Inimigos Íntimos

5 Encontro (revisado)


Notas iniciais
Olá digi-lindos! Vocês sabiam que existem fatos da cultura japonesa que se fossem ser seguidos a risca na ficção, os animes seriam horríveis? Pois é. Dizem que "nem todos, pois cada individuo é único e jovem é jovem em qualquer lugar do mundo, mesmo nos mais regrados' mas rezam as grandes lendas que os jovens japoneses não se sentem a vontade de conversar com adultos. Se você adora conversar horas com aquela amiga maneira da sua mãe, com alguém que pega ônibus contigo, seu professor ou professora preferida, o personal treine da sua academia, imagina isso sendo tirado de você? Sendo mal visto ou coisa assim? Pois é, nem tudo são flores na cultura japonesa. Tem escolas onde alunos mais novos SÃO PROIBIDOS de falar com os mais velhos. Ainda bem que aqui tudo é ficção, livre, leve, solto e com certeza muito mais divertido

POV Miyako

Apertei Poromon em meus braços ao assistir a emocionante partida. Ainda nutria dúvidas sobre o porquê Ichijouji tinha olhado para mim daquela maneira, seria coisa da minha cabeça? Talvez eu seja parecida com alguém que ele conheça. O estranho foi essa sensação de familiaridade. Em meu peito ardia um misto de empolgação e espanto. Confesso que no primeiro tempo ele não pareceu ser assim tão incrível e, na verdade, o Daisuke até marcou um gol.

O primeiro tempo transcorreu moroso. Cheguei até a pensar que Ichijouji não era tudo aquilo que a mídia forçava, que talvez se tratasse de um jovem espetacular fake para incentivar adolescentes a serem mais esforçados. Aqui no Japão existe muito disto, as pessoas estão sempre buscando alguém para se espelhar, os pais precisam de uma personalidade para apontar para os filhos e exigirem que sejam iguais, os alunos carecem de um colega com capacidade elevada para ser destaque e estes estarem sempre a lutar para alcançar seu nível. Por isso desde criança Ichijouji ganhou tanta notoriedade.

Enquanto eu cogitava sobre a performance do time profissional, que jogava pelo estado em campeonatos nacionais contra um time amador de alunos que só competem para representar a cidade e a faculdade, mesmo que alguns ainda tenham esperanças de que surgisse um olheiro e os escalasse para a equipe nacional, o segundo tempo iniciou. Dessa vez Ichijouji pareceu ter lido minha mente e mostrou que no primeiro tempo só estava brincando, marcando 9 gols, não dando tempo nem para o time rival respirar.

O idol gênio estava prestes a marcar o glorioso décimo gol, mas por algum motivo ele parece ter se distraído e foi pego de surpresa por Daisuke com um carrinho que o fez comer grama. Todos se levantaram estarrecidos, as fãs loucas gritaram sua preocupação e o fim do jogo foi apitado.

…

Mas parando de sonhar com o ídolo e focando no meu gatinho da realidade. Depois que o otário-kun tomou um banho, a galera inventou de almoçar junto mas eu já tinha compromisso, o que causou curiosidade. Óbvio que eu não contei, se nada der certo caberá somente a nós dois lidarmos com um possível mal estar. Escapei da curiosidade dos meus amigos e corri para o meu armário, peguei o cooler e parti para a sala de informática sendo recepcionada com um sorriso caloroso do meu crush.

— Ah, então é esse o segredo da Miyako-chan? — Poromon fez uma pausa dramática.— O perfume de patricinha, o tempo para escolher o que vestir e o tanto de comida gostosa que ela trouxe. Isso é o que? Um ritual de acasalamento humano?

— Poromon, cala a boca! — ordenei, quase morrendo de vergonha.

— Eu estou falando sério, ninguém vai para um encontro romântico levando o parceiro digimon, podia ter me deixado com a Hikari-chan. Não quero segurar vela!

— Pára com isso Poromon, ta me deixando constrangida!

— Err… Qual é o plano, Miyako-chan? — Koushiro-senpai desconversou ao perceber meu desconforto.

Fechei a porta, trancando-a, enquanto explicava o plano.

— Tentomon nos espera na área escolhida, às coordenadas já estão salvas na minha conta, é só logar, abrir o portal e curtir o dia no Mundo Digital. — aproximei-me e inclinei para digitar a senha. — Alguma objeção?

— Não, nenhuma, estou de acordo!

— Hm… Pensei que fosse dizer “não é seguro curtir o dia no Mundo Digital em tempos de guerra”. — tentei imitar sua voz.

— Na verdade eu ia dizer, mas fiquei com medo de parecer chato. Além disso, te conheço o suficiente para prever que você já teria algum argumento para isso.

Sorri pelo nariz e abri o portal.

— Então vamos, senhor vidente! — rebati em tom brincalhão. E, de fato, criamos essa afinidade de um sempre saber o que o outro vai dizer.

“Digiportal abra, digi-crush aí vamos nós”. Só quero deixar claro que isso foi só em pensamentos, na verdade eu só abri o portal, caladinha.

Passamos pelo portal e minhas roupas não mudaram, com o tempo aprendi que meu D-3 dá forma ao meu desejo e, essas aqui estão ótimas para curtir o dia.

