Inimigos Íntimos

4 Coincidências (revisado)


Pov Kaiser

O tópico que sempre esteve salientado em minha mente desde que me lembro é: Qual o motivo da minha existência? Não é muito original, reconheço. É comprovado cientificamente que os seres humanos usam apenas 10% do potencial do cérebro. No geral, as pessoas nem se incomodam com essa dolorosa verdade. Os anos se passam e elas vivem repetindo os erros das gerações passadas, comemorando por migalhas de desenvolvimento de um planeta que já está à beira da extinção e ninguém se importa. O seus 10% de evolução cerebral os permitem ter uma sociedade, estudar, trabalhar, procriar, divertir, envelhecer e morrer… Mas e depois? Passaram pela humanidade sem fazer nenhuma diferença, sendo um zero à esquerda, como tantos. Ainda ficam contentes com essa realidade, mas não eu!

Ainda não sei exatamente o motivo da minha existência... Mas deduzi que seja como um jogo, cada capacidade cerebral que desativo é como vencer uma fase e, ambiciono alcançar os 100%. Louco eu? Óbvio que você precisa pensar que sou louco, afinal é mais cômodo, já que provavelmente é mais um dos que estão satisfeitos com a porcentagem de um raciocínio medíocre. A sociedade vê o mais ativo como a um vilão, um anormal, um incompreendido. Todos são assim, meus pais, professores, colegas de classe, os desconhecidos transeuntes das ruas por onde passo. Todos satisfeitos com a mixaria que possuem, mas não eu...

A Terra já se afundou demais, ao meu ver é um caso perdido, no entanto, eu não estarei aqui para ver seu declínio. Como se fora um presente para minha mente superior e o desejo de progredir, recebi a oportunidade de desbravar um novo mundo, primitivo, complexo, convidativo para muitas descobertas, com possibilidades infindáveis e sem um líder para conduzir. Este mundo estava à minha espera, hei de moldá-lo meu gosto e guiá-lo à perfeição. Uma verdadeira utopia!

Os habitantes deste mundo são conhecidos como Digimon. Estou a estudá-los e consegui uma fórmula para protegê-los de fadar esse mundo magnífico a encontrar o mesmo destino caótico que a Terra; dominando-os e tornando meus escravos. O livre arbítrio para os de mente pobre, é o que leva ao caos. Se uma mente forte, sábia e estratégica estiver no comando a ordem e o progresso ocorrerão.

Obviamente eu sabia que haveria pedras no percalço. Não demorou muito para que surgissem opositores à minha causa, estes conhecidos como Digiescolhidos. No começo pensei que eles se cansariam e voltariam para suas vidas, mas não foi o que aconteceu. Motomiya Daisuke (o ruivo Pela-Saco), Takaishi Takeru (o loiro metrossexual), Hida Iori (pivete catarrento), Yagami Hikari ( a insossa) e Inoue Miyako, a pior de todos, com aquela voz aguda e irritante sempre a repetir bordões toscos “bingo”(gralha).

Nunca me esqueço da primeira vez que a encontrei. Pela-saco Motomia, tinha caído em uma armadilha perfeita, estava prestes a escravizar seu parceiro e chutá-lo para fora do jogo, quando a gralha da Inoue surgiu em Holsmon, seguida por seus amigos petulantes. Além de estragar meus planos a garota teve a audácia de troçar de mim. Naquela época eu era uma mera criança, quero ver ela tentar a sorte agora.

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Perdido em estudos sobre os Digimons e este mundo, recebi alerta dos Monitamon e segui para a sala de controles para averiguar. Mais um dia que os Digiescolhidos apareceram para brincar de super heróis. Programei os monitores para transmitir a localização de cada um em tempo real.

Não me surpreendi ao ver que muitos Digimon se juntaram a eles, desde o começo já previ que isso aconteceria. Sei que existem evoluções poderosas nos recantos deste mundo e, que estes não vão ficar parados enquanto evoluo em pesquisa e desenvolvo métodos para controlá-los. Posso dizer que minhas contendas não são apenas contra os vermes-escolhidos, mas contra Digimon de certa relevância, os quais sempre consigo derrotar com exércitos numerosos. Basta estudar a fraqueza e escolher as armas certas.

