O nosso filho. Foi assim que Amelia se referiu ao menino que segura nos braços. O mesmo menino que, há poucos instantes, perguntou a ela se eu sou o papai dele.

Sei exatamente o que tudo isso significa; ainda assim, é como se meu cérebro tivesse entrado em pane total e não conseguisse acreditar no que estou vivendo agora.

Será mesmo verdade?

Claro que é. Amelia jamais inventaria uma história dessas. Nem de brincadeira. E por ter certeza disso, finalmente afasto a incredulidade para longe e abraço a emoção da descoberta.

Amelia estava grávida quando eu fui banido para Sakaar. Eu sou o pai desse menino. Alex é uma parte nossa. A melhor combinação de nós dois.

— Você não vai desmaiar, vai... papai? — Amelia pergunta, aos risos por me ver tão embasbacado diante da novidade. Talvez eu esteja pálido também.

Balanço a cabeça em negativa e, sem jeito, estendo os braços ao perguntar:

— Posso?

Ela olha para a criança e depois de volta para mim. Então, dá um passo à frente e eu vivo a experiência extraordinária de segurar o nosso filho. Atrapalho-me um pouco, é verdade, ainda mexido com a revelação, ainda meio chocado e sem saber como ser um pai exatamente, mas faço o melhor que consigo e mantenho o menino de olhar muito curioso na segurança e no calor dos meus braços.

— Oi, Alex. Você... Você não sabe o quanto estou feliz por te conhecer. Desculpe por ter demorado tanto. Não foi porque eu quis.

Olho para Amelia, estendendo o pedido franco a ela também. Nem consigo imaginar como foi passar pela gravidez sem saber o que havia acontecido comigo. Por mais forte que ela seja, deve ter sido um desafio e tanto percorrer esse caminho sozinha. E a descoberta deve ter deixado Amelia bem surpresa no começo, afinal eu não havia lhe dito que não podia ter filhos biológicos? Aliás, não era nisso que eu acreditava há poucos minutos?

Torno a me concentrar em Alex, e ele ainda me encara por um bom tempo. Depois, me brinda com um sorriso que se alarga pouco a pouco. Um sorriso inocente e fácil, como são os sorrisos infantis. Quando seus pequenos braços se enroscam no meu pescoço, abraço-o de volta tomado por uma emoção ainda mais forte.

Alex é mais do que nosso filho, ele é um verdadeiro milagre. Jamais imaginei que ele pudesse existir e, no entanto, agora que está bem aqui, não consigo imaginar o meu mundo sem ele.

Apoio o queixo no topo de sua cabeça e olho para Amelia. Cada traço do rosto dela coberto por uma felicidade pura também. É tão nítido o quanto está aliviada e realizada, que a puxo para um abraço triplo e dou um beijo demorado em sua testa.

— Obrigado.

É tudo que consigo dizer a ela. De algum jeito, reúne tudo o que sinto.

Mais tarde...

Depois do jantar, e de Alex ter se esbaldado na sobremesa com a aprovação e participação da própria mãe, sentamos no chão da sala.

Aos poucos, peças coloridas de montar, uma infinidade de carrinhos e bonecos barulhentos e articulados vão se espalhando ao nosso redor. O cachorro Hulk revira algumas coisas pelo tapete, rolando com as patas para cima vez ou outra e abanando o rabo com nítida empolgação.

Em dado momento, enquanto Alex nos envolve com seu brincar e sorrisos fáceis, uma pergunta me escapa de forma automática:

— Como isso aconteceu?

Amelia ri de leve, arqueia as sobrancelhas e sussurra a resposta:

— Você sabe como. Estava lá quando ele foi concebido.

Sem jeito, sinto um rubor esquentar meu rosto, levando-me a abaixar a cabeça por um instante. O mais engraçado é que eu senti falta disso. Do humor afiado e sensual de Amelia. Algo que, pelo visto, ainda me deixa com cara de bobo.

— Você sabe muito bem que não foi isso que eu quis perguntar.

