(In)fortúnio

11 A maturidade chega para todos


Notas iniciais
Ois! Como vão?
Fanart da vez:
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Boa leitura!

11. A maturidade chega para todos

– Você… O QUÊ? – Ela o olhou embasbacada. Não há como descrever em palavras o quanto ela surpreendeu-se com o que escutou. – Mas… mas… deu negativo…. – Ela balbuciou a si. Como poderia estar acontecendo aquilo com ela? Ela viu, e viu com os próprios olhos… Por que ela estava grávida? O teste havia falhado?

– Há um bom tempo que sei que você está namorando meu filho, sabe… Como, você pergunta? Intuição paterna, digamos; Mas não interferi pois não imaginava que vocês fossem fazer algo tão irresponsável…

– Mas, é impossível! Eu fiz um teste… deu negativo…

– Esse tipo de coisa não funciona com crianças especiais, Maka. O teste de gravidez capta uma subtância chamada Gonadotrofina coriônica. Uma criança ceifadora não estimula a mãe a produzí-la, até porque não se trata de uma fecundação normal.

– Não pode ser… ele é um Shinigami… e…. Eu sempre fui responsável, foi só um pequeno deslize… O que eu faço? O que eu faço? – Ela exaltou, andando apreensiva em círculos.

– Se acalme, Maka. Não adianta ficar assim. Não adianta ficar choramingo sobre o leite derramado. A partir de agora você vai te que criar maturidade e assumir o que fez. Não será diferente para o Kid, que mais do que qualquer um tem que aprender a se responsabilizar pelos próprios atos.

Maka fechou os olhos, respirou fundo e pensou por alguns instantes. Shinigami-sama estava certo, ela deveria tentar manter a calma. A merda já estava feita, sendo assim o mais racional seria assumí-la apropriadamente.

– Vocês podem contar comigo, Maka. Apesar de eu estar profundamente desapontado com os dois, Kid continua sendo meu filho e você a pessoa que ele escolheu como companheira, além de ser praticamente uma filha para mim. Eu vou ajudá-los como puder. A princípio, você deve se preocupar em decidir com o Kid como irão cuidar dessa criança. Assumam o erro e tomem suas próprias decisões. Eu não pretendo interferir, apenas auxiliar no que julgarem necessário.

Maka assentiu mas não disse sequer uma palavra. Ela estava envergonhada demais com si mesma, tinha vontade de fugir dali e nunca mais voltar. Estava sendo uma tarefa árdua encarar Shinigami-sama. Um silêncio mórbido ocupou a sala. O lorde suspirou.

– E quanto ao Soul… Bem, aí tem problema… — Ele coçou a cabeça tentando raciocinar – Você vai ter que esconder isso dele de qualquer maneira, ao menos até anularmos o feitiço. Se em três ou quatro meses não obtivermos sucesso em fazê-lo melhorar, creio que você e o Kid vão precisar se ausentar por um tempo de Death City.

– Mas… Eu não posso simplesmente deixá-lo sozinho! E muito menos deixar a Shibusen! Eu preciso treinar!

– Maka, quanto ao Soul, já sabemos da situação dele, não sabemos? Como acha que ele vai reagir diante desse notícia considerando que ele está a deriva da loucura?

Ela cerrou os dentes. Já sabia a resposta para aquela pergunta.

– E, sobre a Shibusen, você vai ter que esquecer o que é ser artesã por um tempo. Irei trancar sua matrícula e só depois de uns dois anos eu permitirei que volte a estudar. Você terá que focar na saúde do bebê; Por mais estranho que pareça, em seu primeiro ano de vida uma criança ceifadora é extremamente frágil. Só depois dessa primeira fase de amadurecimento, que é quando aparece as linhas de Sanzu incompletas, a saúde dele torna-se sobre-humana e a extra sensibilidade perceptiva dá seus primeiros indícios.

Ela assentiu. Não gostava do que ouvia; ela não queria deixar de estudar. Mas essas era uma das várias consequências de seu ato irresponsável. Ela devia assumir a responsabilidade como na maioria das vezes o fazia.

– Estamos entendidos?

