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12 Chapter 11 - Make me Happy.
Notas iniciais
Sei que eu errei
Deixei seu coração despedaçado
É isso que os diabos fazem?
Você demorou tanto
Onde somente os tolos foram
Eu abalei o anjo em você A
gora eu estou ascendendo do chão
Ascendendo por você Sinta com toda a força que eu encontrei
Não há nada que eu não possa fazer
Eu preciso saber agora
Saber agora Você pode me amar de novo? – John Newman, Love Me Again.
... Dois Dias Depois...
Percy abriu os olhos, alarmado, o coração batendo contra o peito descontrolado. Ao longe de onde sua mente flutuava ainda envolvida no torpor de sua sonolência a pouco interrompida, uma voz feminina chamava por seu nome, no entanto, a figura estava impossível de ser identificada devido a sua visão embaçada pelo breve momento de sono que teve.
– Percy? – A voz lhe chamou novamente, dessa vez, seguida por dois pequenos e delicados empurrões. O moreno mais velho apenas gemeu em resposta, descontente por ser acordado. – Percy, é a Hazel – No momento seguinte ás palavras da garota, Percy de um solavanco estava de pé. Os olhos arregalados e a ideia de que Nico poderia ter acordado após dois dias, preenchendo cada espaço de sua mente antes absorta.
– O que foi? Ele acordou? – Hazel riu baixinho, em seguida, depositou ambas as suas mãos nos ombros de Percy, girando seu corpo ainda amolecido até que ele estivesse olhando, agora com a visão totalmente reestabelecida, para a pequena garota morena a sua frente.
– Calma. Infelizmente não, eu apenas te acordei para você comer alguma coisa. Você passou esses dois dias velando o sono do Nico e nem se preocupou em comer nada. Precisa se alimentar. – Percy suspirou profundamente e tornou a se sentar na desconfortável cadeira do hospital. Esfregou os olhos com os dedos antes de olhar tudo em volta, encarando o quarto enjoativamente branco para logo em seguida pousar os olhos no corpo despreocupado e sereno de Nico, que repousava como se apenas fosse acordar a qualquer momento.
– Obrigado pela preocupação Hazel, mas eu prefiro ficar aqui, ao lado de Nico. Não estou com fome – O moreno levantou-se e apoiou uma das mãos na borda da cama, enquanto a outra acariciava as enegrecidas madeixas de Nico, que agora, lhe caiam sobre os olhos cada vez que ele respirava. Hazel revirou os olhos e tocou o braço de Percy em um aperto firme.
– Não foi uma sugestão, foi uma ordem. Eu quero que você vá comer alguma coisa na cantina do hospital, e não se preocupe que eu ficarei aqui ao lado de Nico o tempo todo, e se ele acordar, eu vou correndo avisar para você. Não vai querer que Nico, quando acordar te encontre magricelo e pálido. – Percy riu e olhou para a garota, esta que também sorria. Ele endireitou o corpo e a puxou para um abraço apertado.
– Prometa que irá avisar se ele acordar. Prometa que vai vir correndo. — A garota assentiu silenciosamente apenas com um movimento de sua cabeça. Percy os separou e juntou suas mãos com as dela, ás apertando.
– Eu irei chamar você assim que ele balbuciar alguma coisa ou mexer a ponta dos dedos do pé.
– Ótimo! Sendo assim, aceitarei o convite de uma boa refeição. – O mais velho tornou a virar-se para Nico novamente, observando seu sono e guardando na memória cada traço de seu rosto relaxado, sereno e belo enquanto ressonava por tempo indeterminado. Seu único desejo era que Nico pudesse acordar logo. – Eu voltarei logo – Sussurrou para o menino inconsciente. Por fim, se inclinou sobre o corpo imóvel e depositou um cálido beijo sobre a testa do garoto, acariciando os fios dos cabelos do mesmo com a ponta dos dedos no processo. – Ele fica tão belo dormindo. – Comentou, fazendo a garota de braços cruzados e sorriso sincero no rosto, dar sua típica risada nasalada.
– Queria que ele pudesse estar acordado para escutar essas palavras saírem da sua boca.
– Bem, mesmo não estando acordado, eu espero que ele tenha escutado.
