Inesperado
3 Sentimentos Gajeel x Levy
Notas iniciais
Gajeel’s POV -
Eu havia achado sopa de pacote e pão, resolvi arrumar tudo para que Levy pudesse comer assim que saísse do banho. Ela estava demorando muito. Comecei a me perguntar se por acaso a baixinha não havia pegado no sono na banheira. Ri mentalmente com a idéia, apesar de invocada, ela era extremamente fofa e linda. Linda??? Não esquece isso foi besteira. Ela é uma garota e eu gosto de garotas só isso.
A sopa estava quase pronta e eu estava ficando com fome também, resolvi encher a boca de parafusos antes que ela pudesse ver. Não sei como ela reagiria se me visse comendo ferro.
Toda vez que eu me alimentava de ferro, minha fonte vital para a magia, eu me lembrava de Metallicana. Já fazia alguns anos que ele havia desaparecido e me deixado sozinho no mundo sem mais nem menos. Apesar da raiva por ter sido abandonado eu sentia saudades, afinal aquele dragão havia sido e sempre será o meu pai.
Levy’s POV –
Eu já estava murchando dentro da água quentinha da banheira. As dores no meu corpo e nos meus pés haviam sumido quase que por completo. Minha barriga estava roncando de fome, então resolvi sair logo dali. Esvaziei a banheira enquanto me secava, assim que me sentia totalmente seca, fui procurar por minhas roupas. Droga. Minhas roupas estavam péssimas, eu não poderia dormir daquele jeito, havia até mesmo um pouco de terra no meu vestido por conta dos marginais que haviam atentado contra mim.
Me sentei na beira da cama de Gajeel sem saber o que fazer. Ele provavelmente já deveria estar se preocupando os motivos da minha demora.
Olhando para a porta de seu guarda-roupa resolvi tomar uma atitude. Abri uma das portas devagar, havia algumas jaquetas e sobretudos nos cabides, embaixo, munhequeiras e luvas todas parecidas com tachinhas e coisas de metais. Fechei a porta abrindo a outra do lado, achei uma pilha de camisetas, peguei a primeira da pilha, era de banda, preta, com uma estampa muito interessante, uma cachoeira com uma mulher, uma lua e coisas do gênero. Na camiseta estava escrito Nightwish. Sacudi os ombros e vesti a camiseta, imediatamente minhas narinas foram invadidas pelo cheiro inconfundível de Gajeel. Me senti levemente tonta, continuei procurando alguma peça de roupa que eu pudesse usar na parte debaixo. Não poderia ir só de calcinha e camiseta de banda até a cozinha, mesmo a camiseta ficando um vestido em mim. Abri uma das gavetas internas do armário e achei nada mais nada menos do que parecia ser a coleção de cuecas boxers de Gajeel. Fechei e reabri a gaveta várias vezes, de um lado minha sanidade dizendo que eu não deveria mexer ali, de outro minha curiosidade querendo só ver um pouquinho. Eu não tinha idéia do por que estava tão curiosa. Gajeel era legal, havia me salvado, estava me deixando passar a noite na casa dele sem nem me conhecer direito, era muito sexy e atraente...nani? Nada demais.
Abri a gaveta pela quinta vez, tomei coragem e peguei uma delas nas mãos. Era preta, como quase tudo naquele guarda-roupa, desdobrei-a e vi que era bem grande, pelo menos para mim era grande. Logo pensei que aquilo poderia muito bem servir como um short para dormir, além do mais parecia ser muito confortável. Procurei um pouco mais na gaveta, para ver se não havia nenhuma outra alternativa e pelo incrível que pareça não. Gajeel não era do tipo que usava bermudas e etc... No fundo da gaveta havia um pacote lacrado com mais algumas boxers. Abri e peguei uma pra mim. Vesti. Ele não poderia se zangar, afinal ele sabia da minha situação e mesmo assim me ofereceu para tomar banho e para ir até a casa dele em primeiro lugar. Dei uma rápida olhada em mim no espelho do banheiro, meu rosto não estava mais tão abatido e assustado, por conta da água quente e o banho relaxante eu estava até mais corada. Me sentia bem e com muita fome. Saí do quarto com a toalha molhada e minhas roupas sujas e fui até a cozinha, alguns barulhos vinham de lá e um cheiro bom também.
Parei na porta da cozinha, e vi Gajeel de frente para o fogão e de costas para mim mexendo uma panela.
– Ã...o banho estava ótimo. ( disse me encolhendo um pouco, de repente havia ficado envergonhada)
Gajeel se virou lentamente como se soubesse que eu estava ali des do minuto em que saí do quarto. Logo sua expressão calma mudou para total espanto.
