Inimigos Íntimos

18 "Plofft" Twist


Notas iniciais
O nome do titulo é uma piada com o termo Plot Twist entendedores entenderão.

POV Narrador

O pouco de iluminação que havia no local foi o suficiente para que ambos olhassem bem no fundo dos olhos um do outro. Seus corpos molhados se esquentaram com esse contato, Ken respirou ofegante ao olhar a garota que estava embaixo de si, a transparência da blusa do seu uniforme contornava com perfeição a roupa íntima que ela usava; lembrou-se de quando deu banho nela, onde tocou em seus seios, ficando completamente enlouquecido com a textura e a maciez deles.

Suas mãos foram para o rosto de Inoue e retirou os seus óculos, colocando-os ao lado sobre as mochilas que jaziam pelo chão do local. As bochechas dela estavam vermelhas, a boca semi aberta respirando ofegantemente, estava hipnotizada olhando para Ken, notando o quanto ele ficava lindo, as gotas de água pingando dos seus cabelos, escorrendo pelo pescoço, deslizando para o peito molhado, coberto pela blusa transparente, mesmo estando coberto com o casaco verde.

A sanidade de ambos não era das melhores, estavam tão perdidos, entorpecidos pelos aromas que os seus corpos exalavam; Inoue mordeu o lábio inferior, sentindo-se completamente excitada com toda aquela atmosfera sensual que havia formado no ambiente, essa ação foi como um convite para Ichijouji avançar, deslizando uma de suas mãos para dentro da saia verde, e apertando de leve a sua coxa dela, fazendo com que soltasse um gemidinho manhoso.

Com essa ação, Ken mandou tudo para o espaço e uniu os seus lábios aos dela, afinal, aquele selinho que haviam dado na entrada da escola havia deixado um gostinho de quero mais entre ambos, tanto que passaram a aula inteira querendo um pouquinho mais. Inoue não relutou, muito pelo contrário, cedeu a investida, colocando as suas mãos no pescoço do garoto, puxando-o para mais perto e enrolando as suas pernas na em torno dos quadris dele , o prendendo, deixando ainda mais perto.

Ambos gemeram prazerosamente quando as línguas, sedentas, se chocaram, como reflexo, Ken empurrou sua ereção contra Miyako, arrancando mais alguns gemidos dela. A mão que se encontrava livre, seguiu para dentro do uniforme da garota, sentindo o quanto a sua pele gelada e molhada, estava arrepiada, chegando aonde desejava, nos seios, apertando com força por cima do sutiã.

A cabeça de Miyako girava com milhares de coisas, estar se agarrando com ele, o cara que só fazia mal a sua vida, que sequestrou o seu parceiro e prejudicou os seus amigos, era errado demais. E se chegasse alguém? Apesar que, quem chegaria ali no meio daquele dilúvio? Quanto mais sua mente tentava trabalhar com possibilidades de serem pegos, mais seu corpo queimava e se rendia aos toques de Ken, tanto com as mãos, quanto com a sua boca, mordiscando o seu lábio inferior provocantemente, de forma que a fez arfar condenadoramente.

O tempo chuvoso e frio que fazia lá fora, não era nada comparado com o calor que fazia dentro do túnel, conflitos e dilemas internos, embalados com mãos deslizando pelos corpos, gemidos provocantes e de puro deleite de ambas as partes. Eles sabiam que eram inimigos, não deviam estar naquela situação, o quanto aquilo tudo era errado, mas naquele momento a luxúria era quem estava vencendo a razão de lavada.

As mãos de Ichijouji fizeram menção em retirar a blusa molhada de Inoue, porém, a ela teve um lapso de memória e impediu de continuar. Ken pareceu não se importar com essa reação dela, continuou com as carícias, seguindo para o pescoço, distribuindo beijos, lambidas e mordidas por toda a região, fazendo arfar ainda mais.

— Ken-kun, isso é tão errado. — Inoue argumenta usando o lado da razão, mas seu tom era tão duvidoso em meio a tantos gemidos manhosos, que suas palavras só serviram para deixar o garoto mais excitado.

— Não é o que o seu corpo está querendo me dizer… — Ichijouji sussurrou provocativamente em seu ouvido, enquanto que as pontas dos seus dedos faziam círculos pela cintura da garota, deixando seu corpo ainda mais arrepiado. Ela só consegue soltar um “Kami!” em um gemido que mais pareceu um miado.

Não se contendo mais, Ken retira a blusa de Miyako, jogando-a ao lado das suas mochilas; seus olhos brilharam como um lobo, que viu a sua presa e estava prestes a atacar. Ele mordeu o lábio inferior, ainda mais excitado com a visão dos seios da garota, o sutiã rendado na cor lilás realçou muito bem a sua pele, assim como os seus cabelos, agora um pouco secos, espalhados como se fossem um véu, como se ela fosse uma ninfa.