– Sim, Shinigami-sama. – Ela respondeu com a cabeça baixa.

– E… Maka.

Ela o olhou com dúvida no olhar. Repentinamente ele a abraçou forte, surpreendendo-a. Aquela fora uma reação inesperada.

– Fico feliz que seja você a mãe dos meus netos.

A máscara não permitia perceber claramente a expressão no rosto de Shinigami-sama, mas Maka podia sentir a alma dele a reconfortando. O sentimento de alegria mesclado com uma envoltura de proteção paterna envolviam, agora, a alma dela. Ela não pode evitar sorrir tenramente. A jovem retribuiu o abraço e o apertou com força. A situação que ela se encontrava era complicada, mas ao menos Sinigami-sama a oferecia certa segurança. Com ele perto para auxiliá-los, ela sentia-se protegida. Ele era alguém com quem ela podia contar. Era um pai que ela sempre quis ter.

– Obrigada, Shinigami-sama. Você não tem ideia do quanto está me ajudando com tudo isso.

– Oras, Maka, não foi nada! É apenas meu dever como pai e amigo! Lembre-se que estarei aqui sempre que precisarem.

Ela sorriu.

– Agora eu preciso conversar com o Kid, se o senhor me der licença.

– É claro. Boa sorte, norinha! – Ele sinalizou jóia com o polegar. Ela corou e saiu sem dizer mais palavras.

A jovem começou a se preparar pscicologicamente para contar a Kid a novidade. A cada passo que ela dava para a mansão, mais os músculos dela se enrijeciam. Ao chegar ela já estava trêmula. Como Kid iria regiar? Ficaria irritado, talvez? Não seria muito legal se isso acontecesse. Ela não queria que a relação deles se tornasse problemática e muito menos que ele odiasse a criança. Ela teria um filho, e o filho merecia um pai. Um pai para cuidar do pequeno, diferente do que havia acontecido com ela.

Ela tocou a campainha, um tanto apreensiva. Kid a atendeu e a cumprimentou com um beijo.

– Bom dia, senhorita! Você está linda hoje, sabia? – Ele a cumprimentou docemente, envolvendo a cintura dela com os braços.

Maka corou. Por um segundo ela esqueceu porque estava ali e sorriu, olhando timidamente para baixo corada.

– O que faz aqui tão cedo? – Ele indagou.

– Bem, eu…

– De qualquer forma, eu tenho uma coisa pra te mostrar! Vamos até meu quarto, onde teremos mais privacidade?

Ela assentiu. E lembrou-se porque estava lá. Sentiu-se, de repente, uma ânsia misturada com temor, o suor em suas mãos comprovavam o nervosismo. Tentou formular alguma forma de dizer o que deveria, mas não tinha ideia de por onde começar.

Os dois adentraram no quarto e ambos sentaram lado-a-lado na cama.

– Sabe, eu já escolhi o seu presente.

– Hm? – Ela indagou em dúvida. Não havia nada na mente naquele momento, por isso esquecera completamente sobre aquele tal presente.

– Já esqueceu, Maka? Eu tinha prometido de dar um presente. Eu já escolhi ele.

– Ah sim, o presente! E o que é? – Ela indagou.

Ele puxou os anéis que estavam dispostos nos dedos médios dele.

– Esses aneis significam muito para mim, sabe, Maka. Eu os ganhei do meu pai quando era mais jovem. Eles são praticamente parte de mim. E além de tudo, são dois, e isso os torna simétricos… — Ele fez uma pausa. Ela o olhou, com apenas uma ideia superficial do que viria a seguir.

– Eu te amo, Maka, e já decidi que quero estar sempre ao seu lado. Quero que não sejamos apenas duas pessoas, mas que sejamos dois seres unidos pelas almas, nos tornando um só. Quero nos ver como duas partes que se completam, criando um todo. Se eu dar esse anel a você pensando dessa forma, Maka, estarei dando parte de mim para você, e acho que isso vai simbolizar bem o quanto quero ficar com você. O quanto quero te entender e ser entendido por você. Se cada um de nós termos uma dessas partes, teremos um todo. E, de bônus, a simetria ainda continuará em equilíbrio. Por isso, quero que você o aceite como símbolo de compromisso….