Chegamos à área florestal e Tentomon já nos aguardava, Poromon assumiu a forma de Hawkmon e começou a voar desenvolto. Fiquei maravilhada com a variedade de plantas exóticas, sentindo o quanto vale a pena proteger esse mundo cheio de mistérios e beleza. As vezes é desgastante, nos atrapalha na vida pessoal, mas fomos escolhidos e sabemos que o Mundo Digital tem forte conexão com o nosso, se ele cair o nosso também cairá, então...

— Eu levo isso! — declarou o senpai.

— Não precisa bancar o cavalheiro só porque estamos em um encontro... — ambos ficamos constrangidos com o que deixei escapar.

— ENCONTRO? EU SABIA! Porque não me disse, eu teria ficado em casa sem nenhum problema, não estou a fim de ser um “empata foda”!

Kami, meu mundo parou, onde Hawkmon aprendeu a falar uma coisa dessas?

— Hawkmon! Onde aprendeu uma expressão tão grosseira? — questionei atônita.

— Ouço suas irmãs conversando e elas chamam quem fica no meio de um encontro por esse apelido. — Explicou naturalmente.

— Nunca repita as coisas que os meus irmãos dizem. — voltei minha atenção para Koushiro-kun. — Sinto muito...

— Ah, não por isso. Não se preocupe!

Os Digimons começaram a voar mais à frente à procura de um bom lugar. Andamos lado a lado na trilha de pedra, a brisa passeava sapeca esvoaçando nossos cabelos. Eu não tinha nada em mente para iniciar um assunto, sentia como se pedras de gelo estivessem sobre meu estômago, enquanto meu peito se aquecia direcionando calor para as minhas bochechas.

— Então... Estamos em um encontro? — A pergunta me pegou de surpresa.

— Ah, eu não sei definir. Me diga você! Estamos? — Devolvi a pergunta e ele pigarreou, pândego.

— Como foi lá, com o “grande Ichijouji Ken”? — A inquirição veio acompanhada de aspas ao citar o idol.

— Ah, o cara é mesmo incrível. — Eu não posso mentir, não combina comigo.— Brincou no primeiro tempo e no segundo parecia só existir ele em campo.

— Ah, é? Tão incrível assim? Eu esperava que a beleza dele fosse photoshop e que no fundo ele nem fosse tão bom nos esportes. Mentira, eu torci mesmo para que ele fosse acompanhado pelo namorado.

— Namorado? Meu Kami, ele tem um namorado?— freei o passo, estarrecida. Sabem, aqui no Japão a homossexualidade não é aceita como em outros países. Existe? Sim, mas é bem camuflada, disfarçada, escondida. É por isso que os artistas que criam animes e mangás Yaoi, exageram na quantidade. Se Ichijouji fosse gay assumido, seria tipo, banido do país.

— Não que eu saiba. Isso foi somente minha torcida interna. — Clarificou zombeteiro.

— Que maldade! Não se preocupe, eu aposto que ele tem uma unha do dedão do pé cabeluda, coça o saco e tira meleca do nariz.

— O que? Isso não seria normal? Meu Kami! Juro que vou parar a partir de hoje.— ergueu as mãos em sinal de rendição.

— Ecaaaa! — Dei um tapa em seu ombro. — Seu bobão, isso não tem graça. Agora te imaginei fazendo isso.

— Ah, não, deveria ter escondido até depois do casamento. Droga! Sou um idiota. — tapeou a testa, divertido.

Rimos um tempo com o assunto bobo e... Espera, casamento? Diante dessas palavras confesso que senti minhas bochechas ficando quentes, será que ele também se perde em planos bobos para o futuro?

— Nee, Koushiro-kun… acredita mesmo… acredita mesmo que eu seria uma boa esposa? Mesmo temperamental, explosiva, tagarela e às vezes, fazendo tudo errado. — Paramos embaixo de uma clareira. — Só quero dizer, err... eu não sou como uma Yamato Nadeshiko e nem tenho a intenção de ser algum dia, entende?

— Yamato Nadeshiko? Por Kami, eu tenho cara de quem gosta de mulher submissa e tradicional? Quero uma namorada, uma esposa forte, de opinião e não um animal adestrado. Não me importo que você seja temperamental, geniosa, afobada… Nem acho que sejam defeitos. Tudo isso forma sua essência, sua personalidade e ela é única. Neste mundo de garotas robôs ortodoxas, você se destaca e brilha.

— Não imaginei que pensasse assim. — constrangida, eu brincava com uma mecha de cabelo entre os dedos.

— É porque eu sou bom em esconder meus sentimentos e fiquei muito tempo procurando teorias para justificar o que sinto; poderia ser porque você é a única que entende minha língua e eu estava cansado daquele olhar de “mas do que ele está falando” que a galera toda lançava durante algumas explicações, contudo, é mais que isso… Eu gosto do seu cheiro, da sua voz, de como gesticula, das expressões faciais que faz quando está pensativa.

— Se quer saber... — suspirei — A recíproca é verdadeira. — posicionados frente a frente, nos olhamos demoradamente.

— Você quer… — começou.

— Hey! Encontramos um lugar perfeito! — Tentomon e Hawkmon quebraram o momento.

— Sim, vamos... — Suspirei desapontada, eu queria tanto ouvir “o que eu acho que ele ia dizer”. Sinto que ele também estava ansioso para dizer “aquilo”.