Também estou ciente da resistência formada contra mim, de como a cada dia possui mais adeptos. Francamente... Isso não passa de uma piada tola! Estou pouco me fudendo e, na verdade, é bom que se juntem mesmo, assim me poupa o trabalho de caçá-los e posso meter um Anel Negro na “resistência” inteira!

Procurei uma posição confortável, abri comunicação e ordenei que me trouxessem um lanche, enquanto observava o espetáculo proporcionado pelos meus velhos inimigos. Resmunguei algumas blasfêmias, incomodado com os escândalos da gralha, ao encontrar os Bearmon. Os anos se passaram, mas Inoue continua sendo a componente da equipe da qual mais tenho asco. Sinto ódio e repugnância por muitas coisas, questões e pessoais, mas essa garota, indubitavelmente, ultrapassa os limites. Insuportável ao extremo!

— Acho que você gosta dela, Ken-chan. — Grr... Me enfureci só de lembrar das palavras de Wormmon. O que aquele verme quis insinuar com uma frase tão absurda. Gostar? Ah sim claro, gosto do corpo magricelo dela estendido no chão e pisoteado por uma manada de Tyrannomon.

Se você está se perguntando quem é Wormmon? Se trata de uma criatura insolente que sempre esteve comigo desde que vim para este mundo, já me foi útil por muitas vezes, mas tem a mania irritante de apelar para emoções. É interessante que estes seres têm em suas configurações dados para reproduzir sentimentalismo, o criador ou programador deste mundo era genial. Nos dias atuais Wormmon quase não me serve para nada, todavia, não sei o porquê, sinto necessidade de mantê-lo por perto.

Deixando os devaneios de lado, observei a movimentação que a gralha fazia com os aliados. Ao que parece eles estão em formação para começar a se deslocar pelos céus. Ah, claro! Como se Seadramon voassem e trabalhassem em equipe com os Airdramon! Será que ela desconhece que eles são rivais por natureza, e que nunca vão trabalhar juntos? Que idiota! Com sete anos de batalhas, no mínimo ela deveria saber disso, já que se vangloria da suposta inteligência juntamente com aquele... como é mesmo o nome do verme? Ah, Koushiro Izumi, um dos antigos digi-descartados. Os “Guerreiros Digitais” chamados de veterano, era um grupo antecessor ao de Motomiya. Devido a algumas alterações que realizei, seus dispositivos já não são mais capazes de abrir portais.

— Airdramons voam, mas não possuem ataques aquáticos... JÁ SEI! — Saltei da cadeira com o escândalo de Inoue. Por que berrar como se os aliados estivessem lá na Ilha Arquivo? Totalmente desnecessário. Maldita gralha! — Os Airdramon levam os Seadramon.

Oi? Ela sugeriu isso mesmo? Esforcei-me para tentar imaginar a cena, os Aidramons carregarem os Seadramons pelos céus? Piff! Quase caio da cadeira, entre gargalhadas de deboche. O que mais falta para ela inventar? Uma nova evolução Armor para o seu Digimon tentar me vencer? Não sei como ela ainda perde tempo com isso, é óbvio que…

— É mesmo… Sempre achei que Airdramon fossem bravos guerreiros e que gostassem de desafiar o impossível, era muito fã de vocês. — E lá vamos à velha tática de massagear o ego, apelando para o orgulho de guerreiro presente na natureza de todos os Digimon. Duvido que surtirá efeito.

— Isto é muita loucura, mas acho que podemos conseguir. — Os Digimon se entreolham pensativos.

— Neste caso, eu posso me arriscar a ser carregado. — Um dos Seadramon se manifesta. — Vamos, não sejam medrosos!

A cena bizarra saiu do campo da imaginação começando a se formar em minha frente. Aidramon carregando Seadramon e voando pelos céus em direção à represa. Inconcebível, todos indo para uma missão, entre discussões informais e muitos risos. Nem Motomiya Pela-saco tem uma maneira tão peculiar de conduzir uma operação. Inoue é afrontosa, sua singularidade é fazer situações logicamente impossíveis se realizarem. Parece estar sempre indo contra mim, mesmo indiferente ao fato. Mas isso aqui não é a Disney. Não adianta acreditar nos seu sonhos! Por mais que eles tenham vantagem por terem Digimon aquáticos, meus escravos tem o triplo da força de ataque potencializado pelo poder das trevas.

