Inn

10 Alex x Lars


Notas iniciais
passei dois dias tentando postar esse cap... 2 longos dias.

__Alex

- Que coisa feia, Léo... Cody é uma criança! – falei irritando definitivamente o rapaz a minha frente.

- Pela milésima vez! NÃO ACONTECEU NADA! – Léo me disse batendo forte na mesa.

- Pronto, pronto, garotos, sem briga. – Andrei se meteu colocando a cestinha de pão com patê na mesa. Peguei logo dois.

Eu, incrivelmente, fui o primeiro a acordar hoje, o que é raro, logo em seguida vieram Cody e Léo pela escada. Edgar comentou “Acordaram na mesma hora.” O Léo disse algo como “É.” Mas o Cody completou “Dormimos juntos.” Edgar quase morre e Até Andrei deixou um garfo cair. “Que merda ta acontecendo nessa pensão?!” foi a ultima frase do Edgar até o Léo começar a se explicar, Cody parecia que nem ligava, só olhava o tempo.

- Nem sou tão criança assim... – Cody disse ao meu lado mordendo o pão e terminando de acordar.

Lá vinha Eros descendo a escada, é raro ele se juntar a nós. Andrei deixou um leve sorrisinho se formar, não sei por que Andrei insiste em tentar se aproximar dele, Eros não o trata bem, de jeito nenhum, acha que o dono da pensão se mete demais na sua vida.

Ele chegou com nada mais nada menos que uma calça e um cordão preto com pingente prata, sentou na cabeceira oposta a de Edgar, desejou bom dia com cara de ressaca... e eu vou fazer isso, ah se vou...

- Sabe qual é a do dia, Eros?! – Léo olhou desesperado para mim.

- O que?! – ele disse sem interesse.

- Nada! – Léo completou tentando me chutar por debaixo da mesa.

- Léo dormiu com o Cody ontem.

- Ahhh, jura?! – a expressão de ressaca sumiu quando Andrei lhe deu uma xícara de café e quando viu a cara que o Léo fazia para mim, o sorriso perfeito se fez em seu rosto. – Pobre criança, Léo.

- NÃO ACONTECEU NADA!!! – ele explodiu de novo.

- Não sou criança. – Cody disse de novo, mas sem nenhum interesse realmente.

- Bem que eu escutei uns sons essa noite... era do seu quarto Léo?! – Léo quase jogou um pãozinho na cara de Eros.

- Joga! Tá meio longe de alcançar a cesta mesmo.

Eu vi Edgar baixar um pouco o jornal que lia e olhar Eros, acho que era para ponderar se tinha a possibilidade do rapaz estar falando a verdade.

- Eu não escutei barulho nenhum. Que tipo?! – Cody falou em direção a Eros.

- Nenhum, Cody. Com certeza, nenhum do tipo que eu costumava escutar umas semanas atrás. – Léo continuou com um jeito inocente a Eros. – No seu quarto.

Edgar baixou o jornal.

- Já disse, Eros, nada dos seus amiguinhos aqui! – Edgar começou brigando com a cara carrancuda que ele geralmente tinha. Só aliviava quando Andrei estava por perto.

- Eles estão só brincando, Edgar. Adoram implicar uns com os outros, ou você não percebeu. – Andrei falou finalmente sentando à mesa e observando Edgar pegar de novo seu jornal.

- Que tipos de som?! – Cody perguntou de novo com aquele rosto sem interesse.

- Esquece, Cody. – todo mundo falou com entonações diferentes, cada um com seu jeitinho de paparicar o menino.

Mas nada, nada, foi como a entrada do Téo no café da manhã. Ele também raramente se junta à gente. Ele tinha cortado o cabelo e estava com roupas mais legais que as de costume, estas ficam melhores nele.

Léo, eu, e até Eros, ficamos olhando ele chegar e sentar-se na ultima cadeira vazia do lado de Cody.

- Bom dia. – ele disse baixo se servindo.

- Ah, vão me dizer que vocês ainda não tinham visto o novo visual do Téo?! – Andrei falou percebendo o espanto nos nossos rostos, mas era uma surpresa boa. Esses dias, Luther passou por aqui para me levar para o colégio, não peguei carona com ele nem o com o primo antipático dele.

- Não. Ficou muito bom. – Léo falou e ele sorriu de volta.

- É sim. – falei também.

- Novato?! – Eros olhava para ele como se realmente estivesse falando sério.

- Ele já morava aqui, panaca. – Léo disse revirando os olhos.

- Hum... Eros. – Eros falou estendendo a mão a ele.

- Téo. – os dois apertaram as mãos como se acabassem de se conhecer.

- Não esqueço mais seu rosto. – completou encarando o menino que apenas desviou o olhar. – Vou subir, ele já ta constrangido. — falou levantando como um morto vivo e subindo de volta ao quarto.

