Infinito em Estilhaços

4 Quando se rompe a represa


Oi, Wanda. Aqui é a Amy.

Apesar de você ser uma fugitiva agora, espero que de resto esteja tudo bem.

Aconteceram algumas coisas desde que a gente se viu pela última vez e eu não lembro do seu rosto exatamente. Nem de nada relacionado a você, para ser sincera. Desculpe.

Indo direto ao ponto, você não foi a única pessoa que meu cérebro resolveu apagar do HD. Eu também não me lembro de um homem chamado Bruce Banner.

Pois é, aposto que ficou chocada agora. Tony e meu irmão ficaram também. De algum jeito, até eu fiquei...

Primeiro recado deixado por Amelia na Caixa Postal de Wanda Maximoff.

Uma semana depois

É incrível como um ser humano tão pequeno pode consumir tantas fraldas num só dia. Desse jeito, Alex vai acabar me levando à falência. E isso porque faz apenas uma semana que meu bravo guerreiro veio ao mundo. Fico imaginando quantas fraldas ele terá consumido até o fim do mês. Ou no final de um ano.

Observo o carrinho de compras já abarrotado de pacotes de fraldas. Por via das dúvidas, pego mais três na prateleira e arrumo sobre a pilha. Agora sim mais tranquila, empurro o carrinho rumo a outra seção do supermercado. Meu estoque de chocolate anda meio baixo e preciso dar um jeito nisso porque, sem essa guloseima, eu não vivo.

Deixei meu filho com o tio coruja essa manhã para fazer umas comprinhas. Josh pegou alguns dias de férias na agência onde trabalha e tem me ajudado muito no grande desafio que é a maternidade. Estou exausta, mas muito feliz. Alex acabou de chegar na minha vida e já é a pessoa mais importante do mundo para mim. Apenas uma hora longe dele, e já estou morrendo de saudade do seu rostinho risonho e bochechudo.

Eu só não estou completamente feliz com minha vida porque sinto que me falta alguma coisa. Faz sentido, uma vez que perdi toda e qualquer lembrança de dois anos inteiros, claro. O motivo sem dúvida está relacionado a tudo que eu perdi no processo. Ao mesmo tempo, parece algo maior e muito específico. De tudo e todos que esqueci, uma coisa me faz mais falta. No lugar dessa tal coisa, um vazio diferente ficou instalado.

A verdade é que sinto falta de alguém que nem me lembro de ter conhecido. Sinto falta de Bruce Banner, pronto. O vazio no centro do meu peito é por causa dele, tenho certeza. Minha cabeça esqueceu do que vivemos, mas é como se meu coração, de algum jeito, ainda soubesse.

Fico me perguntando como era estar apaixonada por um homem tão complexo em sua dualidade, um cientista brilhante e um herói esmagador, uma linha tênue separando os dois. E toda vez que olho Alex dormindo em seu berço, alheio a qualquer coisa, me pergunto também se ele vai conhecer o pai um dia. É frustrante não saber.

Antes que essa sensação angustiante ganhe força, procuro manter o foco no que vim fazer aqui.

Depois de comprar tudo que preciso, saio do supermercado e sigo pelo estacionamento, esticando o pescoço à procura do meu carro. Está uma manhã bonita e ensolarada, típica de verão.

Ajeito tudo dentro do porta-malas e volto para a frente do estabelecimento para deixar o carrinho na fileira com os demais. Viro-me e caminho rumo ao carro mais uma vez. Quando estou na metade do estacionamento, algo muito esquisito acontece.

Uma brisa fora de hora e nada natural passa por mim a toda velocidade.

Pega de surpresa pelo fenômeno, estanco o passo de imediato. E juro que vejo algo muito semelhante a um vulto circundar meu carro antes de passar por mim de novo.

Boquiaberta devido ao susto que a estranha experiência despertou em mim, olho tudo em volta tentando entender o que acabou de acontecer nesse lugar. Não parecia uma brisa, para ser justa. Parecia algo se movendo como uma brisa muito veloz.

Intrigada e com o coração aos pulos, me aproximo do veículo devagar. À medida que chego mais e mais perto, noto algo reluzindo sobre o capô devido ao sol alto. Algo que, definitivamente, não estava aqui antes.

