(In)fortúnio

5 Experimentação.


Notas iniciais
Eaí, minha gente! Como estão? Tenho duas coisas que gostaria de falar para vocês.

1. Quero deixar aqui MINHA opinião sobre um assunto muito falado por aí nesses dias, e é coisa séria: Estou totalmente indignada com o que está acontecendo em São Paulo, a respeito dos protestos pelo aumento da passagem de ônibus. Não estou falando sobre os manifestantes, obviamente, mas sobre a ação truculenta dos policiais contra cidadãos, pura violência gratuita. Outra coisa é a mídia maldita (vide Globo, revista Veja, etc), como sempre, distorcendo a realidade, dizendo que tais manifestantes estão vandalizando a cidade, etc falando mentiras a favor da minoria, manipulando os leitores/internautas/audiência, uma nojeira completa. Para quem não está por dentro, tente se informar (e muito cuidado onde procuram, sugiro carta capital), é importante que entendam essa nobre ação por parte da população em exigir o que se deve ter por direito. Enfim, pesquisem.

2. Vocês já assistiram o musical "Os miseráveis" (remake)? Se não, vão atrás de ver. Vale muitíssimo a pena, é um lindo filme.

3. Vocês devem ter percebido que alterei a capa da fic e adicionei alguns gêneros/avisos. Isso porque eu resolvi fazer algo que envolva conteúdo sexual a partir dos próximos capítulos (nada forte, mas sugestivo, por isso Lime e Ecchi e não Hentai). Bem, estão avisados, eu não me responsabilizo por o que vão ler, se você deseja ainda assim continuar, esteja a vontade. Se não, cai fora (ai, que grossa né? É brincadeira, eu respeito se não quiser ler, a escolha é pessoal (: )
Bom, vamos para a história. Boa leitura!

Capítulo 5. Experimentação

5. Experimentação

Alguns poucos dias de hospedagem no apartamento de Black*Star e Tsubaki já estavam deixando Maka abespinhada. O anfitrião não calava a matraca e esbanjava um ar de superioridade exagerado, o que era até suportável para a loira quando se tratava de vê-lo apenas de vez em quando, na Shibusen. Todavia, aguentar tanto egocentrismo e falação o dia todo, até na hora do sono, já estava demais. Tsubaki às vezes a acalmava e alegrava o ambiente, mas nem sempre a situação era controlável. Maka definitivamente precisava de um descanso, uma distração. Conversar com alguém, aliviar a mente. O parceiro, Soul não seria uma opção, ela não podia o visitar. Sua amiga, Tsubaki, estava sempre ocupada, treinando com o parceiro. Sair com Liz e Patty não faria o estilo dela, provavelmente iriam querer dançar em alguma boate ou se embelezar em salões profissionais. Kid, então, poderia ser a melhor opção, afinal, era uma pessoa com gostos e passatempos semelhantes aos dela. Ela provavelmente se distrairia e não se sentiria tensão em compania dele, mesmo depois do episódio em’Uhane de um “quase-beijo” entre eles. Na verdade ela já havia esquecido daquilo diante de tantos problemas que havia arrumado depois daquilo. Mas e se, por infortúnio, o Soul descobrisse que eles passaram um tempo juntos? Seria um problema, não? Oras, a Blair estava responsável pelas compras, então provavelmente ele não sairia de casa tão cedo, estava quase em quarentena e além disso era um tremendo preguiçoso. Ele não descobriria. Ficou então decidido por ela ir à casa de Kid, fazer uma visita surpresa. Após se arrumar apropriadamente, ela partiu para a mansão dele, a procura de companhia e distração.

Na porta de entrada, ela hesitou em tocar a campainha. Teria sido mesmo uma boa ideia ir visitá-lo? Bem, ela estava apenas a procura de uma boa conversa, nada além disso, então, por que não? Anunciou, assim, a chegada e poucos segundos depois de fazê-lo, Kid abriu a porta.

–Maka? O que está fazendo aqui? — Ele indagou, surpreendido pela visita inesperada.

–Eu só queria te visitar, conversar, sei lá.. Mas se estiver ocupado, eu posso ir embora — Ela disse, um pouco encabulada por aparecer de forma tão repentina.

