Inimigos Íntimos

6 Armadilha (revisado)


Notas iniciais
Oi digiescolhidos, prontos para abrirem o portal e entrar no "meu mundo".? Então peguem seus dispositivos e se posicionem. Vocês sabiam que no Japão a maioridade é depois de 21 anos e os jovens só começam a ser considerados adultos depois dos 20? Diferente, não é? Ainda mais que lá, realmente, ocorre de adolescentes a partir de 15, 16 anos morarem sozinhos. Aqui na Fic alguns dos veteranos moram sozinhos, dos mais novos, Daisuke divide um apartamento com a irmã mais velha. Imaginem as tretas? Takeru mora no apartamento em que cresceu com a mãe. Sim, ele é vizinho de Miyako, que ainda mora com os pais, assim como Hikari e Iori. Cada um trabalha temporariamente em profissões que vou mostrar mais tarde. Normalmente os jovens só entram em algum relacionamento durante ou depois do ensino médio. Lembrando que cada ser humano é diferente, cada caso é um e não estou a generalizar, sou plenamente consciente de que, como aqui no Brasil nem todos amam samba, futebol e as mulheres não são todas saradas e seminuas, por lá também não deve ser exatamente tudo padrão. JOVENS SÃO JOVENS EM QUALQUER LUGAR DO MUNDO, HORMÔNIOS SÃO HORMÔNIOS, mas é claro que isso não vai ser colocado nas pesquisas para sites e blogs. Só esclarecendo certos detalhes para aqueles que vierem a se horrorizar de Ken ter 18 anos e nunca saído em um encontro. Esse cap é estrelado por Kaiser-sama, espero que gostem. Beijos!

Kaiser pov

Admito que o impacto do confronto inesperado com meus inimigos virtuais causou um forte abalo emocional, além do leque de possibilidades que se abriu com a descoberta de poder trazer seres digitais para este mundo, meu orgulho estava em frangalhos em ter que engolir que mentes inferiores desfrutaram de tais descobertas antes de mim.

Obviamente não deixei de pesar na balança minha vida de notoriedade mista aos estudos, que com certeza me deixava com o tempo mais limitado do que eles, mesmo assim eu deveria ter feito essa descoberta.

Encaminhei-me ao campo e depois de pormenores como desculpas e formalidades, o jogo foi iniciado. Era evidente que um time amador não teria chance contra um profissional como o nosso, mas aqueles patéticos dariam o melhor para impressionar um possível olheiro, sorri com o deleite de estragar esse sonho. A diferença entre nosso time e um amador é que mesmo ganhando bolsa integral para suas faculdades, os jogadores não ganham bolsa atleta para manter personal trainer, nutricionista entre outros e não jogam pelo estado.

Já no primeiro tempo, foi perceptível o quão nossos adversários estavam a se esforçar. Decidi dar a eles o sabor de serem bons e, organizei uma formação que os permitissem marcar um mísero gol. A torcida patética rival vibrou e incentivou, enquanto eu apenas revirei os olhos. Obviamente o gol foi marcado por "Pela-saco Motomiya" que estava se vangloriando com uma dancinha ridícula ‘ai se eu te pego” imitando a seleção brasileira.

Semicerrei os olhos e apertei os pulsos, decidido a acabar com aquele circo, mas faria bonito e mostraria que não precisava de muito tempo para colocá-los no lugar. Deixei que o primeiro tempo acabasse e a torcida estava estarrecida. Como assim um time amador tinha vantagem de um gol em cima de um profissional? Mesmo meus parceiros de equipe pareciam desapontados, sem entender meus planos, por suposto.

(...)

Passados quinze minutos de intervalo, os times tomaram as suas posições em campo. Tive o desprazer de ficar frente a frente com o “Pela-saco Motomiya,” que pareceu uma das minhas fangirls, todo emocionado. Patético! Senti náuseas. Ri pelo nariz cogitando dizer a ele que o remédio que ele tomava diariamente para ficar tão imbecil, está tendo ótimo resultado.

— Estou honrado em estar dividindo o campo com um time tão promissor. — Respondi ao seu cumprimento, palavras que soaram como uma piada interna.

