___Léo.

O meu trabalho no bar está ótimo, não fui demitido e sou ótimo para cuidar de bêbados. Descobri que temos um serviço de bufê e já temos um evento agendado para amanhã. Já são quase duas da manhã, vim passar minha noite no ap. do Lars que agora está computando alguma coisa sobre a viagem que fará com seus três melhores alunos para uma competição na área deles.

Fui até o escritório pequeno, mas bem organizado, como tudo do Lars. Fiquei à suas costas e descansei minhas mãos em seus ombros. Claro que, como qualquer metido e curioso, eu dei uma espiada no que ele fazia.

- Esses são os alunos que vão com você?! – disse olhando a lista com os três nomes. – Ace, Olivier e... Eros. – eu disse esse ultimo nome de um jeito meio engasgado.

- É... mas acho que Ace não irá, o prêmio é um estágio em uma das maiores empresas do país, mas ele é dono de uma das maiores, então... você devia vestir uma blusa, ta frio.

- Eros?!

- É...

- Custa-me acreditar que ele é bom aluno.

- Pois é, no início eu...

- Achei que ele só fosse bom em arranjar noitadas por aí e torrar dinheiro que ninguém sabe de onde vem.

- Hum, mas ele parece levar a faculdade a sério e...

- E, francamente, você devia tomar cuidado com ele, atira para qualquer canto, ninguém sabe sobre os pais dele e nem se tem família.

- Nem todos são tão abertos como você, Leo.

- Ahhh, mas ele é aberto, pode crer! – ele girou a cadeira para me encarar com um meio sorriso e olhos espertos escondidos pelas lentes.

- O que é isso... ciúmes?!

- Não, eu não tenho ciúmes, não, não... ciúmes é uma coisa que não existe no meu vocabulário. Ciúmes... quem você pensa que é?

Ele levantou e veio se aproximando de mim, me encurralando entre ele e a parede. Apoiei meus braços em seus ombros, um pouco mais altos que eu, e consegui brincar com algumas madeixas.

- Só zelo. – falei encurtando a distância entre nós dois.

Ele me beijou, lentamente, profundamente, apaixonadamente. Eu ainda não sei bem o que sinto pelo Lars, o adoro, gosto muito dele, é perfeito, não deixa faltar nada para mim, sempre tenta satisfazer meus desejos e é presente. Mas eu não sei se o amo.

- Amo você, Leo. – mas ele sabe.

O beijei mais uma vez, depois retirei sua regata azul marinho e minha boca seguiu direto ao seu mamilo. Lars não é todo definido, tem um corpo lindo sim e alguns músculos, suficientes para mim, me demorei naquele botão rosa o suficiente para sentir seu volume adormecido responder na minha mão já devidamente bem colocada.

Assim que o senti responder retirei um pouco sua calça e desci até o início de suas coxas, minhas mãos demoraram mais a chegar, sentiam seu peito a barriga, e invadiram o tecido que restava, primeiro por trás, sentindo os glúteos durinhos, depois à frente.

Fiz minha língua percorrer toda a ereção, me demorando na glande, ele me olhava por entre as lentes, com desejo, com os lábios semi abertos.

Quando o coloquei na boca, o moreno gemeu baixo para mim, segurou nos meus os castanhos e se assegurou de que eu não iria parar. Subi e desci naquela ereção várias vezes, perdi a conta de quantas vezes minha língua percorreu aquela extensão até ele ficar satisfeito. Eu sentia a minha própria implorando para se livrar daquela roupa.

Ele puxou-me para cima e colou meu corpo ao dele, eu sentia nossas ereções se tocarem, mesmo a minha estando embaixo da bermuda, sua boca colou-se a minha, agora mais urgente, mordeu meu queixo, meu pescoço, e meus dedos percorreram com um tanto de força suas costas.

- Eu quero agora, Lars. – ele me virou de costas para ele e abaixou de uma vez minha bermuda. Me apoiei em sua mesa no escritório e senti seu membro de encaixar entre meus glúteos.

- Já?! – ele disse se apoiando um pouco na mesa também, mantendo meu corpo entre seus braços, senti sua boca em minhas costas, deixando marcas e beijos rápidos. – Você está bem apressado hoje.