Abriu a boca, salivando nos montes, desde o dia em que deu banho na garota, desejava sentir como era aquela textura em seus lábios, mordendo, lambendo, sugando, querendo provando era o seu r gosto. Inoue tremeu ao sentir aquele olhar predador sobre si, ela sabia muito bem que seria abatida por ele a qualquer momento e não teria mais como se defender.

Miyako estava completamente entregue, não queria estar entregue, não deveria, não era certo por nenhum ângulo moral, racional, mas mesmo assim ela apertou os olhos e pendeu a cabeça para o lado.

— Faça o que quiser comigo, sou toda sua… Kaiser-sama... — Sussurrou entorpecida pelo momento.

Kaiser sorriu largamente, enquanto um relâmpago rasgou o céu escuro, clareando todo o local onde eles se encontravam; era tudo o que ele mais queria, nada poderia detê-lo naquele momento. Uma de suas mãos estendeu os pulsos de Miyako sobre a cabeça e a outra subiu pelas suas pernas, desde a linha dos joelhos lentamente alcançando sua intimidade, sentiu um pouco de fluidos em suas mãos, isso fez com que seu membro vibrasse ainda mais de tanta excitação.

A boca do garoto seguiu voraz alcançando orelha, deslizando a ponta da língua por toda a sua extensão, finalizando com algumas mordiscadas no lóbulo; seguiu para o pescoço, torturou um pouco mais Inoue, com fortes mordidas e lambidas sensuais, arrancando alguns gemidos escandalosos dela, por ser uma das partes que têm mais sensibilidade.

Seus lábios foram descendo cada vez mais pelo colo, alvo, da garota, Kaiser saboreava cada pedacinho de sua pele macia e perfumada, ficando alucinado, se questionando, como aquela “gralha irritante” poderia ser tão deliciosa dessa forma? Sua mente estava nublada, só pensava em devorá-la como se sua carne fosse comestível, ouvindo sua vozinha manhosa gemendo e chamando por ele.

Aquilo que estava acontecendo entre eles era tão intenso, mas ao mesmo tempo proibido, arriscado, por serem descobertos por alguém. Era uma mistura muito explosiva de desejo e negação; sim, havia a negação, por ambos serem muito orgulhosos e serem inimigos, e adrenalina, que os excitava ainda mais para ir longe com toda aquela pegação.

E ele foi avançando cada vez mais, caindo de boca nos seios da garota, abocanhando-os por cima do pano. Inoue não mostrava mais nenhum tipo de resistência, muito pelo contrário, estava gostando demais de tudo aquilo, não conseguia mais conter os gemidos.

— Ai Kami! Isso é loucura demais… Fazer algo assim, em um lugar como este, com alguém como você…

— Loucura hãn? Você não viu nada ainda Inoue, isso não é um por cento de toda a minha loucura, sou muito mais do que pensa, garota…

Dito isso, ele puxou a peça íntima que cobria os seios da garota, fazendo com que a mesma se rompesse, virando um simples pedaço de pano, arrancando um gemido surpreso de Inoue. Era muita ousadia em um lugar tão arriscado, mas ainda sim, completamente excitante essa sensação de perigo. Ele realmente era completamente insano e ela estava totalmente a mercê de sua loucura, e gostava demais de todo essa doideira que tava rolando.

Ichijouji deslizou sua palma pelos montes macios, se deliciando com o atrito causado pela textura afável e pela rigidez dos mamilos, mas principalmente pelas reações da garota sob seu corpo, fechou as duas mãos, apertando-os diversas vezes, gemendo com o ato, chegando a fechar os olhos ao se deliciar com o contato, seu corpo se esquentou, sentiu as queimações em seu púbis, os tendões das coxas repuxando, ansiando por alívio.

— Deliciosos demais… — Ele falou entre os dentes e puxou saliva como um predador faminto, prestes a atacar.

Apertar os seios alvos da garota já não estava mais satisfazendo a sua vontade, queria mais, era tomá-los em sua boca, fazendo Inoue perder ainda mais o controle e render-se de vez para si e assim ele o fez, mas foi um pouco mais cruel, começando a lamber a pele da garota, bem acima do cós de sua saia verde, varrendo toda região de seu ventre com sua língua quente, deixando rastros de saliva, não resistindo a dar algumas longas sugadas, fazendo a garota se contorcer e miar como uma gatinha.

Sua boca trilhou todo o percurso até o vale entre os seios e as pernas de Inoue se moviam pelas dele, ansiosas, o apertando fortemente, implorando por um contato muito maior do que toda aquela tortura feita por ele. Seu ventre ardia muito, aquela mesma queimação que tiverá em seu sonho, só que dessa vez ela era muito mais intensa; a vulva jorrava muitos fluidos, que já não se comportavam mais em sua calcinha, chegando a escorrer pelas suas pernas, chegando até passar um pouco para a roupa do garoto.

