Inesperado
2 Na Casa do Dragon Slayer
Notas iniciais
Levy’s POV –
O caminho até a casa de Gajeel foi em um silêncio constrangedor, mas eu não tinha ideia do que dizer a ele. Ele caminhava a minha frente e de vez em quanto lançava um meio olhar para traz, como se checasse se eu ainda estava o seguindo. Eu não estava prestando muito a atenção no caminho que estávamos fazendo, pois alguma coisa nas costas dele não me permitia parar de olha-lo. Eram largas, pareciam tão fortes, seus braços também não eram diferentes, não eram muito largos nada exagerado, mas eram com toda a certeza os mais intimidadores que eu já tinha visto. Seus cabelos eram longos, quase até a cintura e bem espetados. Minhas mãos queriam muito tocar em seus cabelos, mas por que? Seu andar era tão firme e seguro de si, quase hipnotizante, e de vez em quando ele soltava uns muxoxos, como se quisesse iniciar algum diálogo mais desistisse. Não sei ao certo por que mas quando ele fazia isso, seu suspiro e tom grave faziam eu me arrepiar de leve. Eram sensações muito estranhas. Era como se eu fosse a presa e ele o caçador, eu deveria ter medo, mas de alguma maneira eu me sentia segura e inebriada pela situação.
– Humpff, está quieta demais aí atrás baixinha! O que foi hein?
Gajeel disse calmamente, sem ne olhar para trás. Me surpreendi com sua voz meio grave meio rouca depois de tantos minutos em silêncio.
– Estou cansada de andar, é só.
Gajeel parou de repente fazendo com que eu me chocasse contra as suas costas.
– Ouch! Por que parou assim do nada seu grandalhão? (corei)
– Grandalhão? Só por que eu sou normal, você acha que pode me ofender nanica? ( Gajeel disse levantando uma de suas sobrancelhas)
– Argh! Que seja! Por que paramos?
– Você disse que estava cansada de andar... (Gajeel disse como se aquilo fosse muito óbvio)
– Mas não podemos parar aqui, estamos...estamos..
Eu não havia notado antes mas estávamos na entrada da floresta de Magnólia.
–...na floresta? O que você pensa estar fazendo seu idiota? ( ralhei alto)
– Estou indo para a minha casa sua invocada! Eu moro em uma clareira logo ali na frente. (Gajeel dizia com seus braços fortes cruzados na frente de seu corpo).
– Pois eu não me importo onde seja e como seja! Eu não vou entrar no mato com você! ( disse imitando o gesto e cruzando meus braços contra meu peito também)
– Nossa baixinha, desse jeito até parece que vou fazer alguma coisa com você...estou profundamente ofendido. ( Gajeel soava um pouco debochado)
– Pois fique, eu já tomei minha decisão!
– Você sabe que eu não posso deixa-la aqui não é? ( Gajeel falou enquanto se aproximava lentamente de mim)
– Ah cuida da sua vida! ( eu disse querendo parecer corajosa, mas sentindo minhas pernas muito mais leves do que de costume).
– Ah sua pirralha teimosa!
Gajeel se aproximou os centímetros que faltava de mim, colocando suas mãos grandes de cada lado da minha cintura, fazendo uma forte onda de calor percorrer como uma flecha o meu corpo, e me tirou do chão, pondo-me em cima de seu ombro direito como se eu fosse um saco de batatas.
– Eiii seu gigante! Me põem no chão agora!!! (eu dizia em enquanto lhe socava as costas)
Ah isso é bom! Eu adoro massagem! (Gajeel dizia enquanto voltava a andar em direção a floresta)
Minha posição não era nada confortável, não gostava do fato de estar de cabeça para baixo e muito menos de ter minha bunda tão perto da cara dele, era muito constrangedor, mas lá no fundo estava agradecida, pois meus pés já estavam cheios de bolhas de tanto andar. Pude sentir o cheiro se seus cabelos, era uma mistura de um perfume amadeirado e um pouco de suor, muito inebriante. Sem querer deixei uma das minhas mãos bater de leve na bunda de Gajeel, bem firme por sinal.
– Pare de tentar abusar de mim sua baixinha pervertida! ( Gajeel disse em um tom leve sem parar de andar)
Minhas bochechas ganharam um tom vermelho quase púrpura de vergonha. Não consegui falar nada em minha defesa, suspirei alto e deixei que ele me levasse para sua casa no meio do mato, seja lá onde fosse.
