Inesperado
5 Here for you
Notas iniciais
Levy caminhou pelas ruas de Magnólia durante horas, até encontrar perto do centro uma plaquinha de “Aluga-se”, espiou pela janela do local e entrou. Uma senhora veio até ela e conversou sobre o local. Não era grande, na realidade mal havia espaço para as coisas que Levy tinha. Não poderia trazer todos os seus livros, ou sua estante de madeira que havia ganhado de seu pai. Levy suspirou pesarosa. O quarto pequeno era quase claustrofóbico.
– Quanto é? – Levy perguntou para a senhora que esperava no corredor.
– 35 moedas de ouro minha jovem. – a velha respondeu.
– Tudo bem, eu vou aceitar. – Levy disse de ombros caídos.
Após alugar o quarto Levy foi até sua antiga casa, um enorme caminhão de mudanças estava estacionado na frente. Levy correu para dentro da casa a procura de sua madrasta.
Elena estava na cozinha, apontava para uma cristaleira e pedia para que os homens tivessem muito cuidado ao carrega-la.
– Elena? – Levy chamou.
– Levy!! A onde você estava menina? Eu estava quase colocando suas coisas na rua... – Elena dizia sem emoção.
– Eu estava procurando um lugar...onde estão minhas coisas? – Levy perguntou, não queria conversar com Elena, queria sair logo dali.
– Seu quarto ainda está intacto, se apresse, está bem? – Ele respondeu mas Levy já estava na escada.
Levy entrou em seus quarto, aquela seria a ultima vez que entraria ali, tinha tantas boas memórias, sentiu uma vontade imensa de chorar, mas sabia que não tinha tempo para lidar com suas emoções. Pegou uma mala grande e começou a empacotar os seus livros e suas roupas, assim como alguns brinquedos de quando ela era pequena, fotos, e pelúcias. Encaixotou o resto que não poderia levar, não queria vender aquelas coisas e nem deixa-las para Elena.
– “Talvez Gajeel possa cuidar disso pra mim por um tempo...” – Levy pensou esperançosa.
Assim que saiu da casa carregando três malas e quase tropeçando em si mesma várias vezes, Levy deu uma ultima olhada para a casa, não pode conter uma lágrima de rolar pela sua face. Se dirigiu para um dos homens que ajudavam na mudança:
– Ah, com licença? Será que vocês poderia deixar essas duas caixas nesse endereço? – Levy alcançava um papel com o endereço de Gajeel escrito nele.
– Claro que sim mocinha! – O homem respondeu e Levy se sentiu aliviada.
O caminho até seu novo “canto” não foi fácil, as malas eram grandes e Levy não iria pagar um táxi para isso. Era muito caro e ela tinha outras prioridades. Chegou ao seu quarto, no meio da tarde, exausta e faminta.
– “Preciso comer alguma coisa”
Levy fechou a porta atrás de si, e foi até um café na esquina, pediu um sanduiche e um café puro.
– “O que aquele gigante deve estar fazendo agora?” – Levy pensou sorrindo sozinha.
– “Já deve ter terminado o que tinha pra fazer...” – Levy olhou para o relógio da cafeteria.
Sorriu sozinha, apesar de não ser o dia mais feliz de sua vida, iria ver Gajeel e Lily na fonte em meia hora. Poderia dizer a ele que havia achado um lugar e pedir para que ele cuidasse de suas coisas por um tempo. Não tinha medo de pedir isso a Gajeel, uma segurança imensa dentro de si dizia que não havia problema em pedir algo assim a ele.
– “É melhor eu pagar aqui e ir...”- pensou Levy
A maga saiu da cafeteria feliz, se sentia leve pela primeira vez em alguns dias, tinha certeza que agora sua vida ia começar a entrar nos eixos outra vez, mesmo com pouco dinheiro, ela continuaria pagando seus estudos e logo poderia arrumar um trabalho de tradução de runas ou algo assim. Sua magia não era a melhor em batalhas agressivas mas podia ajudar também.