Seguimos nossos parceiros e realmente eles capricharam no local. Sob uma enorme árvore de copa farta e tronco robusto, a grama estava baixa, como se tivesse sido aparada. De um lado éramos contemplados com um vasto campo de flores variadas a se perder de vista, de outro um lago de água cristalina, cujo fundo esverdeado chegava a ser visível em sua superfície. Contemplei toda aquela beleza, o céu estava tão azul, o sol brilhava forte, entretanto, uma brisa refrescante corria serena balançando a relva e esvoaçando nossos cabelos.

— Podemos nos sentar aqui. — Fui tirada do meu deslumbre e meu rosto queimava quando senti Koushiro-kun me puxando pela mão.

Paramos sob a árvore e estendemos a toalha, começamos a retirar os alimentos de dentro do cooler e organizar. Os Digimons vibravam de empolgação ao ver os doces variados, já começando uma divertida discussão sobre o que comer primeiro.

— Vou pegar esse cupcake aqui! — Informou Tentomon, voando para pegar um doce.

— Nada disso! — O parei, usando o indicador em sua fronte. — Comida saudável primeiro!

— Ah… Tá legal. — Ele respondeu tão lamentoso que todos começamos a gargalhar.

— Antes que ataquem a comida, vamos tirar algumas selfies! — Sugeri empolgada e todos caíram com gotinhas sobre a cabeça.

Várias fotos depois, higienizamos as mãos e atacamos a comida.

Estava sendo muito divertido, recebi muitos elogios pela culinária, posso ser desastrada em muitas coisas, mas eu gosto de comida, como não saberia cozinhar? Além disso, eu sou caçula de três irmãos, sou quase uma Cinderela, lavo, passo e cozinho... Tá bem, foi um pouco de exagero, mas como última a nascer as coisas não são muito facilitadas pra mim. Agora que meu irmão é casado e minhas irmãs se mudaram, estou mais folgada.

★。+゚☆゚+。★

Os Digimons ressonavam tranquilos sobre a toalha, após a refeição. Também não resistimos a esticar os corpos e contemplar o céu.

— Poderíamos olhar nuvens no céu… Mas não tem nenhuma. — Observou Koushiro-kun.

— Lembra o que aconteceu da última vez que paramos para olhar as nuvens?

— Claro que lembro. Foi no parque central de Odaiba, combinamos com a galera, mas ninguém apareceu. Lado bom foi que a comida ficou toda para nós, sem a Hikari-chan por perto e sem o resto da turma acabamos conversando e nos conhecendo mais. Lado ruim foi o seu irmão ter aparecido e pensado que era um encontro. — Começamos a rir com as lembranças.

— Tirando o escândalo que o Mantarou-oniisan fez, aquele dia foi maravilhoso. Hey! Que tal explorarmos o lugar, ou vamos adormecer como os nossos parceiros.

Recebi menear confirmativo de cabeça e nos levantamos para caminhar pelas imediações, conversando sobre a beleza e mistérios do Mundo Digital, até chegarmos ao assunto “Digimon Kaiser” e seus supostos motivos para querer dominar e destruir este lugar. Nós supomos que ele seja um jovem comum no mundo real, que tem responsabilidades com trabalho, faculdade e por isso não deve poder ficar aqui em tempo integral.

— Não vamos falar desse imbecil! — Dei de ombros, começando a colher algumas flores, a fim de fazer uma coroa. — Vamos falar de hoje, do agora.

— Tem razão. Está sendo muito agradável o passeio. O que está tentando fazer?

— Ora, não é óbvio? Encontro romântico, piquenique em toalha xadrez… Helo-ouu... estou tentando completar o clichê com a coroa de flores, mas não é fácil como nos filmes!

Ele deu um sorriso gostoso.

— Só você mesma, Miyako-san. Não é tão simples assim, é preciso ter ao menos três cipós finos e maleáveis, depois medimos antes de começar a entrelaçar, montando um círculo. As flores escolhidas devem ser cortadas com caules grandes e…

— Você sempre tem soluções precisas para tudo?

— Para quase tudo… — Ele se aproximou, acariciando meu rosto. — Algumas coisas não possuem soluções precisas.

— Ah é? Como o que, por exemplo?— Sussurrei me aproximando mais. Concentrei-me nas onix expressivas a fitar-me e as palavras se perderam…

Infelizmente a brisa sapeca soprou meus cabelos, jogando-os como uma cortina a cobrir o rosto. Gentil e paciente, Koushiro guardou as mechas para trás das orelhas e acariciou-me a face, tornando a aproximar-se, mas uma rajada forte de vento arremessou folhas e flores contra os nossos rostos.

— Isso só pode ser brincadeira! — Comentou entre tosses e gargalhadas e também tive uma crise de risos, aquilo era inacreditável.

— Vamos sair daqui antes que a gente se engasgue com as flores. — arrastei-o para fora do campo, em meio ao vento forte, as folhas e pétalas das flores, voando contra nós. — Parece até que estamos sendo atacados por um Digimon tipo planta. — Corremos gargalhando.

Embrenhamos pelo bosque, correndo em meio às árvores, sobre o vasto tapete de folhas secas, em tons de ocre, marrom, amarelo e laranja e, essas também esvoaçavam com o vendaval. Á medida que a floresta se tornava mais densa o vento perdia a força.

Paramos na mesma clareira sob a qual conversamos mais cedo e gargalhamos até o riso cessar.

— O que foi aquilo? — Indaguei embasbacada com o ocorrido.