Após mais alguns metros, Gajeel parou, se abaixou e me pôs delicadamente no chão, parecia que ele tinha medo que eu quebrasse ou coisa parecida.
– Chegamos.
– Ele disse enquanto abria uma porta de uma casa muito simpática no meio de uma clareira não muito grande. Podia ser um espaço bem maior, mas no escuro não se podia ver muito além. A casa em si pelo exterior era de uma cor escura e de madeira, com um pequeno deck na frente e um avarandado. Gajeel abriu a porta e acendeu a luz, se afastando e dando espaço para que eu entrasse.
– Ã...não repare a bagunça não somos muito organizados. (Gajeel disse enquanto fechava a porta e eu ficava parada no pequeno hall olhando em volta).
“Não somos?”
– Você mora com mais alguém??? ( falei alto demais)
– É sim, mas calma, ele é um gato.
Gajeel riu da minha expressão e foi andando até o corredor logo a sua frente, entrando em cômodo ao fim dele que estava escuro.
Olhei ao redor, não era desarrumada, havia algumas coisas fora do lugar, mas nada demais. A sala não era grande mas era muito aconchegante, havia uma porta de vidro que dava para o deck com uma cortina pesada, um tapete felpudo, uma lareira bem grande de pedra, um sofá de tamanho médio e uma poltrona onde havia alguma coisa preta se mexendo!
Apesar do medo me aproximei para ver o que era. A bola preta de pelos se mexia lentamente, era um gato, um gato grande diferente dos normais. O animal acordou e olhou para mim sem surpresa alguma.
– Você é uma garota? ( disse o gato)
– AHHHHHHH MEU DEUS! ( não pude me conter o gato estava falando)
– O que ouve? (Gajeel veio com passos largos do cômodo que eu imaginava ser o seu quarto, atrapalhado com uma camiseta que ele tentava colocar desajeitadamente em quanto caminhava, deixando seu abdômen e peitoral amostra).
Mais uma vez a sensação de fogo líquido correndo pelas minhas veias veio a tona. Aquilo era incrível, e fazia minha pernas pregarem peças em mim. Me apoiei no sofá olhando para o gato e desviando meu olhar do corpo incrível do mago.
– Ele fala! O o gatoo, fala! ( disse com a voz falha)
– É claro que fala! Ele é um exceed, não é um gato comum. ( Gajeel disse terminando finalmente de vestir a camiseta)
– Meu nome é Lily. ( disse o gato em pé na poltrona e com uma voz muito grave para seu tamanho).
– Lily? (disse com as sobrancelhas em pé, pois o nome era delicado demais)
– É uma abreviatura de Pantherlily. ( disse o gato educadamente) Gajeel por que essa garota está aqui?
– Ela não tem onde passar a noite, daí bati em uns idiotas e trouxe ela para cá antes que eles acordassem de novo. ( Gajeel falava em quanto pegava uma maçã de cima de uma mesa em um canto e a mordia sem cerimonia)
– O gato assentiu com a cabeça, pulou do sofá e foi até Gajeel. Parou em frente ao mago com os bracinhos na cintura.
– Oi! Não vai ficar aí sentado né? Mostre a ela a casa! Pergunte se ela está com fome!
Gajeel se levantou largando a maçã na mesa.
– É verdade! Me desculpe Levy, não estou acostumado em receber ninguém. (disse com um tom pedindo desculpas)
Levy? Levy? Ele me chamou pelo nome? Aquilo era estranho mas muito agradável ao mesmo tempo. Ouvir ele dizer meu nome com sua voz era estranhamente bom. Gajeel me pegou pela mão fazendo eu acordar do meu transe.
– O que?
– Vou te mostrar a casa, não é muito grande mas... bem aqui é o banheiro... ( Gajeel abriu a porta onde se encontrava apenas uma pia, um espelho, um pequeno armário e um sanitário). — Aqui nessa porta maior é a cozinha ( a cozinha era espaçosa, e com móveis rústicos de madeira, a casa inteira era quase toda de madeira) – Você deve estar com muita fome não é? ( disse Gajeel coçando sua cabeça pensativo) – Uhmmm, minha dieta não é muito normal...mas acho que tenho cereal, pão...suco...uhmmm você gosta de sopa? Tenho uns pacotes prontos aqui.. ( Gajeel estava concentrado olhando em cada canto de sua cozinha o que eu poderia comer, de certa forma achei muito fofo).
– Você gosta mesmo de móveis rústicos né? (perguntei)
Uma voz grave surgiu atrás de mim
– Se não fosse de madeira ele provavelmente já teria comido tudo! ( Lily disse).
