Inesperado
1 Confusões e Apresentações
Levy Mcgarden, era uma garota meiga, de cabelos azuis levemente ondulados, maçãs do rosto rosadas, pele clara e estatura um pouco baixa para sua idade, 17 anos. Levy morava com sua madrasta, Elena.
Após a morte de sua mãe devido a um câncer, o seu pai resolveu casar-se de novo. Elena era uma linda mulher, alta, loira, cabelos longos e esvoaçantes e sempre tratará bem Levy, até o dia em que o seu querido pai também veio a falecer.
Foi numa manhã fria de inverno que a notícia chocante, cortou o coração de Levy, seu pai Eric, havia sofrido um acidente de trem e morrido. Os Mcgarden nunca foram ricos, mas Levy nunca passou necessidades, tinha tudo que precisava, e sempre pedia mais livros, estudava magia, pois seu maior sonho era se tornar uma importante maga de Fiore, assim ficaria rica fazendo muito trabalhos. Gostava principalmente de estudar línguas antigas e esquecidas, pois estes trabalhos não requeriam habilidade física que não eram o seu forte, e sim muita astúcia e sabedoria, o que Levy tinha de sobra.
Tudo pareceu se apagar quando o pai de Levy morreu. A princípio sua rotina não havia mudado, continuava frequentando as aulas de ensinamentos rúnicos e lendo a maior quantidade de livros que podia. Era a melhor forma que encontrava de esquecer sua tristeza e acalmar a sua alma.
Elena havia mudado drasticamente. Estava mais ríspida, menos flexível, e nada gentil. Havia ficado com a casa, e com todo o dinheiro dos Mcgarden.
- Levy? Dessa aqui!
A maga de cabelos azuis, levantou a cabeça de seus estudos em seu quarto, local onde ela passava quase a maior parte do tempo, soltou um longo suspiro e desceu as escadas.
Elena estava no sofá, com um copo de vinho na mão e alguns documentos ao redor de si.
- Levy, queridinha. Sei que é duro dizer isso, mas estou vendendo está casa.
Levy sentiu o chão sumir embaixo de seus pés.
- Mas foi aqui que eu nasci. (Limitou-se a dizer).
- Eu lamento, com as dividas e o clima dessa casa, não posso continuar aqui. Como você não tem renda, terá que achar um novo lugar. Eu a levaria comigo, mas estou me mudando para o outro lado de Fiore e...Bem não importa. Você entende não é? (Disse Elena sem parecer estar nem um pouco amargurada).
- Sim. ( Levy limitou-se a dizer)
- Ah que maravilha! Fico feliz que tenha entendido! Essa é a parte que cabe a você no testamento de seu pai, acredito que possa encontrar um cantinho bem confortável pra você. ( Disse Elena, alcançando a Levy um envelope).
˜˜˜˜˜˜˜˜˜˜˜˜˜˜˜ * ˜˜˜˜˜˜˜˜˜˜˜˜˜˜˜
Naquela tarde Levy preferiu sair de casa e caminhar um pouco a fim de clarear sua mente. Sentou-se num café no centro de Fiore e se pôs a ler o conteúdo do envelope. A quantia que havia ali não era nada satisfatória. Levy poderia alugar um quarto em algum lugar, mas não poderia mais frequentar suas aulas. Suspirou, triste e resolveu continuar a caminhar pelas ruas de Fiore sem ter para onde ir.
Estava perdida em pensamentos quando deu de cara em algo muito duro e resistente. Seu rosto estava dolorido e sua mente um pouco atordoada. Levantou os olhos assustada e se afastou um pouco, para se dar conta que não havia batido em nenhuma parede e sim em homem alto e forte.
Levy não sabia por que mas não conseguia dizer nada. O rapaz em questão, tinha os cabelos longos, espetados e negros, mas muito bonitos. Braços fortes, com algumas cicatrizes que pareciam ter doído bastante, vestia vestes diferentes, suas botas, assim como suas luvas possuíam parafusos, seu rosto era forte e firme, mas extremamente másculo e bonito, havia pircings em suas sobrancelhas e em seu nariz, assim como em seus braços também. Levy se perguntou mentalmente onde mais ele teria pircings. Foi nesse instante que os olhos de íris vermelhas olharam para baixo e uma voz grave e um pouco rouca fizeram Levy se arrepiar sem nem saber o por que.