— Eu realmente não sei, mas acho que o campo de flores nos expulsou. — Respondeu limpando as folhas e flores que grudaram nos meus cabelos. Retribui a gentileza.

Com esse contato, acabamos por quebrar a distância, suas mãos saíram dos meus cabelos e deslizaram para meus contornos faciais, nem apercebi-me de que nossos lábios já estavam a centímetros de distância. Então… meu peito apertou e alguns questionamentos vieram assombrosos, abalando minha mente. Julguei que o melhor era ser sincera.

— Tem certeza que isso é o que você quer? — Não foi nada romântico, mas eu tinha que perguntar.

— Tenho total certeza, por quê? Você não quer? Se for isso, eu entendo e respeito.

— Eu quero. — Dei uma longa tragada de ar, soltando com dificuldade. — Só não quero perder o que nós construímos ao longo desses anos de proximidade. Tenho medo porque vejo pessoas namorarem por anos e depois terminar e nem olham mais umas para outras. Não quero que isso aconteça!

— Não creio que vá acontecer. — Acariciou meu queixo. — Não vou te magoar Miyako-san e nem creio que você venha a fazer algo assim. Se algum dia o vento mudar nossos caminhos, não precisamos deixar morrer o que somos um para o outro hoje.

— Antes de qualquer coisa, somos amigos. Se as coisas não…

— Seremos amigos, sempre… Sempre! — Enfatizou segurando meu queixo. — Em primeiro lugar. Não vamos nos perder, não vamos perder nada. Sabe por quê? Mesmo que sejam memórias, experiências, sempre estaremos ganhando de alguma forma… Eu prometo…

Aquela promessa era tudo que eu precisava ouvir. Sim, eu sou assim mesmo, não tinha ponderado que poderia perder meu melhor amigo, que romper aquela barreira poderia ser algo sem volta. Não pensei em nada, me deixei levar e só fui analisar na última hora, começando a entrar em pânico, mas creio que ele já previa isso também, me entendendo e acalmando-me.

Nos olhamos por um tempo que pareceu uma eternidade, seus dedos deslizaram pelas maçãs do meu rosto, contornando os lábios. Nossas respirações se colidiram causando cócegas prazerosas.

— Você quer ir ao festival comigo… Como minha namorada?

— Sim! Eu quero! — Me joguei contra ele, envolvendo os braços em torno de seu pescoço. Koushiro correspondeu, afável, me enlaçando pela cintura.

Colamos nossas frontes e nos encaramos com um sorriso bobo. Senti seus dedos deslizando sutilmente pelos meus cabelos e alcançando a nuca. Em uma sincronia quase que ensaiada nossas cabeças meneiaram-se à procura do encaixe perfeito para os lábios, os quais se encontraram curiosos.

Não gosto de ser dominada, mas deixei que ele cadenciasse o ato, me entregando as sensações. Por alguns momentos a minha mente embaralhou, o mundo à nossa volta pareceu girar em câmera lenta, eu que sempre impliquei com coisas clichês estava completamente entregue a um momento tão “filme romântico” e sinceramente, não queria que fosse diferente, estava perfeito demais, porém...

Bem… Nem só de momentos românticos com meu melhor amigo e companheiro de pesquisas digitais, que agora é meu namorado, é feita a minha vida. O dever chamou.

Meu D-Terminal apitou com uma mensagem.

“Precisamos da sua ajuda, não te encontramos em lugar nenhum, então rastreamos o sinal do seu D-3, pode, por favor, atravessar o portal, estamos na sala de informática.

Iori Hida!"

— Droga! — Praguejei olhando a mensagem.

— O que houve? — Koushiro-kun perguntou confuso.

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E lá estávamos nós, de volta ao mundo real. A princípio todos lançaram olhares sugestivos, mas antes que os questionamentos começassem, Iori-kun chamou a nossa atenção:

— Vejam aqui!— Apontou para a tela, as áreas onde Kaiser dominava são todas negras e as áreas livres são brancas, em meio a uma imensa área branca havia um único ponto escuro.

— Isso é uma Torre Negra? — Questionou Daisuke.

— Não estava aí ontem... Surgiu do nada. — Observou Takeru-kun.

— Então foi construída à noite. — Deduziu Hikari-chan. — Uma única Torre construída na calada em um lugar remoto, isso não faz sentido! Kaiser tem um padrão de dominação territorial, isso quebra completamente seu parâmetro. Por quê?

— Mas que tipo de lugar é esse? — Perguntei curiosa. — Sabemos que ainda podem existir Digimentals a serem encontrados, nem imagino o que aquele louco poderia fazer se encontrasse tamanha fonte de poder.

— Death Valley, que significa vale da morte... — Respondeu Koushiro-kun, analitico. — Mas o curioso é que não há nada neste lugar, nenhuma emanação de energia suspeita.

— Está sugerindo que é uma armadilha? — Preocupou-se Takeru-kun.— O que Digimon Kaiser pode querer com isso, afinal?

— Ou ele poderia ter criado um ponto de apoio a fim de expandir a partir dali. — Ponderou Iori-kun, coçando o queixo.

— De qualquer forma, precisamos agir. Não podemos ficar aqui formulando teorias enquanto ele está tramando sabe lá o que. — Daisuke falou entre os dentes.

— Neste caso é melhor que ao menos um de vocês fique aqui para servir de apoio caso precisarmos da ajuda de Taichi e os outros, eu não teria como abrir o portal sem o D-3! — Sugeriu Koushiro, cauteloso.

