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11 Chapter 10 - I'll never lose you Sight.
Notas iniciais
Quando começamos, você parecia ser tão tímido Mas pelo fim, você se tornou um cara diferente E então eu pensei que seus olhos estavam fixos em mim Mas agora eu sei que tudo o que você vê é a si mesmo!
Homem espelho, ninguém poderia te amar. – Ella Henderson, Mirror Man.
"- São Francisco, Califórnia. Há cinco anos.
O rapaz apertou a pasta contra o peito, ajeitando os óculos com a ponta dos dedos enquanto tentava de alguma forma passar pela porta do café, o qual sempre frequentava antes de rumar para as primeiras aulas da universidade. Entretanto, seus esforços não estavam sendo bem sucedidos. Ele suspirou derrotado enquanto tentava livrar sua mochila do enrosco no qual se encontrava, porém, não mais fez do que quase cair para frente quando duas mãos o puxaram minimamente para trás, para logo em seguida soltar a alça presa da mochila.
O mais novo se escorou sobre as barras de ferro adaptadas para deficientes, recuperando-se aos poucos enquanto adquiria a posição ereta novamente, para por fim, virar-se em direção a quem o ajudou. A sua frente, um rapaz de pele branca e olhos azuis gélidos lhe mandou um sorriso reconfortante, aproximando-se mínima e vagarosamente.
– Obrigado, cara! Acho que ficaria ali para sempre se não fosse sua ajuda. – O homem olhou para o chão, negando com a cabeça enquanto prostrava suas duas mãos ao lado do corpo do jovem, que ajeitou sua postura desconfortável com a situação.
– Que nada! Eu só dei um empurrãozinho. – O moreno piscou, fazendo o menino soltar um sorriso bobo por entre os lábios enquanto suas bochechas eram tingidas de um tom levemente avermelhado.
– Literalmente, eu acho. – O mais jovem declarou, rindo simultaneamente com o outro, que retraiu o abdômen enquanto levava a mão direita aos olhos. Limpando os cantos do qual se acumulavam pequenas lágrimas.
– Bem, e eu acho que está me devendo uma. – O garoto olhou para os lados perdido no que deveria dizer diante da situação em que se encontrava, e tal ato não passou despercebido pelo mais velho quase colado a sua frente. – Acalme-se. Apenas quero lhe pagar um café, certo? – O garoto riu de sua estúpida insegurança e logo sua sensação perdida se dissolveu, dando lugar a um sorriso alegre e bobo novamente. O menino assentiu, dando de ombros e franzindo os lábios em seguida, sem ao menos ponderar se aceitar aquele pedido seria correto.
– Por que não? – O homem sorriu, mostrando seus dentes brancos que seriam capazes de tirar suspiros de garotinhas que se faziam de ingênuas e puras só para conseguir que as elogiassem.
– Prometo que não vai se arrepender. – O mais velho piscou, estendendo a mão em direção ao mais novo que tinha as bochechas ruborizadas como antes. – A propósito – ele pausou, umedecendo os lábios para logo em seguida formar um pequeno sorriso lateral. – Meu nome é Mason Colton. – O mais velho piscou um de seus olhos em direção ao mais novo, que timidamente apertou a mão alheia ainda meio inseguro de si.
– O meu é Perseu. – Sorriu acanhado, desviando a reta de seus olhos para os pés adornados pelo tênis Converse que se arrependeu de ter colocado pela sujeira típica incrustada nas laterais. – Perseu Jackson. – Ele retornou o destino de seus olhos, sendo puxado para mais perto pelos gélidos alheios como uma linha tênue perigosa... "
Percy não sabia se sua raiva era movida pelas lembranças que haviam lhe açoitado a mente como chicotes em chamas, ou se pela visão de um Nico quase desfalecido sobre os braços daquele que, um dia, chamara de o amor de sua vida e que ao mesmo tempo, havia lhe roubado a possibilidade de realizar sonhos incríveis de modo tão hostil.
O homem cerrou os punhos assim que viu Jonathan acomodar Nico sobre os braços, segurando-o pela cintura e pelo pescoço, presumindo que com força desnecessária — levando em conta o menino completamente inerte a situação. Se o mesmo tivesse um fio de consciência, seria muito.
– Você não vai estragar meus planos novamente, amorzinho. Eu já perdi muito tempo e paciência com essa palhaçada. – Percy deu de ombros, se aproximando um passo a frente do casal que tinha tanta ânsia de separar com suas próprias mãos.
– Ótimo! Então, saia da vida do Nico e estaremos resolvidos. – Ele negou com a cabeça. Um sorriso perverso brincando entre os lábios banhados em veneno.
– Não é tão fácil quanto parece, querido.
– Me diga Mason, o que você ganha violentando um garoto inocente? – O homem lambeu os lábios de um modo faminto. O olhar focado e perigoso como uma cobra cheia de malícia pronta para dar o bote em uma das presas mais indefesas.
