Inesperado
21 Capítulo 20 - Conversa séria (Damon)
Notas iniciais
Mas eu queria agradecer por todos os comentários que eu amei muito (e as recomendações? Eu não mereço mais recomendações?...)
Bom gente, é isso, espero que gostem do cap
Nos vemos lá embaixo nas notas finais.
— Está tudo certo! — a enfermeira falou depois de colocar agulha na veia do meu braço, depois pegou uma bola macia que estava em cima da outra cadeira e me entregou – O senhor pode ficar apertando isso, faz o sangue sair mais rápido.
Comecei a apertar o objeto e ela fez uma última verificação para ver se está tudo certo antes de ir em direção a porta.
- Eu volto daqui há alguns minutos para ver se a bolsa de sangue está cheia – avisou – Qualquer coisa que precisar pode me chamar apertando o botão ai do lado.
Concordei com a cabeça e ela saiu do local.
Aquela era uma sala bem espaçosa e confortável. A parede e o chão eram brancos, tinham várias cadeiras acolchoadas e reclináveis como a que eu estava no momento, também tinha um ar-condicionado que deixava o ambiente frio e, em um dos cantos, estava uma TV aonde passava um filme de comédia romântica qualquer.
Fiquei olhando o sangue sair do meu braço, passar pelo tubinho e parar na bolsa de sangue que estava em uma mesinha de metal ao meu lado. Muitas pessoas não gostam de olhar quando estão fazendo exame de sangue, mas esse nunca foi o meu caso, por isso minha mãe me chamava de “meu vampirinho” quando eu era criança.
Ouvi a porta da sala se abrindo. Pensei que fosse a enfermeira, mas quando olhei vi que era Elena.
- Oi! — ela me deu um sorriso tímido.
- Oi! — acenei para ela com o meu braço livre – E então, como é que você está se sentindo?
- Bem melhor! — de um longo suspiro se encostando na parede – Mas acho que só vou relaxar mesmo quando puder ver a minha filha e verificar com os meus próprios olhos que ela está mesmo bem.
- Sei o que quer dizer! — concordei – Aonde é que estão os outros.
- A Kath pediu para te dizer que foi para o hotel em que você está hospedado – respondeu – Avisou que está muito cansada por ter passado o dia inteiro viajando e que amanhã ela vem visitar a Liv.
- Tudo bem, eu mesmo disse para ela ir direto para o hotel, foi a Kath que insistiu de vir aqui – revirei os olhos, minha irmã conseguia ser muito teimosa quando quer – E a Caroline?
- Pedi para o Klaus levá-la embora, ela vai dormir na casa dele – explicou – E é mesmo um alívio. Eu adoro a Car e tudo mais, mas quando ela quer ajudar acaba falando mais do que o normal e eu quase enlouqueço.
Fiz uma careta sem conseguir deixar de concordar com ela. Elena se aproximou mais de mim e se sentou na cadeira ao meu lado.
- Dói muito? Perguntou colocando a mão a sob a minha – Ficar ai tirando todo esse sangue?
- Na verdade, não! — dei de ombros – É como fazer qualquer exame de segue normal, só que demora um pouco mais, é claro.
- Nunca gostei de tirar sangue – admitiu, não pude deixar de rir.
Ela percebeu o quão próximos estávamos e se afastou. Então ficou ali olhando as unhas que estavam perfeitamente pintadas de rosa.
- Sabe, isso que você está fazendo é muito legal – quebrou o silêncio constrangedor depois de alguns segundos – Essa história de doar sangue para a Liv.
- Ela também é minha filha, Elena – lembrei – Não estou fazendo nada mais do que a minha obrigação.
- Mesmo assim – continuou – Sabe, desde que a Liv nasceu eu fiquei imaginando como seria a interação entre vocês. E é muito bom ver os dois, finalmente, se conhecendo e se dando bem.
Abri a boca várias vezes, mas nenhum som saiu dela. Não tinha o que argumentar, eu tinha abandonado as duas e não tem nada que eu possa fazer para mudar isso a não ser tentar me redimir, e ainda acho que nem isso vai ser o suficiente.
- Olha, Elena, quando nós estávamos esperando notícias da Liv eu tomei uma decisão – falei – Vou assinar os papeis do divórcio. Assim você pode se casar com o Stefan sem mas nenhum problema.
- Será que a gente pode conversar sobre isso depois – pediu – Ainda não consigo pensar em mais nada e acho que não vou conseguir até que a Liv tenha saído desse hospital.
- Entendo! — concordei – Mas saiba que essa é minha decisão é definitiva e não vou mudar de ideia de novo.