Que batalha mais entediante! Conferi as outras telas e não captei nada atípico. Os parceiros dos digi-obtusos atingiram a forma Armor e batalhavam contra os meus escravos, mas o reforço que estão a receber me deixou em alerta. Fiquei suspicaz com a proporção que está ganhando a resistência contra mim... Teria que investigar mais a fundo o que está acontecendo, talvez seja algo que mereça minha atenção.

— A Torre, está na mira! — O Digimon de Inoue anuncia e, volto minha atenção para seu monitor novamente.

— Então vamos dar o nosso melhor. Ikkakumons, Holsmon, vamos atacar a base da Torre Negra, todos juntos. AGORA!

— Não tão rápido, querida. — Sorri ardiloso apertando um comando no painel de controle, libertando mais força de ataque. — Flymons, acabem com esses vermes!

Um enxame de vespas atacam com seus ferrões e os oponentes ficam aturdidos, zonzos, à espera de um comando da gralha. O confronto se tornou mais intenso, os Flymons investiram com pó entorpecente, derrubando alguns dos estorvos, porém a digiescolhida ainda estava firme. Enquanto isso…

— Punho de fogo.

— Broca de ouro.

— Maldição da rainha.

— Estrela cadente.

Os monitores mostraram os ataques dos digi-parceiros contra as Torres Negras. Destruídas em pedaços, assim como os Anéis Negros. Não...ISSO NÃO PODE ESTAR ACONTECENDO! Como esses vermes conseguiram vencer, sendo que estavam em menor número que meus escravos? Alguma coisa está errada, não tem lógica!

— Sol Vermelho! — Holsmon ataca…

Virei em direção ao monitor que transmitia imagens de Inoue, testemunhando que ela também teve sucesso em sua missão. Instintivo, levei as mãos a cabeça, cético e incrédulo.

— Bingo! Vocês mandaram bem! Todos vocês, mandaram muito bem! — Ela celebra sua vitória, feliz como porco na merda.

— QUE INFERNO! MALDITOS DIGIESCOLHIDOS! — soquei o teclado, extravasando minha ira. — DESGRAÇADOS! COMO OUSAM ME CONFRONTAR DESTA FORMA?

Berrei exasperado, proclamando minha fúria. Infelizes, filhos da puta! Não venham me dizer que não importa o tamanho do meu exército, pois eles possuem o poder do amor, amizade, coragem, sinceridade, sabedoria e todas essas asneiras de My Little Pony. Continuem sonhando com a “amizade mágica” e lembrem-se de que não me tiraram do trono até hoje e não estão nem perto de conseguir.

— Parece que os digiescolhidos venceram mais uma vez. — Wormmon surgiu das sombras parando ao meu lado. Péssima hora para você aparecer com palpites imprudentes.

— Cala a boca, seu vermezinho inútil. — Retirei o chicote e o acerto diversas vezes, descarregando toda a minha fúria. Wormmon fecha os olhos e se deixa levar pelos golpes. Sempre apanhou calado, como total submissão.

Era isso que aqueles moleques malditos deveriam ser, todos submissos à minha superioridade inquestionável, acatando ordens, inclusive aquela garota insuportável! Passados alguns minutos, já não tenho mais forças nos braços e solto o chicote no chão. Wormmon está ferido e quase desacordado.

— Pobrezinho. — Me abaixei para observar seu estado lastimável. — Você nunca aprende a deixar de ser inconveniente? Não sei porquê insisto em te manter por perto bancando o Grilo Falante, mas se vai ficar será nos meus termos! — Por um momento seus olhos se encheram de lágrimas antes de fechar, tristes e silenciosos. Liguei o comunicador e contatei Gotsumon. — Gotsumon venha a sala de controle e leve o verme do Wormmon pra enfermaria. Rápido que tá estragando a decoração. — Dei de ombros.

Mirei o monitor, vendo os digiescolhidos comemorarem sua mísera conquista, hunf, ratos! Como se tivessem feito grande coisa pelo Mundo Digital. Foquei a tela onde está a gralha, ela nada tranquilamente no lago, totalmente despreocupada, sozinha e indefesa... Opa, sozinha? Pesquisei por seu parceiro e o encontrei adormecido em um galho a poucos metros do local. Nunca subestime o inimigo…

Inoue Miyako está sozinha e indefesa nesse momento... Um sorriso maldoso queimou as linhas divisórias entre lábios e rosto. E se eu a sequestrasse e exigisse em troca de sua liberdade, os Digivices? Assim aqueles vermes malditos nunca mais me atrapalhariam. Eles teriam que viver o resto de suas vidinhas patéticas, lamentando não poder fazer nada para salvar este mundo. Plano perfeito!

