Inesperado
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Pois bem, eu precisava tirar essa ideia da minha cabeça... então mais uma história Jibbs, com dicas de TIva para vocês!!
Avisinhos para vocês se situarem:
Linha temporal: 2020.
Jenny ainda é a diretora do NCIS, tendo declinado o pedido para se tornar Secretária da Marinha.
Ziva, Tony, McGee, Bishop e Torres formam a equipe de Gibbs. Abby é a cientista forense, Palmer o Médico Legista e Ducky o historiador do NCIS.
Jenny e Gibbs estão casados desde 2000 e têm dois filhos, Jasper, com 20 anos e Alex com 16.
— Mas o que está acontecendo lá em cima? Eu achei que eles tinham parado de brigar há tempos! – Tony reclamou.
— Cuidado com a cabeça, sabe-se lá como, mas o Chefe sempre escuta as suas lamúrias Tony. – McGee emendou.
O problema era que os dois estavam certos. Tinha muito tempo que Gibbs e a Diretora não brigavam assim, melhor dizendo, praticamente doze anos, desde o final da caçada ao La Greounille. Por isso era tão estranho que nas últimas semanas os dois estivessem um no pescoço do outro.
— Então eram assim as famosas brigas? – Torres perguntou com um sorriso.
— Eram um pouco piores, já que naquela época Jasper e Alex eram menores e tudo terminava com os pais tentando acalmar os filhos. – Respondi.
— Falando nos dois, olha quem chegou. – Ellie apontou para os irmãos que saiam do elevador já com cara de espantados.
— Sim, é verdade. – Tony confirmou o olhar do mais velho.
— Eles estão assim já tem umas duas semanas. O velho se trancou no porão e a mãe não quer nem ouvir o nome dele. Para quem já está casado a tanto tempo, está até engraçado os dois se evitando pela casa. – Alex sorriu.
Jasper só olhou do irmão para o quarto andar. Como agora ele tinha se mudado para Nova York, por conta da universidade, ele andou perdendo alguns dos momentos nada amistosos dos pais.
— Eu já vi isso. – A cópia perfeita de Gibbs comentou.
— É mesmo, Jazz, e quando foi? – Alex perturbou o irmão.
— Antes de você nascer.
— E como você pode se lembrar, só tinha quatro anos! – O Gibbs de olhos verdes alfinetou.
— Porque eram brigas exatamente como essa que está acontecendo agora. E sempre terminava com o papai no porão e a mamãe trancada no quarto comigo.
Todos nós olhamos para a porta da direção, a pobre Cynthia já tinha fugido há um tempo, disse que se a Diretora precisasse dela, era só ligar que ela voltava, mas que nem por decreto ficaria escutando os dois brigando.
Algo bateu na porta com um estrondo.
— Devemos chamar o Palmer com um saco preto? – Torres perguntou já pegando o telefone.
Os meninos se olharam assustados, e tudo ficou pior quando a porta foi aberta de supetão e ouvimos Gibbs dizer:
— Jen, espera, não é tão ruim assim!
— Não é ruim, Gibbs? – Ela respondeu no tom mais alto que eu já havia escutado ela usar.
— A coisa tá feia, ela chamou o Chefe de Gibbs! – Tony murmurou do meu lado.
— Jenny, calma. Nós vamos resolver isso. – Gibbs, já perto do corrimão da escada, tentou mais uma vez, mas tudo o que nós pudemos ver foi um sapato de salto voando pela porta e acertando em cheio a cabeça dele.
— Não tem como resolver isso, Jethro! Essa situação não é um problema, é uma consequência! – Jenny bradou vindo da sala dela, pés descalços e o outro sapato balançando ameaçadoramente na mão direita dela.
— Abaixa que lá vem tiro! – Alex comentou já se escondendo atrás da divisória.
Foi o tempo exato de todos nós nos abaixarmos e o outro Louboutin que a Diretora usava acertar em cheio a mesa de Gibbs, vindo a cravar em uma das telas que lá estava.
— Céus! Isso que é mira! – Alex disse, levantando a cabeça para ver o estrago.
— Da próxima vez que você se achar o melhor de todos, Gibbs, eu não vou mandar um sapato, mas sim vou te dar um tiro! – Shepard respondeu e logo após fechou a porta do escritório dela com força.
Gibbs com pouco apareceu entre as mesas, passando a mão onde o primeiro sapato tinha acertado e olhando para o outro que estava cravado na tela do computador.
— E lá vamos nós para as mudanças de humor. – Ele murmurou, assim que tirou o sapato da tela e deu uma boa conferida nele. – Sorte a minha que ambos os sapatos ficaram inteiros. – Ele continuou calmamente como se o rompante da esposa fosse a coisa mais comum do mundo.
— Pai. – Jazz o chamou. – O que aconteceu dessa vez?
— Ei garotos! Nada demais. Só mudança de humor da mãe de vocês. – Gibbs respondeu e ele parecia saber de algo que nem Jenny desconfiava.
Jasper não comprou a resposta, já Alex parecia não ligar muito.
— Isso tudo é por que ela entrou na menopausa? – Ele inquiriu.
Gibbs deu uma risada e saiu para os elevadores.
— Acho que é um pouco mais complicado do que isso, mas o que ela alega, é que menopausa é a razão.
— E o senhor vai deixá-la trancada no escritório dela, sem fazer nada? – Jasper perguntou.
Gibbs apontou para a mesa dele.
— Pegue os sapatos e entregue a ela, Jazz. Em vocês dois ela não vai arremessá-los. – Disse antes das portas se fecharem.
Alex e Jazz se olharam.
— Você vai. – Alex clamou primeiro.
— Nem pensar. Você vai. Você é o caçula. E os caçulas nunca se ferram. – Jasper jogou os sapatos na direção do irmão.
— Algum problema com vocês dois, garotos? – A voz de Jenny soou alta do quarto andar e os meninos praticamente congelaram.
— Não, mãe. Nós só íamos...
— Eu sei, trazer os meus sapatos. – Ela respondeu com um sorriso caloroso e os dois irmãos não entenderam nada, apenas pegaram o par e subiram de encontro à mãe que os esperava com os braços abertos.
— Mas que merda foi essa? – Torres perguntou mais assustado do que os filhos da Diretora.
Todos demos de ombros.
— Ela tá ficando louca? – Tony sussurrou olhando por sobre o ombro para ter certeza de que ninguém da família Shepard-Gibbs estava nos ouvindo.
— Eu juro que não sei, Tony. Não mesmo. Isso foi a coisa mais estranha que já aconteceu por aqui. – Respondi.
— É Ziva. E nós dois achando que nada mais poderia nos surpreender. – Ele respondeu de volta com um sorriso.
Mas vindo dessa agência, eu duvidava que algo ainda era incapaz de me surpreender.
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Eu até admito que passei um pouquinho do ponto. Mas Jethro precisava se encrencar com a impressa de novo? E precisava ser justo com aquela loira aguada da repórter da ZNN?
Claro que sim, porque ele é incapaz de facilitar o meu trabalho!
E quando eu mencionei isso a ele, ele teve a cara de pau de me perguntar se eu estava de TPM! Como eu poderia estar de TPM se eu estou entrando na menopausa?! Ele, por acaso, faltou em alguma aula de biologia no ensino médio? Ou ele só foi naquelas que eram interessantes para ele?
Bastardo!