– Também espero que sim, mesmo ainda estando perdido no subconsciente grudento que não deixa ele sair desse sono alcoólico.
– Quanto tempo disse que o médico deu pro Nico acordar?
– O máximo era de dois dias e cinco horas. Ou seja, você ainda tem duas horas e meia para tomar um lanche e voltar aqui. Então sugiro que vá rápido se ainda quer admirar o belo adormecido aqui por mais um tempinho. – Percy assentiu, andando em passos ainda indecisos em direção à porta aberta do quarto. Fitando de longe a garota ao pé da cama do menino que fazia seu coração bater mais rápido do que qualquer velocidade máxima que qualquer automóvel pudesse alcançar. – Percy, vai! – Hazel ditou séria.
– Já estou indo, calma. – Percy riu enquanto passava pela porta, olhando uma última vez para Nico. Já no corredor, sorriu, ainda observando pelas falhas da persiana entre aberta da janela interior. A cabeça pensando em milhares de formas de demonstrar o amor que sentia assim que o garoto acordasse, mas nenhuma Percy julgava ser suficientemente boa para expressar tudo da forma mais detalhada possível.
O moreno seguiu pelos corredores com passos apressados. Em sua mente, quanto mais tempo passasse longe de Nico, mais aumentava sua tortura psicológica e a chances de Nico acordar e ele não estar ao seu lado para lhe beijar os lábios com todo o fervor possível e demonstrar o quanto retribuía seus sentimentos.
Estava a um corredor de distância da cantina do hospital quando em seu bolso, a vibração de seu celular despertou sua mente absorta em pensamentos. Sua primeira reação foi pensar em ignorar a chamada. Já que sabia que se fosse eu pai, um bom sermão sobre sua irresponsabilidade para com os negócios da empresa seria inevitável. No entanto, resolveu por apenas verificar quem estivesse o ligando, até porque, não era de seu feitio ignorar chamadas apenas por preguiça de escutar o indesejado. Para sua surpresa, o número era desconhecido, fator que atiçou sua curiosidade e o fez atender, mesmo que a contragosto de seu cérebro e estado de espírito.
– Jackson, quem fala? – Uma gargalhada feminina soou do outro lado da linha. Tão estridente que seus ouvidos desgastados pelos gritos de alguns pacientes, sofreram com o teor agudo do riso obrigando-o a afastar o aparelho de sua orelha apenas pelo tempo que a pessoa cansasse de caçoar de si por algum motivo do qual desconhecia.
– Olá bunda gostosa! – Uma expressão descrente tomou conta do rosto de Percy, antes contorcido numa careta de cansaço. Não podia acreditar, mas se suas intuições estivessem certas, a pessoa do outro lado da linha era alguém que não podia tê-lo surpreendido mais com essa ligação. Um sorriso surpreso brotou nos lábios de Percy acompanhado de pontos de interrogações gigantescos espalhados em lugares aleatórias de sua mente.
– Minerva?
– O prêmio de adivinhação vai para Perseu Jackson minha gente! Palmas para ele, palmas, muitas palmas. – Diante de tal brincadeira, Percy não teve dúvidas que se tratava nada menos, nada mais que a pessoa que menos imaginava ligar para si em tais circunstâncias. Com toda certeza, era Minerva. – E aí, Maninho?
– Minerva, onde... Como você está? Minhas últimas notícias sobre você foram de quando embarcou para Londres.– A garota bufou do outro lado do telefone, aborrecida.
– Já disse que odeio quando me chama de Minerva. É tão difícil substituir Minerva por Mina?
– Certo, tanto faz. Onde você está? – Minerva riu divertida, como se tivesse aprontado alguma coisa e tivesse certo orgulho do que havia feito.
– Nesse exato momento, a um passo de pegar meu vôo para Nova York e pintar por aí, só para te infernizar e matar a saudade da sua bunda. – Percy não se conteve em entre abrir os lábios, completando sua expressão de pleno estado atônito. Confusão, não era mais uma palavra apropriada de se usar quando se tratava de sua irmã caçula complicada. Ela era definitivamente mais clara que água. No entanto, Percy sabia muito bem suas reais intenções para vir para Nova York, mesmo ainda muito surpreso para acreditar nas palavras da garota.
