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10 Chapter 9 - Missing.


Notas iniciais
HEY BABES!!! Por essa não esperavam hein! Dessa vez eu não demorei não é mesmo?. Bem, já que agora consigo postar as notas iniciais livremente, vou dizer os motivos pelo qual eu demorei para postar. 1 - eu estava esperando até as férias para postar, pois agora, terei tempo de escrever sem ter que estudar e dividir tarefas simultaneamente, sou toda de vocês agora por trinta e dois dias ou mais. 2 - a minha criatividade estava zero, e eu não conseguia pensar em nada, simplesmente as emoções não fluíam e eu não conseguia escrever. 3 – A falta de comentários me desmotivou, e eu fiquei me perguntando se devia continuar, acabei, que no fim, eu resolvi por tentar, e mesmo não tendo resultados tão altos, eu resolvi continuar por aqueles que ainda liam. Entretanto, não perdi as esperanças quanto os anônimos, e por isso peço que aqueles que ainda leem, divulgue um movimento para mim. Ele se chama #ForaDoCasulo, e é dedicado especialmente para os leitores fantasmas. Parem de se fechar, demonstrem suas opiniões, todas elas são importantes,porque eu quero que vocês comentem, quero saber a opinião de vocês, e sei que parte pode ser preguiça ou até mesmo por não saber o que comentar,ou são aqueles leitores que antigamente comentavam, mas por conta da minha demora, se cansaram de comentar, mas eu fico triste em ver que quero tanto que vocês gostem, e eu acabo vendo que vocês leem e não comentam, isso me deixa triste, porque acho que vocês não estão gostando. Enfim, voltando para o capítulo de hoje, que foi concebido pelo meu surto de criatividade anormal. Bem, Hoje pessoal, trouxe esse capítulo quentinho, cheio de confrontos, reencontros, passagem de tempo, revelações ( das quais tenho certeza que vocês vão gostar), atitudes, situações traumáticas, emoções fortíssimas e um final que tenho certeza de que vão gostar, porque eu quero provar cada vez mais que Indecent pode ser melhor, e quero também que vocês gostem cada vez mais.Então queria dedicar esse capítulo aos amores que favoritaram: Snow Queen, yumili, Eyeless Jack. E aos divos que comentaram: Ana Uchiha di Angelo, daphine, PsicopatAnonima, Helena Okumura Reid, Vyserys . Quero dedicar esse capítulo a todos vocês, que me proporcionaram uma das maiores felicidades do mundo, a felicidade de ter vocês como leitores, meus bebês, amo muito vocês. Mas agora vamos parar senão eu vou chorar. Então bora ler? Não fiquem curiosos. Porque eu tenho certeza, que fogos e mais fogos vão ser soltos de felicidade ao final do capítulo. Espero que ele recompense todo o tempo que fiquei em falta com vocês. ~ Boa Leitura.Espero que gostem. Beijos. Até as notas finais ->

Você foi embora e eu tenho que ficar Chapada o tempo todo Para te manter fora de minha mente ...

Passando os dias trancada em uma névoa Tentando esquecer você E eu caio novamente Tenho que ficar chapada a vida toda Pra esquecer que estou sentindo sua falta – Tove Lo,Habits.

... 2 Meses depois...

Nico não sabia por que estava ali. Apenas o fato de seu peito arder numa saudade desesperadora o fez contra a vontade de sua mente, mas a favor de seus passos e de seu coração, parar ali na frente daquele maldito prédio numa sexta feira ás seis horas, onde tudo começou. Não estava chovendo, o que não queria dizer que não estivesse frio, entretanto, ao longe, um sol de luz pálida deixava o ambiente não muito sombrio, o que amenizava a sensação tensa que o garoto sabia e sentia que pairava no ambiente. Fazia tanto tempo desdê à última vez.

Ele não sabia por que estava ali, ou melhor, ele fingia que não sabia o motivo de estar ali, mas para o seu coração não mentia, o motivo era simples e pequeno de codinome saudade, aquela saudade doentia que ainda tinha esperanças quebradas de não sentir com o passar do tempo, mas era tão difícil.

Nas primeiras semanas do mês de Maio, Nico achava possível que sua felicidade ultrapassasse a linha do arrependimento de ter deixado Percy naquela boate, mas os dias passavam-se tão vagarosamente e depois do efeito da bebida e da nicotina esvair-se de sua corrente sanguínea, sua tão apreciada sanidade voltara ao lugar, e junto com ela, o remorso infinito de ter feito Percy derramar aquelas lágrimas e implorar para que ele não fosse naquela direção. Ah se soubesse, ele não teria ido. E o moreno a quem não dera nenhuma chance de se explicar, estivava certo, certo por um acontecimento que deixara Nico tão atordoado e tão em dúvida sobre quem era realmente Jonathan, que o garoto não se conteve em questionar-se sobre esse quesito. E por fim, chegou à conclusão, de que não devia tê-lo deixado ir embora, mas como Annabeth tinha dito, ele não queria mais vê-lo.

Mas havia um motivo maior pelo qual estava ali, e era tão simples e que surtia efeito tão doloroso quanto um corte profundo em seu coração, e Nico não conseguia entender o porquê, mas simplesmente, não conseguia esquece-lo. E como uma corrente presa a duas pontas de ferro, ela o puxou, como um chamariz venenoso e sabia que se o visse, ele cairia novamente, porque era tão forte que tudo o mais era esquecido. Ele tentou, tentou com todas as forças alegar a si próprio que Jonathan era o melhor para si, o que não era verdade, mas seu interior era teimoso, e não o deixara jogar no vento as lembranças que tanto lhe traziam calafrios viciantes de saudade. Aquela maldita saudade. Um vento gelado assoviou em sua nuca, assim como no dia que sua falta bateu mais alto, na noite em que percebeu que Jonathan, era tão mais errado do que se viciar numa droga que não podia usufruir. Este, um dos mais inúmeros motivos de estar ali, além de sua imensurável falta de Percy.

Ao lembrar-se do momento que ocorrera há algumas semanas atrás, sua espinha congelou, e sua mente foi transportada para a noite em que percebeu que escolhera o monstro debaixo.

‘’ Há Algumas Semanas Atrás –

Jonathan entrelaçou ambas as mãos, puxando Nico para o seu colo e apertando sua cintura fortemente a ponto de deixar as marcas de seus dedos na pele pálida desprovida de panos. O garoto ofegou, mas não de prazer, e sim de uma surpresa desagradável, como fez todas em todas as outras tentativas do maior ao longo dos meses que se passavam. Um desconforto se apossou de seu corpo assim que o homem do qual tinha total controle da situação, seguiu com sua boca em direção aos mamilos róseos ainda cobertos pela blusa, dando uma mordida luxuriosa, mas que para Nico, não havia nenhum carinho e chegava até ser dolorida.

– Jonathan – o homem do qual ouviu seu nome ser pronunciado falho, sorriu contra a pele sensível do mais novo, mas o gemido, porém, não era de deleite.