Torno a olhar para ela, que comprime os lábios para não rir. Quando se controla, retruca baixinho:

— Bom, eu que devia te perguntar isso. Você disse que não podia ter filhos, Bruce.

— Porque eu não podia. É... Era clinicamente impossível.

Amelia me encara por um momento, de um jeito mais sério e com um olhar carinhoso ao mesmo tempo.

— Você é o cientista aqui, Dr. Banner, tenho certeza que vai investigar. Mas nós dois sabemos que, no fim das contas, só existe uma explicação. A sua condição regrediu.

Sei que ela está certa, ainda assim...

— Com a quantidade de radiação a qual eu fui exposto, é surpreendente. Deve ter regredido muito pouco.

— Isso realmente importa? Foi o bastante para trazer Alex ao mundo. Estou feliz por ter acontecido, mesmo que nunca mais aconteça de novo. Mesmo que tenha sido uma única chance em um milhão. Ele é um presente.

Sorrio de leve, percebendo que ela está certa, é apenas isso que realmente importa.

— Eu também estou feliz — confesso, mesmo sem necessidade, pois sei que está estampado na minha cara. Logo depois, no entanto, uma preocupação me assombra. — Ele tem... tem alguma...

Não consigo fazer a pergunta. Temo a resposta.

— Sequela? — Amelia me ajuda, meio sem jeito também. — Não. Quero dizer, Alex herdou parte da radiação, sim. Mas não tem sido um problema. É uma criança normal, Bruce. A única diferença é que ele não fica doente e, quando se arranha em alguma coisa, fica bom muito rápido.

Reflito um pouco e, profundamente aliviado pela sorte do nosso menino, resumo o quadro:

— Resistência e fator de cura. Ele herdou a melhor parte de mim. É outro milagre.

Amelia ri de leve, relaxada.

— Claro que meu instinto materno agradece todos os dias por Alex ser tão saudável, mas isso não foi a melhor coisa que ele herdou de você. — Ela me encara de um jeito enternecedor. — Ele tem os seus olhos, Bruce.

Observo-a da mesma maneira, com ternura, com amor. Olho para Alex por um instante. Depois, para os lábios dela levemente esticados. Uma constatação me atinge.

— E o sorriso da mãe.

Amelia observa Alex como se duvidasse disso. Ele sorri quando um dos carrinhos passa por baixo das patas do Hulk, e ela estreita o olhar como se estivesse vendo nosso filho pela primeira vez. Pela expressão de surpresa em seu rosto quando volta a me fitar, ela percebeu que tenho razão.

Numa reação mútua e natural, nos aproximamos um do outro. Ficamos frente à frente e, em outro movimento instintivo, nos inclinamos para minorar mais a distância. Os olhos quase fechados quando, de repente, Alex surge entre nós com um trenzinho barulhento nas mãos pequeninas.

— Brinca comigo?

O convite não é dirigido a um de nós especificamente. Na verdade, Alex olha de um para o outro com ansiedade, como se dissesse que qualquer um serve ou até os dois se quisermos.

— Claro que brinco. Vou adorar... filho.

Pelo canto do olhar, noto a postura de Amelia se iluminando.

— Vocês precisam mesmo recuperar o tempo perdido, não é? — ela conclui, levantando-se depois de afagar a cabeleira do menino e de sapecar um beijo rápido em minha boca. — Eu vou tomar um banho enquanto isso, Bruce. Depois, dar um banho nele também e, enquanto coloco Alex para dormir, você pode fazer o mesmo.

De repente, Amelia fica meio sem jeito, como se estivesse com um medo bobo de me assustar por algum motivo, talvez... de estar me pressionando.

Ela limpa a garganta, desvia o olhar e reformula a proposta:

— Se não for voltar para a Torre, é claro. Se preferir ficar aqui, passar a noite e etcétara.

Nunca pensei que chegaria o dia em que eu veria Amelia Prescott, a desenvoltura em pessoa e uma mulher sexy de qualquer jeito, corar por qualquer motivo. Eis aqui outro milagre.

