Inevitável

1 Capítulo 1 - Comemorações à parte


Notas iniciais
Antes e começar, há duas músicas nesse capítulo. Se vocês querem realmente sentir como é a cena, seguem os links: *Secret - Maroon 5 (http://www.youtube.com/watch?v=eEw1QqxNWAU) **Zero - Audioslave (http://www.youtube.com/watch?v=kDt73Ml3Cq4)

Mamoru estava entusiasmado no centro de Tókio, os olhos brilhando a visão do prédio muito alto, de arquitetura bastante moderna, todo trabalhado em vidro espelhado. Naquele prédio funcionaria a nova sede da Earth, os sete andares superiores apenas para a instalação das partes mais importantes da empresa de inteligência e tecnologia e seus funcionários. O dono, Mamoru Chiba, sorria para os quatro amigos — e sócios — naquele momento, em uma clara sensação de vitória.

Tudo havia começado na faculdade de mecatrônica. Mamoru conhecera, primeiro, Saitou Kunzite. Um rapaz sério, introvertido, mas altamente competente e organizado. Depois vieram juntos, Noel Nephrite e Jason Jadeite. Ambos bem humorados, com jeito para com as pessoas e ousados. Por fim, conheceram o mais novo, Zachary Zoisite, o rapaz era anos mais novo que os outros quatro, mas era claramente um gênio, afinal, compreendia códigos e estruturas que ninguém mais poderia. Foi, então, que surgiu a Earth: Nos fundos da casa de Mamoru, em uma salinha minúscula e empoeirada e desde então, o crescimento não parou. Lá estavam eles, no centro de Tóquio passando pelas portas rotatórias sentindo a excitação do presidente, subindo infindáveis andares pelos elevadores, até o último andar.

A grande sala de Mamoru ficava ali no topo, logo após um corredor, uma sala maior — a qual disse que seria apenas para reuniões importantíssimas – atrás de uma porta de vidro escuro. O lugar era um show a parte, tinha uma bela vista dos labirintos prediais da cidade, uma mesa de vidro elegante com a placa com seu nome e a palavra "presidente" escritos em prateado na frente e uma cadeira giratória que poderiam jurar que caberiam mais cincou seis dele, fora todos os luxos como um pequeno campo de golfe e o grande computador, o que era bem a cara do exagerado dono da empresa.

– Então, o que acharam? – Mamoru sorriu.

– Exagerado e... Digno! – Zach levantou um dedão positivo.

– Melhor que aquela sala branca do início. – Nephrite aproximou da parede de vidro, olhando a cidade que dava os primeiros sinais da vinda da noite com os poucos pontos de luz acendendo ao longe. – Veja isso!

– Bem espaçoso, muito bom, "chefinho". – Jason caçoou.

– Não vai falar nada, Saitou? – Mamoru olhou o vice-presidente da empresa manter um olhar sério.

– Veja bem, Mamoru – ele passou as mãos pelos cabelos prateados. – temos coisas mais importantes para nos preocupar. A empresa vai abrir e tem o treinamento, os funcionários, ordens de serviço, aquela transferência de dados...

– Olhe só, alguém está tenso... – Zachary brincou colocando as mãos nos ombros e fazendo uma auto-massagem.

– Por Deus, Saitou! Deve ser por isso que você tem tantos cabelos brancos! – Noel olhava divertido.

– Ora rapazes, não sejamos duros, afinal não teriamos chegado aqui sem essa preocupação... monstruosa. Por isso ele é meu vice-presidente! – Mamoru brincou. – Acho mesmo que antes da empresa abrir, de fato, precisamos relaxar. Alguns mais do que outros.

– Eu não preciso relaxar, estou ótimo! – Kunzite mantinha-se sério apesar das brincadeiras.

– Sim, você precisa, todos nós precisamos. Preparei uma noite para comemorar a abertura da Earth, senhores! — Mamoru deixou um brilho malicioso passar pelos olhos azuis.

– Sem chances... – O prateado já se virava para o elevador.

– Por favor! – Nephrite jogou um dos braços sobre os ombros do o mal-humorado amigo. – Não seja um baita desmancha prazeres!

De fato a noite seria bem especial. Pararam sobre um letreiro luminoso cor-de-rosa, com letras bem reboladas contornando a palavra “Olimpo”. O local era fechado por uma imensa porta de ferro onde dois homens, diga-se de passagem bem grandes, guardavam a entrada. Os cinco desceram do carro mostrando os documentos aos homens da entrada, recebendo um sinal positivo para abrir a porta.

Diferente do local simples do lado de fora, dentro era completamente gigantesco e iluminado. Havia um bar, onde belas mulheres faziam malabarismo com garrafas, além disso, várias mesas por onde outras moças passeavam com bandejas de bebidas e petiscos variados, além disso, um palco imenso estava no centro de tudo isso. No palco, seis meninas, praticamente nuas, faziam uma dança juntas e deixavam-se iluminar pelo vermelho das luzes vindas do alto e levar-se pelo ritmo da música, o que tornava tudo extremamente sexy e, ao mesmo tempo, um pouco desconfortável.

