Notas iniciais
Obrigada pelos comentários e favoritos. Boa leitura!

— Hum… — Emma soltou um gemido ainda de olhos fechados. Lentamente o seu corpo se contorcia e um tanto sonolenta, ela abriu os olhos e a cabeça de Regina entre suas pernas foi a primeira visão que ela teve naquela manhã de domingo. — Regina! O que está fazendo? — ela perguntou, embora soubesse perfeitamente a resposta. — Oh, céus…você quer me matar logo cedo? — acrescentou, enquanto suas mãos se fechavam entre os cabelos curtos e negros.

— Você é deliciosa quando acorda — Regina falou, cobrindo-lhe a parte interna da coxa com beijos cálidos. Em seguida, sua boca retomou as carícias na intimidade molhada e só parou quando Emma se derramou em sua boca.

[…]

— Mamãe, o que faz aqui em pleno domingo tão cedo? — indagou Zelena, dando passagem para que Cora entrasse.

— Preciso conversar com você — disse ela. — Henry?

— Oi, vó. Como vai?

— Bem, querido. E você?

— Estou bem. Tia, vou trocar de roupa.

— Vai, meu amor — disse ela, sentando-se ao lado de Cora.

— Regina está aí?

— Não, mamãe.

— E onde ela está? Fui procurá-la e as empregadas informaram que ela não dormiu em casa.

— Eu não sei onde ela dormiu. E por falar em dormir…Ruby continua na sua casa?

— Sim…ela me tem feito companhia. Coisa que você e Regina nunca fizeram.

— Bom, a que devo essa visita então?

— Como foi capaz de aceitar uma assassina na sua escola?

— Ela foi absolvida perante o juri, participou do processo seletivo e a banca a escolheu. Portanto, não tive motivo algum para…

— Não teve motivo? — Cora a interrompeu. — Faça-me o favor, Zelena! Você não percebe que pode sujar a imagem da sua escola?

— A escola é minha, mamãe. Eu sei cuidar perfeitamente dela.

— Vejo que a sua reaproximação com Regina está te tornando tão rebelde e inconsequente quanto ela! — Cora exclamou, e antes que Zelena pudesse responder, o som da campainha interrompeu a conversa.

Ao abrir a porta, uma sorridente Regina adentrou o imóvel de mãos dadas com Emma, todavia, seu sorriso subitamente desapareceu quando ela se deu conta da presença de Cora.

— Agora entendo muitas coisas… — Cora falou. — Não tem vergonha de andar por aí se exibindo com uma assassina?

— Não se atreva a ofender Emma ou juro que…

— Que o que? Vai me bater? Seria capaz de levantar a mão para sua própria mãe?

— Apenas não se meta na minha vida. Vá embora como fez a primeira vez! — exclamou Regina, contraindo a mandíbula ao mesmo tempo em que cerrava os punhos.

— Não costumo discutir assuntos de família na presença de estranhos — dito isso, Cora se retirou.

— Emma…desculpe por…

— Está tudo bem, Regina. Qualquer mãe teria esse tipo de reação.

— Já estou pronto! — disse Henry, quebrando a tensão daquele momento.

— Mas que homenzinho mais lindo! — Emma falou, a fim de quebrar o tenso momento.

— Obrigado, Emma! Para onde vamos esse domingo? — ele perguntou.

— Isso quem vai decidir é você — disse ela.

— É mesmo? Posso escolher o lugar que eu quiser?

— É claro que pode. Não é, Regina?

— É sim, filho.

— Então eu quero ir jogar boliche!

— Então nós vamos jogar boliche! — disse Emma. — Você vem com a gente, Zelena?

— Não…hoje eu tenho alguns assuntos pra resolver — disse ela.

— Bom, então vamos Regina?

— Sim, vamos…

— Está aborrecida? — Emma perguntou, discretamente.

— Um pouco…como sempre, mamãe tem o poder de me aborrecer ao extremo — ela falou.

— Esqueça isso. Vamos aproveitar o domingo, meu amor. Henry está tão animado…

— Tem razão. Não vou estragar nosso dia com isso.