Ao som das palavras do amado, Maka sentiu-se feliz. Feliz por ter encontrado alguém que valorizava a relação, que a amava como ele o fazia, que dizia querer compreendê-la. Com isso, ela sentiu-se mais segura em contar o que deveria, afinal Kid tentaria entendê-la. Como pôde ela pensar que ele conflitaria com a situação? Ele sempre esteve lá quando ela precisava. Com isso em mente, decidiu apostar em dizer a ele a verdade. Aceitou o anel, o ofereceu algumas carícias em agradecimento e dispôs a jóia no dedo anelar da mão direita, assim como ele o fez na mão esquerda dele (reestabelecendo a simetria). Respirou fundo. Chegava a hora de contar a novidade.

– Kid, eu tenho que te contar uma coisa.

– O que é, meu amor? – Ela indagou enquanto brincava com o cabelo dela.

– Você pode verificar minha alma por um instante com o Soul perception? – Ela indagou. Ele estranhou o pedido.

– Pra quê? – Ele indagou.

– Apenas faça isso.

– Tá… — Ele obedeceu com indiferença e usou a habilidade. Em poucos segundos, franziu a sombracelha.

– Maka, porque ao lado da sua alma tem um negócio pequenininho estranho…. Espera, isso é uma outra alma?

Ela apenas o olhou, como se dissesse “tire suas próprias conclusões”.

– Aquilo na alma são… Linhas brancas?

Ela assentiu. Se manteve em silêncio.

– Maka, não me diga que isso é….

– … É, Kid. É a alma de um pequeno bebêzinho Shinigami…. Acho que não preciso dizer mais.

Ele permaneceu imóvel, em choque por alguns segundos. Ela aguardou ansiosamente por uma reação mais expressiva por parte dele. Por alguns segundos, nada aconteceu. Ela não sabia o quedizer a seguir. Apenas esperou que ele reagisse.

– Eu…. Não sei se estou feliz ou assustado. – Ele disse.

– Kid, você não precisa assumir se não quiser, quer dizer, eu dou conta sozinha. Eu não quero atrapalhar seus planos de vida, e…. – Ela soltou apreensiva, tentando aliviá-lo do problema e, como sempre, tentando jogar toda a responsabilidade para si mesma. Ele a interrompeu.

– Maka, pára! Não é isso! Quer dizer, é claro que é uma situação problemática, mas nós erramos juntos e vamos assumir juntos. Não tem essa de me atrapalhar ou assumir sozinha. Eu não fujo das minhas responsabilidades, sou um Shinigami, e acima de tudo prometi estar sempre ao seu lado. E não é um filho que vai me impedir de fazer isso, muito pelo contrário. Ele com certeza irá nos aproximar ainda mais. – Ele a abraçou, fazendo-a relaxar os músculos.

– Kid…. Obrigada… Eu… estava com medo… — Ela disse soluçando enquanto derramava algumas lágrimas de alívio.

– Vamos fazer isso junto, ok? – Ele a olhou nos olhos e sorriu.

– Tá. – Ela sorriu e o abraçou novamente, em busca de conforto.

– Acho que é agora que nossa vida começa de verdade, não é? Uma vida de adultos. Vamos ter que aprender a lidar com isso. – Ele observou, assim que a jovem se acalmou.

Ela assentiu.

– É, acho que a tal “maturidade” chega para todos, de uma forma ou de outra.

Ambos ficaram em silêncio, pensativos.

Havia muito o que resolver. Soul ainda estava em estado crítico, informações a respeito do bebê deveriam ser desvendadas, a logística deles seria repensada. E ainda haviam de contar a grande novidade aos parentes. A lista de problemas a solucinar era extensa. E eles deveriam começar a pensar em como o fazer juntos, e imediatamente. Aquela seria uma longa noite….

Notas finais
Eaí gente?
Sobre o lindo bebezinho, é menino ou menina? Vai ter TOC ou não? Será que o Spirit vai descobrir sobre ele (PROBLEMAS! PROBLEMAS!)
Eu não sei como ficou isso aqui, mas por favor dêem a opinião, tá?
Até!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.