– Você está louca para provocar nosso pai, não é mesmo?
– Nosso pai, uma pinoia. Seu pai. Ele deixou de ser meu pai assim que me despachou sem dó nem piedade para um internato chato para caralho aqui em Londres, sem direito nem a comemorar as festividades com meu irmão favorito. – Percy riu ‘’ Como se você tivesse outro’’. Minerva era uma das poucas pessoas que o faziam rir verdadeiramente, assim como Nico. Mas lembrou-se dos inúmeros natais em que a garota não partilhava de um lugar na mesa e o quanto isso o deixava profundamente triste e cheio de saudade.
– Mina, você é maluca. Como conseguiu sair do internato sem a autorização? – A menina gargalhou de modo malicioso e o moreno entendeu que por métodos de persuasão à diretoria, é que não foram.
– Digamos que eu tenho os meus contatos e eles fizeram o serviço para mim.
– Eu não vou nem perguntar quem são essas pessoas com quem você mantém contatos, pois tenho pavor de sua resposta. Apenas me diga, quando pretende chegar?
– Em breve meu elementar Watson. Talvez daqui a... Oito horas está bom para você?
– Bem, é tempo suficiente para você largar desse celular nem que seja pelo pretexto da viagem aérea.
– Algo que eu acho uma droga, porque a culpa não vai ser minha se der interferência no sinal da droga do avião. Vai ser dos incompetentes que construíram uma joça mais incompetente que eles mesmos.
– Mina, você é uma criatura difícil de acreditar que exista. – Percy disse em meio a uma crise de risos.
– Eu sei meu amor. Sou espetacular.
– Tudo bem Senhorita Espetacular, só me prometa que não vai se meter em encrencas e que quando chegar irá me avisar.
– Bem, encrencas são incrivelmente atraentes, portanto, não posso prometer que permanecerei longe delas. Já o assunto de avisar quando eu fizer minha chegada triunfal, o celular vai estar em mãos assim que eu descer.
– Quando você não está com o celular afinal? – O moreno perguntou com um tom de puro desdém.
– Quando estou fazendo sexo, claro! Onde é que já se viu gemer e permanecer tweetando alguma coisa. – Os risos de Percy cessaram no mesmo instante, e sua mente trabalhou em milhões de desculpas para Minerva ter dito isso. Mas vindo da garota que escapou de uma dos internatos mais bem pagos de toda a terra da rainha, tudo era possível.
– Sexo?! Espere aí Minerva Jackson, você falou Sexo? Eu entendi bem? – Uma risada divertida soou de sua boca provavelmente tingida de seu típico batom vermelho sangue, e Percy ficou decerto... Confuso se sua irmã estava brincando ou sendo séria. Mesmo que confusão não fosse uma palavra adequada. Preferiu achar que ela estava brincando, mas também não deixou de tirar a dúvida.
– Ops! Acho que meu trem para Hogwarts chegou. Melhor eu ir. Beijos. – Perçy tentou protestar perante a saída de sua irmã ou dizer algo a respeito, como: ‘’ Mocinha, não ouse desligar esse telefone antes de me explicar isso que acabou de dizer’’. Mas nem mesmo teve tempo de pronunciar sequer uma sílaba quando o som de chamada encerrada começou a soar por toda a sua audição como um irritante ruído. Ainda descrente tentou chamar pela garota.
– Minerva! Argh... Droga. – Percy tirou o telefone do alcance de seu ouvido e encerrou a chamada, completamente surpreendido como coisas inesperadas poderiam acontecer com sua vida como uma avalanche. A volta de sua irmã, decerto, ia ser uma enorme confusão. – Minha irmã é... Completamente maluca! – Disse ainda impressionado para si mesmo, voltando a andar pelo corredor.
Enquanto repassava a conversa que teve com a sua irmã, rindo consigo mesmo por todos os tópicos tocados, andava em passos vagarosos em direção à praça de alimentação. Quando enfim havia avistado a cantina, não teve tempo de nem mesmo avançar mais um passo. Duas mãos agarraram firmemente o pano de sua jaqueta jeans, virando-o com urgência tão grande que podia jurar que a pessoa dona das mãos não estava nada contente com ele. Quando seu corpo enfim foi virado abruptamente, notou que as mãos pertenciam a nada menos nada mais que a uma Hazel ofegante e eufórica. Tão eufórica que não conseguia pronunciar sequer uma palavra do que Percy presumia que ela queria dizer com seus movimentos labiais.