Nico tentou levantar-se, mas foi impedido pelas mãos do mais velho, que o prenderam contra seu quadril, esfregando sua ereção visível, Nico grunhiu frustrado e tentou empurrá-lo, mas nenhuma ação era realmente eficaz e para Jonathan, parar não era algo que pretendia, ele não conseguia mais segurar. O garoto tentou se levantar novamente, e mais uma vez tendo suas ações paradas, abriu a boca, mas não teve tempo de pronunciar algo em sua defesa, pois sua boca foi coberta pelos lábios exigentes de Jonathan, que o engoliram tão avidamente com fome de mais. Por fim, quando o ar se fez necessário e os lábios não se moviam com reciprocidade, Jonathan os separou, encarando as orbes negras revoltas de Nico e apertando o rosto do garoto contra as duas mãos prostradas em ambos os lados das maçãs do rosto delicado e jovial.

– O que foi? – ele mais grunhiu sua pergunta em claro irritamento, era quase que a quinta vez que tentava fazer com que seu plano desse certo, entretanto, para ele, Nico era como uma garotinha virgem que tinha dificuldade em abrir suas pernas para o prazer. Bufou, revirando os olhos e se jogando contra o banco do carro, passando suas mãos para os quadris de ossos protuberantes de Nico.

– Jonathan, entendo que você sinta desejos e tenha anseios que precisam ser cumpridos, mas ... Eu não estou pronto para isso – Mas o homem não queria mais escutar isso, sua paciência era curta, e nunca antes fora tão difícil cumprir um objetivo seu. Por fim, ignorando tal aviso, jogou o garoto deitado contra o banco do carro e o prensou contra o mesmo, negando com a cabeça, enquanto tampava a boca do menor que o enquanto o par de orbes de cor enegrecida, se encontravam arregaladas, desesperados para que sua voz ultrapassasse as mãos grandes de Jonathan contra sua boca.

– Não vamos fazer nada de que você não vá gostar – alegou, enquanto afundava seu rosto no pescoço alvo do menino e deslizava sua mão livre pelo corpo do menor, acariciando seu abdômen. O homem a qual dominava o garoto prometera a si mesmo, que faria o mesmo gostar. Nico arregalou os olhos quando suas nádegas foram apertadas e elevadas para cima, esfregando os membros com ferocidade e fome. Jonathan se encontrava incontrolável, e nunca se sentira assim, não desdê Percy. Nico, o estava deixando louco, sem paciência e sem escolha.

O garoto grunhiu a plenos pulmões através das mãos que o impediam de ditar qualquer som pra fora de sua boca, mas esta tentativa fora inútil como qualquer uma das outras que já tentara. Usou das mãos livre para arranhar o braço que prendia sua boca, o que acarretou como resultado um grunhido de dor por parte do mais velho, que se sentou na sua cintura, segurando o pulso agora tingido pela cor rubra da pele irritada. Nico não perdeu tempo, e ao ter sua boca livre, abaixou de mau jeito o vidro do carro e gritou com a respiração descompassada de medo. Nunca na sua vida vira um homem tão descontrolado quanto naquele momento e se fosse uma brincadeira, Nico não estava gostando nada dela.

– Socorro! – entretanto, no minuto seguinte ao seu pedido, um tapa fora desferido em seu rosto pela mão pesada de Jonathan, o fazendo virar na direção oposta a do banco do motorista. Nico sentiu o rosto arder e com a ardência, veio às lágrimas que segurou enquanto se forçava a aceitar que a sua escolha era a certa, e naquele momento, ele viu o quanto estava errado. O quanto tinha deixado esvair entre os dedos aquele que mais amou, e que ainda ama, por um monstro debaixo da cama. Seu pescoço foi tomado pelas mãos gélidas do mais velho, que pressionaram ambos os lados da garganta — quase o deixando sem ar – contra o assento do carro.

– Você não vai querer que eu me force a ser mal, vai meu amor? – O homem riu, riu de uma forma que Nico julgou doentia e diabólica, e naquele momento, o menino, era só medo. Jonathan se esgueirou por cima do corpo do garoto, soltando seu cinto, o que despertou seu alerta. O desespero e o nojo, o medo de saber exatamente o que iria acontecer, a dor da perda e o arrependimento, todas as emoções causando um verdadeiro apocalipse dentro de Nico.

O homem correu os lábios pelo baixo ventre do menor, mordiscando a pele abaixo de seu umbigo, olhando nos olhos do garoto, como se apreciasse o desespero, como se apreciasse o medo. Jonathan era um adorador do horror, e Nico sua presa mais indefesa. Naquele momento, o menino soluçou, sentindo o corpo fraco e o desespero lhe subir a cabeça quando Jonathan acariciou seu membro dolorosamente. Deixou que as lágrimas lavassem seu rosto enquanto se esforçava para não deixar que o descontrole tomasse seu corpo, enquanto os dedos que o prendiam o sufocavam e o apertava dolorosamente o pescoço. Nico grunhiu, deixando os soluços transpassarem sua garganta em um nível mais alto de som, despertando Jonathan, que deixou de apertar seu pescoço, e voltou-se para a boca rósea, lhe dando um tapa na mesma, antes de prosseguir em despir Nico de suas roupas, para enfim realizar seu intento final. Ele estava quase.

Foi numa fração de segundos que Nico pensou que não queria que aquele momento acabasse daquela maneira, ele não queria ter que passar a vida toda revivendo aquele momento, pensando o quanto foi inútil e covarde para impedir a violência que ele próprio fora o causador. E foi por esse motivo, e foi com essa força quebrada, que Nico reagiu. Seus dentes agiram em morder a mão do maior, tão fortemente que sentiu o gosto metálico do sangue em sua boca, um grito de dor ecoou pelo carro, se alastrando por seus ouvidos e o fazendo recobrar que precisava sair dali, que precisava conseguir. O empurrou para cima em seguida, fazendo-o bater a cabeça contra o teto do carro e cair sentado para trás, para em seguida numa tentativa final, chutar sua genitália com toda a força falha que ainda lhe restava nas pernas, o fazendo gemer de dor, por fim, virou-se em direção a porta do carro, pegando sua jaqueta, destravando a porta com a força dos dedos e abrindo-a, escorregando para o chão com as calças frouxas, pôs-se de pé com a pouca sobriedade que o medo não levara, correndo em direção para fora do carro, para bem longe do beco aonde o mesmo estacionara, não ousando olhar para trás enquanto suas pernas trabalhavam incansavelmente em sair de perto do ser que agora tanto lhe dava nojo.

Ele não olhou para trás, apenas correu, correu com a força de seu medo e o seu coração de cicatriz aberta nas mãos, correu com seu medo, correu com sua saudade, correu com seu arrependimento, ele correu.