- Você é cega, baixinha?
Levy sentiu seu sangue ferver. “Baixinha?” Como assim? Quem era ele para lhe dar apelidos infames!
- Olha aqui sua muralha de ossos e carne eu não sou baixa! E não sou cega! Você que é o gigante aqui! Entendeu?
O homem arregalou um pouco os olhos, mas logo sorrio de canto.
- Baixinha e invocada ... é uma bela combinação. ( Disse cruzando os braços displicentemente e deixando ainda mais em evidencia os seus músculos).
Levy sentiu um calor repentino.
- Olha só, to num péssimo dia, me desculpa tá! Agora vê se saí da minha frente.
Com esforço para olhar naqueles olhos penetrantes, Levy proferiu as palavras e tentou passar pelo homem que automaticamente agarrou o seu braço.
- Ei! Me solta! (Disse Levy se debatendo).
- Qual o seu nome baixinha? (Disse o homem se aproximando perigosamente do ouvido de Levy).
- Levy Mcgarden.
O homem deu um passo para trás a soltando. Sorriu gentil, fazendo Levy não entender mais nada.
- É bem bonito. Combina bem com o seu tamanho. Me chamo Gajeel Redfox.
Levy abriu a boca várias vezes para protestar, mas não saiu nada.
- Você é estranho! É algum chefe de gangue por acaso? (Disse Levy, com provocação).
Gajeel arregalou os olhos e logo em seguida riu.
- Mas que atrevida você é...não te ensinaram respeito?
Levy se encolheu um pouco.
- Sou um mago.
Levy arregalou os olhos e permaneceu em silêncio, de alguma forma aquilo fez com que o calor dentro de si voltasse a queimar levemente.
- E você mini ser? Está perdida?
- Sou uma maga também, se quer saber! E não estou perdida! (Disse Levy irritada com o fato de ter sido chamada de “mini ser”).
- Okay...não precisa ficar irritadinha. Você parece triste, está tudo bem? ( Até mesmo Gajeel se surpreendeu com sua pergunta, não estava acostumado a ser gentil, mas aquilo estava sendo tão espontâneo que nem percebeu).
- Preciso de um lugar para alugar... ( Disse Levy se lembrando de seu problema e se sentindo abalada de repente).
- Uhmm...
- Bem tenho que ir, desculpe ter esbarrado em você e tchau! ( Disse Levy agarrando sua mochila mais próxima ao corpo e saindo correndo).
Não olhou para trás para ver a cara do tal Gajeel, mas a cada passo rápido que dava enquanto se afastava, sentia-se mais e mais triste. Tinha que admitir que aquele pequeno esbarrão, havia a feito esquecer de seus problemas por alguns minutos.
Passou o resto da tarde procurando um lugar para si, já estava tarde e ficando escuro, seus pés estavam doendo de tanto andar. Havia encontrado vários lugares bons, mas todos muito caros para ela no momento. Levy não sabia mais o que fazer. Não queria voltar para casa e encarar Elena, sem ter ainda para onde ir. Sentindo-se extremamente fatigada, sentou-se em um banco perto de uma praça em um bairro mais afastado do centro de Magnólia.
Já estava ali a alguns segundos quando sentiu-se ser puxada pelo pescoço. Seus pés ficaram no ar, mãos fortes e risinhos, vieram de trás das árvores. Levy se debateu.