— Eu vou ficar — afirmo, sentindo meu peito se aquecer quando ela volta a me encarar com um brilho especial nos olhos. — Agora que finalmente estou aqui, não há qualquer outro lugar onde eu deseje ir hoje, amanhã ou depois. Eu quero estar ao seu lado, com Alex... — Lanço um olhar para ele e um furtivo para o cachorro Hulk, que me encara com um sorriso canino em meio ao pelo hirsuto. — E com ele também. Estou em casa.

É nítido que minha declaração firme e carinhosa mexe com Amelia. Vejo em seus olhos a emoção incontida, um dardejar de felicidade.

— Ótimo. Ótimo... Muito bom mesmo — murmura, visivelmente zonza ainda. Quando se recompõe um pouco, muda de assunto de um jeito apressado: — Ah! Cuidado com o Hulk. De vez em quando, ele destrói os brinquedos. Mas é inofensivo com Alex, não se preocupe. Mesmo quando nosso filho o faz de cavalinho. De qualquer jeito, é bom evitar e...

Contenho um riso e me vejo obrigado a interrompê-la:

— Amelia. — Quando ela torna a focar em mim, digo do jeito mais tranquilo possível: — Pode ir. Nós ficaremos bem.

Ela sorri, enfim se dando por vencida, enfim confiante de que estamos todos juntos agora e assim ficaremos. Como tinha que ter sido desde o começo.

Ela ainda olha com ternura para Alex uma última vez, enquanto ele me entrega o trenzinho e corre para buscar os trilhos de montar. Quando ele retorna com passinhos determinados e ânimo infantil renovado, ela aquiesce com um sorriso e caminha rumo à escada.

Do tapete onde eu e Alex ficamos, ainda ouço sua voz enquanto sobe os degraus:

— Perfeito.

Algum tempo depois...

Enquanto Amelia faz Alex dormir, entro em nosso quarto e me surpreendo ao encontrar a decoração exatamente como me lembrava. É como se eu tivesse estado aqui ontem, dias antes do casamento que nunca aconteceu.

Amelia manteve tudo como havíamos escolhido. Os mesmos móveis, o mesmo tom verde-claro nas paredes em harmonia com as cortinas beges. Ainda é o nosso quarto como me recordo.

Caminho até o banheiro da suíte. Dentro do armário que me lembro também, encontro creme e aparelho de barbear, colônias masculinas, um pente, uma escova de dente ainda na embalagem, shampoo... Enfim, coisas que Amelia deve ter reposto com o passar do tempo.

Fecho o armário e encaro o reflexo no espelho. Com um sorriso tímido percebo que, apesar dos anos que mudaram um pouco minha aparência, também continuo o mesmo na essência. O mesmo homem que planejou se casar com Amelia e construir uma vida normal nesse lugar. Um homem que queria ser feliz ao lado dela e, por Deus, ainda quer. Alguém que ainda ama a mesmíssima mulher e finalmente voltou para continuar a história de onde fomos obrigados a parar.

— Sem mais interrupções — murmuro feito uma promessa, antes de me despir para o banho.

Minutos depois, saio com uma toalha em volta da cintura e abro o guarda-roupa. Há peças minhas dobradas nas prateleiras e outras penduradas nos cabides, inclusive um pijama que nunca cheguei a usar.

Depois de me vestir, caminho pelo quarto olhando tudo ao redor. Paro diante da cama e, procurando o que fazer enquanto Amelia não vem, ajeito os travesseiros.

Por algum motivo, eles não parecem estar na posição ideal e os arrumo de novo.

E mais uma vez.

Inquieto, afasto a colcha de modo que o lençol sob ela fique parcialmente descoberto. Só para esticá-la na posição inicial de novo.

Analiso a cama como está e, ainda insatisfeito com alguma coisa que não sei explicar, torno a afastar a colcha, espalmando o tecido com cuidado clínico. Um tanto obsessivo, admito.

Okay. O que diabos está acontecendo comigo?

Ou eu desenvolvi um súbito transtorno acerca de simetria ou estou nervoso feito um adolescente em sua primeira vez com uma mulher.