Conversamos brevemente sobre o assunto, quando mas ninguém sentiu muita necessidade de ficar, então decidimos que todos iríamos juntos.

— Hey, isso aí é comida? — Questionou Chibimon cheirando o cooler e o restante dos Digimons esperaram a resposta com olhos brilhantes.

— Ah, bem… Sobraram alguns doces. — declarei.

— Eu quero! — Gritou Patamon, saindo de cima da cabeça de Takeru-kun.

— Eu também! — Upamon também voou em minha direção.

— Eu também. —Tailmon correu para perto.

Coloquei os doces sobre a mesa e eles atacaram feito praga de gafanhotos, como se não comessem há dias. Até Poromon que já tinha comido, guloso.

— Vocês não alimentam seus parceiros? — zombeteira, provoquei meus amigos.

— O mais assustador é que eles acabaram de comer. — Hikari-chan afirmou entre risos.

— Queria saber para onde vai tanta comida... — Iori-kun comentou, observando a euforia dos monstrinhos, enquanto eles quase devoravam as embalagens das guloseimas.

Começamos uma pequena discussão sobre o quanto os Digimons comem e gastam calorias com rapidez e assim que eles terminam de comer, Koushiro-kun já estava com as coordenadas corretas, nos posicionamos frente à tela e ergui meu dispositivo.

— Digiportal abra! Digiescolhidos aí vamos nós! — Falei a clássica frase e logo fomos sugados pelo portal, dessa vez, como era meu desejo, as roupas mudaram para meus trajes de batalha.

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E que lugar horrível! Formações rochosas acinzentadas sem nenhum rastro de vegetação, um local vasto sem uma árvore, lago, vida, o chão era coberto por areia branca até onde a vista alcançava, parecia Sunagakure no Sato (Vila oculta da areia) eu já me preparando para enfrentar um “Gaaramon”. O vento frio e cortante criava pequenas tempestades de areia que nos açoitava, ao meu parecer, era óbvio que aquilo era uma armadilha.

Avistamos a Torre Negra e partimos em direção à ela. Repentinamente o solo começou a tremer. Desesperados, tentamos apoiar-nos uns nos outros e até conseguimos enlaçar as mãos, formando uma corrente, todavia. os abalos se tornaram mais intensos e nos separamos. Calamitosamente, uma cratera sinistra começou a se abrir, similar a um buraco negro entre as dunas e um redemoinho se formou na areia, sugando tudo e… subitamente eu estava a cair em um buraco semelhante ao de Alice no País das Maravilhas, no entanto não tinha nada de maravilhoso. Inclusive era possível ouvir até mesmo os garotos a gritar feito donzelas em apuros.

Nossa queda foi sustentada sob algo gelatinoso e estranho. Quando finalmente paramos de gritar para analisarmos o local, constatamos que se tratava de uma espécie de bolha. Era a formação mais bizarra do mundo! As paredes eram furta-cor e molengas, semelhantes à uma placenta a se mover com vida própria.

— Que lugar nojento é esse? — aterrorizei-me, completamente arrepiada, me agarrando a Hawkmon.

— Parece que estamos dentro de um casulo. — atentou-se Iori-kun, passando as pontas dos dedos pelas paredes viscosas.

— Então fomos trazidos para cá por um Digimon tipo inseto! — Intuiu Takeru-kun.

— Isso é assustador! — bradou Hikari-chan, cobrindo o rosto com ambas as mãos.

— Vamos evoluir e tentar destruir essas paredes ou o que quer que seja isso! — Sugeriu Tailmon.

— Não sei se isso é uma boa ideia. Se o nosso ataque não romper a parede, ele pode ricochetear e ferir os nossos parceiros. — Sempre cauteloso, a consideração foi feita por Armadimon.

— Ele tem razão, não podemos colocar a segurança dos nossos parceiros em risco... — admitiu Patamon, frustrado.

— Eu sei disso, mas o que podemos fazer? Chutar e arranhar as paredes até que se rompam? Não parece que vai funcionar. — Ironiza a Digimon felina, já se mostrando inquieta devido a sufocante clausura.

— Vamos tentar atacar as paredes, sem evoluir, talvez com o meu ataque de pena e os ataques de vocês podemos romper essa coisa. — Hawkmon tentou apresentar uma solução. Os demais se entreolharam com expressão confusa, contudo anuíram.

— E o que nós faremos enquanto isso? Ficaremos de boas aqui olhando? — Questionei pegando a mochila e tentando encontrar algum objeto pontiagudo para tentar romper a “parede.”

— E o que quer fazer amiga? Morder e arranhar as paredes? — troçou a castanha da Luz, que ultimamente andava muito irreverente. Ela teve a audácia de completar a frase no meu ouvido — Sei que à uma hora dessas era para você está mordendo e arranhando outra coisa, não é ?

Sabe aquele tom de cochicho, mas que todo mundo no local consegue escutar? Imagine a cara que eu fiquei? Pois é, nem parecia aquela Hikari depressiva e retraída de quando nos conhecemos.

— Err… — pigarreou o mais novo do grupo.— Bom já que não podemos morder e arranhar as paredes. — começou uma traquinagem capciosa e sutil, como cabia à sua personalidade. — Vamos nos manter afastados, para que os ataques não nos atinjam.

— Galera, onde estão Daisuke e o V-mon? — questionou o loiro.

