Inimigos Íntimos

2 Um destino nada sutil (revisada)


Notas iniciais
Olá leitores! Estão preparados? Aqui a trama se inicia verdadeiramente. Realmente espero que vocês gostem. Beijos. Betagem e capa maravilhosa feita por Felipe Mukuro, obrigada seu lindo!

POV Miyako

Estava atrasada para me encontrar com os demais Digiescolhidos na sala de informática da universidade onde estudamos. Abri a porta abruptamente sendo recepcionada por Poromon, que se atirou em meus braços. Avistei Koushiro digitando incessantemente, Iori, Takeru e Hikari estavam sentados com seus respectivos parceiros no colo, mas Daisuke já estava de pé e me encarando com uma expressão furiosa.

Estudamos na mesma universidade, mas em áreas diferentes. Takeru cursa o primeiro ano de letras, Hikari primeiro ano em pedagogia, Daisuke, primeiro ano em educação física, Koushiro faz o mesmo curso que o meu, ciências da computação, está no terceiro ano, mas Iori ainda está no ensino médio, porém tem total liberdade de transitar pelo campus devido ao projeto das aulas de judô do qual faz parte.

Essa sala que utilizamos está desativada há alguns anos. Ela ficava no pavilhão abandonado da Universidade. Um local onde salas com equipamentos obsoletos foram deixados de lado a acumular poeira. Local perfeito para nossa batcaverna.

—Por que demorou tanto, magricela? — O pentelho do Daisuke esbravejou irritadiço. — Quase não dava tempo de ir para o Mundo Digital hoje, por sua culpa!

— Calado, chatonildo, ajudei uma colega de classe a repassar a matéria para a prova e não pude avisá-los porque a bateria do meu celular acabou.— Expliquei caminhando até uma mesa enquanto depositava a mochila recheada de guloseimas. Ri com a agitação dos digimons ao abri-la. — Oh, meus amores, quase matei vocês de fome, eu sei, me desculpem! — Mas eles nem responderam, pois se ocuparam em atacar os doces.

— Miyako-chan, você encontra tempo para ajudar os colegas mesmo estudando e trabalhando no café dos seus pais. Está de parabéns, não consigo ser tão proativa! — Hikari elogiou, fazendo Daisuke ficar desconcertado.

A loja de conveniência dos meus pais foi vendida e eles compraram um café. Meu irmão Mantarou, estudou administração e se tornou gerente, mas minhas irmãs seguiram outra profissão, ou seja; minha ajuda é indispensável. Proativa? Sim, pois tenho que estudar, trabalhar, ir ao Mundo Digital e encontrar tempo para lazer.

— Obrigada, Hikari-chan. Ao menos alguém reconhece meu esforço... — Dramatizei, puxando uma cadeira e me sentando ao lado de Koushiro-senpai, que entrou no assunto.

— Seja bem vinda, Miyako-san! — Cumprimentou sem perder o foco na tela. — Também reconhecemos seu esforço.

— Menos o Daisuke! — Chibimon falou com a boca cheia.

— Mas a opinião dele não conta, certo? — Takeru provocou zombeteiro.

— Neste caso tenho que concordar... — Iori entrou na troça. Era interessante perceber que a cada dia ele ficava menos regrado e mais solto conosco.

— E… E você, Hikari-chan? Não vai me dizer que também pensa assim! — O ruivo choramingou parando em frente à Yagami.

— Err… Bem... — Apenas a hesitação de Hikari foi suficiente para fazer Daisuke se jogar na cadeira dramaticamente e soltar um gemido de frustração, fazendo todos caírem em gargalhadas. — Ahh... — Se recuperou subitamente e retirou um jornal de sua mochila, exibindo-o. — Vocês vão ao meu jogo de amanhã, não é?

Daisuke conseguiu uma bolsa de estudos integral e jogava pelo estado, normalmente representando a instituição. Devo admitir que ele era muito bom, só perdendo para Taichi, que desistiu dos campos para se focar nos estudos.