Nico sentiu seu rosto ser banhado de lágrimas pelo medo assim que chegou as paredes de um restaurante não muito longe de onde fugira. Nunca imaginou que passaria por tal situação, e em seu peito doía, não só pelo fato de quase ter acontecido algo daquele patamar, mas também por acreditar que fizera a escolha certa, mesmo com todos os defeitos, mesmo com todos os vícios ruins, mesmo com tudo o mais. Encostou sua cabeça na parede pichada de palavras e desenhos sem nexo e respirou profundamente deixando um soluço esganiçado lhe fugir da garganta, e não pode conter quando um grito doloroso ecoou de sua garganta, profundo, frio e obscuro, segurando os cabelos entre os dedos com força o suficiente para fazer seu couro arder, mas Nico não se importava, toda dor que si próprio causasse em seu corpo, seria pouco perto da burrice que teve em acreditar que todos os momentos bons foram realidade.

Nico caiu de joelhos, as mãos fechadas em punho, respirando agonizante por ar puro, controlando os nervos eufóricos de fugir para o mais longe daquele lugar o possível, e no fundo do peito, ela surgiu. Venenosa e faceira por sobre a cicatriz que havia acabado de se abrir.

A maldita saudade. Aquela que trouxe da sua mente o sorriso doce que não dera chance, os dias em que esperara como um fugitivo atrás daquela árvore enquanto aguardava apenas para ver seus olhos, apenas para sentir que podia continuar mais um dia, aquela que trouxe os momentos em Coney Island e o beijo que classificou como o primeiro, e até mesmo o jantar em sua casa, o pedido de desculpas que teria dado, e a boate, o lugar onde ele rompeu a linha tênue que o segurava em pé. Fechou os olhos, e não pode controlar quando o vento soprou sua nuca levemente, e imaginou que ao menos por um minuto, as grandes orbes verdes que tanto admirava e não conseguia esquecer, o observavam ... ‘’

Nico voltou à realidade, ignorando as lembranças de semanas atrás que tanto o perturbavam. Afinal, desdê aquela noite em que fugira de algo que poderia carregar com dor por uma vida inteira, estava evitando as ligações de Jonathan, aliás, o homem a quem confiará seu coração por dois meses inteiros havia sido inteiramente desintegrado de sua lista de convivência. Já faziam duas semanadas, e Nico esperava e tinha fé de que nada o faria vê-lo novamente.

Foi quando absorto em sua linha de pensamentos, que o sentiu. Tão de longe, mas ao mesmo tempo tão perto. Seu olhar se cruzou com o terno cinza engomado, nos portais do prédio quase que imperial, no minuto seguinte com a intenção de não ser visto como sempre fazia, seu corpo foi jogado para frente contra a madeira encrustada da árvore pela força de sua vontade, e ambas as mãos se apoiaram nos caminhos desconexos trilhados e entalhados na madeira, misturando um musgo verde com cheiro de terra as suas mãos que suavam frio.

O terno de linho, cor cinza chumbo, em contraste com sua pele um tanto quanto pálida para o seu normal, os cabelos perfeitamente cortados e penteados, os lábios comprimidos um no outro e a expressão fechada, tão dura que Nico quase não pôde reconhecê-lo, e os olhos, ambos adornados com a armação de um óculos, que foi tirado de seu rosto para esfrega-los em uma menção ao cansaço. O garoto ofegou, arranhando o tronco da árvore com as curtas unhas enquanto observava o homem — a quem tanto se esforçara para esquecer – arrastar sua mão até seu baixo ventre, adentrando o bolso e tirando do mesmo o que presumia e o que era seu celular, digitando algo do qual Nico não se importou realmente em saber, só o que pairava sobre sua mente era o quão Percy estava diferente, mas não para pior, muito pelo contrário, seu novo estilo, deixava claramente Nico, bastante desejoso. E lá estava novamente, se esquecendo de que sequer um dia tentou deixar de lado tudo o que o mantinha em pé.

– Céus – Nico gemeu enquanto o moreno dono dos olhos esmeraldinos — que reviraram sua mente desdê muito tempo, impedindo-o de esquece-lo – respirou profundamente, levando o aparelho ao alcance de seus ouvidos, ainda esperançoso de que mesmo que o tempo passasse, ele ainda um dia o atendesse, esta, era a única coisa que não mudara em sua vida, sua fé de que um dia ele o atenderia. E foi quase hilário o modo como seu até então esquecido celular vibrou em seu bolso, fazendo o som do toque da banda Charbel ecoar por todo o corredor de prédios silenciosos e quase vazios – algo que era estranho para o horário — o despertando de sua bolha inerte e abobalhada de admiração, mas não só a dele, e também a de Percy, que se virou abruptamente em direção ao som, que residia diretamente por detrás da árvore, fazendo Nico se encostar sobre ela, respirando profundamente e se repreendendo por não ter checado seu celular no silencioso ou até mesmo ter checado sua caixa de mensagem e as ligações de dois meses perdidos.

Mas o que poderia fazer? Ele não queria nem ao menos tocar ou escutar o barulho de alguma notificação de aplicativo. Por isso, nos últimos dois meses, a casa de seu aparelho, fora a velha gaveta de madeira de seu criado mudo. Entretanto, para sua sorte ou azar, a música parou repentinamente ao Percy finalizar a chamada e tirar seu celular do alcance de seu ouvido, inclinando seu corpo para o lado em busca de um melhor campo de visão, e não podia acreditar, mas mantinha-se debilmente firme e esperançoso de que o seu maior desejo se realizasse, de que Nico realmente estivesse ali.

O mais jovem suspirou, agarrando-se ao tronco da árvore, arquitetando alguma força realmente nada eficaz de sair de sua posição atual sem ser notado, e frustrado por não ter nenhuma ideia em mente, bateu com a cabeça contra a mesma. Ele não teria escolha, e inevitavelmente, de qualquer modo, ele o veria.

O jovem respirou fundo, torturando o lado direito e interno de sua bochecha, mas nem isso aplacava o nervosismo, enfim o dia que temia que acontecesse — além de seu reencontro depois de dois meses inteiros sem nenhum contato, ou até mesmo sem uma troca de olhares mesmo não correspondido – aconteceu. Ele havia sido pego no flagra, pela primeira vez em muito tempo. Nico grunhiu, ele realmente havia perdido a prática de ser um bom espião.

Percy se aproximou, andando em passos cautelosos, temeroso que tudo não passasse apenas de uma mera ilusão ou até mesmo de uma alucinação, mas mesmo assim, não cogitou dar meia volta. Nico respirou fundo mais uma vez antes de sair vagarosamente detrás da árvore, passeando suas mãos pelos entalhes desconexos, sua intenção, era parecer que estava de passagem, mas nada garantiu que seria fácil cumprir sua atuação, e tudo foi confirmado quando seu corpo mesmo contra a vontade de sua mente julgadora, paralisasse sobre as esmeraldas tempestuosas e impetuosas que se arregalaram surpresas e esperançosas, logo que sua possível alucinação se tornara tão docemente real. O coração de ambos rimbombou contra o peito.