Todos paramos analíticos e, fato! O palerma não estava entre nós, então…

— Ele ainda está no Death Valley, provavelmente… — murmurou Hikari.

— Então… Ou seremos salvos por ele, ou teremos que nos salvar para salvá-lo. — concluiu Iori-kun.

— Então vamos sair daqui logo! — Tailmon se postou à frente dos monstrinhos, a fim de liderar o ataque.

Hikari-chan e eu corremos para a extremidade mais afastada dos ataques quando Tailmon tentou arranhar a parede mais próxima. Uma gosma densa e pegajosa ficou grudada em suas garras, nos fazendo gritar um sonoro “ECA.”

— Mulheres! — os rapazes cantarolaram em uníssono, estalando a língua no céu da boca e balançando a cabeça negativamente.

Tailmon descarregou toda sua ira por estar presa, socou e arranhou até ficar exausta. Armadimon investiu seu casco até se esgotar. Hawkmon usou seu ataque de penas, repetindo várias tentativas, contanto também acabou abatido. Patamon... vamos ser realistas, ataque de bolha de ar em uma enorme bolha parecia uma redundância? O pequeno olhou para os amigos e mirou o parceiro, fez uma expressão fofa e confusa.

— Tá tudo bem, Pata, não vai adiantar mesmo. O que importa é a intenção. — o loiro o consolou com um sorriso brando.

Enquanto os Digimons estavam tentando romper a parede, a castanha e eu estávamos sentadas murmurando frivolidades, a verdade era que tentávamos distrair daquele horrível cenário viscoso.

Era tudo culpa daquele IDIOTA! Não bastava ele ter me visto… nua… nua… NUA! Grrr... Ainda atrapalhou meu encontro romântico, me jogou dentro dessa coisa medonha. Agora estamos em um paradoxo; se nossos parceiros evoluírem, podem nos ferir, se não evoluírem, não sairemos daqui. Ele devia estar se divertindo às nossas custas. BABACA!

(...)

— Kyaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa! Eu não merecia estar passando por isso. Eu odeio o Kaiser, odeio com todas as minhas forças! Era para eu estar beijando meu namorado e não presa nessa coisa, preocupada em como vamos sair daqui e como está aquele paspalho lá fora! Será que eu não tenho direito de ser feliz? De ser normal e amada ao menos uma vez na vida? — E neste momento uma enorme rachadura começou a se formar por toda a extensão da bolha, quebrando-a.

— Não tem lógica isso, os ataques dos Digimons, não surtiram nenhum efeito, mas os gritos e reclamações da Miyako-san afetaram esse treco? — Questionou Takeru-kun, confuso.

— Talvez a bolha não goste de desabafos. — Comentou Patamon.

— Talvez não tenha gostado do escândalo da Miyako-chan! — afirmou Armadimon.

— Mas também fizemos barulho quando tentamos destruí-la. — Observou meu parceiro.

Realmente não achei que fosse pelo meu escândalo, não estava a me defender, se fosse pra sair dali eu faria um escândalo muito maior, só estava dizendo que não acho que foi exatamente por isso. Quando fui expressar a minha opinião, o mais novo entre nós tirou as palavras da minha boca.

— Acho que não é qualquer escândalo, Miyako-san falou questões muito íntimas, que mesmo sendo “ela” não falaria em estado normal. —os olhos verdes adquiriram seriedade ponderativa.

— E o que, exatamente, isso quer dizer? — Interrogou Hikari-chan, oscilante.

— Estou começando a entender aonde o Iori-kun quer chegar. — Takeru-kun apoiou, tocando o ombro do amigo. — A questão é que a Miyako-san se abriu!

— Quer dizer que ela precisa se abrir mais? — Hawkmon perguntou animado.

— Acho que não tem que ser, necessariamente, ela. — Iori-kun passeou um olhar sugestivo para todos. — Se cada um contar um fato sobre si, talvez provoque uma reação.

— Isso não é um truque para saber nossos segredos? — Perguntei, mesmo só de brincadeira.

— Ah sim, claro Miyako-san, porque o Daisuke-san está sozinho lá fora, estamos sufocando nessa coisa e eu estou, obviamente, bolando planos para saber os segredos bobos de adolescentes! — Iori-kun foi duro, mas eu mereci, então deixei quieto.

— Essa doeu! — Takeru-kun debochou, num murmúrio.

— Gente, não é hora pra isso! — Hikari-chan nos despertou para a realidade.

— Então quem vai começar? — Tailmon foi quem soltou a bomba.

O silêncio pairou por alguns momentos, todos ficaram aguardando um ao outro.

— Eu já fui! — Passei minha vez, ríspida.

— Primeiro as damas. — Takeru-kun brincou apontando para Hikari.

— Iori-kun deu a ideia, então ele deve começar. — A castanha também passou sua vez.

— Certo, para mim está bem… — Iori suspirou passando a mão pelo cabelo. — Bem… eu tenho uma waifu integrante de uma banda pop e coleciono fotos, algumas vezes já até mandei presentes. — Revelou corando um pouco e baixando a cabeça,. Com isso a fenda se tornou maior. Todos tentamos conter os risos.

— Então eu falo agora… — Foi a vez da Hikari-chan. — Eu, uma vez, quando era mais nova usei a toalha de banho do meu pai e depois fiquei semanas com medo de estar grávida.

