Inimigos Íntimos
48 Bangue-bangue no Oeste
POV Narrador
Os corpos dormente começavam a tomar consciência, os primeiros a despertarem foram os garotos, Hida e Motomiya, resmungaram sentindo as gargantas secas, as cabeças pesada.
Daisuke soltou um gemido de dor e desconforto, ao abrir os olhos esperou sua visão se regularizar e observou ao redor, teve a percepção de que seu corpo estava completamente envolto em cordas, em um aperto doloroso.
Hida tentava entender qual a necessidade de estarem tão bem amarrados uma vez que estavam atrás de grossas grades, por outro lado estava feliz pelo inimigo não ter tomado seus digivices.
Inoue começava a despertar, sua cabeça girava e doía e seu corpo estava formigando e cheio de areia, seu nariz coçava, mas ela não podia coçar, afinal estava toda enrolada em uma corda grossa, como se fosse uma prisioneira extremamente perigosa.
Takenouchi despertou com uma crise de espirros de um dos Digimons que também começaram a tomar consciência, balbuciando palavras desconexas e resmungando pelo incómodo de estarem amarrados.
— Sora… Sora… — A voz fina de Piyomon foi ouvida, capturando a atenção de todos, que logo correram para perto da ave rosada.
— Piyomon você está bem? — questionou preocupada, a veterana guardiã do amor, se aproximando de sua parceira. — Fiquei tão preocupada.
— Sora, você demorou tanto, mas veio por mim e eu te perdoo. — Piyomon murmurou debilitada.
— Como você foi capturada? — a ruiva interrogou curiosa.
— Eu fui atacada pelos Airdramons escravos de Digimon Kaiser e fugi para cá, estava cansada e sedenta e Starmon surgiu do nada me oferecendo uma caneca de leite, não imaginei que fosse armadilha e vim parar aqui.
— Digimon Kaiser e seu exército de lacaios! — Motomiya cerrou os punhos irritado.
— Cabeçada de Veemon! — O dragão azul investe firme contra a parede, mas consegue apenas quebrar meros pedaços, ficando frustrado. — Ai, essa parede é muito forte.
— Armadimon porque você não evolui para Digmon e nos tira daqui? — Hida perguntou impaciente por estar naquela situação.
— Eu até poderia, Iori-san, mas estou com fome e de barriga vazia não consigo evoluir. — afirmou o Digimon tatu.
— Ah, é verdade eu me esqueci que saímos sem nos alimentarmos.— relembra-se o jovem de olhos verdes.
E neste momento todos começam a escutar o relinchar de um cavalo e trotadas.
— Vocês ouviram? — Pergunta Miyako.
— Parece estar mais perto. — Completa Hawkmon.
E de repente as portas se abrem revelando Revolmon.
Um Digimon Mutante cujo corpo tornou-se no cano de uma arma. Embora os detalhes de como nasceu não estejam completamente claros, tem um profundo senso de justiça.
Nivel: Seijukuki
Tipo: Mutante
Atributo: Vacina
— Sou Revolmon, o campeão da justiça! — o recém chegado fez uma espetaculosa apresentação, mas se frustrou ao ver as expressões dos escolhidos e seu parceiros Digimons. — Hey, qual o problema? Porque parecem tão desconfiados.
— Foi confiando que viemos parar aqui. — informa Takenouchi.
— Aqueles que se apresentam como heróis da justiça, não são confiáveis. — Armadimon repete falas anteriores.
— Verdade. — Iori apoia o parceiro.
— Tem certeza de que não tem um Anel Negro embaixo do seu chapéu? — Veemon questiona.
— Como eu poderia ser controlado por Digimon Kaiser? — ele retira seu chapéu e mostra que não há Anel Negro, mas se empolga e continua a tirar peça por peça. — Aqui também não tem nada.
— Oh, certo nós acreditamos, mas vista-se, por favor. — Hida solicita constrangido.