O garoto parecia bem feliz com os elogios. Deu um breve sorrisinho e voltou ao seu café, dava para ver que ele não gostava de atenção. Preferia ser discreto, mas também já está na minha hora.

- Também vou indo. – falei levantando e vestindo meu casaco, está bem frio hoje.

- Tá bem. – Andrei falou.

- Tem certeza?! – Edgar falou já meio sem esperança.

- Tenho. E planejo voltar tarde.

- Fico curioso, sobre o que vocês conversam?! – Léo me perguntou se esticando para tentar limpar o canto da boca de Cody, mas o menino se limpou antes que ele conseguisse.

- Hoje, por exemplo, vou falar sobre o Téo. – o garoto me olhou rápido, mas logo ignorou.

- Cuidado, o pedófilo pode vir atrás dele também. – Edgar deixou explicito todo o sarcasmo que tinha naquela frase.

Saí pelas ruas da cidade e enfrentei um metrô bem mais vago que nos dias comuns. Depois de uma meia hora eu estava no bairro boêmio da cidade, subindo pelas escadas do prédio dele e chegando a cobertura do prédio de cinco andares, a porta sempre está aberta.

Apenas Max estava sentado no sofá da sala. Às vezes eu tenho pena do agente do Luther, ele fica mofando horas por aqui esperando por ele.

- Você é a segunda pessoa que aparece, Alex. Ele não está. Lars já veio aqui hoje. – ele me disse quando me viu chegar.

- Ah... hoje é domingo. Era de se esperar. – eu disse com um tanto de raiva. Ele saiu essa noite e não me chamou!

- Não foi com ele?!

- Não. – segui até a geladeira e peguei uma garrafinha de água, depois segui para uma poltrona na frente do sofá onde Max estava sentado. – Tá frio, né?!

- Não é raro nessa época.

Notei que o Max estava olhando muito para mim, ele tem um cabelo negro escorrido até a bochecha, na maioria das vezes está penteado impecavelmente com gel, e usa óculos, é bonitinho, não o suficiente para me tentar ou ser uma distração até o Luther chegar, distrações não me interessam mais.

- Escuta Alex, você nunca pensou em ser modelo?!

- Eu?!

- É. Você é muito bonito e tem uma altura ideal.

- Hum...

- Pode ganhar muito dinheiro.

- Não sei... Luther quer que eu faça faculdade.

- Mas você não vai precisar parar sua faculdade, até vai ajudar você a se manter. Sem precisar tanto depender do Luther.

- Quem sabe.

- Eu seria seu agente... eu tenho um rapaz que poderia lhe ajudar com o inicio da carreira, lhe dar umas dicas.

- Eu nem aceitei.

- Pense nisso.

- Quem sabe.

- Quando você terminar o colégio. – isso vai significar que ele vai ficar no meu pé a minha vida inteira como faz com o Luther?! Mas a minha desculpa para ver o Luther é essa, ele me mantém.

A gente ouviu a fechadura da porta e olhamos para ver quem era. Lars.

- Oi, Alex... nada dele?! – falou vindo sentar-se também no sofá.

- Não. – respondi.

- Vinha tomar café da manhã com ele, meu outro compromisso furou. Mas até agora não apareceu... já está ai há um tempo, eim Max?!

- Já me acostumei. – o agente disse derrotado. – Não sei por que não consigo desistir dele.

- Porque ele dá lucro. – o moreno recém chegado falou se espalhando no sofá.

A gente ficou escutando o vento frio bater na janela. De vez em quando o Lars me olhava com aquele olhar que eu já conheço, eu começo a rir, sempre.

- Que foi, Lars?! – acabei por perguntar.

- Você já sabe.

- Acha que eu estou perdendo meu tempo com seu irmão.

- Eu também acho. – Max se juntou a ele.

- Eu sei o que estou fazendo. – os dois suspiraram.

A porta fez barulho de novo. Acho que não falta ninguém de conhecido chegar. Deve ser ele. E era, vinha com a maior cara do cansaço, jogou as chaves do caro em cima do balcão americano da cozinha, tirou o casaco, reclamou baixo do frio e olhou para a gente.

- Pelo amor de deus, hoje é domingo, vocês não tem casa não?! – falou com uma expressão que beirava o desespero.

- Eu vim tomar café da manhã com você, mas... – Lars começou avaliando com um meio sorriso o irmão ressacado.

- Já tomei. Fora. – Lars levantou preguiçoso e começou a se retirar.

- E você?!

- Vim discutir trabalho. – Max disse todo satisfeito.

- Se mata, Max.

Levantei e fui até lá enquanto ele bebia água.

- Não vai perguntar por que eu estou aqui?! – disse todo derretido, praticamente deitado em cima do balcão.

- Já sei. – falou me ignorando e indo em direção ao quarto. E eu, como bom garoto, o segui.