– Oras, não é óbvio? O acaso que sempre esteve ao meu favor me deu uma rasteira, bebê, e agora, eu não posso prosseguir com meus planos iniciais. No entanto, não acha que eu seria burro o bastante de sair de mãos vazias, não é mesmo? Ainda mais ele sendo dotado de uma inocência tão excitante. – Os olhos de Percy se semicerraram, e uma vontade imensa de ter em mãos coisas, as quais pudessem causar estragos permanentes no corpo do outro a sua frente surgiu na boca de seu estômago. Ele bem se lembrava de cada passo a passo e as palavras que o induziram a fazer coisas das quais se arrependia amargamente. Mas preferiu apagar tais pensamentos da sua mente, substituindo-os pela convicção de que ele nunca permitiria que o mesmo acontecesse com Nico.
– Não ouse encostar um dedo nele. Eu não vou deixar que você faça o mesmo que fez comigo. – Percy assegurou suas palavras e as enfatizou com um olhar firme, duro e frio – algo que muito dificilmente fazia.
– Ah, mas você me amou Perseu. Ou não se lembra dos bons momentos que vivemos? Não ouse negar, vivemos momentos mais belos do que qualquer um possa imaginar. — O rapaz a quem o outro se referia odiou-se por admitir, que mesmo que o parceiro fosse um inescrupuloso ser, as lembranças lhe traziam calafrios reconfortantes de saudade. Esse do qual não pudera ignorar, quando sua mente vagou para uma parte de um baú a muito empoeirado e escondido em seu subconsciente...
"São Francisco, Califórnia. Um mês depois...
O som do quebrar das ondas embalava o momento, como uma trilha sonora ao fundo de uma cena romântica de filmes de comédia ou de categoria adolescente.
Percy sorriu acanhado com os mimos que frequentemente estavam sendo lhe feitos. Para o garoto, Mason era como uma infinidade de alegria e surpresa que, por sorte, entrara na sua vida. Não sabia como havia dado essa sorte, mas tinha a certeza de que nada, nem ninguém, poderia estar mais feliz que ele naquele momento.
Os olhos capturavam a extensão de estrelas, essas piscavam como holofotes de luz que pareciam celebrar a união do casal deitado sobre a areia fofa da praia. O cheiro da maresia e o ar salgado da faixa de praia. Ofegou. Sentindo seus lábios serem puxados por entre os dentes perigosos do homem a quem amava tão cegamente. Retribuiu com um leve sorriso tímido.
– Mason? – O outro resmungou algo em resposta, já que seus lábios estavam ocupados em venerar a pele levemente morena do garoto que tinha nos braços.
– Sim?
– Me prometa uma coisa? – Seu tom foi temeroso de que a resposta que queria ouvir fosse por força dita. Mas os medos se dissiparam assim que a mão alheia lhe percorreu o caminho marcado pelos ossos da coluna, lhe causando calafrios de boa sensação, até chegar aos ombros, dos quais empurrou com a força de seus dedos em direção ao mais perto possível, quebrando todo e qualquer espaço – mesmo que o restante fosse mínimo. A areia se remexeu a sua volta, entrando em contato com a parte de sua pele desnuda, causando um mínimo desconforto. Algo que ignorou, devido ao seu foque nos carinhos que o deixavam inerte ao resto do mundo – principalmente o barulho dos carros que tanto lhe incomodava a audição.
– Te prometo o que quiser, meu doce – Percy riu. Uma das coisas com as quais nunca se acostumaria eram os apelidos em que Mason lhe dava. Ele nunca se acostumaria com modo doce de chamá-lo; no entanto, se prosseguissem até o fim de mãos dadas pelo mesmo caminho, obviamente que faria um esforço para retribuí-lo na mesma proporção. Ajeitou-se sobre o corpo alheio, procurando uma posição que lhe proporcionasse conforto e, ao mesmo tempo, que o permitisse encarar as orbes azuladas do namorado.
– Prometa para mim que vamos continuar assim? Para o resto de nossas vidas? – O rapaz suspirou, tocando o rosto do mais jovem com carinho. Lhe mandou um sorriso que Percy julgou como uma afirmação silenciosa. Fazendo-o ignorar o frio momentâneo causado pelo toque da água gélida que ia e vinha sobre seus pés.
– Para sempre meu amor, para sempre. – Mason afirmou. No entanto, não era o que seu coração dizia, se é que ele algum dia havia se pronunciado devidamente.