— Até parece que vou acordar cedo em pleno sábado, pra ver otários correndo atrás de uma bola! — Debochei provocativa.

— O jogo vai ser contra o profissional Tokyo FC. — Me ignorou, levantando a voz e continuando a falar enquanto mostrava uma foto no jornal. — Onde joga o “gênio” Ichijouji Ken, que, por sinal, tem levado o time a vitória nos últimos jogos.

— COMO ASSIM? UM PALERMA, TAPADO FEITO VOCÊ VAI JOGAR CONTRA O GÊNIO, ICHIJOUJI KEN? — Esguelei escandalosa; lógico que eu ia neste jogo!

— Pois é, mas você não vai acordar cedo em pleno sábado para ver otários correndo atrás de uma bola, vai? — Troçou afrontoso.

— A Miyako-chan tem muitas fotos desse garoto no PC dela e o segue em redes sociais, assiste a todas as premiações, entrevistas, compra as revistas onde ele aparece.... — Poromon delatou-me.

— POROMON! — O repreendi e, todos riram da minha cara.

— Não se acanhe, Miyako-chan. Este cara consegue o mérito de ser o crush das garotas do Japão inteiro. — Apontou Takeru, me deixando mais constrangida.

— Pra ser sincera nem sei de quem vocês estão falando... — Hikari confessou, espantando a todos.

— Sério? Ichijouji Ken é... — Fui cortada pela fala do meu senpai.

— Ichijouji Ken... — No mesmo instante as informações sobre o garoto apareceram no monitor. — Tem chamado a atenção da mídia desde os onze anos, sendo campeão regional, estadual e nacional em modalidades esportivas, práticas de artes marciais como Karatê, judô e muay thai e feiras de desenvolvimento tecnológico. Quando saiu de seu colégio, Ichijouji foi praticamente disputado pelas faculdades, escolhendo a renomada Tokyo Daigaku, cursando engenharia física e atuou no desenvolvimento de equipamentos hospitalares, softwares e aplicativos, além de estar ativo em publicidades.

— Incrível! E ele é tão bonito! — Exclamei puxando Poromon para mim, o apertando e fazendo com que ele cuspisse o bolinho mastigado na cara do Daisuke. O moleque protestou, enojado.

— Então, Miyako-san.— Koushiro-senpai começou— Este é o tipo de cara que você consideraria o namorado perfeito?

— Oi? — Questionei incrédula. Eu não poderia estar ouvindo corretamente… Como assim, ele me fez mesmo essa pergunta invasiva?

— Er… Inteligente, popular, bom em esportes e segundo as fangirls, “um poço de beleza”? — Concluiu censurado-me.

Fiquei escandalizada. Em todos estes anos ao lado de Izumi, nunca o vi ser invasivo, nem de brincadeira. Julguei que ele iria encerrar o assunto e se desculpar, mas ele foi incisivo até o fim, mesmo mantendo sua atenção fixada no monitor.

— Er… Me deu uma sede... — Hikari cantarolou dando uma leve cotovelada em Takeru. — Tailmon, você comeu muitos doces, vamos encher a garrafinha de água no bebedouro. — Levantou-se e arrastou sua parceira para fora da sala.

— Vamos também, Pata, não quero que fique com sede mais tarde. — Takeru pegou Patamon, acompanhando os passos da castanha.

— Ué? Deu sede em todo mundo, assim do nada? Eu também vou… — Daisuke também se levantou e guiou-se para fora, seguido de Chibimon.

Iori pegou Poromon e Upamon e se retirou ao som de protestos das criaturinhas.

O bater da porta ecoou pelo silencioso ambiente e estremeci mediante a conjuntura. Confesso que aquela pergunta somada a atitude de Izumi me acertou como uma flecha.

— Você deve pensar que sou uma boba, não é? — Encostei as costas contra a parede, colocando algumas mechas de cabelo para trás das orelhas, senti-me tão acanhada que desejei ter afundado no chão. — Não é nada sério. É como gostar do Lee Min-ho; não é como se eu esperasse que de uma hora para outra Ichijouji Ken fosse entrar na minha vida magicamente e, mudá-la para sempre.