Porém foi ele mencionar isso, e o fato de que ele estava rescendendo a café, e café ultimamente estava me dando enjoo, eu explodi de vez. E sim, o prensei contra a porta do meu escritório com força.
Jethro não parou de falar, mas algo no olhar dele me deixou ainda mais furiosa, ele parecia saber de algo que eu não sabia, e, assim que abri a porta para que ele saísse, ele me deu uma olhada como se tudo o tudo o que estivesse acontecendo era a coisa mais normal do mundo. Eu não aguentei. Ele deu alguma desculpa esfarrapada que eu sei que respondi, porém não me atinei nos detalhes, só sei que ao final, acabei por arremessar o meu sapato na cabeça dele. Aquela coisa estava apertando o meu pé desde manhã, e foi uma boa maneira de me desestressar. E como ele continuou com aquele sorriso de lado que significava que ele estava certo e eu errada, eu tive ir atrás dele com o outro pé do sapato na mão.
Quando foi que ele aprendeu a falar muito?! Era uma espécie de armação contra a minha já escassa paciência? Não teve jeito, o outro sapato voou antes mesmo que eu pensasse sobre isso.
E lá vou eu ter que comprar outro monitor para o computador da mesa dele... ou não, ele não gosta daquilo mesmo... um a menos não vai fazer falta para ele.
Depois de um tempo, fui conferir quando é que ele se dignaria a trazer os meus sapatos de volta, — sim, eu os joguei, nada mais justo que ele os traga de volta e com um pedido de desculpas, que hoje bem que poderia ser uma torta de morango com chantilly -, reparei que meus dois bebês – não que os chame desse jeito alto, eles me matariam. – Estavam lá embaixo, com uma feição estranha e disputando algo.
Assim que me viram, resolveram que era melhor subirem.
E como eu queria que Jethro estivesse aqui! Será que era tão difícil ser carinhoso, civilizado e cavalheiro como os filhos eram?
E agora os dois estão em meu escritório, e se eu os conheço bem, e eu conheço meus dois filhos, eles querem saber o motivo da briga, mas só de pensarem em perguntar sobre menopausa comigo, as orelhas deles começam a ficar vermelhas.
Sim, meus filhos não conversam sobre esse tipo de assunto comigo, mas conversam com o pai. Típico dos homens.
— O pai de vocês vai sobreviver a mais uma noite no porão, podem ter certeza. – Garanti.
— O que ele fez dessa vez? – Jazz quis saber.
— O de sempre, Jazz, irritou a imprensa, foi extremamente grosseiro com uma repórter, expulsou os curiosos na base do grito e tudo isso foi parar na TV. E, logicamente, veio parar no meu colo quando o meu chefe demandou explicações.
— E por isso a senhora mandou um par de sapatos nele? – Alex que estava parado atrás de mim, observando o porto, perguntou.
— Por isso e por outras coisas que eu sei muito bem que vocês dois não vão querer saber...
Jazz meneou a cabeça, não vi a reação de Alex, mas ele se afastou de mim um pouco.
— Bem, mãe. Isso aí ainda vai demorar? – Jazz quebrou o silêncio depois de um tempo. — Eu tô com fome e tenho certeza de que o Lex também está. Podemos comprar qualquer coisa no caminho de volta para casa.
Ponderei por um momento. Eu estava realmente cansada. Praticamente esgotada. Era hora de dar o dia como encerrado.
— Tudo bem. Eu pago. – Respondi me levantando. Uma rápida tonteira me atingiu e tive que me segurar na mesa.
— Tudo bem, mãe? – Alex que estava mais perto, veio me ajudar.
— Sim. Esse foi só um péssimo lembrete de que não almocei hoje. – Afirmei e vi que meus dois filhos me olhavam desconfiados. – Eu estou bem.
— Se a senhora está dizendo. – Eles responderam juntos e deram de ombros. Uma mania que tinham herdado do pai e isso me deixou furiosa. Pensar em Jethro estava me deixando furiosa.
Acabei de juntar as minhas coisas, e comecei a calçar os sapatos, aquelas coisas resolveram encolher, só pode, porque só de colocar o pé neles, meus dedos já estavam apertados. Assim que consegui calçar os sapatos, sem soltar um palavrão, seguimos para as escadas, a equipe já tinha ido, restando somente Gibbs na sala. É claro que ele não iria embora quando as duas cópias dele estavam no meu escritório.
— Aê velho! – Alex começou. – A mãe concordou em comprar o jantar hoje. Vamos de que?
Jethro estava com seu inseparável copo de café nas mãos e, de longe, aquele cheiro revirou o meu estômago e eu me lembrei do motivo de não ter almoçado.
— Do que ela quiser. – Foi a resposta diplomática dele. E isso foi estranho. Ou talvez eu tenha consertado o cérebro danificado do meu marido quando acertei o sapato nele.
— Mãe? – Alex se virou para mim.
Pensei, todo o aquele cheiro de café não tinha me feito bem, meu apetite tinha pulado pela janela à medida que eu descia as escadas.
— Podem escolher, qualquer coisa está bom. – Garanti a ele.
— Ótimo! Vamos de indiana, então. – Meu caçula passou pelo irmão mais velho e roubou a chave do carro da mão dele. – E eu dirijo, Jazz.
— O carro é meu. – Jazz protestou.
— Para quem quer ser um fuzileiro, você está meio lento. – Alex provocou.
— Parem com isso. – Jethro colocou ordem. – Jasper dirige, afinal o carro é dele, e você, Alex, esqueceu que está com a carteira confiscada desde a última festa?
Alex arremessou as chaves para o irmão e encarou o pai. Jethro que se virasse com a cara emburrada.
— E vocês dois vão na frente e comprem o jantar. – Gibbs finalizou.
— A mãe falou que pagava. – Alex não iria desistir.
Tirei meu cartão e entreguei para ele.
— Você sabe a senha. – Alertei.
— Algo de especial? – Jazz me perguntou já de dentro do elevador.
Pensei na vontade que estava de comer bolo.
— Pode me trazer uma torta de morango com chantilly. – Afirmei. Jethro levantou uma sobrancelha na minha direção.
Saímos do prédio e os meninos apressaram o passo até o carro de Jasper que estava estacionado fora do Estaleiro. Andei ao lado de Jethro até o nosso carro. E, antes de dar a partida, ele tornou a me encarar.
— Nem comece com o “vamos conversar sobre a briga de hoje”. – Cortei de uma vez. Ainda não estava com um humor muito bom perto dele.
— Não é isso, Jen. Só quero saber o motivo de você estar ficando pálida cada vez que eu chego perto de você.
— Não é você, é o cheiro de café. – Falei e me virei para encará-lo. O problema era que ele não estava com nenhum café na mão e mesmo assim eu fiquei enjoada.
E algo clicou na minha mente.
Não... não podia ser... não depois de dezesseis anos.
Mas tinha toda a cara de ser.
— Não... – Eu falei. E devia estar com uma feição muito estranha, se o olhar de Jethro para mim significava algo.
— Jen... o que foi? – Ele me segurou pelos ombros.
Eu não poderia falar nada para ele agora. Eu precisava de uma confirmação, antes de soltar a bomba.
Mas lá dentro, bem no fundo, eu sabia.
E eu estava perdida.
— Não é nada, Jethro. – Garanti a ele. – Só me lembrei de um relatório que acabei por deixar na minha mesa. Vou ter que chegar mais cedo amanhã. – Preparei a minha mentira o mais rápido que consegui, sem olhar para ele.