— Se eu soubesse que ia ter strepetize tinha colocado uma trilha sonora. — Miyako não resiste a troçar com a situação, mas estava com os olhos tapados.
— Então veio mesmo nos salvar? — Pergunta Sora animadamente
O Digimon tentava se vestir rapidamente enquanto os demais caiam na gargalhada.
— Só um momento estou fechando a calça. — essa fala de Revolmon rendeu mais risos. — Pronto, vou salvar, mas somente as damas.
— Ah? — todos espantaram-se com a revelação.
— Não é sério. — Motomiya gemeu.
— Nos ajude também. — clamou Veemon.
— Não, só vou levar as damas, não gosto de jogar com machos. — o digimon revólver repetiu convicto.
.— Eu sabia que ele não era do bem. — Armadimon desabafa irado.
— Armadimon não piore nossa situação. — pondera o jovem Hida.
Revolmon atirou na tranca e abriu a porta.
— Senhoritas, sigam-me.— ordenou.
— E quanto a nós? — Piyomon e Hawkmon questionaram.
— Podem vir, mas não incomodem. — o salvador das garotas quis ser benevolente.
Do lado de fora da prisão, havia uma carruagem rústica, onde as garotas e os Digimons foram colocados, o mais interessante é que Revolmon sentou-se ao coche e tocou um cavalo invisível, esse relinchou e saiu puxando a carruagem.
— Que sinistro! — Miyako murmurou amedrontada.
Enquanto isso Starmon preparava uma engenhosa guilhotina para executar seus prisioneiros, isso lhe deu muita fome, voltou para a prisão um tanto faminto. Entrou tranquilamente e se dirigiu até seu obento. Quando abriu seu aroma espalhou-se pelo ar, fazendo os estômagos dos prisioneiros roncarem. Ele se virou em direção ao som e se deu conta de que a tranca foi arrombada.
— Revolmon veio aqui e libertou só as garotas. — o lider da segunda geração murmurou lamentoso.
— Ele disse que só gosta de jogar com damas.— emendou Hida desanimado.
— MALDITO REVOLMON! — Starmon ficou em chamas de raiva. — EU VOU ACABAR COM ELE! — Saiu batendo a porta.
— Olha Daisuke, Revolmon deixou o almoço! — Veemon se atenta para o obento.
— Se comermos podemos Armor Shinka! — Armadimon completa com empolgação.
— Armadimon, imagina que as cordas são comestíveis e roa elas. — O sucessor do brasão da sabedoria tem a ideia.
— Hm! Algo de comer…
(...)
Enquanto na prisão o plano para roubar a comida e realizar o Armor Shinka é executado, as garotas e os Digimons se encontram nas garras do insano Revolmon que já havia montado uma mesa de cartas.
— E se pularmos sobre ele ao mesmo tempo? — Sugere Miyako sempre audaciosa. — Ele pode cair da mesa, bater a cabeça e desmaiar.
— Ou não, amiga ele é bem habilidoso com armas, se ele não desmaia pode acabar conosco. — calcula Sora sendo mais ponderada.
— Vamos começar o jogo na minha vez, depois serão vocês e seus parceiros. — Revolmon anuncia gesticulando animadamente. — Vamos, se animem, alegria, alegria…
— Eeeeeeeee! — as garotas aplaudem falsamente.
— Por enquanto vamos fazer o que ele quer. — sugere a ruiva sussurrando.
(...)
Enquanto isso Armadimon já tinha roído as cordas e todos se libertaram.
— Daisuke, vamos usar isso. — Iori joga uma corda em forma de laço para o amigo.
— Yippie-i-a, yippie-i-o...— Daisuke brincou girando o laço antes de arremessar e acertar em cheio o obento. — Nasci pra ser cowboy! — se gaba de seu feito, arrastando o objeto até rente as grades.
— Ai que fome! — Armadimon fala já começando a atacar.
— Está muito gostoso! — Veemon também devora.
— Meu Kami-sama! Você comeu antes de sair. — Horroriza-se Daisuke.
