Inesperado
2 Everything Can Change
Notas iniciais
How many times can I break till I shatter?
Over the line can't define what I'm after
POV Kim ;
Tinha acabado de chegar em casa, que por sinal estava vazia. Meus pais estavam trabalhando e o meu irmão provavelmente estava com alguma vagabunda que ele chamava de "namorada". Fui para o meu quarto, tirei meus tênis e deitei na minha cama, cobrindo-me até a cabeça, eu realmente precisava dormir. Estava trabalhando meio periodo em uma lanchonete a 5 meses, e a 3 meses estava estudando loucamente para uma bolsa de estudos no exterior. Sim! Bia, Branca e eu planejavamos uma viagem nas nossas férias, por isso estavamos economizando dinheiro. E também queriamos estudar fora, era um sonho que tinhamos desde criança. Fechei os olhos sentindo a sonolêcia chegar. Mas meu momento de paz não durou muito. Logo meu celular começou a tocar, tive vontade de tacar aquele aparelhinho irritante na parede, tentei ignorar aquele som mas não parava de tocar nunca. Peguei o celular e vi no visor o nome "Branca". Resolvi atender:
– Porra Branca! Tu sabia que eu ia dormir — disse irritada
– Eu sei Kim — disse ela com uma voz de choro — Desculpa, mais é importante.
– O que você quer, Branca? — disse impaciente
– Tem como você vim aqui em casa?
– Agora ? — murmurei — Mas porquê ?
– Quando chegar aqui eu te falo.
– Argh! — grunhi irritada — Ok, tô indo...
– Obrigada... Tchau — desliguei o celular, e relutantemente levantei da minha cama, coloquei meus tênis novamente e fui em direção a porta. Se fosse algum tipo de brincadeira, Branca seria uma garota morta.
[...]
Toquei a campainha da casa de Branca, a mãe dela atendeu, e disse que ela estava no quarto. Subi até lá e abri a porta de seu quarto. Ela estava deitada em sua cama, e eu podia escultar seus soluços. Fui até lá e a chamei, ela me olhou com os olhos vermelhos.
– O que aconteceu ? — Perguntei assustada. Ela se negou a contar, disse que preferia esperar a Bia chegar. 15 minutos depois, Beatriz chegou, e Branca nos contou tudo. Era isso mesmo? Ela iria embora? Como assim !? Branca chorava muito, o que acabou nos fazendo chorar também. Mas algum tempo depois ela acabou pegando no sono
– Bia ? — chamei — Acho melhor agente ir, já tá tarde...
– Tudo bem — ela suspirou. Nós levantamos e fomos embora. Amanhã seria um longo dia.
POV Branca ;
Quando acordei as meninas já tinham ido embora. Olhei no meu criado-mudo procurando pelo relógio, passava das 2 da manhã. Me levantei meio cambaleando, fui até o meu quarda-roupas e peguei todas as bobagens e guloseimas que estavam escondidas no meu quarto, voltei pra minha cama e comecei a comer compulsivamente, teve momentos em que eu nem estava sentindo o gosto da comida. Comi até ficar me sentindo mal, mas não era dor de barriga ou algo do tipo, era piscológico. Me veio na cabeça a imagem da Bia, ela era tão linda e magra.
PARABÉNS!
Agora além de gorda, eu também era invejosa ? Pensei nas qualidades das pessoas, e eu achei várias em todo mundo, menos em mim. Esse pensamentos me fizera comer mais ainda, então de novo me veio aquela sensação de que eu estava suja e impura, fui pro banheiro, as lágrimas já tomavam conta do meu rosto; comecei a me forçar ao vômito. Vômitei tudo o que havia comido naquele dia. Aquilo não me deixou nenhum pouco melhor. Fui pro meu quarto, minha garganta estava doendo muito, acho que não me machuquei só por dentro, mas por fora também. Voltei a chorar. Chorei até meus soluços se trasformarem em gritos, até minha cabeça começar doer, chorei até pegar no sono. Porque eu tinha feito isso de novo ?
Acordei cedo, não tinha conseguido dormir direito, me levantei fiz o que faço todos os dias, e fui pra cozinha. Nada de diferente, me sentei à mesa, eu queria comer alguma coisa, mais a minha garganta ainda doia.
– Sentou para não comer ? Quer que eu te faça um sanduiche ? — Perguntou minha mãe.
– Minha garganta tá doendo, acho que é gripe — menti. Só então vi que estava com a voz rouca
– Quer ir ao médico ? — ela disse preocupada
– Claro que não né ? Se a garganta fosse o meu maior problema... — disse baixo
– Tava pesquisado sobre a Inglaterra — Ela disse puxando assunto — Parece ser um lugar bem legal.
– Hm — respondi — Estou atrasada, tchau.- falei com a cara amarrada, mais estava apenas disfarçando porque aquilo estava mesmo me deixando mal.
POV Kim ;
Os dias passaram rápidos demais. Bia, Branca e eu passavamos a maior parte do tempo juntas. Tentavamos não pensar na mudança de Branca, o que era quase impossível. No sábado, — dia em que ela iria embora — acordei mais cedo do que o normal e fui até sua casa me despedir. Eu tinha uma prova muito importante nesse dia, então não pude acompanha-la até o aeroporto.
POV Branca ;
No sábado, meu despertador tocou mais cedo do que o normal. Depois que as meninas passaram lá em casa minha mãe e eu fomos até o aeroporto. Ficamos caladas o caminho inteiro. Depois que eu fiz o check-in me sentei em uma das cadeiras sem graça do aeroporto, minha mãe fez o mesmo. Depois de longos minutos o alto-falante do aeroporto soou, avisando que o meu vôo já estava quase partindo.
– Mãe, — eu disse tentando segurar as lágrimas — eu te amo. Desculpa por todas as coisa erradas que eu faço e desculpa por não ser a filha do seus sonhos. Me... Me desculpe — Ela não disse nada apenas me abraçou e eu tive certeza que naquele momento ela havia me perdoado. O alto-falante do aeroporto soou de novo, avisando-me de que o meu avião já estava decolando. Abracei minha mãe mais uma vez. E então, fui.
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