Notas iniciais
Obrigada pelos comentários e favoritos! Boa leitura!

— Olhe para mim quando eu estiver falando — exigiu Regina, inflexível e decidida.

Em silêncio, Emma começou a se afastar, atravessou as portas francesas e entrou na cozinha. Regina a alcançou, segurou-lhe o braço e a girou para que as duas se encarassem. Emma tentou se soltar, mas Regina foi mais forte.

— Eu não suporto mentiras, Emma…

Emma então a fitou nos olhos, e conseguiu enxergar o seu medo.
Naquele momento, Regina se perdeu na imensidão verde à sua frente. Seu olhar alternava entre os olhos e a boca de Emma, enquanto sua cabeça travava uma batalha feroz para negar o que o corpo já sabia: ela a desejava loucamente. A chegada repentina de Henry acabou por quebrar o contato entre elas.

— Mãe? Aconteceu alguma coisa? — ele perguntou, assustado pela forma como Regina segurava firmemente o braço de Emma.

— Não aconteceu nada… — ela disse, afastando-se posteriormente.

— Vocês estavam brigando?

— Não, querido — disse Emma, esboçando um meio sorriso.

— Tenho que resolver algumas coisas. Com licença — Regina falou, se retirando em seguida.

Algumas horas se passaram e finalmente Marian retornou da cidade trazendo consigo tudo o que Emma havia pedido. O entusiasmo apresentado pelas crianças ao receber seus materiais escolares conseguiu fazer com que Emma esquecesse as palavras de Regina por alguns instantes, mas quando a noite caiu e ela se encontrou sozinha em seu quarto, muitas lembranças retornaram à sua mente, tanto as do passado quanto as do presente, fazendo com que ela não descartasse a possibilidade de partir mais uma vez.

No dia seguinte, numa bela manhã de sábado, após mais uma aula de montaria com Regina, Henry insistiu para que sua mãe dedicasse alguns minutos à Emma, uma vez que segundo ele era de suma importância que ela também soubesse montar.

— Henry, se ela quiser aprender, ela vai pedir e…

— Ninguém te pede nada, mãe. Você está sempre mal-humorada. Além disso, você é a patroa e ela jamais te pediria uma coisa dessas.

— Eu não sou esse monstro que você pensa que sou.

— Eu não penso que você é um monstro. Você é minha mãe e eu te amo, mas todo mundo aqui tem medo de você, até os homens.

— Se não mostrarmos pulso firme, as pessoas se aproveitam de nós.

— Emma não é aproveitadora, então vai ensiná-la a montar?

— Se ela quiser…

— Emma! Minha mãe vai te ensinar a montar! — ele exclamou, correndo na direção em que ela se encontrava.

— Vai? — Emma perguntou, claramente confusa.

— Bom…se você quiser aprender, é claro — disse Regina.

— Não quero incomodá-la, patroa…

— Não é incômodo, Emma! Minha mãe já vinha querendo te dar essas aulas há muito tempo! — ele exclamou, e naturalmente, Regina franziu o cenho, tentando recordar em que momento falara sobre isso com seu filho, embora sentisse vontade de se manter próxima à Emma o máximo de tempo possível.

— Bom, se é assim… — Emma murmurou, sentindo as bochechas queimarem.

— Então eu vou tomar um banho e mais tarde você me conta como foi a aula! Até mais, mãe, cuide bem dela — dito isso, Henry correu em direção à casa grande.

— Esse menino…parece um adulto falando — Emma comentou.

— É verdade… — disse Regina. — Emma, desculpe pela forma como falei ontem…eu só não quero que escondam as coisas de mim, principalmente quando está relacionado às minhas ordens — acrescentou, aparentemente arrependida.

— A senhora se aborreceu com razão, não me deve desculpas… — Emma falou, um tanto surpresa com a atitude de Regina.

— Bom…então vamos, quer dizer, você vai aprender a montar usando vestido? — Regina perguntou.

— Eu não sabia que hoje teria aula de montaria e por isso não vim com trajes adequados — disse ela, esboçando um meio sorriso.

— Acho que não tem problema…seu vestido não é curto e nem justo, não deve incomodar. Vamos então.

Após selar o cavalo mais manso da fazenda, Regina conduziu o animal para fora dos estábulos e após se distanciarem alguns metros da casa grande, ela finalmente parou dando espaço para que Emma se aproximasse.

— Eu vou sozinha? — questionou Emma.

— Claro que não. Agora suba, eu estou segurando — disse Regina, e assim que Emma montou no lombo do animal, ela fez o mesmo, acomodando-se logo atrás.

Emma suspirou discretamente agradecendo o fato de Regina não poder enxergar o seu rosto, caso contrário, se surpreenderia com suas bochechas coradas e ardentes. Em momento algum ela imaginou que sentir o corpo da sua patroa tão próximo do seu pudesse lhe causar essa sensação pavorosa e ao mesmo tempo, estremecedora. E quando as mãos delicadas seguraram as suas guiando-a até as rédeas do animal, seu coração disparou naturalmente.