– Hazel, calma. Respire fundo e depois me diga o que quer dizer. – A garota repousou seu corpo na parede atrás de si. Respirando tão profundamente que se não fosse as circunstâncias, podia jurar que a menina havia corrido uma maratona inteira para alcança-lo.
– Percy, ele... – Tentou falar novamente, mas pausou, dividindo sua atenção entre rir e retomar o ar perdido em sua provável corrida. Percy meneou a cabeça tentando entender o que a menina realmente queria dizer. – Percy, ele acordou – Foi apenas o que ela soltou enquanto tentava engolir todo o ar possível, mas foi o suficiente para o rapaz entender o que ela provavelmente queria dizer.
Sua primeira reação foi dar um passo à frente e tomar os braços da menina em mãos, os apertando e olhando em seus olhos em busca de uma confirmação de seus pensamentos e expectativas. Ela simplesmente assentiu sorridente, presumindo o que ele queria dizer com seus atos.
– Nico acordou. – O moreno nem esperou o fim das palavras de Hazel e se dispôs a correr pelo corredor em direção ao quarto de Nico. Não importava que palavra fosse usar; que atitudes iria tomar ou qual seria a reação dele ou até mesmo dos outros. A única coisa que tinha em mente era beijar Nico até o ar faltar para ambos, e no fim, dizer o quanto o queria perto de si até que os tempos acabassem...
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A mesa de vidro estava lotada de porcos irracionais em sua opinião ardilosa. Ela podia ser chamada de cobra, mas importar-se com seus próprios interesses para ela não era um crime hediondo.
Annabeth levantou-se assim que seu nome foi mencionado por Poseidon, àquele que estava envolvido em suas metas arquitetadas perigosamente. Ela sorria como uma boa atriz, mas queimava como uma meretriz do diabo, pronta para atacar ao seu próprio modo e sinal.
– Está dispensada Senhorita Chase – Ela pegou as pastas nos braços, ajeitou os fios louros que caiam sobre seus olhos atrás da orelha e mordeu os lábios tingidos de um tom de vinho profundo.
– Tem certeza Senhor Jackson? Eu posso lhe ser útil em algo mais se desejar – O homem de cabelos negros lhe sorriu galanteador. Certa vitória da parte dela. Ganhar a confiança da mais poderosa peça do jogo de xadrez que tramava era uma meta que estava prestes a ser alcançada.
– Infelizmente gostaria de ter mais trabalho apenas para ver seu desempenho aumentar cada vez mais Annabeth. – Ele pausou, levantando-se do outro lado da mesa de reuniões e apontando com a mão aberta na direção da moça de olhos tempestuosos e nada ingênuos – Senhores, a Senhorita Chase é minha funcionária mais aplicada. Tenho orgulho de dizer isso para quem quer que seja, e creio que não há no mundo executivo mais sortudo do que eu. – Uma série de pequenos risos e salvas de concordâncias se sucedeu na sala. Annabeth sorriu vitoriosa, sorriso este que aos olhos dos outros era apenas um gesto de gratidão, mas que para ela, era a degustação de sua conquista. — Mas, por hoje, é só. Você já fez um ótimo trabalho.
– Sendo assim, irei me retirar – Annabeth andou com passos firmes até as duas grandes portas de vidro da sala de reuniões, não perdendo a chance de um olhar insinuativo sobre o patrão que tanto lhe elogiou. A peça que precisava ser conquistada. Por fim, não mais se demorando, passou por elas as fechando e seguindo pelo corredor sem nem mesmo olhar para trás. Seus planos, mesmo que correndo devagar, estavam prestes a serem concretizados com sucesso.
Os progressos, mesmo que vagarosos, eram muitos desdê em que optou por não mais ser a peça insinuativa com Perçy. Estava agindo com cobiça e sentimento, e esse não era o caminho para um bom negócio. A última noite com Percy em sua velha versão tinha sido reveladora e mais parecida com uma crítica construtiva do destino do que como uma grande derrota. Desdê então percebeu que para ganhar a rainha, precisava primeiro amansar o rei. Aquele em que mais poderia ganhar apoio. Poseidon.