— Eu não devia ter perguntado, foi indiscrição. Me desculpe… — Os olhos negros continuavam presos na tela.

— Mas perguntou... — Senti o peito apertado.— Não vou te desculpar se não me disser o motivo. Tem um motivo, né?

Koushiro levantou-se e me encarou ruborizado.

— Parece que foi ontem que nos conhecemos, Miyako-san... — Fitou os digivices sobre a mesa. — Mas a verdade é que já se passaram sete anos. Um ano após eu ter te conhecido, você se tornou Digiescolhida e nos reencontramos. — Encostou-se à parede ao meu lado com ambas as mãos nos bolsos, ainda evitava me olhar.

— Você fazia parte do grêmio antes de mudar para o ginásio… Sempre te admirei e... Quando me tornei Digiescolhida fiquei muito feliz em ter sua companhia novamente.

Não menti, eu não entendia bem o que estava acontecendo naquele momento, mas se ele estava se abrindo comigo… Não vi problemas em fazer o mesmo.

— O poder passou para vocês. Os demais veteranos e eu, entendemos que tínhamos o dever de auxiliá-los! Você me surpreendeu com as melhorias no D-3… — rememorou nostálgico.

— Ah, que isso, eu só dei uma mexidinha... — Respondi lisonjeada. Não era do feitio de Izumi distribuir elogios a esmo. Então eu entendia o quanto aquilo era especial.

— Bom… Parando de circunlocuções eu… Nunca conheci quem não ficasse perdido durante as minhas explicações. Parece tolice, mas é bom poder manter um diálogo de igual para igual às vezes. Eu não deveria ficar dizendo essas coisas que você já sabe, então…

A porta foi aberta repentinamente e Daisuke foi o primeiro a cruzá-la seguido dos Digimons, eufóricos para mais uma aventura. No fim aquela conversa só seria concluída depois… Eu não estava sabendo lidar com aquilo!

— Pode passar essas coordenadas, Koushiro-san, estamos a todo vapor! — Daisuke ergueu o punho, cheio de empolgação.

Hikari entrou sorrateira dotada de um sorriso sapeca e, piscando discreta para mim. Iori e Takeru chegaram com a mesma malícia no olhar. Respirei fundo, sabia que precisava me focar na missão do dia.

— Bem... — Koushiro-senpai começou.

Ele fez uma longa explicação sobre os parceiros dos veteranos estarem à nossa espera com reforços e informações detalhadas sobre a área que cada um cobriria. Pegamos as mochilas com suprimentos e Izumi abriu passagem para que eu pudesse abrir o portal. Lancei-lhe um olhar que poderia ser traduzido como; “conversamos quando eu voltar”, o que o fez ficar da cor de seus cabelos.

— Digiportal, abra! Digiescolhidos, aqui vamos nós! — Fomos sugados pelo portal.

Nossos trajes mudaram como sempre, mas como reagem ao nosso desejo, agora sofreram drásticas alterações, mantendo apenas os padrões de cores.

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Através de um dos inúmeros monitores misteriosos distribuídos pelo Mundo Digital, fomos materializados. Nossos parceiros mudaram de nível bebê para treinamento. Toda a equipe de apoio já estava à nossa espera.

Após os cumprimentos, o pessoal se organizou em seus respectivos grupos. Deram o comando para evoluir os parceiros ao nível armadura e partiram para suas concernentes missões.

— Então, Gomamon, onde está nosso reforço? — Hawkmon questionou, animado.

— Que bom que perguntou... — Gomamon deu um sorrisinho sapeca, em seguida soltou um assobio agudo que chegou a doer os ouvidos.

Pelos céus surgiram Coredramon e pelas águas Seadramon. As árvores e arbustos começaram a se mover e do núcleo da floresta assomaram-se cinco Ikkakumons, vários Gomamons e… um esquadrão rebelde da resistência, formado por oito Bearmon, que me fizeram gritar.

— KYAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHH!

— Calma jovem escolhida, estamos do seu lado. — O que aparentava ser o líder deles deu um passo à frente. Não me contive e o abracei, pois era muito fofinho!

—WONT! QUE FOFO! — Exclamei apaixonada, vendo o restante da equipe cair ao chão com gotinhas sobre as cabeças.

— Er… fofo não! Escolhida, isso mancha minha honra de guerreiro! — protestou melancólico, arrancando risos do restante.

— É melhor irmos logo! Não é? — Hawkmon cruzou as asas frente ao peito, virando a face para o lado.

— Não precisa ficar com ciúmes, seu bobo! — o pentelhei.

— Não é nada disso! O tempo está passando. — Bateu com a ponta da asa no “pulso” sugerindo um relógio.— Vamos resolver isso logo!

— Está certo. Preparado? — Ele assentiu, se colocando em posição. — Digimental Up…

— Hawkmon Armor shinka… — Girou sob a luz da evolução e o emblema do brasão do Amor, adquirindo a imponente forma de… — As Asas do Amor ”Holsmon”. — Quando pronunciado seu nome uma onda de energia vermelha se espalhou como um vendaval.

— Então vamos nessa! — Anunciei feliz, montando em meu parceiro. — Passa o relatório da missão, Goma-chan!

— Todos já averiguamos o local; Nosso alvo fica acima daquela formação rochosa, que antes possuía uma queda d'água e formava uma cachoeira. — Apontou para o local. — Os escravos de Kaiser construíram uma represa e não deixam a água passar para este lado, o que está gradativamente matando a vegetação e espantando os habitantes locais. O perímetro está guardado por Meramons, PetitMeramons e Candmons.

— Eles são o triplo de nossa força de ataque e possuem Younenki em campo.— Um Ikkakumon completou o relato.

— Entendo… Esse Kaiser é um covarde, como ele ousa usar bebês em uma guerra? Teremos como foco prioritário atacar diretamente aquela Torre para evitar um confronto mais assíduo... Então os que possuem a habilidade de voar começam um ataque pelo ar, chamando toda a atenção. Eu quero um Seadramon, à minha direita e outro à esquerda, os demais podem iniciar o ataque ao meu comando. Todos estão com os comunicadores?

— Nós, não podemos voar, somos serpentes marinhas... — Declarou um Seadramon fazendo todos caírem ao chão.

— Coredramons voam! — Os Coredramons se agitaram orgulhosos. — Mas não possuem ataques aquáticos. — Eles murcharam e os Seadramons deram um risinho debochado. Dava para sentir que havia certa rivalidade entre as espécies. — BINGO! — Gritei empolgada, me levantando. — Os Coredramon levam os Seadramons!

— Nada feito! — Seadramon se pronunciou, ofendido e sendo apoiado pelos demais da mesma espécie.

— Não mesmo! — Acrescentou um Coredramon, virando a cara para o lado contrário. Os Coredramons se revoltaram.

— Estamos todos do mesmo lado e temos que trabalhar em equipe! — Tentei convencê-los. — Por favor, nós não temos ataques de água e gelo e não tem outra forma de deixá-los enfraquecidos sem matá-los.

— Deixarão o tirano do Kaiser vencer essa guerra? E se fossem vocês sob a influência do Anel Negro? — Holsmon ajudou.

Eles se entreolharam ponderativos.

— Não tenho certeza sobre a eficácia deste plano. Os Seadramons possuem quase a mesma massa corporal que a nossa. — Explicou um dos Coredramon. — São escamosos e escorregadios, serão impossíveis de serem carregados.

— É mesmo… — Devolvi desacreditada. — Sempre achei que Coredramons fossem bravos guerreiros e que gostassem de desafiar o impossível! — Eles estufaram o peito. — Eu era muito fã de vocês...

— Era? — Estranhou Holsmon, espantado e lhe dei um pisão na pata. — Ah sim, ela era muito fã! — Corrigiu-se entendendo a tática.