– Por minha conta! – Mamoru sorriu aos companheiros.

Sentaram-se bem próximos ao palco observando a dança, em seguida, cada um pegou uma taça de uma bandeja que uma moça passava enquanto exibia o decote.

– Usagi sonha que você está aqui? – Noel sorriu safado.

– Usagi está ocupada demais com a nova decoração da casa! E olhem... Eu sou homem e posso viver de vez em quando!

– Esse lugar é ótimo! – Zach olhou para os lados simulando uma expressão de prazer. – Como descobriu?

– Tenho meus contatos! – Levantou a taça em brinde. – A nova Earth!

Todos brindaram, exceto Saitou que ainda mantinha a cara amarrada e a taça de martinni cheia.

– Saitou Kunzite, qual é o seu problema? O que você tem contra diversão? – Jason apontou para uma das moças que dançava no palco. – Olhe um pouco homem!

– Não vejo nada de especial, nada mesmo em nenhuma delas. – O prateado bebericou o martinni. — Além disso, Rei ficaria furiosa em vê-lo aqui.

– A Rei nunca vai saber que eu estive aqui. — Jason revirou os olhos, levantou a taça e bebeu tudo de uma vez.

Mamoru viu o olhar de reprovação lançado pelo o outro, era sempre divertido brincar com Kunzite, pois aquele cara era sempre tão sério que tirá-lo desse estado era quase terapêutico. O moreno chamou uma das garçonetes – uma belíssima ruiva — e sussurrou algo em seu ouvido, ela riu divertida e acenou com a cabeça em afirmação enquanto ouvia.

– Garanto que será a nossa melhor. – A ruiva saiu dando uma leve piscada para a mesa.

– O que sua mente mirabolante está planejando? – Noel reconhecia aquela expressão divertida estampada na cara do presidente da Earth.

– Eu mesmo queria ver, mas será um pouco... Privado. — Balbuciou para o amigo.

A ruiva voltou à mesa, trazia um papel cor-de-rosa nas mãos e lançou um breve sorriso ao moreno — que levantou a taça de champagne dando um sinal positivo a ela — que se aproximou-se do rabugento, onde os olhos cinzentos ainda mantinham a expressão tediosa e de uma profunda vontade de sair correndo dali.

– Com licença, senhor, poderia me acompanhar? – Ela tocou seu ombro.

– Acompanhar? – Ele lançou um olhar cortante para Mamoru, era coisa dele.

– Senhor, temos um tempo... – A moça insistiu de forma doce.

– Tudo bem... – Ele levantou seguindo a moça e passando ao lado do chefe. – Você me paga!– Disse entre os dentes.

– Você vai me agradecer! — O moreno riu, acenando como se fosse realmente uma despedida.

Saitou foi guiado até uma grande cortina vermelha que a moça abriu para que ele entrasse. O local era uma sala pequena, mas nada simples. Havia uma mesinha de vidro entre um imenso sofá vermelho – onde ele imaginou que deveria se sentar — e um palco menor com uma grande barra de ferro ao centro. Ele poderia sair correndo dali e ir pra casa, mas como era racional o suficiente pra saber que havia uma garota se preparando para entrar ali e ganhar seu "trocado" da noite — um trocado bem generoso, afinal, era Mamoru quem estava pagando – decidiu ficar e ver terminar.

Demorou cerca de 10 minutos para que tudo ficasse pronto, uma moça entrou por um breve momento para deixar um novo martinni em sua mesa e sair depressa antes que o show particular começasse. As luzes da sala foram completamente apagadas e o pequeno palco foi iluminado apenas com uma meia-luz azul, a música Secret* começou a tocar e ela saiu do chão. Estava de costas para ele, embalada pelo ritmo leve da música, a pele branca refletia o azul da luz, o cabelo loiro permanecia preso ao topo da cabeça, o que acentuava o movimento dos ombros enquanto ela abraçava a barra de ferro com as mãos enluvadas para trás. Virou-se de uma vez rodando pela barra até parar no chão, mirou, então, seu espectador. Saitou ficara fascinado com a cor dos olhos dela, não sabia se aquele azul era mesmo daquele brilho estonteante ou se estava acentuado pela maquiagem pesada e máscara vermelha. Via a moça descer e subir a barra de ferro e a cada rodopio se livrar de alguma parte da roupa que vestia. Ao fim da canção deixou apenas a máscara, os sapatos de salto, uma pequena lingerie e o corset que lhe acentuava, e muito, a curva dos seios. Uma nova música começava: Zero** – um raro sorriso estampou o rosto dele, gostava de Audioslave. – Ela soltou os cabelos, a começou a dançar só, e chegar perto, perto o suficiente para sentar em seu colo, ele sentiu o perfume dela invadir suas narinas e ouviu a voz macia e rouca sussurrar em seu ouvido:

– Lembre-se, senhor: você não deve me tocar, nunca.

