Inimigos Íntimos
7 Festival (revisado)
POV Miyako
A noite já tinha caído ao chegarmos ao nosso destino. O deserto parecia muito mais frio e horripilante e deparamos com uma cena bizarra; Daisuke e seu parceiro estavam sendo atacados por Deltamon e Veemon não alcançava a evolução. Kaiser estava chantageando-o, usando réplicas nossas.
— Ele está usando aquelas cópias nossas para impedir que Daisuke e Veemon se defendam! — Iori ergueu o indicador em direção à cena.
Gritamos por Daisuke e ele nos olhou confuso. A identidade dos impostores se revelou ao receberem os ataques dos nossos parceiros; eram Bakemon. Daisuke se recompôs, começando a compreender que fora ludibriado e, após blasfemar contra o golpe sujo de Kaiser, deu seu comando para que seu parceiro evoluísse e lutasse.
Flamedramon confrontou Deltamon. Obviamente foi ele quem lutou contra o dinossauro de três cabeças, afinal os nossos parceiros estavam exaustos da batalha contra Wendimon, contudo eles deram o seu melhor.
Holsmon, Pegasmon e Nefertimon atacaram os Bakemon, Digmon usou um de seus golpes para provocar um terremoto, ajudando Flamedramon a tirar o Anel Negro de Deltamon. Ao mesmo tempo, meu parceiro e os outros libertaram os Digimon Fantasmas. Eu estava focada e entusiasmada com a batalha já ganha. O brilho fantasmagórico dos Bakemon e as armaduras reluzentes de Pegasmon e Nefertimon iluminavam o campo de batalha. Quando era mais nova eu não gostava de lutar, mas hoje confesso que eu saboreava a emoção de vencer uma boa batalha, jogar por terra os planos de Kaiser e ver a alegria e gratidão dos Digimon quando libertados.
Repentinamente uma discussão se iniciou entre Daisuke e Kaiser. O líder estava furioso pelo golpe baixo que o fizera sofrer preocupado conosco. Kaiser estava furioso por termos nos livrado da Bolha Dimensional e estragado seu plano de render Motomiya e Veemon. Isso por ele ser um sádico acima de tudo, pois se fosse mais centrado e maduro teria tomado o dispositivo digital do ruivo, em vez de ficar humilhando-o.
O que era somente agressão verbal evoluiu para luta corporal quando Daisuke investiu contra Kaiser e o derrubou do lombo de seu escravo. O ruivo desferiu um soco no rosto daquele cretino. Prestes a golpear pela segunda vez, seu punho foi bloqueado e segurado por Kaiser que ergueu-se com um sorriso satânico e deu uma sessão de socos no estômago do meu amigo.
Todos ficamos estáticos sem saber como agir. Kaiser parecia ter experiência em artes marciais e se valia disso para tirar vantagens na briga. Parecia cena de vídeo game, Daisuke tentava se levantar, mas levava rasteiras. Eu precisava tomar uma atitude. Peguei minha mochila e a esvaziei no chão, enchi com pedras e parti para cima daquele lunático.
Segurei a mochila com força e cheguei sorrateira atrás de Kaiser. Acertei sua cabeça com dois golpes de mochila cheia de pedras e ele titubeou, caindo sentado, atordoado. Quando apercebi-me já estava sobre ele, o puxando pelos cabelos. Eu estava preparada para tudo, para rasteiras, socos, chutes, mas ele pareceu ter sido pego de surpresa .
— Idiota, desgraçado, maluco, tarado! Eu vou te desfigurar, seu imbecil! Ninguém bate no Daisuke, além de mim… — Comecei a bater, falar, gritar, estava possuída de raiva e ele imóvel.
E não era só por ele ter enganado Daisuke com cópias nossas, por ter batido nele. Aquilo era principalmente por mim, pois eu não conseguia aceitar o fato dele ter me visto nua. Isso era especial, era importante para mim.
Só voltei ao normal quando notei que Iori e Takeru me tiraram de cima dele, me arrastando para longe, Hikari correu em minha direção.
— Respira Miyako-chan, vamos tente se acalmar, já passou! — Segurou minhas mãos entre as suas e com isso eu realmente comecei a me tranquilizar.