– Como é? Por que? ( perguntei olhando de Lily para Gajeel)
Gajeel soltou um muxoxo, e deu uma olhada feia para Lily.
– Minha magia, é diferente...
– Diferente como ? ( perguntei cada vez mais curiosa)
– Ele é um Dragon Slayer. ( Lily disse sem cerimonia)
– O que???!!! (gritei)
– Para com isso baixinha, não é a coisa mais anormal do mundo. ( Gajeel disse meio encolhido)
– Como não? Você tem a magia antiga, a magia dos dragões...
– Tem que ver sua cara nanica, parece que viu um fantasma. Seu cheiro apropósito, está machucada? ( Gajeel disse voltando a ficar serio de novo e olhando em direção aos meus pés)
Eu já havia esquecido que estava com os pés em frangalhos. Olhei para Gajeel me lembrando da dor.
– Você tem um olfato incrível não é? ( perguntei)
– Aham, e não só isso... ( Gajeel sorriu tímido) ...Deixa eu ver seus pés...
Gajeel se aproximou de mim, fazendo-me sentar em uma cadeira da cozinha. Se abaixou na minha frente. Me encolhi. Gajeel fingiu não notar, levou suas mãos até um de meus pés, e tirou minha sapatilha bem devagar. Soltei um suspiro de dor, as bolhas em contato com o oxigênio arderam muito.
– Uhmmm está ficando feio, é melhor você lavar, depois colocamos uns curativos, vou te mostrar onde é o banheiro..
– Mas você já me mostrou...
– O banheiro para tomar banho baixinha, não aquele ali. ( Gajeel disse se levantando e saindo da cozinha)
O segui pelo corredor, até entrarmos na ultima porta da casa, o cômodo que ele ainda não havia me mostrado. Como eu desconfiava era o quarto dele. O quarto não era grande mas também não servia para pequeno, estava impregnado com o seu cheiro inebriante. Abaixo da janela ficava uma cama grande de casal, com uma cabeceira de cobre retorcido, era muito bonita e a única coisa sem ser madeira que eu havia visto. De frente para a cama havia um baú, estava aberto, olhei rápido para dentro e vi várias peças de metal, parafusos, correias, pregos, pedaços de ferro, achei estranho, Gajeel fechou a tampa casualmente, em outro canto havia mais uma lareira, menor que a primeira, mas também de pedra. Um armário grande até o teto preenchia o outro canto do quarto e perto dele havia uma porta. Gajeel foi até a porta e a abriu.
– Bem, esse é o banheiro com chuveiro e tudo o mais. Você pode pegar toalhas ali naquele armário, tem umas duas que nunca usei, você vai perceber, ainda devem estar com a etiqueta. Para encher a banheira é bem simples, é só girar aquelas duas torneiras ali ao mesmo tempo e esperar. Ou se quiser só o chuveiro aí é aquela torneira mais acima. Bem acho que é isso, vou estar na cozinha fazendo alguma coisa para comermos, fique a vontade. ( Gajeel disse meio nervoso e se afastou saindo do quarto e fechando a porta atrás de si).
Nem tive tempo de agradecer, Gajeel estava nervoso pela primeira vez naquele dia, talvez por ser a também a primeira vez que havia uma garota em seu quarto,...será?
Olhei para a banheira na minha frente e fiquei tentada, girei as torneiras e comecei a encher a banheira. Achei as toalhas, e ao lado delas sabonetes e shampoo. Peguei o que precisava, tirei meu vestido e minhas sapatilhas e analisei meus pés.
Havia várias bolhas estouradas e o calcanhar estava sangrando, doía muito.
A banheira não demorou para encher. Coloquei um pouco de sabão liquido na água para fazer a espuma e entrei dentro.
A sensação foi ótima, meu corpo inteiro reagiu a água quentinha, me senti no céu. Meu corpo começou a relaxar aos poucos até a água encontrar meus pés e eu me contorcer de dor até me acostumar. Foi um banho ótimo, estava tão bom que quase peguei no sono dentro da água.
Algo em tudo aquilo, me fez pela primeira vez em dias, eu me sentir em casa. Era um sentimento estranho, mas era tão natural, como se eu sempre tivesse me sentido assim. Gajeel nem parecia um estranho que eu havia conhecido a apenas um dia e sim alguém que sempre esteve ali por mim. Sorri com o pensamento enquanto mergulhava completamente dentro da banheira.
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