(In)fortúnio
10 Pequena alma delicada.
Notas iniciais
Bom, eu havia prometido a vocês que em todo capítulo eu colocaria uma fanart KiMa. Aqui está:
http://24.media.tumblr.com/832fecb92895a7cc711140cf804b122e/tumblr_mqvvd7EEPU1sdgpnko1_500.jpg
Sem mais delongas, boa leitura.
10. Pequena alma delicada.
– Maka? Tá fazendo o que aqui na nossa casa? – Patty indagou, olhando-a com surpresa.
– Eu… Eu…. – Ela buscava uma desculpa, aflita.
– … Estava ajudando o Kid com uma lição de casa que pela primeira vez na vida ele não conseguiu fazer. É, tô sabendo. O Kid me disse. É isso aí, não é? – Liz completou. Ambos não entenderam absolutamente nada, Kid não a havia dito coisa nenhuma. A irmã mais velha piscou para eles, e, mesmo que ainda confusos, ambos assentiram.
– Ah tá! – Patty entrou na mansão saltitante, plenamente convencida com a resposta. Oras, se era sua própria irmã que confirmava aquela história, por que não acreditar?
Kid e Maka continuaram a olhar Liz, ambos exalando um ar de indagação. Quando Patty se distanciou consideravelmente deles, a mais velha decidiu explicar.
– Bem, é melhor que a Patty não saiba sobre vocês, não acham? Ela vai abrir um berreiro. Kid, há muito tempo eu sei que você gosta da Maka. Eu não sou boba, ao contrário do que vocês pensam. As vezes, quando jantávamos, por exemplo, e sempre que o assunto chegava nela, você não parava de a elogiar. – Ao som dessas palavras, Maka o olhou de canto de olho e não conseguiu deixar de sorrir, ainda que discretamente. Ele corou. – E vejo há meses como você a olha. Eu manjo sobre essas coisas, sabe? Tenho certa experiência nisso. Mas eu nunca imaginei que vocês ficariam juntos mesmo. Na verdade, Maka, achava que você gostava mesmo era do Soul.
– O Soul? Ele é meu parceiro, Liz! Eu nunca o veria dessa forma! – Ela apressou em explicar-se.
– De qualquer maneira, nesses últimos dias o Kid parecia mais feliz que o normal. Ele estava sorrindo demais, e isso com certeza não é nem um pouco comum da parte dele. Eu fiquei pensando… Mas será que…? Agora chego aqui e dou de cara com vocês saindo juntinhos de casa. Aposto que não estavam estudando, né? – Ela direcionou-lhes uma piscadela e sorriu marotamente. Ambos se enrusbeceram e permaneceram em silêncio. – É, isso confirma minhas suspeitas. Parabéns aos pombinhos!
Ambos agradeceram um tanto encabulados e ainda relativamente confusos.
– Desculpe não lhe contar antes, Liz. Na verdade, imaginei que sua reação ao saber seria… — Kid procurava uma palavra para terminar aquela frase.
– Exagerada? – Liz completou.
– É… Na verdade iríamos contar a você e aos outros, mas estávamos esperando a hora certa. Como sabe, o Soul está extremamente sensibilizado e se acabasse chegando aos ouvidos dele seria um enorme problema tanto para nós quanto para ele.
– É, entendo a posição de vocês. Foi uma decisão sensata. Mas podem ficar tranquilos, eu não pretendo sair espalhando um segredo por aí em uma situação tão delicada como essa. Mas vocês deveriam tomar um pouco mais de cuidado, mocinhos. – Ela os repreendeu. Afinal, a desatenção deles poderia ter os prejudicou e seriamente.
– Nós iremos.
– Aliás, só mais um conselhozinho final. Vocês já tem idade pra fazer "aquilo", então usem proteção, certo? – Ela piscou e saiu rindo baixinho.
– Liz! – Ambos exclamaram em coro, sentindo-se envergonhados. Aliás, tocar em tal assunto os fez lembrar algo, no mínimo, preocupante. Eles se olharam com olhos ansiosos.
– Maka, por acaso a gente usou…?
– Não, nós… Nos esquecemos…
– Merda! Eu sou um imbecil. Como pude ser tão burro? – Kid passou a mão no rosto, demonstrando enorme preocupação.
