Notas iniciais
O prologo é um breve resumo do primeiro cap de Two, apenas os dois últimos parágrafos esclarecem a realidade que será mostrada aqui. A trama é baseada em Adventuri Two, uma semi releitura, com muitas diferenças. Os personagens são adultos. A trama é pesada e sombria. Espero que gostem.

Pov Miyako

Era pra ser só mais um dia comum na vida de uma menina normal de doze anos, mas não, definitivamente aquele dia mudaria completamente a minha vida e a dos meus amigos para sempre. A correria daquela manhã foi típica, saí de casa atrasada ouvindo broncas do Iori-kun, meu vizinho e melhor amigo, dois anos mais novo que eu. Descemos de elevador e, quando a porta se abriu, revelou um menino loirinho, usando um chapéu branco e uma blusa com detalhes verdes, ele se apresentou como Takaishi Takeru, nosso novo vizinho.

Iori-kun e eu nos apresentamos e seguimos todos juntos para nossa escola, até aí as coisas estavam normais, porém quando eu estava na sala de informática, fatos misteriosos começaram a acontecer. Um e-mail foi enviado para Koushiro Izumi, que fazia parte do grêmio e estudou na minha escola no ano anterior, mas já estava no ginásio. Decidi verificar, pois poderia ter alguém usando o e-mail de Izumi-san, sem permissão. Quando vi que quem enviou a mensagem assinou com o sobrenome “Yagami.” No mesmo momento me lembrei que na quinta série tinha uma garota com este sobrenome. Apressei-me em encontrá-la.

Encontrei Yagami Hikari conversando com Motomiya Daisuke e com o loirinho que conheci hoje cedo. Uau, ele não perde tempo! Corri até a garota baixinha, de cabelos curtinhos e castanhos e entreguei o e-mail. Tive a impressão que ela e o loirinho já se conheciam, ficaram afobados, falando sobre um tal “Mundo Digital”, o irmão dela estar em apuros. Logo todos corremos para a sala de informática e o mistério só aumentava, minha curiosidade também. Antes de entrarmos no local, Izumi-san apareceu do nada, usando o uniforme verde do ginásio, parecia preocupado e pedira para usar uma das máquinas.

A confusão ficou maior quando Izumi se juntou a Yagami e Takaishi, falando coisas estranhas, fiquei ainda mais curiosa e pelo jeito Motomiya também. Neste momento Iori-kun veio me lembrar de ir a sua casa consertar seu computador, no entanto, eu queria entender o que estava acontecendo ali. Como tinha dado a minha palavra, me despedi e, mesmo curiosa, segui com Iori-kun. Andava com o meu amigo, desanimada por não saber o que ia acontecer naquela sala, quando de repente a coisa mais inesperada aconteceu. Fomos alcançados por duas luzes, tão brilhantes que quase nos cegaram. Quando consegui abrir meus olhos, vi um dispositivo estranho de cor vermelha “flutuando” em minha frente, não pensei muito e o segurei, notei que Iori-kun também possuía um objeto parecido com o meu, mas na cor amarela.

Nos entreolhamos e voltamos para a sala de informática em busca de explicações. Assim que abrimos a porta, nos deparamos com uma cena inacreditável, Yagami, Takaishi e Motomiya foram sugados para dentro do computador. Paramos estáticos e atônitos. Mostramos nossos dispositivos para Izumi e o mesmo nos explicou um pouco sobre “Digimons” e o “Mundo Digital”. Parecia tão absurdo, mas o mais estranho era que ter aquele dispositivo, praticamente nos tornava o que Izumi explicou por “Digiescolhidos.”

Ficamos tentando processar as informações e em menos de meia hora, Takaishi, Motomiya e os irmãos Yagami saíram de dentro do computador. Eu ainda estava cheia de perguntas, mas estava tarde e realmente todos precisamos ir pra casa. Fiquei pensando sobre o tal “Mundo Digital” enquanto consertava o computador do Iori-kun. Quase não dormi à noite e no dia seguinte saltei da cama e me arrumei em tempo recorde. Encontrei Takaishi-san e Iori-kun no elevador e seguimos para escola. No percurso, Motomiya se juntou a nós e eles falavam sobre os “Digimons” e o tal “Digimon Kaiser.” Bem… Me senti uma noob na conversa.