Os Coredramon se entreolharam e fitaram os Seadramon. Cochicharam entre si e um se pronunciou por todos.

— Isso é muita loucura, mas acho que podemos conseguir!

Os Seadramons também cochicharam entre si e um declarou.

— Neste caso… Vamos arriscar também!

· • • • ✤ • • • · ·

Era completamente hilária a cena, os Coredramons a carregar os Seadramons e levantar vôo.

— Pare de serpentear, assim não consigo te segurar! — Queixou-se o Coredramon da esquerda.

— Não consigo evitar. Voar me deixa enjoado! Em todos estes anos neste Mundo Digital, essa é a primeira vez que isto me acontece! — Choramingou o Seadramon da esquerda, com medo de abrir os olhos.

— Ah, parem com esse drama! Assim, em vez de atingirem o alvo com o “Choque de Água” vocês vão atingir com “Jato de Vômito!” — Holsmon troçou, fazendo a operação toda começar a rir.

Eu ia repreendê-lo, mas acabei rindo também, até os Coredramons e Seadramons riram juntos e acabaram relaxando e ficando mais seguros. Assim começamos a sobrevoar nossos alvos. Os Seadramon, atrás de nós, foram guiados em direção aos nossos oponentes, já disparando ataques aquáticos e deixando-os em alerta.

Os bebês, PetitMeramon, voaram em direção aos Seadramon, lançando pequenas bolas de fogo. Kaiser, desgraçado, como ousava usar bebês como escravos? Entendi o esquema. Ele sabia que com os Seichoukis em campo, seríamos cautelosos.

— Escolhida, um Choque de Água diretamente contra os Younenki pode eliminá-los de imediato. — relatou o Seadramon à minha direita.

— Eu entendo... Gomamons, ataquem os bebês com os “Peixes Marchantes” e retirem-nos do campo de batalha! — Comandei pelo comunicador. Um ataque simples que iria deixá-los fora da batalha.

Assim os Gomamon fizeram, acuando e juntando os bebês para fora do combate. Fora da área de risco os PetitMeramons encontraram-se presos em uma redoma de cardumes céleres a neutralizar suas bolas de fogo.

Os Meramons e Candmons atacavam vigorosamente. Eu tinha que pensar em um meio de reduzir a energia de ataque deles sem apagar suas chamas e levá-los à óbito, afinal eram apenas marionetes.

— Vamos dar um gelo neles… Seadramon, concentrem os ataques contra o solo! Usem “Sopro Gelado!” — Comandei ao ter uma idéia.

Os Seadramon combinaram seus ataques atingindo diretamente o solo, revestindo-o de gelo liso. Os Meramon perderam o equilíbrio, deslizando e caindo uns sobre os outros em uma cena cômica.

— Bingo! Você quer brincar na neve? — cantarolei o sucesso do plano. — Bearmon, cuidem dos Candmon e não deixem que as chamas deles se apaguem!— Contatei pelo comunicador.

Os Digimons ursos concordaram. Não usaram seus punhos contra os oponentes e sim engenhosidade. Horas antes do plano, cavaram armadilhas no solo e usando de cipós e cordas, puxaram os Candmons para as gaiolas enterradas. Assim permaneceram cuidando para que eles não se libertassem.

Segui com Holsmon pelo ar. Os Ikkakomons nos seguiram por terra, alguns acabaram ficando para trás, para ajudar os Seadramon contra os Meramon.

— A Torre, está na mira! — Afirmou Holsmon.

— Então vamos dar o nosso melhor! Ikkakumons, Holsmon, vamos atacar a base da Torre Negra, todos juntos. — Eles assentiram. — AGORA!

Kaiser tinha uma carta armadilha que, foi ativada quando nos aproximamos da Torre. Uma revoada de Flymons surgiu das árvores que rodeavam o alvo, nos atacando com os ferrões venenosos disparados de suas caudas.

A situação se complicou, pois, de seis Coredramon, cinco carregavam os Seadramon, que controlavam os Meramon. Podíamos contar com os Ikkakumons, mas se lançassem o “Torpedo Arpão” contra os Flymons, poderiam ferí-los gravemente ou mesmo eliminá-los. O que fazer?