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— Quebra de honra ser defendido por essa magrela, bunda de cobra! — Choramingou Daisuke arrancando risos de todos.
— Eu devia ter deixado ele te quebrar, moer, fazer picadinho de você, seu babaca! — dei um cascudo em sua cabeça.
— Foi incrível! — Chibimon falou animado.
— Foi muito perigoso, isso sim. Nunca mais se arrisque dessa maneira, ouviu?— Poromon voou para o meu colo a bronquear.
— Eu concordo com o Poromon! — Tailmon se manifestou.
— Deixem as lutas corporais com a gente! — Upamon sugeriu.
— Os únicos humanos que já vi lutando foram Taichi e Yamato. — Patamon falou pensativo.
— Patamon… — Takeru-kun repreende entre risos. — Aquilo é coisa de amigos.
— É… Mas Digimon Kaiser é um louco, um inimigo sádico e perigoso, sente prazer em jogar com as nossas vidas, em torturar seres inocentes. Eu realmente fiquei receoso com a vingança dele. Caso ele decida fazer algo ruim… — Iori analisou pensativo.
— Mais do que já faz? Ele já nos persegue, nos joga em armadilhas, acho que esse é o seu limite, não tem como fazer pior. — Era triste, mas tranquilizador.
— Eu só não entendo o porque Kaiser não se defendeu dos golpes da Miyako-san. Realmente não achei que ele tinha cavalheirismo, que não machucasse mulheres, não combinaria com o perfil lunático dele, no entanto… — Takeru meditou.
— Ah, já chega de análise por hoje. Chega de falar de Kaiser, sei que viveram muitas emoções para um dia só e precisam descansar, isso sim. — Koushiro chegou trazendo caixinhas de suco para todos.
— Mas que foi engraçado ouvir a Miyako-chan gritando que só ela pode bater no Daisuke-kun, isso foi… — Hikari puxa a brincadeira.
A zombaria começou, até os Digimons entraram na brincadeira.
— A Miyako-chan que não sabe o quanto o Dai-chan apanha da irmã. — No meio da confusão Chibimon soltou uma pérola.
— Chibimon! — Daisuke o puxou pelas orelhas, de forma que ele ficou se agitando e gritando para sair. — Não apanho sozinho, eu bato nela também! — Ele revelou, orgulhoso de si.
— Ah? Bonito hein? Batendo em garotas… — ralhou Hikari o deixando desconcertado.
Koushiro-kun sentou-se ao meu lado e enlaçou sua mão na minha. Foi um dia agitado, nosso encontro foi interrompido, bati em Kaiser, mas no final estamos todos juntos nos divertindo. Deitei a cabeça em seu ombro e fiquei rindo da confusão da galera.
—漫~*'¨¯¨'*·舞~(...)~舞*'¨¯¨'*·~漫-
E assim os dias foram se passando normalmente. As semanas no Mundo Digital continuaram, mas Kaiser deu uma desaparecida. Será que bati muito forte e ele desistiu de conquistar o mundo Digital? Neste período meu namoro com Koushiro evoluiu bastante, eu morri de pena do coitado, que se sujeitou a encarar um jantar na minha casa a fim de oficializar nossa situação… Foi o mico do século, uma pergunta mais indiscreta e imprópria que a outra… Vi meu senpai ficar da cor dos seus cabelos! Meus irmãos, mesmo já tendo suas casas, fizeram questão de aparecer para me constranger.
Koushiro não foi o único a sofrer esse tipo de constrangimento. Eu também fui convidada para um jantar em sua casa. Pensei que eu fosse morrer quando minha futura sogra começou a falar sobre netos e o quão eles serão inteligentes, mas vieram todos os clássicos conselhos para que terminássemos a faculdade antes de qualquer passo decisivo. Então, Koushiro e eu éramos assumidamente um casal.
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A faculdade onde estudávamos realizava anualmente um festival beneficente onde os alunos precisavam trabalhar e abrir para o público a arrecadação de fundos para instituições carentes tais como asilos e orfanatos. Nessa data são realizados shows com bandas, teatros, desfiles, apresentação de cultura estrangeira, barracas de comida e brincadeiras. Junto com algumas garotas do meu curso, montei uma barraquinha de tiro ao alvo.
