Notas iniciais
Obrigada pelos comentários e favoritos! Boa leitura!

— Como se atreve a vir aqui? — indagou Regina, fuzilando-a com o olhar.

— Eu preciso te explicar que…

— Não pretendo perder o meu tempo ouvindo mentiras! Retire-se da minha sala agora mesmo! — Regina a interrompeu.

— Eu não fiz nada de errado! Tudo não passa de mentiras inventadas por Marian! Ela queria que eu tivesse te convencido a nomeá-la governanta da casa grande, mas como essa tarefa foi destinada…

— Já chega, Ruby! Eu não acredito em nenhuma palavra do que você está dizendo, embora eu saiba que Marian é tão perversa quanto você!

— Por favor, Regina…

— Seu plano parecia perfeito, não? Depois de convencer Emma a fugir, inventou toda aquela história ao veterinário para que eu acreditasse que ela havia ido embora com ele e eu, estúpida e idiota, acreditei — Regina falou, segurando-a pelo braço com firmeza. — Mas a verdade, cedo ou tarde aparece e felizmente, descobri a tempo e recuperei o amor da minha vida, ou seja, Emma — acrescentou, dando ênfase ao nome de sua amada. — Agora some da minha frente antes que eu perca o pingo de paciência que me resta! — dito isso, ela abriu a porta e a empurrou para fora de sua sala.

Em meio ao silêncio, Regina se acomodou em sua cadeira. Seu humor já não era um dos melhores depois de presenciar Emma na companhia de um outro professor, e a visita de Ruby só contribuiu para piorar a situação. Embora tentasse se concentrar no trabalho, ela não conseguia, e com os pensamentos a mil, ela se dava conta de que todos à sua volta já lhe haviam mentido, inclusive seu próprio filho. De qualquer forma, não poderia julgá-lo já que ela também mentiu quando Emma deixou a fazenda. Felizmente, as horas se passaram mais depressa do que ela esperava e no final da tarde, seu carro estacionava em frente a escola.

— Comporte-se e não dê trabalho a sua tia, está bem? — dizia Regina.

— Eu nunca dou trabalho, não é tia? — disse ele.

— De jeito nenhum!

— Tem certeza que não quer ir com a gente, Henry? — indagou Emma.

— Não, Emma. Sei que minha mãe quer ficar sozinha com você essa noite, já que ela passará alguns dias na fazenda.

— Henry, não é bem assim…você pode dormir com a gente até na mesma cama se assim quiser — Regina falou, aparentemente constrangida.

— Não se preocupe, ficarei bem com a minha tia.

— Bom, então nós já vamos.

— Boa viagem Regina — disse Zelena.

— Obrigada. Cuide dos dois para mim — ela disse, referindo-se à Emma e Henry. — Até mais, querido.

— Tchau, mãe! Tchau, Emma!

— Até amanhã, príncipe.

…

— Quem era aquele rapaz que conversava animadamente com você? — Regina perguntou, mantendo-se atenta ao trânsito.

— É um professor da escola — disse ela, sem muito interesse.

— São amigos?

— Eu diria que somos colegas. Por quê?

— Nada…curiosidade apenas.

— Mesmo? Por um momento cheguei a pensar que estava com ciúmes.

— Talvez eu esteja.

— Agora entendo porque estava tão calada enquanto almoçávamos — disse Emma. — Eu te amo e minhas segundas intenções estão voltadas somente a você — acrescentou, pousando uma das mãos sobre a coxa dela. — Nos meus sonhos mais pervertidos você e eu somos as únicas protagonistas — completou. Suas unhas pressionavam e deslizavam pela coxa de Regina coberta pelo tecido da calça. Não satisfeita, com uma visão nítida do belo pescoço a centímetros de sua boca, Emma destravou o cinto de segurança e aproveitou para se deliciar, arrastando os lábios pela clavícula subindo pescoço acima até lhe alcançar o lóbulo da orelha.

— Emma…perderei o controle se você continuar me provocando assim… — Regina sussurrou, apertando o volante com uma força desnecessária.