As mudanças foram significativas e Annabeth nunca se sentira mais satisfeita do que nos dois meses que se passaram. Seus planos de separar Nico e Percy deram certo, mas em compensação, perdeu a confiança do moreno. Bem valioso difícil de recuperar uma vez que o mesmo era tão teimoso quanto o pai perante uma escolha, tanto pessoal quanto profissional.
Estava a um passo de chegar à sua sala quando duas mãos tomaram seus cotovelos e a puxaram para trás. Tentou gritar. Mas uma vez que o intento da pessoa foi completado, o corpo de Annabeth foi virado, revelando à sua visão o, por assim dizer, seqüestrador. Octavian.
– Octavian! Está maluco? – O rapaz de cabelos loiros riu em puro desdém, em seguida, puxou os próprios fios de cabelo. Ao que tudo indicava, parecia de certo modo, indignado.
– Maluca está você. O que aconteceu com você?
– Não estou entendendo o que quer dizer com isso.
– Seu plano de vingança. Seu ódio mortal por Poseidon Jackson. Seu amor incondicional e doentio por Perseu. Sua subordinação barata comigo. Tudo jogado para o alto. Por quê? – Annabeth revirou os olhos e ajeitou a blusa de mangas compridas.
– Você acha mesmo que eu larguei tudo, apenas para ser uma funcionária exemplar?
– Por qual outro motivo seria? Sua inatividade no ramo da perversidade não é do seu feitio. Parece até que se apiedou do cara que arruinou a vida da sua mãe! – A mulher arregalou os olhos e avançou sobre o corpo do rapaz, enlaçando a gola da camisa social e arranhando um pouco da pele alva e empalidecida com as unhas.
– Nunca mais diga isso! Ouviu? Nunca mais – A voz descontrolada denunciou o quanto Octavian havia tocado na profunda ferida de Annabeth. O seu lado negro que mais soava com um demônio perigoso enjaulado em suas memórias e mágoas. – Por que acha que eu paguei para aquele idiota do Mason seduzir aquele insuportável do Nico? Por que Mason também é um bom prostituto?
– Posso perguntar se conseguiu alguma coisa com isso? Você arruinou sua chance de aproximação com Percy. Foi um fiasco.
– Eu separei os dois. Foi um grande trunfo tirar Mason da cadeia e jogá-lo para cima do garoto. Percy ficou tão perturbado pela aproximação do antigo amor com o moleque que é capaz de nunca mais querer vê-lo. – Octavian riu com ironia.
– Talvez você esteja certa, talvez muito errada. Eu aposto em você estar errada. E sabe por quê? Por que você não está fazendo nada para reconquistar o bonitão lerdo novamente. – Annabeth largou o rapaz e o empurrou para trás. Respirou profundamente e riu triunfante.
– Tudo tem o seu tempo querido Octavian. Eu estou a um passo de conquistar a confiança do rei desse império. Não estrague isso. Percy não vai fugir. Tão cedo o nosso querido ‘’ Jonathan’’ não irá falhar e mantê-los longe um do outro. – O loiro bateu ambas as mãos em punho juntas na mesa de madeira.
– E se eu disser que ele já falhou? – Annabeth meneou a cabeça e dirigiu o olhar para o rapaz à frente. Completamente confusa.
– O que está dizendo?
– O nosso Mason Jonathan, ou melhor, Corey Hamilton. Me ligou hoje de uma delegacia não muito longe daqui. Ele foi preso por tentativa de estupro ao Nico. Pego no flagra. – A loira não perdeu tempo em se aproximar dois passos de Octavian. Os olhos arregalados a cada palavra. — O que está dizendo Octavian?
– É isso mesmo. Nosso coringa estuprador de vários nomes falhou. Agora adivinhe quem foi o super-herói da festa? – A expressão que a garota assumiu foi pleno desespero.
– Percy – Pronunciou com a voz trêmula enquanto Octavian apenas assentiu com um sorriso perverso no rosto.
– Bingo, querida Annie.