Qual o não foi a minha surpresa quando Daisuke e seu colega de time tiveram a mesma ideia e ainda montaram a barraquinha do lado da nossa… Ah mas foi a treva quando vi que o alvo deles eram várias bonequinhas de cabelos lilases e óculos, O que é? Sei que eu também fiz todos os alvos com a cara feia dele, mas eu não esperava por essa.
Neste dia eu estava vestida com uma roupa em homenagem ao Pikachu. Uma saia amarela pregueada, com detalhes brancos por baixo, uma toquinha com capa, orelhinhas e rostinho do Pokemon. Saí furiosa de dentro da minha barraca e fui confrontá-lo.
Quem aquele babaca pensava que era para imitar meu plano? O pior é que o público estava se dividindo entre as nossas barracas.
— Escuta aqui, babaca! — O acertei com um bastão de fitas de uma das ginastas. Os presentes olharam para mim. — Como se atreve a montar essa porcaria de barraca do lado da minha?
Ele usava um Yukata todo cinza com faixa azul marinho e meia máscara de raposa cobrindo o lado esquerdo do rosto.
— Por que você não entra na sua pokébola e fica lá pra sempre? Não tem nenhuma placa aqui proibindo a gente de montar a barraca nesse local, além disso fica bem na entrada e atrai mais o público. — Ele pegou a arma de bolinhas de um dos garotos que estava jogando em sua barraca e começou a atirar em mim. — Quero ver você reclamar agora hahahahahaha! — Havia um brilho sacana em seus olhos, quando de repente...
— Daisuke-kun… — Hikari chegou acompanhada de mais duas colegas e as três vestiam uniformes fofos de empregadas e usavam orelhinhas de gatinhas. O palerma paralisou na hora.
— Hikari-chan? Não é o que parece… — Ele olhou para mim, que me encolhi dando uma de vítima e olhou para a arma que segurava. — Foi ela quem começou. — Choramingou desanimado.
— Estou cuidando da barraca de comida junto com as garotas. — apontou a barraca próxima a nossa. — Uma das bolinhas acertou dentro da panela de ramen e sujou os ingredientes. — estreitou os olhos, zangada. — Vim devolver e pedir para que se comporte e... ao menos hoje, não provoque a Miyako-chan! — Enquanto a castanha falava, de trás dela eu o provocava mostrando a língua.
Voltamos para a função em nossas respectivas barracas. Pude ver quando Takeru subiu no palco com o pessoal do teatro. Estavam representando a Princesa Kaguya, mas a princesa era o meu amigo? Oi? Ah... eu fiquei sabendo que a Koneko-chan quebrou a perna. Na barraca ao lado, Daisuke já estava com o celular na mão e um sorriso sacana a filmar o loiro.
Iori também passou por nós, ele vestia os trajes típicos para a prática de kendo, veio junto com os demais kendokas da academia Ryu, com certeza fariam uma bela apresentação.
Continuei a admirar as atrações, mas vi Sora passar correndo, chorando, seguida por Mimi e ambas foram para o vestiário feminino. Expliquei minha preocupação para minhas parceiras de barraca e elas me liberaram para ir saber sobre minha amiga.
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— Não é justo! — A ruiva esbravejava, inconformada. — Minhas mãos deram calos de tanto costurar e no dia ninguém pôde vir, nossa equipe vai perder ponto! Eu vou perder nota!
— Calma amiga, vai dar tudo certo. Vamos dar um jeito! — Mimi tentava amenizar.
— Que jeito, Mimi-chan? Nossa equipe tem poucas garotas e as poucas não vieram. Vamos vestir os garotos?
— E porque não? — Mimi falou com seriedade.
— Seu desfile deu problema? — questionei abraçando as duas.
— Parece que sim… — Sora se lamentou.
— Desfilamos nós mesmas! Usamos perucas diferentes a cada troca de roupa. — Mimi solucionou.
— Nós duas Mimi? — a ruiva não se empolgou.
— Nós quatro… Você, eu, Hikari-chan e… Miyako-chan!
— OI? Sem chance! — quase saltei para fora do vestiário, mas Mimi me puxou de volta.
