Inesperado
1 Prólogo (Elena)
Notas iniciais
Espero que gostem...
Fechei a última mala e a retirei de dentro do quarto colocando perto da porta junto com as outras.
Toda a minha vida resumida em apenas três malas, chega até a ser patético. Quem não me vê há mais de um ano nunca vai conseguir entender como cheguei a esse ponto.
Meus pensamentos foram interrompidos por um choro de bebê que me fez virar na mesma hora em direção ao sofá. Minha filha estava balançando os bracinhos e as perninhas totalmente impaciente. Ela tem apenas dois meses mais sabe muito bem o que quer, e ficar amarrada em uma cadeirinha de carro não é uma dessas coisas.
- Fica calma minha princesinha – sentei ao lado dela e coloquei a chupeta cor-de-rosa na sua boca – Só mais um pouquinho de paciência, já vamos embora.
Foi então que meu celular começou a tocar. Retirei o aparelho de dentro da minha bolsa e o atendi na mesma hora.
- Oi, Car! — nem precisava olhar o identificador de chamadas para saber que era a minha melhor amiga do outro lado da linha, só podia ser ela.
- Oi, Lena! — disse em seguida – Só te liguei para saber se é isso mesmo que você quer? Essa é mesmo a sua decisão final?
Não pude deixar de revirar os olhos. Caroline me conhecia muito bem para saber que eu não iria voltar atrás, não agora.
- Sim,Car, essa é a minha decisão final – respondi com bastante convicção – Eu e a Liv já estamos prontas e as malas também estão arrumadas. Só esperando por você.
- Certo! — concordou, por fim – Estou saindo do ensaio das lideres de torcida agora. Devo chegar ai em vinte minutos.
Senti meu coração apertado ao ouvi-la falando sobre o ensaio das lideres de torcida. Essa foi uma das várias atividades na escola que eu precisei largar.
- Só preciso saber de mais uma coisa – pediu – O Damon está ai agora?
- Não! — dei uma rápida olhada no relógio, já passava das dez da manhã e ele tinha saído de casa ontem a noite, não dei nenhuma notícia desde então – Mas vai ser melhor assim, vou embora e não preciso dar nenhum tipo de explicação a ele.
- Eu realmente, sinto muito por isso tudo, Lena – ela deu um longo suspiro do outro lado da linha – Fui eu quem apresentou vocês dois, indiretamente sou culpada pelo que está acontecendo.
- Já disse que não foi sua culpa, Car – já tivemos essa discussão milhares de vezes desde que tomei a decisão de que iria sair de casa há cinco dias – Todas as decisões foram minhas, somente minhas.
- Acabei de chegar no carro – mudou totalmente de assunto – Me espere bem ai, Lena.
Desliguei o telefone e dei uma rápida em Olívia que agora estava totalmente virada para mim com os seus grande olhos azuis, uma das poucas coisas que herdou do pai.
- Sei que agora você deve estar pensando que a sua mãe é uma completa maluca – passei a mão pelos seus cabelos – Mas daqui há alguns anos vai entender que estou fazendo isso pelo nosso próprio bem.
Ouvi o barulho de chave abrindo a porta, Damon tinha decido dar sinal de vida. Era evidente que tinha dormido fora de casa, estava até com o cabelo molhado, mas também sabia que ele tinha bebida, podia sentir o forte cheiro de cerveja da distância em que estava.
- Aonde você está indo? — olhou para as malas antes de se virar para mim.
- Não parece óbvio? — apenas dei de ombros – Estou indo embora e, é claro, vou levar a minha filha comigo.
- E pretende ir para onde? — pude ver um leve sorriso sair dos seus lábios – A última vez que conferi, seus pais não queriam te ver nem pintada de ouro na frente deles.
Senti as lágrimas se formarem no canto dos meus olhos, a lembrança dos meus pais me expulsando de casa no momento em que contei que estava grávida ainda era muito doloroso para mim. Mas eu não poderia chorar por isso, principalmente na frente de Damon.
- Caroline falou com os pais dela e eles disseram que posso ficar lá – respondi, por fim – Vai ser por pouco tempo, somente durante esse último mês de aulas. Depois vou procurar um emprego e arranjar um apartamento para morar com a Olivia.
Damon não falou mais nada depois disso, apenas ficou me olhando. Sabia que milhares de coisas estavam passando por sua cabeça nesse momento.
- Você não vai falar nada a respeito disso? — decide perguntar.
- E o que você quer que eu fale ou faça? — deu de ombros – Quer eu me ajoelhe aos seus pés e implore que não vá embora? Lamento te decepcionar, Elena, mas eu nunca vou fazer isso.
Claro que ele nunca iria fazer isso. Eu era a única que tentou, algum dia, salvar esse casamento, cansei disso, a minha paciência tem limite.
- Só quero que você saiba que não vou te afastar da Liv – garanti – Você pode vê-la sempre que quiser, sabe o meu telefone.
- Eu não quero vê-la – seu tom de voz, era frio – Por mim vocês poderiam se mudar para o outro lado do mundo que eu não me importaria.
- Sei que você não quer olhar na minha cara e pensa que eu destruí a sua vida completamente – estava encarando o chão nesse momento – Mas deveria, ao menos, se importar com a Liv.
- Eu não a queria, você sabe muito bem disso – lembrou.
- Também não estava preparada para ser mãe agora, eu só tenho 17 anos e toda uma vida pela frente, mas aconteceu e eu amo a Olivia mais do que qualquer coisa nesse mundo – garanti – Ela é nossa filha, Damon, aconteça o que acontecer entre nós dois, esse é a única coisa que não podemos mudar.
- Logo se vê como nós pensamos de maneira diferente – passou por mim e caminhou em direção ao corredor – Agora com licença, preciso trocar de roupa.
No momento em que ouvi a porta do quarto batendo eu desabei no sofá. Nem sei por que ainda tento fazer o Damon se importar? Ele teve quase um ano para isso, não seria agora que as coisas mudariam.
Não demorou muito para interfonarem da portaria avisando que Caroline estava me esperando lá embaixo. Pensei em ir me despedir do Damon, mas sabia que ele não se importava e também decidi não me importar.
Foi muito difícil sair de dentro do apartamento com minhas três malas e a cadeirinha para carros da minha filha, mas eu consegui. No momento em que sai de dentro do elevador minha melhor amiga veio ao meu encontro.
- Deixa eu te ajudar, Lena – pegou uma das malas da minha mão e fomos caminhando em direção ao seu carro – Poderia ter subido para te ajudar com as coisas.
- Não queria dar mais trabalho do que já estou dando – expliquei – Podia fazer isso sozinha, como pode ver.
Colocamos as bagagens no porta-malas e prendemos a cadeirinha de Olivia no banco de trás do veículo. Já estávamos nos preparando para sair olhando para o prédio a minha frente, mais especificamente, para a varanda do apartamento que morava até alguns minutos atrás.
- Você está bem, amiga? – Caroline se virou para mim.
- Estou sim! — balancei a cabeça afirmativamente – Vou ficar melhor quando sair, definitivamente, daqui.
Ela concordou com a cabeça antes de dar partida no carro. Estava começando, a partir de agora, um novo capítulo na minha vida.
Notas finais
Como vocês podem ver as coisas entre o Damon e a Elena não começaram muito bem, mas logo as coisas vão começar a se resolver. E também vai ser explicado ao longo da história o que exatamente aconteceu entre o Damon e a Elena.
Bom, é isso, comentem e digam o que estão achando.
Fale com o autor