Annabeth grunhiu após um minuto de silêncio. As mãos apertadas em punho e os nós dos dedos brancos. Tantos planos tão bem arquitetados. Tantas vitórias conquistadas com o suor de seus sacrifícios e tudo indo a perder por um infeliz acaso do destino. Dois meses em pura pacificidade e o seu castelo estava sendo derrubado por apenas uma carta de baralho. Um grito de frustração saiu de sua boca, ecoando por todo o espaço como o urro de um animal enraivecido.
– Ele deve estar lá agora. Ao lado da cama de hospital, alisando os lindos cabelos do garoto enquanto você está aqui, brincando de secretária exemplar e patrão admirado.
– Cala Boca! Deixe-me pensar. – Annabeth gritou a plenos pulmões. A raiva se alastrando pelo seu corpo como se chamas queimassem cada fibra e músculo. De supetão, ergueu a cabeça. Os olhos arregalados e a mente girando em torno de uma ideia doentia que podia virar uma nova carta com futuros promissores. De repente, ela olhou para Octavian. Este que se assustou com o ato repentino. – Já que se preocupou tanto com meus planos, resolvi por te botar neles. – O rapaz contorceu seu rosto numa expressão confusa e assustada.
– Como assim?
– Ora, é simples. Creio que você não seja tão incompetente quanto Corey foi. Então, já que é gay. Você vai seduzir Nico e vai conseguir o coraçãozinho dele, enquanto eu poso de madrinha do casal. Que tal? É um ótimo plano, não acha? – Annabeth riu, fascinada com sua própria genialidade caótica. Bateu palmas enquanto olhava para Octavian de modo admirado.
– Você é louca! Percy vai me reconhecer de qualquer maneira.
– Então daremos um jeito. Improviso não é problema para mim. Você vai, e pronto.
– Se eu me der mal nisso, vou te levar junto comigo. – Ameaçou Octavian. A mulher riu com uma nota de desdém carregada em sua voz aveludada.
– Não me ameace e pare de ser pessimista. Esse vai ser o nosso ápice. – Annabeth andou até a janela e apoiou as mãos no amplo vidro, olhando para baixo e observando o movimento dos carros. – Eu vou acabar de uma vez por todos com esse Nico. Essa é a minha palavra final! – A moça tornou a olhar para Octavian. Os olhos fervendo em ódio e uma promessa em sua mente. Seu plano daria certo, custe o que custasse...
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Nico piscou algumas vezes antes de tentar abrir os olhos completamente. A luz forte lhe incomodava a visão e não deixava que seu sono se esvaísse por completo. Algo que lhe irritava profundamente. Sua garganta queimava. Como se estivesse com uma azia fulminante. Tentou abrir os olhos mais uma vez, sem sucesso. Tentou se mover, mas mais parecia que seu corpo não pertencia mais a si. Nada obedecia aos seus comandos mentais. Forçou sua visão mais uma vez e abriu os olhos de supetão, a tempo de ver Percy e Hazel adentrarem — a sala, quarto ou qualquer lugar onde estivesse – ofegantes.
Se estivesse em condições melhores, poderia ter contorcido seu rosto numa careta de confusão perante toda a situação que estava vivendo no momento, principalmente pelo fato de não fazer a mínima ideia do porque de Percy estar ali. O moreno mais velho avançou dois passos à frente, os olhos marejados e as mãos inquietas. Parecia querer falar algo, mas nada fazia muito sentido para Nico. Sua mente ainda estava muito perdida e sua cabeça, dotada de uma dor que nunca tivera antes. Fator que poderia ter uma parcela de culpa em não deixar que suas lembranças se reorganizassem.
– Nico? Nico, fale comigo. – Percy tomou o rosto de Nico com as duas mãos, acariciando a pele com carinho e olhando com seus dois globos esmeraldinos para dentro dos castanhos ainda sonolentos. No entanto, o ato despertou no corpo do garoto uma carga de energia que o fez recuar abruptamente para longe do carinho. Susto? Talvez. Surpresa? Com certeza.