— Amigas são para essas coisas. Você não vai morrer por nos ajudar Miyako-chan… — Mimi decretou decidida e percebi que estava sem saída. — Vá lá fora buscar a Hikari-chan e mande os rapazes irem para o camarim. — Ordenou uma animada Mimi.
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A grande novidade do dia nem era Mimi fazer Hikari e eu nos vestirmos de gueixas e sim ela fazer isso com os rapazes também.
— Eu me visto de gueixa só no dia em que galinha criar dentes e vaca voar. — assegurou Taichi troçando.
— Não tem conversa. — Yamato foi convicto.
— Já me vesti de Princesa Kaguya mesmo, então pode ser... — Takeru-kun choramingou.
— Tem que ser trajes femininos? — Iori-kun parecia não querer fazer, mas também estava com pena de negar. Era muito importante para Sora.
Ficamos discutindo até que Koushiro e Kido chegaram.
— O que está acontecendo aqui? — Ambos perguntaram ao mesmo tempo e…
Foi assim…
Quatro digiescolhidas...
Oito Digiescolhidos...
Doze lindas gueixas!
Por fim, o desfile foi um sucesso. Os rapazes ficaram encantados com as modelos desconhecidas, vieram nos pedir o contato delas, mal sabiam que eram homens. Sora ficou muito agradecida, pois não passou noites sem dormir a costurar em vão.
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Horas mais tarde a nossa barraquinha foi fechada e o lucro entregue ao tesoureiro. Vesti um kimono bonito, arrumei os cabelos e finalmente eu pude curtir o resto do festival ao lado do meu namorado.
— Não estava nos meus planos ter que desfilar e trabalhar tanto como hoje. — Suspirei enquanto Koushiro me entregava um crepe.
— Sobrou até para o Joe-senpai que já se formou. Não estava nos meus planos desfilar vestido de gueixa em um palco, com os rapazes loucos querendo meu telefone. — Respondeu divertido, me arrancando risos. — E o Poromon?
— Coitadinho, queria ter vindo, mas achei muito arris… — Talvez eu estivesse muito cansada e vendo coisas, mas tive a impressão que vi umas pelúcias idênticas a Poromon, Chibimon, Upamon, Patamon e Tailmon. Eles não se atreveriam! Balancei a cabeça negativamente.
— Algum problema? — Koushiro-kun questionou, me tirando dos devaneios.
— Nenhum… É só… Estou trabalhando na decoração, organização, desde muito cedo e já estou meio atordoada com tanto movimento. Estou vendo coisas.
E nesse momento começou a tradicional dança em frente a fogueira, ela foi banida desde sua apresentação no anime School Days, um dos piores capítulos, mas no meu caso foi uma coisa linda. Koushiro nem me perguntou, segurou minha mão e saiu me puxando para onde alguns tímidos casais se agrupavam. Aquilo era uma forma de revelar nosso namoro para todos.
Enquanto dançavamos pude ver Mimi-chan arrastando Joe-senpai, opa! Eu não sabia que os dois estavam namorando! Pelo visto ninguém sabia, os muitos fãs da rosada ficaram decepcionados. Não pude deixar de sorrir com a cena da Hikari-chan parada entre as colegas e Daisuke se aproximando de um lado e Takeru de outro, mas quem a levou para dançar quebrando a tradição de romance foi seu irmão Taichi. Yamato criou veia romântica e trouxe Sora-chan para a dança e Iori-kun? Quando identifiquei em meio a confusão de alunos, ele gesticulava desesperado em nossa direção.
Interrompemos a dança e corremos para a entrada do terraço. Nos reunimos com o resto da turma e subimos as escadas. Quando chegamos no topo, lá estavam os cinco Digimons se esbaldando em meio aos doces variados e o professor Fujiyama estava abaixado, observando-os.
— Encontrei esses pestinhas aprontando pelo festival! — Disse “naturalmente” e os cinco pararam de comer e coraram.
— Como o senhor sabe sobre os Digimons? — Perguntei incrédula e os veteranos começaram a contar toda história e como o professor sabia sobre as criaturinhas digitais.
Durante o relato nostálgico, uma linda chuva de fogos de artifício começou a estourar, colorindo o céu.