Olho tudo em volta mais uma vez, antes de encarar o celular por um longo instante. Enfim, pego-o com um movimento rápido e estou prestes a fuçar nele, quando a tela acende e o aparelho vibra na minha mão. Uma mensagem acaba de chegar. Clico para abri-la.

Um endereço surge diante dos meus olhos. Para minha surpresa, conheço o lugar. Abaixo da informação, duas letras como assinatura: W.M.

Não levo mais que três segundos para entender que são as iniciais de uma pessoa. Alguém que tentei contatar há uma semana e já tinha perdido a esperança de que fosse me retornar em algum momento.

Eu estava enganada. Graças a Deus, eu estava enganada. Wanda ouviu os meus recados e finalmente está respondendo.

Tomada por uma injeção de ânimo e euforia, fecho o porta-malas e entro no carro depressa. Deixo o celular no banco ao meu lado e dou partida, fazendo os pneus cantarem contra o asfalto tamanha à pressa.

Um sorriso bobo me vence ao recapitular o que acabou de acontecer. Josh me contou que o irmão de Wanda é um rapaz bem ligeiro. Nossa amiga Olivia, inclusive, chegou a apelidá-lo de Papa-Léguas.

É claro que aquilo no estacionamento não era uma brisa. Era Pietro Maximoff!

Oi, Wanda.

Sou eu de novo. O tempo acabou antes que eu conseguisse dizer tudo. Vou falar mais rápido.

Indo direto ao ponto de novo, eu preciso recuperar minha memória. Não só por Banner, por mim ou Tony, mas por uma quarta pessoa que precisa muito dele.

Josh acredita que você é a única pessoa capaz de me ajudar nisso. Eu quero acreditar que sim porque, sinceramente, não tenho mais ninguém a recorrer.

Me ligue assim que ouvir esse recado. Não esqueça de mim, afinal fui eu quem perdeu a memória.

Péssima piada, esquece...

Por favor, me ajude. Estou desesperada.

Segundo recado deixado por Amelia na Caixa Postal de Wanda Maximoff.

É estranho olhar para a casa onde eu ia morar com Banner e sentir que ela não me pertence. É como se eu estivesse prestes a invadir o lar doce lar de outra pessoa.

Só estive aqui uma vez desde que me esqueci de tudo. Na época, eu achei que visitar o lugar poderia me influenciar de um jeito positivo e que as lembranças iriam voltar naturalmente. Foi frustrante, não funcionou e eu bati a porta com força ao sair.

Prometi a mim mesma que não voltaria a colocar os pés nessa casa, a menos que lembrasse do seu significado e importância. Mas a mensagem de Wanda foi muito clara, ela quer me encontrar justo aqui e, por isso, aqui estou eu, frente à frente com a porta de entrada.

Eu não trouxe a chave — não ando com ela na bolsa — e não sei como Wanda irá entrar. Desconfio que não poderemos conversar no jardim. Depois de uma guerra entre os Vingadores, algo envolvendo um tratado para controlar as atividades dos heróis, ela foi embora com a parte da equipe que não concordava com isso. Acho que tem vivido na clandestinidade desde então e com certeza não quer se ver exposta à luz do dia.

Viro-me e observo a rua adiante, imaginando que Wanda ainda está a caminho e não ficará nada feliz ao me ver parada feito uma estátua na entrada da casa. Não lembro do rosto dela e provavelmente virá disfarçada, ou seja, estou totalmente no escuro.

Pego o celular no bolso, pensando em enviar uma mensagem para avisar que já estou aqui e que infelizmente não tenho a chave, mas então ouço um ruído metálico vindo da porta atrás de mim e me viro novamente para ela. O barulho vem da maçaneta. Alguém está abrindo a porta por dentro.

Quando o giro chega ao final, a porta simplesmente começa a se abrir com um rangido. Sozinha. Por Deus, sozinha!

Tenho certeza disso porque ela encosta na parede do outro lado até o fim e ninguém surge detrás dela ou sob o umbral.

Engulo em seco e lanço um olhar incerto para a sala mergulhada na escuridão. Então vejo algo no meio da penumbra. Uma espécie de névoa avermelhada que sai de algum lugar. Estreito o olhar e tento descobrir de onde vem. E descubro. O poder misterioso e vermelho sai das mãos de alguém. Das pontas dos dedos de uma garota no centro do cômodo.