Percy se acomodou mais sobre seu peito, contente pelas palavras que o homem por quem tanto tinha carinho, havia dito. Naquele momento, pouco se importava de ter a areia a lhe irritar a pele, a água do mar lhe causando um frio agudo, o movimento dos carros, o barulho da cidade; apenas importava estar ali, com Mason. Porém, para esse, apenas o fato do sorriso iluminado no rosto do menino lhe tirava um de pura perversão. Um sorriso não porque o amava, e sim, pois tudo se envolvia naquele sorriso. Aquelas palavras eram o seu passaporte para o sucesso, tanto financeira, quanto sexual e claro que ele faria de tudo para alcançar ambas as coisas com ganância... ’’
O dono das lembranças a muito esquecidas e que tinha um louco desejo de que elas nem sequer existissem, despertou de seu torpor, e não perdeu tempo em voltar a fitar o mau-caráter a sua frente. Comparando suas duas faces através dos anos que se passaram, ele não havia mudado muito. O olhar embebedado em malícia, a mentalidade repleta de ganancia e os poros que exalavam a mais pura e corruptora maldade.
– Infelizmente, o coração não tem cérebro para discernir em que encrenca seu dono está se metendo. Sim, tivemos momentos ótimos, Mason. No entanto, creio que se o dono conjunto de minhas memórias fosse outro, minha vida seria muito melhor do que a atual – Mason, ou como agora era chamado, Jonathan, fechou seu semblante numa pura expressão de falsa ofensa.
– Com essas palavras você me ofende, amorzinho. – O homem enfatizou a palavra, algo que deixou Percy proporcionalmente enjoado de ter que enfrentar mais uma vez em sua vida aquele tipo de apelido que, um dia, foram motivo de seu esforço de ser mais carinhoso em forma de retribuição.
– Palavras são pouco perto do que você merece. – A devolução em forma de resposta à lamentação alheia, surtiu o mesmo efeito de um tapa ardido. Cujo, muito prazerosamente, Mason adorou receber.
– Ora, quanta mágoa dentro desse coraçãozinho, bebê. Parece até que se esquece do quanto fomos felizes. Ah, bons e velhos tempos. – Percy semicerrou os punhos, e determinado a encerrar o assunto, estufou o peito, prestes a tomar uma atitude definitiva para por um fim ao mal e arrancá-lo pela raiz.
– Certo. Se vamos falar do passado, nada mais justo do que entrar em detalhes mais profundos. Tomo como exemplo os seus planos obscuros. Como quando descobri que seu interesse se concentrava nas empresas do meu pai ou no prazer que eu poderia te dar. Nas promoções financeiras, no seu status conquistado por suas jogatinas traiçoeiras, na sua melhora de classe social ou até mesmo com o seu próprio orgasmo. Enfim, em interesses pessoais e egoístas que eu sequer imaginava que você pretendia seguir quando nos conhecemos. – Em todas as palavras pronunciadas pelas notas roucas carregadas de uma tristeza agonizante, uma lágrima a mais se acumulava no canto dos olhos, como um rio forçando passagem em uma represa de material mais frágil que o concreto duro e frio. No outro, apenas o efeito da mágoa decaindo sobre as estruturas do rapaz a sua frente era motivo de um prazer doentio.
– Sabe isso me traz lembranças completamente prazerosas de serem lembradas. Faço o mesmo e tomo como exemplo os momentos em que me diverti imensuravelmente, contando a uma prostituta qualquer em sua ausência, o quanto você era trouxa. Você não tem ideia de o quanto era prazeroso pensar que meus planos estavam mais uma vez sendo concluídos. Claro que se não fosse por sua maldita persistência em querer saber sobre meus passos, eu estaria hoje numa parte da Europa, bem longe de mais outras tentativas para ser bem sucedido e ganhar algumas merrecas. – Ele apertou o mais forte que pôde a garganta do menino em seus braços. Ato que despertou as mãos inquietas do homem — que se inclinaram como alguma forma de acalentar o gemido de dor da vítima — que observava aflito a cena. – Mas claro, que o bebê, não satisfeito em frustrar os meus planos com ele, resolveu interferir num outro futuro promissor. No entanto – ele se aproximou, e fincou as unhas curtas, porém, não menos dolorosas no osso do quadril do menor, que apenas choramingou em resposta, tirando de Percy, um gemido decepcionado pela sua incapacidade de ter evitado todo aquele transtorno. – Se acha que eu vou sair dessa com as mãos abanando está enganado. Essa bundinha virgem é minha. – Os olhos do moreno dono das esmeraldinas contas sentiu em seus próprios olhos uma chama perigosa, e não perdeu tempo em se encaminhar perigosamente para mais perto. Alavancando seu corpo de maneira tão violenta que achou ser capaz de se fundir nos dois a sua frente.
Nico foi arremessado para o chão por Mason, que se desequilibrou a receber um abraço mortal de Percy. Este, tomado de uma raiva fervente que parecia escorrer por todos os seus poros. Aquele cujos os olhos verdes pertenciam, agarrou o colarinho da camisa social alheia, apertando o tecido tão fortemente em mãos que achou possível que o tecido se rasgasse sobre suas curtas unhas. Mason riu copiosamente, insano o bastante para achar a situação cômica, pois simples ameaças de uma briga violenta não seriam capazes o suficiente de tirá-lo da reta de seus objetivos.
