Notas iniciais
Desculpem o atraso na postagem de hoje. Obrigada a todos os comentários e favoritos. Boa leitura!

— Porque você não quer que ninguém saiba sobre você e minha mãe?

— Bom…porque as pessoas começarão a falar coisas e pensar bobagens… — ela se justificou.

— Eu não entendi o que você quis dizer com isso, mas por mim tudo bem…será o nosso segredo então!

— Obrigada, querido…agora termina sua tarefa porque as aulas retornarão segunda-feira. Enquanto isso, vou à cozinha buscar uma fruta pra você comer.

Tão logo fechou a porta atrás de si, Emma se deparou com Ruby que acabara de sair do quarto de Regina. De repente, a lembrança das palavras de Henry declarando tê-la visto deixar o aposento de sua mãe tarde da noite veio à tona, dando início a uma enxurrada de questionamentos em sua cabeça. E como se adivinhasse os seus pensamentos, Ruby não perdeu a oportunidade de semear a dúvida.

— Emma, posso te pedir um favor?

— Claro, Ruby…do que se trata?

— Bom…não comente com a patroa que me viu saindo do quarto dela, tudo bem?

— Ah, não se preocupe…

— Obrigada. Você sabe que apenas Margaret tem autorização para arrumar o quarto e bom, eu fiquei com receio dela encontrar alguma coisa minha aí dentro…

— Alguma coisa sua? — questionou Emma. O cenho franzido denotava o embaraço mediante aquelas palavras.

— As vezes a patroa gosta de companhia a noite…se é que você me entende…

— Ah…claro, não se preocupe — ela murmurou, num tom quase inaudível.

— Obrigada, Emma — dito isso, Ruby se retirou.

Faltava alguns minutos para o meio dia quando finalmente Regina retornou dos estábulos onde Killian havia solicitado sua presença. Henry já se encontrava sentado à mesa, enquanto Margaret, esperava a autorização para servir o almoço.

— Onde está Emma? — ela perguntou, direcionando seu olhar ao menino.

— Quando eu desci, ela ficou no meu quarto arrumando umas coisas — ele disse.

— Vou falar com ela e já volto. Pode ir servindo, Margaret — dito isso, Regina caminhou apressadamente em direção às escadas. Embora se esforçasse para não demonstrar um interesse e entusiasmo maior do que aquele que já sentia, seu coração e suas emoções lhe traíam cada vez que seus olhos caíam sobre a figura denominada por ela, a mais maravilhosa de todas as criaturas existentes no planeta.

— Oi… — ela murmurou, adentrando o cômodo lentamente. — O almoço será servido agora — acrescentou, esboçando um meio sorriso.

— Não tenho fome…depois eu como alguma coisa — disse Emma.

— Mas eu gostaria que você almoçasse comigo e meu filho.

— Os empregados não sentam à mesa com os patrões — ela falou, e naturalmente, o sorriso de Regina se desfez.

— Eu pensei que você tinha aceitado ser…

— Sua segunda amante?

— O que? Do que está falando? — indagou Regina, claramente confusa.

— Tem certeza que não sabe?

— Se eu soubesse não perguntaria!

— A senhora vai negar que Ruby é sua amante?

— Como é que é? De onde tirou essa estupidez? E claro que vou negar porque isso não é verdade!

— Ah, não? Engraçado que já viram Ruby sair do seu quarto tarde da noite!

— Independente da hora que a viram sair do meu quarto, nunca aconteceu nada entre nós! — exclamou Regina, e ao notar o silêncio de Emma, aproximou-se e lhe tocou os ombros com ambas as mãos. — Não quero que duvide de mim, muito menos dos meus sentimentos — acrescentou, acariciando-lhe o rosto com a ponta dos dedos.

— Desculpa…eu fiquei com…

— Ciúmes?

— Sim. Também senti medo e tristeza ao imaginar que eu seria apenas mais uma empregada que…

— Por favor…que tipo de pessoa você acha que eu sou?

— Desculpa, desculpa! Eu sou uma boba. Mal começamos e eu já estou te aborrecendo com minhas idiotices — disse Emma, e ao fazer menção de beijá-la, Henry adentrou o quarto.

— Mãe! A comida vai gelar! — ele exclamou.

— Estou tentando convencer essa moça a se juntar a nós! — disse Regina.

— Vamos, Emma! Estou faminto!

— Tudo bem… — disse ela, se dirigindo à sala de refeições ao lado de Regina e Henry.

— Margaret, coloque mais um prato na mesa…Emma nos acompanhará — Regina falou, e por alguns instantes, todos ali presente se mostraram surpresos mediante aquelas palavras.