Após se alimentarem os Digimons estão prontos para o Armor Shinka e recebem o comando dos parceiros.
— Armadimon, agora! — comanda Hida.
— Armadimon Armor Shinka...— Armadimon gira sob o símbolo da sabedoria alcançando a evolução. — Digmon! A sabedoria profunda!
— Veemon, é com você.— comanda o líder da segunda geração.
— Veemon Armor Shinka...— Veemon gira sob o símbolo da amizade e alcança a evolução. — Lighdramon. A força da amizade!
Digmon fura a parede e todos escapam indo ao resgate das garotas e seus parceiros.
(...)
— Vamos lá senhoritas. — Revolmon aguarda a próxima jogada,
— Hm...— Inoue seria a próxima, mas são abruptamente interrompidos pela chegada de Starmon.
— Revolmon...— Starmon encarou o oponente semicerrando os olhos.
— Starmon!.— Revolmon correspondeu o ato e durante o tempo que se encararam um trilha sonora de faroeste se iniciou.
O vento assobiava e a areia se levantava durante a longa encarada dos rivais.
— Eu desafio você para um duelo. — Starmon afrontou o outro.
— Desafio aceito. Sua estrela não vai brilhar.— atiçou Revolmon convencido.
— Você não tem calibre para isso! — revidou Starmon fazendo o outro ranger.
— Então, ficaremos de costas um para o outro, daremos trinta passos contados pelas damas e atiraremos. — Propos Revolmon.
— Que assim seja. Aproveite seus últimos momentos de vida.— concordou o outro.
— Parece que sobrou para nós. — Takenouchi resmungou agarrada a Inoue.
— Um duelo… Quem diria… — A violacea admirou-se, seria radical se não fosse perigoso, pensou consigo.
As meninas começaram a contar, mas quando estavam em vinte e nove Revolmon se virou e atirou no oponente as deixando com gotas sobre as cabeças.
— Você não se virou nos trinta passos?
— Não importa, eu sou o vencedor e o vencedor dita as regras do jogo¹ — Revolmon começou a atirar contra Starmon enquanto o mesmo tentava se desviar sem chances de revidar. — Bala da justiça… Justiça… Justiça…. — A impressão era de que Starmon estava fazendo uma espécie da dança para se desviar dos ataques traiçoeiros.
— Olhando assim nem dá para dizer qual deles está usando o Anel Negro! — Observa Miyako chocada com o comportamento dos dois.
— Verdade...— Concorda a ruiva boquiaberta.
— Justiça...— Revolmon continuava a atirar. — Justiça...Justiça…. Justi- — Olhou para seu cano vazio.— Ué? Fiquei sem balas. — lamentou-se surpreso.
— Eu te mato. — Starmon cruzou os punhos frente ao corpo e ao abri-los dispara seu ataque. — Chuva de meteoros! — o ataque atingiu o rival que caiu longe.
— Ferrou! — As meninas disseram juntas.
— Agora vou acabar com vocês.— Preparou os punhos para atacar as garotas, mas Hawkmon e Piyomon entraram na frente.
— Sora! — Gritou Piyomon.
— Miyako-chan. — Bradou Hawkmon.
— Eu te desafio! — A imponente voz de Lighdramon soou ao longe, enquanto o mesmo pulou alto em direção ao inimigo.
— Chuva de meteoros. — Starmon lançou seu ataque, atingindo Lighdramon e Daisuke.
Miyako e Sora correram para tentar ajudar o amigo em sua queda, paralelo a isso Lighdramon regrediu a Veemon.
— Daisuke, me transforme em Fladramon para acabar com ele. — pediu Veemon com sede de batalha.
— Certo, vai Veemon.
— Veemon Armor Shinka...— Veemon gira sobre o símbolo da coragem e alcança a luz da evolução. — Flamedramon. A coragem flamejante! — Em chamas Fladramon atira-se contra o oponente que arregala os olhos quando o vê chegando, mas não tem como fugir de um golpe que o arremessa para longe.