- Obrigada! — sorriu – Acho que você está mesmo me surpreendendo muito hoje.
Foi nesse momento que a enfermeira voltou, interrompendo a nossa conversa. Ela foi verificar a bolsa de sangue, que já estava cheia e a retirou do meu braço, colocando um pequeno curativo.
- Vou levar isso aqui para ela agora mesmo – avisou – A filha de vocês é muito forte, vocês devem sentir muito orgulho dela.
- E nós sentimos – garanti.
- Você sabe quando vamos querer vê-la? — foi a vez de Elena perguntar – Estou doida para ver a minha filha.
- Preciso perguntar ao doutor Grey, mas tenho certeza de que ele não vai se opor – avisou – Enquanto isso vocês podem esperar aqui mesmo.
Então ela saiu, nós deixando sozinhos novamente.
- E quando a liminar para não me deixar chegar mais perto da Liv, você pode levar o processo adiante – continuei – Tudo que importa para mim agora é que ela seja feliz, que vocês duas sejam, e se para isso for necessário que eu fiquei longe, então é o que eu vou fazer.
- Não vou seguir fazer isso, vou retirar o processo junto com o do divórcio – falou calmamente – Jamais poderia separar pai e filha, ainda mais agora que vocês estão convivendo e eu pude ver o quanto vocês se dão bem.
Isso era mesmo tudo que eu precisava ouvir, vou poder ficar perto da minha filha. Mas por algum motivo não consegui ficar totalmente tranquilo.
- Mesmo assim acho que ainda preciso te pedir desculpas – falei calmamente, não conseguia olhá-la direitamente nos olhos – Por tudo que eu te fiz passar. Ter me envolvido com você só para te levar para cama, ter te engravidado e te ignorado quando fiquei sabendo disso, por praticamente ter sido o responsável pela sua mãe ter te expulsado de casa e, principalmente, por ter ignorado você e a Liv durante o tempo em que vocês estiveram morando comigo.
- Você não precisa se desculpar – deu um longo suspiro ao dizer isso.
- É claro que eu preciso – balancei a cabeça afirmativamente – Ás vezes eu queria poder voltar no tempo e nunca ter feito nada disso.
- Não deseje isso! — pediu.
- Como não? — a olhei totalmente chocado – Pensei que você também pensasse assim. Afinal, se você nunca tivesse me conhecido teria realizado tudo que planejou desde que era criança.
- Tenho que admitir, eu te odiei durante vários anos e realmente desejei que nada disso nunca tivesse acontecido – explicou – Mas eu também não pude deixar de pensar, que se eu não tivesse te conhecido ou mesmo não tivesse me envolvido com você, realmente eu nunca teria sido expulsa de casa, teria ido para a faculdade na época certa e tudo mais. Mas a minha vida não seria completa, por que eu não teria a Liv, e ela é muito mais importante do que qualquer uma dessas coisas.
Aproximou-se de mim e passou a mão pelo meu rosto antes de dar um beijo na minha bochecha. Ficou totalmente sem reação.
- Acho que eu tenho que te agradecer por tudo isso – sorriu – Apesar de tudo, você me deu uma filha linda.
Antes que eu pudesse dizer alguma coisa fomos interrompidos mais uma vez, agora pelo doutor Grey.
- A Olívia já está recebendo o sangue – avisou.
- Isso é ótimo! — Elena deu um suspiro aliviado – E quando é que nós vamos poder vê-la?
- Agora mesmo – respondeu – Mas vou avisando que ela ainda está sob o efeito da anestesia e só deve acordar amanhã pela manhã.
- Não tem problema – ela garantiu – Só quero ver a minha filha.
O doutor Grey pediu para seguirmos ele pelo longo corredor até pararmos em frente a uma porta e a abriu permitindo que entrássemos em um local.
E lá estava a nossa pequena Liv, ela dormia profundamente monitorada por uma aparelho que mostrava os batimentos cardíacos. O cobertor estava um pouquinho levantando o que nos permitia ver o gesso na sua perna, ela tinha um curativo na testa e seus braços, que estavam cheios de pequenos arranhões, tinham dois tubos que saíam de suas veias, um que injetava soro e o outro com o meu sangue.
- Bom, vou deixar vocês a vontade – o médico avisou – O horário de visitas terminar em vinte minutos e, infelizmente, não posso deixá-los ficar aqui depois disso. Mas vão poder passar mais tempo com ela amanhã.
Só quando ele saiu do quarto que eu percebi que Elena já tinha se sentado na cadeira que estava ao lado da cama. Começou a passar a mão por seus cabelinhos castanhos.