— Só quero que você entenda que eu sou sua…você entende isso? — Emma perguntou, roçando a ponta do nariz pela bochecha dela.

— Sim, amor…eu entendo e perdão pelo ciúme excessivo — ela respondeu, e após um beijo rápido, Emma voltou a se acomodar no banco de forma correta.

Poucos minutos depois, chegaram ao apartamento. Sentindo-se em casa, Regina se atirou no sofá enquanto pensava se deveria ou não mencionar o aparecimento de Ruby em seu escritório. Alguns instantes se passaram e ela optou por esquecer aquele assunto, afinal, não valia a pena desperdiçar seu tempo ao lado de Emma com bobagens.

— Um beijo pelos seus pensamentos! — disse Emma, apoiando-se no encosto do sofá.

— Um beijo é pouco.

— Quantos beijos quiser então.

— Quero muitos…e era exatamente nos seus beijos que eu estava pensando.

— Vou fingir que acredito! — ela exclamou, inclinando-se para beijá-la. — Porque não vai tomar um banho enquanto preparo nosso jantar?

— Porque não tomamos um banho juntas e depois preparamos o jantar juntas? — sugeriu Regina.

— Já que você insiste…

Após o banho regado de beijos e trocas de carinhos, Emma assim como Regina, optaram por vestir seus respectivos pijamas uma vez que não pretendiam sair aquela noite.

Enquanto Emma mergulhava o macarrão dentro da panela com água fervendo, Regina insistia que pedir a comida pronta era mais cômodo do que prepará-la.

— Porque não usa o molho já pronto? — Regina perguntou, enquanto cortava os tomates.

— Eu gosto de preparar o molho — disse Emma.

— Mas quem está preparando sou eu.

— Você só está cortando o tomate, Regina — disse ela. — Além disso, a ideia de fazer o jantar foi sua.

— Sabe quantas horas já perdemos na cozinha?

— Desde quando trinta minutos são horas?

— Para mim é um século. Deveríamos estar na cama, isso sim.

— Porque você só pensa em sexo?

— Porque sexo com você é como uma droga e eu sou uma viciada — ela disse, e Emma não conteve o riso.

Depois de jantar e escovar os dentes, Emma foi conduzida aos beijos em direção à cama tentando desesperadamente recuperar o fôlego que Regina insistia em lhe roubar. Uma ânsia incontrolável se intensificou no meio de suas pernas. Era o seu corpo reagindo ao toque habilidoso da mulher que amava loucamente.

— Eu amo o seu cheiro — Regina sussurrou, e ao fazer menção de prosseguir, Emma a empurrou para o lado, sentando na cama e retirando a camisola acompanhada da calcinha. A pulsação e a respiração de Regina se aceleraram enquanto seus olhos contemplavam o corpo nu aproximando-se para cobrir o seu.

Os olhos de Regina se fecharam quando Emma levantou a barra da camisa moletom que ela usava para logo em seguida, pressionar os lábios úmidos sobre a pele quente de seu abdômen.

— Tira a camisa — disse Emma. Seu tom de voz deixou claro que se tratava de uma ordem, não de um pedido. Porém, independente disso, Regina sequer cogitou a possibilidade de se recusar a fazê-lo.

Emma passou as mãos pela barriga livre das barreiras impostas pela peça de roupa. Suas unhas não pouparam a pele macia, e por onde deslizavam, deixavam marcas vermelhas e “profundas”. Um gemido inebriante acompanhado de uma rouquidão gostosa escapou da boca de Regina quando a língua quente e molhada de Emma tomou o lugar das unhas, e em vez de arranhões, as marcas agora se resumiam a linhas molhadas provocadas pela saliva.

Arrastando-se sobre o corpo de Regina como uma fera no cio, Emma se deteve no meio do caminho quando seu rosto ficou à altura dos seios dela, e só depois de analisá-los com o olhar, ela os tocou com a boca. Em resposta ao toque, Regina lhe agarrou os cabelos puxando-lhe o rosto de encontro ao seu, dando-lhe um beijo de língua, saboreando de forma selvagem aquela doçura.