Ela olha para mim e não preciso de uma apresentação formal.

— O que você estava esperando para bater? — Wanda pergunta, e juro que vejo um sorriso mínimo de diversão surgir. — Entra logo. Eu não devia estar aqui e não posso demorar.

Desperto do tipo de transe no qual só agora percebi que mergulhei e cruzo a soleira de um jeito afoito. Antes que eu tenha tempo de fechar a porta atrás de mim, algo passa através dela, ouço o baque e sinto aquele vento peculiar de novo.

O susto me leva a dar um pulinho para o lado e encarar com assombro o rapaz que surgiu feito um raio. Em algum milésimo de segundo antes de entrar e bater a porta, o sujeito de cabelos acinzentados aproveitou para acender a luz também. Reparo que ele tem uma sacola pendurada no braço.

Ele me encara com uma mistura de divertimento e vaidade enquanto pega uma lata de Coca-Cola dentro dela. E então sorri.

— Aposto que você não me viu chegando.

Uno as sobrancelhas, só um pouquinho irritada com o susto que ele me deu.

— Pietro, certo? Como vai?

Ele estreita o olhar e me analisa por um longo momento.

— Você não lembra mesmo. Nem parece a Amy que conheci.

— Espero que a sua irmã possa consertar isso. Não aguento mais ser chamada de Dory pelo Homem de Ferro, é humilhante.

Algo que seria uma risada escapa da garganta do Aprimorado. Ele prontamente se recompõe quando Wanda balança a cabeça de um jeito reprovador.

Sem me preocupar em esconder a ansiedade que sinto e a urgência em resolver esse assunto o mais rápido possível, me concentro nela e abro a boca pronta para perguntar se já podemos começar a tal mágica. No entanto, ao me ater a algo que ela disse assim que eu entrei na casa, vejo-me inclinada a reconhecer uma coisa primeiro:

— Obrigada por ter vindo. — Pietro pigarreia em algum lugar da sala, e eu lanço um arquear de sobrancelhas para ele. — Você também, claro. Eu sei que esse não é momento ideal para saírem das sombras, sei que estão se arriscando demais ao virem aqui, então... obrigada mesmo.

— Não há nenhuma garantia de que vai funcionar. Mas eu darei o meu melhor. — Wanda faz uma breve pausa, como se estivesse pensando em alguma outra coisa. — Rogers lamenta muito não ter estado lá quando vocês precisaram. Ele não sabia, nenhum de nós sabia. Nossa única preocupação era desaparecer do mapa, era preciso depois do que aconteceu na Alemanha. Mas se tivéssemos sonhado que você e Banner precisavam de ajuda, pode ter certeza que estaríamos lá, apesar de qualquer risco à nossa liberdade.

— Rogers? — repito, confusa.

— Steve.

Continuo sem entender. Até que o gêmeo dela esclarece:

— O Capitão América.

Tenho a impressão de que ele acrescenta algo bem baixinho — Dory, com certeza —, mas quando olho feio para ele, tudo que encontro é uma expressão de inocência. De falsa inocência, melhor dizendo.

Sinto-me meio idiota por não ter ligado o nome à pessoa, mas na minha atual situação seria surpreendente se eu me lembrasse de algum membro dos Vingadores. Ora, se não lembro nem mesmo daquele que é o mais importante para mim...

— Tudo bem, sem ressentimentos. Vocês estavam tentando desaparecer na época. Precisaram fazer isso depois da briga com o Homem de Ferro. Eu entendo. — Penso melhor e... querem saber? — Não. Na verdade, eu não entendo porcaria nenhuma porque não me lembro dessa parte também. E acho que mesmo quando me lembrar, nunca vou entender por completo como os heróis mais poderosos da Terra terminaram separados feito uma banda. É meio... triste, sabem? Muito triste.

Wanda e Pietro me olham de um jeito indecifrável. Acho que simplesmente não sabem o que dizer agora.

Decido ajudá-los então.

— Eu espero que um dia todos se entendam de novo, só isso. Agora... — A ansiedade inicial ressurge com força total dentro de mim. Concentro o foco em Wanda. — Será que nós podemos ir direto ao assunto?

— É melhor você se sentar primeiro. Isso vai ser perturbador.