— Não quer voltar? Ou que que eu pegue para você? – Ele se ofereceu. Realmente a sapatada deu algum resultado visível.
— Não. É só uma assinatura. Não vai me matar chegar meia hora mais cedo para poder enviar o relatório para o SecNav.
E o restante da noite foi um borrão, me lembro dos meninos comentando algo sobre as férias de primavera. Alex já estava fazendo planos para quais universidades ele se inscreveria no próximo outono, e Jazz planejava uma pós antes de ingressar nos Fuzileiros.
Por mais que os meninos tivessem comprado o que eu mais gostava – muito provavelmente atendendo algum pedido do pai que eu não notei –, além da torta que eu havia pedido, eu não consegui me concentrar no jantar, na verdade, eu mal toquei na comida. Com a desculpa de que estava cansada – não era uma mentira, mas isso nunca me impediu de curtir os meus filhos – fui me deitar mais cedo.
Já deitada e sem conseguir dormir, estava ponderando os sintomas dos meus rompantes de mau-humor quando Jethro abriu a porta e tentou se esgueirar pelo quarto. Tinha mais de uma semana que ele estava proibido de dormir ali, e eu nem lembro o motivo de tê-lo colocado para fora.
Ou talvez o motivo seja ele. Ele e o seu próprio cheiro. Pois, assim que ele acabou o banho e se deitou do meu lado, outra ânsia me atingiu.
Parecia até brincadeira, que justamente o cheiro que sempre me acalmou nos últimos vinte e um anos, era exatamente o que me repelia. Eu não estava suportando o cheiro do meu marido.
Para conter a ânsia e acalmar o meu estômago nervoso, respirei fundo. E isso atraiu a atenção de Jethro.
— Tem algo que eu possa fazer? – Ele perguntou preocupado.
Como eu poderia falar para ele que o problema era ele?
— Não. Eu vou pegar um copo de água. – Falei e me levantei.
Na cozinha, me escorei no balcão e fiquei pensando. Se as minhas suspeitas se concretizassem, essa casa iria virar uma bagunça. Custamos entrar nos eixos, ter uma rotina onde ninguém dependia de ninguém. E eu só conseguia pensar em todas as partes ruins. O que era errado. Mas o que eu poderia fazer?
— Menopausa um ova! – Falei alto. Minha raiva agora direcionada para a minha médica. – Ela vai ver o que é menopausa. – Comecei a andar de um lado para o outro no primeiro andar. Eu não podia subir mesmo. O cheiro do meu marido me dava ânsia de vômito, a única solução que eu vi foi me jogar no sofá e esperar que o sono viesse.
Nesse meio tempo, enquanto eu contava até mil ou tentava não pensar em nada, minha mão parou no meu ventre.
— Não é que eu não te queira. Na verdade, mesmo sem saber se você é real, eu já te amo. Mas você tinha que mexer com todos os meus hormônios? – Perguntei esfregando a mão na minha barriga.
Não sei o que eu esperava em resposta, mas tenho certeza de que não eram as mãos de Jethro levantando os meus pés e os colocando no colo dele.
— Você também já pensou nisso? – Ele não quis dizer o que era para não nos dar esperanças, porém colocou a sua mão em cima da minha que descansava em meu baixo ventre.
— Sim. Dentro do carro.
— E o que está te enjoando dessa vez? Com Jazz foi o seu perfume, Alex chocolate. E agora?
— Você. – Sussurrei.
Estava escuro, eu não pude ver o seu rosto, mas pude jurar que ele sorria quando me respondeu.
— É por isso que eu fui jogado para o porão, então.
— Sim. E é o motivo de eu estar aqui. Assim que você entrou no quarto eu comecei a enjoar.
— E como nós vamos fazer?
— Eu não sei! O cheiro do meu perfume me enjoou até que Jazz nasceu, Jethro. Se isso for realmente verdade, se você for a principal causa dos meus enjoos, nós vamos ter que dar um jeito.
— Você acha que você está... – Ele não completou a pergunta. – Dizem que as mulheres sempre sabem.
— Eu acho que sim. Mas quero uma prova.
— Mas você não me disse que estava na menopausa? – Ele me perguntou com cuidado, ainda mais depois do rompante da tarde.
— Querendo levar outra sapatada, Agente Gibbs? – Brinquei com ele.
— Testando o terreno, Diretora Shepard.
Eu ri.
— Minha médica me disse que eu estava entrando na menopausa. E a julgar pelos sintomas, eu achei que já estava. Acontece que isso não é ciência exata e parece que o meu próprio corpo armou contra mim. Céus! Jethro! Depois de dezesseis anos! – Levei minha mão até minha testa, como se atestando a minha burrice.
— Já criamos dois, Jen. O terceiro deve ser mais fácil ainda. – Ele me garantiu. – Nós já sabemos o que esperar.
— Me desculpe, eu amo meus filhos. Acho que eles são os rapazes mais bonitos do mundo, mas eu não quero trazer outra cópia exata de você a esse mundo. Não deve ter ruivas suficientes para tantos Gibbs!
— Alex não é minha cópia exata. Ele tem os seus olhos verdes. – Jethro me informou.
— Só puxou os olhos. Porque o restante é totalmente você. Para quem não sabe, até parece que Jazz e Lex são gêmeos. – Disse desolada.
— Você não pareceu se importar em ser a única mulher da casa, quando Lex nasceu.
— Naquela época, me pareceu interessante reinar sobre vocês. Eu era a mamãe, aquela que sempre os protegeria. Agora eu sou somente aquela que nem pode abraçá-los porque é pagação de mico ou qualquer outra coisa parecida.
— Eu não me importo de ganhar abraços! – Jethro me falou.
— Vou me lembrar disso quando eu estiver fedendo a leite azedo, com golfada de bebê no cabelo e sem dormir por semanas, Jethro. Aí eu vou procurar pelo seu abraço. – Dei um chute nele para provar o meu ponto.
Ele gargalhou.
— Lembra quando o Alex vomitou no meu terno? Nós estávamos a minutos de sair para o baile na Casa Branca. Você já estava pronta...
Foi a minha vez de rir.
— Ele mirou exatamente na sua calça e no seu sapato. E nem o Tony escapou naquele dia. – Sorri ao lembrar de cada pedra no caminho que foi criar os dois meninos que dormiam no andar de cima.
— O que nos espera agora?
— Não faço ideia, Jethro. Só sei que eu não quero mais surpresas. Vou fazer um exame de sangue amanhã, já mandei mensagem para Ducky e ele já avisou Abby para realizar o exame. Dando positivo, eu já vou marcar a consulta... e minha médica vai escutar na consulta, ah, isso ela vai. – Eu senti toda a minha fúria borbulhando.
— Respira Jen... você vai ter que tentar se controlar...
Fiz o que ele mandou. Ia ser uma provação e tanto os próximos meses.
Ficamos em silêncio por um tempo, até que algo me atingiu como um raio.
— Jethro. – Eu chamei.
Acho que ele já estava adormecido.
— Diga Jen...
— Eu não sou tão novinha assim... e se algo acontecer... e se... – Uma sensação de pânico me atingiu, acabei por me sentar no sofá e abraçar as minhas pernas.