— Não é a sua primeira vez — decido me lembrar do óbvio.

E por mais especial que cada vez com Amelia tenha sido, também não será nossa primeira vez.

Mas será a primeira noite juntos desde o inferno que nos separou naquela maldita base da HYDRA. Depois de quase quatro anos distantes, literalmente em planetas diferentes.

Será que Amelia ainda se lembra do meu toque? Será que eu ainda sei como tocá-la? Será natural e maravilhoso como antes? Ou seremos como dois estranhos tentando recuperar o tempo perdido e a mágica de antes?

Ajeito os travesseiros. De novo. Maldição.

Um riso baixinho me faz olhar para a entrada do quarto. Encostada sob a porta, Amelia me observa de cenho franzido, lábios apertados para não rir de novo.

Não sei exatamente há quanto tempo ela está aqui, mas, com certeza, tempo o bastante para ter visto e revisto meu patético ritual com a cama.

— Você sabe que é meio inútil arrumá-la hoje, né?

Ela arqueia as sobrancelhas de leve, lançando-me um olhar sugestivo e fechando a porta devagar.

Sem conseguir pensar no que responder — meus sete doutorados não me prepararam para as insinuações de Amelia Prescott —, acompanho-a com o olhar enquanto ela se aproxima da cama.

Ela para no lado oposto ao meu, desata e retira o robe, revelando uma linda camisola num tom delicado de verde. A peça emoldura seu corpo com sensualidade desde os ombros e seios até a cintura levemente marcada. No quadril, o tecido fica mais solto e termina por mostrar um pedaço encantador das coxas e das pernas abaixo dos joelhos.

Diante dessa imagem, uma palpitação inevitável atinge meu pulso ao mesmo tempo em que sinto um formigamento quente na virilha.

Sem dúvida fico excitado, mas só percebo que fiquei boquiaberto também quando ergo a cabeça e reencontro os olhos de Amelia em mim.

Esperava uma nova insinuação dela agora, qualquer comentário sensual, uma piadinha maliciosa e certeira. Porém, revelando que também está um tanto nervosa com essa noite, aperta as mãos uma na outra, analisa a camisola e pergunta num tom inseguro:

— Exagerei?

Ela me encara sem jeito, e cada parte de mim quer envolvê-la e tomá-la para mim mais do que nunca.

— Não. Sempre perfeita.

É tudo que consigo dizer. A única verdade que importa.

Ela sorri, mais confiante, os olhos cintilando com algo muito terno que me cativa ainda mais.

Por fim, Amelia ergue a ponta da colcha, deita-se na cama e se cobre um pouco com a peça. Faço o mesmo um instante depois, acomodando-me ao lado dela, ficando vis-à-vis com seu rosto enquanto ela mantém o olhar carinhoso fixo em mim.

Nesse momento, só nesse momento, reparo em uma coisa que ela usa na mão direita. Mais precisamente, em um de seus dedos. É um dos meus anéis de doutorado, aquele que dei a ela quando a pedi em casamento, aquele com a esmeralda ornada no centro.

Se me lembro bem, a joia ficou enorme no dedo de Amelia. Mesmo quando ela a colocou no polegar por medo de perder, continuou folgada. Então, ela só pode ter pedido para alguém fazer um ajuste, porque agora o anel reina seguro em seu anelar.

Quando ela percebe para onde estou olhando, reforço tocando sua mão com suavidade, acaricio seu dedo com a ponta do indicador e circulo o anel lentamente.

A constatação de que Amelia realmente me esperou durante esse tempo todo aquece meu peito pela milésima vez hoje, embora eu sinta uma pontada dolorosa de tristeza por ela também. Não consigo mensurar como foi difícil não saber o que havia acontecido comigo nem se me veria de novo. Ela nem sabia se eu estava vivo.

Se fosse o inverso, se Amelia desaparecesse do dia para a noite sem deixar rastro ou esperança, acho que eu enlouqueceria.

Felizmente, ela me arranca desse pensamento sombrio ao dizer num tom irreverente:

— Isso mesmo, Doutor. Você ainda terá que se casar comigo. Promessa é dívida.