Nico não resistiu em morder seu lábio inferior e olhar cada parte, cada detalhe novo, guardando na memória cada traço novo adquirido. Enquanto que Percy apenas o observou, ávido por chegar mais perto, ávido por beijar os lábios que tanto lhe tiraram o sono nas últimas semanas dos dois meses que estiveram separados, ávido por comprovar eu aquilo não era um apenas mais um de seus loucos devaneios, e não era, e por tal motivo, a vontade de fazer daquele um reencontro do qual aproveitaria imensamente para afogar todo seu desejo nos lábios róseos alheios só se fortificava mais a cada entrada e saída de ar, e foi nesse intuito que deu um passo para frente, fazendo Nico despertar de sua momentânea paralisia e num segundo, o fazendo ver o quanto estava perdido.

Suas pernas agiram medrosas rapidamente, correndo para o lado contrário da direção em que Percy se locomovia em sua direção, arranhando as pontas dos dedos no tronco espesso da árvore que fora seu refugio em muitas outras ocasiões parecidas, e o mais velho nem ao menos teve tempo de reagir e impedi-lo de fugir, quando chegara ao outro lado da calçada, o via virar na esquina, sumindo por dentre o muro de hera e as ruas de lojas chamativas contrastando com seus letreiros iluminados no fim de tarde. O homem grunhiu, batendo com as mãos fechadas em punho no muro verde pelas pequenas folhas.

– Mas que merda! – ditou para o vento, virando-se de frente visivelmente frustrado – Por que você sempre tem que fugir? – Percy recostou-se dentre as folhas, fechando os olhos cansados, entretanto, mesmo sobre toda a fuga que realmente não queria que tivesse acontecido, ele sorriu, por que dentre todos os esforços que teve para vê-lo, dentre todas as ligações frustradas, perdidas entre outros sacríficos em busca de encontra-lo, este era um dos maiores progressos que tinha tido ultimamente, e pensar que tudo ele devia a uma ligação. Porém, seus devaneios deleitosos de como tinha sido incrível vê-lo depois de tempos, foram interrompidos por um jovial pigarro, do qual o fez abrir os olhos rapidamente numa momentânea e boba esperança de que fosse Nico, arrependido de não ter ficado por algum motivo, mas tudo o que encontrou ao abrir os olhos fora uma garotinha que deveria ter não mais que quinze anos. Percy retesou as sobrancelhas:

– Posso ajudar? – ele indagou, confuso, mas a garota parecia decidida no que ia pedir, e era isso que somente o deixava mais perdido.

– A mim não, mas ao meu irmão sim – a menina cruzou os braços e indicou a direção em que Nico sumira com a cabeça, fazendo Percy seguir a linha imaginária que seus olhos traçaram com os seus próprios. O mais velho virou-se rapidamente para a garota, a interrogando silenciosamente com o olhar.

– Você é irmã do Nico? – Hazel assentiu rapidamente, os dentes rangendo dentro da boca pelo vento gelado e úmido que o horário nova iorquino de fim de tarde proporcionava.

– Sim, meu nome é Hazel e eu diria até que seria um prazer te conhecer se você não fosse tão lerdo e eu não tivesse alergia à lerdeza, portanto, eu vou te ajudar a esclarecer o que você está deixando de perceber e... – ela se aproximou devagar e apontou seu dedo indicador contra o peito do mais velho destemidamente – Você vai ajudar meu irmão, porque ele definitivamente precisa de você, então, nós podemos conversar? – a menina indagou, convicta de que a resposta seria sim apenas pelo interesse estampado explicitamente nos olhos do mais velho. Percy assentiu, indicando o prédio com a mão espalmada no ar.

– Claro que sim, por favor — ele indicou o prédio, andando alguns poucos passos para incentivar a garota a segui-lo, o que ela fez, não demorando-se muito até ela ultrapassa-lo.

Não muito longe dali, Nico bateu a cabeça contra o muro de um sobrado, se amaldiçoando mentalmente por ter fraquejado, mas o que poderia fazer diante dele, ele não podia esquecê-lo, e a maior prova era o fato de suas pernas e de todo o seu corpo ceder ao único olhar que era possível fazê-lo paralisar. Era inevitável, e o amor que residia fixo em seu coração era a maior prova disso.

O garoto suspirou derrotado, grunhindo enquanto uma pequena lágrima escorria por seus olhos, o peito se apertando desejoso de descontar sua saudade, mas isto era algo que não poderia realizar. Ele respirou fundo, trêmulo, os lábios secos, e os nervos a for da pele, com a ponta dos dedos arranhados, limpou a lágrima que julgava e dizia para si mesmo que era desnecessária, e com a mesma mão de dedos que agiam e se moviam contra sua própria vontade, dirigiu-os até o bolso de seu casaco, de onde tirou uma cartela de Rivotril pela metade, engolindo de uma vez um comprimido inteiro a força, que desceu por sua garganta inteiro, como um entalo incomodo.

– Merda! – ele praguejou em voz alta, enquanto se desgrudava da parede e começava a andar, pisando duro sem rumo, só tendo em mente a certeza de que se não descontasse o nervoso que sentia percorrer agonizante sua corrente sanguínea, os olhos verdes o atormentariam até que enlouquecesse por completo enquanto o sufocava com o maldito desejo.

Num impulso tudo o que pensou foi fazer algo que fizera tantas vezes nos últimos meses para descontar tudo o que sentia, e foi à única opção que cogitou seguir em frente no momento em que tudo o que tinha em mãos, era o quanto estava perdido novamente por algo que não podia obter, o coração de Percy, o coração do homem que por algum motivo não podia esquecer. O garoto não se importou em gastar parte de seu tempo apenas para andar até onde sempre ia para afogar suas mágoas e seus desejos que jamais poderiam ser realizados ou até mesmo compreendidos, e assim que chegou a frente da porta enferrujada de letreiros de luz de led vermelhas, hesitou por um momento, sabendo o quanto estava errado por se afundar numa coisa que levou muitos a morte certa como marinheiros atraídos por sereias. Entretanto, ele já estava genuinamente afundado num vício que não teria volta.

Passou pela porta que produziu um rangido esganiçado ao ser aberta pelos brutamontes que tão atentos guardavam a porta da boate de ambos os lados como um dragão guardando um tesouro pertencente à realeza. Adentrando o local, pôde reconhecer cada canto do lugar, desdê as pessoas que dançavam para esquecer suas próprias mágoas que Nico sabia que guardavam, para descontar a raiva ou apenas pelo puro prazer de seus corpos serem desejados com luxúria pelos olhos alheios. Os casais que demonstravam o verdadeiro desejo em público, o cheiro do suor, da fumaça do cigarro e o de perfumes misturados, tão qual o menino estava acostumado, e o bar, um dos lugares do qual mais se familiarizava com o lugar, e foi o qual seguiu em direção em passos dos quais muitas vezes foram interrompidos por empurrões de pessoas que se esfregavam com verdadeira vontade.