[…]

— Você não vai acreditar no que acabei de ver! — exclamou Marian.

— Fala de uma vez. Você sabe que detesto rodeios — disse Ruby.

— A patroa foi ensinar sua rival a montar!

— Como? — ela indagou, incapaz de acreditar no que acabara de ouvir.

— Isso mesmo! Eu vi as duas juntinhas dividindo o lombo do mesmo cavalo…

— Maldita Emma…fica bancando a santinha mas não passa de uma vagabunda oferecida!

— Quer um conselho?

— Não!

— Mas eu vou dar mesmo assim. É melhor você não se meter com ela…você sabe, o filho da patroa gosta muito dela e pelo visto, a patroa também.

— Não vou desistir tão fácil assim. Quem ri por último, ri melhor!

— Se você diz…

Enquanto Ruby perambulava pelos cômodos da casa grande buscando em seus pensamentos uma forma de afastar Emma de seu caminho, Regina tentava a todo custo manter o controle e não agir por impulso, uma vez que a cada galope feito pelo animal, seu corpo roçava no corpo de Emma, sem contar com o perfume que emanava dos cabelos loiros de fragrância tão doce e suave, capaz de amolecer o mais duro dos corações, e amansar o mais feroz dos animais.

— Não há muito o que fazer — disse Regina. — Você só precisa controlar o cavalo, e claro, manter o equilíbrio para não cair — acrescentou, sua boca estava bem próxima à orelha de Emma, o que acabou provocando um alvoroço em seu estômago e uma grande dificuldade para respirar.

— Certo…eu acho que entendi — Emma falou, num tom quase inaudível.

— Quer tentar sozinh…

— Não!

— Está com medo? — Regina perguntou, não contendo o riso.

— É a primeira vez que me encontro em cima de um cavalo.

— Tudo bem…vamos descer um pouco e depois retornamos para a casa grande — disse a morena, puxando as rédeas para que o animal parasse, e em seguida, desceu. — Venha — ela disse, estendendo-lhe a mão, e ao tentar descer do cavalo meio sem jeito, Emma acabou perdendo o equilíbrio e só não caiu porque foi amparada a tempo pelos braços de Regina.

— Você está bem? — questionou a morena, mantendo seus braços em volta da cintura dela.

— Sim… — Emma sussurrou, suas mãos repousavam sobre os ombros de Regina. Seus olhos piscaram algumas vezes na tentativa de acordar do seu quase torpor, buscando ignorar o quanto aquela cicatriz no lábio superior da sua patroa era tão sedutora.

Regina, por sua vez, parecia se encontrar numa espécie de hipinose provocada por aquele par de olhos verdes direcionados a ela. A distância entre os corpos era nenhuma, e os poucos centímetros que separavam os lábios das duas deixou de existir quando Regina a puxou e a beijou com tanta delicadeza, que Emma sentiu seus lábios estremecendo junto aos dela.
Quando a língua de Regina ultrapassou seus limites e sem pedir permissão lhe invadiu a boca, Emma se deu conta de que não conseguiria se libertar do encanto hipnótico daquele beijo nem mesmo se quisesse. Seu coração estava disparado, as batidas falhavam enquanto a língua de Regina deslizava sobre a dela. Os lábios se exploravam, se chupavam, compartilhando sabores.
Um ruído provocado pelo cavalo e a falta de ar sentida por elas foram os responsáveis por afastá-las, embora o desejo de ambas se mostrasse contrário a isso.

— Desculpa dona Regina…eu não…

— Por que me pede desculpa?

— Pelo beijo… — Emma murmurou, abaixando o olhar.

— Mas fui eu quem beijou você — disse Regina, erguendo-lhe o queixo com a ponta do dedo indicador. — Eu queria dizer que…

— Isso não está certo — Emma a interrompeu. — A senhora é a patroa e eu…

— Eu tenho sentimentos por você — dessa vez, foi Regina quem interrompeu.

— É melhor voltarmos para a casa grande…Henry deve estar precisando de mim — disse Emma.

— Vai ignorar meus sentimentos?

— Por favor, dona Regina…

— Está bem…suba no cavalo e…

— Eu vou a pé mesmo, não se preocupe.

— Como quiser! — exclamou Regina, num tom exaltado, montando no animal e galopando em disparada na direção contrária da casa grande.

[…]

— Alguma coisa aconteceu entre a patroa e a sonsa da Emma — disse Marian.

— Por que diz isso?

— Porque Emma chegou sozinha e a pé. E Robin acabou de me dizer que encontrou a patroa nas plantações cuspindo fogo para todos os lados e até ameaçou demitir todos os peões.

— Bem feito! Quero mais é que ela exploda de raiva por ser tão idiota e ficar correndo atrás dessa vadia disfarçada de santa!

— Quer dizer que você desistiu de seduzir a patroa?

— É claro que não! Não quero envelhecer nesse fim de mundo e quando Regina Mills se render aos meus encantos, vou convencê-la a voltar para a capital. E tem mais, prometo que se isso acontecer, deixarei você no meu posto, o que acha?