O almoço transcorreu de forma tranquila embora a cada cinco minutos, Henry fosse repreendido por falar de boca cheia. Ruby, ao presenciar aquela cena, retornou para a cozinha convencida de que Marian estava com a razão: sua patroa tinha sentimentos por Emma, e por esse motivo, ela precisava agir o quanto antes, ou caso contrário, perderia a oportunidade de se tornar a dona e senhora não só daquela propriedade, mas de todos os bens pertencentes a Regina.

— Mãe, posso ir brincar com os meus amigos?

— Você acabou de comer.

— Eu não vou ficar correndo por aí. Vamos brincar com os meus brinquedos lá no jardim.

— Tudo bem…

— Vou ajudá-lo a levar os brinquedos para fora — disse Emma, e ao fazer menção de se retirar, Regina lhe segurou a mão.

— Depois vá ao meu escritório…preciso falar com você — disse ela, exibindo um sorriso singelo.

— Sim senhora — Emma falou, num tom brincalhão, se retirando em seguida.

Após se certificar de acomodar as crianças no jardim lateral da casa grande, Emma se dirigiu ao escritório onde Regina a esperava. Ao abrir a porta depois de ouvi-la autorizar sua entrada, Emma mal tivera tempo para fechá-la, uma vez que seu corpo rapidamente fora puxado ao encontro do corpo de Regina, e sua boca capturada pela boca dela.

— Passei a manhã inteira com vontade de beijar você — Regina sussurrou, quase sem fôlego enquanto seus lábios roçavam sobre os lábios de Emma.

— Não tenho dúvidas — disse ela, não contendo o riso.

— A partir de agora você sentará à mesa comigo e Henry. Também quero que…

— Não, Regina. Por favor — ela disse, afastando-se em seguida.

— Como assim, não? — indagou Regina, claramente confusa.

— Eu não quero que as pessoas saibam que você e eu estamos nos envolvendo.

— E por quê?

— Bom…você é a patroa e todos falarão coisas que…

— Espera! — ela a interrompeu. — Em primeiro lugar, não me importo com o que vão dizer! Em segundo lugar, cedo ou tarde saberão.

— Pelo menos vamos esperar um pouco…ver se realmente dará certo entre nós — disse Emma.

— Porque acha que não dará certo?

— Não acho, eu só…

— Eu estou apaixonada por você, Emma. O que pode dar errado entre duas pessoas que se amam?

— Eu também estou apaixonada por você. Apenas…

— Pois não parece! — Regina a interrompeu bruscamente.

— Não diga isso…

— É a verdade!

— Não, não é. Eu só quero privá-la de aborrecimentos e…

— Tudo bem. Se é assim que você quer, assim será.

— Não está aborrecida comigo?

— Estou.

— Eu compreendo, mas não fique aborrecida…não agora — ela sussurrou, arrastando seus lábios pela mandíbula de Regina.

— Impossível me aborrecer por muito tempo com você me falando dessa forma…

— Que forma? — Emma perguntou, mordiscando-lhe o lóbulo da orelha.

— Tão calma e provocante ao mesmo tempo… — ela disse, e sem aviso prévio, Emma lhe invadiu a boca com a língua.

Regina sentiu seu corpo inteiro estremecer enquanto sua boca era explorada pela língua mais doce e macia que já tivera o prazer de provar. O simples fato de olhar para Emma já lhe dificultava a respiração. Quando o beijo foi encerrado, Regina permaneceu alguns segundos de olhos fechados e quando os abriu, encontrou os olhos verdes brilhantes à sua frente. Olhos vívidos, hipnotizantes, ornados por cílios espessos e escuros.

— Por Deus…você é a criatura mais linda que já vi em toda minha vida — Regina falou, acariciando-lhe o rosto delicadamente.

A intensidade explícita no olhar de Regina a deixou sem fala, e por esse motivo, Emma respondeu com um sorriso para logo em seguida, envolvê-la num abraço apertado.

— Sei que tudo isso é recente — Regina falou, afagando-lhe os cabelos loiros e compridos. — Mas eu quero que você saiba que me assusta tanto quanto assusta a você — acrescentou, afastando-lhe para que pudesse contemplar o seu rosto.

— Você está assustada? — Emma perguntou.

— Um pouco…o que estou sentindo por você é intenso, forte, vai além daquilo que imaginei sentir por alguém e…do que está rindo?

— Essa Regina diante de mim, é totalmente diferente daquela Regina que conheci no primeiro dia em que coloquei meus pés nessa fazenda.

— Eu aqui me declarando e você…

— E eu me apaixonando a cada palavra dita! A cada gesto, a cada toque… — ela murmurou, e sem esperar uma resposta, deixou sua boca mergulhar na boca de Regina mais uma vez.

Uma luta débil fora iniciada, morderam-se com os lábios apoiando ligeiramente a língua nos dentes. Emma permitiu que suas mãos se afogassem nos cabelos curtos de Regina, enquanto saboreava o gosto do beijo que lhe tirava o fôlego. Um beijo que apresentava uma só saliva e um só sabor de fruta madura.