Tenho certeza de que vai, mas é um mal necessário. Preciso recuperar minha vida de qualquer jeito e esse parece ser o único. Tenho que descobrir o que aconteceu nos dois anos que perdi e, principalmente, na tal base de onde, por sorte, fui resgatada a tempo. A vida de um homem pode estar em jogo, ele ainda pode estar em perigo, lá fora, em algum lugar.

Não tenho escolha, preciso me lembrar de Bruce Banner. Hoje.

Sentindo-me bastante tensa, o que acredito ser natural nessa situação, me ajeito num dos sofás da sala procurando uma posição confortável. Wanda logo se senta ao meu lado, ficando meio de frente para mim. Ela me encara por um instante antes de aproximar as mãos das minhas têmporas. Quando vejo seus dedos ficarem numa posição esquisita, meio tortos, e feixes luminosos num tom de vermelho emanando das pontas, recuo por puro instinto, assustada.

— Okay, só uma pergunta... Como isso funciona exatamente?

— É complicado — Wanda diz de um jeito evasivo e nenhum pouco animador.

Uma risada nervosa escapa da minha garganta. Que, aliás, está bem seca. Olho para Pietro, encostado na parede perto da porta, e ele se limita a dar de ombros. Volto para Wanda e exijo:

— Descomplique. Se você vai entrar na minha cabeça, eu quero saber como, o que vou sentir, como devo me comportar, essas coisas.

Wanda se afasta um pouco, abaixando as mãos já normais de novo, e respira de um jeito mais sonoro.

— Manipulação mental é algo complicado de explicar. Eu nunca fiz isso para despertar memórias perdidas de alguém, então não sei como explicar algo que nem sei se vai dar certo, vamos ter que descobrir juntas. Você pode se sentir zonza e fora do ar enquanto eu trabalho. Depois, provavelmente ficará desnorteada por alguns minutos. Devo continuar? Se você não tiver certeza, Amy, talvez seja melhor...

— Faça — interrompo com firmeza. — Vamos fazer isso de uma vez. Por favor. Eu estou pronta.

Na verdade, não estou coisa nenhuma, só preciso convencer nós duas de que sim.

— Posso te fazer uma pergunta antes? — Assim que meneio a cabeça, Wanda dispara: — A quarta pessoa que você mencionou nas mensagens, quem é?

Um sorriso inevitável estica meus lábios levemente.

— Alex. É meu filho.

Olho de um para o outro e capto a confusão em seus semblantes. Depois, a desconfiança mútua. A surpresa com ar de incerteza.

Eles não tem coragem de perguntar, então decido confirmar por mim mesma:

— Sim, com Bruce Banner. A história sobre ele não poder ter filhos? Fake news, pelo visto.

— Caramba... — é tudo que Pietro diz.

Um breve sorriso surge nos lábios da irmã dele, a expressão ganhando serenidade.

— Parabéns. Deve ser um menino extraordinário.

— Em consumo de fraldas, não tem para ninguém.

Pietro acaba com o clima mais agradável da conversa ao cogitar com uma inconveniente curiosidade:

— É um mini Hulk? Ele fica verde quando está com fome?

Com um olhar semicerrado, resmungo em tom de ameaça:

— Não. Mas, por falar em Hulk, eu adoraria esmagar a sua cara agora, então não abuse.

Wanda solta um riso baixo e arqueia as sobrancelhas para o irmão como se reiterasse meu alerta. Ele, no entanto, não demonstra qualquer sinal de que ficou ofendido. Na verdade, ele chega a esboçar um sorriso quando diz:

— Agora você parece a Amy que eu conheci.

É estranho ouvir isso e não conseguir retribuir porque não me lembro dele nem da irmã. São como dois desconhecidos. Sinto que estou conhecendo os dois apenas hoje, o que, dada a minha condição, faz sentido.

Enfim, Wanda volta a se concentrar em mim e orienta:

— Pode fechar os olhos, se quiser.

Soa como uma boa ideia porque, manter os olhos abertos ia me deixar mais ansiosa e, provavelmente, assustada também. Então, eu acato a sugestão de bom grado e encosto a base do pescoço no espaldar do sofá.

— Estou pronta.

Sinto Wanda se movendo e aproximando as mãos do meu rosto. E então...