– Quando você era mais jovem, não era tão dotado de violência e coragem assim. Você era mais frágil, na verdade, continua sendo. Agora, é um garotinho covarde escondido debaixo de uma capa de homem autossuficiente e forte. É só mais um reles cara que se acha foda o bastante para enfrentar seus piores pesadelos. – Percy, possuído por uma fúria fulminante, nem sequer percebeu quando sua mão se fechou em punho, levantando-se para só então chocar-se contra a mandíbula da parte esquerda do rosto alheio.
Tal ato tão repugnante – em sua opinião – e tão cheio de uma violência descomunal, o levou a lembrar-se do fatídico dia em que sua vida mudara de rumo tão drasticamente para pior. O temido acidente que sentia calafrios apenas com a mera ponta de uma lembrança...
" Oito meses mais tarde.
As mãos suavam frio. Tremiam completamente descontroladas devido a pouca sanidade do momento. Mérito devido a suja verdade que, após muitos avisos de entes tão queridos que ignorara injustamente, descobrira.
Ele enxugou as lágrimas com as costas das mãos, apertando o volante com força desnecessária, apenas com o intuito de descontar toda a raiva, a mágoa, todo o horror que sentiu por estar inteiramente apaixonado por um monstro sem um pingo de humanidade.
– Percy! – Ele ainda pôde escutar seu nome ser desesperadamente pronunciado aos berros a alguns metros do carro. No entanto, ele não se deu ao trabalho de olhar pelo retrovisor para saber a quem pertencia a voz, muito menos deu importância ao falso desespero que as mesmas continham. Apenas pisou fortemente no acelerador, a fim de extraviar ao menos que por alguns segundos no som das rodas girando no lugar sobre o asfalto, todas as emoções embrulhadas em sacos plásticos sufocantes de dor.
Fungou, deixando para trás o rapaz que até então tinha seu coração em mãos, brincando de ser o dono das manipulações mais cruéis possíveis. Sendo o temido vilão dos romances dos livros.
Ele virou uma rua, adentrando a grande rodovia repleta de carros com seus faróis ligados, iluminando as finas gotículas de chuva provenientes das cheias e cinzentas nuvens nebulosas que pairavam no céu. Percy sentia-se como uma delas. Cinzenta e fria, como se sua tonalidade branca e pura tivesse sido exprimida até o fim de suas forças e raízes mais fortes. Como uma árvore que havia sido cortada, devido sua podridão interior, sobrando apenas um toco de madeira enegrecido e as suas muitas retorcidas e grossas raízes. Apenas um sinal do que um dia foi uma grande e imperial planta, dotada de um verde lustroso, outrora, puro.
Seus profundos e nefastos devaneios foram interrompidos pelo som do celular, vibrando no banco do carona ao lado. Seus olhos uma vez desviaram em direção ao aparelho eletrônico, vendo que na tela, o dono da chamada inconveniente num dos momentos mais tristes de sua vida, era aquela a quem lhe causara tanto mal. Ignorou por completo o irritante som persistente, e chocou seus olhos arregalados, vermelhos e inchados para a rodovia chuvosa, agora, inundada de água. Ligou o limpador do para-brisa, que tentava o máximo possível deixar sua visão limpa.
Entretanto, seus esforços em tentar se desligar do som a sua volta fora completamente falho, e a insistência do toque do celular o fez, mesmo que dolorosamente, o pegar em mãos e atender ao telefonema. E mesmo que se condenando mentalmente; e mesmo que lhe doesse tanto, ouvir a voz daquele a quem tanto amava, ainda assim, era algo estranhamente bom, ao mesmo tempo, sufocante.
– O que você ainda quer comigo, Mason? Fazer-me sofrer mais do que já estou destruído? – As lágrimas escorreram de suas esmeraldinas orbes em abundância, escorrendo sobre a curva de sua mandíbula, seguindo o caminho imaginário de sua garganta e sumindo sobre a gola da camisa.
– Meu bem, eu já te contei a história de Jojo, ela é maluca, me obrigou a falar aquelas coisas. Eu juro por de... – Não houve tempo de terminar a sua frase. As palavras foram cortadas pela rouquidão de mágoa infinita da voz de Percy.
– Por favor. Poupe-me de seu cinismo barato e arranjar algo melhor com o qual se desculpar ou simplesmente me diga a verdade. Eu estou farto de suas desculpas. Há seis horas você me tem em um pêndulo de dúvidas sobre se você estaria dizendo a verdade diante daqueles documentos. No entanto, ouvir de sua própria boca que eu não passava de seu instrumento do sucesso foi o bastante para saber que qualquer justificativa barata que me desse seria infundada. Então me diga a verdade, eu exijo saber! – Sua voz foi firme e imperativa, ao mesmo tempo cheia de falhas e dor. Não havia motivos dela ser amenizada já que os cacos de vidro penetravam a barreira de segurança e se afundavam na carne de seu coração que sofria uma hemorragia emocional digna de uma trágica operação cirúrgica.