– Nós somos, Kid. Nós dois esquecemos… Mas sabe, acho que não vai adiantar a gente ficar sofrendo por antecedência. É torcer para que tenhamos... sorte. Acho melhor esquecermos isso por enquanto, já temos problemas o suficiente.
– É, acho que você tem razão. Olha... que tal assim? Já que a Liz já sabe de tudo mesmo, por que não entra e fica mais um pouquinho? Podemos almoçar juntos. Só para descontrair e esquecermos, pelo menos por enquanto, nossos problemas. — Ele sugeriu.
Maka concordou e ambos adentraram a mansão. Nas horas que seguiram, Maka acabou por ficar responsável no preparo da refeição (na verdade, ela mesmo requisitou para que o fizesse) e todos se deliciaram com o prato especial por ela feito. Quando satisfeitos, todos migraram para a sala e ficaram um tempo batendo papo para passar o tempo. Ao entardecer, Maka decidiu que já era hora de voltar para casa, antes que Black*Star decidisse enchê-la de perguntas. Durante o caminho de volta, a jovem passou a refletir sobre sua vida, imaginando o que o destino aguardaria para ela e Kid. A loira estava quase convencida que nada aconteceria em relação ao deslize por ambos cometido. Oras, acima de tudo, ele era um Shinigami. E se as sementes que nela estavam amarzenada nada valiam, pelo simples fato dela ser uma mera humana? Partindo dessa hipótese, ela resolveu concluir, ainda que antecipadamente, que não haveria, futuramente, nenhum evento inconveniente que pudesse os importunar. Era mais conveniente pensar daquele forma, afinal evitaria preocupações que eram, muito provavelmente, em vão. Não era necessário até outrora continuar matutando-se com aquilo e muito menos tentar imaginar as consequencias se algo realmente acontecesse. Dali há poucas semanas ela tiraria a prova de que tudo correria bem, e apenas por desencargo de consciência.
Duas semanas se passaram e dali em diante tudo ocorreu como normalmente. As aulas usualmente entediantes e, sempre que possível, o casal de artesões dava uma escapadela para namorar. Além disso, Maka decidiu que pelo menos uma vez a cada duas semanas ela iria visitar o parceiro, e essa rotina começaria a partir dali. Kid concordou. A confiança na namorada por parte dele era plena e ele até apoiou a ideia.
– Bom dia, Soul! Já estava com saudades. – Maka exclamou sorridente e abraçou o parceiro. Ele a recepcionou com um sorriso e retribuiu o carinho. Após os devidos comprimentos, ambos foram para a cozinha para almoçar, – acreditem ou não – um prato preparado pelo Soul.
– Vejo que está aprendendo bem com as minhas receitas. – Ela falou, soltando-lhe uma piscadela simpática. O albino sorriu e corou de leve. – Então até mesmo Soul Eater Evans pode cozinhar, é isso mesmo produção? – Ela indagou em tom brincalhão.
– O ser humano pode fazer qualquer coisa quando se encontra em situações de emergência, Maka. Eu ia morrer se não aprendesse.
– Interassante… Acho que quando você melhorar eu vou continuar fora de casa por mais um tempo, quem sabe não aprende também a limpar a casa, colocar as coisas no lugar e lavar a louça. – Ela brincou e então riu baixinho.
– Tonta! Nem brinca! Já é exaustivo demais cozinhar, tá? – Ele fez uma careta. Uma reação natural para ele, afinal Soul era a definição ideal de preguiça.
– Pois é Soul, então pelo menos tenta dar mais valor e pára de reclamar quando eu peço pra você arrumar as suas coisas. Eu dou um duro danado pra deixar isso tudo aqui em ordem, viu!
– Tá… Tenho que admitir que você é um pouquinho maneira… — Ele disse, ainda um tanto orgulhoso.
– Um pouquinho? – Ela disparou-lhe um olhar corrosivo, ameaçando-o, ainda que descontraídamente.
– Ok, bastante maneira. Feliz?
– Claro que sim. Você admitindo que sou maneira? Isso é raridade, meu amigo! – Ela brincou. Soul não pôde deixar de sorrir, ele sentia falta das brincadeiras que ambos faziam entre eles. O quão demoraria para eles voltarem a morar juntos?