Os índigos de Kaiser brilharam quando ele se viu com a boca a centímetros de abocanhar o que tanto queria, a proximidade era tanta que seu hálito quente, fazia Inoue se arquear desejosa pelo próximo ato. As pontas de seus dedos brincaram uma vez mais contra o mamilo rijo, em seguida sua língua passou suavemente, saboreando, degustando, se deliciando com o gosto e a sensação, girou pelas aréolas e sua boca faminta sugou o bico, várias vezes, paralelo a isso as mãos da garota quase lhe arrancava os cabelos, mas ele não se importou com a dor, estava no auge de todo o seu prazer, jogado naquela sensação maravilhosa, Miyako ousou um pouco mais e ergueu sua pélvis friccionando seus sexos e isso o fez parar o ato e gemer intensamente.

— Eu não posso aguentar mais… — Ele fala em meio a gemidos, com a cabeça enterrada entre os seios da garota. — Eu preciso me enterrar fundo nesse seu corpinho, te sentir por dentro, agora! — Uma de suas mãos, seguiu para seu membro o apertando com força, por cima da calça, a fim de aliviar um pouco a dor que sentia, a impressão incômoda de petrificação.

Miyako estava perdida, perdida em meio a tantas sensações deleitosas, porém, sua mente teve um lapso, aquele furor todo era completamente errado, ele era seu algoz, o cara que só lhe fazia mal, e ela nem em pensamentos deveria se sentir daquela forma ou permitir que as coisas chegassem a este ponto. Precisava parar, tinha que parar eles não podiam romper aquela linha. Só que tudo sumiu de sua mente quando a boca do garoto deslizou por seu corpo, tomando seus lábios em um beijo faminto.

Uma das mãos de Ken seguiu pelas coxas de Miyako, alcançando sua intimidade os dedos escorregaram pela calcinha encharcada de seus fluidos quentes. O garoto pirou quando sentiu a densidade contra seus dedos, a vulva estava pulsante como se implorasse para ser invadida, aquilo era demais para ele, ela estava pronta para o que tanto ansiava; a garota estava tão afetada, mas entendeu o que viria a seguir quando o ouviu abrir o zíper de sua calça, o tecido de sua calcinha foi arredado para o lado.

Mil coisas giraram pela cabeça de Inoue. Ser possuída ali, assim em público com risco de qualquer um chegar e ainda mais perder sua virgindade com a pior pessoa do mundo; Não, não, não, tinha que parar, por mais que aquele beijo estivesse delicioso demais e seu corpo estivesse se deliciando a cada célula, com aquela loucura, ela tinha que parar.

Ela rompeu o beijo e virou o rosto para o lado, completamente ofegante.

— Ass.. Assim não Ken-kun… Não em um lugar como este… — A voz saiu trêmula, o apelo manhoso como que queria dizer justamente o contrário.

E a boca dele seguiu para a orelha da violacea.

— Não consigo parar agora… — Seu tom também era trêmulo, rouco, sensual afetado por tanto desejo. — Me diz que você não quer… — Dizendo isso ele empurrou sua glande quente pulsante pelos lábios íntimos escorregadios da garota, arrancando um reflexo brusco da mesma e um gemido extremamente escandaloso.. — Me diz que não quer sentir ele todinho dentro de você?

Uma desonra, uma vergonha para sua família e traidora de seus amigos, negligenciada dos seus ideais… Miyako se sentiria péssima pessoa para sempre, mas não poderia negá-lo, era era sincera e honesta demais consigo mesma e não conseguiria dizer não, então apenas sussurrou com toda convicção e ansiedade “Me faz sua”.

Ichijouji sorriu largamente e brincou mais algumas vezes, se deliciando com a ansiedade da garota, deslizando sua glande pela vulva encharcada, era delicioso demais ver sua valente inimiga se contorcendo sob seu corpo, desesperada para tê-lo se enterrando fundo dentro dela e rompendo sua virgindade em um local tão comprometedor, era uma sensação de poder inexplicável.

Ele sentiu que não conseguia mais ficar naquela tortura e apertou uma das coxas da garota, ergueu seu tronco para ter a perfeita visão de seu membro encaixando-se contra a entrada pulsante de Miyako, soltou um gemido deleitoso, era agora, suspirou fundo e impulsionou sua pélvis para frente, forçando passagem, aos sons dos gemidos manhosos de Inoue…

“BAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAN”

O som estridente de um raio fez com que o jovem casal que havia se abrigado dentro do túnel, saltassem de susto, saindo do duplo devaneio que estavam tendo um com o outro. Na verdade desde ter entrado no local, ambos permaneceram sentados lado a lado, com as pernas encolhidas contra o abdômen, nem sequer trocaram uma palavra, estavam trêmulos, mas não pelo frio.