- Mas que bela fadinha temos aqui! ( Disse um dos homens truculentos que a seguravam)
- Sua mochila não tem dinheiro, só livros, chefe! ( Disse o outro menor mas muito feio)
- Olhou direito, seu idiota? ( Disse um outro que se aproximava lentamente)
- Ah esperem! Aqui está! É uma apólice! (Disse o menor segurando o envelope na mão)
- Não!!! Por favor! É só o que eu tenho! Não peguem! É meu!!! ( Levy chorava e se debatia, tentando inutilmente usar as mãos para se esquivar)
- Oh! Pobrezinha...me da um beijinho para você se acalmar! ( Disse o que a segurava, que agora a agarrava por trás)
- Me solta seu nojento! “FIRE!” ( a palavra escrita em fogo surgiu no ar, queimando o homem atrás de si)
- Ah sua puta! (Dizia o homem tentando apagar as chamas de suas roupas)
- Pega ela seu idiota! (O homem mais sério falou, enquanto o menor pegava Levy pelos cabelos)
- Ahhhh!!! Me solta!!
- Sabe, você é bem bonitinha, além do dinheiro, vamos ficar com você também. ( Disse o menor no ouvido de Levy, enquanto a segurava com força pelos cabelos)
- Me da ela aqui primeiro! ( Falou o grandalhão que havia conseguido apagar as chamas).
- Me larga! (Levy dizia, enquanto o menor a largava e o grandalhão a agarrava)
- Vamos ver o que temos embaixo desse vestidinho...
O maior levou a mão até o vestido de Levy, a garota fechou os olhos com nojo, esperando pelo pior, enquanto se debatia, mas no entanto ouviu um forte estrondo e abriu os olhos.
A cena que viu a seguir era inacreditável. Os três homens estavam jogados um em cima do outro, desacordados. E vindo em sua direção uma sombra ficava cada vez maior. Levy se encolheu para se proteger.
- O que é isso pequena? Está com medo de mim?
A voz familiar fez Levy abrir os olhos.
- Gajeel!
- Você tirou o dia para arranjar problemas não é? O que fazia aqui nessa praça sozinha? (Disse Gajeel, com o rosto sério).
- E..eu..estava refletindo...
- Refletindo? Refletindo sobre o que? Como ser violentada por vagabundos?
- Claro que não, idiota! Sobre minha vida... (Disse Levy abaixando a cabeça e olhando para seus pés).
- Uhm...te machucaram? ( Disse Gajeel, dando uma geral na garota, fazendo Levy ficar vermelha).
- Não, estou bem!
- Ótimo! Então vá para a casa, aqui não é seguro para uma garota pequena e frágil como você ficar sozinha. (Gajeel disse em tom autoritário).
“Frágil?” Ele me chamou de “frágil?”
- Nnnão quero voltar para uma casa que não me pertence mais...tenho que achar um lugar pra ficar. Obrigada por me ajudar, mas vou continuar procurando. ( Disse Levy enquanto se abaixava e pegava suas coisas do chão).
- Garota, você é louca? Não vai achar nada, está escuro! É perigoso! Não percebeu? ( Disse Gajeel na frente de Levy irritado)
- É problema meu! Não seu! ( Disse Levy colocando as mão na cintura)
- É problema meu sim! Não te salvei agora a pouco pra você sair e se meter em outra encrenca!
- Não te pedi ajuda! Eu podia muito bem me virar! ( Levy erguia a voz)
- Ah podia sim! Tava se virando muito bem... ( Gajeel disse em tom provocante)
- Não enche seu gigante!
- (Suspiro)* Olha só garota, eu sei que a gente não se conhece...mas já que você precisa de um lugar e já está tarde e eu não vou deixa-la caminhando pela rua desse jeito... Pode passar a noite na minha casa se quiser! ( Disse Gajeel corando um pouco no fim).
- Hahahaha! Na sua casa! Ah tá! ( Disse Levy incrédula)
- Olha só sua baixinha, eu não sou um maníaco, moro aqui perto e não pretendo tocar em você! Se enxerga! (Disse Gajeel gesticulando fortemente)
“Se enxerga?”
- Ah cala a boca! Tá bem eu aceito. ( Disse Levy, afim de acabar com a conversa)
Gajeel sorriu vitorioso mas contido, e se pôs a caminhar a paços largos na frente da garota que tinha dificuldades em acompanhar. Levy não sabia por que havia aceito a oferta, só sabia que dentro de si, alguma coisa dizia a ela que o tal Gajeel não era mau.
Notas finais
Espero que gostem!
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