Saí da base montando Devidramon e dei as coordenadas do local. Ele se moveu rápido e discreto por entre as árvores da floresta, se escondendo dos Digimon libertados por Inoue. A carga negativa emitida pelo meu digivice negro permitiu que eu controlasse qualquer escravo que possuía o Anel Negro. Desci perto do local onde a garota se encontrava e me escondi entre as árvores, esperando o momento certo para pegá-la de guarda baixa.

Inoue nadou para a margem prestes a sair da água, ouvi seus passos. Quando ela passou por mim, voltei o tronco e me coloquei atrás dela, paralisando completamente com a situação imprevisível. A garota estava completamente… DESPIDA? Eu não suspeitava, não imaginava, não me preparei… Como eu poderia ter previsto algo assim? Sempre soube o quão louca ela era, mas não imaginei que fosse tão vulgar. Cerrei os punhos com força. Eu vim com um propósito e deveria cumprir.

Estou tão atordoado e pasmo diante de sua nudez, como se minha mente anuviasse,. Dou um passo para trás e acabo quebrando um galho provocando um ruído. Instintiva, ela se vira e me encara arregalando os olhos, cruzando os braços frente aos seios em um movimento ligeiro.

Ambos congelamos com o confronto, nos encarando pétreos. Uma mistura de sentimentos reboliça em meu âmago. involuntariamente, percorro as formas nuas com o olhar... Sinceramente, não encontro palavras para descrever o momento. Inoue respira fundo e, de sobressalto, abre a boca pronta para gritar. Não! Em um impulso. Invisto contra ela e cubro sua boca. Não vai gritar mesmo, não estou afim de ter os meus ouvidos sangrando devido a sua voz pavorosa. De alguma forma devo continuar com meu plano.

Empurrando-a, pressiono suas costas contra uma árvore. Ela se debate vigorosamente, tenta me bater e chutar, lutando para escapar, chegando a arrancar meus óculos e assim, prensso nossos corpos no intuito de impedir seus movimentos. Posso sentir os seios macios esmagando-se contra o meu tórax e o inevitável atrito da minha face contra seu pescoço. Essa sensação? Inalo seu cheiro; mistura de medo, adrenalina. Você está indefesa Inoue, ninguém pode te ajudar agora, onde está toda sua coragem? Toda sua marra? A emoção de render uma presa e sentir seu pânico é tão deliciosa… Deliciosa!

A fim de fazer com que ela pare de resistir, agarro-lhe pelos cabelos, aproximando-me de seu ouvido, mentindo que seu parceiro foi rendido por meus escravos. Inoue fica inerte, rendida, a minha mercê. Nunca experienciei a adrenalina de subjugar humanos. Já havia me deliciado em impor minha superioridade física e intelectual, mas nada se compara ao que estou sentindo agora. Não é como a lavagem cerebral feita por um Anel Negro, é mais como uma dominação de uma selvagem. Como é aprazível puxá-la pelos cabelos!

Miro sua feição de pavor, segurando em seu queixo a forço abrir os olhos e me encarar, quero ver o brilho do temor em seus âmbares desafiadores. Prontamente, ela obedece o comando, boazinha como uma garotinha sendo disciplinada. Eu gosto disso, gosto muito disso… Tanto que, involuntário, me aperto mais contra ela. A percepção impactante de poder e dominação eclode em meu âmago e corre frenética pelas veias, deixando-me em um êxtase descomunal.

Vulnerável, indefesa, submissa… Linda! Ela fica maravilhosa com essa expressão acuada e meu corpo começa a reagir a toda essa proximidade e adrenalina, de maneira não planejada, inapropriada. Conscientizando-me da situação em que estamos e todo esse sabor de uma caçada bem sucedida, as reações inoportunas se tornam acentuadas, me forçando a admitir o quão excitado isso me deixou!

A calidez pélvica não me permite raciocinar claramente. É como se o corpo estivesse dedicando todas as informações para o pênis, cujo a rigidez e pulsação já estava me incomodando. Rispidamente, exijo que Inoue se vire de costas. Ela reluta. A seguro e, eu mesmo a viro e ordeno que fique quieta, ameaçando seu parceiro mais uma vez. Encaro a ruína dos meus planos e aproveito o temor da inimiga para escapar furtivamente. Fracassado, segui vencido por minha humanidade estúpida, por uma situação que não previ e não tive destreza para lidar.