- Por sua causa. — falei mesmo assim.

- Eu disse que sabia. E para de falar assim, é ridiculo.

- Devo ir embora?! – Max perguntou já parecendo sentir uma viagem perdida.

- Espere eu tirar um cochilo e eu te dou atenção. — quando eu estava entrando no quarto com ele, o cretino me barrou na porta. – Vale para você também. Fora do quarto.

- Ahhh, Luther... – ele tirou os sapatos italianos, a blusa Hugo Boss e deitou-se na cama. – Que tal pelo menos um banho. – mas já me viu obedecer ao que ele diz!?

Subi na cama e sentei-me em cima dele, em seu baixo ventre para ser mais exato.

- Já providenciei isso. – falava arrastado entre os meios faróis dos olhos.

- Com quem você passou a noite?! – com o tempo, eu perdi a vergonha de perguntar descaradamente.

- Um cara. – nããããããooooo, sério!?

- Quem.

- Que parte de “fora do quarto” você não entendeu?! – colocou o braço sobre os olhos e suspirou pesado.

- Era gostoso?! Tinha quantos anos?! Era da boate?! Não acredito que você foi pra lá e não me levou.

- EU QUERIA PAZ! ASSIM COMO AGORA! FORA! Não quero, não preciso e não vou ficar grudado com você o tempo todo!

Esperei ele se acalmar. No início eu ligava muito para com quem ele saia e para os outros caras, sempre entrando e saindo daqui, dava uns pitis ridículos de ciúmes, ficava sem vê-lo, mas ele nem ligava.

Aí resolvi me juntar a ele, participei de muita loucura e tive muitas experiências. Mas agora eu estou mais quieto, percebi que eu não me interessava mais pelos outros, só por ele, o problema é que eu amadureci antes dele. Estou esperando que ele perceba a mesma coisa em relação a mim. Também ficava triste com ele gritando comigo, mas percebi que era tudo tática para me afastar... não funcionou.

Descobri que dava mais resultado me vingar dele, por causa dessas noitadas, assim, atrapalhando o descanso dele.

- Só perguntei porque... – consegui! Ele ergueu o tronco e me encarou com os olhos de sono.

- Alex...

- Simmm?! – passei meus braços por seu pescoço. Lancei meu melhor olhar e ele suspirou demorado.

- Quando eu acordar, eu prometo a você que conto tudo se você quiser, nos mínimos detalhes, como ele arrancou minha camisa... – as mãos dele começaram a subir minha camiseta e a sentirem meu corpo, meio quente, por debaixo dela. – ...Como ele me excitou. – começou a acariciar meu pescoço, primeiro com a língua depois com os lábios, e os dentes, deixando leves mordidas, sentia minha pele reagir. – Eu lembro que ele não precisou de muito esforço. – chegou a minha orelha, mordendo o lóbulo, enquanto suas mãos abandonavam minha cintura para sentirem meus glúteos. – Como ele abriu minha calça... – ele fez o mesmo com a minha, e até a baixou. Depois invadiu minha cueca e começou a acariciar meu membro, que já estava meio acordado, não precisa muito, só a voz do Luther no meu ouvido, quando ele fala arrastado, baixo e grave, já é suficiente para um calafrio me percorrer. Ouvi um pequeno riso deixar seus lábios. – Tão sensível, Alex...

Eu sentia sua mão quente, na minha crescente ereção, ainda imóvel. Meu rosto também ardia, minhas bochechas devem estar bem vermelhas, meu sangue já ferve.

- Isso é ruim?! – aproximei-me perigosamente dos lábios a minha frente retorcidos em um sorriso.

- Sabe que não. — busquei a boca a minha frente que não se fez de rogada em me receber, deixou que sua língua viesse encontrar a minha fora de nossas bocas e logo em seguida ele começou a tocar minha glande e a movimentar sua mão experiente por toda a extensão que ao longo do tempo se tornava mais úmida.

Eu gemia baixo para ele, perto de seu ouvido e, como prêmio, sentia algo crescer embaixo de mim. Ele invadiu, com a mão livre, a parte de trás da minha calça e apertou forte uma de minhas nádegas, gemi um pouco mais forte, talvez pela surpresa, eu via pelo canto do olho que ele se deliciava.

Mordeu o caminho até o meu queixo e beijou meus lábios meio abertos que buscavam, desesperados, um pouco de ar.

- Nunca me disse, Alex... você gosta disso?! – ele perguntou maldosamente perto da minha boca, aumentando o ritmo de sua masturbação. – Já fiz isso umas mil vezes...

- Eu acho que... Hhhh... meu corpo já lhe respondeu umas mil vezes... que ama isso. – e eu fui finalizado, na mão dele, que ficou lambuzada pelo meu líquido.