— Starmon decolando na velocidade da luz...— Miyako brinca fazendo referências a equipe Rocket, personagens de uma famosa animação japonesa, todos riem, mas quando Starmon se choca com uma Torre Negra que estava encoberta por areia e feno, fazendo com que a mesma caia.
— Eu nunca poderia imaginar que a Torre Negra estava alí. —atestou Daisuke.
— Grande parte dela foi encoberta pela chuva de areia. — perfez o jovem Hida.
— Agora a cidade do Velho Oeste do Mundo Digital está fora dos domínios de Digimon Kaiser, — complementou Takenouchi.
— Obrigada Sora, obrigada Digiescolhidos. — Piyomon agradeceu alegremente.
Starmon se levantou agora livre do Anel Negro que se partiu e Revolmon também surgiu.
— É… Agora que resolvemos tudo. Que tal um jogo? — convidou Revolmon
— Dessa vez com os rapazes porque nós duas temos que ter uma conversa de garotas. — Sora aceita deixando os rapazes desanimados.
Todos voltaram para o saloon, onde o ventilador de teto girava sem parar e parecia refrescar o ambiente, o piano continuava a tocar sozinho, mas depois de cavalo invisível isso já nem era tão pavoroso.
Tomaram muitas canecas de leite gelado, mas dessa vez sem “boa noite Cinderela”. Enquanto Daisuke, Iori e os Digimons se sacrificavam tentando ganhar de Starmon e Revolmon, as garotas conversavam em uma mesa mais afastada.
— Estou feliz que você esteja de volta a equipe, sabe, de verdade. Quero que saiba que se precisar desabafar qualquer coisa pode contar comigo. — Sora colocou a mão sobre a de Miyako que suspirou tristonha.
— Vocês não ficaram zangados pela decisão que Daisuke tomou? — começou de forma simples.
— Não, na verdade nem Yamato se zangou.— revelou a mais velha, com um sorriso de canto. — Estávamos todos cansados, abatidos pelas bombas que Kaiser fez estourar em nossas vidas e acabamos agindo com você da maneira que ele queria. Na verdade, Daisuke foi brilhante ao perceber isso.
— Quanto a tudo isso que Kaiser fez, eu…
— Não foi culpa sua. Ele tinha seu parceiro para te chantagear e entrar em nossas vidas. — acariciou a mão da amiga. — No fundo eu acho que tudo isso foi até bom.
— Como pode ser bom? Seus segredos pessoais…
— Ah, por favor, a quem estamos enganando? Todo mundo já imaginava algo entre Taichi e eu, as pessoas já olhavam, murmuravam, apontavam, só não tinham provas. E quanto a partida de Yamato no fim do ano….— suspirou pesarosa. — Independente de ter sido revelado agora, vai mesmo acontecer.
— E como vocês estão com tudo isso? — perguntou indiscreta, mas logo se deu conta. v Me desculpe, se você não quiser falar sobre isso.
— Não se desculpe, eu quem te chamei para conversar, lembra? — a outra assentiu tímida. — Estamos bem… O que Kaiser não entende é que as mesmas dificuldades que nos abateram, também nos uniram. Yamato nunca suportaria deixar Taichi passar por esse drama com a Hikari-chan sozinho e nem eu… Taichi reconhece que foi fraco e confuso quanto a nossos sentimentos, tanto quanto eu também fui…
— Qual você ama, afinal?
— Eu… Eu realmente não sei. Entre ter que escolher ir a um jogo do Taichi e um show de Yamato, prefiro ajudar minha mãe na floricultura. Se eu sentir que tenho que escolher, isso me machuca de uma forma que… É errado eu sei, afinal não se casa com dois maridos.
— Como aconteceu, sabe? O amor surgir com cada um?