Ele arrepiou. Ela era realmente sexy e talvez por isso fosse reservada apenas para shows particulares como aquele. Ele teria de manter as mãos abaixadas e deixá-la fazer o que bem quisesse e ele ainda teria de se controlar, pois, sabia que ela só estava fazendo o que era seu trabalho. Ela passou as mãos pelo seu peito e abriu-lhe a camisa, massageou-o ali sentindo os músculos do peitoral e da barriga – esses que eram incríveis, ela estava tão acostumada aos velhos barrigudos que ela tinha de enfrentar todos os dias — e subiu as mãos para sua nuca acariciando-lhe os cabelos e os puxando de leve, aproximou-se encostando seu nariz com o dele, soprou seu ouvido, tudo aquilo o deixava alucinado.

– Posso apenas lhe fazer uma pergunta? – A respiração do prateado estava descompassada.

– Não proibimos ninguém de falar, senhor. – Ela tocou os lábios dele com a ponta dos dedos.

– Você... – Ele hesitou, afinal, aquilo não era real.

– Eu... – Ela o encarou com fervor.

– Tem um nome? – Ele engoliu seco, estava louco, na verdade estava sendo idiota.

– Nome? – Ela debochou e aproximou os lábios do ouvido dele. – Aqui me chamam de Afrodite.

Ela levantou e voltou sensualmente para seu palco, ficou de costas para ele e o olhou por cima dos ombros, acenou mostrando-lhe o sorriso mais sensual que foi capaz e as luzes se apagaram enquanto a música cessava.

A luz normal voltou ao local. A garota não estava mais lá, mas os efeitos que ela havia causado nele estavam bem visíveis. Ele avançou sobre o copo de martinni intocado na mesa e o bebeu vorazmente, mastigando até mesmo a azeitona de enfeite. Esperou que seu coração parasse de bater daquela forma e que o fluxo de sangue se acalmasse em suas veias. Levantou e voltou para mesa onde se encontravam os sócios, foi recebido com um grande sorriso debochado de todos.

– Pelo jeito nosso presentinho não surtiu tanto efeito, veja só essa cara emburrada. – Jason deu um tapinha no ombro do colega.

– Conte-nos como ela era, campeão! – Noel brincou ao fazer o interessado.

– Eu estou indo. – Kunzite ignorou.

– Cara, você é assexuado? — Jason balançou a cabeça. — Olha, se você for gay, a gente te aceita!

– Boa noite! — Deu um dos raros sorrisos por cima dos ombros.

– Foi tão ruim assim? – Mamoru se levantou e seguiu o amigo. – Não pagarei por um serviço péssimo desse, eu...

– Mamoru! – O platinado virou-se para ele rapidamente. – Veja bem, o serviço não foi ruim, a garota era linda, dançava excepcionalmente bem, mas eu não estava com vontade de vir desde o início. Pelos céus, estou cansado e quero ir para a minha cama deitar com dignidade.

– Certo, certo... Mocinha! – Mamoru balançou a cabeça em negativo, com um visível sorriso.

– A propósito, Mamoru: já paguei a moça. – Kunzite balançou o cartão de crédito para o amigo e tomou o rumo da saída.

Saitou chamou um táxi, e foi levado rapidamente para o prédio onde vivia só em seu apartamento. Subiu as escadas e parou e frente para a porta girando a chave. Podia jurar que quando entrou em casa ouvira um coro de anjos e cornetas: enfim casa!

Entrou rápido no banheiro, estava preparado para um banho quente e relaxante, deixou a água quente lavar-lhe o corpo, fechou os olhos e a imagem daquela loira dançando invadiu-lhe a mente. Sentiu uma leve corrente de excitação ao lembrar-se de como ela dissera em seu ouvido “Afrodite”. Precisou descarregar toda aquela tensão no chuveiro, lembrando-se de cada movimento e do calor do corpo daquela mulher contra o seu.

Saiu do banho e jogou-se na cama, tentou fechar os olhos, mas pareceu completamente impossível esquecer aqueles olhos azuis o devorando por debaixo daquela máscara. Talvez pudesse esbarrar com ela na rua e ao menos saber quem ela era. Sua parte racional sabia que era encenação, que aquilo era o trabalho dela, que não era real. Talvez ele estivesse tempo demais sem sair com alguma mulher, só pensava no trabalho e não era flexível o bastante como Mamoru para equilibrar os dois. Era loucura estar guiado por instintos masculinos, mas ele decidiu que voltaria e voltaria no dia seguinte. Entendeu a causa de o lugar chamar-se “Olimpo”, precisava ver os olhos da mulher que se intitulava como deusa grega de novo.

Notas finais
Uma ideia maluca que tive um dia desses enquanto coloria esse desenho que está na capa. Sim, eu fiz a coloração do desenho e ele me pertence pela metade, a outra metade é da artista Tsuki Kioku. ;D Espero que gostem, pq to amando escrever isso! :X Se não ouviram as músicas durante o capítulo, ouçam agora. São extremamente sexys.