- Minha princesinha! — começou a sussurrar – Você não sabe o susto que deu na mamãe hoje, mas agora você já está bem.
Eu me aproximei das duas e coloquei a mão sob o ombro dela.
- Sabe, a Liv sempre foi uma criança muito animada, desde que aprendeu a andar está sempre correndo de um lado para o outro sem parar e me matando de preocupação -ela falou se virando para mim – Quando ela estava com uns dois anos pegou um gripe que a pediatra chamou de “virose de bebê creche”, quando uma criança pega uma gripe de repente todas estão doentes também. Aparentemente não era nada, mas ela começou a ficar molinha e só queria ficar no sofá enrolada no cobertor vendo televisão, então comecei a ficar preocupada e fiz o Stefan ir até lá em casa e nos levar ao hospital, a médica fez todos os exames possíveis e não encontrou problema nenhum. Acho que foi assim que eu comecei a ser uma mãe paranoica.
- Você não é paranoica, Elena – disse – Acho que todas as mães são assim, principalmente com o primeiro filho.
Ela deu um fraco sorriso e ficou fazendo carinho na mão de Olívia com pequenos movimentos circulares.
- Você é uma excelente mãe, Elena, pode acreditar em mim – continuei – Algum dia eu quero ser para a Liv pelo menos um terço do que você é para ela.
- Você também é um ótimo pai! — garantiu – E essa bolsa de sangue é a prova concreta disso.
- Então acho que a Liv tem sorte por ter nós dois – também segurei a mão da minha filha, fazendo com que as três ficassem bem próximas.
- Sem dúvida – concordou – Ela tem mesmo muita sorte.
Continuamos ali apenas curtindo a Liv, mas infelizmente não demorou muito para a enfermeira aparecer avisando que o horário de visitas acabou e tivemos que nos despedir dela com a promessa de que voltaríamos no dia seguinte. Decidimos dividir um táxi, que parou primeiro em frente ao prédio de Elena.
- Não precisa deixar a sua parte da corrida – avisei quando ela estava abrindo a carteira – Sou um cavalheiro, posso pagar tudo.
- Não é para pagar só a minha parte da corrida, é para pagar tudo – não tive tempo de argumentar, ela já estava pagando o taxista – Você vai subir comigo. Acabou de doar sangue e precisa comer alguma coisa.
- Eu posso comer alguma coisa no hotel – lembrei – O restaurante que tem lá é muito bom.
- Não vou te deixar comer em um restaurante, você precisa de comida caseira – insistiu – E não adianta discutir comigo, sou muito persuasiva quando quero, é só perguntar para a Caroline.
Decidi fazer o que ela estava falando e sai do carro. O apartamento estava vazio, exatamente da mesma maneira que quando chegamos mais cedo, se Caroline tiver ido buscar alguma roupa, com certeza já saiu novamente.
- Você pode se sentar ai – apontou para o sofá – Vou até a cozinha preparar alguma coisa para comermos.
- De maneira nenhuma – avisei – Você parece cansada, deve estar passado o dia inteiro na faculdade, não posso te fazer ficar ainda ficar em pé cozinhando alguma coisa.
- Eu realmente passei o dia inteiro na faculdade hoje – confirmou – Mas não me importo de fazer comida, acredite estou mais do que acostumada.
- Pois eu também posso preparar alguma coisa – sugeri – Enquanto isso você pode tomar um banho relaxante.
- Sou eu quem não pode te deixar fazer isso – continuou – Você doou sangue e ainda deve estar fraco.
- Já estou bem, Elena, é sério – garanti e comecei a empurrá-la em direção ao corredor – Agora relaxa que eu vou preparar o meu omelete especial, você vai amar.
- Só quero ver – apontou o dedo para mim fingindo me ameaçar.
Fui até a cozinha peguei os ovos, o queijo e mais alguns outros ingredientes, o omelete ficou pronto rapidinho e eu o dividi em dois e colocá-lo em dois pratos. Depois disso fui até a dispensa para ver se tinha alguma coisa para beber e encontrei uma garrafa de vinho , claro que eu não podia abrir sem perguntar antes para Elena, então teria que esperá-la.
Não demorou muito para ela voltar para a sala. Tinha trocado de roupa e usava um short jeans e uma blusa regata e seu cabeço também estava molhado.
- Você tinha razão, eu estou me sentindo muito melhor, bem mais relaxada – comentou – E o cheiro está muito bom, espero que o gosto também esteja.
- Eu também espero! — puxei a cadeira para ela, tinha colocado e a toalha e os pratos em cima da mesa – Senhorita Gilbert?