Mas eu senti a ponta começar a tentar me violar, devagar, sempre com cuidado, logo ela estava dentro e a extensão ia me preenchendo no mesmo ritmo. Dentro de mim eu o sentia pulsar, e quando ele tocou meu membro não consegui conter um gemido e uma leve insinuação dos meus quadris, o que foi suficiente para que ele começasse a se mover, em lentos movimentos, entrando e saindo de mim.

Não era suficiente, eu me via praticamente deitado em cima da mesa para que ele conseguisse ir mais fundo, ir mais forte, mais rápido. Acabei chegando ao clímax antes dele.

- Como você é mau, Leo. – ele disse se aproximando do meu ouvido, ainda dentro de mim. Eu sei. – Vai me compensar depois. Certo?! – existe uma coisa que eu posso apostar que as pessoas nem suspeitam...

- Ah-ham... – ele continuou por mais alguns minutos até que eu senti seu líquido dentro de mim, me preencher.

Eu estava ofegante, ele também, brilhávamos a suor. Sua boca procurou a minha, mas calma novamente. Olhava-me ternamente por trás daquelas lentes.

- Vamos para a cama, Leo. — ... como eu disse, ninguém suspeita, mas Lars é incansável, se sexo fosse esporte ele tava feito. O problema é que eu não agüento tanto!

Mas o melhor é: no dia seguinte a bela mesa de café da manhã, as flores e o esforço para me agradar. Às vezes acho que não o mereço porque... não sei o que sinto por ele além de carinho.

Hoje nosso bar foi contratado para servir em uma festa fina, chique, em um dos bufês mais caros e chiques da cidade, um dos meus sonhos era visitar esse bufê, já posso riscar. Saímos umas duas horas antes na van, ao todo éramos uns dez garçons, moços e moças, reunidos de todas as filiais dos bares.

Recebemos as recomendações de sempre e todos sabíamos o que fazer e como servir finamente, ele nos instruiu ontem e antes de ontem, mas eu só pude ir um dia, problemas com meus avós.

A cozinha do local era enorme e parecia que não éramos os únicos a servir, outras pessoas foram contratadas. A festa estava começando e os garçons começaram a circular. Eu via pela portinha de saída, aquelas mulheres muito bem vestidas, pele de “passei o dia na esteticista e no cabeleireiro”, um luxo. Os homens também não ficavam para trás, esses smokings...

- Onde está sua rosa?! – uma mulher chegou para mim e colocou uma rosa vermelha no meu uniforme. – Como espera conseguir alguma coisa sem ela?! – hm, tipo o que, uma namorada?! A mulher no mesmo pé que chegou, saiu. Parecia que era ela e meu chefe que estavam coordenando tudo, pelo menos a parte de bebidas, ainda tinha o pessoal da comida.

Mas eu não era o único que estava sem rosa ali... deve ter faltado, ou é o sinal para alguma coisa, tipo sou garçom de bebidas.

Finalmente chegou a minha vez, levei o champanhe, algumas mulheres aceitaram, na verdade, foram as que mais beberam, aproveitei para me deslumbrar com aquele luxo. Tinha um belo lustre do centro de uma abóbada, eu sempre lembro do fantasma da ópera quando vejo um, um palco com uma orquestra, vários, vários, convidados da alta sociedade e uma bela mesa com frutas, tapetes vasos, enfeites... nossa, eu não sabia para onde olhar.

Só tinha mais duas taças, daqui a pouco vou precisar voltar para a cozinha... pelo menos deve sobrar champanhe para os criados.

- Vejam só... – aquela voz superior invadiu meus doces ouvidos e fez um calafrio percorrer meu corpo. – ...quem está aqui. – respirei fundo e contei até cinco, o encarei às minhas costas com um sorriso inexpressivo.

- Champanhe, senhor?! – disse a Ace Darcy, que me olhava com aqueles olhos de cobre e com aquele meio sorriso... não, não era bonito, era horrível! Horrível. Horroroso.

- Obrigado. – disse se servindo.

- Com licença.

- Você não me suporta, não é?! – parei no meio do caminho.

- Você é bem observador.

- Não sei o que fiz para você me odiar. – não sabe o que... ah, desisto.