(...)

Transtornado, entro na base quebrando tudo o que vejo pela frente. Maldita garota! Como ela pode ser tão vulgar? E como pude me deixar levar. justo eu; uma existência superior física e intelectual, agir como um garoto comum, que gasta tempo e energia em apelos corporais triviais? Estou com nojo de mim por comprometer uma missão promissora, por me permitir ser rebaixado a tal nível. Eu poderia ter capturado aquela vaca com facilidade e, assim me livrado desses insetos.

Massageando as têmporas, me sento digitando furiosamente, retornando as filmagens da batalha que ocorreu naquela região, analisando em quais pontos errei para poder melhorar na próxima vez. A raiva aumenta quando a vejo induzindo os Digimon libertados a se juntarem a resistência. Os Digimons se despediram e voltaram para a floresta. Inoue pediu para seu parceiro vigiar a área enquanto... começou a se despir lentamente...

Fiquei boquiaberto quando a vi somente de lingerie. Um tanto infantil para sua idade, repleta de pequenos desenhos coloridos em um fundo rosa. Suas mãos seguiram para o fecho do sutiã o retirando, jogando em uma pedra, sobre as roupas. O movimento seguinte veio em câmera lenta. Ela segurou as laterais da calcinha, escorregando-a pelas longas pernas… Literalmente perdi o ar, aumentei o ar condicionado, bebi água, respirei fundo.

Grr… Essa garota é muito vulgar! Isso não é coisa que se faça ao ar livre! Eu deveria estar escandalizado com a ousadia dessa pentelha, porém , infelizmente sou um humano! Impossível não me sentir excitado com a cena. Que decadência! Eu pretendia desligar, entretanto acabo apertando o zoom e tendo uma visão privilegiada, bem detalhada! Me livrei do sobretudo, pois o ar condicionado já não funcionava, penteio a franja com os dedos, tirando os fios colados no suor.

As curvas de Inoue são delicadas; pernas alongadas, firmes, bem desenhadas, quadris destacados em contraste à tênue cintura e, os seios… os seios são médios e arredondados, de aspecto suculento como uma fruta, auréolas e mamilos rosáceos em contraste com a pele alva. E quanto à sua intimidade... Usa lingerie infantil, mas tem ousadia o suficiente para se depilar? Peculiar... Ela se deliciava sob a queda d'água e, é impossível não admitir o quanto a cena é atraente…

Tantas coisas sérias para fazer e eu aqui perdendo todo o meu tempo, babando por uma digiescolhida, ainda mais essa garota irritante. Estou tentando encontrar defeitos para colocar. Não consegui, minha mente estava longe, nublada, devaneando coisas inapropriadas com ela. Ainda bem que não assisti essas filmagens antes de ir ao seu encontro, eu não responderia pelos meus atos... Ah droga! O que eu estou pensando? Bruxa maldita, não, eu não posso estar com vontade de me tocar vendo isso? Não, isso é ultrajante demais para mim!

Pensei em deletar a gravação, mas apenas desliguei o monitor. Está na hora de voltar para casa. Basta, me importunei demais por hoje. Primeiro foram os digi-execráveis, depois Wormmon e sua petulância, e para fechar com chave de ouro; essa picardia no meu jardim. Imagina se essa moda pega? O Motomiya pela-saco, pirralho catarrento e o loiro afeminado estarão pelados qualquer dia desses... Argh que visão do inferno!

Abri o portal e voltei para o meu quarto, percebendo que já é noite. Peguei um pijama leve e segui para um banho gelado a fim de abrandar ”as reações inconvenientes e exageradas” do meu corpo. Hunf, sensações idiotas! Estava parecendo um adolescente imbecil, agindo dessa forma. O choque da água fria contra a pele, parecia surtir efeito e me trazia de volta à realidade. Permaneci no banho por um tempo. Após sair do banheiro, no percurso para o quarto, fui abordado pela minha mãe. Aff, o que ela quer agora? Pois bem… Ainda morava com meus pais, pois precisei focar apenas em meus estudos e tinha bolsa atleta para manter, que consistia em receber para jogar e lutar representando o estado. Não é conveniente morar sozinho e lidar com afazeres domésticos. Pouco me importava, planejava mudar para o Mundo Digital em breve.