Tão logo chegaram ao clube de boliche, Regina esqueceu por completo o encontro desagradável que tivera minutos atrás com sua mãe. O sorriso e o entusiasmo do seu filho acompanhado pela presença de Emma, eram o suficiente para fazê-la esquecer todos e qualquer problema. Como era de se esperar, Henry venceu todas as partidas não apenas no boliche, mas em todos os jogos que Emma e Regina se arriscaram a competir com ele. No final da tarde, deixaram o clube e Emma preferiu ficar no apartamento enquanto Regina se dirigia até sua casa para tomar um banho e trocar de roupa junto com Henry. Logo mais à noite, os três voltariam a se encontrar para o jantar.

…

No meio do caminho, Regina discou o número de Zelena e Henry se encarregou de convidá-la para acompanhá-los ao jantar.

— Zelena, você pode ficar com Henry enquanto levo Emma para casa? — indagou Regina.

— Agora entendo a razão do convite — disse ela, num tom brincalhão.

— Não seja boba!

— Estou brincando! Se quiser, Henry pode dormir comigo de novo.

— Não dá certo…amanhã ele tem aula e o uniforme e a mochila estão em casa.

— Não se preocupe. Eu o levo para casa de manhã cedo e cuido de tudo.

— Se é assim tudo bem. Vou falar com ele enquanto o garçom não traz a conta.

[…]

Depois de curtir uma chuveirada longa e quente, Regina vestiu um dos pijamas de Victor enquanto Emma permaneceu no banheiro secando os cabelos. Após finalizar aquela tarefa e retornar para o quarto, ela não escondeu o sorriso ao encontrar Regina folheando os trabalhos escolares dos seus alunos.

— Perdeu alguma coisa nessa pasta, senhora Mills? — ela perguntou, cruzando os braços em seguida.

— Estou me certificando de que não existe nenhum recadinho de aluno apaixonado — disse ela.

— Isso se chama invasão de privacidade, sabia?

— Não, eu não sabia. Então o que acha de vir aqui e me ensinar um pouco sobre isso? — Regina falou, indicando o espaço na cama entre suas pernas onde rapidamente Emma se acomodou e descansou as costas sobre o peito dela.

— Então você está querendo uma aula sobre invasão de privacidade? — indagou Emma, deixando escapar um longo suspiro quando vagarosamente, Regina lhe afastou os cabelos para o lado e começou a distribuir beijinhos pela sua nuca.

— Na verdade — disse ela. — Eu quero uma aula sobre invasão de intimidade no sentido mais sacana da palavra — completou, e Emma explodiu numa sonora gargalhada.

— Poderia ser mais clara, meu amor?

— Acho que você precisa mais dessa aula do que eu. Então, eis uma amostra do que estou querendo dizer… — ela falou, e subitamente Emma arfou quando sentiu as mãos escorregando por baixo de sua blusa, subindo pelo abdômen e apertando-lhe os seios.

— Essa é a sua aula sobre invasão de intimidade? — Emma perguntou, deslizando as mãos espalmadas pelas coxas de Regina.

— É sim…está gostando? Quer que eu continue? — ela indagou, mordiscando-lhe o ombro ao mesmo tempo em que beliscava os mamilos de leve.

— Quero… — sussurrou Emma, deixando escapar um longo gemido quando a língua quente e molhada correu pelo seu ombro até lhe alcançar a nuca.

— Mostre-me onde você deseja o meu toque…

— Aqui… — disse ela, enquanto guiava a mão de Regina para o centro do seu prazer. — Quero que me toque aqui… — acrescentou, puxando o próprio short acompanhado da calcinha.

— Abra mais essas pernas maravilhosas — Regina sussurrou num tom quase inaudível.

Com os batimentos acelerados e o sexo totalmente encharcado, Emma obedeceu. Sem pressa e com cuidado, Regina enfiou dois dedos vagarosamente e na mesma lentidão os retirou. Em resposta, o corpo de Emma arqueou e sua cabeça tombou para trás, apoiando-se sobre o ombro atrás de si.

— Regina…

— Não diga nada…não quero ouvir palavras — ela a interrompeu. — Quero apenas o som dos seus gemidos me atiçando os sentidos… — completou, afundando os dedos novamente na fenda molhada, investindo fundo naquele calor que pertencia a ela.

Emma quase perdeu o fôlego quando Regina começou a alternar entre penetrá-la e lhe estimular o clitóris. Os mamilos se tornavam mais rijos a cada toque, e embora gostasse de castigá-los, Regina os abandonou e a mão que antes os tocavam, se fechou em volta do pescoço, apertando-o, mas com cuidado para não machucá-la.