- O que faz aqui?! – ele me olhou como se a minha pergunta fosse sem nexo. Tá eu sei que ele é rico e bla bla bla... mas ainda assim, quantas vezes mais vou ter que dividir meu ambiente com ele?!

Ele aproximou-se de mim e seus olhos percorram o ambiente.

- Bom, estou aqui porque fui convidado. Vim representando os interesses do meu pai, digamos que eu seja mais interessante ao público do que um velho. Não gosto muito desse tipo de festa, mas... por exemplo. Aquele homem. – ele apontou para um homem meio velho, gordo e de cabelos grisalhos. – É o senador mais influente do senado. Aquela mulher... – ele apontou para uma mulher jovem, simpática e com ar de bem sucedida, era acompanhada de duas moças. – É a nova diretora da maior revista do país, a moça da direita é sua assessora e a da esquerda é uma jornalista, disfarçada de assessora, jornalistas não podem entrar aqui hoje.

- Nossa... e você está interessado em algum deles?!

- Por que diz isso?!

- Não acho que viria aqui sem nenhum propósito. – ele me olhava, não sei se chateado pelo que eu disse ou surpreso.

- Está me chamando de interesseiro?!

- Não... eu... sim. – ele apenas riu um pouco. Se ele brigar, hoje o banho é de champanhe.

- Todos aqui estão interessados em alguma coisa... nem que seja se mostrar à sociedade. Mas meu interesse é saber quem é o herdeiro da nossa empresa concorrente.

- Achei que era dono da maior empresa do país...

- Sim, sou, até o meu concorrente assumir. Tenho que ver com quem terei de lidar... espero que seja um bundão que não sabe onde se mete.

- E quem controla essa empresa agora?!

- Acionistas... a empresa ainda da lucro suficiente a eles, não precisam competir.

- Em outras palavras, está com medo de perder o posto de número um?!

- Em outras palavras, estou preocupado em mantê-lo.

Ele ficou me encarando um tempo e depois seus orbes percorreram meu corpo, demoraram em meu avental e em minha rosa, depois me encarou intrigado.

- Está trabalhando com isso agora?! – ah, lá vem ele!

- É um trabalho digno.

- Hum... então, diga-me o que não é digno.

- Eu trabalho até as três da manhã, fico morto de cansado, mas o dinheiro é ganho com o meu suor.

- Imagino quanto suor... se fosse eu, iria até o dia seguinte.

- Há, você?! Com essa sua resistência de menino mimado?! Conta outra! – saí pisando duro de volta a cozinha, já sem nenhuma taça.

- Ficaria surpreso.

O resto da noite, tentei ser gentil, e quando passava um pouco da meia noite o anfitrião foi falar da importância das doações de todos para o lar de idosos do fim da cidade, que essa festa beneficente ajudava várias pessoas e coisa e tal. Será que eu consigo fazê-los doar algo para a casa de cuidado dos meus avós?!

Assim que saí da cozinha, Ace estava descendo do palco, acho que fizera um discurso, depois uma mulher de vestido bem exótico subiu ao palco e declamou seu discurso em pró das pessoas carentes... deviam me pagar melhor! Começando daí!

Ace apareceu perto de mim, mas não me viu, que bom, ficou conversando com uma linda moça, de um castanho com um brilho natural, sem química, um vestido bem simples, mas que nela parecia o mais luxuoso das vestes e pérolas, pérolas por todo lado.

- E agora, o representante das empresas de publicidade Publiscorp irá falar algumas frases. – depois dos aplausos e de alguém quase derrubar minha bandeja, Ace finalmente estava muita atenção ao palco.

Um senhor simpático de bigodes brancos e cabelos grisalhos subiu ao palco e discursou sobre a importância do evento beneficente e que as empresas estavam muito felizes de ajudar... e falou sobre o que Ace estava esperando.

- ... nosso presidente ficará muito satisfeito em saber que participamos da construção de uma sociedade melhor. O herdeiro da família finalmente assumirá a presidência daqui a três meses e ficaremos muito contentes em apresentá-los a vocês no momento mais apropriado. Obridado.

A cara que o Ace fez de decepção foi impagável. A moça falou alguma coisa, como se para acalmá-lo, e se retirou, que pena para ele. Voltei para a cozinha com uma badeja cheia de taças que desafiava as leis da física.