– P-Percy? – Nico, gaguejou ao proferir as palavras. As lembranças tomando conta de sua mente ainda levemente fora de órbita enquanto ondas de calor pulsavam irradiantes em seu corpo. Aos poucos, a visão antes embaçada, fazia com que as sombras das pessoas tomassem forma e cor. O som já se tornava mais claro. O calor já era mais nítido. Por fim, ele conseguia enxergar o motivo de sua carrasca saudade. O sorriso do qual jamais se esqueceria por estar tão gravado em sua mente. Naquele momento, odiou-se profundamente por ainda se importar, mas era inevitável quando sentia que seu coração batia por aquele sentimento não retribuído. Engoliu em seco enquanto fitava os orbes quase felinos do mais velho. – O que você está fazendo aqui? – A voz soou arredia e rouca. Talvez pela surpresa, mas muito provavelmente por tudo de que se lembrava. Por tudo o que disseram um para o outro na última vez que se viram. Por toda a dor que sentiu quando o deixou naquela boate, quando também deixou seu coração.
– Não se esforce você acabou de acordar. – Nico, prontamente dirigiu sua atenção para o outro lado da sala. Para a direção de onde a voz tão conhecida veio, e sorriu minimamente quando avistou Hazel. As lágrimas transbordando de seus olhos e escorrendo por suas bochechas.
– Por isso mesmo. Eu acabei de acordar depois de sabe-se lá quantos dias dormindo e você quer que eu fique parado. Já descansei o bastante para ser sincero maninha. – Hazel levantou as mãos para o alto e riu.
– Ok, equeléptico – Nico riu, arrependendo-se logo em seguida pela fisgada no estômago, que aparentemente, parecia estar em chamas.
– Engraçadinha. Será que dá para me explicar o que está acontecendo aqui afinal? E porque ele está aqui? – Percy e Hazel se entre olharam.
– Pode me deixar um minuto sozinho com Nico? – O garoto arregalou os olhos e negou com a cabeça. Tentou se sentar, mas a queimação no estômago o impediu, assim como as mãos de Percy que o prenderam no lugar. Um choque transpassou pelo corpo de ambos que se entreolharam. Percy num movimento o soltou. A boca seca e a garganta dolorida pelas milhares de formas que queria demonstrar seus sentimentos.
– Não. Não me deixe aqui sozinho com ele. Hazel não se atreva – Sua voz soou apelativa. E talvez fosse essa a intenção. Apelar para que não escutasse mais a voz que o amolecia, para não olhar mais nos olhos que esquadrinhavam sua alma, para não sentir mais o calor que fazia seu coração pulsar esperançoso. Mas para sua infelicidade, a menina apenas deu de ombros como resposta à sua súplica. Afirmando que nem ao menos se importava com suas dores e medos.
– Foi um pedido atencioso do cara que te salvou. Como não aceitar? – Nico, grunhiu quando a porta de seu quarto bateu e se afastou o máximo possível do corpo apoiado na beirada de sua cama, dessa vez, com as memórias das palavras dolorosas lhe açoitando o coração. A briga com Percy e Annabeth e seu veneno rondando sua mente como uma mosca de padaria.
Percy respirou profundamente assim que a garota saiu da sala, dando o espaço necessário de que precisava para enfim conversar com Nico. Olhou para frente, observando a feição dura e fria que lhe transmitia uma dor no coração. Passou os olhos por cada pequeno detalhe. Os lábios róseos entreabertos, a pele perfeitamente pálida, os cabelos negros que lhe caiam nos olhos — maiores do que se lembrava de quando se conheceram — e por fim, os profundos olhos castanhos e delicados. Espelhos de sua alma. Queria poder tocar e marcar cada pequeno detalhe com a ponta dos dedos e sentir enfim seus lábios sobre os do garoto que fez seu coração bater uma vez mais por algo que valesse à pena lutar.
– O que você quer comigo Perseu Jackson? Me perguntar se ainda tenho dúvidas de minha opção sexual?
– Eu sei que eu fui um idiota naquela noite dizendo isso, mas se me escutar, se me deixar explicar, eu vou dizer tudo. Apenas me escute – Percy aproximou uma de suas mãos da de Nico, agarrando seus dedos e os apertando como forma de dar ênfase em suas palavras. O mais novo tirou sua mão rapidamente. Seu medo falava mais alto que a vontade de abrir seus ouvidos ao que o mais velho tinha a dizer. Seu único desejo era que o moreno fosse embora o mais rápido possível.