A poucos metros de si, Nico andou vagarosamente ao balcão, sentindo seus nervos serem entorpecidos pelo efeito do calmante que havia tomado a não muito tempo. Seus braços tomaram seu antigo posto, debruçados sobre o balcão negro, a cabeça pendeu para frente, encostada no mármore gelado, e sua respiração tão calma quanto se estivesse dormindo. Entretanto foi tirado de sua bolha de entorpecimento pela voz do Barman — que mesmo que se parecendo longe – fora ouvida. O menino levantou a cabeça, sentindo seus olhos pesados se focalizando no rosto turvo o Barman, o outro repetiu a pergunta:

– Garoto? Quer alguma coisa? – o moreno indagou, e só o que o menino fez foi assentir.

– Um copo de vodka, por favor – ele apoiou as duas mãos erguendo sua cabeça e mantendo-a firme.

– Não acha um pouco forte para você? – o homem detrás do balcão perguntou, secando o copo antes de colocá-lo sobre o balcão a frente de Nico.

– É forte o bastante para me fazer esquecer, de algo que eu quero esquecer – O garoto respirou profundamente, soltando o ar tão vagarosamente quanto o andar de uma tartaruga, enquanto respondia a pergunta do Barman, que apenas deu de ombros, colocando o líquido no copo e voltando para cumprir suas outras diversas tarefas pendentes.

Nico pegou o copo entre os dedos, suspirando antes de leva seus lábios ao copo e virá-lo de uma vez sobre sua boca, fazendo o líquido deslizar por sua garganta, como fogo seguindo e acendendo um rastro de gasolina, chegando como uma explosão de produtos químicos ao seu estômago e se alastrando num entorpecimento que levou sua consciência as alturas. Mas era assim que queria estar, alto, alto para esquecer que estava cedendo sua resistência, alto para esquecer tudo e todos, porque tudo o que ele precisava era esquecer-se daquela maldita saudade...

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Percy adentrou seu escritório, deixando a porta aberta para todo o caso, enquanto que Hazel se locomovia para dentro do recinto tão rápido quanto o ultrapassara na ida ao local. Não se demorou muito a seguir direto ao ponto em que queria chegar, afinal já demorara muito para resolver algo que há muito tempo deveria ter feito.

– Eu vou ser direta, e sei que é feio me meter nos assuntos dos outros, mas esse outro é meu irmão, e eu quero vê-lo feliz, e mesmo se não der certo, não custa tentar – ela suspirou, esfregando os olhos, procurando alguma forma de dizer o que tinha para falar de um modo que não se complicasse e nem prejudicasse seu irmão – Nico quase foi estuprado pelo suposto príncipe no cavalo branco chamado Jonathan – mas não houve forma clara de amenizar o que tinha para falar, e paciência não era uma de suas melhores virtudes quando tinha decisões importantes para tomar nas mãos.

Percy deixou o copo de vidro que residia água cair no chão, escorregando por entre seus dedos e se espatifando em milhões de micro pedaços pelo chão assim que Hazel jogou sobre si a informação que viera lhe falar. Ele se virou prontamente, tão exasperado quanto a garota , que se encontrava assustada segurando os próprios braços de olhos arregalados pelo repentino som estridente que ecoou por todo o ambiente.

– Jonathan fez o que? – o homem fechou as mãos em punho enquanto seus olhos pinicavam em lágrimas que insistiam na luta de transpassar por seus olhos. Percy sentiu em seu sangue o nojo subir e as lembranças que um dia tanto lutou para esquecer no fundo de um foço obscuro, ressurgirem livres, perigosas e afiadas dentre a história que viu se repetir ao escutar as palavras da menina.

– Isso mesmo... Eu realmente achei que ele estava feliz, mas eu notei a um mês atrás que ele andava diferente – ela esfregou os braços, virando-se de costas e encarando a parede coberta pela tinta vinho clássico que dava ao lugar um toque de refinamento e classe – Não gostava que eu tocasse no assunto que envolvesse você, ficava nervoso, e quando me disponibilizava para pedir desculpas eu encontrava ele detonado, dormindo, na verdade, ele dormia quase que o dia inteiro para ser sincera – admitiu, observando o homem assentir para que continuasse, notando o claro olhar aflito que Percy transpassava por entre suas orbes – Isso aconteceu alguns dias depois que ele chegou de manhã de cara fechada quando pela primeira vez dormiu fora – ela se recostou na parede e ao fim de suas palavras Percy uniu suas mãos suadas, com medo do que poderia proferir em forma de pergunta.

– Foi quando ele tentou?

– Não, isso só ocorreu algumas semanas atrás, eu realmente fiquei perplexa quando ele chegou de olhos esbugalhados e vermelhos, soluçando como se uma tragédia estivesse acontecido, o que realmente seria se ele não tivesse reagido, o que muito me admirou por ele o ter feito – Hazel negou, enquanto Percy se mantinha mais aliviado, dirigindo-se em direção ao sofá e sentando-se no mesmo enquanto observava Hazel ainda se manter no lugar em que estava, esperando pacientemente para continuar.

– Mas então o que notou que pareceu estar diferente para você? – a menina balançou a cabeça e estalou dedo como se tivesse tido uma ideia, ou algo parecido como uma adivinhação exata.

– Era nessa parte que eu queria chegar – Hazel andou em passos apressados como se tivesse fome de despejar suas informações até o sofá, sentando-se ao lado de Percy – Foram os novos hábitos dele – pausou, engolindo em seco o aperto ao pé de sua garganta – Certo que ele odiava o modo como sua professora de Biologia agia, mas ele parou de frequentar as aulas, parou de ir à escola, dormia o dia inteiro e só acordava quando era para sair e só retornava no dia seguinte – ela pigarreou, olhando nos olhos atentos de Percy a cada palavra sua – Mas o que mais me espantou, foi que quando eu tive a coragem de investigar o que estava acontecendo, eu encontrei uma cartela de Rivotril – ela alegou, fazendo Percy prender seu próprio ar nos pulmões para depois olhar para baixo, compreensivo quanto a informação.

– Por isso o sono excessivo.

– Sim, e tem mais – A garota esticou sua mão para trás, tirando dele o pacote de cigarros do bolso da calça jeans – Ele começou a fumar, e pelo mau hálito fedendo a álcool, a beber também – Percy gemeu desgostoso do que escutava, apoiando as mãos na cabeça e fechando os olhos, amaldiçoando-se mentalmente por não tê-lo impedido de seguir o caminho que temia que ele seguisse.

– Me diga, e há alguma coisa em que eu possa ajudar? – Hazel assentiu freneticamente enquanto Percy levantava sua cabeça, derrotado.

– Foi para isso que eu vim, para pedir sua ajuda – ela alegou se aproximando mais, entretanto, havia um pequeno problema, algo que ela tinha receio de revelar sendo ela – Mas antes, eu preciso te dizer por que só você pode ajudar Percy – a menina levantou-se, mastigando o lábio inferior insegura do que poderia dizer e da forma que poderia dizer e revelar algo tão íntimo que não era seu.