– Vvv v vvocê você está usando minhas roupas??? ( Gajeel disse com uma expressão digna de pena)
– Ah me desculpe mesmo! Mas as minhas estavam sujas...daí pensei que seria melhor, assim posso dormir sem sujar nada...e...
– Ficou muito bem em você. ( disse ele tentando manter a calma e se recompondo um pouco mas não conseguindo me enganar)
– Tem certeza? Posso mesmo ficar assim? ( perguntei)
– Aham, ppoo pode pode...não é como se você estivesse pelada aí por baixo ou algo do tipo... VOCÊ NÃO ESTÁ, ESTÁ? ( Gajeel gritou de repente)
Sua rápida mudança de humor me assustou um pouco mas logo me fez rir, apesar de ser grandão e todo forte, ele parecia assustado e surpreso, o que era bem engraçado.
– É claro que estou, idiota! (falei)
– Ahhhh uffaaa! ( ele disse fchando os olhos e suspirando em alto e bom som)
– Estou usando um de seus shorts! ( disse de propósito e levantando a camiseta da banda para que ele visse)
Gajeel ficou paralisado. Por um segundo achei que ele estava tendo um acesso ou algo do gênero, não sei por que havia feito aquilo, mas algo dentro de mim havia me dito que seria engraçado, e por outro lado eu me sentia a vontade de mais na presença dele.
– Oo oo ooq o que? Short? Um dos meus shorts? (Gajeel parecia um altista)
– É. ( falei com inocência)
– Isso não é short sua nanica maluca! É uma de minhas b o x e r s ! ( Gajeel disse um pouco nervoso, como se negasse cada palavra que dissesse.
– Pra mim são shorts! É bem grande e confortável. ( falei como quem encerra o assunto). – Que cheiro bom! O que é? ( perguntei, olhando para o fogão curiosa)
– Sopa de pacote. (Gajeel respondeu sem emoção).
– Uhmmm parece uma boa idéia! ( falei)
– Uhum, me da suas roupas e sua toalha, vou por isso para secar e suas roupas para lavar, assim terá o que vestir amanhã. ( Gajeel disse estendendo a mão na minha direçãoo mas sem olhar muito pra mim)
Alcancei as roupas e a toalha para ele. Gajeel saiu da cozinha mas voltou logo, foi até o fogão e me serviu uma concha de sopa quentinha e uma fatia de pão. Ele se serviu também, e nós dois sentamos para comer na mesinha da cozinha.
– E o Lily? Ele não quer comer? (perguntei)
– O Lily deve estar pescando o seu jantar. Ele volta bem tarde, depois toma seu suco de kiwii e dorme até amanhã ao meio dia. ( Gajeel disse olhando para sopa)
– Uhmm...entendi. Ã... você parece diferente. Está brabo comigo? ( perguntei).
– Não é claro que não! ( Gajeel disse normalmente)
– Então por que está evitando me olhar? ( perguntei)
– Ahhhhhhh baixinha, não é nada de mais, é só que....bem eu... (Gajeel parecia estar buscando as palavras não sei a onde) – Eu fiquei surpreso em ve-la assim...Nunca nenhuma garota usou minhas roupas.
– Uhmmm, você não gostou né? Deve me achar uma enxerida. ( falei)
– Não, claro que não! Eu até gostei mais do que deveria, é só. ( Gajeel falou com a cabeça enterrada no prato e corando um pouco)
“Ele corou? Ele corou?”
– Ah, ok. ( disse)
Eu não sabia o que dizer, novamente estava dividida em sentimentos, o sentimento que adorava o que ouvia e o sentimento que me travava sem me deixar dizer mais nada.
Comemos em silêncio depois daquela pequena conversa estranha. A sopa apesar de ser de pacote, estava bem gostosa e ajudou a matar a fome. Lily ainda não havia voltado, eu insisti em lavar a louça e após muita conversa, Gajeel deixou que eu o fizesse.
Quando saímos da cozinha, sem me dar conta manquei um pouco, um dos meus machucados estava “voltando a vida” mais uma vez.
Gajeel notou e me mandou sentar no sofá. Ele saiu da sala e foi até o seu quarto, voltou rápido de lá com uma caixinha nas mãos.
– Vamos ver seus pés... ( Gajeel disse enquanto se baixava na minha frente!)