— Excrementos de Numemons! — Blasfemei esquivando dos ataques. — Não nos resta alternativa, se não lutarmos á sério todos que vieram ajudar serão prejudicados! Coredramons, ataquem com “Hálito de Labareda Verde!” Ikkakumons, disparem “Torpedo Arpão”.

Pra minha infelicidade, os Flymons atacaram com um pó entorpecente. Não tive outra escolha.

— Holsmon, Anéis de Luz! — Holsmon disparou dois anéis de luz de suas asas. O golpe paralisou uma quantidade considerável de Flymons, mas a nuvem tóxica já me desnorteava.

— Holsmon; Asas da Tempestade! — Comandei e segurei firme.

Meu parceiro girou em uma velocidade surreal, cortando os ferrões dos oponentes com as lâminas de suas asas. Desejei que eles não se ferissem seriamente, pois não tivemos opção.

O alvo estava finalmente à vista. Esbaforida e descabelada, dei o comando final para os Ikkakumons e meu parceiro, enquanto os Coredramons seguravam o restante dos inimigos.

— Ataquem todos juntos, AGORA!

— Sol Vermelho! — Holsmon disparou lasers vermelhos de seus olhos, atingindo nosso alvo continuamente.

— Torpedo Arpão! — Todos os Ikkakumons lançaram em uníssono, juntamente com meu parceiro.

A enegrecida construção metálica foi por terra. Respirei aliviada.

—BINGO!— Virei para encarar o restante da resistência. — Todos vocês, mandaram muito bem! — E todos vibraram, comemorando.

Os outrora escravos de Kaiser despertaram confusos. Livres dos anéis negros. Fiz um discurso emocionado, convidando-os para se juntar à nossa resistência. Todos ficaram comovidos e incentivados até que... Naquele momento os Coredramon e Seadramon se desequilibraram e começou uma confusão.

— Estou escorregando, vou cair! — alarmou um Seadramon.

— Eu também... — Choramingou outro.

— Você é muito pesado e suas escamas escorregam. Não consigo mais segurar.— Coredramon alertou, já soltando o aliado.

Depois que o primeiro Coredramon soltou Seadramon, os demais também não conseguiram segurar e começou a chover enormes e chorosas serpentes marinhas sobre os recém libertos. Foi uma correria e gritaria. Sorte que eles caíram na neve resultante da luta, não se machucaram, nem feriram ninguém.

— Seadramon voando com Coredramon, mas quem foi que pensou em algo tão bizarro? — Perguntou um Meramon rabugento e, todos olham para mim e começaram a reclamar.

— Ah, qual é pessoal? — ri constrangida, encolhendo os ombros. — Sou a herdeira do Amor e não da Sabedoria! — Ergui as mãos em sinal de rendição e um momento de silêncio se fez, em seguida todos começaram a gargalhar.

Nossos recém aliados se uniram a nós para corrigir a bagunça feita por Kaiser e destruir a tal represa. Terminado o duro trabalho, todos seguiram com Gomamon para a Cidade das Máquinas, onde nossa resistência se reúnia.

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A água fluía novamente em sua correnteza natural, formando uma bela cachoeira convidativa para um mergulho, adornada por uma vasta natureza verdejante numa visão paradisíaca. Pelo D-Terminal vi que a galera toda estava á uma distância considerável.

Holsmon pousou em uma rocha e regrediu para Hawkmon.

— Hawkmon, pode sobrevoar a área e ver se o local está deserto, por favor?

— Miyako-chan, sei que você quer cair na água! Pode mergulhar, não sinto nenhum Digimon por perto. Só me dá a mochila, que estou com muita fome e vou procurar um galho confortável para tirar uma soneca.

—Ok... — Entreguei-lhe a mochila. — Mas não vá muito longe. E não durma profundamente. Você não deve deixar uma dama indefesa, sozinha. — O provoquei prevendo troças.