O resto da noite foi legal, não tive problemas com os convidados, na verdade até conversei com alguns, e eu acho que estava especialmente lindo hoje, porque ganhei uns belos olhares de vários homens e mulheres. Geralmente não chamo muita atenção, eu sou meio comum com meu cabelo castanho comum e olhos verdes comuns.

Depois que a festa acabou, só ficou no local alguns poucos serviçais que estavam bem vestidos como eu, com a rosa e tudo mais, ficamos uns onze ou doze para arrumar toda a bagunça.

Ou pelo menos achei que era, umas senhoras da limpeza chegaram e começaram a arrumar tudo, que bom.

- Venho todos aqui. – meu chefe disse e nós nos aglomeramos perto dele. – A maioria de vocês já tem compromisso essa noite, vou chamar os cinco que ainda estão pendentes.

Meu nome estava no meio, pendência para que eu não sei, deve ser para pagar alguma coisa, sempre é. Passamos pelo salão e seguimos pela escada até uma das salas superiores. Alguns homens e poucas mulheres estavam na sala, todos convidados. Meus companheiros entraram e ficaram em fila.

- Senhor... – me aproximei do meu chefe meio desconfiado. — O que estamos fazendo aqui?! – ele me olhou com os braços cruzados, olhou minha rosa, apontou para ela.

- Não sabe o que faz aqui?!

- Não.

- E essa rosa?!

- Uma mulher me deu... faz parte do uniforme, certo?!

- ... você faltou algum dia do treinamento?!

- Uhum. – ele pareceu entender.

- Bom, essa rosa simboliza que você aceitou ser vend... um “acompanhante” de quem pagar mais caro pela sua pessoa.

- O que?!

- Então, sugiro que siga para a fila para que possamos começar e...

- Eu vou embora. – nunca me venderia por dinheiro! NUNCA! Imagina o que minha avó diria! Comecei a dar meia volta.

- Nã na não... – ele disse segurando meu braço e cochichando no meu ouvido. – Vendemos uma hoja por vinte mil! Quinze por cento era dela.

- Não me interesso, senhor. – seria um belo dinheiro para os meus avós, mas... não, eu estou conseguindo me manter aos trancos e barrancos, mas estou, então não vou recorrer a isso. – Se me der licença...

- Está no contrato que você assinou. Se assumir o compromisso de usar a rosa, tem que cumprir a função até o final.

Eu tirei a rosa e coloquei em cima de uma das mesas.

- Pronto. E, além disso, não assinei contrato nenhum.

- E o de garçom do bufê para a “Festa Beneficente dos Jonsons.”? Era o anexo em letras miúdas...

- ...

- Bom... ou você volta para lá e consegue algum dinheiro, ou me paga nove mil de multa. – nove mil?! Nove mil?!

Ele me empurrou de leve até a fila de quatro pessoas. Uma garota foi vendida antes de mim, nunca pensei que essa gente fosse assim, todos esses estavam acompanhados na festa, eu vi. Chegou minha vez.

- Eu dou... – deles começou, mas minha língua tem vida própria.

- Não estou a venda. – eu falei firme e aquele silêncio se formou por um momento.

- Então porque está aqui?!

- Mal entendido.

- Então saia.

- Não posso, devo nove mil de multa. – eu via o meu chefe se contorcer. O que Lars pensaria de mim se eu aceitasse isso... acho que vou perder meu emprego.

- Então eu lhe ofereço nove mil e você vai comigo. – era um homem que me parecia meio suspeito, sabe, com cavanhaque e aquelas sobrancelhas desenhadas... nove mil?!

- Não senhor. Não aceito esse preço. – vou recusar até eles desistirem de me comprar.

- Então diga o seu preço, gracinha. – uma mulher falou dessa vez, a senhora não tem vergonha não?! É casada e já deve ter filhos!

- Todo mundo tem um preço.

- Acho que ele precisa é de alguém para educá-lo. Ficaria feliz em fazê-lo.- outro disse, ótimo, só o que preciso é de um sádico. – Dou doze.

- Treze. – outro falou um tanto animado.