–Não, pode entrar, fique a vontade! — Ele rapidamente disse com gentileza e expressão radiante.

Ela adentrou a enorme mansão, o jovem Shinigami ofereceu a ela o sofá para se sentar, e logo após se acomodou ao lado dela. Poucos segundos de silêncio incômodo em pouco tempo foram substituídos pela voz de Maka iniciando um diálogo.

–Onde estão Liz e Patty, para eu cumprimentá-las?" perguntou, olhando ao redor.

–Elas não estão aqui no momento, na verdade. Elas provavelmente devem estar no shopping comprando coisas. A última blusa da Liz estava rasgada e eu não a queria assimétrica! E Patty queria comprar uma pelúcia nova de girafa que lançou a pouco tempo na loja de brinquedo, então eu as deixei com meu cartão de crédito para se virarem! — ele explicou. Diante daquilo, Maka se perguntou o quão rico o Kid seria para simplesmente confiar o cartão as irmãs e deixá-las fazerem compras como bem entendessem.

–Entendo. Kid, você gosta de livros, certo? Já o vi na biblioteca da Shibusen — Ela indagou, iniciando um assunto, aliás, o preferido dela.

–Claro! Gosto muito de ler, é um passatempo muito gostoso. Já li, inclusive, metade do que há em minha biblioteca pessoal. — comentou, jubiloso.

–Uma… biblioteca pessoal? — Maka imediatamente se encantou, os olhos reluziam. "

–Gostaria de conhecê-la? — Ele ofereceu, cavalheiro. Ela assentiu e então eles se dirigiram a sala de leitura da mansão, que continha estantes descomunais, recheadas de livros das mais diversas categorias e gêneros.

–Gosta de poesia, Maka? — Ele perguntou.

–Adoro! — Maka respondeu com animação.

–Um minuto então, por favor. — Ele disse e então saiu a procura de algo. Poucos minutos depois voltou com um livro na mão, onde lia-se Coletânea poética no lugar do título. O jovem shinigami puxou uma cadeira para Maka em sinal de cavalheirismo, ela se sentou, aceitando a gentileza e ele então se acomodou no assento ao lado.

–Vamos ver o quanto você sabe sobre poesia. Eu recito um poema e se você souber, tem que me dizer o autor dele. — Ele desafiou, em tom brincalhão. Maka, ávida por natureza, aceitou imediatamente o desafio, tomando-o como uma brincadeira divertida. Ele abriu o livro em uma página e iniciou a leitura em voz alta e ao mesmo tempo amena e doce.

"Não chores mais o erro cometido;

Na fonte, há lodo; a rosa tem espinho;

O sol no eclipse é sol obscurecido;

Na flor também o inseto faz seu ninho;

Erram todos, eu mesmo errei já tanto,

Que te sobram razões de compensar

Com essas faltas minhas tudo quanto

Não terás tu somente a resgatar;

Os sentidos traíram-te, e meu senso

De parte adversa é mais teu defensor,

Se contra mim te excuso, e me convenço

Na batalha do ódio com o amor:

Vítima e cúmplice do criminoso,

Dou-me ao ladrão amado e amoroso"

Maka, assim que terminou de escutar o primeiro soneto, sorriu, já sentindo-se vitoriosa nesta primeira partida do desafio.

–Oras, essa é fácil. William Shakespeare, é claro. — Ela disse, vangloriosa. Ele sorriu em resposta ao acerto dela e folheou novamente o livro, até parar em uma outra página e começar a recitar novamente.

"São demais os perigos dessa vida

Para quem tem paixão, principalmente

Quando uma lua surge de repente

E se deixa no céu, como esquecida

E se ao luar, que atua desvairado

Vem unir-se uma música qualquer

Aí então é preciso ter cuidado

Porque deve andar perto uma mulher

Uma mulher que é feita de música,

Luar e sentimento, e que a vida

Não quer, de tão perfeita

Uma mulher que é como a própria lua:

Tão linda que só espalha sofrimento,

Tão cheia de pudor que vive nua."

–Vinicius de Moraes, poeta brasileiro! — Ela declarou, confiante. Sentia-se mais uma vez uma vencedora. Kid sorriu e novamente voltou a folhear o livro.