— Jen... – Ele se levantou e veio se sentar do meu lado, me abraçando apertado. – Nada vai acontecer. Nada. – Ele beijou a minha testa. – Você pensou a mesma coisa em cada uma das duas outras vezes, e olhe o resultado.
Mordi o lábio para conter o enjoo, eu não podia abrir mão desse abraço agora, eu precisava de Jethro do meu lado, por mais que meu estômago se rebelasse contra a presença dele.
— Quer que eu... – ele perguntou ao ver que eu não tinha falado nada.
— Não. – Sussurrei e agarrei a sua blusa.
— O que você acha que vamos ter dessa vez? – Me perguntou, seu queixo apoiado na minha cabeça.
Nas outras duas vezes, escolhemos não saber. Apesar de que nós dois apostamos em meninos. Dessa vez eu precisava saber, contudo, eu tinha um palpite.
— Você primeiro. – Eu falei.
— Uma menina. Espero que ruiva e com um temperamento bem forte, a julgar pelas suas mudanças de humor. E você?
E dessa vez não era diferente, eu concordava com ele.
— Uma menina. E como das outras vezes eu não vou apostar na aparência.
— Será que acertamos de novo? – Ele me abraçou mais forte.
— Eu não sei, mas Jethro... será que você pode se afastar só um pouquinho? – Pedi.
Ele suspirou frustrado.
— Dessa parte eu não estou gostando. – Ele murmurou, seu humor já mais sombrio.
E esse comentário me inflamou.
— Sério? Disso?
— Jen, respira... não é o que você está pensando. Como eu vou aproveitar essa sua gravidez se eu não posso nem chegar perto de você?
— Eu odeio a troca repentina de humor!
— Não posso dizer que eu sou fã dessa parte também. – Jethro disse na voz mais mansa que conseguiu. Ele teria que pisar em ovos e medir as palavras perto de mim, se ele quisesse chegar vivo ao nascimento desse bebê.
— Como isso foi acontecer com a gente, Jethro? Olha a nossa idade! Com certeza vão perguntar se somos os avós ao invés de pais...
— Tudo ao seu tempo, Jen. – Ele disse, mas sem muita certeza.
Acabamos ficando em silêncio novamente e tudo o que me lembro foi acordar com um enjoo terrível e correr para o banheiro. Gibbs tentou me ajudar, mas o cheiro dele só piorou a situação, assim, ele se sentou na porta e começou a murmurar qualquer coisa como estar se sentindo um inútil.
— Jen... o que eu posso fazer para te ajudar? – Ele implorou.
— Nada, Jethro. Nada. – Tentei acalmá-lo.
E ele ficou lá, sentado na porta até que o meu enjoo passou o suficiente para que eu pudesse me levantar e trocar de roupa. Só que a essa altura, tanto Jazz quanto Alex já tinham se levantado.
— O que aconteceu aqui? – O mais velho perguntou ao pai.
— Sua mãe está passando mal.
— O que ela tem? Podemos ajudar em alguma coisa? – Alex lançou um olhar preocupado na minha direção. – E por que essa distância toda entre vocês?
Jethro me encarou. Contaríamos ou não sem ter certeza?
— Eu estou grávida, meninos. – Informei. O exame de sangue só confirmaria o que eu já tinha certeza.
— Mas o velho disse que você estava na menopausa! – Alex continuou.
— Cala a boca, Alex! – Jazz deu um tapa na cabeça do irmão.
— Vocês dois podem, por favor, parar com essa falação. Eu preciso de uma confirmação no exame de sangue, mas como eu já estive grávida duas vezes, eu acho que reconheço os sintomas, não é mesmo? – Disparei.
— Claro. – Os dois me responderam e olharam para o pai, como que pedindo a confirmação.
— É só o que falta. – Ele confirmou.
— Mas e essa distância?
Por Deus, eu amo o Alex, mas hoje eu poderia estapeá-lo se ele não fechasse a boca.
— Enjoo. – Respondi de uma só vez e sai da cozinha, levando o meu biscoito água e sal e minha ginger ale caseira.
Acabei por me sentar na cama, onde não dormi, e comecei a pensar em cada uma das mudanças que estavam por acontecer. Do meu guarda-roupas até o quarto de hóspedes que viraria o quarto da bebê. Isso sem contar na rotina ensandecida de exames, consultas médicas... eu teria que adaptar a minha agenda de diretora ao calendário de grávida que estava por vir.
Se essa era a parte ruim, a parte boa seria as compras do enxoval. Na última vez estava em Rota e acabei por comprar tudo sozinha. Dessa vez eu teria ajuda, sei que Abby e até mesmo Ziva e Bishop ficariam felizes em ajudar, ainda mais depois do que fizemos com o Chá de Bebê de Tali.
Essa parte seria divertida.
— Você vai ter três tias muito doidas, bebê. – Falei para a minha barriga.
Uma batida na porta me trouxe de volta de minhas contemplações.
— Já falando com o bebê? – Era Jazz quem estava parado na porta.
— Eu conversei muito com você também. Você só não se lembra, Jazz. – Respondi e fiz menção para que ele entrasse.
Ele se sentou do meu lado e me observou.
— Isso vai ser estranho. Eu tenho idade para ser pai desse bebê.
— E ainda bem que não é! – Falei rindo. – Sei que não estou tão nova assim, mas ainda não quero ser chamada de vovó!
— Sobre isso. Acha que vai dar tudo certo? – Meu primogênito estava realmente preocupado.
— Seu pai me falou para não pensar nisso. Eu vou tentar fazer o que ele falou, contudo... não eu não sei o futuro.
— E eu vou ser irmão mais velho de novo! – Jasper tentou alegrar ambiente. – O que a senhora acha que vai ser?
— Uma menina.
E ele abriu um enorme sorriso, igual ao do pai quando quer aprontar algo.
— Ainda bem que eu vou me alistar. Não vai ter um babaca que vai encostar na minha irmãzinha e sair livre.
— Jasper, por favor! Pare de ser a cópia de seu pai! – Dei um tapa no ombro dele.
— O que estão falando de mim? – Jethro parou na porta e por lá ficou e com ele estava Alex, que, como só ele sabe ser, entrou e pulou na cama, se deitando com a cabeça no meu colo.
— O que?! – Lex perguntou encarando o irmão que o olhava com cara feia.
— Sai daí.
— Eu não. Vou aproveitar enquanto ainda posso. Logo, logo a barriga vai estar tão grande que não vai ter espaço para fazer isso!
— Alex! – O adverti.
— Qual é, mãe. É verdade! Eu vou perder o posto de caçula. E o do meio sempre se ferra. Ninguém lembra dele. Assim, vou curtir os meus últimos momentos como o intocável da família.
— Intocável? – Jethro o corrigiu da porta.
— Sim. Eu sou o intocável. – Alex respondeu só para provocar o pai. E eu tinha que admitir que isso ele tinha herdado de mim.
Jethro resolveu que não valia a pena toda a briga que essa discussão iria causar e só encarou os filhos.
— Chega mais, pai. A cama é grande e ainda tem espaço no colo da mãe. – O caçula não desistia.
— Eu vou ficar por aqui mesmo. – Foi a resposta que ele recebeu.
Eu fiz uma careta. Sabia o quanto Jethro estava querendo ficar por aqui, contudo...
— Vem... – Eu o chamei e ele levantou uma sobrancelha. – O que? Essa garota pode ser teimosa, mas eu sou mais. E qualquer coisa, o banheiro é logo ali, basta jogar o Alex no chão.