Mirei rapidamente as arquibancadas e foquei no grupo de digi-vermes, particularmente na "Gralha" , ela apertava seu digimon como se fosse uma pelucia e tinha o mesmo olhar abobado que as cabeças-de-vento que me perseguem. Meu ego ainda estava ferido por tanto tempo a viver no escuro e mirá-los com seus parceiros só fazia o ódio aumentar. Mas estava na hora de extravasar, acabar e mostrar toda minha superioridade a essa corja.

O juiz apitou. Sorri de canto e passei por Motomiya-Come-Mosca, mesmo focado em driblar toda a risível defesa, pude notar o torpor que recaiu sobre as torcidas e os jogadores. Impiedosamente e, confesso que sem dificuldade alguma, marquei um gol após o outro, mostrando que no primeiro tempo eu estava sendo caridoso. A torcida ia a loucura, as fangirls esgoelavam-se e nossos adversários quase não tinham reação em campo. Foram nove pontos marcados no segundo tempo, contra um mísero gol de Motomiya.

Estava tudo esquematizado, perfeito e o décimo gol seria fenomenal, humilhação épica, contudo, ao passar a bola para um dos laterais, minha atenção foi cativa para a arquibancada da torcida adversária, especificamente para a Gralha… Arregalei os olhos sem acreditar no que ela estava fazendo; entregara seu digimon para a Mosca-Morta da Luz e se colocou de pé segurando a barra da blusa e a retirando expondo os… os… Eu quase parei em meio ao campo. Como ela pôde ser tão louca e vulgar? Fez um gingar de ombros, movimento acompanhado pelos seios arredondados, jogou os cabelos para trás, como se me provocasse... O pior foi começar a sentir meu corpo corresponder.

Balancei a cabeça a fim de me recompor e quando olhei mais uma vez, estava tudo normal. Como assim? Estava sentada a apertar o parceiro, prestando atenção na partida, mas… A partida! De sobressalto notei que meu colega de equipe tinha ficado confuso à espera da bola, não dava mais tempo e faltavam poucos minutos, decidi tocar para o gol, mas só conseguia rememorar a cena vista em devaneio, o que me deixou confuso, zonzo e incapaz. Fui bruscamente despertado por um carrinho que me fez cair de cara no chão. Nunca ninguém me fez comer grama antes! Minha perna ardia e queimava e o fim da partida foi apitado.

Fim de jogo, 9 a 1… Fui totalmente humilhado! Realmente não sei se culpava aquela vaca vulgar, o Pela-Saco ou a mim mesmo.

• • •「◆」• • •

— Err… Ichijouji, eu queria te pedir desculpas. Sua perna está doendo? — perguntou o Pela-Saco Motomiya, preocupado. Não bobo, está coçando. Gênios, ídolos nacionais não sentem dor, sangrar é como suar. Babaca!

— Estou bem, o que não mata fortalece! — dissimulei respondendo o que ele esperava ouvir.

— Você faz jus à sua reputação, foi uma honra jogarmos contra seu time.

— Devo reconhecer que aquela sua última jogada foi incrível, mandou muito bem. Pensei que viria pelo outro lado. — logrei o pobre diabo, que quase estourou de empolgação.

— Bem, como o nosso time estava em grande desvantagem, eu tinha que pensar numa forma de desarmar aquela formação.

— Essa foi a primeira vez que não marquei gol com essa formação…

— Uau! Sério? — Ele estava com os olhos brilhando, parecia uma das minhas fãs.

— Motomiya Daisuke, é o seu nome, né? — Questionei e ele confirmou com um menear de cabeça. — Foi bom jogar com você.

— Muito bom mesmo, tive a total constatação de que é um fracassado como jogador de futebol.

(...)

Horas mais tarde, eu já estava na base, de banho tomado, esterilizado da podridão do contato com aqueles lixos, recebendo relatórios hologramáticos dos Monitarmons com as atividades ocorridas durante minha ausência, enquanto tratava o ferimento. Por sorte aquela mulher não estava em casa ou me encheria de questionamentos sobre o jogo e a perna ferida, sendo assim, não tive empecilhos ou atrasos em atravessar o portal digital.

— Você se machucou Ken-chan? — Wormmon questionou preocupadamente ao sair das sombras.

— Ken-chan é o caralho! Kaiser-sama… — esbravejei tentando fazer com que essa peste me tratasse da forma correta, mas acabei desistindo. — Não enche o saco, inútil!