— Seus gemidos me deixam louca — Regina sussurrou, puxando-a para trás pelo pescoço. Em seguida, lhe virou a cabeça para um lado capturando-lhe a boca com a sua.

O deslizar das línguas e o vai e vem dos dedos de Regina aumentaram a tensão no corpo de Emma, crescendo ferozmente no meio de suas pernas. Os espasmos avançaram com força, e o orgasmo explodiu levando-a às alturas. Implacável e impiedosa, Regina não parou as investidas, pelo contrário, passou a lhe esfregar o clitóris com força e rapidez. Sua mão esquerda abandonou o pescoço de Emma e lhe agarrou uma das coxas, frustrando-lhe a tentativa de fechar as pernas. Possuída por ondas de choque, com o corpo inerte, Emma imaginou que perderia a cabeça quando mais um orgasmo lhe atingiu em cheio. Exausta e saciada, Emma foi respirando devagar recuperando o fôlego à medida em que as carícias torturantes praticadas por Regina, lentamente se encerravam.

— Eu te amo, Regina — ela disse, virando o rosto em busca de sua boca.

— Eu também te amo — ela respondeu, pressionando os lábios contra os dela.

— Acho que preciso de um banho rápido…você me deixou toda molhada.

— Te acompanho…

— Nem pensar! Sei perfeitamente quais são suas intenções — Emma falou, levantando-se rapidamente.

— Mas eu preciso lavar as mãos — ela protestou.

— Lave-as no banheiro do Dr. Victor! — dito isso, ela se trancou no banheiro passando a chave na porta.

…

— Você chama isso de banho rápido? Estou esperando na cama tem uma hora.

— Não seja exagerada, meu amor — disse Emma, deitando-se ao seu lado na cama, enroscando-se no calor dos braços dela, satisfeita por sua alma finalmente estar acalentada por aquele amor que ela jamais encontraria em outro alguém. — Regina?

— Sim?

— Eu não quis tocar no assunto antes para não correr o risco de estragar nosso final de semana, mas eu preciso saber…porque Ruby está em sua casa?

— Ela não está mais. Eu a mandei embora e…

— Mas ela estava em sua casa. Porque a trouxe para a capital?

— Porque ela insistiu muito.

— Estavam juntas?

— Não quero falar disso — disse ela, sentando-se na cama.

— Mas eu quero — Emma insistiu, sentando-se também. — Você fez amor com ela?

— Dormimos juntas algumas vezes mas não significou nada para mim, Emma — disse ela, tomando-lhe o rosto com as mãos. — Eu fui estúpida e ingênua ao pensar que conseguiria te esquecer me envolvendo com ela, mas tudo o que eu sentia era o vazio dentro de mim aumentar a cada minuto que eu passava sem você…por favor, me perdoe…

— Está tudo bem, fique calma — Emma falou, beijando-lhe os lábios delicadamente.

— Não está brava comigo?

— Claro que não, meu amor.

— Obrigada — disse ela, deitando-se ao mesmo tempo em que lhe puxava o corpo para se juntar ao seu. — O destino tem uma forma esquisita de nos trazer de volta aos caminhos que deveríamos ter percorrido antes, mas o que importa agora é que estamos juntas novamente.

— Sim…é isso que importa.

[…]

— Bom trabalho, meu amor. E nada de receber bilhetinhos de alunos apaixonados — disse Regina, após estacionar em frente a escola. — Dê um beijo no meu filho por mim.

— Bom trabalho pra você também e para de ser bobinha! — ela exclamou, e após um longo beijo, ela desceu e Regina se foi.

No caminho até o escritório, Regina sentia que a paz e a felicidade voltavam a reinar em sua vida, embora não fosse muito agradável saber que Emma era a responsável por comandar o céu e o inferno do seu coração. Antes de entrar em sua sala, ela foi informada sobre a presença de Cora que a esperava já fazia alguns minutos.

— Não vou perguntar o que está fazendo aqui porque já imagino. Então diga de uma vez o que você quer e vá embora — Regina falou, e a primeira resposta de Cora se resumiu a um tapa estalado em seu rosto.

— Eu não sou uma das suas empregadas que você leva para cama, eu sou sua mãe e enquanto eu viver, você me respeitará! — exclamou Cora, num tom exaltado.

— Estou esperando, Cora — disse ela, acomodando-se em sua cadeira.