Ken mordeu, com força, o lábio inferior, reprimindo um gemido de frustração, mais uma vez teve alucinações com Inoue e para piorar, na presença da mesma e o pior de tudo é que seu membro parecia que ia explodir a qualquer momento. Ela estava alí tão perto. E se ele a agarrasse e a jogasse ali e realizasse seu devaneio? Não, não seria tão fraco e a deixaria saber que a deseja.

Miyako por outro lado, quase não conseguia respirar, sua calcinha estava encharcada e não era pela chuva, seus braços abraçaram fortemente em suas pernas, seu coração batia tão forte que ela temia que o rapaz pudesse ouvir. Como pode ter um devaneio tão infame com ele? Não bastasse aquele sonho obsceno na noite anterior.

Era uma situação em que nenhum dos dois imaginava se encontrar, mas os olhos acabaram se buscando por, curiosidade? Se encararam, as faces coradas, ardendo pelas lembranças do devaneio recente, os corpos atormentados pelas sensações. Miyako já havia sentido seu rosto arder várias vezes na presença de rapazes, mas nunca fora assim. Só não queria corar dessa forma para seu maior inimigo.

Ken, por sua vez nunca sentiu nada daquelas sensações as quais desprezava tanto por não ser capaz de compreender, tampouco controlar. Seus olhos correram, ligeiramente, pela inimiga e se encontraram com os dela, ambos se encararam por algum instante, se punindo pelo devaneio.

— A chuva amenizou. — Inoue sussurrou desviando o olhar, secando as lentes molhadas de seu óculos. — Eu vou aproveitar e correr para casa. — Anunciou e tirou seu casaco verde de dentro da mochila o vestindo.

O garoto apenas assentiu, sua mente, ainda presa no devaneio, seu corpo quente com todos os efeitos do mesmo e era melhor que ela fosse. Miyako mal se despediu, mas precisou passar rente a ele para sair e a eletricidade que se desprendeu pelo local, quando seus corpos se tocaram, foi quase palpável. Ichijouji fechou os olhos, respirando fundo a fim de se controlar.

Inoue saiu do túnel e correu para casa e ele ficou ali, parado, com o corpo se recuperando e a mente perdida; deixando-se cair para o lado se recostando sobre a mochila, a parte do seu corpo onde a garota encostou parecia ter ficado dormente, sua mente confusa se perdia em mais conflitos ainda relembrando todos os fatos que ocorreram durante o dia.

Miyako chegou ofegante em casa, nem usou o elevador, optou por subir as escadas, brigou com a chave na fechadura e quando ganhou a briga abriu a porta e entrou, ainda atordoada, fechando a mesma atrás de si e jogando suas costas contra ela. Ficou alí no chão, apática, por alguns momentos. A garota nunca foi a feminista, mas sempre teve repulsa pela cultura machista de seu povo, sempre julgou aquelas mulheres que eram maltratadas pelo marido e mesmo assim estavam ao lado do monstro e agora… Agora ela não sabia o que estava sentindo por aquele que só a reprime e a persegue, deseja arrancar tudo dela e se diverte com sua dor.

Uma coisa era certa, aquilo não era amor. O amor é algo doce e belo, que faz o peito se aquecer e não entre as pernas; é fazer planos para o futuro, sentir admiração, respeito, compartilhar bons momentos, querer proteger e pensar em viver uma vida inteira construindo sonhos. É sentir-se ansiosa e com o coração disparado, a cada ação da pessoa amada. Amor é o que a garota aprendeu a sentir por Izumi, ele sim merecia um sentimento puro e bonito, mas aquilo que estava acontecendo com ela era bizarro, desprezível.

De uma coisa Miyako tinha certeza, ficar ali jogada em nada iria adiantar, então ela se arrastou até o som e colocou uma música, se dirigiu para seu quarto e pegou roupas quentes e confortáveis, talvez demorasse até que Ken chegasse em casa e fosse para o Mundo Digital e neste tempo ela precisava tentar estudar.

Bem, já havia começado a escurecer em Odaiba, enquanto que Miyako já se encontrava bem quentinha em seu lar, Ken conseguiu depois de um tempo sair do túnel, gelado. Sua roupa estava úmida e fria, a brisa gelada do anoitecer cortava sua pele pálida, enquanto ele caminhava, quase em modo mecânico, para seu destino. Ken sempre tinha pressa para chegar em casa e assumir seu posto como imperador do Mundo Digital, tinha sede de dominar e expandir seu império, mas naquele dia isso nem lhe ocorreu.

Ichijouji parou sobre a passarela que dava acesso a estação e alí ficou observando as luzes que iluminavam a cidade, ao seu lado alguns alunos que também se atrasaram devido a tempestade, passavam dando explicações aos pais que ligavam preocupados. Instintivamente levou sua mão ao bolso apertando seu aparelho, depois se lembrou de que não tinha motivos para se preocupar com isso, afinal, para ele, sua mãe nunca se importou consigo.