Continuei a limpar o ferimento e ele se aproximou pegando o algodão com as patinhas dianteiras,

— Deixe-me te ajudar. — esfregando como um bichano carente.

— Não encosta em mim, sabe que não gosto que fiquem me tocando. — dou-lhe um pontapé e, ele sai rolando pelo chão da sala.

— P-por que Ken-chan? Por que você não me deixa te ajudar? — lamuriou-se, levantando cambaleante e fazendo mensura de vir até mim.

— Não consegue nem ficar de pé e supõe que preciso de sua ignóbil ajuda? Aquela surra que lhe dei ontem não bastou?

Era só o que faltava, já fui humilhado e irritado demais por um só dia! O ponto positivo era que descobri sobre os seres digitais poderem ir ao mundo real, o que pelos meus estudos, não fazia sentido algum… mas que seja, talvez eu ainda pudesse me aproveitar muito disso.

— Não vamos falar desse imbecil. Vamos falar de hoje…

Um momento… Que porra é essa? Minha atenção foi cativa pelo agudo insuportável da voz da gralha. O universo deveria estar a conspirar contra mim. Não bastasse o ridículo “momento” que sofri durante o jogo, ainda tenho que suportar essa afronta. Sim, Inoue não estava sozinha e sim a passear pelo campo de flores com aquele imbecil do Izumi. Pelo que percebi os dois estavam em um encontro. Que medíocre!

A princípio cheguei a desligar a transmissão, tinha fatos mais significativos, com os quais me preocupar. Cheguei até a averiguar se as armadilhas de Wendimon e Death Valley já estavam aprimoradas, contudo, contra toda lógica tornei a ativar os drones da região onde o “suposto casal” estava. Não me contive mediante a tanta melosidade e ativei um experimento de controle a longa distância para um Digimon tipo planta.

— Floramon, ataque e espante esses vermezinhos. — Ordenei pelo comunicador embutido ao Anel Negro.

Assim foi feito, Floramon lançou um ataque de rajada de folhas e flores, não para ferir, mas para estragar as possibilidades românticas. Estava me odiando por estar a perder meu valioso tempo com uma situação tão irrelevante, por outro lado saboreava um prazer imensurável em estragar aquilo que parecia ser de tamanho valor para ambos. Não que isso já tenha sido do meu interesse, mas nunca imaginei que eles fossem envolvidos romanticamente. Bem sabia que sempre estavam a tentar encontrar meus rastros na rede, a estudar sobre meus experimentos.

Talvez eu não devesse atrapalhar, bem… Ambos já estão entrando na vida adulta e se começarem um relacionamento talvez formalizam, se casem e tenham filhos, seria menos perdedores no meu pé. Seria lucro, analisando bem… Não! Seriam felizes vivendo um romance eterno, isso não! Creio que não sou do tipo que torce pela felicidade e realização dos inimigos, mesmo que isso os tire do meu caminho. Apenas em mentalizar tais possibilidades o sangue já ferveu em minhas veias.

Conflitava internamente entre fazer algo mais conciso para atrapalhar o momento, ou não gastar tempo com algo tão trivial. Quando me decidi tive a péssima surpresa, eles tinham seguido bosque adentro, onde o controle da Torre Negra mais próxima não abrangia Floramon ou qualquer outro dos meus escravos.

Cerrei os punhos enfurecido. Fui lento, demorei a me decidir como uma mocinha a escolher o sabor do sorvete, no momento tudo o que restara era ser mero espectador dos acontecimentos. Horrorizei-me ao seguir os drones por entre as árvores e encontrar a cena; Inoue com as costas apoiada contra o tronco de uma árvore, os braços envoltos ao pescoço de Izumi e ele a envolvê-la pela cintura.

Foi tão paulatino, panorâmico e aterrador, quando os olhos se fecharam e os lábios se encontraram, inexplicavelmente aquilo me agrediu de uma maneira, me enfureceu, frustrou, enojou. Estavam mesmo a se beijar na minha frente, no meu dominio e eu não podia fazer nada para deter aquele despropósito.

Esfreguei o couro cabeludo com as unhas, nervosamente, com a outra mão, retirei os óculos e os apertei com tanta força que a armação se partiu. Não sabia como reagir mediante aquele acontecimento

— Como se atrevem, seus imundos! — rosnei entre os dentes e bati as mãos em punho sobre o painel de controle, causando o óculos estrondar-se contra o chão.