–Aposto que essa você não acerta. — Ele disse confiante, parou em uma página qualquer e olhou para a loira, preparando-se para recitar um novo poema. Maka corou de leve e se perguntou o por que, desta vez, o olhar dele estar fitando-a e não encarando a poesia daquela página. Ele havia decorado esta que estava por vir? Ele começou a recitá-lo, em tom doce.

"Pérola enraizada, esmeralda profundo,

Avidez espectral, determinação vívida;

Exuberância admirável, corpo quanto n’alma.

Poeteiro cria seus castelos, fantasia uma existência,

A existência é dor, realidade imprescindível;

A dor é paixão, e como exorbitá-la?

De poeteiro não sei, mas meu eu agora está nítido.

Talvez seja eu bicho desses? Afogado em desespero?

Sendo ou não, devo dizê-lo, e agora.

O júbilo é ingênuo e encanta;

Avidez espectral, determinação vívida,

Exuberância admirável, corpo quanto n’alma.

Paixão ascesa.

Me encanta, me guia.

Me ensina a mover meus castelos?"​​


Percebendo a seriedade claramente refletida nos olhos de Kid e tom ritmado com que recitava tal poema, Maka se entusiasmou, ao mesmo que tempo que sentiu-se levemente envergonhada. Depois, ficou em silêncio, refletindo, e finalmente disse


–Eu… não conheço esse. — Ele o olhou e sorriu de leve.

–Bem, acho que isso é natural, considerando que fui eu que fiz. — Ele falou, fechando o livro.

–Sério?" Ela disse, agora encantada.

–Que lindo, Kid! Foi para alguém que você escreveu? — Perguntou, curiosa.

–Foi, mas não vou te contar. — Ele anunciou, convencido, com um sorriso maroto no rosto.

–Conta vai, por favor! — Ela insistiu e sem perceber aproximou o rosto do dele, tomada pela curiosidade.

–Bem… — Ele disse, corado.

–Você quer mesmo saber? — Ele perguntou, quase soando como um aviso.

–Claro que quero! — Ela sorriu, animada.

–Bem, então.. Eu te conto, mas só se você prometer continuar paradinha aí, desse jeito, mesmo depois que eu te falar. — Ele sugeriu como acordo. Ela assentiu, ingênua.

–Certo... Vamos lá. Esse poema eu escrevi há um tempo, para uma pessoa que já conheço faz alguns anos e está sempre por perto, pois estuda comigo. Eu a admito muito: É uma pessoa forte, determinada, ávida. É um pouco cabeça quente às vezes, mas acho isso até bonitinho e interessante, mostra que ela tem uma personalidade forte. Além disso, ela me inspira, me guia, ainda que secretamente. É impossível não querer ter só pra mim uma pessoa com características tão marcantes e admiráveis e, portanto, aos poucos, fui gostando cada vez mais dela. A poesia é uma forma que encontrei parar demonstrar isso, já que nunca tive antes a oportunidade certa para contar a ela como me sinto. Você já deve imaginar, portanto, que estou falando de alguém por quem estou apaixonado — Explicou em tom suave e sugestivo, ao mesmo tempo que a fitava, com esperança que ela entendesse a acusação. Mas ela pareceu ter dificuldades em se dar conta, estava refletindo arduamente a procura de descobrir quem era tal pessoa. Afinal, Maka poderia ser tudo aquilo, mas acima de tudo era modesta e estava ainda devido a tantas situações problemática que ela havia recentemente passava.

– Hmmm. Você pode me dizer quem é a pessoa? Quer dizer, não precisa, se não quiser. É só a título de curiosidade. — Ela finalmente disse, um tanto atrapalhada e parecendo desistir de encontrar uma resposta sozinha. A cabeça dela já estava lotada de problemas para resolver, não era necessário que arranjasse mais um enigma. Kid se divertiu com a irônica falta de percepção da loira. Ela conseguia entender as almas tão bem, mas não percebia uma simples declaração, ainda que indireta? Ele suspirou de leve e sorriu.