Ele me beijou profundamente, ardentemente... eu odeio pensar que ele beije outros dessa forma, é algo tão... meu e dele. Deveria ser.

- Satisfeito?!

Eu ri de canto.

- Acho que esse cara não é o único que “não precisou de muito esforço” para de excitar. – rebolei um pouco em cima do volume bem expressivo embaixo de mim. – Vou dizer o que aconteceu de verdade... faziam uns dias que você nem tocava em mim direito, ocupado com o trabalho, o primeiro que apareceu conseguiu se aproveitar da sua tensão fácil fácil...

- Não foi por habilidade dele?! – eu comecei a abrir a calça abaixo de mim.

- Claro que não.

- Você é muito convencido. – o sujo falando do mal lavado!

- E você adora. – eu blefei quando fui roubar mais um beijo dele e, ao invés disso, desci sentindo o cheiro de sabonete importado no corpo dele, o cara era rico.

Comecei a mordiscar o volume por cima do tecido meio molhado. Retirei sua ereção já bastante rija, lambi toda a extensão devagar, demorando-me no ápice, mais sensível, para em seguida colocá-lo quase por inteiro na boca, com leves sucções que o faziam gemer baixo com os olhos meio cerrados.

De vez em quando, arriscava encará-lo, na maioria das vezes ele também buscava meus olhos, outras vezes ele estava admirando outra parte do meu corpo, que estava bem visível, empinada, na posição que eu estava, eu me excitava só em pensar no que se passava por aquela cabeça.

O sono, o cansaço e tudo mais me ajudaram, ele rapidamente se desmanchou na minha boca e um pouco escorreu para os lençóis da cama.

Após me recompor, ele me deu um beijo rápido.

- Quem é melhor, ele ou eu?! – perguntei matreiro, olhando em seus olhos cansados.

- Precisa mesmo dessa besteira?!

- Precisa.

- Fora, me deixe dormir, agora é que estou cansado mesmo. – ele começou a deitar, mesmo eu estando sentadinho ali, na frente dele.

- Não vou te deixar dormir até... – ele levantou de súbito, já meio estressado. Hehe, sou bom nisso.

- Se quer tanto saber. – ele se aproximou do meu ouvido como se fosse um segredo. – É você. Não notou que fiquei duro só de ouvir você gemer pra mim?! – não é uma declaração tão romântica assim, mas eu não ligo para romantismo, eu adoro quando ele fala que eu sou o melhor, o preferido, que pode estar mais perto de ser o único. Mas ele devia ter parado por aqui, o que disse depois me levou de novo a estaca zero. – Era isso que você queria ouvir?! – falou desmaiando de novo na cama.

Era, era isso sim, mas queria ter a certeza de que era verdade.

Acabei levantando e me desamarrotando, já o perturbei demais, Max ainda está bem ali na sala, acho que fui bem discreto dessa vez. Eu e Max já passamos por uns constrangimentos com Luther, mas nos acostumamos. Comecei a me retirar do quarto.

- Alex. – ele disse de novo.

- O que?! – o encarei de novo para saber o que ele queria. Ele esticou o braço morbidamente até a carteira em cima do criado mudo e tirou umas notas de lá.

- O dinheiro do mês deve estar acabando, certo?! – me disse me entregando as cédulas.

- Hum. – e isso só fica pior, me vem o pai do Abel na minha cabeça “Ah, o prostituto.” As vezes... as vezes, não sé sempre, mas... eu sinto como se fosse isso mesmo. – Valeu. – ele voltou a dormir.

Eu tento afastar essa idéia quando ela me persegue. Mas é o parece.

Max estava na cadeira com seu tablet, eu passei até a cozinha em busca de comida, deu fome.

- Alex... – Max me disse da cadeira. – Pule fora desse barco.

__Lars

Léo não pôde me encontrar para o café da manhã, mas concordou em me encontrar num quiosque da praia no fim da tarde. Eu cheguei cedo, gosto do mar, me trás paz. Pedi uma água de coco e, para um domingo, a praia estava bem vazia.

O sol ia embora e nada no “pontual” Léo, mas eu já estou acostumado. Com uns dez minutos depois ele chegou. Parecia-me meio triste, não sei, ultimamente tenho enfrentado isso nele, o que não é comum.

- Por que não quis que eu te pegasse? – perguntei quando ele sentou.

- Porque eu precisava pensar...- hum. – E eu nunca estou pronto quando você chega. – disse encarando o mar e suspirando, isso é verdade.

- O que foi Léo, hoje você me parece bem mais aflito. – ele respirou fundo de novo e me encarou.

- Eu quero... terminar. – hum?! Por que... O QUE?! Até ontem estava...

- Por que?! Foi alguma coisa que eu fiz e você não gostou?!

- Não, não tem nada a ver com você. Sou eu... e não é desculpa. É sério.