— Ei! – Alex reclamou. – E vai ser uma menina? Que coisa, achei que eu ia ensinar um moleque a pregar peças e todos... Peraí... o papai é o motivo do seu enjoo matinal?
Jazz tinha a mesma expressão de dúvida no rosto.
— Sim. – Respondi infeliz enquanto Jethro se sentava atrás de mim e eu tive que respirar fundo assim que senti o perfume dele.
— Isso realmente existe? – Os dois perguntaram juntos e internamente eu desejei que as esposas deles sentissem o mesmo que eu, só para que eles vissem de perto o que era.
— Existe. – Respondi seca e os dois notaram que o assunto estava encerrado.
— Então... – Jazz começou. – É para quando?
— Não sabemos. – Jethro respondeu ao filho.
— Mas já sabem que é uma menina? – Ele continuou com o interrogatório.
— Achamos que é uma menina.
— Acham... então ainda pode ter um menino aí dentro. – Alex respondeu feliz apontando para a minha barriga.
— Das outras duas vezes nós achamos que eram meninos e acho que acertamos. – Falei sarcasticamente.
— Eu me rendo aos seus poderes premonitórios. – Lex levantou as duas mãos para o ar em sinal de redenção. – Mas eu preferiria que fosse um moleque. Meninas são sem graça. Pelo menos as irmãs...
— Pode parar. Como eu já disse para o Jasper. Nada de me transformar em avó. – Bati na testa do meu mais novo.
— Como vocês vão criar uma menina em uma casa onde só tem homem?
— Eu, por acaso, sou o que, Alex? – Tirei ele do meu colo e Jethro teve que pôr a mão no meu ombro para me lembrar de não estourar.
— A senhora não conta. É a dona do lugar e de tudo. Nós fazemos as suas vontades. Todavia, tudo nessa casa, tirando seu escritório e guarda-roupa e as decorações, tudo é de homem! – Ele expos o seu ponto se sentando no chão a minha frente.
— Ao que parece eu vou ter que pintar algumas paredes de rosa nessa casa, então.
— Mãe! Jen!
— O que? Os três Senhores Testosterona não podem conviver com um pouquinho de rosa e algumas bonecas, não?
— Não! – Os três responderam juntos.
— Mas vão ter que aprender. – Garanti me levantando. – Agora fora. Tenho que me arrumar para ir trabalhar e vocês dois tratem de manter essa casa arrumada, não quero chegar aqui e ver que esse lugar se transformou em um chiqueiro. – Avisei para os dois.
— Sim senhora! – Ao fechar a porta ainda pude ouvir Alex dizendo:
— Até que ter uma irmãzinha pode não ser de todo o mal. Ela pode me ajudar quando eu precisar...
— Dê um jeito no Alex. Se eu pensar que ele vai usar esse bebê para conseguir mais algumas namoradas, eu juro, Jethro, eu deserdo aquele lá. – Avisei.
— E não se esqueça de chamar a atenção do Jazz, senão ele se empolga, se casa com a Katerina e seremos avós antes dessa bebê completar dois anos. – Jethro me emendou.
— Homens! – Murmurei e fui para o banheiro me aprontar para o dia.
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Assim que pisamos no prédio, Abby veio pulando.
— Para que precisa de mim tão cedo, Jenny? O que aconteceu? Por que o Ducky me disse que tenho que realizar uma análise em uma amostra de sangue sua? Você não está doente, está? Meu Deus! Temos que procurar um médico urgente! E tem que ser o melhor! Gibbs! O que você está fazendo parado aí? Pode ir logo começando a procurar o melhor especialista em... – E foi aqui que ela parou o falatório. – Em que?
— Abbs. Tudo está bem com Jen. – Falei e recebi uma encarada de lado. O humor dela estava alterando de novo. – Nós só precisamos que você confirme uma suspeita nossa.
— AI MEU DEUS!! EU SABIA!! – Ela correu na direção de Jen e a abraçou. – Você está doente! Meu Deus!! Por quê? Por que coisas assim acontecem com pessoas boas?
Jen respirou fundo para controlar a nova onda de ânsia combinada com alteração de humor.
— Abbs. – Ela começou. – Eu só preciso que você faça um exame de Beta hCG! Só isso.
— Claro isso é fácil! É um exame fácil e rápido... – Abbs falava e andava pela autópsia afora, até que ela parou e com os olhos arregalados e olhou na nossa direção. – SANTO ESPECTRÔMETRO! ISSO É UM EXAME DE GRAVIDEZ!!!
— Sim. É. – Jenny confirmou.
— Teremos outro Jibblet?! – Agora ela já pulava e gritava ao mesmo tempo.
— Achamos que sim. – Falei.
— GIBBS!! ISSO É TÃO FOFO!!! E explica as mudanças de humor da Diretora e as brigas de vocês nas últimas semanas! Céus! Como eu não pensei nessa possibilidade antes? Com a Ziva foi a mesma coisa, mas nós só descobrimos quando ela, literalmente, voou no pescoço do Tony e tentou enforcá-lo porque ele disse que ela estava engordando... pensando bem... foi por muito pouco que nós não perdemos o Tony naquele dia!
— Abby, respira! – Jenny pediu.
— Sim, claro. Qualquer coisa para a mamãe do ano! – Abbs parou do meu lado, me abraçando.
Acontece que toda a falação e gritaria da cientista forense chamou a atenção de todos os outros que desceram para autópsia para saber o que estava acontecendo.
— Ótimo, virou o Super Bowl! Todo mundo veio ver o halftime show! – Jen murmurou enquanto Ducky tirava o sangue dela.
— Tá tudo bem por aqui, Chefe? – Tony foi escolhido para perguntar, já que os demais deram um passo atrás e ficaram me olhando.
— Nada de anormal, DiNozzo. – Jenny respondeu com uma careta, assim que Ducky terminou de tirar o sangue.
Mas Tony observou a ampola com sangue e me olhou, como que tentando confirmar as palavras de Jen, porém, foi Abby quem acabou por dar a resposta.
— Eu vou fazer esse teste rapidinho, assim vamos poder saber se há ou não outro Jibblet a caminho! – E saiu pulando até o elevador que a levaria ao laboratório.
— Jibblet? – Ziva olhou para Jen. – Você é a sortuda da vez? – A ex-israelense abriu um sorriso ao perguntar.
— Só falta a confirmação, mas tenho 90% de certeza que sim.
— Isso é inesperado, mas uma ótima notícia! – Ziva abraçou a amiga de longa data. – Só perguntando, porque vocês acertaram sobre a Tali, Victoria e sobre os gêmeos, é menino ou menina? – Ela continuou, agora olhando para nós dois.
— Menina. — Dissemos juntos.
— Acho que eu vou ter que ensiná-la algumas táticas para derrubar os irmãos mais velhos! – Ellie disse com um sorriso.
— Chefe, se você precisar de algum conselho sobre como criar uma menina, eu estarei feliz em te passar os mesmos conselhos que você me passou! – Tony disse com um sorriso e veio me abraçar. – A propósito, parabéns.
— Quanto tempo a Abby vai levar para ter resultado? – McGee perguntou.
— Dentro de uma hora, Tim. – Ela mesma respondeu pela câmera. – E eu aconselho a futura mamãe a sair da autópsia, ela pode ficar enjoada com algum cheiro daí.