— Sonhar não custa nada!

…

— O que foi, Emma? Não gostou da aula de montaria? — Henry perguntou.

— Não levo jeito com isso…confesso que tenho medo de cavalos.

— Minha mãe brigou com você?

— Não, Henry…pelo contrário, ela foi paciente e atenciosa. Eu que me assustei e fugi.

— Fugiu do que?

— Do beijo — disse ela, arrependendo-se ao se dar conta do que acabara de dizer.

— Minha mãe te beijou? — ele questionou, os olhos arregalados surpresos e curiosos.

— Sim, mas isso não é assunto para um menino, ainda mais da sua idade.

— Bem que eu notei que a minha mãe gostava de você…

— Você notou? — Emma perguntou, num misto de surpresa e confusão.

— Sim, e eu pensei que você tivesse notado também.

— Ela é a patroa, Henry. E eu não sou nada além de…

— De uma linda mulher que conquistou o meu filho e a mim sem qualquer esforço — completou Regina, parada no portal da porta.

— Minha mãe tem razão! Eu vou deixar vocês à vontade, mas ficarei na porta para que você não fuja mais — ele falou, arrancando um sorriso de ambas.

Tão logo a porta fora fechada, Regina se aproximou, todavia, se manteve numa distância segura com a intenção de que Emma não se assustasse com a sua presença ou por qualquer outro motivo que ela desconhecesse. Os olhares se mantiveram firmes, uma encarando a outra, porém, o contato foi quebrado por Emma que subitamente abaixou o olhar.

— Olhe para mim — disse Regina, e sem qualquer questionamento, Emma obedeceu. — Quero que esqueça que sou sua patroa e apenas me responda: Você tem sentimentos por mim, Emma?

— Não acho que essa questão mudaria alguma coisa sobre…

— É claro que muda! Muda tudo! — Regina a interrompeu. — Porque se você corresponde aos meus sentimentos, juro que arrancarei de sua cabeça essa ideia estúpida de patroa e empregada…mas se você não corresponde ao que sinto, prometo que a deixarei em paz.

— Senhora…

— Responda a minha pergunta. Você tem sentimentos por mim?

— Sim…mas eu não devo… — Emma murmurou, e antes de concluir seu argumento, teve sua voz silenciada por um beijo.

Regina correu a língua pela boca de Emma, ergueu as mãos até a cintura dela e em seguida a puxou de encontro ao seu corpo. Conforme os segundos se passavam, o beijo se tornava mais intenso e faminto, e como se temesse uma possível escapatória por parte de Emma, Regina a apertava com mais força contra o seu corpo.

— Por favor… — Emma murmurou, interrompendo o beijo, e ao sentir os braços de Regina afrouxarem o abraço, ela virou-se, colocando-se de costas.

— Não fuja de mim… — disse a morena, abraçando-a carinhosamente por trás. — Desde que te vi pela primeira vez, não consegui parar de pensar em você — ela falou, arrastando seus lábios semiabertos pela lateral do rosto de Emma. — E se fui grossa e a destratei, foi apenas para me convencer de que você não importava para mim, mas a verdade é que você me importa, me importa muito… — acrescentou, e lentamente, Emma teve seu corpo girado pelas mãos delicadas e firmes sobre a sua cintura.

— Eu não tenho nada para oferecer… — disse Emma, esboçando uma expressão aflita.

— Eu não quero nada além do seu carinho, do seu amor… — Regina explicou, e desta vez, foi Emma quem deu início a um beijo apaixonado.

Alguns minutos se passaram e a julgar pela demora, Henry movido pela curiosidade e impaciência, acabou batendo à porta e só parou quando a peça de madeira foi aberta.

— Eu não fiquei de guarda esse tempo todo a toa, não é? — ele perguntou, alternando o olhar entre uma e outra.

— Não, filho…felizmente eu consegui convencer a cabeça dura da sua babá! — exclamou Regina.

— Então vocês estão namorando?

— Sim! — Regina se apressou em responder.

— A senhora não me pediu em namoro — disse Emma.

— Bom…eu me declarei, então dá no mesmo. E não me chame de senhora.

— Acho que precisarei de um tempo para me acostumar…

— Patroa, desculpe o incômodo — disse Marian, interrompendo a conversa.

— Diga, Marian.

— O veterinário pediu pra avisar que precisa falar com a senhora urgentemente.

— Ele não disse o assunto?

— Não senhora. Só disse que era urgente.

— Diga que já estou indo — ela falou, e no mesmo instante, Marian se retirou. — Conversamos mais tarde — acrescentou, depositando um beijo sobre a testa de Henry, e outro no rosto de Emma, em seguida, se retirou.

…

— Eu sabia que a minha mãe gostava de você! — ele afirmou. — E você gosta dela, não é?

— Sim, eu gosto. Gosto muito…mas quero te pedir um favor.

— Pode falar, Emma.

— Não quero que ninguém na fazenda saiba que sua mãe e eu estamos…começando algo.