–Essa pessoa é você, Maka — Ele enfim disse, um tanto ousado, ainda que tímido e quase murmurando mas de forma audível suficiente para as palavras serem claras aos ouvidos de jovem. Ao ouvi-las, as bochechas da loira foram tomadas por um rubor incontrolável e um calafrio percorreu todo o corpo dela. Oras, a jovem achava com todas as forças que não era bem o tipo dele. E repentinamente ele decide declarar-se? Ela pensou em se afastar do rosto dele, que estava perto demais naquele momento, mas lembrou-se do prometido a pouco e se manteve-se firme naquela posição. Era impossível não sentir o calor da respiração de Kid daquela distância. Ele a olhou com seriedade, esperando uma reação por parte dela, positiva ou negativa, com ansiedade. Ela havia recebido uma declaração amorosa e devia respondê-la. Ela não a achou ruim, apenas sentiu-se naquele instante confusa e surpreendida, e, devido ao breve choque, não eboçava, explicitamente, uma reação. Mas a verdade é que gostou do que ouviu, e como o fez. E, por mais contrangedora que aquela proximidade entre as duas faces fosse, desejava com todas as forças continuar ali, tão próxima dele. Era a mesma sensação que sentira em ‘Uhane quando eles estavam a sós – e ela finalmente lembrou do que realmente desejava. Não demorou para que Kid percebesse a quase aceitação por parte da loira, e então oportunamente tomou a decisão de encurtar ainda mais a distância entre eles, vagarosamente, quase como que pedindo permissão para investigá-la de forma mais íntima. Ela logo demonstrou aceitação, e, percebendo isso, ele avançou cauteloso o rosto e os lábios dele suavemente pousaram sobre os dela. Os corações palpitavam e a sensação de maciez, umidade e suave libidez da situação em pouco tempo os envolveu em um beijo ardente. As bocas começaram a se movimentar ritmamente, em uma valsa lenta, apaixonada. Aquela sensação íntima, macia e fervorosa era novidade para os dois e eles se dispunham cada vez mais a se aprofundar na experimentação, com uma empolgação nítida. Estavam pela primeira vez conhecendo um ao outro, de forma ainda ingênua, mas calorosa e deliciosa. A ânsia, fervor e paixão crescia a medida em que o processo acelerava, evoluindo para uma dança entre línguas, que se encontravam constantemente e reciprocamente eram massageadas. Os dois ofegavam a cada movimento do beijo, o desejo logo os dominou e era vívido. A separação só aconteceu após um longo e intenso período de experimentação, a pedido do fôlego por uma pausa. As bochechas de Maka, assim como as de Kid, estavam deveras rubras, a excitação mesclada com ardência no rosto, assim como no resto do corpo eram, naquele momento, explícitos. Eles afastaram um pouco os corpos e os olhares se evitaram. Por mais que aquela nova sensação fosse deliciosa, era para os iniciantes deveras constrangedora e ainda estava sendo processada pelas mentes confusas dos dois adolescentes. Foram minutos de silêncio e principalmente reflexão de ambas as partes sobre o que havia acabado de acontecer ali. O momento tornou-se ainda mais contrangedor quando ambos escutaram alguém chamando o Kid no andar de baixo. Era uma das irmãs Thompson; elas haviam chegado das compras. Um desespero logo tomou conta deles. Como eles explicariam a visita de Maka, principalmente com Kid estando sozinho em casa até há pouco? Os dois se olharam e tentaram pensar em uma reação rápida para tentar se livrar de um possível futuro vexame sem tamanho. Depois que isso se resolvesse, provavelmente tentariam entender melhor o que havia acabado de acontecer entre eles.


Notas finais
É isso gente. O que acharam? O que será que vai acontecer no próximo capitulo? Imagina se o Soul visse isso? Eu hem! Nem quero imaginar.
Bem, esse capítulo não ficou tão grande, foi mais revelador do que tudo, quis que sentissem a paixão entre eles, mas não sei se descrevo muito bem cenas de beijo, então, sei lá se ficou bom
Ah, sobre os sonetos: O primeiro soneto, de William Shakespeare, chama-se Soneto 35. O segundo, de Vinicius de Moraes, chama-se Soneto do Orfeu. Poesia é algo belíssimo, vocês deviam ler algumas (se já não o fazem). Aquela poesia do Kid (não é soneto) fui eu que fiz, obviamente (nem chega aos pés das dos grandes mestres), então não esperem muito significado, quando menos uma métrica muito excelente, eu não lembro direito sobre formalidade em poesia, então...