- Mas, o que aconteceu para você decidir isso?! Eu achava que estava tudo bem, se tinha problema você devia ter me dito.

- Não, não, estava tudo bem... eu... eu... eu traí você ontem. – ele disse com a maior cara de culpado. Eu fiquei processando um tempo.

- Como assim. – falei meio sério, baixo.

- Eu... eu estava lá de garçom, ai me deram a rosa e eu fui servir, mas eu não sabia, aí terminou e deram vinte e cinco mil! Mas a pessoa não queria me ajudar, queria me ferrar... aí...

- Calma, calma, calma... o que?! – ele parou para filtrar as informações.

- Foi no carro dele... me deu uma carona... e a gente.... – ele parou um pouco e eu entendi.

- Minha nossa.

- Mas a gente não foi até o fim, não fomos, eu não deixei, já tinha sido muito filho da puta com você. Não era certo, eu fiquei me sentindo... mas não tem desculpa para o que eu fiz... – eu vi os olhos dele se enxerem de água. – Sei que uma coisa dessas é difícil de acreditar, mas... eu não queria... ele. – acabou escondendo a cabeça entre as mãos.

Eu sentia uma raiva fervendo dentro de mim, não queria esganar o Léo, mas o cara que fez isso, queria quebrar cada parte do corpo dele, para ouvir ele se arrepender de ter encostado um dedo no Léo.

- Quem foi?! – ele me encarou e parecia ponderar se me contava.

- Não posso dizer.

- Não pode dizer. – o ódio só aumenta. Mas eu aprendi a controlá-lo.

- Não, Lars, entenda, você o conhece e isso pode afetar a sua relação com ele...

- E daí, merda, me diga.

- Não agora, outro dia, talvez. Um dia eu conto, mas isso não tem importância, a culpa não foi dele, foi minha. E é por isso que eu quero terminar.

- Não devia ser o contrário?!

- Você quer terminar comigo?!

- Não... – ah, céus. – Eu posso... eu sei Léo, eu te conheço muito bem para saber que você me fala a verdade. Eu posso passar por cima disso. – com muito esforço, muita paciência e muito autocontrole.

- Olha Lars eu... vim pensando desde ontem e eu cheguei a conclusão de que, sem melodrama certo?! Eu não te mereço.

- Léo, não comece com esse tipo de coisa.

- Não, sério, você é um cara incrível, centrado, equilibrado, carinhoso, gentil... e eu sou uma bagunça, minha vida é sem futuro, e no primeiro teste de fidelidade já era.

- Léo...

- Eu acho que você merece alguém que te ame, Lars, como eu já tinha te dito, eu não amo você, eu gosto muito de você...

- Mas você disse que ia tentar.

- É, mas...

- Só não foi um bom começo. – ele deu um sorriso e me olhava carinhosamente.

- Você é maravilhoso, Lars. – não comece.

- Você ta terminando comigo para ficar com esse cara? – pelo menos eu entenderia o fato de tê-lo perdido pra alguém que ele estivesse afim, não ficaria feliz, mas seria melhor do perdê-lo simplesmente pra culpa.

- Não! – mas foi como dar um soco nele, eu acho. – Eu o odeio, principalmente agora... depois disso tudo...

Então...

- Não se contra muitos caras maravilhosos por ai. – falei já meio que perdendo as esperanças.

- Eu sei...

- Se sabe, então... pelo menos pense nisso, eu vou esperar. – é o que vai dar pra fazer de qualquer forma.

Ele só sorriu sem graça e levantou.

- Desculpa.

E foi embora.

Eu fiquei pensando nisso a noite toda, provavelmente porque o amo. Mas eu também tentei analisar as possibilidades de quem seria esse cara. Eu o conheço, Léo o odeia... atrapalhar minha relação... ele realmente acha que eu estava preocupado com isso?!

Tinha comprado a garrafa da minha vodca preferida e ela já estava na metade. Eu não consigo ter laços com muitas pessoas, quando eu estudava aqui, Léo era a pessoa que eu realmente gostava, tínhamos uma excelente amizade, depois evoluiu e no auge dela eu fui estudar fora. Eu tenho a impressão que se eu tivesse continuado aqui, a gente tinha dado certo. Isso é o inferno!

Quem poderia ser esse cara, ele termina comigo sem me dar uma explicação, eu tenho todo o direito de achar uma história dessas estranha, mas eu sei que o Leo não é inventar esse tipo de coisa, mas se eu descubro quem foi...

Acabei quebrando meu copo na mão, apertei demais e o copo era fino, sempre esqueço de beber em copo de whisky, minha mão sangrava, mas não é a primeira vez que acontece.

Léo era o único... por quem eu realmente sentia alguma coisa, que eu acreditava ser amor.