— O que você vai fazer? Não os machuque, por favor! — Wormmon suplicou aos meus pés, novamente o chutei e pisoteei repetidas vezes.

— Sai daqui, seu inseto inútil — Pisava enquanto o xingava. — Como se atreve a me dizer o que fazer? Quem te elegeu meu conselheiro?

— D-desculpa Ken-chan… — Choramingou deprimente, em um fio de voz.

— É Kaiser-sama! — suspirei desanimado. Eu poderia descarregar minha ira neste verme, poderia ir até o digi-casal e estragar a diversão os atacando, mas… Eu não queria que pensassem que são dignos do meu tempo. Eu não queria deixar as coisas como estavam… Eu, realmente estava confuso.

Ignorei Wormmon, os monitores, o relatório de Monitamon, o curativo e, sai da sala de controles seguindo para o quarto. Sentei-me na cama e quedei as costas contra o colchão, fitando o teto. Neste mundo eu tenho o quarto projetado exatamente ao meu gosto, nada daquele cômodo pequeno e simplório de Tamachi. Este é um mundo onde, sabendo lidar com códigos e dados de programação, eu crio a realidade que me agrada. Não vou permitir que me tirem isso.

Massageei as têmporas, os olhos doíam, a cabeça pesava. Estava me aborrecendo demais em um único dia. Primeiro aquele jogo horroroso, aquele ignóbil do Motomiya a me humilhar publicamente e por culpa daquela garota… Como eu pude me deixar ter aquele tipo de devaneio em campo e com ela?

Perdido em ponderações, deixei minha imaginação traiçoeira vagar para o dia em que a imprensei contra aquela árvore, nua, indefesa, apavorada, rendida… Não queria ter que admitir, mas estava começando a achar que aquela conjuntura abalou-me em demasia. Talvez eu devesse ter aceitado sair em encontros com algumas de minhas fãs cabeças oca. Ademais, mesmo que me enoje em admitir, sou um reles humano e se não ignorasse meus hormônios talvez não estaria a sonhar com a pior pessoa entre todas.

Sair com alguma fã poderia me render muitas dores de cabeça, além do tempo perdido, a eleita em questão, poderia virar uma pedra no sapato. Sinceramente, não conseguia me entender, até pouco tempo, pensar em contatos físico de qualquer tipo, me causava extremo asco e agora, o que eu estava a cogitar?

O comunicador apitou ruidosamente e de sobressalto me sentei na cama a pentear os cabelos com os dedos. Era uma mensagem de Monitamon. Os divi-obtusos já tinham atravessado o portal e tudo estava saindo como planejado.

(...)

Quando cheguei à sala de controles já havia perdido o inicio do espetáculo, Pela-Saco já estava sozinho com sei parceiro, ajoelhado sobre a areia, se corroendo em preocupação.

— Mas o que foi isso? Onde eles estão? — o Pela-saco se questionova aturdido.

— Daisuke tome cuidado, pode ser uma armadilha.— o dragão azul resolveu ser esperto.

Em total desespero por não saber onde foram cair, era assim que o restante do grupo se encontrava enclausurados na Bolha Dimensional de Wendimon, a discutir meios para se libertarem.

— Bakemons e Devidramon, venham comigo! — Ordenei pelo comunicador enquanto me deliciava com a expressão desesperada de Motomiya ao cavar buracos na areia do deserto.

Deixei a sala de controle seguindo para as celas onde estavam os meus brinquedos preferidos. A porta de saída se encontrava aberta e os meus escravos ali a aguardarem-me. Montei em Devidramon voando e seguimos para Death Valley, durante todo o trajeto fui dando as coordenadas para os Bakemons fazerem uma boa atuação.

◉◎●○◎◉

Desembarcamos em uma parte rochosa bem alta, Devidramon desapareceu pelos céus, enquanto os Bakemons tomavam suas posições ao se prepararem para encenar. Em ângulo anteposto, tive visão de todo o campo arenoso, inclusive do desespero em que Motomiya se encontrava ao procurar seus amigos.

— MALDITO DIGIMON KAISER— Ele praguejou desferindo diversos murros na areia. — O QUE FEZ COM ELES?