Levy caminhava em direção a fonte com um sorriso no rosto, sorriso que foi desaparecendo com forme seguia seu caminho, a sensação estranha, e ruim que ela havia sentido no inicio do dia a se despedir de Gajeel voltava a assolar seu peito.
– “O que será essa sensação de vazio dentro de mim?” – Levy caminhava com a mão em seu peito.
Seus passos ficaram mais rápidos, ansiava em ver Gajeel e Lily na fonte e acalmar sua sensação ruim. Olhou para frente e viu a fonte se aproximando diante de seus olhos. Suspirou de alivio, mas apesar de ver a fonte não via ninguém ali. Levy apressou mais ainda seus passos chegando até a fonte.
– Lily! Ah que bom! – Levy disse soltando um suspiro de alivio ao ver o gato preto sentado na fonte.
– LEVY! – Lily também parecia surpreso e aliviado!
– GAJEEL ESTÁ COM VOCÊ? – Os dois falaram ao mesmo tempo.
– Não, ele deveria estar com você! – disse Levy.
– Mas ele não está comigo! Achei que essa hora ele já estaria com você! – disse Lily.
– Lily! Estou com uma sensação ruim! Será que o Gajeel está bem? – Levy perguntou alarmada.
– Eu não sei. Ele disse que terminaria cedo. Também estou preocupado. – Lily dizia apreensivo.
– Vamos procurá-lo!
– Eu vou! Você fica aqui e espera...é bem perigoso pra aqueles lados. – Lily disse sério.
– De jeito nenhum! Sou uma maga também! Eu posso ser útil, vou junto! – Levy disse e se pôs a caminhar.
– Levy!?
– Sim?
– É para o outro lado. – disse Lily.
Os dois caminharam em direção a parte mais afastada e marginalizada de Magnólia, Levy nunca havia estado ali, nem sequer poderia imaginar que e em uma cidade tão linda, tivesse um lugar tão sombrio e amedrontador. Logo os dois se aproximaram de uma casa grande e separada das outras, era uma casa horrível. Em cima do batente da porta havia uma placa onde dizia, “ Sleepy Hollow”.
– Sleepy Hollow? – indagou Levy.
– Sim. Essa é a guilda das trevas da qual Gajeel me falou. – disse Lily.
– Parece estar vazia. – disse Levy.
– E está. Bem eu vou entrar e dar uma olhada. Espere aqui eu já volto! – Lily disse e se transformou, assumindo sua forma de pantera musculosa e enorme, Levy se assustou um pouquinho.
– “Isso explica a voz grossa.”- pensou Levy.
– “Sinto cheiro de sangue e ferro, mas não posso dizer isso a ela...” – pensava Lily.
Lily entrou casa adentro farejando o ar, olhou para trás, Levy o olhava apreensiva da soleira da porta. Estava tudo muito escuro e difícil de se ver. A casa estava realmente quieta. Lily sentiu o cheiro ficar mais forte perto de uma porta lateral, abriu-a e viu uma escada. Desceu a escada rapidamente e sem medo do que encontraria, ao chegar no porão viu uma luzinha vindo de uma lâmpada no teto, aumentou a intensidade da luz no interruptor e o viu.
Preso com os braços esticados na parede estava o dragão de ferro. Parecia estar acordado, mas muito fraco e machucado. No chão havia uma possa de sangue, Lily se apavorou.
– Gajeel! Meu Deus! – Lily disse indo até ele. Gajeel levantou a cabeça com um sorriso fraco.
– É, dessa vez eu me ferrei, Lily. Cof, cof. – tossiu.
– O que aconteceu? – Lily perguntava enquanto tentava soltar Gajeel.
– Alguém os avisou, estavam me esperando em grande estilo. – Gajeel respondeu.
Os dois pararam ao ouvirem passos correndo, descendo as escadas. Gajeel se apavorou ao ver Levy ali, petrificada, olhando para ele, os olhos se enchendo de água. Levy não acreditava no que via, tudo aquilo ruim que sentia, estava explicado, ele estava mesmo em apuros e não era nada bom. Levy caminhou até os dois.
– Droga, Lily! Por que trouxe-a com você! – Gajeel resmungou.