Digimon Kaiser? Quem em sã consciência colocaria um nome tosco e bizarro como esse? Kaiser é o termo alemão para imperador. O fato é que o cara parecia estar gerando o caos no Mundo Digital. Dei de ombros e me foquei em meus estudos “ou tentei”, não é todos os dias que você descobre que foi escolhido para ser guerreiro e proteger um mundo digital, que a qualquer momento você vai ser sugado por um portal no computador, ganhar um parceiro Digimon e confrontar as forças do mal, cheguei a me sentir uma “amazona de Athena” e parecia a coisa mais descolada que já aconteceu na minha vida. Inacreditável!

No final das aulas, encontrei Iori-kun e corremos para a sala de informática, Koushiro-senpai já estava no local, tentando abrir o portal e aguardando por nós. Mal começamos a conversar e Daisuke abriu a porta abruptamente, transbordando empolgação, seguido por Hikari-chan, Takeru-kun e uma garota ruiva, de cabelos chanel, trajando um uniforme verde do ginásio, que veio a se apresentar como Takenouchi Sora.

Depois de uma rápida análise feita nos nossos dispositivos e Daisuke se vangloriando de ter se aventurado em perigos pelo mundo virtual, finalmente nos posicionamos e erguemos nossos digivices em direção a tela do computador, o portal se abriu e fomos transportados para o Mundo Digital. O lugar era incrível, mas o fenomenal mesmo foram nossas roupas, que mudam de acordo com nossos desejos, achei a minha muito radical. Depois de uma discussão com Daisuke, sobre qual traje era mais maneiro, fomos de encontro aos monstrinhos digitais.

Daisuke foi o primeiro a encontrar-se com V-mon, uma criaturinha simpática, assemelhando-se como um dragão, com grandes olhos vermelhos, corpo azulado, com barriguinha branca e amistoso, posteriormente os demais também abraçaram seus parceiros. Sora-san possuía uma ave rosada com o nome de Piyomon; Koushiro-senpai, um tipo de inseto, joaninha-vermelha chamado Tentomon; o Digimon da Hikari-chan era uma gatinha cheia de estilo, branca de luvas amarelas chamada de Tailmon; e o do Takeru-kun parecia um hamster, com grandes orelhas que o permitia voar, uma fofura, chamado Patamon.

O momento do reencontro foi cortado por um ataque vindo do céu. Era um enorme Digimon esverdeado, aparentando ser um inseto. Os parceiros dos meus “novos amigos” travaram uma luta contra o inimigo. Porém, quando Daisuke e V-mon iriam atacar, o chão se abriu e um enorme buraco sugou o ruivo para dentro. Neste momento, surgiu mais um inimigo, um Digimon enorme parecendo um macaco peludo, de cor branca, lançando um bumerangue que acertou V-mon em cheio, o fazendo cair no buraco também.

Minha empolgação murchou! Daisuke estava correndo perigo, não parecia ter uma forma de poder salvá-lo, estava assustada, horrorizada, aquilo era muito real e muito arriscado. Quase entrei em pânico, mas Sora-san teve toda paciência de me convencer a sairmos dali a fim de buscarmos uma forma de ajudar.

Em meio a todo aquele drama, nossos dispositivos começaram a apitar emitindo um sinal, fomos seguindo e chegamos a uma enorme pirâmide. Assim que entramos, avistamos duas pilastras emparelhadas e sobre elas jaziam algo que lembrava ovos? Sim, um na coloração branca com curiosas asas nas laterais e um símbolo azul no formato de coração, além de outro em tonalidade amarela, com um chifre preto e um emblema roxo no centro.

Sora-san e Koushiro-senpai se aproximaram dos objetos murmurando algo sobre brasão e Digimentals, tentaram arrancar os “ovos” dos pilares, mas não tiveram sucesso, então pediram para que Iori-kun e eu tentássemos. Senti-me o rei Arthur, retirando a Excalibur da pedra. Realmente deu certo, uma luz vermelha emanou quando retirei o objeto e uma criaturinha linda se apresentou como Hawkmon, meu parceiro, era uma ave avermelhada com detalhes brancos e uma pena na cabeça.