– Não precisa Gajeel... ( tentai dizer)
– É claro que precisa, deixa eu ver isso! ( Gajeel disse enquanto pegava com sua mão forte minha canela e colocava sobre sua perna) – Está um pouco melhor, mas não vai cicatrizar até amanha se não passarmos algo...(Gajeel avaliava meu pé de uma maneira muito compenetrada)
– Aé? ( falei sem notar)
– Eu tenho uma pomada aqui e uns curativos, vou arrumar isso pra você.. ( Gajeel disse enquanto fuçava a pequena caixinha de Primeiros Socorros)- Seu sapato é feito de espinhos por acaso? ( Gajeel disse com um sorriso tímido no canto dos lábios)
– Idiota. ( disse)
– Atrevida! ( Gajeel respondeu rindo contidamente)
Gajeel era extremamente delicado quando se tratava de ataduras, nem parecia ser aquele brutamontes gigante, que caminhava assustando até mesmo os vilões no meio de Magnólia.
No momento em que Gajeel foi colar o esparadrapo me encolhi um pouco de dor.
– Desculpe, Levy.
– Tudo bem, está bem melhor agora. ( respondi ainda em transe com a cena)
Ver aquele homem que me intoxicava só com o seu cheiro, cuidando de mim, era extremamente viciante. Era como se nos conhecêssemos a muito tempo e não apenas a 24 horas ou algo assim.
Gajeel terminou os curativos e se levantou do sofá.
– Bem acho que é isso. Vai ficar boa agora é só não por aquele sapato maluco por um tempo. ( disse sem jeito)
– É..obrigada, Gajeel. ( falei)
– Não precisa agradecer baixinha...bem está tarde...você não está cansada?
– Um pouco. ( menti, eu estava muito cansada)
– Vou arrumar a cama pra você então. ( Gajeel disse se virando de costas pra mim)
– Espera! Cama? Como assim? ( perguntei me levantando também)
– C a m a. Lugar para se dormir. ( Gajeel disse como se fosse óbvio)
– Mas e onde você vai dormir? (perguntei)
– Aqui na sala. ( Gajeel respondeu) – O que? Quer que eu durma com você nanica? Tem medo do escuro? (brincou)
– É claro que não seu idiota! É que é a sua casa...seu quarto...eu posso dormir aqui na sala! ( falei)
– Não se preocupa, eu não tenho problemas em ceder minha cama para você. Afinal já está vestida como eu mesmo...a cama não vai notar a diferença. ( Gajeel disse rindo) — A não ser pelo cheiro doce e esse pesinho pena ( Gajeel sorriu)
“Cheiro doce? Doce? Eu tinha cheiro doce pra ele? E ele sentia meu cheiro?”
Corei.
– Tudo bem então. ( falei olhando para meus pés)
Gajeel se afastou indo até seu quarto. Eu fiquei na sala, olhando em volta, esperando que o gato estranho voltasse, o que não aconteceu. Gajeel após alguns minutos reapareceu na sala.
– Prontinho. Você pode ir e dormir. Vou arrumar aqui agora pra mim.
Assenti com a cabeça e fui até o quarto, estava tudo arrumadinho, acenei da porta do quarto para Gajeel e disse “Boa noite Gajeel, e obrigada”, Gajeel que estava terminando a arrumação deu um pequeno sorriso e respondeu “Vê se dorme baixinha”. Sorri, fechei a porta e fui até a cama. Deitei sentindo o colchão e os lençóis macios me envolvendo, era muito bom, uma forte vontade de dormir me preencheu, assim como o cheiro de Gajeel também. Fechei os olhos, abracei o travesseiro e peguei no sono.
Gajeel’s POV –
“O que foi isso tudo hoje? Me sinto tão estranho, que horror, que idiota.”
Me deitei no sofá com a imagem da Levy na minha camiseta do Nightwish. Não era uma má combinação eu tinha que admitir. Ela havia ficado tão sexy de repente. Havia sido um tanto caótico quando eu a vi em minhas boxers. Por um momento quase perdi o controle.
“Gajeel o que está acontecendo com você?”
“Você não pode ter ninguém.”
“Você é perigoso! Iria machuca-la!”
“Não eu não iria!”
“Dragon slayers não são feitos para amar humanos normais, muito menos humanos frágeis!”
“Amar? Amar? Até parece!”
“É só atração...ou nem isso!”
“Você está assustado por que a respeita...diferente das outras da qual você só tira proveito.”
“Cala a boca!”
Minha razão e minha consciência estavam brigando dentro da minha cabeça. Nem mesmo com a porta fechada eu podia deixar de sentir o cheiro dela! Era tão inebriante, tão delicioso! Tortura! Isso é tortura! Baixinha impossível!
Impossivelmente linda.
É, essa noite vai ser longa demais...
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