E me vejo vencido por um sorriso fácil e irresistível.

— Ótimo, porque é tudo o que eu mais quero. Que tal amanhã?

Amelia ri, não me levando a sério.

— Não vai dar, minha agenda está meio cheia. Além disso, eu ainda tenho que falar com a madrinha, que acabou de colocar os pés no planeta, como você bem sabe, mas ainda está longe de Nova York. Ah! E tem a papelada também, cerimônia para organizar, essas coisas. Eu não quero nada badalado, só que mesmo algo íntimo demanda tempo e uma série de detalhes que...

— Uma semana.

Amelia franze o cenho e me analisa de maneira vacilante. De repente, a epifania dardeja no verde dos seus olhos.

— Você estava falando sério sobre casar amanhã, não estava?

— Por quê? Acha que é possível me encaixar na sua agenda?

Ela ri mais uma vez, visivelmente impressionada com minha pressa.

— Bruce, não dá para organizar um casamento do dia pra noite.

Penso um pouco.

— Tem razão. Mas em uma semana é possível?

Amelia fica boquiaberta por um longo instante. E até assim, me parece a mulher mais encantadora do mundo.

— Uma semana também é muito pouco — argumenta por fim, pontuando cada palavra com clareza, como se falasse com uma criança.

— Duas semanas. É minha proposta final.

Agora ela me olha como se, de repente, um chifre de unicórnio tivesse surgido no centro da minha testa.

— Você acha que dá para organizar um casamento em duas semanas? Homens!

— Espero que dê porque é o máximo que vamos esperar. Não se preocupe, tenho certeza que nossos padrinhos podem cuidar de tudo. Ou, pelo menos, da parte mais trabalhosa.

Amelia abre a boca algumas vezes, porém não encontra o que dizer. Satisfeito por ter vencido o impasse, trago sua mão para perto e planto um beijo entre seus dedos, os lábios resvalando sobre o anel.

Depois, olho para ela e me explico melhor:

— Eu não quero mais perder tempo, Amelia. Já perdemos demais.

Algo enternecedor arde em seus olhos e me envolve. Ela beija minha mão de volta.

— Muito bem. Em duas semanas, te encontro no altar, Bruce Banner.

Meu coração bate mais forte ao ouvir tais palavras. E ainda mais quando Amelia vence a nossa distância e sela o compromisso com um beijo dúlcido e suave que faz meu corpo arder.

Ela se afasta um pouco. Só para partir para cima de mim com a elegância sensual de uma predadora.

— Até lá, nós podemos deixar os padrinhos enlouquecerem e ensaiar uma coisa muito importante que só depende de nós.

Minhas mãos sobem por suas coxas e encontram abrigo em seus quadris, os dedos mergulhando nas nádegas macias.

Amelia me olha com uma diversão maliciosa e releva:

— A lua de mel, claro.

Tudo voltou mesmo a ser como era antes. Amelia, naturalmente sensual e direta de um jeito que me desconcerta até o último fio de cabelo; e eu, naturalmente hipnotizado diante dela, um bobo apaixonado e rendido.

Com o corpo endurecendo de desejo e expectativa, tudo o que consigo balbuciar é:

— Conte comigo.

Ela sorri, totalmente segura de si e de nós. Então, inclina-se sobre mim a fim de alcançar o criado-mudo ao meu lado. Abre uma das gavetas e retira uma caixa de preservativos de lá.

Alex Prescott Banner é um milagre. Tivemos sorte por concebê-lo e por ele não ter nenhuma sequela da radiação Gama, mas não podemos arriscar de novo. Seria irresponsável demais.

Amelia deixa a caixa sobre a cama e me chama com o indicador e um novo sorriso. E eu vou até ela, sentando-me e mantendo seu corpo em volta de mim de maneira indecente.

O sorriso dela se alarga e me ilumina. Amelia encontra minha boca com mais um beijo. Mergulha, quente e envolvente. E eu a beijo de volta com o mesmo ardor e com toda a ansiedade que não consigo mais conter.