Nem que eu vivesse mil anos saberia explicar com exatidão o que sinto ou acontece a seguir. Contudo, ela tinha razão numa coisa, eu definitivamente fico zonza e fora do ar enquanto tenho minha mente destrinchada por um poder que não entendo. É desconfortável e assustador, simplesmente não consigo me mexer enquanto Wanda lança sua bruxaria impressionante em mim.

— Você tem medo de lembrar — ela diz, e sua voz parece estar a milhas de distância. — Sinto muito, mas esse é o único jeito de trazer tudo à tona...

Estou prestes a pedir mais detalhes quando sou acometida por algo que só posso descrever como uma onda de energia que viaja até o centro da minha mente e me deixa completamente mergulhada dentro de mim mesma. E então eu sou puxada por algum fio invisível para algum lugar ainda mais fundo. E mais. Até que...

Até que uma avalanche de flashes se espalha por toda a parte numa velocidade absurda. São mais do que flashes, são momentos vívidos que parecem acontecer agora.

Eu o vejo. Bruce. Esbarro com ele na festa de aniversário de... Tony! Foi assim que o conheci. O homem por trás do Hulk.

Lembro do desenho que ele me deu através de Olivia e das mensagens que trocamos por algum tempo. Lembro de flertar com Bruce várias vezes e dele fugir de mim quase sempre. Revivo a sua partida, o seu retorno, os desentendimentos e... o primeiro beijo.

Um arquejo escapa da minha garganta e meu coração dá um salto.

Todos os beijos, todas as noites, todas as conversas sérias e as despretensiosas também, cada sorriso, cada carinho, cada toque e olhar afetuoso. Cada... promessa. O pedido de casamento, a felicidade que senti, os planos que fizemos, a esperança no futuro.

Lembro de toda a nossa história, como se ela nunca tivesse sido trancafiada na minha mente traumatizada. E cada sentimento desperta com força, como uma barreira se rompendo e me inundando.

Meu coração dispara cada vez mais. E fica dolorosamente apertado quando também me lembro de como nos separamos. Nós dois presos no covil da HYDRA. As revelações que vivemos através de Kurt... Philip, na verdade, e sua mãe, Nadia Sterns. As ameaças covardes. Tudo que sofremos naquele maldito lugar vindo à tona sem parar. O Hulk surgindo como uma esperança no final.

Não... Aquilo não foi o final. A certeza de que íamos escapar foi destruída por completo quando o Vingador mais forte caiu numa armadilha, foi enclausurado numa cela especialmente desenvolvida para contê-lo e então aquela rocha... aquela rocha negra se liquefez de um jeito surreal e, quando voltou ao estado sólido, o Gigante Esmeralda, não estava mais lá.

A dor se alastra, irradia por cada parte de mim, é sufocante. É demais. Eu não consigo aguentar isso, a verdade como aconteceu, o fato de que Bruce está...

Abro os olhos, mas não enxergo nada na minha frente. A visão turva pela forte emoção, por uma névoa avermelhada e pelo desolamento absoluto que me domina.

— Amy? — Ouço Wanda a distância.

— Onde Banner está? — Pietro murmura ao longe.

Uma lágrima escorre pelo meu rosto. Seguida de outra. O vazio me puxa para baixo. Encolho o corpo para aplacar parte da dor. É inútil. A dor está por toda a parte. Não sei quanto tempo demoro para encontrar minha voz e força para responder.

— Perdido...

Ele se foi. E eu não tenho a menor ideia de onde foi parar.

Notas finais
Eu queria ter feito um capítulo bem melhor, só que o bloqueio judiou de mim nesse momento da história, desculpem. Explicando rapidinho: a Amelia deixou recados num número que a Wanda não usava mais para não ser rastreada. Mas a linha em si permanecia ativa e a Natasha vinha monitorando qualquer contato. Ela capturou a mensagem com seus conhecimentos em sistemas e passou para a Wanda. Então, para se comunicarem de forma mais segura, o Pietro colocou um celular no carro da Amelia para que a Wanda pudesse contatá-la e marcar o encontro. Imaginei que com seus poderes, não seria problema a Wanda entrar na casa. Se ela arrancou o coração de Ultron (adoro aquela cena), poderia muito bem manipular uma fechadura também. Esse não é um dos meus capítulos favoritos, mas fiz o melhor que pude ♥ Pelo menos a Amelia agora lembra de tudo, né? Beijos e inté mais!