— Quanto mais nos beijamos… — Regina disse, passando a língua pela pele delicada do pescoço de Emma. — Quanto mais fazemos amor… — acrescentou, chupando ao mesmo tempo em que lhe mordiscava o lóbulo da orelha. — Mais louca e apaixonada eu fico — completou, mergulhando mais uma vez sua língua na boca dela.

Um arrepio delicioso atingiu o corpo de Emma e ela estremeceu sem fôlego presa entre os lábios quentes de Regina e suas palavras de sedução. Depois de interromper o beijo, ela se afastou e sem pedir permissão, puxou a calça que Regina vestia. O mesmo foi feito com a calcinha e só então, ela se acomodou da forma que queria, sentando-se sobre uma de suas coxas.

— Está vendo o que você faz comigo? — Emma perguntou, enquanto mexia o quadril para frente e para trás, esfregando o seu sexo em cima da coxa de Regina. — Está sentindo o quanto eu fico molhada quando você me toca? — acrescentou, aumentando a pressão e o ritmo dos movimentos.

Regina lhe cobriu os seios com as mãos e sua boca permaneceu a poucos centímetros da boca de Emma. Os olhos verdes tão brilhantes quanto o sol, se uniram ao castanho reluzente resultando num impacto extremamente luxurioso. Emma entreabriu os lábios num convite para um beijo que não foi recusado por Regina. Quando as línguas se encontraram, os gemidos de ambas as bocas foram abafados pelo beijo. Emma arrastou uma das mãos pela cintura de Regina, tateando-lhe o corpo até sentir a umidade dela lambuzar os seus dedos.

— Emma… — Regina sussurrou, arfando quando os dedos delicados lhe invadiram o sexo.

— Sim… — ela respondeu, em seguida, prendeu o lóbulo da orelha com os dentes.

— Fique de joelhos para que eu possa tocá-la — ela pediu. Um calor insuportável tomava conta do seu corpo.

— Não! — disse Emma. A convicção em sua voz fez o coração de Regina bater ainda mais rápido. — Quero gozar assim…esfregando-me em seu corpo — acrescentou, colocando o dedo indicador na boca dela, dando inicio a movimentos circulares sobre a língua. Regina, por sua vez, não esboçou outra reação que não fosse aproveitar aquele contato e chupar o dedo acomodado em sua boca como se fosse o mais saboroso dos sorvetes. Emma, por outro lado, tratou de quebrar aquele contato ao notar que Regina estava prestes a gozar assim como ela.

— Goza comigo… — Regina murmurou, e em resposta, Emma acelerou o movimento dos dedos entre suas pernas, como também o vai e vem do seu sexo chocando-se contra a coxa dela. Regina encheu a mão direita com os fios daquela cabeleira loira e longa, puxando-lhe a cabeça de encontro a sua. As respirações descompassadas se misturavam, os lábios das duas entreabertos se roçavam enquanto os olhares se mantinham fixos. Emma não se conteve e após puxar e chupar o lábio inferior tão próximo, mordeu o próprio lábio com o intuito de aplacar os gemidos que estavam por vir. Regina, enlouquecida de prazer, contraiu a mandíbula como se tentasse segurar os gritos que resultariam do orgasmo que se aproximava como onda violentas lhe atingindo o corpo. Quase sem fôlego, uma se agarrou ao corpo da outra quando finalmente, juntas, atingiram o clímax.

[…]

— Minha fantasia de adolescente finalmente se realizou — dizia Regina, enquanto Emma fechava o zíper da saia.

— Fantasia? — ela indagou, aparentemente confusa.

— Sempre me imaginava seduzindo ou sendo seduzida por uma professora…mas nunca pensei que demoraria tanto tempo e que essa professora fosse a mais bonita do universo.

— Você é muito boba, meu amor. Eu não sou a professora mais bonita do universo — disse Emma, não contendo o riso.

— É claro que você é — ela falou, e ao perceber que Emma estava prestes a colocar o sapatos, ela se apressou e tomou-lhe a frente. — Deixa que eu faço isso… — disse ela, ajoelhando-se aos seus pés e após lhe cobrir as panturrilhas com seus beijos, Regina finalmente lhe colocou os sapatos.