Uma névoa cobriu, ainda mais, o azul de seus olhos, mais uma vez o garoto sentiu o ódio que o fazia querer deixar aquele mundo “as pessoas são uma farsa”, repetiu as palavras para si e se encaminhou para sua plataforma. Como sempre, olhares eram lançados em sua direção, falavam sobre ele, algumas garotas tiravam fotos sem permissão, mas ele nem se importou com o fato, sua mente estava perdida em questionamentos.

O tempo da viagem passou despercebido, quando se deu conta já estava entrando em seu apartamento, seus pais já estavam em casa e perguntaram coisas sobre a chuva, trânsito e a escola, ele respondeu em modo automático, foi para o banho quente e dispensou o jantar, olhou para o computador, para seu dispositivo digital, mas dispensou todos eles, até mesmo o manto de Kaiser e se jogou em sua cama.

Outra noite em que sua mente genial, certamente não teria paz, se não perdida em devaneios profanos, perdida tentando decifrar aquela dor lacerante em seu peito. O fato é que ele se deu conta da armadilha que havia criado para si mesmo, com Miyako em sua vida, ele não era o mesmo, não se sentia seguro, mas morreria se eliminasse seu parceiro e a libertasse diretamente para os braços de Izumi. Em que diabos de novelo ele foi se meter? Não tinha mais volta.

(...)

Miyako por sua vez, viu que realmente teria um dia de folga, estava em seu quarto, já havia jantado com a família e poderia ficar se martirizando por seu corpo ser tão traiçoeiro e fazê-la se sentir uma vadia, mas se tem algo que a garota nunca teve paciência, foi para lamentações, ela não era o tipo de pessoa que deixava os problemas afetá-la e ficava se lamuriando jogada em um canto falando com sua dor.

Se ficasse sozinha em seu quarto sabia que mais lembranças e questionamentos viriam, então se dirigiu para o local mais animado da casa, o quarto de sua irmã Momoe. O ambiente estava bem como ela previu, revistas e notebook em cima da cama, música ligada e a mais velha vestindo um robe e usando uma toalha nos cabelos, enquanto fazia as unhas.

— Posso entrar? — Perguntou, rindo com a leveza do ambiente.

— Não sei. — A mais velha fez um biquinho. — Depois da fama você nunca mais veio aqui. — Falou divertida, se fazendo de ofendida.

— Ah, que fama? Para de besteiras. — A violacea entrou e sentou-se no tapete, em meio as almofadas, ela sentia falta das conversas com a irmã. — Que saudades de você.

— De ficar me pentelhando quando falo sobre os signos? — Momoe fez uma expressão engraçada. — Estou humilhada que a minha irmã mais nova esteja namorando antes de mim. — Resmungou.

— Mas você já namorou, Momoe-oneesan — Miyako pegou uma de suas revistas e se chocou com uma foto do Ken, jogou a mesma de volta sobre a cama. — “Que treva!” — Pensou consigo.

— Não era namoro e sim pesquisa de campo. Que o papai não me ouça! — Ambas riram com a besteira dita pela irmã. Era sempre assim, Momoe tinha as maiores pérolas, nunca ligava para nada, amava estética e ao terminar o ensino médio seguiria carreira na área desejada.

Quando se deu conta, ela já estava sentada na penteadeira da mais velha que, fazia vários penteados; ao contrário de Miyako, Momoe tinha os cabelos cortados na altura do maxilar e na cor caramelo, normalmente usava uma presilha de cabelo para prender a sua franja. Os seus olhos eram âmbares como os da irmã, também usava óculos, porém num design diferente, mais arredondados, de modo que realçaram as curvaturas de sua face.

Eram irmãs completamente diferentes, Chizuru era estudante de enfermagem e iria viver em uma rotina agitada de hospital, Momoe sonhava em trabalhar no spar mais conceituado do Japão em meio aos famosos, socialites e a nata japonesa, lidando com perfumes, produtos de beleza e assuntos de mulheres, enquanto Miyako já almejava a área tecnológica.

E as duas conversaram animadas, sobre muitas coisas sem importância, tais como: vida de famosos, musicas da atualidade, moda, signos e garotos, claro que tinham que falar sobre isso. Era estranho ter aquele momento, completamente o oposto do que havia sido com a outra irmã de manhã na cozinha. Mas a garota de cabelos lilases precisava daquilo mediante a tanta loucura que vinha lhe acontecendo durante essa semana.

— Miya, sua depilação está em dia? — A mais velha perguntou normalmente. — É porque agora que você está ativa é que não pode mesmo deixar de estar em dia com a depilação. Ninguém merece.

— Ah não! Eu não estou ativa. — Miyako choramingou, envergonhada.

— FALA SÉRIO? — Ela parou de trançar os cabelos da mais nova. — Como alguém namora Ichijouji Ken e ainda continua virgem? Inclusive temos muito o que conversar, se você quiser posso te dar algumas dicas, mas o melhor mesmo é te levar a um ginecologista. Precisa saber sobre higiene pós sexo, sabe se você for fazer em um lugar escondido, bem rapidinho existem lenços umedecidos femininos para você não ficarem melecada, porque na hora é bom, mas se não tiver um banho o cheiro fica um horror… Tem as formas de prevenção a gravidez e...

