a distancia.

- Ele está com o orgulho ferido, não ligue. – o rapaz me disse.

- Por que?! – ele me olhou meio em dúvida.

- Você meio que feriu o ego dele, não lembra?! E é visível que ele te despreza.

- Não notei.

- Ah ta. Lembra de mim?!

- Sim... você é... Collin!

- Isso, achei que não lembraria. Cody, não é isso?!

- Uhum.

- Vai se inscrever? É no painel de informações.

Voltamos para o pátio onde estava o painel e realmente a assinatura do Collin e de mais cinco pessoas estavam lá. O problema era que... eu não conseguia alcançar, mas por muito pouco eu não conseguia. E em minha defesa, Collin também se esticou um pouco.

- Eu escrevo para você. – ele disse esticando o braço para me inscrever.

- O que é isso?! – outra voz soou de trás de nós e alguém arrancou o papel do mural. – “Projeto de robótica.” – era Zack que agora lia o papel.

- É proibido vandalismo contra o mural da faculdade, pichar, arrancar, rasgar... – Collin começou meio bravo.

- Certo, manual ambulante, não pedi sua opinião. É isso que você vai fazer?! – ele disse a mim, sabe, ele geralmente sairia me espancando ou derrubando as minhas coisas.

- É... é aquele projeto que te falei.

- “Projeto que te falei.” Estão se dando bem?! Fico feliz. – Collin disse estranhando.

- Trabalho para ele agora. – falei ao rapaz.

- Ah. Deve ser horrível.

- Achei que seria pior.

- Eu estou aqui. – Zack comentou colando o papel na minha cara. – Pode chegar mais cedo hoje?!

- Por que?!

- Tenho treino, você vai ficar na loja.

- Hum. – sabe, desde que aquele cara esquisito apareceu naquela loja eu tenho medo de ficar lá sozinho. Era estranho parecia que ele não era humano, quando entrou no quarto eu me escondi e torci tanto para ele não me achar. Eu fiquei apavorado. Não gosto de ficar lá sozinho, pelo menos quando Zack está lá, tenho a sensação de proteção, afinal, ele sabe brigar.

- Não se preocupe, eles só vem de mês em mês. Te espero uma hora mais cedo.

- Tá.

E ele nos deixou sozinhos.

- Ele deve te explorar.

- Nem tanto, eu não me incomodo para falar a verdade.

- Você tem medo de ir trabalhar.

- Não, é que agora uns caras estranhos vão aparecer por lá de vez em quando.

- É no centro, certo?! A loja.

- É...

- É uma área perigosa da cidade, você não deveria andar por lá.

- Mas foi o emprego que eu arranjei. E eu gosto.

- Hum. Uma vez... eu fui para o centro e puxei briga com quem não devia, segundo eles eu os olhei com um olhar superior e eles não permitiam riquinhos mimados por lá. Zack me ajudou, mas ele cobrou depois.

- Ajudou?!

- Ele é bom de briga... e eu não.

- É estranho como eu tenho medo perto dele...

- É porque ele vive te maltratando com os outros dois seguidores.

- É, mas... na loja ele não implica comigo e me passa sensação de segurança.

- Está percebendo a sua incoerência?!

- É...

Um rapaz veio correndo na nossa direção.

- Ainda bem que os encontrei. O professor disse que a prova será agora no quinto tempo.

- O que?! – Collin disse espantado. – Mas ele não pode!

- O professor disse que a diretoria aprovou. Você, como monitor, precisa avisar a todos.

- Tá. – Collin disse com raiva. – Nos encontramos lá, Cody.

- Uhum.

Eu fui o primeiro a chegar na sala, o professor ficou me encarando da porta. Será que ele ainda está chateado comigo?! Mas eu não lembro de ter feito nada errado. Acho que vou perguntar para ele.

- É agora a sua prova?! – eu meio que dei meia volta e lá estava Zack de novo, ele ta me seguindo?! Mas ele amarrava umas ataduras nas mãos, voltava da enfermaria pelo visto.