Jen deu uma risada, mal sabia Abby qual cheiro estava deixando Jen nauseada...
Uma hora depois, uma muito agitada Abby passa pela minha mesa e me agarra pela mão.
— GIBBS! GIBBS! GIBBS! GIBBS! Eu tenho o resultado! – Ela falou me puxando escada acima.
— E qual é?
— Não olhei, deixei para vocês olharem. – Ela me garantiu.
Dei uma olhada para trás e toda a equipe nos seguia. Como Jen havia dito, era o Super Bowl!
Abby não pediu licença e foi logo entrando no escritório de Jen, que resignadamente bebericava o ginger ale caseiro dela.
— JENNY! — Abbs gritou e quase fez Jen derrubar a garrafa. – Eu tenho o resultado.
— E? – Jen fez o mesmo que eu.
— Não abri. Toma! – Abbs entregou a folha dobrada para Jen. – E você, Gibbs, pode ir para o lado dela, vocês têm que olhar esse resultado juntos! – Ela me empurrou para o lado de Jenny.
Jen levantou a cabeça e observou que todo mundo que formava a nossa família estava ali.
— Vocês estão curiosos a esse ponto ou isso é só vontade de matar o tempo? – Ela perguntou.
— Os dois! – Torres foi cara de pau para dizer a verdade.
Assim, ela ia começar a desdobrar o papel quando Abbs gritou:
— ESPERA!! Eles ainda não chegaram!
— Por favor, Abbs, não me diga que você chamou....
— Nós estamos aqui, Abbs. – Escutei a voz de Jasper vindo da porta.
Jenny enterrou o rosto em uma das mãos e me entregou o resultado com a outra.
— Vá na frente. Eu fiquei sabendo antes de você nas outras duas...
— Pelo amor de Deus!! Se decidam ou eu vou abrir! Não veem que eu estou curiosa? – Ziva falou injuriada.
Abri o papel e tentei manter o rosto sem expressão ao entregá-lo para Jen.
— NÃO FAZ ISSO GIBBS!! – Abby implorou.
Jen, depois de ver o resultado, entregou para Ziva, Abby, Ellie e Cynthia que estavam na beirada da mesa dela.
E as quatro soltaram um grito.
— Isso merece uma comemoração!! – Ellie falou ao vir nos abraçar.
— Está confirmado, Alex. Você vai perder o posto de intocável. – Jazz zoou com o irmão.
— Quanto tempo me resta, Abbs? – Alex perguntou preocupado.
— Sete meses e meio. Sua mãe está na metade do primeiro trimestre. Então cuidado com as mudanças de humor... – A gótica informou.
— Disso a gente já sabe. – Todos responderam.
E eu vi os olhos de Jen brilharem. Assim, Ziva resolveu pôr panos quentes.
— E é totalmente compreensível.
— Você diz isso agora, Zee-vah! Você quase me matou quando foi a sua vez! – Tony reclamou.
— Essa foi uma cena memorável. Foi um custo tirar a Ziva de cima do Tony. – Ellie falou.
— E o Tony usou camisa de gola alta por quase um mês depois do “incidente”. – Palmer completou. – Espero que isso não aconteça com você, Gibbs.
Foi Ducky quem pediu calma e nos tirou do escritório de Jen.
— E você, minha querida, trate de marcar a sua primeira consulta e seguir as recomendações à risca, você não tem mais trinta anos. – Ele falou com Jen.
— Pode deixar, Ducky, preciso falar algumas coisinhas com minha médica, também. – Ela prometeu e o sorriso no rosto dela me dizia que a Dra. Portman iria ouvir muito na primeira consulta.
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Catorze semanas haviam se passado desde a “descoberta” o que significava que o primeiro trimestre tinha acabado. Bom para mim que poderia voltar a dormir no mesmo quarto que Jen.
Errado.
Por alguma razão ela ainda estava enjoando na minha presença. O que significava que até segunda ordem eu estava exilado no quarto de hóspedes que logo se transformaria no quarto da bebê.
Meus dias de ter uma cama estavam contados, e eu esperava que logo poderia ocupar o meu lugar no meu quarto.
E de nada ajuda o fato de Jen querer conversar comigo e ao mesmo tempo ter que ficar longe, nossas conversas se resumiam, nas últimas semanas, em ela sentada no alto da escada e eu no porão, ou ela na mesa dela dentro do escritório e eu na porta, desde que o vento não estivesse soprando para dentro do cômodo. Não estávamos dividindo nem o mesmo carro, quanto mais a viagem de elevador até a sala do esquadrão, onde normalmente costumávamos nos despedir.
Tinha cinco meses que eu não sabia o que era chegar perto a minha própria esposa.
Não que Jen estivesse feliz também. Ela não estava e combinando com o fato de que as mudanças de humor estavam cada dia mais violentas, eu estava feliz em terminar o dia vivo e que Jen ainda não tivesse sido presa.
E em um sábado à noite, foi a gota d’água.
A semana tinha sido um inferno na agência, um caso de serial killer que consumiu as energias de todos – e a paciência e saúde mental também. – por quase três semanas seguidas, ninguém se aguentava de pé quando a conferência de impressa acabou. Sim, em pleno sábado, tivemos que dar explicações para a impressa – na verdade Jen se ocupou dessa parte e de toda a burocracia que o caso envolveu, já que outras agências clamavam o caso para elas – uma vez que o culpado acabou morto. Era ele ou Ellie que fazia às vezes de isca, quando o Sargento na Reserva Meadows fez o movimento de esfaquear Bishop, enquanto a mantinha refém e confessava seus crimes, DiNozzo não esperou por uma segunda ordem e atirou. Um tiro limpo, no meio da testa do ex-sargento. Bishop saiu ilesa e era menos um bandido no mundo.
Contudo a imprensa não pensou assim, e fez perguntas por quase uma hora, querendo saber o nome do agente e os motivos dele ter atirado. Nessas horas eu agradeço por Jen ter declinado o cargo como Secretária da Marinha e ficado no NCIS, pois ela conseguiu manter os nomes de Bishop e Tony longe dos holofotes.
Já passava das onze da noite quando ela guardou o carro na garagem e reclamando dos pés inchados e do corpo inteiro também, entrou em casa. Escutei-a colocar a chave na mesa onde sempre as deixamos, largar a bolsa e arremessar os sapatos longe.
— Essas coisas ainda vão acabar com o meu pé! O problema é que daqui quatro meses os sapatos estarão largos demais para o meu pé! – Ela reclamava.
Estava mantendo a nossa distância segura, para que nenhuma ânsia aparecesse e ela pudesse comer algo, quando ela soltou.
— Sabe outra coisa que está fazendo a minha pouca paciência evaporar? – Ela virou na minha direção, tinha escutado que eu tentava sair de perto dela.
— A imprensa? Serial Killers? – Chutei.
— Não. Esse caso é passado, consumiu todas as nossas forças, mas vocês o resolveram. – Ela abriu um sorriso de lado. – O que está acabando comigo é que eu não posso nem chegar perto de você, não posso dormir do seu lado, você não está do meu lado quando eu acordo. Inferno, eu nem sei quanto tempo tem que eu te beijei pela última vez, Jethro! – Ela tinha ficado vermelha com a explosão. – Você é o meu marido, o pai dessa criança que eu estou carregando e nem ao menos consegue ficar perto de mim e me acompanhar nas consultas médicas porque eu não posso sentir o seu cheiro. Eu estou sentindo a sua falta pra caramba, Jethro. Muita. Nunca senti tanto a sua falta como agora, nem quando estávamos em continentes separados! Por Deus! É horrível, saber que você está a poucos passos de mim e eu não posso ficar perto de você por conta dos malditos hormônios da gravidez!