Luther entrou no meu apartamento com tudo e parecia não ter me visto, foi até meu quarto e eu fiquei enrolando minha mão na gaze. Depois de alguns minutos ele voltou. Me olhou com aquela cara de desinteressado.

- Cadê aquela sua pomada para queimadura?! – me perguntou finalmente vendo que eu fazia um curativo. – Que foi isso?

- Eu quebrei o copo... – ele olhou para cima do balcão e eu peguei a pomada da caixinha de primeiros socorros e dei para ele.

- Hum... aconteceu alguma coisa?! – ele disse recebendo a pomada.

- Nada de mais... Léo terminou comigo.

- Certo. Aproveite a vida de solteiro agora. E como quebrou o copo?!

- Eu... apertei demais, o copo era fino...

- Aquilo é fino?! AH... – ele disse com aquele sorrisinho convencido, e os olhos mel me fitando acusadores. – Um daqueles acessos de raiva.

- Já estou bem.

- E depois eu sou o desequilibrado da família.

- Para que quer a pomada?!

- Alex derramou água quente na mão.

- Ele está bem?

- Estava choramingando quando eu saí com a mão debaixo da torneira. Vou subindo.

- Tchau.

Ele saiu e eu continuei a pensar se eu tinha parte da culpa, se o Léo realmente merecia tanta concentração... coisas assim. Mas a garrafa de vodca acabou mais rápido do que eu esperava.

No dia seguinte eu não estava muito bem, minha cabeça me matava mesmo depois de tomar dois remédios para ressaca e três garrafas d’água. Esforcei-me para vir com uma boa impressão para a universidade. Mas não estou muito bem hoje, não sei se vou ter muita paciência com aqueles malditos alunos da sala.

Ainda estou esperando ele me ligar dizendo que mudou de idéia.

Subi as escadas e entrei na sala, eu sou muito azarado mesmo, hoje é um dos poucos dias que a sala está lotada, todos vieram, esses são dias raros. Mas eu realmente não estou bem, sentei na cadeira que fazia par com a minha mesa.

- Hoje quero que vocês leiam o capítulo trinta e oito e me apresentem um resumo no fim da aula. Se não der tempo, recebo na próxima.

Os alunos começaram a conversar e alguns ainda abriram o livro pra começar o trabalho. Estava muito barulhento, minha cabeça ainda não estava muito cem por cento e barulho agora não era o que eu queria.

Saí de fininho para a sala dos professores, eu estou meio deprimido sim, Léo era realmente a única pessoa que eu realmente gostei até hoje, até agora não acredito no que aconteceu. Mas eu comecei a ficar chateado com ele, como ele não conseguia resistir aquele tipo de coisa. Aqui estava bem calmo, silencioso. Fiquei lá até a tarde.

- Professor. – Eros estava parado na porta, com aquele meio sorriso que nunca saia do rosto dele. Ótimo, era tudo o que eu precisava. – Parece bem indisposto.

- Só um pouco de dor de cabeça.

- Sei. – ele entrou e fechou a porta. – Noite proveitosa?!

- Não quero falar sobre isso. – principalmente com Eros.

- Vamos lá. Desabafar faz bem.

- Porque não larga do meu pé, Eros... tem gente mais interessante para você perseguir.

- Eu vim oferecer um ouvido amigo e você me trata com quatro pedras na mão. – ele sentou-se na mesa a minha frente. – Vai, fala, conversar ajuda.

- Léo terminou comigo. – não só por isso, mas é o principal. Ele deixou um risinho sair.

- Que bom pra você... mas não é motivo para ficar assim. Por que ele terminou com você? Parecia tão apaixonado e cuidadoso, até me ameaçou uma vez.

- Parece que ele... nem sei direito.

- Traiu você?! – como ele sabe? — Não é motivo para ficar tão pra baixo. Isso acontece sempre. Nessas horas... a gente dá o troco. – ele disse se apoiando nos braços da minha cadeira e deixando o rosto bem próximo do meu.

- Não o namoro mais, não tem troco nenhum... e não sou tão infantil a ponto de fazer isso.

- Que pena.

- Já disse para ir procurar outra presa, não caio nos seus joguinhos.

- Mas não estou brincando, professor. – ele disse me lançando um olhar bem sedutor, eu não sei se foi de propósito ou se era natural, como muitas outras coisas que me impressionam nele. Mas essa insistência comigo, com tantos outros caras mais interessante por aí, e que com certeza o aceitariam de joelhos, o fato de morar com o Léo, o fato de ser meu aluno e... — Espera. – tudo parecia fazer sentido.

- O que?!

- Foi você!

- Eu o que.

- O que fez com o Léo?!

- Do que está falando?!

- Você sabe muito bem. Já disse que não quero nada com você e mesmo assim você chegou ao ponto de acabar com meu namoro! – os olhos dele cresceram alguns centímetros. — Léo me falou de você, aquele seu amigo também... eu devia ter ouvido. Diz alguma coisa!