— Eu te amo — Emma falou, tomando-lhe o rosto com as mãos para logo em seguida, beijar-lhe os lábios com doçura. — Quantos dias permanecerá na fazenda?

— Ainda não sei, mas pretendo voltar o quanto antes para os seus braços.

— É o que mais quero.

— Vamos…te deixarei na escola e aproveito para me despedir do meu filho e da minha irmã.

O fato do apartamento de Victor se encontrar nas proximidades da escola, permitiu que Regina não levasse mais que vinte minutos para estacionar em frente ao prédio. Após um beijo de despedida, Emma se dirigiu à sala dos professores, enquanto ela, se dirigiu ao encontro de Zelena.

— Achei que não viria se despedir — disse a ruiva, tão logo Regina adentrou a sala.

— Oi, mãe! O sinal já vai tocar — Henry falou.

— Então vá para a sala… — disse ela, beijando-lhe o topo da cabeça. — Ainda não sei quantos dias ficarei na fazenda, portanto, comporte-se e não dê trabalho a sua tia.

— Não se preocupe, mãe. Boa viagem — dito isso, ele se retirou.

— O que você vai fazer exatamente naquela fazenda? — indagou Zelena.

— Já disse, colocar alguns pontos em seus lugares. Bom, eu já vou…a viagem é longa e ainda tenho que passar em casa.

— Não demore muito pra voltar…dentro de três dias teremos uma reunião de pais e todas aquelas burocracias para a festinha de final de ano.

— Nem lembrava mais disso. Eu farei o possível para voltar logo. Se cuide.

— Se cuida também.

— Ah, Zelena…

— Eu já sei! — ela a interrompeu. — Vou cuidar de Emma como se ela fosse a minha mulher.

— Nossa, que engraçado!

— Vai me dizer que você não quer que eu cuide dela…

— Não desse jeito.

— E de que jeito, então?

— Vai se ferrar e apenas cuide dela! — dito isso, Regina se retirou.

Conforme havia planejado, Regina se dirigiu a empresa deixando Sidney como o responsável por tudo durante a sua ausência. Quase meia hora depois, ela chegou à sua casa recém-comprada e apesar de nos últimos dias ter passado a maior parte do tempo no apartamento onde Emma estava, ela não deixou de notar que tudo continuava impecavelmente organizado.

— Ficarei ausente por alguns dias e em hipótese alguma, permitam a entrada de alguém nesta casa que não seja a minha irmã, entendido?

— Sim senhora.

— Eu já vou…qualquer imprevisto, falem com a minha irmã pois para onde irei não tem sinal.

— Pode deixar, senhora. Boa viagem.

— Obrigada.

Algumas horas depois…

— Patroa? O que a senhora faz aqui? — indagou Marian, tão logo seus olhos cruzaram com a figura de Regina.

— Eu sou a dona dessa fazenda e o que faço aqui é assunto meu! Onde está Margaret? — ela perguntou. O tom rude de sua voz pareceu dificultar a fala de Marian, e antes que ela pudesse responder, Margaret apareceu.

— Estou aqui patroa. Seja bem-vinda.

— Obrigada. Onde estão as chaves do meu quarto e do escritório?

— Vou buscar agora mesmo, patroa. Com licença.

— E você, sua fofoqueira estúpida…reúna todos os empregados no pátio! Absolutamente todos! — disse ela, fuzilando-a com seu olhar. — Mexa-se e vá fazer o que mandei! — ela exclamou, e sem questionamentos, Marian se retirou.

Já era final de tarde. O sol ameaçava se pôr e os empregados já haviam finalizado suas tarefas e por esse motivo, Marian não teve dificuldades em reunir a todos no pátio. Minutos depois, Regina apareceu e seus passos firmes e precisos só aumentavam o receio e a curiosidade da multidão reunida à sua espera.

— Robin e Marian…aproximem-se — ela ordenou, e de cabeça baixa, os dois obedeceram.