– Mas não necessita Hazel, eu ajudarei de bom grado, Nicolas é meu amigo e eu tenho muito apreço por ele – Percy se levantou, tocando os ombros da garota que apenas sorriu sem graça.

– Mas não deve entender o porquê de eu, a irmã dele, já não ter resolvido o problema, não é mesmo? – Percy ponderou sobre as palavras de Hazel e assentiu isso realmente era uma curiosidade que sua felicidade em concertar o que foi fraco em impedir cegou.

– Tenho que admitir que seria um tolo se não questionasse isso – ela arqueou as sobrancelhas assentindo.

– Por isso vou lhe contar o motivo, mas eu não faço a mínima ideia de como contar isso a você, sendo algo tão intimo que Nico não teve coragem de revelar, e eu espero que isso não afete sua escolha de ajuda-lo – O homem retesou as sobrancelhas, levantando o queixo num movimento a toa, imponente e pouco curioso, pois qualquer que fosse o motivo, não abriria mão de ajuda-lo.

– Tenho certeza que nada revertera minha escolha final de ajuda-lo.

– Bem, eu espero que não – a garota alegou, virando-se de costas e suspirando, pensando em uma forma delicada , coerente e clara de revelar que seu irmão, era perdidamente apaixonada pelo homem a sua frente – Não se perguntou durante tudo o que disse o porque de ele estar tão abalado com o assunto você? – Percy perdeu as falas, e parou para pensar que nunca tinha cogitado debater mentalmente sobre o assunto, por fim, negou com a cabeça, confuso propriamente por nunca ter investigado a resposta da qual desconhecia – Certo, então você é pior do que eu pensava – ela constatou, bufando e massageando sua testa com a ponta dos dedos.

– Então me faça entender este motivo do qual você julga ser tão importante para que não afete minha escolha final.

– Só me dê um minuto para pensar, ok? – ela suspirou, vendo o homem assentir enquanto esperava pacientemente sua resposta. Por fim, ela suspirou, vendo que não havia outra forma de dizer o porquê sem ser direta, ela não conseguia não ser direta – Você sabe que Nico é gay não sabe? – Percy riu, contatando que se esse fosse o motivo, não havia problemas, entretanto, não achava que fosse real tal possibilidade, porque se fosse, ele não estaria longe dele, jamais.

– Bom, não acho que ele seja gay, apenas esteja confuso com sua opção sexual, afinal, qualquer jovem em sua idade fica indeciso com escolhas como estas – Hazel grunhiu vendo que seria mais difícil ser menos direta, e entendia o porque de seu irmão não ter revelado o que veio falar enquanto ainda teve tempo de ser pessoalmente. Percy ficou confuso a reação da garota, e por mais que tentasse negar que o objetivo da garota era ser mais delicada para o que deveria ser algo importante para Nico.

– Céus, você é um asno ou o quê? – ela disparou em direção a Percy, que andou um passo para trás enquanto se sentia ultrajado com a menção raivosa da garota.

– Você está me ofendendo menina.

– Que se sinta ofendido Senhor Executivo de Processamento lento ponto com – ela ditou, sua paciência aos extremos de suas tampas e sua língua coçando por ser menos educada, mas queria tentar faze-lo entender para não ser tão direta quando queria – Nunca se perguntou porque Nico estava ali no dia em que o atropelou, ou o porque dele ter te beijado, e olha, eu posso garantir que não foi para um experimento qualquer – Hazel segurou os cabelos entre os dedos enquanto ditava sem parar por sua indignação pelo motivo de todos os momentos sofridos de seu irmão – Ou o dia em que ele tão prontamente atendeu seu pedido de socorro quando você se encontrava todo quebrado, dia este em que ele perdeu minha bicicleta, que a propósito está me devendo até hoje – ela acusou espumando por dentro, apontando o dedo na direção do homem, pronta para despejar para fora de sua garganta o que tanto queria falar, mas ia esperar ele ficar mais curioso, o que não demorou quando ele ergueu seu tronco, franzindo o cenho e sentindo seu coração bater desesperado por uma resposta mais concreta.

– Aonde quer chegar com isso? – ele indagou, se aproximando alguns passos cauteloso, esperançoso de que a resposta fosse a que tinha formulado tão desesperado por seu desejo se realizar em sua mente. A garota riu em deboche cruzando os braços e se aproximando também, pronta para dizer, e ela iria, sem adiar mais nenhuma palavra.

– Quero chegar na parte em que eu te digo que o meu irmão é completamente apaixonado por você — E foi naquele momento que Percy perdeu o chão. Não porque o que escutou foi ruim, muito pelo contrário, ele não podia acreditar que estava se concretizando tudo o que mais desejou nos últimos meses. Ele se virou de costas, sentindo seu coração praticamente querer saltar pela sua boca e fazer os fogos de ano novo serem soltos na praia antes do tempo. O mais velho sorriu enquanto abaixava a sua cabeça e sentia seus olhos perderem o rumo de se afixarem em algum objeto, ele não podia medir a felicidade que se espalhava e contagiava cada parte de seu corpo até cada fio de seu cabelo, e nada poderia impedir a felicidade que teria em retribuir se fosse realmente verdade, mas ele só precisava confirmar, ele ó precisava de uma confirmação.

Hazel esfregou as mãos que suavam frio uma na outra, incomodada com o silêncio repentino que se espalhou no ar.

– Não vai me dizer nada? Não vai ditar que é mentira e não vai nem ao menos surtar pelo que eu te disse – Percy se virou no mesmo momento, a felicidade escorrendo de seus olhos marejados por uma emoção que surpreendeu Hazel, e logicamente que ela entendia aquela emoção como uma resposta que a surpreendia. Percy seguiu até ela, a abraçando e tirando-a do chão, a fazendo arregalar os olhos.

– Você não sabe o quanto, foi bom para mim ouvir isso Hazel – ela a colocou no chão, pegando a chave de seu carro de cima da mesa de vidro e rumando sem nenhuma hesitação para a porta de madeira lustrosa. Mas foi interrompido de prosseguir por Hazel, que até então não havia se pronunciado pelo choque que a recepção boa de Percy a sua revelação.

– Espera, então você está dizendo que ...

– Que é totalmente recíproco Senhorita Hazel – ele ditou, saindo da sala sem mais falar. Hazel piscou os olhos surpresa, sozinha na sala, e após o choque das palavras alheias ela abriu um sorriso sincero, fazendo um pequeno ‘’yes’’ acompanhado de um acompanhamento gesticulado. Tal notícia não poderia ser melhor. Saber que a felicidade de seu irmão, poderia sim ser possível por intermédio de quem ele amava.