— Regina… — Emma sussurrou, ao sentir o deslizar das mãos espalmadas sobre o seu traseiro, enquanto seu pescoço era explorado pelos lábios quentes e molhados da mulher amada.

— Amo seu cheiro…me enlouquece, me excita… — ela murmurava, e ao fazer menção de levantar a barra do vestido que Emma usava, batidas na porta ecoaram no ambiente, obrigando-a a recuar. — Droga! — exclamou Regina, suspirando em seguida, ao mesmo tempo em que caminhava em direção à porta. — Eu disse que não queria ser interrompida! — ela falou, logo que se deparou com Marian.

— Desculpe, patroa. Acontece que o capataz pediu pra avisar que precisa falar com a senhora.

— Já estou indo — disse ela, batendo a porta com uma força desnecessária.

— Porque se aborrece por tudo? — Emma perguntou, tocando-lhe o rosto com as costas da mão.

— Porque não gosto quando desobedecem as minhas ordens.

— Pode ser importante…

— É, eu sei. Bom, vou saber o que ele quer.

— E eu vou ver se os meninos estão se comportando.

— Vamos…eu te acompanho até o jardim…

Nas horas seguintes, Regina se ocupou de alguns imprevistos que surgiram na fazenda, entre eles, a contratação de novos empregados, já que a produção da sua propriedade estava a todo vapor.

Ao cair da noite, Emma se viu mais uma vez “obrigada” a sentar-se à mesa junto com Henry e Regina, embora estivesse feliz pelo que começara a se desenvolver entre ela e sua patroa, Emma temia que aquele envolvimento entre elas pudesse despertar uma série de problemas, principalmente em relação a um triste fato de seu passado.

— Hora de ir para a cama, mocinho! — disse Emma, o conduzindo até o quarto.

— Mas ainda são vinte e uma horas — ele argumentou.

— As aulas começam amanhã, esqueceu? — disse ela, enquanto lhe entregava um pijama.

— Boa noite, filho — disse Regina, beijando-lhe a testa.

— Boa noite, mãe. Boa noite, Emma!

— Durma bem, querido… — Emma falou, se retirando ao lado de Regina.

…

— Aonde pensa que vai? — Regina perguntou, segurando-lhe a mão delicadamente.

— Vou ajudar Margaret a limpar a cozinha e depois vou para o meu quarto — Emma respondeu.

— Você foi contratada para cuidar do meu filho e não da casa. E agora, terá um trabalho extra que consiste em cuidar de mim — ela disse, exibindo seu belo sorriso.

— Não acha que já está bem grandinha para se cuidar, senhora Mills?

— O que eu acho é que necessito dos seus cuidados…agora vem…

— Para onde?

— Para o meu quarto.

— Não acha um pouco cedo?

— Cedo? — questionou Regina, aparentemente confusa.

— Não faz nem dois dias que estamos nos relacionando e você já quer me levar para a cama.

— Desculpe…eu pensei que…

— As vezes parece que é apenas isso que você quer…

— Como? Mesmo depois de tudo o que eu te disse, depois de me declarar feito uma boba, você ainda pensa que meu propósito é somente te levar para a cama? O que acha que eu sou?

— Desculpa…eu não queria…

— Olha, você tem razão. Acho que eu estou indo rápido demais, porém, não é com o propósito que você imagina. Eu apenas…quando gosto, gosto de verdade e não me importa se vou para a cama no primeiro dia, depois de um mês ou um ano…isso não muda os meus sentimentos.

— Perdão…você tem razão e eu não queria aborrecê-la — disse Emma, e diferente do que ela imaginou, Regina apenas lhe sorriu.

— Eu não estou aborrecida, de jeito nenhum — ela falou, segurando-lhe o rosto com ambas as mãos para logo em seguida, beijar-lhe a testa. — Boa noite — acrescentou, se dirigindo para o seu quarto.

Emma permaneceu alguns minutos perdida em pensamentos e em seguida, desceu as escadarias e se trancou em seu quarto. Ainda que estivesse segura dos sentimentos de Regina, ela não podia evitar o medo e receio reprimidos dentro de si, consequência de um fato desastroso que acabou resultando numa tragédia onde ela fora apontada como a única culpada.

Algum tempo se passou e após rolar inquieta sobre a cama, Emma optou por se levantar e minutos depois, se encontrava parada diante da porta do quarto de Regina. Após algumas batidas à porta, ela sorriu quando seus olhos verdes encontraram os olhos castanhos.

— Alguém precisa de cuidados essa noite? — Emma perguntou, exibindo seu mais belo sorriso.

— Alguém precisa dos seus cuidados todos os dias, todas as horas, todas as noites… — disse Regina, puxando-a delicadamente pela mão para dentro do quarto.