– A verdade? – Uma risada embebedada de malícia e perversão surpreendeu parte de seu organismo que ainda afirmava com todas as forças restantes ser mentira tudo o que ouvira. Mas a cruel verdade finalmente veio à tona, e com ela, um mar de salgadas e queimantes lágrimas. – A verdade é que nesse momento milhões de reais derivados da empresa do seu paizinho querido estão sendo transferidos para mim nesse momento. A minha conta está cheia de verdinhas das quais irão se multiplicar com um investimento milionário, e eu vou viver na maciota até que os fios de meus cabelos se tornem brancos, querido.
Percy retraiu-se no volante, desviando de um carro que buzinou para si. Ele avançou o sinal, pisando o mais fundo possível no acelerador. O coração pulsando e agonizando ao som das rodas no asfalto e ao estridente som dos trovões.
– A verdade é que a única coisa que realmente queria em você é o seu precioso dinheiro e seu delicioso buraco virgem. Hm, não há nada no mundo que seja mais delicioso do que estar dentro de você ou estar nadando numa piscina de notas milionárias do seu pai. – A voz horripilante ecoava por sua mente como um veneno que derretia até a cartilagem de seus ossos. Percy acelerou mais, desviando de um caminhão que transportava produtos industriais para exportação. Ele quis gritar pela dor que sentia, mas tudo o que fez foi ouvir a todas as barbaridades silenciosamente. Contendo a dor latente em cada fio de nervos expostos.
– A única e mais dura verdade aqui, é saber o quanto eu estraguei a pureza do seu colorido amor ridículo. A experiência que deve ser a sua única, melhor e mais prazerosa em toda a sua jornada patética. E enquanto eu sei que seu pai vai gastar a pouca fortuna que lhe resta em terapias pesadas para desinfestar seu cérebro frágil com seu trauma mais patético ainda, eu vou estar em um dos países mais ricos esbanjando todo o dinheiro que eu consegui com o esforço de ter que aturar a criança mimada insuportável que você é. Agora me diga se não sou brilhante, bebê chorão? – O garoto soluçou, abaixando a cabeça minimamente, mas logo voltando ao seu posto, ciente do perigo que seria se descuidar. A visão embaçada pelas lágrimas e garganta travada pela pior dor que já sentira. Infelizmente, ele não pode se conter ao dar um grito de dor. – Você é patético, querido Percy.
Não aguentando mais o teor e a tortura das palavras chicoteando sua mente, desabou suas estruturas e fazendo assim uma ginástica para abrir o vidro do carro. Jogou o aparelho para fora de seu meio de locomoção escutando ao longe o rachar da tela e o vidro se partindo no meio da rodovia. As mãos agarraram o volante sem piedade de si mesmo e da dor que poderia sentir.
Nenhuma superficialidade poderia ser pior do que as raízes cortantes que apartavam seu coração tal qual uma jiboia e sua presa em seu suspiro final.
Ele aumentou a velocidade – se é que era possível – mais ainda. Enfim, quando sentiu a água da chuva presente no asfalto resvalar em sua pele; o vento o acariciar, frio e doloroso; uma liberdade acolhedora o abraçar, se sentiu satisfeito o bastante.
Percy se sentia como se os muros a sua volta estivessem desmoronando. Desmoronando e espalhando o pó resultado de tijolos quebrados por toda a parte enquanto era soterrado pelos cacos restantes da obra caindo aos pedaços. E foi perdido nessa sensação angustiante, que num piscar de olhos; uma troca de marcha; uma curva e levado pela ilusão de que a pista estava vazia, que ao virar, um caminhão que seguia a direção oposta, não pôde desviar.
O impacto se sucedeu como um arremesso ou um chute muito doloroso, e nem sequer deu conta de que voou para fora do carro em direção ao asfalto, atravessando os cacos de vidro e aterrissando sobre a pista molhada com um baque mais doloroso do que poderia imaginar, chegando até a deslizar na direção oposta do carro que capotava na pista. Entretanto não mais doloroso do que a dor de seu interior esmagado e retorcido. Naquele momento, era como se o cenário fizesse jus à cena.
Se a inconsciência o tomasse por tempo indeterminado, ou até mesmo para sempre, não mais faria do que agradecer. E diante do altar impiedoso no qual foi pendurado, sentiu os olhos arderem e a cabeça latejar tal qual atingida por um martelo gigante assim que o asfalto se impactou sobre o osso resistente do crânio. O movimento das pernas já não mais sentia, e a respiração dos pulmões parecia falhar a cada tentativa de se manter lúcido. As grandes bolas de gude esmeraldinas se fecharam vagarosamente, dando lugar a uma escuridão infinita e a própria solidão sufocante. Os dois vilões que tinham dado as mãos, prontos para que seu intento final chegasse..."