Tinha um cômodo de distância entre nós, mas eu podia sentir a fúria dela, e não era uma mudança de humor, era Jen pura e simples, aquela Jen que quando quer algo, explode de ódio e vai à luta até conseguir.
— Não tem nada no mundo que eu odeie mais do que aquilo que eu não posso ter. – Ela disse já no meio da sala. – E essa noite, eu vou dormir com você, você vai voltar para o nosso quarto. Porque eu preciso de você! – Quando ela terminou, Jenny já estava na minha frente, suas mãos em meu pescoço, vi que ela ficou pálida, mas não desistiu. – Se lembra da nossa primeira noite em Marselha? Me beije como você me beijou naquela noite, Jethro.
Ela não precisava pedir duas vezes. Em menos de dois segundos minha boca encontrou a dela.
Se eu soubesse o que me aguardava na manhã seguinte, eu não teria cedido aos desejos dela.
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Eu sabia que isso poderia acontecer. Eu contive por toda a noite a ânsia, e uma hora todos esses hormônios em ebulição no meu corpo ganhariam a luta.
E ganharam. Eu estava deitada com a minha cabeça no peito nu de Jethro, seu braço enlaçava a minha cintura. Estávamos na nossa posição preferida quando tudo começou.
Eu não tive tempo nem de dar bom dia para Jethro, nem pude olhar em seus olhos. Simplesmente corri para o banheiro.
Ele acordou logo em seguida, e resolveu manter a distância que vinha mantendo, se sentando na porta enquanto eu esvaziava o estômago.
Depois de algum tempo ele se levantou, a feição não muito feliz. Esse maldito enjoo estragando cada uma das memórias da noite. Quando voltou deslizou uma bandeja com biscoito água e sal e uma garrafa de ginger ale e já ia saindo quando eu o chamei.
— Fique.
— Para piorar a situação?
— Não para fazer companhia para uma grávida que tem o estranho dom de enjoar com o cheiro do marido. Jethro, por favor. – Meus olhos estavam se enchendo de água. – Eu não quero mais ficar sozinha e isolada. Não foi para isso que me casei com você! – Pedi. E os hormônios fizeram bem o seu papel, pois eu chorava copiosamente.
— Todas essas lágrimas são para mim? – Ele me perguntou assim que se sentou atrás de mim, uma perna de cada lado e me apoiou em seu peitoral.
— Cinquenta por cento. Os outros cinquenta são os hormônios trabalhando furiosamente dentro de mim.
— Essa está sendo a mais difícil de todas. – Ele murmurou contra o meu cabelo.
— Você não faz ideia. – Deixei minha cabeça escorar no ombro dele.
Outra ânsia subiu e antes mesmo que eu chegasse ao vaso, Jethro já segurava meus cabelos em suas mãos.
— Pelo visto vai ser o dia todo assim. – Ele murmurou infeliz.
— Vai. – Respondi sem forças. – Você está livre para ir quando a fome apertar.
— Tem biscoito aqui, Jen. Eu vou sobreviver.
E nós passamos o domingo inteiro, sentados no chão do banheiro. Ora não falávamos nada, ora resolvemos casos de outra maneira, achando onde tínhamos errado. Por fim, quando nada mais tínhamos para fazer, a não ser esperar a próxima onda de enjoo – que com certeza viria. -, Jethro levantou uma questão.
— Vamos descobrir se é realmente uma menina, Jen?
— Sim. – Praticamente gemi a resposta, minha barriga de cinco meses já estava pesando e ficar sentada no chão do banheiro não estava fazendo nenhum bem para a minha coluna. – E logo que confirmarem as nossas suspeitas, vamos escolher um nome, assim, cada vez que uma ânsia me atingir enquanto eu estiver do seu lado, eu vou poder mandar a nossa filha ficar quieta e me deixar ficar do seu lado em paz.
— E você já tem algum nome em mente? – Ele estava curioso demais e um tanto nervoso, a julgar pelo tanto de vezes que passava a mão no meu cabelo.
— Pensei no nome da sua mãe. Ann. Seria justo, homenageamos meu pai com nosso primogênito, acho justo que possamos homenagear a sua família também.
Antes mesmo que eu terminasse de me explicar, Jethro ficou tenso atrás de mim.
— Ou não... já que você não parece muito aberto à ideia. Você tem alguma opção? – Perguntei me virando levemente para poder ficar de frente a ele e ler seu rosto.
E ele tinha, apesar de que estava relutando em falar.
— Sou toda ouvidos! – Tentei fazê-lo falar.
— Olivia.
— Olivia Shepard-Gibbs? Olivia Gibbs? – Testei o nome com nossos sobrenomes.
— Fica bom com nossos nomes. – Ele falou, também testando a sonoridade.
— Fica melhor sem o meu. – Afirmei. – E eu gosto do significado desse nome. Pacificadora. Apesar de não fazer muito sentido nesse momento...
— Nós combinamos, Jen. Os dois sobrenomes.
— Mas Jethro... fica melhor sem o meu.
— Isso não está em discussão. Os dois. Os meninos já os têm, e ela vai ter também. – Ele foi categórico.
— Tudo bem. Olivia Shepard-Gibbs, é o que vai ser.
— Quando vai ser o ultrassom? – Ele apoiou as mãos na minha barriga, fazendo carinho ali, como se a nossa filha pudesse senti-lo.
— Dentro de duas semanas. Até lá eu vou ter que tomar muito ginger ale se quiser ficar perto de você.
— Vai passar, não sei quando, mas vai passar. – Jethro tentou ser otimista.
— Sim, vai, quando ela nascer! Aí não teremos tempo...
— Ela vai ser tranquila.
Encarei o meu marido.
— Se você está dizendo... – Pensei nos nossos dois, eles não eram nada tranquilos, Alex então? Pelo que Jackson disse, tinha puxado todas a qualidades de brigão, impulsivo, cabeça-quente e determinado do pai. De mim ele tinha que puxar o raciocínio, o sarcasmo e a ambição. Jasper era um pouco mais controlado, mas não o suficiente para não ter sido suspenso da escola por uma semana depois de brigar com outro aluno por mexer com uma garota. Garota essa que meses depois se tornou a sua namorada.
— Ou talvez não. – Ele disse por fim.
— Estava pensando nos meninos, não estava? – Eu ri.
— Sim. Acho que não teremos uma criança calma, Jen. Só acho.
E eu concordava plenamente com ele!
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Duas semanas, muitas mudanças de humor e litros de ginger ale depois, Jen estava sentada na sala de espera do hospital aguardando a sua vez de ser chamada.
Não que isso fosse o evento do ano, porém, tendo em vista que ela ainda não podia ficar perto de mim sem enjoar, Ziva e Abby se ofereceram para acompanhá-la.
Jen, teimosa como sempre, bateu o pé, disse que eu tinha que ir. E aqui estou eu, na porta da sala, longe o suficiente dela para que as demais mães devidamente de mãos dadas com seus maridos, nos olhassem desconfiadas.
