Indescritível
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Espero que gostem dessa fanfic, a inspiração veio do nada e aí, bem, surgiu.
Boa leitura.
As estrelas são tão bonitas. Eu queria alcançá-las. Se ao menos pudesse alcançá-las eu... Eu seria... Eu seria diferente, eu...
- Miku! Desça logo. – Mikuo berrava no andar de baixo. – Você precisa ir logo pra escola para eu voltar a dormir.
Bufei e joguei meu travesseiro na porta.
- Cale a boca Mikuo. Eu tenho despertador, sabia? – gritei.
- Então por que não se arrumou ainda? É idiota? – retrucou.
Decidi não revidar, só perderia meu tempo. Mikuo, apesar dos vinte anos, sabia ser bem estúpido e criança.
Coloquei o uniforme da nova escola e desci correndo. Juntei minha bolsa e joguei um biscoito dentro da boca.
- Estou saindo, seu tonto. Tente não queimar a casa. – alertei de boca cheia.
- Vou tentar. – resmungou, indo dormir.
Comecei a correr. Por incrível que pareça, Mikuo estava certo. Eu estava atrasada. Ótimo, atrasada para o meu primeiro ano. Eu já pegaria fama. Mastiguei o biscoito com força. Tanto faz. Todos os alunos seriam sem noção e idiotas. Eles reclamariam do meu cabelo desarrumado, do meu jeito, dos meus gostos.
Toquei o celular e a tela foi iluminada por um microfone. Eu me tornaria cantora e detonaria todos eles. Mesmo que isso significasse ficar sem amigos novamente.
Entrei pelos imensos portões de ferro e adentrei a escola. Eu sabia onde era a sala da primeira aula. A diretora explicou no dia em que fiz minha matrícula. Tropecei em meus pés na frente da porta e caí em cima de um garoto de cabelos roxos. Levantei e murmurei desculpas.
Sua desastrada.
Todos na sala me encaravam. Pelo visto, fui a última a chegar.
- Bem vinda. – anunciou o professor. Encolhi os ombros. Esperava ouvir as risadinhas. – Pode-se sentar.
Praticamente corri para minha carteira, a última do canto esquerdo. Escondi-me atrás da bolsa. Sentia meu rosto pegar fogo. Já deveria estar acostumada a pagar mico na frente de todos.
O professor começou a lecionar, mas não me foquei na aula. Estava novamente pensando nos sonhos estranhos que vinha tendo. Uma garota... uma garota de cabelos negros pedia ajuda. Como poderia ajudá-la?
- Você está bem? – sussurrou alguém. Levantei a cabeça e procurei quem estava me chamando. Era a garota de cabelos rosa que estava sentada na minha frente. Seus olhos azuis brilhavam.
Assenti e dei um sorriso amarelo. Até que não era tão ruim para um primeiro dia de aula. A garota corou.
- Não vai copiar? – perguntou em um sussurro. Talvez o tom de voz dela fosse mesmo baixo. Não sabia. Acenei com a cabeça e comecei a vasculhar em busca de um lápis ou uma caneta.
- Então, né? Eu esqueci. – comecei a rir nervosamente. A garota me olhou estranho e depois me entregou um lápis.
- Pegue este. – murmurou e virou para frente.
E foi assim que conheci Megurine Luka. Assim que tudo começou.
- Eles são mesmo idiotas? – perguntei na hora do almoço. Megurine Luka comia calmamente. Ela era muito bonita, mas muito tímida também. Os cabelos rosa caíam pelo chão. Mordi os lábios. Complicado conversar com alguém como ela.
- Quem? – perguntou depois de certo tempo.
Apontei na direção do garoto baixinho de cabelo loiro e do garoto de cabelo azul. Eles falavam mal de Luka e a esnobavam. Porém, ela nunca retrucava ou se ofendia. Tinha minha teoria de que ela nunca prestava atenção. Vivia em outro mundo.
- Não os acho idiotas. – Ela olhou para o horizonte e ficou calada o recreio todo. Suspirei. Talvez se arrependesse de ter feito contato comigo.
Levantei.
- Eu, ahn, vou dar uma volta, tá?
Luka assentiu distraída. Um mistério.
Comecei a dar voltas pela escola. Sentia falta de meus pais e da escola antiga. Tudo era mais fácil. E eles estavam acostumados comigo.
- Você viu? A novata foi sentir com a nerd! É pedir para ser bullinada. – riu o garoto loiro. Escondi-me atrás da parede. Odiava pessoas daquele tipo.
- É. E nem é bonita aquela garota. Ainda bem, senão seria uma perda horrenda. – riu o outro. Saí detrás da parede. Idiotas. Mal começara o dia e eu já precisava ensinar uma lição à alguns garotos. – Olhe só Len, quem veio nos recepcionar.
- Eu vou recepcionar sua cara. – resmunguei.
O garoto de cabelos azuis riu.
- É atrevida ainda por cima?
Ergui meu punho, mas alguém me segurou.
- Não bata no Kaito. – disse o loiro, apertando meu braço.
- Por que não bateria em um idiota desses? – perguntei.
- Ele não tem medo de bater em garotas. – respondeu.
- E eu não tenho medo de bater em idiotas. – retruquei.
Len me soltara e ergui meus punhos. Kaito sorriu maliciosamente.
- Venha. – chamou.
Desferi o soco. Acertei o nariz, não de Kaito, e sim do garoto roxo o qual esbarrara.
- Saía daqui. – ordenou.
- Não. – rosnei.
- Saía. Megurine está precisando de você. – disse, em voz igualmente fria.
Bufei e saí dali. Não achei Luka em lugar algum. Quando voltei para a sala ela também não estava lá.
Só encontrei a garota novamente em meus sonhos.
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