Ela me livra da camiseta do pijama e logo a camisola desliza por seu corpo também. Com as mãos firmes em seu rosto, trago-a para mais perto de mim. Com o peito nu colado ao dela, sou inebriado pelo calor de suas curvas. Inebriado pela paixão que nunca deixei de sentir.

Não demora muito e o beijo ganha outras proporções, vertendo-se em algo faminto que nos leva para caminhos mais profundos através dos lábios e línguas um do outro. É um fogo intenso que pede por mais. Muito mais.

Mesmo sem ter percebido os anos que nos separaram como Amelia com certeza sentiu, agora sinto sim cada um deles, cada mês e cada dia. Meu corpo sente cada minuto de separação e endurece mais por ela, querendo saciar a saudade, o amor e o desejo implacável que me incendeiam por dentro e por fora. E eu sei, pelo corpo quente e trêmulo nos meus braços, que Amelia também sofre da mesma urgência.

O restante do meu pijama é retirado por mãos afoitas e ágeis. As mesmas mãos que tomam meu membro para si numa carícia de enlouquecer e deslizam o preservativo.

Quando Amelia se deita, leva-me junto com ela, acabamos rindo entre lábios e numa mistura confusa de braços e pernas.

Afasto-me um pouco para olhá-la. Não, para admirá-la. As bochechas avermelhadas, os olhos cintilando de paixão, os lábios entreabertos e ligeiramente inchados pelos beijos, o corpo febril sob o meu. Amelia é simplesmente a coisa mais linda que eu já vi.

— Eu preciso tanto de você, Bruce...

Beijo sua testa.

— Eu estou bem aqui. Preciso de você também. Te amo demais.

Seus lábios encontram os meus mais uma vez. Famintos e maliciosos. Ainda assim, cheios de uma ternura que abala cada fibra do meu ser. Amelia me ama demais também. Nunca deixou de amar. Se isso não é ser um cara de sorte, não sei mais o que pode ser.

Minhas mãos percorrem seu corpo macio, acariciam cada parte, cada curva, com reverência, com tudo que ela merece. E tudo que preciso é senti-la ainda mais. Amelia retribui cada toque, cada carinho, me levando ao limite da sanidade, fazendo meu corpo endurecer ainda mais por ela, chega a doer.

Uma trilha de beijos quentes em seu pescoço e sinto-a se contorcer sob o meu corpo. Estremeço ao afastar suas pernas com delicadeza para me acomodar melhor entre suas coxas. Então, mergulho no seu íntimo, sentindo-me totalmente acolhido pela calidez úmida ao meu redor.

Enrolada em mim, os braços no meu pescoço e as pernas nos meus quadris, ela se movimenta junto comigo numa deliciosa e enlouquecedora fricção. Amelia perde-se nos meus braços da mesma maneira entregue como me perco dentro dela.

Todas as vezes foram maravilhosas, mas dessa vez... é ainda mais especial.

Os olhos ardentes se fecham quando tomo sua boca de novo. E de novo. E sempre que posso ou quero. Ou sempre que Amelia reivindica a minha boca para si.

Assim, totalmente envolvidos e entregues um ao outro, trilhamos o caminho rumo a algo maior.

Com os corpos em chamas entre arquejos, a onda de prazer cresce em nós dois a cada investida, nos envolve por completo, atiça cada terminação nervosa e nos transforma em completos reféns.

Até que a tensão de Amelia chega ao limite e ela se estica embaixo de mim com um grito abafado, as mãos cravadas com força nos lençóis amarfanhados, a cabeça jogada para trás. Sinto seu sexo pressionando o meu enquanto ela se desmancha e por fim relaxa.

Vejo-me hipnotizado pelo rosto reluzente e feliz sob o meu, e chego ao meu limite também. Com um movimento final, enterrando-me mais no seu íntimo, meu mundo explode com uma onda de intensidade tão grande que fico completamente à deriva.

E irremediavelmente feliz.

Notas finais
Sou uma autora muito boazinha *-*