Inexatidão Terminológica | HyunChanSe
1 Como tudo começou
Notas iniciais
Pertencer à pequena — talvez nem tanto — porcentagem de pessoas que tiveram suas vidas colocadas de cabeça para baixo por culpa de fofocas feitas por jovens, não ironicamente, desocupados definitivamente não estava nos meus planos.
Eu devia ter os meus dezenove anos quando consegui, finalmente, ser aprovada no vestibular de uma grande faculdade. Apesar do início conturbado — como costuma ser —, o primeiro período não foi de todo ruim, conheci uma amiga, encontrei rapazes bonitos e já havia escolhido um professor preferido. Surpreendentemente, essas três situações citadas acima foram a causa de toda a confusão.
Bem, talvez eu só não estivesse preparada para o fato de que as coisas poderiam sair — totalmente — do meu controle.
— Eu só estou dizendo que seria legal que fosse acampar com minha família no sábado a noite. — Minah estava insistindo na ideia havia uns bons minutos, leia-se: durante todo o trajeto do corredor.
Não era a primeira vez que ela me convidava para acampar com seus pais. Da última — e única — vez que aceitei, foi um tanto constrangedor ter que encarar os pais de minha recém amizade — e ela — completamente nus à frente de uma fogueira enquanto tocavam violão e assavam marshmallows. Não que eu seja contra o naturismo, mas definitivamente não é algo que eu esteja acostumada a lidar.
E para fugir daquela vez, eu simplesmente inventei que tinha um encontro com um cara bonito. Eu, que mal me aproximava de nossos colegas do sexo oposto. Não sei como ela caiu nessa.
— Você está dizendo isso só pra não ficar aturando os seus pais sozinha. — a respondi. — E eu não quero desmarcar o encontro que eu já havia me comprometido em ir.
— Tá, que seja, Hyunjin, eu admito. Mas sair com um cara é realmente mais importante que ir na casa da sua amiga?
Confesso, precisei respirar profundamente para não cortar sua fala de forma grossa. Há um limite para teimosia, não é mesmo? Devia haver.
— Boa noite, garotas. — salva pelo gongo.
Ergui o rosto buscando a voz que nos cumprimentou e vi um de nossos professores caminhar em direção contrária a nossa pelo corredor. Logo vi uma oportunidade de desviar daquela insistência maluca.
— Professor Bang! — o chamei, indo em passos rápidos em sua direção e sendo acompanhada por Minah.
— Oh, sim? — ele parou de andar e virou em minha direção, abrindo seu sorriso simpático e acolhedor.
Bang era o tipo de professor carismático e compreensível que todo universitário sonharia em ter. Com sua típica imagem de educador rico, ele estava com suas roupas sociais, os clássicos acessórios dourados e o crachá da instituição no pescoço, segurava uma xícara de café com as duas mãos e, logo abaixo do braço, sustentava algumas pastas.
— É sobre o projeto de pesquisa. Eu preciso de algumas indicações de artigos ou de bases de dados pra fazer a justificativa, não ando encontrando muita coisa sobre o meu tema. — explico com calma, notando pelo canto do olho que Minah encontrava-se inquieta ao meu lado.
— Claro, acredito que eu tenha alguns guardados, posso enviá-los para você por e-mail. — concordou sem hesitar. Eu adorava o fato de ele ser sempre prestativo e cuidadoso com seus alunos.
— Tudo bem, obrigada. — agradeci com um sorriso.
— Por nada. E você, Minah, como vai a produção? — perguntou ele e virei para minha amiga, a vendo mudar de expressão rapidamente.
— Hein? — ela mostrou-se surpresa pela pergunta que, claramente, não estava esperando. — Tá… tá indo. — sorriu amarelo e eu ergui uma sobrancelha para seu jeito.
Talvez eu devesse ensiná-la a mentir melhor, pensei comigo.
— Claro. — o professor Bang soltou uma risada leve e curta. — Bem, irei para a sala dos professores agora. Se precisarem de mim, podem ir até lá.
— Tudo bem. — concordei em mesmo tom.
O vi inclinar a cabeça como despedida e acenei brevemente com a mão, logo voltando a dar a minha atenção a Minah.
— Nós não terminamos nossa conversa. — ela disse.
Eu suspirei pesado e voltei a caminhar em direção a próxima sala de aula em que ficaríamos.
— Já entendi que você não vai pra minha casa, tá?! Saiba que eu te odeio por isso. — resmungou ao perceber meu jeito. — Quem é esse cara tão importante com quem você vai sair?
— Um cara, Minah, você não o conhece. — inventei.
— Está falando besteira, com certeza eu devo conhecer. É o Subin? — ela pareceu empolgada com a ideia.
— Quê?! — a encarei por breves segundos. — Não. — franzi o rosto.
— Então quem? Me diz só o nome! — ela segurou meu braço e nos fez parar novamente no meio do corredor.
Suspirei novamente. Ela estava me encarando tão fixamente que a pressão fez todos os nomes masculinos existentes simplesmente sumirem da minha cabeça. Apenas um a quem mencionei recentemente ainda estava na memória.
— Chan. — respondi um pouco rápido, sentindo o arrependimento bater logo em seguida.
— Chan? — ela parou para pensar um pouco e uma expressão de choque e surpresa tomaram sua face. — O professor Bang?! — sussurrou.
— Eh?! Tá maluca, Minah?! É claro que não! — exclamei a encarando, mas não adiantou muito.
Na verdade, não adiantou nada. Nada mesmo.
— Então é por isso que vocês sempre ficam de sorrisinhos! — uma luz pareceu acender sobre sua cabeça. — É POR ISSO QUE VOCÊS TROCAM E-MAILS!
Arregalei os olhos ao ouvir seu grito e me apressei em tapar sua boca com minha mão.
— Fala baixo! Você enlouqueceu?! E isso não tem nada a ver. Não é o professor Bang, e eu não fico “de sorrisinhos”, ele é uma pessoa naturalmente simpática e eu também. — resmunguei em tom de bronca, mas ela não pareceu ouvir uma palavra.
— Espera… — Minah segurou minha mão, a afastando de seu rosto, e esperei para ouvir o que falaria. — Mas o professor Bang não é casado? Hyunjin, sua safada! Está sendo amante e não me contou antes?
— Minah! Pelo amor de Deus! Eu não vou sair com o professor Bang. Estou falando de outro Chan! — resmunguei novamente, estava sentindo minha paciência diminuir a cada palavra sua.
— Uhum, sei. — sorriu travesso, cruzando seus braços a frente do peito. — Admita, Hyunjin. Você não pode esconder algo assim da sua melhor amiga.
A encarei por longos segundos e suspirei mais uma vez. Ela definitivamente não desistiria daquela teoria.
— Tá. — resmunguei. — É o professor Bang. — murmurei com uma ponta de raiva na voz.
— Eu sabia! — ela voltou a ficar empolgada. — Eu quero todos os detalhe
s na segunda!
E foi assim que tudo começou.
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