- Quinze. – o sádico de novo.

- Vinte e cinco mil. – uma das sombras falou.

- VENDIDO! – o meu chefe falou sem o meu consentimento e eu fiquei do tipo... vinte e cinco mil?! Não sabia o que fazer. Claro que eu não iria, mas...

Meu queixo caiu quando Ace saiu do meio daquela penumbra. Está brincando.

- É muito dinheiro por uma coisa usada não acha Valentim?! – o último homem falou quando Ace se aproximava. Com quem esse cara pensa que ta falando?! Usado eu?! Vou ensinar uma lição a esse sujeitinho que ele nunca...

- O que faço com meu dinheiro não é da sua conta. Vamos?! – ele me olhou de um jeito bem significativo, com aqueles orbes intensos. Mas eu ainda queria falar umas poucas e boas para aquele sujeito ali! Eu queria... – Agora. – ele disse todo autoritário, eu não vou obedecer. Não vou!!! Seria como, mais uma vez, desistir dos meus princípios por causa dele. Mas eu não consegui ou perdi a vontade de brigar com o outro cara. Só encarei muito feio o pobre chão. – Muito bem. Andando. – soltou meu braço e me indicou a saída com a cabeça para que eu fosse andando na frente dele.

Comecei a me mover e acho que ele pagou meu chefe... não, não, meu ex-chefe, não volto mais naquele lugar! Por isso pagavam relativamente bem! Malditos. Fui enganado. Continuei pelo corredor, de testa franzida, que venham as rugas! Eu não ligo... que droga que raiva.

- Agora espere por mim. – a voz dele de novo saindo daquela sala.

- Por que eu deveria?! – ele tem essa mania estúpida de mandar! Acha que todo mundo vai obedecer.

O problema é que eu parei no meio do corredor e esperei.

- Porque eu comprei você.

- NÃO COMPROU! – nunca, principalmente para um ser como ele, com esse sorrisinho sarcástico e com esse cabelo bem penteado nesse fraque... fica bem nele, ele tem cara de rico! Fica muito bem nele...

- Bem que eu achei estranho quando perguntei sobre isso... você disse que era um trabalho digno e você é tão orgulhoso que eu achei estranho você ter aceitado. – ah... eu achei que ele falava do meu trabalho de garçom.

- Não sou tão orgulhoso. – talvez um pouco. Chegamos fora do bufê e um carro negro importado esperava por Ace em frente á porta. – E não se preocupe, vou pagá-lo de volta, mas você vai ter que ter paciência, meu salário não é grande coisa e tenho outras dívidas...

- E que trabalhava até as três da manhã, todo suado... imaginei muita coisa.

- O-o que?! Foi um mal entendido! Seu... o que andou pensando?!

- Entre. – ele disse parado na frente da porta do carro, que fora aberta pelo motorista.

- Hã?!

- Vou te dar uma carona. – eu ainda ponderei muito se entrava ou não naquele carro, mas é melhor que ônibus a essa hora.

Bom, fomos o caminho inteiro calados. Ele ficava olhando as luzes da cidade pela janela e eu enjoei de babar pelo carro uns cinco minutos depois que entrei. Mas eu não sou muito bom em ficar calado, então eu comecei a conversar, mesmo que a minha companhia não seja lá grande coisa.

- Então... sua noite não valeu a pena, certo?! – ele me olhou confuso. – Não disseram quem era seu concorrente.

- Hum. É.

- Mas você não tem poder para descobrir não?!

- Já tentei, mas acho que isso não lhe interesse muito.

- Só para puxar conversa. – estávamos bem perto da minha casa. – E quem era aquela jovem junto com você?!

- Não é da sua conta. – que rude, mas finalmente chegamos em casa. Ele ficou avaliando o local.

- Bom, obrigado, e eu vou te pagar. Não se preocupe. – o único problema era... a porta não abria. – Acho que ainda está trancada.

- É claro que está. Não achou que eu paguei vinte e cinco mil e uma carona pra você simplesmente ir para casa. – meu coração acelerou um pouquinho.

- Eu disse que vou te pagar.

- Você vai. – ele disse se aproximando de mim, tentei me afastar o máximo que consegui, quase me fundindo com a porta, ele colocou o braço no encosto do banco atrás de mim e sentou-se bem próximo a mim, não o perdi de vista. – Quero uma pequena parcela agora.