- É, foi adiantada. Não vou poder ir hoje... eu compenso outro dia, certo?!

- Hum... amarra aqui. – eu obedeci, era só dar um nó nas bandagens. E ele testou no meu braço com um soco.

- AU! – dói.

- Bom... boa sorte. – ele afanou minha cabeça, acho que isso é um “tudo bem”, e eu entrei ainda massageando meu braço. Fui até meu professor.

- Professor. – ele me olhou como antes, sério. – O senhor está com raiva de mim?!

- Não, porque estaria?!

- Me disseram que eu feri seu ego ou algo assim.

- O que...

- Não foi minha intenção, sabe. Nem lembro quando fiz isso, parece que seu orgulho está ferido.

- Você... o que está dizendo?! – ele olhava de vez em quando para os outros alunos da sala.

- Então, não é nada disso?!

- Claro que não! Por que seria...

- Ah... então ta.

- Você é muito esquisito, garoto.

- Já ouvi isso.

Eu achei a prova fácil, não sei os outros, Collin disse que já havia feito melhores, mas achava que dava para passar. Fiquei até de tarde para esperar minha nota, eu fiquei sentado em uma cadeira na frente do professor, que ficava me olhando de vez em quando.

- Você não tem mais nada pra fazer não?! Dalle.

- Não, senhor, prefiro esperar minha nota.

- Amigos, sair para beber, ou qualquer coisa assim.

- Não tenho idade para beber. E não tenho amigos.

- Você é realmente uma existência... estranha. Aqui, sua nota...

- Eu errei uma questão?!

- Você confundiu um sinal... é um menos aí, a gráfica imprimiu mal. Eu disse no início da prova, mas acho que você estava muito concentrado. Você passou... espero você na minha equipe, mas eu dou as ordens e não quero que você me humilhe na frente dos meus alunos novamente, entendeu?! Se tiver algum problema fale diretamente comigo.

- Mas se é erro...

- Não quero alunos falando mal de mim pelos corredores, existem invejosos que nunca notam seus acertos, sempre procuram seus erros e os levam a estratosfera.

- Tudo bem...

- Mas... não tem nenhum amigo garoto?!

- Não... – ah, mas se o sinal fosse esse, eu teria acertado!

- Mas você não sente falta de ter algum amigo?! – eu levante para sair, já estava dentro do projeto, não tinha mais nada o que fazer aqui.

- Acho que você não sente falta do que nunca teve. Obrigado, professor, até amanhã.

- Eu acho que sente, você só não sabe.

Peguei minhas coisas e segui para o portão, algo ainda mais assustador do que o cara estranho daquela gangue são uns seis Zacks debaixo de uma árvore entre o portão de saída e eu. Talvez se eu não olhar para eles, eles não me vejam... a física diz que eles são apenas ondas se eu não os vir.

Passei o mais longe que consegui, Zack estava entre eles. Mas notei quando me aproximava do portão que as risadas e as conversas diminuíam, eles não estão me vendo, não estão me vendo, minha altura devia me ajudar agora.

- Ei, CDF. – eu nunca corri tanto na minha vida. Preciso me exercitar mais, não sei porque não fiz isso antes se sempre tenho que fugir deles.

O metrô estava lotado, lotado. Eu conseguia costurar a multidão com perfeição pela primeira vez. Não sei se eles estavam me seguindo, também não importa. Pulei dentro do metrô.

Não sei por mais quanto tempo mais aguento isso.

Notas finais
Acho que na próxima rodada as coisas começam a esquentar. ^^
Eros: é comigo mesmo.
Léo: vê lá quem você vai esquentar, eros. ¬¬
Téo: *-* sério, então valeu a pena.
Cody: ?
Alex: já posso começar?!
Lars: até que enfim... com o léo né?!
Ace: hum.
Seth: foi rápido, sou bom nisso, vou lançar minha carreira de cupido.
Zack: com quem?!
Luther: já tava pra pedir demissão!
Seus dramáticos ^^'