— Para! Eu não vou fazer sexo com ele! — A violácea balançou negativamente a cabeça diversas vezes, tentando espantar as lembranças dos devaneios que teve com Ichijouji.

— Oi? Como não vai? Ah, eu sei você está insegura com as críticas deste bando de invejosas nas redes sociais. Miya o que você deve ter em mente é que ele te escolheu, óbvio que elas vão te atacar pois querem o seu lugar. — Apontou para o espelho a frente. — Você é linda minha irmã e inteligente, aposto que ele te deseja muito, tenha mais confiança em si mesma. Esse papo de nerd com complexo de inferioridade é coisa de filme teen besteirol americano.

— Ah, não é nada disso, minhas inseguranças são normais para uma garota da minha idade, não são nada como na minha pré adolescência e convenhamos que ser nerd tá na moda so americanos ainda não entenderam isso. O problema não é insegurança… Ah vamos falar de outra coisa, chega de Ken por hoje. Pode ser?

— Ok, sem estresse, mas sobre a depilação, eu tenho hora amanhã e tem uma vaga sobrando. Quer ir?

— Eu… Preciso ver uma coisa antes, mas te respondo antes de dormir.

Miyako saltou da cadeira, com o cabelo meio trançado, e correu para fora. Ela estava com raiva de ter que pedir autorização para Kaiser, mas ela queria passar uma tarde com a irmã, estava com saudades e bem… A depilação, ela queria mesmo colocar em dia, não por motivos suspeitos, mas por higiene e conforto.

Com rapidez ela buscou seu D-Terminal e enviou a, humilhante mensagem:

“Boa noite…”

Mas ela achou muita falsidade e apagou.

“E ai?”

Parecia muito íntimo e descontraido, algo que eles não eram. Então decidiu apagar.

“Kaiser-sama…”

Isso era humilhação demais, foi apagada também.

— Ah droga, é só uma mensagem, não deve ser tão difícil assim? Ai que treva!

E ela ficou naquele demorado ritual, tentou varias vezes, mas não sabia como iniciar a mensagem, era estranho demais estabelecer comunicação com aquele ser. Por fim conseguiu algo que julgou ser o melhor.

“Tenho depilação amanhã, não posso desmarcar, pode me liberar?

Inoue Miyako”

Leu, releu e enviou sem pensar e só alguns segundos depois ela se deu conta do que havia enviado.

— KYAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!

Ela tinha mesmo dito que iria para depilação, aquilo era embaraçoso demais. Começou a andar de um lado para o outro, seu corpo tremia e as bochechas ardiam. O que ele responderia?

O D-Terminal apitou e ela deu um salto e esticou a mão trêmula em direção ao aparelho “ele recebeu, leu e respondeu”. Ela respirou fundo e juntou forças para ler o conteúdo.

“Depilação? Vá fazer sua depilação pra lá. Amanhã não vou ao colégio, mandarei Bakemon no meu lugar. Não vou precisar de você neste final de semana, mas mandarei uma lista com o que você deverá fazer neste período. Lembre-se de se comportar e não fazer nenhuma gracinha. Nos vemos na Segunda.

Digimon Kaiser.”

Miyako vibrou, até esqueceu a vergonha. Era uma noite de quarta e ela ficaria quinta, sexta, sábado e domingo sem ver seu algoz. Isso era bom demais para ser verdade, então uma coisa lhe ocorreu.

“E meu Hawkmon? Não vai torturá-lo, nem deixá-lo com fome?

Inoue Miyako”

E a resposta veio na hora.

“Se você aprontar alguma coisa com certeza eu irei, fora isso, creio que não.

Digimon Kaiser”

Ela voltou a vibrar, era demais, maravilhoso, jogou o aparelho na gaveta e correu para falar com Momoe, foi fazendo passos de dança pelos corredores. Porque será que Kaiser quer ficar esse tempo afastado? Ela pensou, mas em seguida deu de ombros, ter aquela folga longe dele era fantástico e iria aproveitar de todas as formas.

(...)

Enquanto isso em Tamachi, Ken relia as mensagens enviadas por Inoue, sabia que precisava se afastar um pouco da garota e colocar as idéias no lugar, dar atenção aos seu plenos de conquista e adiantar a queda dos Digiescolhidos, ainda faltava alguns peões a cair, principalmente o seu maior inimigo, Izumi Koushiro.

(...)

No dia seguinte, tudo seguiu normalmente, óbvio que Inoue não beijou Bakemon na boca, mas o mesmo lhe deu um beijo no rosto. Esse fato aconteceu na quinta, era estranho estar com o fantasma ali, ver a expressão suave no rosto de “Ichijouji Ken”, sendo divertido com ela, rindo de suas perguntas engraçadas sobre os humanos, respondendo às suas curiosidades, elogiava sua comida e parecia uma criança feliz.