O rosto dele começou a ficar perto e mais perto. E eu...

- Eu não posso. – o empurrei um pouco para longe, o peito dele, escondido pela roupa, é definido, é forte. – Tenho namorado.

- O problema é seu não meu. – e ele veio ainda mais perto. Até a minha orelha. – Faça alguma coisa. – ele sussurrou naquele local sensível, a voz dele é tentadora, é grave. – Agora. – e o tom que ele ordena as coisas me irrita, mas é como se fosse um feitiço. Não vou fazer isso! Não vou!

- Não vou fazer nada! Desista e me deixe sair. – eu usei toda a minha coragem e minha raiva para fazê-lo entender. Não adiantou.

- Certo, eu faço.

Ele me beijou, tentei umas duas vezes morder os lábios dele, mas ele era rápido, intenso e, antes minhas mãos que se fechavam em punho em seu peito, agora descansavam abertas para sentirem melhor o corpo quente próximo a mim.

Senti uma de suas mãos abrirem minha calça e sua boca seguir para o meu pescoço, não é bom, não posso deixar isso continuar... sentia um calafrio percorrer meu corpo toda vez que ele mordia de leve meu pescoço, ou ameaçava ir até a minha orelha. Mas eu...

- Não, para. – eu disse meio sem ar parando as mão dele que já tinham aberto minha calça.

E... o jeito que ele me olhou me desarmou. Aqueles olhos de bronze me olhavam com todo o poder que ele tinha, um olhar firme. O olhar que com certeza faz os fracos sucumbirem a sua vontade. Mas eu não sou fraco... certo?!

Ele voltou a altura do meu rosto, centímetros da minha boca.

- Você realmente quer isso?! – eu estava meio hipnotizado por aqueles olhos, por aquele rosto na verdade. A boca dele veio lentamente até a minha, para brincar com ela de novo.

Senti sua mão seguir até meu membro meio acordado escondido pelo tecido fino dentro da calça, ele o tocou por cima do tecido, e logo invadiu minha roupa de baixo para tocá-lo. Sentia sua mão masturbar-me do início ao fim da minha recente ereção.

Eu não sabia o que fazer, estava bom, mas eu sabia que aquilo era errado e me senti como um adolescente colocando o prazer na frente da razão. Mas já estava naquele ponto que eu não conseguiria pará-lo, que eu gemia de vez em quando, queria que terminasse, queria que a língua dele continuasse percorrendo o meu pescoço, que eu continuasse a senti-lo no meu baixo ventre, eu queria parar, eu queria... muita coisa ao mesmo tempo.

Para minha felicidade ou decepção, já estava perto do fim.

- Para mim já está bom... você quer que eu continue?! – disse mordendo de leve o lóbulo da minha orelha. Esse bastardo maldito!

- Hm... – mas eu estava quase lá. – Não... – sim...

- Quer que eu pare?!

- .... sim. – quase lá.

- Muito bem. – e ele parou, não sei, meu corpo pareceu nunca ter sentido tamanha frustração.

E eu não sei o que me deu, segurei a blusa dele e o arrastei até mim, minha boca foi com muita sede ao pote, e a sede dele parecia ser tão grande quanto a minha.

- Ter-mine... – foi o que eu disse. Aquele sorrisinho se formou de novo no rosto dele, mas dessa vez não tive raiva, achei excitante.

Com pouco tempo depois eu me desmanchei em sua mão. E como eu esperava, a culpa, o ódio que eu tinha de mim, e o nome dele na minha cabeça: Lars, Lars, Lars, como eu... voi falar sobre isso para ele, droga. Eu pedi por isso...

- O que é?! Pensando no outro?! – ele me disse e eu senti nojo de mim mais uma vez, mais dele do que de mim. – Ele faz idéia do namorado que tem?! Aliás, julgando pelo seu gosto, ele deve ser um mala, bonzinho demais, cuidadoso demais, seguro demais... e pelo jeito como você gemia para mim, eu acho que ele...

Eu o soquei muito forte no rosto, ele foi parar no outro lado do banco. Me pus em cima dele e o olhei bem sério.