Terminado o almoço, Soul resolveu admitir a Maka que estava lendo um livro. Sim, é isso mesmo: Um livro. É claro que ele implorou demasiadamente para que ninguém, principalmente um certo Black*Star, soubesse daquilo. Ela aceitou os termos mas não pôde deixar de expressar uma surpresa tamanha. O parceiro já a deixava embasbacada pela segunda vez consecutiva, e no mesmo dia! Primeiro cozinhar, agora ler? Oras, ele estava realmente mudado. A jovem sentiu-se feliz e orgulhosa como uma verdadeira mãe, mas ao mesmo tempo relativamente chateada, afinal… Como dizer? Bem, ele não parecia ser... ele mesmo. É, aquele não era o Soul que ela conhecia. Bem, pelo menos ele parecia ainda estar consideravelmente estável e era isso que importava, ao menos naquele momento. E ela não esperaria menos dele, afinal era sobre Soul Eater de quem falávamos.
Ambos permaneceram por mais um tempo conversando, divertindo-se, rindo demasiadamente. A tarde fora, até ali, excepcional. Porém, repentinamente, algo interrompeu a toda aquela calmaria. Maka sentiu-se enjoada e correu direto para o banheiro. Bem, o que aconteceu a seguir não é nessário que se diga abertamente....
– Tá tudo bem Maka? O que aconteceu? – Soul indagou quando ela voltou para a sala, o olhar dele carregado de preocupação.
– Está bem… Só fiquei um pouco enjoada. Não foi nada, deve ter sido só algo que eu comi. – Ela explicou, mentindo. Na verdade, o ocorrido a preocupou como nunca antes. Ela não havia, ainda, feito o teste para verificar a situação dela. Na verdade, ela havia esquecido completamente de fazê-lo. E sentir-se mal já não era daquele dia. A jovem estava, já há alguns dias, sentindo algumas dores de cabeça e cólicas. Todavia, os sintomas foram ignorados pois ela imaginara que era somente pequenas inconveniências de uma pré-fase “daqueles dias”. O enjôo, porém, não era nada usual a como ela normalmente se sentia, por isso o estranhamento.
– Deve ter sido a sua comida. – Ela brincou, tentando disfarçar a preocupação.
– Pô, Maka! Essa doeu na alma! – Ele colocou a mão no peitoral e expressou tristeza no olhar, fingindo sentir-se profundamente desapontado.
– Ainda bem que você sabe que eu te amo é só tô brincando, né Soul! – Ela deu-lhe um tapinha no ombro e sorriu.
Ambos permaneceram ali conversando por mais pouco tempo, até que Maka decidiu que deveria ir embora. Ela ainda devia passar em uma farmácia….
– Mas já, Maka? Fica mais, por favor. – Ele insistiu.
–Desculpa, Soul. Não vai dar. Preciso estudar. – Ela mentiu.
– Ah, sim… Tudo bem. Quando você volta? – Apesar de triste, o jovem se convenceu facilmente. A parceira dele era a Maka, e se tratasse de estudos, nada a impediria de ir.
– Obrigada por compreender, Soul. Eu pretendo voltar aqui a cada duas semanas. O que acha da ideia?
– Maneira! Te vejo logo, então. – Ele animou-se com a ideia, o fez se sentir relativamente menos solitário.
Ambos se despediram e Maka foi imediatamente comprar o teste. A ânsia percorria-lhe as entranhas e sugava toda a energia que restava a ela naquele dia. E se... ela estivesse grávida? Como lidaria com aquilo? E Kid, aceitaria tranquilamente? Ou a deixaria por conta própria? Pior: E se Soul descobrisse? Toda aquela estabilidade mais do que certamente iria por água abaixo e o jovem se entregaria completamente a loucura, principalmente devido a fúria. Todas as consequencias que anteriormente foram esquecidas estavam de volta à tona.
Ao chegar no apartamento de Black*Star e Tsubaki, a primeira atitude que a Maka tomou foi tirar a prova. Tomou coragem e fez o teste. Olho o resultado e surpreendeu-se. Deu negativo, e com ou sem um deus, ela agradeceu aos céus por aquilo. O alívio foi imediato. Ela pôde dormir tranquila e satisfeita.