- Eu não... tá certo então. – ele disse baixando a cabeça e erguendo-a num suspiro, se afastando da cadeira. – Eu já não devia me impressionar com esse tipo de coisa. – falou mais baixo e voltando a se encostar-se à mesa. – Eu não acredito que ele terminou mesmo com você... que idiota, só por aquilo. – ele voltou a sorrir sarcástico

- O que você fez?! – confesso que dessa vez não me controlei, uma de minhas mãos se fechou na blusa dele o encostando muito mais na mesa. Ele me olhou surpreso, mas sem perder o sorrisinho de antes.

- Não sabia que era tão violento, professor... – eu estava me segurando para não dar-lhe um soco ali mesmo. — Parece que esse rostinho monótono esconde muito mais coisa do que aparenta. – eu fiquei meio balançado depois disso.

- Não mude de assunto! O que você fez...

- Acha que eu vou te contar?! – ele se livrou na minha mão e saiu do meu alcance. — Não, não... o que eu posso dizer é... ele adorou. – falou a ultima parte bem baixo e provocante.

- Não acredito que chegou ao ponto de fazer uma coisa dessas, tudo que ouvi é verdade é narcisista, promiscuo, irresponsável, cheio de vontades e à merda com os outros! Faz qualquer coisa para ter o que quer, certo?! Até estragar a vida dos outros! Não adianta! – ele me ouvia atentamente.

- Decorou direitinho tudo o que dizem sobre mim.

- Dê o fora da minha sala! – eu estava para voar no pescoço dele e um minutinho a mais seria fatal.

Ele saiu me mandando um beijo mudo.

Filho da mãe. As cenas da conversa da tarde ficaram passando na minha cabeça e a conversa com Léo também, eu começava a ficar ainda mais chateado com o moreno que escondeu esse fato.

No dia seguinte... Eros não apareceu na minha aula. Foi o único que faltou. Mas alguém precisava falar alguma coisa... ah, que merda.

E a noite eu não resisti, fui ver o Léo, ele estava na pensão, pedi permissão para entrar e um dos donos deixou, sempre achei esse lugar bem simpático.

Na ultima porta, o rapaz que eu queria encontrar estava deitado na cama olhando o teto, com algumas folhas de jornal espalhadas pelo quarto, algumas propostas de emprego estavam marcadas. Acho que ele tomou um susto quando me viu na porta do quarto.

- Lars?!

- Por que não me disse que era o Eros. – sem enrolação.

- O que?

- O cara que fez... não sei o que com você! Como se eu ligasse, Léo, para que tipo de relação eu teria com o Eros! Você devia ter me dito...

- Ei, ei, calma... – ele veio até mim com uma expressão confusa e ajeitou a minha gola.

- O que você está falando?!

- Do motivo pelo qual você terminou comigo.

- O que Eros tem a ver.

- Eu já sei que foi ele. – ele desviou os olhos de mim meio impressionado, depois voltou.

- Não foi ele.

- Léo não precisa esconder... ele admitiu.

- Admitiu?! Ele disse o que fez comigo?! – pensando agora.

- Não. Recusou-se.

- Mas você o odeia e é uma pessoa que eu conheço e... – mas ele não tem carro e não tinha como dar carona... certo?! Ele mora aqui!

- Eu realmente odeio o Eros e é recíproco, eu duvido que ele chegasse a esse extremo com a minha pessoa em especial... você o acusou?! – de repente... me veio a cara atônita do rapaz ouvindo a tudo o que eu dizia.

- Ele admitiu. Ele confirmou que tinha feito.

- Não foi ele. Você acusou errado. – e agora... como ele... por que ele disse que foi ele?! E por que eu não me controlei, o que foi aquilo tudo que eu disse?!

- Eu disse muita coisa...

- Bom, ele está aqui no quarto ao lado... e com certeza ele já sabe que você está aqui, as paredes são finas. – ah... com tudo o que disse aqui, melhorou muito a minha situação.

Depois de tentar convencer o Léo mais uma vez e de falhar eu estava parado na penúltima porta do corredor. Não tinha jeito, eu tinha que me desculpar, dei dois toques na porta.

- Eros?!

- Pode entrar.

Ele estava só de toalha no quarto. Entrei e fiquei de costas prontamente.

- Achei que podia entrar. – disse meio ríspido.

- E pode. – ele falava mais sério que o normal, ou é só a pressão me fazendo imaginar coisas.

- Você estava se vestindo.

- Não ligo. A que devo a honra de tê-lo em meu quarto?!

- Bom... – ele já vestira a roupa de baixo, e eu tentava resistir à vontade de olhar aquele corpo notável praticamente exposto na minha frente. Mas não adiantava meus olhos me desobedeciam, a minha sorte é que aparentemente ele não percebia, acho que se tivesse percebido já estaria fazendo piada. – Acho que lhe devo um pedido de desculpas.