- Fale o que quiser de mim, me xingue, se aproveite... mas não ouse falar do meu namorado. Você não chega nem aos pés dele. – e eu não o mereço.

- Não chego?! Minutos atrás você gemia como...

- Isso é prazer, gracinha, não amor... se já terminou, pode me deixar sair?! — ele ficou muito sério e eu ouvi o barulhinho que indicava minha liberdade. – Obrigado.

Saí do carro sem sequer olhar para trás.

- Espero que quando você disser o que me disse agora, seu namorado entenda.

Ele não pode simplesmente ir embora?! Entrei em casa e me sentei ao pé da porta, droga, como vou contar isso ao Lars?! Não sei se devo contar, não sei se... não sei se o amo e ele é melhor do que eu, ficar preso a uma pessoa como eu...

- Léo? – aquela coisinha pequena estava na minha frente com a calça e a blusa de algodão do pijama. – Chegou tarde.

- Oi, Cody. – eu disse tentando disfarçar. – O que faz acordado a essa hora?!

- Eu... sempre acordo a essa hora para ir ao banheiro e beber água.

- Hum.

- Chegou agora do emprego?!

- É...

- Você está bem?! – estava tudo um pouco escuro, mas a luz da rua entrava na pensão o suficiente para iluminar um pouco o ambiente. As escadas, pelo menos, da pra ficar menos preocupado com o Cody cair se pisar em falso nos degraus.

- Estou.

- Parece triste. – quase chorei, mas engoli o nó na garganta.

- Só preciso de um abraço. – ele me deu e a gente ficou um tempinho desse jeito. Cody pode ser meio frio, mas não é porque ele quer. Subimos a escada e ele parou na frente de seu quarto.

- Está tudo bem mesmo?!

- Pode dormir comigo, Cody?! – ele concordou, entrou no quarto e pegou seu travesseiro, tão fofo agarrado com aquilo.

Ele deitou na cama e eu fui tomar um banho, não demorei muito porque não queria ser invadido por aqueles pensamentos, vou deixar para amanhã.

Cody estava deitado lá, ainda acordado, em posição fetal segurando o travesseiro. Passei por ele e me apertei na cama de solteiro.

- Eu costumava dormir com a minha avó quando eu estava triste ou com medo. – comecei falando com ele que me fitava com os olhos escuros.

- Pareço com a sua avó?! – ele falou na maior inocência.

- Não. Mas me ajuda do mesmo jeito.

- Uhum.

- Como está indo na loja.

- Bem.

- Estão te tratando bem?! – ele só concordou com a cabeça. – Muitas emoções naquela livraria? – perguntei retoricamente nos cobrindo com as cobertas.

- Sim. – sim?!

- Que tipo?!

- Uma gangue apareceu pó lá esses dias, são assustadores.

- Gangue?!

- É. Mas tudo bem, Zack disse que ele só vão lá de mês em mês.

- Hum... semana que vem vou lá com você, quero falar com ele. – deve ser perigoso para o Cody, não vou deixá-lo fica lá se for realmente um risco, mesmo com o Zack.

- Uhum.

- Boa noite.

- Boa noite.

Meu celular tocou. Uma SMS.

“JÁ CHEGOU EM CASA?!

QUE TAL CAFÉ DA MANHÃ?!”

Lars.

O que eu vou fazer, abracei bem forte meu novo ursinho de pelúcia que pareceu não reclamar.

Maldito Ace... eu adoraria poder culpar você.

Notas finais
Eros: pq ele teve um capitulo só dele?!
Leo: sou uma pessoa ruim. T.T
Cody: eu gosto de você.
Leo: jura?! *-*
Cody: aham.
Leo: ja decidi, casa comigo! *agarra*
Cody: eu não sei se...
Lars:... o que deu em você?!
Zack: ... ei, espera aí...
Ace: um pirralho?!
Leo: NÃO É DA CONTA DE NINGUÉM! *se tranca no quarto* PRINCIPALMENTE SUA!
Ace: ...
Lars: sua culpa?!
Ace: é...
Zack *toctoc* eh... pode devolver o Cody?! No script...
Leo: NÃO.
Zack:... ¬¬ muito bem, e agora?!