— Pif! Dama indefesa, os rapazes do grupo são mais ladies que você!

— HAWKMON! — Fingi zanga, colocando as mãos na cintura e franzindo o cenho. Ele voou com a mochila no bico.

A queda d'água era serena, relaxando-me. Como estava sozinha, me livrei de todas as roupas. Cogitei nadar de lingerie, mas essa ficaria molhada por baixo da roupa a me incomodar, então me livrei dela também. Ajeitei meus pertences sobre um tronco seco. Cai em um mergulho profundo do qual desfrutei enquanto o fôlego permitiu. Regressei a superfície e resfoleguei.

Escalei algumas rochas e sente-mei sobre a queda d'água, deixando-a massagear minhas costas. Como podia haver uma criatura tão desprezível a querer destruir tudo isto? Fazendo uma represa somente para gerar mais energia para potencializar a abrangência das suas malditas “Torres Negras”! A tarde começava a cair. Admirei as formações de rochas lodosas por onde a água caía, parecendo um véu de noiva jogado sobre uma escada.

Inebriada com toda aquela beleza edênica, as memórias da conversa que se iniciou com Koushiro-senpai vieram me intrigar... Haviam sete anos que nos conhecíamos. Neste período estivemos envolvidos em diversas pesquisas sobre este mundo e suas muitas peculiaridades. Mais que companheiros de pesquisa, nos tornamos bons amigos partilhando muitas predileções por filmes, séries, livros e jogos. Era óbvio que já tivemos nossas distintas experiências amorosas, mas… Eu nunca imaginei que ele nutria esse tipo de interesse por mim. Repentinamente um súbito mal agouro me tirou dos devaneios.

Não havia motivos para entrar em pânico. Não havia mais nenhuma Torre Negra por perto mas, meu corpo parecia não entender... Atirei-me da nascente e mergulhei novamente com intuito de alcançar meus pertences. Quando saí da água o clima parecia ter sido completamente alterado, o frescor deu lugar a brisa gelada. As cores da floresta pareciam ter desaparecido juntamente com os últimos raios de sol. Há poucos passos de alcançar meus itens, apercebi-me de um agitar peculiar atrás de mim e um galho foi quebrado ruidosamente com uma descuidada passada.

Em um maldito impulso, virei-me prontamente deparando-me com a face pavorosa daquele que se intitulava Digimon Kaiser. A brisa gelada reboliçava seus cabelos revoltos e as lentes de seus óculos reluziram ameaçadoras. Petrifiquei aturdida em um misto de medo, vergonha e ira. Abri a boca com um grito que fora abafado por sua mão enluvada que me silenciou.

Tudo se passou freneticamente. O instinto de sobrevivência eclodiu em minhas veias e me fez tentar escapar. O inimigo empenhava-se em tapar minha boca a imobilizar-me, sem sucesso. Em serpenteios desesperados, consegui arranhar-lhe a face e arrancar os óculos. Célere e abrupto, Kaiser usou seu corpo para me empurrar e prensar-me contra uma velha árvore robusta. Eu estava imóvel, congelada, abalada! Estava completamente em apuros!

Notas finais
A linda contra capa foi um presente do @Felipe_Mukuro, OBRIGADAAAAAAAAAAAAA Todos os Digimons usados e suas descrições Airdramon http://pt.digitalmonster.wikia.com/wiki/Airdramon Seadramon http://pt.digitalmonster.wikia.com/wiki/Seadramon Bearmon https://wikimon.net/Bearmon Ikkakumon http://pt.digitalmonster.wikia.com/wiki/Ikkakumon Meramon http://pt.digitalmonster.wikia.com/wiki/Meramon Nível: Bebê (Younenki 1) Nível: Em Treinamento (Younenki 2) Nível: Criança (Seichouki) Nível: Adulto (Seijukuki) Nível: Perfeito (Kanzentai) Nível: Perfeito (Kanzentai) Nível: Ultimate (Kyuukyokutai) https://wikimon.net/Evolution_Stage