— Oi querido. Você foi muito bem nas finais do torneio de judô. Vi que nos honrou com mais uma medalha de ouro, estou orgulhosa, todo o país está! Não quis te incomodar, pois pensei que estava dormindo. Tem uma torta no forno, quer que eu te sirva um pedaço? — Hunf, como se você realmente se importasse comigo.

— Estou sem fome! — Respondi friamente, batendo a porta do quarto em sua cara. Não sinto fome nenhuma dentro desta casa, só nojo de estar perto dessa escória.

— Tudo bem... — ela murmurou lamuriosa do outro lado.

☆☆☆~~☆☆☆

Acordei ainda de madrugada, saindo de um maldito sonho onde eu estava com Inoue naquela mesma situação que vivenciamos, mas no devaneio eu a tocava intimamente, desbravando suas formas, percorrendo a boca pela sua pele… E ela estava rendida, entregue, sendo uma boa menina. Tudo parecia tão real! A excitação era tanta que dessa vez não pude fugir da natureza, sendo obrigado a me aliviar para abrandar os apelos corporais. Francamente, não me orgulhei do fato.

Posteriormente, a única coisa que senti foi ódio. Não quis voltar a dormir, liguei o computador e abri o portal partindo para o Mundo Digital, onde tinha uma armadilha para preparar como presente para os inimigos no Vale da Morte. Entretido, quase perdi a hora. Retornei às pressas para o mundo real. Hoje havia um jogo contra o Odaiba FC, um amistoso com entrada gratuita para promover o esporte. Argh, só de pensar naquelas fangirls nojentas gritando o meu nome... Chego a me sentir enjoado. Loucas, interesseiras, oportunistas, sei o quanto a maioria sonha em se promover às minhas custas. Todos os presentes que me ofertavam vão parar na lixeira. Ter de lidar com elas é um martírio.

Peguei o táxi e, durante todo o trajeto, fui pensando quais seriam as reações dos digiescolhidos ao verem que instalei uma Torre Negra em uma área deserta, ficarão intrigados, com certeza? A curiosidade os levariam à ruína. Já podia me imaginar tomando seus dispositivos e os chutando do meu reino e talvez, não a Inoue… Talvez eu a deixaria ficar mais um tempo como minha prisioneira e brincaria com seus piores temores, só para ver aquela expressão deliciosa de medo e submissão em sua face. Gralha insuportável, irritante, petulante e… Gostosa! O que? Como pude pensar algo assim? Que nojo! Ela não passa de uma magricela vulgar e esquisita!

Ao chegarmos em frente ao estádio, fui tirado das minhas divagações pelos gritos das fangirls. Sério, como essas garotas podem ser tão desocupadas? Todo esse berreiro só me irritava. Bem, não é tempo para isso, estava na hora de colocar a máscara de rapaz exemplar e fazer o show, mostrando toda a minha superioridade a essa plebe, quem sabe eles não se inspiravam e lutavam para desbloquear um pouco mais de capacidade cerebral.

Desci do táxi sob assédio, queriam autógrafos, entregar presentes, tirar fotos, algumas me tocavam sem permissão Estou enojado! Com muito custo fui escoltado pelos funcionários do local e consegui entrar, já começando a descer as escadas de acesso ao campo Será que tem como ficar pior?

— ICHIJOUJI KEN, OLHA PRA MIM!

Não... Não pode ser... Isso é tudo fruto da minha imaginação…

Prontamente virei em direção a voz estridente que berrou meu nome, para a minha profunda surpresa é ela, Inoue Miyako. Estacionei no mesmo lugar, estarrecido… Não tem como ser outra pessoa, os cabelos, os óculos, a voz... Pela forma que ela me chamou me levou a crer que é... Ela é mais uma das minhas fangirls. Que ironia do destino! E as surpresas do dia estavam apenas começando, em seu colo estava a forma regredida de Hawkmon, precisei me controlar para não cair com o choque. Como assim as criaturas digitais podem vir para este mundo? Essa descoberta muda tudo! Ao lado dela encontrei toda equipe de digi-vermes e seus parceiros, mas quando me diriji ao campo, sou surpreendido pela descoberta de que Motomya pela saco será meu adversário. “Observe bem Inoue, o jogo está apenas começando”.