Mais uma semana se passou depois daquilo e nada de notícias do Shinigami-sama a respeito do Soul. Como não recebeu nenhum aviso para conversar com o Lorde, a jovem decidiu por si que iria fazê-lo por conta própria. Ao chegar na Death Room, a jovem agradeceu por não haver almas inconvenientes no cômodo — como a de Spirit. Ela poderia conversar com Shinigami-sama tranquilamente, sem quaisquer desvio de atenção.
–Oi, Maka ~ O que deseja? – Ele a recepcionou.
– Bom dia, Shinigami-sama. Tudo bem? – Ela retribuiu gentilmente o cumprimento.
– Está tudo ótimo. E com você?
– Eu estou bem. Mas sabe, já que você não me deu notícias recentemente sobre o Soul, eu vim por conta própria perguntar a respeito.
– Bem, o que posso dizer? Os especialistas decidiram trazer Hinomaru para analisar o estado dele… Talvez consigamos descobrir algo com os estudos. Fora isso, nada da bruxa... Darei respostas daqui a algumas semanas. Se nada funcionar, eu vou dar um jeito de resolver o problema de vocês, certo? Então fique tranquila — Ele afagou a cabeça dela carinhosamente. A jovem assentiu e sorriu amenamente, afinal, não havia como não confiar nas palavras do Shinigami-sama.
– E a sua alma, Maka, como está? Sei que ela é especial, mas alguns feitiços de bruxa podem as vezes nos surpreender. Não houve alguma mudança em você, houve? — Ele indagou.
Maka pensou por alguns instantes.
– Não, acho que não. Me senti enjoada a alguns dias atrás, mas não era nada relevante, eu acho.
– Por precaução, se importa se eu verificar sua alma? Só uso minha percepção quando acho necessário, então só farei a análise com sua permissão.
– Fique a vontade, Shinigami-sama! Faça o que achar mais prudente.
Ele ficou alguns instantes a olhando. Repentinamente, ele expressou um olhar extremamente preocupado, algo totalmente anormal vindo dele. É, algo ruim estava acontecendo ali.
– Maka… Por acaso você disse que sentia-se enjoada…?
– É, mas acho que foi algo que eu comi… Por que? – Ela respondeu, confusa.
– Me diz uma coisa… Você tem um namorado? – Ele indagou. Com certeza ele já tinha o conhecimento da resposta, afinal antes de tudo ele era um pai e conhecia o próprio filho. O que ele queria era apenas ouvir da boca dela, pois não acreditava no que ali via.
– Por que tá me perguntando isso de repente, Shinigami-sama? Isso não tem nada haver com o que a gente tava falando… Mas não, eu não tenho… — Ela mentiu, ainda confusa com a pergunta.
– Maka, por favor, não minta para mim. Você não vai mais conseguir esconder isso de mim, e aliás, nem vai ser mais tão eficaz o fazer… — Ele respirou fundo, coçou a cabeça e prosseguiu — Sabe, eu estava verificando a sua alma e… A verdade é que, eu não estou vendo só a sua. Eu... vejo duas… Além da sua, há uma outra ligada a ela... E é pequenininha, delicada e definitivamente não é humana… É a alma de uma criança ceifadora. Maka, o que você e o Kid aprontaram?
Notas finais
É, esse capítulo foi estilo reação "WTF?" ou "Ok, eu não esperava por essa". Me conta aí nos comentários qual foi a sua, HAHA! (Minha intenção era absolutamente essa, que fique claro).
Nota: Quero deixar claro que ambos são maiores de idade na fic. Mas isso não justifica que façam uma merda tão grande, afinal um jovem de 18/19 anos não é apto a ter uma criança. É como diz o ditado, "Não seja esse cara". Serião, sejam conscientes e, se tiverem idade suficiente para serem responsáveis por si mesmos, se protejam.
Enfim. Faz tempo que não escrevo, sei lá se ficou bom, mas foi o que saiu. O que acharam? *Obs: Sobre o teste dar negativo, eu explico no próximo cap.*
Comentem, por favor! Eu preciso da opinião de vocês pra continuar!
Fale com o autor