Percy seguiu apressado pelas escadarias do prédio, em direção do estacionamento, o que antes não faria, pois pretendia deixar seu carro ali para que seu pai usufruísse quando voltasse para casa. Entretanto seu planos mudaram assim que escutou que poderia ser possível sim realizar seu maior desejo, que era tomar Nico nos braços e nunca mais soltá-lo. Mas como o encontraria? Era simples, se estava certo, o garoto estava exatamente aonde a um ano atrás, ele se encontrava a frequentar, e se o encontrasse, teria certeza de que nunca mais o largaria, ele faria valer a pena cada minuto que perderam por insegurança, cada minuto que Jonathan os separou, Percy prometeu a si mesmo enquanto descia não se importando com a exaustão de suas pernas, que nunca mais deixaria Nico escapar por entre os seus dedos ...

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‘’ ... As mãos como se guiadas por instinto próprio deslizaram pelo abdômen delineado de músculos bem feitos e tocaram a pele com cuidado e afinco, desenhando cada gomo com a ponta dos dedos; Nico mordeu o lábio inferior , nunca se achou mais louco na vida , e perguntava-se se isso era um crime , porque de fato , era como se estupra-se Percy , mas ele não saberia , saberia ? Não, ninguém saberia.

Nico ousou mais, descendo as mãos para as coxas de Percy, indo e voltando com a palma de suas mãos, apertando a carne que tanto desejava com ardor; Das coxas até o tórax, onde passeava suas unhas curtas com cuidado, Nico queria mais, mas era abusar muito da sorte, já era uma grande coisa o estar tocando de forma indecente, mas pensava que não teria outra chance igual. Voltando as suas mãos que passeavam livres pelo corpo esbelto do rapaz desacordado, Nico subiu-as para o pescoço e então para o rosto, onde acariciou a pele machucada e desceu para os lábios dos quais delineou também com a ponta dos dedos, aqueles lábios que tanto desejava, que tanto queria repetir aquele beijo acidental, sua pequena loucura estava perdendo o controle, e as mãos desceram repentinamente, Nico instintivamente corou com o pensamento de que desejava mesmo saber o que estava por trás da calça de moletom , desejava saber se sentia o mesmo que ele sentia.

Aproximou-se face a face, ainda tateando cada parte daquela escultura humana com as mãos , como se desejasse gravar cada parte do caminho na mente e nunca mais esquecer , como desejava tocá-lo mais a fundo, mas não podia, já era loucura demais. E foi então, que olhando para aqueles lábios tão convidativos a um beijo, que Nico perdera o que restara de sua sanidade, de seu controle.

Aproximou seu rosto do, do desfalecido e juntou os lábios com os seus. Os olhos fechados, apenas sentindo, o gosto salgado contra os seus, queria sorrir, soltar balões e fogos de artifício, mas era difícil beijar quando se uma pessoa queria , forçou minuciosamente a entrada de sua língua na boca do desmaiado, por fim conseguindo o que queria, realizar seu objetivo, Nico corou, afinal, seu primeiro beijo de língua estava sendo com uma pessoa desmaiada, e a pessoa acordada, não fazia a mínima ideia de como se fazer sozinho, mas valia a pena , por quem era que estava acordado.

As mãos ainda se moviam em seu percurso indecente, por toda a parte, sua nuca esquentou, a língua começou a se mover desajeitadamente, Nico não sabia muito bem como o fazer, mas queria, e era esse desejo que o movia mesmo que não sendo muito experiente.

Suas mãos passaram a não se mover mais em seu percurso , elas arrastaram-se vagarosamente para a nuca do mais velho , enquanto ainda de olhos fechados , seus lábios inexperientes começaram a mover-se com curiosidade , como se explorasse uma das frutas proibidas do jardim do Éden , Nico pensava em desistir diante dos lábios imóveis debaixo dos seus , isso era realmente broxante , mas deliberadamente saboroso , o proibido era realmente excitante , e agora tomava conhecimento do ditado.

A cada roçar dos lábios, a cada vez que sua língua tocava mesmo que timidamente a outra , Nico estremecia , queria mais, muito mais. Foi quando absorto nos lábios embriagantes do mais velho, estancou no lugar quando uma das mãos que não era a sua realmente tomou sua nuca e o jogou contra mais perto dos lábios que atacava, Nico não podia acreditar no que estava acontecendo.

Permanecendo de olhos fechados, sentiu um outro braços passar por sua cintura e aproximar seu corpo do desfalecido , Nico , achava que tudo não passava de um delírio , mas deixou de lado todo e qualquer pensamento racional quando sentiu a língua alheia acariciar a sua com maestria , os lábios começaram a se mover em sintonia , o beijo se aprofundar em dimensões apocalípticas . Percy não fazia a mínima questão de parar para pensar no que estava acontecendo, no que estava fazendo , apenas quando sentiu o calor envolvendo lhe a boca , sentiu e fez , apenas com o instinto , ele sabia que deveria ser apenas um sonho , mas não resistiu em realiza-lo .

Os lábios se roçando , o beijo se aprofundando , percebia que a boca que lhe beijava era incerta, insegura e inexperiente, era óbvio quanto o seu era azul, então quis passar o mínimo do desejo que sentia explodir em seu peito para a pessoa que sabia que beijava, mas não queria acreditar, subiu suas mãos até os cabelos que julgavam ser negros e os envolveu nos dedos , puxando para mais perto se possível , rodeou e contornou a língua que se movia tímida e separou os lábios apenas para puxá-los com os dentes e voltar atacar com afinco aqueles que assediava com obscenidade , sugou , mordeu , adorou , cada parte daquele beijo que lhe deixou febril , beijou com mais ardor , sorriu entre o beijo , puxou mais os cabelos e apertou mais seus lábios contra os de Nico .

Este por outro lado, não sabia se retribuía, ou melhor se tentava retribuir , ou morria do coração que batia velozmente contra sua caixa torácica . Retribuiu com toda a sua força, agarrou os ombros másculos com força e girou o rosto roçando os lábios com mais força, desejando que o beijo nunca parasse, por fim o ar estava se extinguindo e tanto Percy quanto Nico amaldiçoaram de todas as pragas possíveis por terem que respirar. Numa última loucura dentre o beijo, Percy trouxe Nico para cima de si e agarrou seu quadril, gemeram, os dois, sentindo formar-se a sensação conhecida de uma ereção latente em cada um.

E ao fim do beijo, o lábio avermelhado, inchado de Nico foi solto com uma longa sugada , e então , vieram os ofegos , demonstrando claramente do que os pulmões precisavam , o maldito ar. ...’’

Nico tocou os lábios com a ponta dos dedos, os delineando, sentindo no peito o quanto queria que aquela lembrança se tornasse realidade. Ele fungou, limpando a lágrima desnecessária que correu por sua bochecha seguindo o caminho de sua jugular para logo seguir a gola de sua blusa, enquanto sua mão livre da tarefa se encaminhava em direção ao seu oitavo copo de uma bebida que devido ao seu estado alto, não conseguia identificar por nome.