Nesse período, estranhamente, ninguém do grupo dos Digiescolhidos foi exposto de alguma forma, porém na sexta feira, um segredo muito pessoal de uma garota do primeiro ano foi revelado, seus exames médicos e risco cirúrgico para a realização de uma cirurgia para remover um órgão genital, constava que a garota era hermafrodita.

Aquilo foi extremamente humilhante, durante o intervalo, a garota foi tratada como lixo, foi xingada, algumas garotas zombaram dela, jogaram coisas em sua direção e ninguém a defendeu. Miyako ficou estarrecida, alguns garotos tentaram arrancar o uniforme da moça, tentando expor a “aberração”, mas por sorte a direção chegou e conseguiu controlar os ânimos dos estudantes.

Foi extremamente cruel, pessoas filmaram e mandaram para internet, aquela pobre garota poderia mudar de escola, de cidade, mas seria reconhecida e agredida por pessoas preconceituosas em qualquer lugar. Porque Kaiser faria isso com alguém que nada tinha a ver com seus alvos? Inoue se questionou. A não ser que essa pessoa tenha sim importância para alguém do grupo, mas quem?!

POV Miyako

Bakemon me acompanhou até em casa, durante o percurso passamos em uma confeitaria onde você paga e come o quanto aguentar, e tive que sair arrastando o fantasma do local, se não ele iria acabar com todos os doces, mas os donos pareciam nem se importar, afinal tinha Ichijouji Ken em seu estabelecimento, eles trataram de pedir permissão para tirar muitas fotos e colocar nas redes sociais, em segundos o local encheu de garotas histéricas.

Quando chegamos frente ao prédio, ele me notificou que no final de semana nós iriamos a alguns eventos e que não era para me preocupar com as roupas que essas foram cedidas pelo local. Como assim um evento? Eu sabia que estava bom demais para ser verdade. Gente eu morro de vergonha de sair para lugares onde não conheço ninguém. Ia ser um longo final de semana.

E assim foi, acordei cedo e já recebi os trajes que deveria vestir, arrumei meus cabelos, comi algo e saí, antes que tivesse que dar explicações. Ichijouji só podia estar brincando com a minha cara. Um lugar mais chato e entediante que o outro, inaugurações disso e daquilo, premiação de redação, olimpíadas de matemática e no final do dia a minha cabeça estava girando, doendo, tantas fotos, câmeras, luzes na minha cara, perguntas, pessoas chatas, comida ruim. Ele fez isso de sacanagem, eu o odeio demais.

Não parou por aí, domingo de manhã, meu pai foi buscar a correspondência da semana e tinha uma caixa enorme endereçada a mim, kits de perfume, convites para inaugurações de restaurantes, mesa especial, e lojas, jóias e bijuterias e pedidos para promovê-los, mais uma vez eu tive que encarar o olhar de repreensão dos meus pais, que mal estavam falando comigo. A conclusão final é, mesmo longe ele estraga a minha vida.

POV Kaiser

Eu sabia que precisava de um tempo longe da Inoue para me desintoxicar dela, não que eu consiga me livrar dos pensamentos, mas ao menos posso me controlar e tentar manter meu foco. Com Bakemon em meu lugar eu fui tratar de assuntos relacionados ao Mundo Digital e acabei descobrindo que os rebeldes da resistência, mesmo sem contato com os Digiescolhidos, tem pedido ajuda de Digimons mais poderosos de nível o qual eu não controlo. Isso tem sido um atraso para mim.

Comecei a trabalhar em um projeto para conseguir mais escravos, mas enquanto isso minhas descobertas sobre os segredos, os podres dos Digiescolhidos, continuavam em vigor, na quinta feira dei um pouco de paz para eles, mas na sexta atingi indiretamente o membro mais orgulhoso e cheio de valores morais.

Eu imagino como deve estar sendo difícil para o mais jovem dos Digipatetas, saber que sua quase primeira namoradinha veio com acessório extra, tanto que ele nem se pronunciou para tentar defendê-la, a garota quase foi linchada e o escolhido herdeiro da sabedoria se acovardou. Seus amigos são exemplares Inoue, mal posso esperar para jogar isso na sua cara.

Como tenho um coração nobre, mandei que Inoue fosse com Bakemon a todos os eventos chatos que eu deveria participar, vi a cara dela pelas câmeras de Bakemon, nunca ri tanto. Bem vinda ao mundo do seu ídolo minha querida, está sendo um sonho? Creio que não, pessoas falsas e competitivas querendo o máximo que você puder dar e ainda rindo pelas suas costas, não é um sonho, nem um paraíso, é o inferno, é como o mundo realmente é.