Ziva estava indo e voltando no corredor, Tony tinha ficado responsável por pegar Tali na escola e Ziva tinha certeza de que eles iriam passar no cinema antes de irem para casa, e ela não queria isso, pois Tali estava na semana de provas.
— Ziver. – A chamei.
— Sim, Gibbs?
— Tali só tem seis anos, ela não vai repetir de ano, deixe que Tony a leve no cinema.
— Mas ela tem que aprender a ter responsabilidades. – Minha filha adotiva me olhou zangada.
— E está aprendendo, contudo, ela tem que ser criança também. E ninguém melhor do que Tony para arrastá-la para um cinema no meio da semana. Tenho certeza de que à noite ele estará do lado dela ensinando o para casa.
Ziva deu um sorriso e parou do outro lado do corredor, me encarando.
— Está tão ruim assim? – Ela apontou com a cabeça para a sala de espera.
Olhei para ela com a sobrancelha levantada.
— Eu sei! – Ela levantou as duas mãos. – Eu tentei matar o Tony duas vezes. Mas eu ainda ficava do lado dele. Vocês dois estão se evitando como se estivessem enfrentando um divórcio bem conturbado.
— Foram quatro vezes, Ziva. E na última Tony se escondeu de você no meu porão por quase três dias. – Informei.
Ziver gargalhou.
— Nessa eu exagerei. Mandei uma faca nele... E você e a Jenny?
— Quando Olivia nascer, isso passa.
— Ainda faltam três meses e meio...
Ia responder, porém a voz de Jenny e o gemido de Abby chamaram a nossa atenção.
— Algum problema? Vão ficar me encarando até quando? Sim, aquele ali é o meu marido, e sim ele não está do meu lado. E ainda é melhor que uns dois ou três que estão nessa sala, mas que preferiam estar com as amantes! – Jenny explodiu na sala de espera.
— Jenny... – Abby tentava acalmá-la de todas as formas.
Uma das mulheres – que deve ter desejo suicida – teve a coragem de falar:
— Se você fala isso, por que ele não está aqui?
Foi nessa hora que eu jurei que tiraria Jen da cadeia antes da nossa filha nascer. Ela ficou ainda mais vermelha, os olhos verdes faiscaram perigosamente em fúria e ódio e a maneira como ela se levantou, mesmo com uma barriga de cinco meses e meio, me informaram que ela ia partir para a briga.
— Porque essa garota que está aqui – ela apontou para a barriga saliente dela. – não quer o pai por perto, a menos que eu vomite tudo o que eu comi em você. Satisfeita? Agora, se eu fosse você, procuraria um bom advogado de divórcio, porque o seu marido está te traindo. – Ela sibilou a resposta.
Ziva se encolheu do meu lado.
— Esquece, ela está impossível. – Ela falou com uma careta.
— Nem me fale. – Acabei por entrar na sala e tirei Jenny de lá, enquanto a mulher que tinha aberto a boca para falar besteira olhava acusadoramente para o marido.
— Você acaba de provocar um divórcio. – Murmurei.
Jen deu de ombros e se escorou na parede, me deixando à distância de um braço e respirando fundo.
— Bem feito, odeio quando ficam me encarando e tentando tirar conclusões erradas. Aquela lá é muito boa para julgar os outros, contudo é cega o suficiente para não ver o que está bem na frente dela.
Ziva começou a rir.
— Acho que deveríamos te colocar para interrogar os suspeitos. Do jeito que você está, Jenny, as confissões seriam muito mais rápidas!
— Ziver, não dê ideia! – Alertei.
— Eu já tenho que lidar com a Agência inteira, com meus dois filhos e com essa criaturinha aqui que tem dia que não para de mexer! Eu não preciso de mais dor de cabeça. – Jen respondeu.
— Mas se você sentir a necessidade de bater em alguém, Jenny, é só avisar que eu te mando o Tony.
— E eu te empresto o Jethro! – Jenny devolveu com um sorriso diabólico.
— Será que vocês podem parar com isso. – Pedi.
Elas iriam falar algo, porém o nome de Jenny foi chamado.
Passamos pela sala de espera e o casal que tinha sido a última vítima da mudança de humor de Jenny estava sentado um de cada lado da sala. Jen suprimiu uma risada e, me puxando pela mão, acompanhou a enfermeira que a aguardava.
A enfermeira indicou um pequeno banheiro, onde Jenny deveria se trocar e colocar uma espécie de bata, assim que ela voltou e se sentou na maca, esperando a médica, eu não me contive.
— Parabéns, você e a Diane deveriam se juntar. Olha o que você fez. – Apontei para a sala de espera.
Ela riu.
— Eu deveria ter sido advogada, Jethro. De divórcio. Só com os seus eu estaria muito bem de vida. – Ela piscou para mim.
— E a taxa de assassinato entre ex casais com certeza seria triplicada, com você dando conselhos para eles.
Ela deu de ombros, fingindo não se importar.
— Ainda bem que virei agente federal então...
Dra. Portman entrou na sala e nossa conversa cessou.
— Vejo que os enjoos passaram, Sra. Gibbs.
Jen trancou o maxilar à menção do Sra. Gibbs, ficando ainda mais vermelha.
— Não, mas eu sou mais teimosa que um corpo cheio de hormônios. – Foi a resposta seca dela.
A médica pressentindo que algo muito ruim poderia acontecer, meneou a cabeça e começou com o exame.
— Vocês vão querer saber o sexo?
— Mas é claro. – Jen respondeu.
— Tudo bem. Tudo está normal. O bebê está crescendo saudável e bem agitado, está...
— AI! – Jen gemeu.
— Ela está chutando nesse momento. Lá vem outro.
— Olivia! Fica quieta! – Jen soltou assim que a filha chutou uma costela dela.
— Esse foi forte e bem na costela, mas está tudo bem. – A médica garantiu. – Então vocês já estavam pensando em nomes?
— Nós tínhamos a ideia de que era uma menina. – Eu falei para que Jen pudesse respirar, pelo visto, Olivia estava treinando para ser jogadora de futebol, ou já era algum treinamento ninja, vai saber.
— Bem, vocês estavam certos. E Olivia está muito bem. Dentro do peso e no tamanho que deveria estar quando se tem vinte e duas semanas de gestação. E isso é ótimo, e eu gostaria que os cuidados com esta gestação continuassem, apesar de tudo estar bem com mãe e filha, eu quero atenção redobrada, por conta da sua idade, não quero nada de anormal acontecendo.
Jen apertou a minha mão, olhei para ela, e ela, aproveitando que a médica estava distraída com as imagens na tela, sussurrou:
— Ela acaba de me chamar de velha?!
Meneei negativamente a cabeça, eu não precisava de outra explosão em menos de quinze minutos.
O exame acabou, dentro de outras quatro semanas era para Jen voltar e fazer o que a médica esperava, ser o último ultrassom antes do parto.
Mal colocamos o pé para fora do consultório e Abbs e Ziver já estavam perguntando se tínhamos acertado pela sétima vez seguida.
— Sim. É uma menina! – Respondemos saindo da sala e tirando Jen do alcance de qualquer objeto que a ofendida gestante de mais cedo pudesse arremessar nela.
— Olivia vem aí, meu povo! E Alex não vai ficar nada feliz com isso, ele estava contando com um erro de vocês! – Abby falou pulando na nossa frente. – Falando nele, deixa eu mandar uma mensagem no grupo contando a novidade.
Notas finais
Até lá!
xoxo
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