Aquele dia estava fabuloso! Eu nem fiquei brava por Poromon ter vindo escondido ao festival. Tudo estava perfeito… Com um sorriso vigoroso, apoiei minha cabeça no peito do meu namorado. Parecia um sonho! Era difícil conciliar a vida de guerreira digital e estudante, mas isso me dava bons amigos, risos e eu só queria que aquela felicidade durasse para sempre…
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No meio da noite fui tirada de um sono profundo. Uma mensagem avisava que Palmon havia sido sequestrada por Kaiser. Não era de costume que cada um usasse o portal em particular sem a presença dos demais, por medida de cautela. Mas era um caso diferenciado. Recebi as coordenadas do local, acordei Poromon, arrumei a mochila, liguei meu computador, digitei as coordenadas e atravessamos.
Encontramos a equipe no local combinado e seguimos por uma floresta densa, fria e recoberta por neblina. Mimi não parava de chorar e tentávamos acalmá-la. Depois de mais de um mês sem notícias de Kaiser creio que nenhum de nós sabia ao certo o que esperar. O silêncio da floresta foi quebrado e paramos em alerta. Os arbustos se agitaram e nosso digivices começaram a apitar. Era um mal sinal. Do meio da vegetação surgiram Digimons Girassóis.
"Sunflowmon
Nível: Seijukuki (adulto)
Tipo: Planta"
Com um sorriso macabro, as criaturas iniciaram uma dança tribal ao nosso redor formando um círculo que foram fechando cada vez mais. Durante a dança possuída começaram a esbofetear nossos parceiros com suas folhas. O sorriso se transformou em gargalhadas sonoras. Nossa equipe se entreolhou e quase que automaticamente todos sacamos os digivices e demos o comando de evolução.
— Digimental Up… — Gritamos em coro e nossos parceiros alcançaram a evolução armadura e se posicionaram para a batalha.
Para desimpedir o desenvolver da batalha, procuramos abrigo e continuamos a averiguar o perímetro, dando cobertura para os nossos parceiros. Koushiro desenvolveu muitos equipamentos que nos são úteis, como óculos de visão noturna e comunicadores de longo alcance e até armas que possamos usar em caso extremo para nossa proteção.
Os Sunflowmon pareciam mais focados em atordoar os oponentes que não possuem a habilidade de voar. Eles não eram poderosos, mas eram numerosos e isso estava nos causando desvantagem. Digmon caiu em uma armadilha; um enorme buraco escondido por folhas, galhos e troncos. Paralelo a isso, Flamedramon foi totalmente imobilizado por chicotes de novos inimigos que se encontravam escondidos nas sombras:
"Zassoumon
Nível: Seijukuki (adulto)
Tipo: Planta
Atributo: Vírus"
Enquanto um grupo de Sunflowmon realizava uma formação e disparava sementes similares a projéteis, outro grupo emitia ataques de raios solares cegando e atordoando a todos nós e aos nossos parceiros, os Zassoumon lançavam seus chicotes contra Holsmon, Pegasmon e Nefertimon, os impedindo de voar.
— Sol Vermelho!
— Maldição da Rainha!
— Chuva de Agulhas!
Nossos parceiros tentavam se defender, mas os inimigos eram numerosos e estavam muito bem preparados, enquanto fomos pegos de surpresa. O angustiante era que devido ao ataque luminoso de Sunflowmon, não podíamos dar nenhuma cobertura. Enquanto isso, Digmon estava sozinho na cratera que com a luminosidade podemos ver que estava lotada de Golemons e Minotarumon.
"Golemon
Nível :Seijukuki (adulto)
Tipo: Mineral rocha
Atributo: Vírus"
"Minotarumon
Nível:Seijukuki (adulto)
Tipo: homem besta
Atributo: Vírus"
Digmon ainda se recuperava da queda quando os inimigos partiram para o ataque corporal, Na ânsia de ajudar o amigo, Pegasmon e Nefertimon conseguiram se soltar e tentaram libertar Holsmon, mas ele recusou dizendo que Digmon precisava mais de ajuda urgentemente.