- Muito obrigada, senhor Pierce! — agradeceu antes de se sentar.
- Eu achei isso aqui na dispensa – mostrei a garrafa de vinho para ela – Pensei que poderíamos tomá-la.
- Essa garrafa foi um presente do Klaus para a Caroline no último aniversário dela — explicou.
- Já entendi! — isso significava que não poderíamos beber o vinho – Vou colocá-lo de volta na dispensa então.
- Não precisa, vamos bebê-lo – avisou – Caroline não gosta muito de vinho e acho que até já se esqueceu dessa garrafa. Tenho certeza de que ela não vai se importar.
- Se você diz – dei de ombros.
- Perfeito! — levantou novamente – Vou pegar as taças, enquanto isso você pode abrir a garrafa.
Não demorou muito nós estávamos comendo o omelete com as nossas taças de vinho.
- Está mesmo maravilhoso! — ela comentou – Quando foi que você aprendeu a cozinhar? Por que eu me lembro que quando morávamos juntos sempre tínhamos que pedir comida no restaurante ou então íamos para a casa dos pais da Caroline.
- Isso foi só uma das coisas que eu tive que aprender por morar sozinho – deu de ombros – Depois de cinco anos você tem que descobrir como se virar.
- Pelo jeito esses anos fizeram mesmo melhorias em você – comentou, mas logo em seguida percebi que suas bochechas estavam ficando vermelhas.
- E esse vinho está uma delicia também – afirmei mudando de assunto – O Klaus tem um bom gosto.
- É verdade – concordou – Sabe, não estou acostumada a beber, no máximo uma taça.
- Sinceramente também não sou muito fá de vinho, prefiro Wisky – expliquei – Mas uma vez ou outra eu até bebo.
- Tem razão! — não demorou muito para os nossos pratos estarem vazios – Vou levar isso lá para a cozinha e depois eu lavo.
Fomos para o sofá da sala e continuamos e beber o vinho, sem nem ao menos percebemos tínhamos acabado com a garrafa. Elena estava levemente bêbada e tenho de admitir que também estou um pouquinho alto, ela colocou as duas pernas sobre as minhas, parecendo bem confortável.
- Eu queria te fazer uma pergunta – ela falou enquanto bebia o conteúdo da sua taça de uma vez e a colocou no chão, sua voz estava ligeiramente enrolada.
- Então pode perguntar – avisei – Estou bem aqui para responder qualquer coisa.
- Quando a gente se conheceu – começou – Você só quis me levar para a cama pelo desafio ou viu alguma coisa a mais em mim.
E aquele era o momento de eu ser totalmente sincero com ela. Me aproximei e passei a mão delicadamente do seu rosto.
- Sinceramente, você era a garota mais linda que eu já tinha visto em toda a minha vida – admiti – E eu queria que você fosse minha de qualquer maneira, mesmo que fosse só por uma noite.
- Sério? — pareceu surpresa.
- Estou sendo totalmente sincero – aproximei mais os nossos rostos – Acho que nunca fui tão sincero em toda a minha vida.
Nossos lábios estavam a centímetros um do outro, estávamos tão próximos que podia sentir o seu hálito quente misturado com o cheiro de álcool. Estávamos quase nos beijando quando ela se levantou e começou a enrolar a ponta dos cabelos com o dedo.
- Acho melhor e levar isso lá para dentro – pegou as duas taças – Deixar no chão não é uma boa ideia, um dos dois pode acabar esbarrando e quebrando tudo.
Soltei um suspiro de frustração, eu devo estar mesmo bêbado, eu quase beijei Elena Gilbert pela segunda vez no mesmo dia. Decidi me levantar e ir atrás dela, que estava com as duas mãos apoiadas na pia da cozinha.
- Lena? — a chamei, fazendo com que se virasse para mim – Está tudo bem?
Em vez de me responder ela correu na minha direção e atacou os meus lábios. Fui pego totalmente de surpresa, mas correspondi. Quando Elena começou a fazer carícias na minha nuca com as unhas eu a peguei no colo enlaçando suas pernas em torno da minha cintura e comecei a caminhar pelo local até suas costas bateram na geladeira, nós dois gememos em meio ao beijo.
Sinceramente, não tenho ideia do que está acontecendo comigo, só sei que estou gostando muito e não quero parar.
Notas finais
O que vocês acham que vai acontecer agora?
mudando completamente de assunto hoje tem TVD, quem ai está ansioso pelo epi? (infelizmente eu só vou poder ver amanhã quando sair a legenda oficial, mas tudo bem, eu espero...)
Bom, é isso
Comentem e digam o que estão achando.
Fale com o autor