Essa fez com que nós até sentássemos no chão, ou na parte inferior da bolha, de tanto rir, nem Iori-kun se conteve, foi a pérola máxima. Ela ficou bem sem graça, os Digimons não conseguiram entender. Sorte a deles.

— Tá legal gente, já chega. — Mas esse pedido dela só nos fez rir ainda mais. — Gente, eu era novinha e não sabia muito sobre essas coisas, a minha avó falava umas conversas assim… — Tentou novamente a castanha, mas a cada justificativa a gente se embolava no chão gelatinoso, de tanto rir. — NÃO RIAM DE MIM, SEUS IDIOTAS! — vociferou ofendida.

Aquilo sim foi surpreendente, a doce Hikari liberou sua fúria e, isso fez uma ruptura enorme na parte superior, mas ainda havia uma pequena película, tentamos rompê-la e não tivemos sucesso,.

— Ainda falta você Takeru-kun.— lembrou a castanha.

— Pois é, não é? — Disse coçando a nuca e todos assentimos, até os Digimons silenciaram, curiosos.

— ANDA LOGO! — Gritamos juntos.

— Bem eu tenho fobia de… — Começou e eu pensei, que coisa brega e simples, deve ser de rato, barata, uma coisa besta do tipo, então ele completou a frase. — De coelhinhos brancos!

Nos entreolhamos, só podia ser mentira! Mas o pior que aquilo era verdade e a bolha começou a se quebrar em vários cacos luminosos.

Comemoramos com abraço em grupo e pedindo “sutilmente” para que os segredos ditos na bolha morressem ali.

— Você tem que prometer, não, tem que jurar... — Hikari-chan exigiu desesperada.

— Sim nós juramos! — E todos fizemos um trato.

— Isso serve pra vocês também. — Takeru-kun olhou para os Digimons.

— Acho que agora não é um bom momento... — Tailmon disse apontando para frente

A luminosidade se dissipou e uma neblina estranha pairava por todo o local, um Digimon enorme apareceu frente, sua risada maligna ecoava pelo local.

— Qual é a graça, imbecil? — Perguntei dando um passo à frente, Takeru-kun me puxou pelo pulso. Seu D-3 apitou.

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Wendmon

Nível:Seijukuki

Tipo: Homem besta, animal.

Atributo: Vírus

“É uma criatura musculosa, bípede, coberta por pêlos marrons, embora sua face, parte das costas, braços e pernas sejam vermelhas; sua cabeça é coberta por um crânio de pêlo branco, contendo três chifres, a enorme boca apresenta a forma de um sorriso um tanto assustador. Esse Digimon possui a habilidade de manipular tempo e espaço, criar brechas dimensionais e pequenos universos pessoais o qual usa para aprisionar os inimigos".

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— Então parece que conseguiram escapar da minha Bolha Dimensional? — E quando ele falou, seu bafo quase nos matou. — Confesso que me surpreenderam, não são todos que encontram a forma de sair, infelizmente terei que destruí-los para cumprir ordens de Kaiser-sama!

Kaiser-sama… Puxa saco, imbecil. Sacamos os Digivices, direcionamos para os nossos parceiros e demos o comando de evolução.

— Hawkmon Armor shinka… Holsmon, "As Asas do Amor" !

— Armadillomon Armor shinka… Digmon “A Sabedoria Profunda”!

— Patamon Armor shinka… Pegasmon “A Esperança Ascendente”!

— Tailmon Armor shinka… Nefertimon “A Luz Brilhante”!

— Digmon e Holsmon, ataquem pelas laterais opostas o confundindo, enquanto Pegasmon, efetue um ataque aéreo! Nerfertimon pode se valer da sua distração para identificar o Anel Negro! — Iori-kun expôs sua estratégia de batalha e todos concordamos.

Digmon atacou pela direita, Holsmon pela esquerda, Pegasmon desceu para atacar frontalmente, Nefertimon executou apenas a análise.

A fera rodopiou, usando seus grandes braços para se defender.

— Holsmon, ataque com “Asas da Tempestade”! — Dei o comando, escolhendo o melhor ataque para o momento, Holsmon girou em torno de si mesmo gerando um ciclone, suas asas se tornaram lâminas afiadas, mas a besta conseguiu esquivar, fazendo meu parceiro retalhar algumas árvores ao redor. — Desgraçado! Holsmon, tome cuidado.

Neste momento Digmon chegou com tudo pela direção oposta.

— Digmon, “Terremoto” agora! — Comandou Iori-kun a plenos pulmões.

Quando a fera estava prestes a atingir meu parceiro com seus Braços Giratórios, Digmon atacou.

— Terremoto! — Cravou suas brocas no chão, provocando um terremoto que desequilibrou o inimigo.

— Pegasmon, agora é nossa vez! — Gritou Takeru-kun. — Fique longe dos braços dele, lance a Chuva de Agulhas! — Ordenou o loiro.

— Chuva de Agulhas! — E inúmeras agulhas foram lançadas em direção ao inimigo.

Sem equilíbrio por mérito do terremoto e desorientado devido às agulhas, a fera parecia dominada, Nefertimon tentava localizar o Anel Negro e eu aguardava, pois um ataque de Holsmon, com Sol Vermelho ou Impulso Mecânico, poderia matá-lo.

— Tomem cuidado, ele está emitindo ondas de choque! — Alertou Hikari-chan, que estava mais concentrada na defesa e observação. — Nefertimon voe para cima!