As lágrimas tomaram seus olhos como na lembrança passageira dolorosa, tal qual como se tivesse acontecido naquele mero meio segundo em que parara para reviver uma das piores coisas que já acontecera em sua vida. Sentiu suas estranhas se revirarem assim que a risada perversa atingiu sua audição como um ruído penetrante e insuportável.
– O patético garotinho chorão tem força nos punhos. Que gracinha. – Não contendo mais um pingo de sua sedenta fúria, saciou o que queria nos últimos dois meses assim que o viu tocar em Nico. A vontade imensa de ser o causador de hematomas que eram poucos diante do que ele ainda merecia sofrer.
O jogara no chão, prendendo sua possibilidade de reverter o processo assim que se sentou sobre sua cintura, desferindo socos seguidos no rosto de pele tão alva quanto à do garoto, completamente bêbado. Pensando desse modo, sua raiva só aumentou, e foi movido por ela que o estômago foi o alvo de um golpe fatal que fez o outro se retrair. No entanto, por um descuido, deixou ser levado pela posição e pela cegueira proporcionada pela sua raiva e, logo parou no antigo posto do outro que agora, era o dono dos golpes desferidos sobre si.
Percy conseguiu unir a força que tinha de sobra para afastar-se dos dolorosos golpes pesados sobre os ossos das maçãs do rosto, e empurrou o homem de cima de si, arrastando-se para o outro lado, logo em seguida escorando-se na parede e pondo-se de pé aos poucos.
– Pobre Percy. E agora vemos que o garoto patético retornou a todo vapor. – Percy observou o homem que o ofendia com gana, agora, tinha o olho parcialmente roxo; o canto do lábio escorrendo um filete de sangue e a bochecha esquerda do rosto tingida de um avermelhado forte.
O rapaz avançou sobre o outro, agarrando-o pela gola da camisa novamente, o empurrando várias vezes seguidas sobre os tijolos vermelhos. Golpes que renderam ao outro, vários impactos doloridos na cabeça. No entanto, Mason era um tanto quanto mais forte, e fez o mesmo, usurpando sua posição. Numa última e desesperada tentativa, Percy fez com que o outro, caísse no chão batendo sua cabeça parcialmente sobre a lixeira de metal – resultado obtido por uma defesa mal feita e uma joelhada de contra golpe — o que lhe deu chance de arranhar seu tórax e segurá-lo pelo pescoço, lhe arrancando sangue quando um corte se formou no osso protuberante da bochecha de seu lado direito. O arroxeado se tornou mais vivo, assim como no rosto de Percy, que agora tinha as rédeas da situação.
Entretanto, Mason, agiu como uma cobra que sempre fora, e reverteu à situação. Usando de sua força a mais para dar um impulso em seu quadril e desequilibrar Percy. Pressionou o pescoço do moreno com as mãos, com toda a força que tinha e suficientemente para impedir tanto a saída quanto a entrada de ar. Deixando-o sem ideias do que fazer a seguir.
O sangue foi bombeado com mais afinco pelo seu coração afoito dentro do peito. O ar foi prensado contra os pulmões como uma chapa em brasa e o conhecido breu aos poucos, apossava-se de sua presença no recinto sujo. Não havia mais o cheiro ruim do lixo exposto no beco. Não havia os socos ou mesmo a raiva que tanto o tinha tomado. Ali era apenas a luta em busca de ar e de se manter vivo, e a vontade que tinha de voltar a ter Nico em seus braços, a salvo de todo mal, era a sua maior motivação.
Tal situação muito o lembrava do dia em que a morte o havia visitado. Uma sonolência perigosa rondava sua mente, atiçando-o a continuar decaindo sua força, pronta para dar seu beijo final de misericórdia. Mas em sua mente, não podia desistir. E determinado a tomar uma atitude, contorceu-se por baixo do corpo que o prendia; em vão, mas ele não desistiria. Por Nico, ele nunca desistiria.
No entanto, não foi preciso que tomasse uma medida drástica quando estava a um fio do afogamento da perda de consciência no escuro vazio. Mason, ou Jonathan, caiu tal qual uma massa pronta para ser separada na produção de uma torta, deixando Percy mais confuso do que quando tinha apenas o ar perdido como maior sonho de consumo. As mãos apertadas foram soltas assim que o corpo impactou no chão, dando ao mais jovem participante da briga, o privilégio de enfim retomar todo o fôlego perdido. Foi quando por trás de sua queda, uma figura pequena e trêmula se revelou, e não teve dúvidas de que fosse Nico assim que seu corpo, ainda fraco, caiu para o lado com as mãos segurando fortemente a haste do balde de lixo.
Percy forçou-se a ignorar a sua ofegante respiração ou sua necessidade de desesperadamente conseguir ar. Apenas rastejou pelo chão frio de concreto até a figura frágil do lado oposto de onde se encontrava anteriormente.