— Taichi era meu amigo de infância, jogamos no mesmo time, estudamos na mesma classe e eu sempre pensei que tinha que acontecer, mas depois Yamato surgiu com todo aquele drama familiar e meu lado mãe falou mais alto.
— Como assim?
— Bem, teve uma fase em que Taichi nos deixou de lado, Yamato sempre foi meio lobo solitário, mas sem querer acabei entendendo muito sobre sua vida e a mágoa que a separação dos pais causavam a ele. Havia um buraco em seu peito, uma …
—” Carência.“— ambas disseram ao mesmo tempo e sorriram, mas disseram pensando em pessoas diferentes.
No fundo ambas eram tão semelhantes em certos aspectos, aquele desejo inconsciente de dar colo a quem precisa, o instinto de proteger e curar feridas.
— Sim… Eu me encantei ao entender que aquela marra toda, a rebeldia, o jeito ranzinza era seu jeito de tentar ser forte. A sua fuga e prazer eram as músicas que ele compõe. Sabe, muitos jovens optam por drogas, bebidas, vandalismo, mas não ele. Yamato é incrível, ele sempre se dedica para ajudar o pai, o irmão, mas se sente um estranho com a mãe, não a odeia, mas não sabe o que sentir sobre ela e isso deixa um vazio em sua vida.
— Você o admira muito.
— Os dois, cada qual a sua maneira, mas era como se Yamato precisasse mais de mim e isso me derreteu.— Diante dessa fala Miyako não segurou mais as lágrimas.
— Eu te entendo e isso dói, dói demais. Como você aguenta sentir isso?
—O que você quer contar, Miyako-chan? — Sora abraçou a amiga. — Sei que você deve ter passado por muitas coisas horríveis.
— É o que vocês pensam? Pensam que Kaiser me forçou a todo tipo de coisas? Que eu fui a vítima o tempo todo, mas não foi bem assim.
— Desculpa Miyako-chan, mas se não sabemos corretamente da história ficamos livres para julgar. Parece errado, mas é natural, nossa mente faz por instinto. Se não quiser ser vista como vítima vai ter que contar o que te perturba.
— É sobre Ichijouji, Sora eu vi muitas coisas que me levam a crer que ele não é tão horrível e que precisa de ajuda...— embalada pelo clima de desabafo Miyako contou a Sora sobre as experiências que teve quando Ken parecia possuído e sobre como o brasão do amor os resgatou do poder das trevas.— Mas eu tenho medo de estar me enganando porque…
— Porque de alguma forma você se apegou a ele? — a mais velha concluiu perspicaz.
— Eu sou horrível, não sou?
— Não amiga, você é humana. Vocês ficaram muito próximos, ele te tocou, te beijou e como pode ser horrível você querer encontrar algo de bom nele? E talvez ele só precise mesmo de amor.— aconselhou a parceira de Piyomon.
— Eu não falei em amor. — resmungou ofendida.
— Ok. — riu pouco convencida. — Mas essa sensação de querer bem a quem te fez mal, não é vergonhosa, pelo contrário. Se eu puder te ajudar a ajudá-lo, pode contar comigo. Não vou te julgar e não contarei aos outros, uma hora você vai se sentir pronta para isso.— A fala suave e as palavras complacentes da veterana guardiã do amor, foram sentidas como carícias nos sentimentos confusos de Inoue.
— Obrigada Sora-san… Obrigada! — a violacea chorou um pouco mais nos braços da amiga, era bom ter desabafado tanto.
— Hey, meninas está tarde, vamos embora. — Daisuke chamou, já exausto de tanto perder para os Digimons.
— Sim, vamos! — Ambas responderam.
— Não vão. — cantarolou Starmon.
— Vamos jogar mais um pouco. — implorou Revolmon.
— Por hoje chega, voltaremos outro dia. — Impõe Sora.
E assim os Digiescolhidos se despedem e procuram um aparelho de TV para regressarem ao mundo real.
— Uau! Estou com areia em lugares que eu nem sabia que existiam. — resmunga Daisuke fazendo o restante rir.