Enquanto Inoue se divertia sendo famosa, meus experimentos com desenvolvimento do Anel Negro ia de vento em popa e isso acabou me deixando com muito bom humor. Na segunda feira eu estava pronto para tocar o caos naquela escola.

Mal o portão abriu e os segredos de mais da metade da escola já haviam sido revelado, Tachikawa com aquela pose toda, sofre de bulimia e se trata com psicólogos, contou em redes sociais, para seu namorado Kido que sua melhor amiga Takenouchi, já tinha perdido a virgindade com Yagami em um acampamento no último verão, sendo que nessa época ela já ficava com o loiro metido a rockstar, que pelo visto coloca sua música sempre em primeiro lugar. A sonsa da Luz retornou somente para ser mais exposta quando seu casinho lésbico com a professora de educação física foi revelado, deu muita confusão e até polícia foi chamada; a mulher foi leva aos sons dos choros e protestos da monga da Luz.

Foi um verdadeiro caos e Inoue estava atônita, não esboçou nenhuma reação e eu não consegui saber o que se passava em sua mente, paralelo a vida colegial, ela tinha que me servir como escrava, sim, lavar, passar cozinhar, responder e-mails e fazer tudo exatamente como eu ordenasse. Como prêmio pela obediência recebia uma hora por dia com seu Digimon.

Na sexta foi o dia de encerrar com chave de ouro o espetáculo, desde a primeira exposição de Yagami Hikari, a polícia mandou seu tecnicos de merda para investigar o caso, não deu em nada, mas agora eles tinham uma conta para encontrar, de onde todas as informações maldosas vieram. Acho que estava prestes a ver um massacre em praça publica, estilo medieval.

Infelizmente eu estava em sala de aula, mas pela janela pude ver quando os pais de Izumi chegaram na escola e conversaram com a polícia.

— Xeque mate, meu caro. — Sorri vitorioso, esse ficaria de castigo para sempre, poderia esquecer prestigio estudantil, presidente do grêmio, uma bolsa na universidade…

Fui tirado do meu devaneio quando a porta da minha sala foi violentamente aberta e todos se assustaram. Olhei em direção ao som e encontrei Izumi de punhos cerrados e dentes trincando, em seu rosto uma expressão de fúria, confesso que fiquei incrédulo e sem reação, mas ele não, em fração de segundos adentrou na sala alheio aos apelos do professor e me puxou para fora, pelos cabelos.

Eu não consegui processar no momento, mas de repente a escola inteira parecia estar gritando e o som abafado em meus ouvidos enquanto Izumi me jogava no chão e se atirava sobre mim, desferindo diversos socos em meu rosto e gritando palavras de ódio em relação a mim, me culpando por ser o causador dos seus problemas. Senti um gosto amargo de sangue na boca, minha visão começou a ficar turva e a cabeça doer demais, como se eu fosse desmaiar aqui e agora.

Quando a mulher que parecia ser sua mãe, gritou, aparentando estar horrorizada com as atitudes do filho. Izumi pareceu voltar ao normal e me soltou, olhou para as próprias mãos, manchadas de sangue, como se estivesse chocado consigo mesmo. De repente, um dos alunos o acusou e todos começaram a conversar entre si e a acusá-lo, chamando-o de falso e mentiroso, hacker de merda.

— Eu não tive nada a ver se você foi descoberto, Izumi-san. — Abri um sorriso, limpando um pouco de sangue da minha boca. — Veio me agredir injustamente.

Ele ia revidar, mas os orientadores e seus pais intervieram, o puxando. Tive a ajuda de alguns garotos da minha classe para me levantar, não que eu precisasse, mas me fazer de vitima era o melhor no momento. Vi Izumi seguindo derrotado ao som de vaias e gritos, porém a pior coisa aconteceu, a mais inacreditável. Tive a percepção dos longos cabelos lavanda que passaram esvoaçando por mim e ignorando-me completamente, Inoue correu até Izumi.

— Koushiro-kun...— Ela chamou, com dificuldades para passar pela multidão e ele olhou, continuando a ser empurrado para frente. — Eu acredito em você! — Ela gritou a plenos pulmões e ergueu a mão para ele e o ruivo repetiu o ato, as mãos entrelaçaram por segundos.

Fiquei estático, meus olhos arderam eu tive que segurar as lágrimas de ódio e humilhação, aquela maldita dor no peito quase cortou todo meu suprimento de ar. Maldita! Como ela pode? Como se atreveu a fazer isso?

Quando Inoue pareceu se dar conta do que fez, virou-se lentamente e encarou meus olhos, vi sua expressão de puro pânico; ela se aproximou de mim demonstrando falsa preocupação, mas sua professora não permitiu que permanecesse ali, e fui levado à enfermaria pelos mesmos alunos que me ampararam antes, segui, mas não sem antes lançar um olhar em sua direção, que disse tudo.

“Ah minha cara Inoue, você vai pagar muito caro por isso.”