Tossiu algumas vezes no processo, tentando fazer com que a secura de sua garganta – que lhe causava um irritamento insuportável – se dispersar, o que pouco funcionou realmente. No entanto, seu esforço valeu a pena quando conseguiu, de fato, chegar até Nico, que gemeu em desgosto pelo contato sensível das mãos geladas e manchadas de sangue, na ponta de seus dedos. Percy beijou os cabelos negros do menino de modo amável, tentando abraçá-lo – de modo a confortá-lo – como pôde. E realmente, sua tentativa falha fez com que a sensação boa de estar – mesmo que superficialmente – junto a Nico, fosse maravilhosa de um jeito inexplicável. Naquele momento, teve a certeza absoluta de que não poderia deixá-lo escapar por entre seus dedos nunca mais.
Um ganido dolorido despertou sua atenção para o rapaz – com quem travara uma briga violenta – até então desacordado. E temeroso, se arrastou — recuperando suas forças aos poucos – para o outro lado do beco, mais ao canto, carregando Nico junto ao seu peito, como uma forma de proteger o garoto.
Mason se levantou cambaleante, absorto numa névoa de sonolência inesperada. Porém, não menos a par do que havia feito antes e de quem eram seus alvos, tanto que sua primeira preocupação foi sorrir para o casal encurralado a sua mercê no vértice do beco retangular. Entretanto, foi impedido de dar mais algum passo em direção ao intuito de suas maldades assim que a porta dos fundos da boate se abriu num estouro, fazendo o barulho soar por todos os cantos com ecos que transmitiam e carregavam notas fortes de um aviso que não era nada bom. Pelo menos para Jonathan.
Surpreendendo a todos que se encontravam no lugar, uma voz autoritária se pronunciou por trás de toda a tensão dos próximos atos daquele que estava em pé, e um ‘’clique’’ muito parecido com o destrave de algo, soou como um lembrete de que não era aconselhável se mover.
– Parado aí, meu chapa. – Percy redirecionou sua atenção para a porta, encontrando quatro homens fardados igualmente armados que, agora, se espalhavam pela entrada, apontando as pistolas em direção ao causador de todo o mal da situação.
No entanto, não se demorou muito a voltar sua atenção para o homem ameaçador, que mantinha mesma pose de antes à frente. Este se encontrava com uma clara expressão de frustração, fúria, e claro que não poderia faltar um ódio fulminante. As mãos estavam em estado diferente, ambas dotadas de uma contorção que demonstrava claramente o quanto levava em desagrado ver seus planos correndo de uma vez por todas pelo ralo dos que não iriam se realizar jamais novamente. E o semblante, um misto de desgosto, nojo, ódio, contidas friamente numa mandíbula cerrada e um olhar que escorria toda a raiva.
O homem se ajoelhou vagarosamente, pondo em seguida as duas mãos sobre a cabeça enquanto fitava incansavelmente o casal que outrora fora sua vítima. Logo dois dos policiais que o renderam não perderam tempo em algemá-lo, frustrando e cortando toda e qualquer ideia de fuga possível, no entanto, mesmo que estivesse preso, não significava que seus planos mudaram muito pelo contrário, tomaram um rumo mais interessante do que apenas uma vingança por metas menores frustradas. Tornou-se maior e mais perigoso. E Jonathan mentalmente se prometeu de que o realizaria o mais dolorosamente possível quando tivesse a chance em mãos. Pois tinha, plena e total, certeza, de que ela chegaria.
– Você tem o direito de se manter calado, tudo o que disser poderá e será usado contra você num tribunal. – Um dos que o levantou tão rispidamente ditou, enquanto o virava na direção oposta da porta de aço arrombada, na qual se encontravam os outros dois que faziam a escolta. Ainda apontando suas armas para o rapaz detido em pleno ato.
Para a surpresa de todos, Mason riu copiosamente, deixando escorrer um filete de sua saliva, compondo o visual de cabelos desgrenhados e evidentes olheiras, completamente em estado doentio e amedrontador. Percy se arrepiou e apertou Nico nos braços com um pouco mais de força.
– Seus merdas! Não vai adiantar de nada me levarem para uma jaula, eu sempre vou conseguir sumir. Não vai ser diferente dessa vez. Só que dessa vez, eu vou voltar, Perseu. – Jonathan tentou se soltar, revirando-se e tentando se desvencilhar das mãos fortemente apertadas em volta de seus braços. Sem sucesso, no entanto, isso não o impediu de olhar profundamente nos olhos verdes de Percy, centrado e sem piscar, como se cada vibração ruim que lhe causasse calafrios enfatizasse sua ameaça. – E quando eu voltar, eu vou acabar com você e com seu patético mundo cor de rosa. – Um dos policiais reagiu à ameaça e o empurrou, fazendo-o desequilibrar enquanto era puxado pelos outros dois em direção à viatura que estacionava em frente à entrada do beco.