Flamedramon também conseguiu se soltar usando suas chamas para queimar os chicotes do inimigo. Nossos parceiros sempre procuravam não ferir os escravos de Kaiser, pois eram controlados, mas Digmon estava em apuros e Flamedramon usou toda sua força para tirar os inimigos do caminho e pulou na cratera, se colocando na frente do amigo, protegendo-o e recebendo o reforço de Nefertimon Pegasmon.
Eu entendi que Digmon se machucou com a queda e precisava de apoio na cratera, mas fiquei extremamente preocupada com Holsmon. Os chicotes de Zassoumon não era o problema, pois o ataque “Asas da Tempestade” o libertaria se fosse preciso. Eu sabia que ele estava se controlando para não ferir os inimigos. As sementes lançadas pelos Sunflowmon não o afetavam tanto.
Pelo comunicador, Koushiro avisou que o reforço não poderia se aproximar devido a ação da Torre Negra. Ele também conseguiu a localização exata de Palmon que estava amarrada em uma clareira próxima, vigiada por Sunflowmon. Sem alternativas Holsmon preparava para atacar com todas as forças e ir buscar a parceira de Mimi, contudo um enxame de Waspmon saiu das copas das árvores e atacou em grupo.
"Waspmon
Nível: Seijukuki (adulto)
Tipo: Ciborgue
Atributo: Vírus"
A cena se passou em câmera lenta; Holsmon soltou um estridente rugido de dor e se contorceu ao receber os ataques. Foram horríveis minutos de tortura até que ele regrediu a Poromon e estatelou-se a metros de altura. Aquela cena me deixou atordoada, era como se a batalha perdesse o som e eu me desvencilhei dos meus amigos, que tentaram me segurar e corri por entre os inimigos.
Parei desacreditada quando vi Kaiser surgindo em seu Devidramon. Seus cabelos desgrenhados esvoaçavam junto com o sobretudo longo, o chicote em mãos, os óculos refletiam o brilho dos golpes trocados entre os Digimons. Um sorriso diabólico estampava sua face. Quando seu escravo parou rente a Poromon e o pegou com a boca, meu mundo caiu. Enfim entendi tudo.
— FIQUE LONGE DELE SEU DESGRAÇADO!
— Não vamos baixar o nível, Inoue Miyako, certo? — questionou sarcástico enquanto Devidramon lhe entregava Poromon inconsciente.
— Não... — murmurei desacreditada. — NÃO PODE USÁ-LO PARA SE VINGAR DE MIM… ELE NÃO TEM CULPA!
— Certamente que não. Todavia, estamos em uma guerra. E não existem inocentes em uma guerra, apenas lados e o seu pequeno parceiro aqui… — com descaso, ergueu Poromon por uma das asas. — está contra mim. Concorda?
— Você vai matá-lo? Não vai, senão já o teria feito!
Ele alargou ainda mais o sorriso e ergueu o indicador.
— Bingo! Se me permite o uso do termo. Vejo que você é inteligente considerando o seu âmbito de convivência. Eu sei que se eliminar seu parceiro você irá correndo para encontrá-lo na cidade do Princípio.
Abri a boca, mas não tive o que dizer. Seu jeito austero e a passiva agressividade me deixavam ainda mais apavorada.
— Sim, eu fiz a lição de casa. Sei que para eliminar um Digimon de vez, ele precisa morrer fora do Mundo Digital. Eu poderia providenciar isso sem problemas… — fez uma pausa dramática. — No entanto… — cantarolou insinuante.
— O QUE VOCÊ QUER? Eu faço qualquer coisa para ter meu Poromon de volta.
— Eu previ que você diria algo assim. — sorriu prepotente. — Mas, creio que este dia tenha sido muito desgastante para nós todos. Veja só que caos! Levarei seu parceiro como convidado para conhecer as instalações da minha base. Enquanto isso, eu quero que você vá para casa e descanse. Entrarei em contato para discutirmos os termos do nosso tratado.
Dito isso o som de seu chicote ecoou no lombo de Devidramon e o mesmo arrancou célere, uma poeira turvou minha visão e me fez tossir. Quando a pulverulência baixou, o escravo de Kaiser já voava longe e eu caí de joelhos na relva suja e esgoelei, mesmo sabendo que era inútil.
— POROMON!
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