Ele engoliu de uma só vez, como fez com todos os outros copos de tempos em tempo desdê que chegara ao local. Sua mente vazia de ideias, tomada pelo torpor do álcool e do calmante que tinha que admitir que era realmente eficaz. Entretanto, mesmo com todos os esforços que teve para afogar sua maldita saudade que dançava livre em seu peito, ele não conseguia formar seu bloqueio mental, muito pelo contrario, seu estado sensível e vulnerável pela bebida só o tornava mais apto para reforçar os momentos e cada traço do que vira há algumas horas atrás. Num estado enrolado de raiva e de uma sonolência causada por sua visível bebedeira, uma fúria vigorosa surgiu em seu peito, o fazendo grunhir de raiva e deixar rolar o copo por sobre seus dedos se espatifando ao chão, enquanto sua cabeça pendia para frente, seguida pelos gemidos frustrados que apresentavam seu choro derrotado.

– Porra! Porque eu não consigo simplesmente me esquecer de você? – ele grunhiu, batendo as mãos fechadas em punho por sobre o mármore frio do balcão do qual minuto sequer havia saído. Mas seu estado de quietude e frustração fora interrompido por uma mão que puxou seus fios de cabelos por entre os dedos e os puxando para trás para que sua cabeça se erguesse, ocasionando uma sensação de dor que Nico não poupou em demonstrar com um gemido quebrado pela voz rouca e dolorido pela ardência em seu couro cabeludo. Logo uma boca de hálito quente similar ao que sabia que estava mesmo que ainda perdido numa parcial inconsciência, recitou ao pé de seu ouvido, ardilosa e raivosa, poderia dizer, até que sádica.

– Se for de mim que estiver falando, é que por com certeza, você não consegue apagar os momentos de meus lábios em sua pele tão gostosa, Gracinha – o sangue de Nico se congelou em suas veias, e ele quase podia sentir que a circulação parara ao constatar o dono da voz, e à medida que sua consciência recém-adquirida se reestabelecia, seus olhos se arregalavam pelo medo de que fosse verdade, e era.

– Jo-Jonathan? – ele pronunciou o nome com a voz rouba e quebradiça, o que fez o mais velho sorrir e virá-lo de frente, prensando sua mão no pescoço alvo do menino, sorrindo diabolicamente para si enquanto se aproximava e esfregava seu rosto contra as maçãs leitosas do mais jovem, que bufou e tentou se desvencilhar, porém, em vão.

– Sentiu saudades meu amor? – ele indagou perversamente enquanto o virava de volta ao balcão e o prendia a si pela cintura. Jonathan ergue os dedos levemente em direção ao Barman que seguiu sem muito demorar pela falta de clientes a volta, sem deixar o mesmo falar, apenas ditou severo – Um copo de tequila, por favor, e bem cheio – o rapaz assentiu receoso e dignou-se apenas a atender ao pedido, logo voltando com um copo cheio de líquido até o topo do pequeno copo, voltando para atender outro cliente, porém, percorrendo os olhos na cena sempre que podia, observando o absurdo de longe.

O mais velho atrás de Nico prendeu sua mandíbula com a mão que soltara sua cintura, forçando as articulações se abrirem dolorosas contra sua vontade, enquanto a mão livre pegava o copo e o despejava a força pela boca do menor, que engasgou-se com o líquido que escorreu fervente por sua garganta, logo após curvando-se para frente e tossindo, ávido por ar. Entretanto, não houve tempo para se recuperar, pois Jonathan o puxou pelo braço, o arrastando rude por entre as centenas de pessoas que dançavam despreocupadas em apartar a cena, indo sempre direto e claro em direção à porta dos fundos, o que não demorou muito, pois num piscar de olhos, seus pulmões recepcionavam tão desesperados o ar gélido da noite.

Seu corpo, amolecido pelo torpor tornou a se manter firme assim que foi parado de ser puxado, e sua visão focalizou no homem que limpava sua boca com as costas da mão, para em seguida, fecha-la em punho conjuntamente com a outra, e não teve tempo de suplicar tão inutilmente para que ele parasse, mesmo que sua voz e seu corpo sonolentos e dormentes não ajudassem, pois seu corpo foi arremessado contra a parede do beco que não era ocupado pelas latas de lixo, e prensado contra o corpo e os tijolos.

– Você me deu muito trabalho gracinha, agora você não vai mais fugir – ele afirmou, enquanto apertava o pescoço de Nico e desafivelava seu cinto, e o menino sabia, que agora, ele não poderia fugir, ele estava fraco demais para reagir, e tão somente o que lutou semanas atrás para evitar, se consumaria terrivelmente na noite em que apenas queria esquecer-se de tudo. Entretanto, antes que pudesse perder suas esperanças, pensou tão somente que poderia apenas estar tendo uma alucinação, quando viu sua saudade bater desesperada contra o peito, pronta para ser aniquilada quando Percy parou a pouco metros de si, o peito subindo e descendo, exasperado e apoiado na parede, olhando o quanto ele estava com ódio e o vendo arrumar sua postura, para então fechar as mãos em punho pelo que via. Percy observou o garoto quase desfalecido sobre os braços do covarde que tanto sentia nojo, e vitorioso por chegar a tempo para impedir, se aproximou;

– Largue ele agora Mason! – exigiu firme, fazendo o sádico parar o que fazia para virar-se, apertando mais os dedos contra o pescoço pálido de Nico, o fazendo levemente tocar seus dedos frios contra as mãos do homem que o segurava contra a parede. E sorriu tão fracamente em direção a Percy.

– Perseu – Jonathan pronunciou entre dentes, a raiva espumando de sua boca, assim como sua frustração. Mas Percy se mantinha diferente, e em sua mente, apenas a vontade de acabar com o tal que se intitulava Jonathan, era movida pelo desejo de tirar Nico das mãos daquele monstro, e ele o faria. Ele faria Mason se arrepender por tudo o que fez com Nico, o se faria ...

... Continua ...

Notas finais
~E então gente??? Olha, eu sei que é uma tortura parar numa hora dessas, mas nada como instigar os leitores a quererem cada vez mais. Portanto, não me matem, pleaseeeeeee. E então: Quem gostou da iniciativa da Hazel? E quem quis surrar o Jonathan por ter tocado no nosso Niquete? Percy lacrando no final do capítulo, pronto para matar o Jonathan de porrada? Esse Jonathan hein, não desiste, mas quem palpita que ele vai se dar mal no próximo capítulo? Eu levanto ambos os meus dois braços para cima em concordância. ~ Agora eis a questão que sempre pergunto. Flores ou Pedras, eis a questão? O que vocês acharam hein? Espero que tenham gostado, e espero suas respostas ansiosamente nos comentários. Beijos. Em breve, estarei de volta, entretanto, só tenho capítulo novo previsto para o próximo mês. É isso gente. Espero que não me matem pela demora, mas quem sabe eu não mudo de ideia né? Bjks