Infelizmente, Digmon, Pegasmon e Holsmon, estavam muito perto e Wendimon. A besta abriu sua enorme boca:

— Voz Destruidora! — Seu ataque foi bem pior do que da Canário Negro, pois suas ondas sonoras além de altas eram elétricas e deram um grande choque em nossos parceiros.

— Holsmon!

— Pegasmon!

— Digmon!

Corremos para perto dos nossos Digimons, não foi algo sábio em batalha, contudo, agimos por instinto.

— Hikari, o Anel Negro está no braço direito, oculto por pêlos. — noticiou Nefertimon, enquanto mantinha o inimigo afastado, para que os demais pudessem se recompor.

— Não deixe que ele se aproxime! Ataque com “Pedra Roseta,” isso irá mantê-lo longe e ocupado. — Yagami norteou a parceira.

— Pedra Roseta! — As costas de Nefertimon brilharam emitindo um raio rosáceo, direcionando-o ao céu, de onde começaram a cair gigantescas pedras com escrituras sobre o oponente.

Enquanto a fera desengonçada desviava do ataque contínuo da Besta Sagrada da Luz, nossos parceiros se recuperaram e se posicionaram prontos para atacar.

— Temos que derrubá-lo e mantê-lo imóvel para atacarmos o Anel. — sentenciou Digmon, apoiado pelos demais.

— Digmon pode criar o terremoto novamente. Como os demais voam, não serão afetados, enquanto isso Holsmon dispara contra ele, girando com seu ciclone, ele vai estar tentando se equilibrar e se defender, neste momento Pegasmon e Nefertimon usam o Laço do Santuário, Holsmon atinge o Anel! — Formulou Takeru-kun.— Se todos estiverem de acordo. — anuímos em em concordância.

Assim foi feito; Digmon cravou suas brocas no chão e provocou um terremoto, enquanto a besta buscava equilíbrio, Holsmon partiu para o ataque com Lâminas da Tempestade, a atenção do grandalhão foi toda roubada.

— Agora Pegasmon… — bradou o loiro.

— É com você Nefertimon! — clamou a castanha.

— Laço do Santuário! — Gritaram Nefertimon e Pegasmon em uníssono, das patas de ambos, surgiu um laço com o qual prenderam a besta.

Mas Wendimon se movia e rugia, dando um trabalho enorme para os sagrados.

— Deixem ele imóvel! — Pediu Holsmon, a procura da mira perfeita.

— Estamos... tentando… — em tom esganiçado e esbaforido, Pegasmon assegurou, forçando o aperto do laço.

O oponente tentou abrir a boca, a fim de lançar seu ataque sônico e elétrico, no entanto, Pegasmon e Nefertimon apertaram o laço com bastante força e ele apenas rugiu.

— Ai, pelo amor de Yggdrasil! Agilizem ou morrerei com o bafo! — Nefertimon fez uma expressão enojada.

O contendor finalmente foi imobilizado e Holsmon lançou seu ataque “Sol Vermelho,” destruindo assim o Anel Negro. Nossos parceiros se afastaram e o Digimon caiu sentado no chão, esfregando a cabeça, aturdido e exausto.

— Onde estou? — Perguntou confuso.

— Você estava sendo controlado por Digimon Kaiser, mas agora está livre. — Digmon explicou, paciente.

— Espero que possamos contar com sua ajuda, futuramente, contra esse maníaco. — Disse Holsmon.

— Podem contar com meu apoio. — Respondeu o ex-oponente, se levantando. — Não somos marionetes para que ele se divirta nos controlando!

— Isso mesmo. Vá e conte sua experiência a quem puder, os alerte, peça que procurem por Andromon na Cidade das Máquinas e se juntem a resistência. — Orientou Pegasmon.

— E vê se cuida desse hálito ou não terá ouvintes quando tentar dialogar. — A séria Digimon surpreendeu a todos que ficaram com gotinhas sobre as cabeças.

— Hey, pessoal temos que encontrar o Daisuke-kun! — Hikari-chan chamou atenção dos nossos parceiros.

Iori-kun identificou um sinal vindo do D-3 do palerma-kun nas proximidades. Após a despedida de Wendimon, seguimos apressados para encontrar Daisuke e V-mon. Internamente eu rogava para Kami-sama, para que não estivessem em apuros nas mãos de Kaiser.

— Hey Iori, como soube o segredo para sair da Bolha Dimensional? — Perguntou Digmon, orgulhoso do parceiro.

— Eu deduzi quando vi o estrago que o desabafo da Miyako-san fez… É isso, se você se abre para o mundo, o mundo se abre para você. — Iori-kun ergueu o indicador, enquanto chamas imaginárias surgiram atrás de si, dando ênfase às suas sábias palavras.

— Ohhh! — exclamamos todos.

— E isso quem te ensinou foi seu avô? — Takeru-kun indagou impressionado.

— Não, eu vi em uma propaganda publicitária de cartão de crédito. — revelou secamente, seu tom austero deixou a confissão ainda mais cômica.

E todos fizemos caretas engraçadas.

Embora a descontração do momento nos divertia, algo me incomodava. Eu ficaria novamente frente a frente com Kaiser depois do que houve aquele dia. Definitivamente eu não estava preparada para isso...

Notas finais
Notas Finais Saibam que este Wendmon não é o do Wallace "Willis na versão americana cagada que nenhum fã deveria assistir" Betado e editado, com revisão de @Felipe-Mukuro