— É este o linguajar que você usa para se dirigir a alguém de quem deseja informações? — estalei a língua no céu da boca, meneando a cabeça negativamente. — É perceptível que você é um Vira-Latas medíocre, totalmente sem pedigree. Em uma guerra também é preciso ter diplomacia.

— Pro inferno com sua diplomacia. Exijo que me diga onde eles estão, seu doente! Não somos mais crianças para aceitar que você se comporte como se isso fosse um mero jogo. Sei que não tem nenhuma misericórdia quanto aos seres deste mundo. Saiba que se tirar a vida dos meus amigos, eles não podem renascer como os Digimons.

— Estamos em uma guerra por escolha de vocês. Eu me estabeleci aqui primeiro e vocês decidiram brotar no meu campo e bancarem os heróis. Pensa mesmo que podem entrar em uma contenda, causar danos e não sofrer perdas?

— Seu maníaco! Está querendo dizer que não se importa se algum de nós morrer, mesmo sabendo que se morrermos neste mundo, não voltaremos, será para sempre, como no Mundo Real?

— Vocês conhecem as regras do jogo. Como você mesmo pontuou; ninguém aqui é mais uma criança. Estou correndo meus riscos por escolha, assim como você e seus amigos. Se alguém vir a falecer, não venha colocar em minha conta.

— Como pode dizer algo assim? Eu gostaria de saber que tipo de pessoa você é no nosso mundo. Que tipo de família cria alguém com uma mentalidade dessas? Psicopata, egocêntrico Se eu morrer, se meus amigos morrerem, não importa, não é da sua conta já que nós escolhemos vir atrapalhar seus planos? Isso faz de você um assassino, sabia?

— E qual júri irá me condenar? Já parou para pensar que eu posso não ser o vilão dessa história? Que tipo de poderio sábio, escolhe crianças para lutar suas contendas? Imagino que você e seus amigos nunca tenham parado para debater sobre isso. Vou te dizer, um poderio que quer soldados manipuláveis.

— NÃO É VERDADE! Os digiescolhidos foram tragos por terem uma conexão inexplicável interdimensional conosco. — o pequeno dragão se apressou em responder. — Não havia escolha, mesmo sendo jovens. O que afeta este mundo reflete em catástrofes naturais no mundo humano.

— Asneiras para mantê-los pensando que estão do lado certo. — bradei irritado com a falta de silogismo. — Agora chega de brincar de heróis, quero fazer uma troca justa! — Apontei na direção onde os “digiescolhidos” se encontravam.

Motomiya virou-se para onde sinalizei e notou os seus “amiguinhos” presos em um tronco sustentado por dois Devidramons e suspensos no ar.

— O QUÊ? MEU KAMI, PESSOAL! O QUE TÁ HAVENDO? — desesperado, levou as mãos a cabeça a puxar as madeixas ruivas bagunçadas.

— Daisuke-kun, sentimos muito... — A Pata-choca da Luz, choramingou.

— Isso nos pegou de surpresa, não conseguimos reagir! — A Fada-Loira justificou-se.

— Tenha cuidado. — O Pirralho do primário alertou.

— Não fique aí olhando, nos tire daqui! — Dramatizou a Gralha.

— Calma amigos, eu vou salvar vocês! — Motomiya balançou a cabeça tentando se recuperar do baque, e correu em direção aos “amigos”.— O que você pretende com isso? — parou em meio a sua corrida, mirando em direção a mim.

— Ah, sim… Que bom que perguntou… Levante Deltamon! — sorri de canto ao estalar os dedos.

A rocha que se encontrava atrás dos “digiescolhidos” se rompeu, revelando um Digimon Seijukuki:

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Deltamon:

Um Digimon sintético no qual três Digimons são fundidos. Cada um estava presente como um Digimon separado, mas o computador que estava sujeito a uma forte tempestade eletromagnética fez com que os bugs se fundissem. Com suas três cabeças e duas caudas, o Digimon é especializado em ataques em três estágios que tiram proveito de suas características corporais, e é dito que é capaz de lutar com três Digimons de cada vez. No entanto, uma vez que cada um era um Digimon desonesto, há um senso de unidade de destruição, mas não há coordenação e, geralmente, um relacionamento próximo. Seus Movimentos Especiais estão combinando energia das três bocas e disparando a "força triplex" e o braço esquerdo Digimon e "presa".