– Já começou mal, meu chapa. Aconselho-te a não dizer mais nada. Sua situação está bem ruim já. – Logo após isso, o corpo do preso foi levado à contra gosto do mesmo para dentro do carro, jogando-o no banco de trás, enquanto um dos policiais que o havia rendido tomava o posto no banco do carona. O motorista logo seguiu em marcha ré para fora do beco, não se demorando mais nenhum minuto. Percy constatou que o mesmo estivesse ali apenas para cumprir que Mason fosse levado o mais rápido possível para uma delegacia, e não perdeu tempo em realizar uma prece em prol de que o mesmo logo fosse levado a uma prisão de segurança máxima definitiva.
Entretanto, tais pensamentos lhe fugiram da mente quando um movimento de Nico o despertou, voltando sua total atenção para o garoto desacordado. O trouxe mais para cima de seu colo, abraçando agora não só por debaixo de seus braços quanto as pernas, como um modo de acalentá-lo. Algo que provavelmente agradou a Nico, que mesmo desacordado, se aconchegou mais no abraço, no entanto, não demonstrou sinais de que fosse acordar.
– Rapaz? – Uma voz o despertou de sua veneração, o fazendo olhar para cima e encontrar um dos policiais que ainda tinham se mantido no local. – Já ligamos para uma ambulância, vamos escoltar vocês dois até o hospital. Você é um rapaz de sorte por ter um amigo tão leal ao ponto de promover todo esse resgate. Sortudo de verdade, no entanto, um pouco maluco. – Percy soltou um riso dolorido e quebrado, assentindo enquanto franzia o cenho em busca de uma lista mental de quem poderia ter intervido por ele. Logo sua memória localizou o causador de seu salvamento, algo que o tirou um sorriso “Grover, claro.” pensou, sorrindo mais abertamente como uma forma de gratidão, mesmo que o outro a quem se referia não pudesse ver.
A única explicação para tudo só podia ser vinda dele. Algo despertado no momento em que chegou transtornado em busca de uma informação de Nico. Uma coisa que Grover o rendeu de bom grado sendo Barman da boate. No entanto, mesmo assim foi forçado a dar a volta quando constatou que a porta de metal da saída de trás havia sido impedida de ser aberta por algum empecilho ou objeto na frente, forçando-o a dar a volta e encontrar a pior situação que já poderia ter presenciado.
Calafrios gelados percorreram a sua espinha ao lembrar-se de tais coisas, mas resolveu por manter o assunto enterrado a sete chaves, devolvendo o baú de memórias, o qual pretendia nunca mais abrir a sua prateleira empoeirada no fundo de seu subconsciente de memórias indesejadas e manter-se alerta assim que o som da sirene da ambulância ecoou pelo local. Que a muito devia ter sido evacuado.
Sua mente se manteu mais firme e os olhos agora livres da tentativa de sono forçado, acompanharam quando os paramédicos se dirigiram na direção dos dois, ajudando Nico a ser colocado sobre a maca que veio acompanhada dos profissionais. Percy também foi ajudado devido ao seu estado após a briga, no entanto, mesmo ainda tendo um apoio corporal para manter-se de pé após uma leve tontura, não se preocupou com isso. Sua única preocupação era estar perto de Nico e acompanhá-lo. Estar junto ao garoto, era o seu único e maior desejo naquele momento.
Não importava se estava ferido. Não importava se havia travado uma batalha. Não importava se os malditos dois meses haviam se passado ou se até mesmo o rastro de um pesadelo os havia separado. Sentado com a ajuda de um dos enfermeiros que iniciavam os procedimentos de esterilização dos objetos que iam precisar para realizar algo com Nico, olhou para o corpo imóvel e inerte do garoto. Sorriu, inclinando-se mesmo que lhe doesse as costelas e capturando seus dedos num aperto de mãos muito significativo para si.
Percy suspirou, sentindo um alívio quando um calor pousou por todos os seus nervos. Ele beijou as costas das mãos gélidas de Nico e encostou sua testa minimamente sobre ela, para logo em seguida botar seus olhos sobre seu rosto sereno e desacordado de Nico. Daquele momento em diante ele só tinha apenas uma certeza fixada em sua mente e em seu peito. De que nunca mais poderia se afastar nenhum segundo sequer do menino. Daquele a quem tanto amava.
– Eu nunca mais vou te perder de vista. Ouviu? – Ele sorriu bobo, segurando dedos nos dedos, os apertando como uma forma de demonstrar que estava ali. – Eu espero que tenha ouvido. Por que quando você acordar, eu vou dizer com todas as letras o quanto eu te amo, Nicolas Di Ângelo.
Percy depositou um cálido beijo sobre a testa do menor desacordado. O fitando com o coração na mão, só que dessa vez, não de tristeza e sim, de uma alegria promissora que o envolvia luminosa. Dessa vez, ele tinha certeza, tudo daria certo, e se não desse, ele daria um jeito de dar. A única certeza que tinha, é que ele nunca mais deixaria Nico partir, nunca mais.
...Continua ...
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