- Pelo que?! – disse abotoando a calça jeans escura e justa.

Não, eu não estava apenas olhando, eu o estava comendo com os olhos.

- Pela acusação de ontem à tarde. Porque não se defendeu?!

- Porque me acusou de modo tão firme que eu acreditei mesmo que eu tinha feito... sei lá o que.

- Desculpe.

Pela primeira vez ele me fitou, com os olhos azuis celestes e com o sorrisinho que tanto combina com ele.

- Você me ofendeu profundamente, professor. – eu nunca sei se ele fala sério ou não, mas o modo como ele falou me fez sentir péssimo. Jogou umas oito blusas em cima da cama.

Ele tem as duas covinhas bem definidas... não, não falo daquelas na bochecha.

- Eu sei, meu pedido de desculpas incluía isso também.

- Não sei... acho muito pouco. – disse vestindo uma blusa sem mangas de botões. – Me admirei com o modo que você quase me bateu.

- Eu exagerei.

- Não se preocupe, você não é o único que sabe brigar... – bom saber que ele revidaria. – Como estou?! – ele disse se referindo a roupa.

- Muito bem. – falei tentando disfarçar o quão impressionante ele estava, eu tentava disfarçar, sempre tentei não dar muita atenção ao Eros, mas já me peguei várias vezes o admirando de longe... tem horas, que ele parece ficar tão sério.

- Muito bem não é excelente ou perfeito. – disse avaliando as outras blusas. Blusas caras... onde ele arranja dinheiro para isso... eu já ouvi... coisas.

- Como... consegue dinheiro para comprar essas roupas. – ele me olhou prontamente.

- Não, professor... – disse suspirando. – Não sou garoto de programa como você ouve por aí. Nem vendo drogas... já ouvi isso também.

- Hum. – ele disse pegando uma blusa com mangas. – Não, sério, essa roupa está excelente, não é muito vulgar e ainda assim o deixa... – sexy, gostoso, desejável...- interessante o suficiente.

- Ah... – ele disse começando a guardar as roupas de novo, pegando a carteira e vindo na minha direção. – Professor... nem tudo o que falam de mim é verdade, acho que já disse isso... metade da fama que eu tenho devo a Olivier com quem já o vi conversando diversas vezes, eu aproveitei algumas coisas das quais ele espalhou sobre mim... – parou na minha frente de braços cruzados. – A outra metade devo a caras que não souberam ficar sem mim. – muito convencido. – Mas estou disposto a deixar você me conhecer e formar sua opinião.

- Como assim.

- Aceito seu pedido de desculpas se você me levar para jantar...

- O que?!

- Em um bom restaurante, não me venha com coisa de quinta.

- Mas você é muito...

- E se me der uma carona agora. O que acha?!

- ...tudo bem. – não consegui dizer não.

- Deixo você escolher o dia.

Disse saindo do quarto e eu o segui. No carro conversamos pouco, ele tinha me pedido para deixá-lo em uma rua próxima ao meu apartamento. Ele falava pouco, mas tinha postura, não era todo molenga no banco, nem todo elétrico como o Léo, era incrivelmente calmo, tinha a voz suave que combinava com o clima do carro.

AH, bem, mas nem tudo são flores. A rua na qual me pediu para deixá-lo fervilhava de gente para entrar em um dos maiores clubes da cidade, e era no meio da semana! Mas parece que essa é a avenida mais badalada dos jovens... jovens... como se eu fosse um velho!

- Não é um programa muito pesado para um estudante no meio da semana?! – falei avaliando as peças que passavam por frente do meu carro.

- Não se preocupe estarei amanhã na sua aula, com certeza. – passaram uns caras meio esquisitos... ele já estava pulando fora.

- Tenha cuidado. – ele me olhou e me sorriu.

- Não se preocupe, sei me cuidar. – e me deu um beijo na bochecha, apoiou-se perigosamente no inicio da minha coxa, não sei se foi de propósito. E saiu do carro. – Então... já decidiu o dia?!

- Sexta.

- Combinado. – a porta fechou e o barulho ficou do lado de fora.

Não devia ter aceitado esse negócio de jantar... eu me desculpei, não devia ser minha preocupação ele me desculpar ou não, fiz minha parte. Mas, não sei, não consegui negar, minha curiosidade de conhecê-lo um pouco, já ouvi tanto e observei tanto... e eu o ofendi, isso, tenho por obrigação fazê-lo me desculpar.

Pronto. E esse é o principal motivo.

Notas finais
hoje o calor desnaturou minha inspiração para notas finais,
Cody: que pena
Léo: tadinha, vou buscar água.
Eros: fresca.
Téo:...
Alex: ta bem então.