— Acho que você ainda não percebeu no que se transformou e pelo visto, não se dará conta nunca. A traição daquela puta interesseira que você se orgulhava em chamar de esposa, te transformou num verdadeiro monstro.

— Mais alguma coisa? — indagou Regina.

— Sim — ela falou. — Seria menos doloroso se você tivesse pelo menos se transformado em um monstro inteligente, porque depois de tudo o que aconteceu com aquela vagabunda, você deveria ter aprendido a lição. Mas não…se envolveu com uma assassina e depois com uma empregadinha do campo. Agora larga a empregadinha e volta com a assassina. Apesar de não aprovar nem uma e nem outra, eu ainda relevaria se você tivesse permanecido com Ruby.

— Não me surpreende. Mas felizmente, o poder da decisão é meu!

— Uma decisão estúpida! Eu te alertei tanto sobre Kathryn e você não me ouviu, pelo contrário, ficou quase dez anos com aquela vadia!

— Já chega, Cora! Nada do que você disser me fará desistir de Emma!

— Eu sei disso…mas depois não diga que não avisei! — dito isso, ela se retirou.

Após a saída de Cora, Regina se perdeu em pensamentos refletindo sobre os fatos ocorridos há algum tempo. De fato, sua mãe lhe havia alertado sobre o caráter de Kathryn, mas o amor que sentia por ela cegara seus olhos completamente, e se não a tivesse flagrado na cama com o motorista da família, talvez até hoje estivesse casada com ela.

— Emma não é assim…ela me ama de verdade assim como eu a amo! — disse ela, consigo mesma.

As batidas à porta lhe interromperam os pensamentos. Era sua secretária informando que a reunião começaria em cinco minutos. Felizmente, os assuntos tratados naquela agregação afastaram as dúvidas e questionamentos de sua cabeça.

— Isabela, estou saindo para almoçar. Qualquer assunto importante pode me chamar no celular.

— Sim senhora.

…

Depois de deixar o carro no estacionamento da escola, Regina se dirigiu apressadamente à sala de Zelena. Faltava poucos minutos para o encerramento da última aula e antes de sair para almoçar com Emma e Henry, ela precisava falar com sua irmã.

— Zelena, eu preciso resolver uns assuntos que ficaram pendentes na minha fazenda e gostaria de saber se você poderia ficar com Henry.

— Mas é claro que eu posso, Regina.

— Obrigada…serão no máximo dois dias.

— Pode ser uma semana ou um mês! Vou adorar ficar com ele.

— Vou almoçar com Henry e Emma…porque não vem com a gente?

— Eu vou aceitar o convite porque estou faminta!

— Então vamos, eles já devem estar no pátio esperando.

Caminhando ao lado de Zelena em direção ao pátio, Regina não escondeu seu desagrado ao presenciar o entusiasmo com que Emma conversava com um outro professor. Embora se esforçasse para controlar seus ciúmes, algo dentro dela parecia induzi-la a jogar fora o seu autocontrole.

— Ei…vai com calma — disse Zelena, ao notar os passos pesados e apressados.

— Eu estou calma, Zelena — disse ela, soltando o ar que prendia sem ao menos se dar conta.

— Mãe, vamos almoçar fora? — Henry perguntou, aproximando-se ao lado de Emma.

— Sim, meu amor…vamos.

O almoço “em família” transcorreu de forma tranquila. Henry foi informado que passaria aproximadamente dois dias com Zelena, enquanto Emma, lamentava o fato de não poder acompanhar Regina devido as aulas. Após a refeição, Henry preferiu ficar na biblioteca da escola, já que Regina precisava voltar para o escritório.

— Às dezessete em ponto venho buscá-los — Regina falou, referindo-se a Henry e Emma.

— Tchau, mãe!

— Tchau, meu amor.

— Até mais tarde, querida — disse Emma, despedindo-se com um beijo no rosto.

— Até mais tarde e se comporte — dito isso, Emma desceu e Regina partiu.

Embora sua vontade fosse passar o restante do dia ao lado de Emma e seu filho, Regina precisava adiantar alguns assuntos em seu escritório, já que no dia seguinte teria que ir à fazenda. Essa noite, passaria mais uma vez nos braços da mulher que amava e esse pensamento lhe arrancou um sorriso discreto. Todavia, esse mesmo sorriso desapareceu quando ela abriu a porta de sua sala e encontrou Ruby à sua espera.