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— Não alimento Deltamon há dias, ele me parece extremamente faminto e, digiescolhidos mal passados, parece uma iguaria muito aprazível ao seu paladar pitoresco. — mediante a essa informação os “supostos digiescolhidos” se desesperaram.

— Seu sádico, lunático! Eu jamais permitirei que você faça isso! — vociferou explodindo em revolta.

— Você não permitirá? — gargalhei extasiado. — Quanta bravura! Alguém aqui anda assistindo muitos animes shonens e filmes de heróis. Você me comoveu! Conseguiu tocar meu coração e portanto eu lhe proponho um acordo. Cumpra minhas exigências e entrego seus amigos vivos, sem dispositivos, para que todos regressem ao mundo real e sejam felizes para sempre.

— Exigências? Que tipo de exigências são essas? — questionou hesitante.

— Em primeiro lugar eu quero que você se ajoelhe.

— O que? — Perguntou incrédulo.

— É o que você ouviu. Um líder deve fazer sacrifícios por sua equipe. — dei ênfase no deboche na palavra líder. — O que está esperando, se ajoelha, agora!

— Isso… Isso é ridículo! — murmurou perdido.

— O tempo está passando... SE AJOELHA PRA MIM AGORA! SOU EU QUE MANDO NESSA PORRA! — Berrei extravasando toda a fúria pelas humilhações que sofri hoje. Cruzei os braços observando a cena, refastelando-me.

Ele praticamente se atirou de joelhos ao chão, totalmente perdido e derrotado, afetado pela minha ira e quase sem esperanças.

— Dai, por favor, não faça isso... — Choramingou seu parceiro.

— Por favor, poupe os meus amigos, eles não merecem isso.

Isso, implore, adoro ver ratos implorando à beira do seu fracasso. Estava me deliciando com a cena ridícula de humilhação, tendo o fato como um acalento após um dia tão torturante.

— Por favor… Hum, isso não me convenceu vai ter que melhorar os seus argumentos! — sorri desdenhosamente.

— Eu imploro, por favor, poupe-os! — baixou o tronco a ponto de sua cabeça encostar no chão.

— Tá melhorando, só que ainda não merece um Óscar, a cena só vai melhorar se o V-mon pisar com força em sua cabeça! — O dragãozinho azul ficou tão desestabilizado que chegou a tremer

— Eu não me importo. Por favor, V-mon. — Pela-Saco solicitou em voz trêmula.

— Mas… — hesitou o Digimon.

— Por favor, a vida dos nossos amigos depende disso.

V-mon respirou fundo e fechou os olhos, pisando na cabeça do Motomiya-pela-saco. Seus olhos lacrimejaram, ele tentava reprimir as lágrimas. Eu ri alto! Creio que agora estamos quites, impediu meu gol, me feriu e humilhou perante a fãs, câmeras, sem mencionar todo o tempo que vem me incomodando neste mundo, atrapalhando meus planos!

— Bravo, agora sim estou emocionado! — Aplaudi entre gargalhadas, eles pareciam abalados e exaustos, olharam-me atentamente, com ar de expectativa. — Isso foi esplêndido, você é um talento perdido, está desperdiçado lutando por uma causa perdida, enquanto poderia ganhar os palcos do mundo real! Sempre cumpro minha palavra, portanto irei poupá-los.

— É mesmo? — Os olhos dos dois brilharam esperançosos.

— Mas…

— Mas?

— Primeiramente quero que me entregue seu dispositivo digital, imediatamente e… — fiz uma pausa dramática. — Nem todos serão poupados, Deltamon mesmo faminto está sendo paciente em esperar o jantar. Por sua brilhante atuação, Daisuke, — o chamei informalmente, como forma de agressão passiva.— libertarei apenas dois de seus amigos!

— NÃO! — Exclamaram em uníssono.

— O que? Você não pode estar falando sério! — reforçou o “líder”

— Ah eu estou falando muito sério meu caro, Saiba que o seu tempo está correndo a partir de agora, te dou dois minutos para pensar bem qual decisão tomar! — Retirei uma ampulheta do bolso do sobretudo, expondo-a para ele..

A expressão apavorada salientou-se nas frontes de ambos.

O tempo está correndo, você está quase caindo em minha armadilha Motomiya, estou curioso para saber quem irá escolher, pois saiba que, se tomar a decisão errada, arcará com as consequências e a minha garantia é de que elas serão as piores possíveis.