(...)
Miyako chegou em seu apartamento com Poromon, estava louca para tomar um banho e descansar, afinal ficou tempo demais amarrada e ainda podia sentir a coceira das cordas por seu corpo, mas assim que entrou em seu quarto recebeu um e-mail.
Já não tinha esperanças de que fosse Kaiser, talvez fosse Hikari ou Takeru querendo saber sobre o S.O.S, mas para sua surpresa era sim uma mensagem do gênio. Não tinha nada escrito, apenas as coordenadas.
— Poromon, Kaiser me mandou coordenadas.
— Você está muito cansada, menina.— avaliou Poromon.
— Eu sei, mas preciso saber o que ele quer.— a garota repensou.
— Se julga ser seguro, então vá, mas tenha cuidado.— aconselhou o Digimon.
— Obrigada Poromon. — depositou um beijo entre os olhos do parceiro.
O coração estava acelerado, receoso, cheio de dúvidas, passaram-se três semanas sem contato e nada mais os conectava, mas o que ele poderia querer dela afinal?
Respirou fundo tentando conter sua ansiedade, chegou a cogitar a possibilidade de tomar um banho antes e ir bonita e cheirosa, mas outro e-mail interrompeu seus pensamentos, novamente as coordenadas mas seguido por S.O.S.
Não havia tempo para se arrumar, ela digitou rapidamente e breve foi sugada pelo portal, surgindo na sala de controle de Kaiser. Seu olhar o procurou com aspiração, mas não o encontrou e aquele S.O.S fez seu estômago se revirar em aflição.
— Ken! — Chamou incerta, com um mau presságio. — Ken?
— Miyako-san, que bom que você veio. — Wormmon entrou no local apressado, Bakemon voando atrás de si. — Abra o portal para Bakemon.
— O que está acontecendo? Onde está o Ken?
— Ken-chan está no quarto, parece muito doente, está tremendo, suando chamando por você, dizendo coisas sem sentido.
— Meu Kami-sama? Desde quando? Como aconteceu? Porque?
— Ele não está bem desde que te mandou embora, não fala com ninguém, se trancou naquele laboratório, mal comia ou dormia. Para piorar Digitamamon foi embora dizendo que abriria um restaurante e ninguém aqui sabe cozinhar.
— O Ken sabe.
— Mas no estado em que Ken-chan ficou, você deve imaginar que ele não foi para a cozinha.— Wormmon explicou o óbvio.
— Meu Kami!. — ela abriu o portal mandando Bakemon de volta. Era como se tivesse pressentido que algo ruim tinha acontecido.
Seguiu a passos largos pelos corredores, ouvindo Wormmon contando sobre como foi preciso que os Guardromons carregassem o rapaz até o local. Mal chegou à porta e já pode ouvi-lo tossindo, na certa deveria ser uma gripe muito forte, pensou ela.
Assim que passou pela porta o coração da garota parou, a impressão era de que não via o rapaz a décadas. Ken estava tão debilitado tremendo e tossindo debaixo de uma pilha de cobertores, os cabelos grudados de suor e rosto rubro, o nariz parecia um tomate maduro de tão vermelho.
Era irônico imaginar que há tempos atrás ele quem já cuidará de si em situação semelhante, mas no momento o importante era deixá-lo livre daquele entulhado de cobertores e preparar compressas, talvez até levá-lo para um banho. Sim, como foi com ela há meses atrás, a ironia era algo sempre presente entre eles.
— Meu Kami! Temos que tirar todos esses cobertores ou a febre vai piorar, Wormmon me pegue a maleta de medicamentos deve ter algum antitérmico, se não tiver mande Bakemon encontrar algum na minha casa e ligue o notebook que eu abro o portal aqui mesmo.
— Miyako, porque você não pode ficar do meu lado? — Ken murmurou em seu estado febril. — Eu vou ganhar essa guerra, ele já está quase pronto. Fica comigo… Miyako, fica comigo…
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