– Eu insisti em vir junto! – Levy disse firme, se aproximando de uma das mãos presas de Gajeel.
– Que patético. – Gajeel olhou para o chão derrotado.
Os cadeados estavam presos por algum feitiço lacre. Levy detectou e desfez o feitiço rapidamente, libertando Gajeel que caiu sendo amparado por ela e Lily. Gajeel apertou os olhos, procurando ferro a sua volta, mas não havia.
– Lily?! Preciso comer. – Gajeel murmurou.
– Por que não come os cadeados? – Lily disse.
– Acha que não tentei isso antes? Tem alguma coisa neles...não posso comer. – Gajeel concluiu.
– Do que estão falando? Do que você precisa? – Levy perguntou se ajoelhando em frente a Gajeel que permanecia em silêncio e de olhos fechados.
– Não quero dizer pra você! – Gajeel disse nervoso.
– Olha, você não está em condições de querer alguma coisa ou não. Me diga o que é, Gajeel! – Levy disse calma e carinhosamente, colocando sua mão no queixo esfolado de Gajeel e fazendo com que ele tivesse que olhar em seus olhos.
– Droga, baixinha... Ferro. Preciso de ferro. Satisfeita? – Gajeel bufou.
– Você é um dragão de ferro? Essa é a essência de sua magia? – disse Levy mais que pra si mesma.
– Sim.
– Ok. – Levy disse se levantando.
A maga fez alguns gestos no ar e se concentrou, então disse “IRON”, e a palavra escrita em ferro, surgiu no ar, caindo com um baque no chão. Gajeel ficou impressionado, seu coração parecia ter se aquecido derrepente.
– Pronto! Agora coma! – disse Levy autoritária.
– Você é demais, pequena. – Gajeel disse e se pôs a devorar o grande pedaço de metal a sua frente.
Lily observava tudo sorrindo discretamente. Levy fez alguns feitiços protetores, para que ninguém pudesse entrar ali enquanto eles estivessem na casa. Depois de alguns minutos Gajeel estava de pé. Estalou seus ossos, e com um movimento nada bonito recolocou seus ombro no lugar. Levy pode então dar uma geral nele, estava só com as calças e os coturnos. O toráx nu, estava muito machucado, cheio de marcas roxas e escoriações. Havia um corte feio e profundo em seu braço que sangrava, suas calças também estavam com manchas de sangue, seu rosto estava bem arranhado, havia um corte em seu supercilio que estava escurecendo, sangue na lateral de seu rosto, mas sem marcas rochas. Levy sentiu muita vontade de chorar, não acreditava que ele havia sido tão machucado, muito menos que havia se machucado em um trabalho para a guilda da qual ele fazia parte. Aquele homem forte que a defendera de ladrões estupradores e que tinha cuidado dela, estava ali, agora quem precisava de ajuda era ele.
– Vamos sair daqui. – Disse a voz grave de Lily.
– Sim, vamos. – concordou Gajeel.
– Você pode andar? – perguntou Levy preocupada.
– Não se preocupe comigo baixinha. Além do mais, seu ferro era uma delícia, me sinto bem melhor. – Gajeel disse e sorriu fraco para Levy, seu olhar estava carregado de agradecimento.
Levy corou violentamente. Os três caminharam para fora da guilda destruída, e seguiram o mais rápido que podiam de volta para Magnólia. Lily insistiu que Gajeel fosse para a enfermaria da guilda, mas Gajeel teimou, dizendo que queria ir para casa, tomar um banho, e que ficaria bem. Mas pediu que Lily fosse até a Fairy Tail e contasse o ocorrido ao mestre da guilda. Lily concordou contra a vontade e Levy disse que cuidaria de Gajeel enquanto isso. Lily aprovou a ideia e o grupo se dividiu.
Levy e Gajeel caminharam pela floresta bem devagar e em silêncio. Apesar de poder andar, os machucados de Gajeel ainda doíam muito. Quando avistaram a casa na clareira, após um longo tempo, Levy suspirou aliviada.
– “Não se preocupe, vou cuidar de você, Gajeel.”
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