Fiquei extasiada, senti um calor estranho no peito, era como se aquele Digimon e eu tivéssemos uma ligação muito forte, como se estivéssemos destinados a viver aquele momento. Percebi que Iori-kun também ganhou um parceiro, Armadillomon, assemelhava-se a um tatu, amarelo com patas e orelhas mais graciosas.

Hawkmon me falou que esteve esperando por mim e que a partir daquele dia iríamos lutar juntos. “LUTAR” Combater, esmurrar, socar, chutar, dar porrada? Eu? Justo eu que nunca matei nem uma formiga? Eu queria dizer que entrei em pânico! Não sou uma Lagertha ‘dama do escudo, estou mais para Felicity Smoak. Só pratico violência nos games. Minha mente surtou, mas Sora-san tomou minhas mãos e contou que, há um tempo uma menina chamada Mimi tinha dito a mesma coisa. “Eu não quero lutar, não quero ver ninguém se machucar”. A ruiva clarificou que ninguém queria isso, contudo, fomos escolhidos por algum motivo, por sermos especiais de alguma forma e que um dia eu seria muita grata por ter conhecido um Digimon e embarcado em uma aventura com ele. Também falou para que eu fizesse o meu melhor. Até hoje guardo aquelas palavras com carinho.

Aquele momento foi cortado, pela necessidade de salvarmos Daisuke. Hawkmon me ensinou as palavras para fazê-lo evoluir, Armadillomon fez o mesmo com Iori-kun. Em suas formas como Holsmon e Digmon, partimos todos para a batalha. Quando montei em Holsmon pela primeira vez, confesso que senti um frio na barriga, era tão arriscado, emocionante, insano, era como se estivesse dentro de um jogo. Voamos rumo ao local onde estava Daisuke, de longe avistei o tal “Digimon Kaiser”, mas espera? O tão temido imperador, era só um pirralho com uma roupa super brega, gente... Quem usa um macacão coladinho, nas cores azuis e brancas? Pára o mundo que eu quero descer! E que cabelo horrível, parecia que o moleque tinha enfiado o dedo na tomada, nem vou falar daqueles óculos toscos.

Deixando de lado o senso de moda do garoto, me foquei na batalha e Holsmon acertou um ataque no Anel Negro, que era para escravizar V-mon e Tailmon acertou Kaiser, que acabou deixando o Digivice e o D-Terminal, do Daisuke, caírem direto em minhas mãos. Aquele foi nosso primeiro confronto. Debochei de sua cara, quando segurei os objetos de Daisuke e ele encarou-me, rangendo os dentes de ódio. Então, eu estava voando em uma ave gigante de armadura, a não sei quantos metros do chão, mas senti um calafrio estranho diante daquele maluco.

Somente uma criança, como nós. Era o que eu pensava, mas não, como ele mesmo disse uma vez… Como nós, nunca! Aquele garoto era um demônio com um grande poder em mãos e a partir daquele dia uma dura batalha contra seus planos malignos se iniciou. Hesitei em lutar, por inúmeras vezes, fiquei muito assustada em muitos momentos em que vi o quanto tudo aquilo era real. Sim, estávamos em guerra, sangrei e vi meus amigos sangrarem, presenciei Digimons inocentes se dissolvendo em dados, por culpa das loucuras de Kaiser.

Não importa que agora, sete anos depois, nós ainda temos que lutar, recebemos muito auxílio dos veteranos e já estamos acostumados a melar os planos de Kaiser. Mesmo que eu fique velhinha, voando em Holsmon e deixando a minha dentadura cair pelo caminho, irei lutar contra a tirania daquele imbecil. Agora estou treinada, preparada, incentivada e… Atrasada? Kyaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!

Meu Kami! Estou completamente atrasada, mas também o que esperam de mim? Sou uma guerreira, que luta pela justiça, não sou a Sailor Moon, sou Inoue Miyako, herdeira do brasão do amor, geminiana, 19 anos, cursando segundo ano na faculdade de Ciências da Computação, adoro músicas, doces e chá, parceira de Hawkmon e protagonista dessa trama e estou indo para a sala de informática me encontrar com meus amigos, para dizermos juntos “Liberte-se!” Mentira, peguei vocês! Para dizer:

“Digiportal abra, Digiescolhidos aí vamos nós!”