– Explicar o quê? O que disse à Annabeth? – Percy fechou os olhos por um momento, afastando sua mão solitária, mas não seu corpo. O mais velho sabia o que o garoto queria dizer.
– Eu não faço ideia de que palavras Annabeth usou, também eu não me importo com nada do que ela disse. Eu quero apenas que acredite que aquelas não foram as minhas palavras. Quero que acredite em mim. Sabe por quê? – Percy pausou. As palavras entaladas em sua garganta, querendo ser ditas todas de uma vez. Aproximando-se de Nico, tornou a segurar sua mão mesmo que a contragosto. – Por que eu jamais me afastaria de você. – Nico, riu em desdém, virando o rosto para o lado oposto do qual Percy se encontrava. — Por que não acredito em nada do que você diz? – Os olhos banhados em lágrimas de pura mágoa. Percy suspirou. A voz quase derrotada, mas a esperança intacta.
– Por que está magoado comigo. Eu entendo. Entendo que não queira mais me ver, mas...– Suas palavras foram interrompidas por Nico. Cada nota banhada em raiva e uma dor nítida pelo teor de sua rouquidão.
– Se entende o que ainda está fazendo aqui?
– Estou aqui porque quero que me entenda! Estou aqui porque quero que me escute. – Os batimentos cardíacos de Nico aceleraram, e isto foi denunciado pelo aparelho ligado ao seu corpo.
– Escutar o quê? O quanto você se sente martirizado em ter me deixado ir com aquele cara? Ora, não se sinta. A escolha foi minha. Muito bem, se era isso pode ir. – A entonação da voz foi mais alta e o esforço custou quase todo ar de seus pulmões. Percy se levantou e passou as duas mãos por seus cabelos.
– Não Nico, não é isso. Eu peço que me deixe falar. Por favor – O moreno suplicou enquanto se aproximava do lado de Nico e segurava seus braços, forçando-o a olhar em seus olhos que pediam pela atenção que suas palavras transmitiam. O menino tentou se soltar e acabou por gemer no desconforto de sua dor de cabeça. Tal coisa serviu como um aviso para Percy afrouxar o aperto de suas mãos em torno dos braços de Nico. Ato este que foi a deixa para o garoto utilizar o resto de suas forças para empurrar Percy para longe de si.
– Eu não quero escutar! Não quero escutar nada que venha de você, porque você mente! Você é um mentiroso Perseu. Eu nunca mais quero que você me procure, nunca mais! Entendeu agora? Ou eu preciso ser mais claro? – Nico, gritou a plenos pulmões, o ar se esvaindo com as palavras e a garganta ficando cada vez mais dolorida pelo seu esforço em despejá-las dolorosamente em Percy. O coração se contorcendo em seu peito e disparando o aparelho do hospital. A dor açoitando lhe açoitando os sentimentos e suas lágrimas escorrendo livremente pelo rosto. Percy se aproximou novamente, tão afetado quanto Nico. O garoto tornou à empurrá-lo para longe. – Vai embora! – A mão pálida apontou para a porta fechada do quarto. – Vai embora daqui! – Repetiu as palavras firmemente enquanto o outro se encontrava atônito no mesmo lugar em que Nico empurrara.
Percy abaixou a cabeça. Seu peito ardendo como se precisasse despejar agora tudo o que sentia, mas coragem lhe faltava diante do olhar hostil e avermelhado de Nico. Se causava tanta dor ao garoto, talvez Hazel estivesse errada sobre os sentimentos do irmão, ou a possibilidade mais evidente, era de que tivesse estragado tudo quando não disse tudo o que sentia na boate quando Nico pediu que lhe desse um motivo para não partir.
Quando tornou a levantar sua cabeça, encarou o rosto de Nico. A clara mágoa que o garoto continha em sua alma machucada transbordando por sua expressão endurecida. Foi naquele instante que, por fim, após ter tomado coragem, desistiu. Não porque se sentia insuficiente, mas porque sabia que era sua culpa todo o transtorno e talvez, jamais fosse perdoado. Se ao menos tivesse dito.
Em passos vagarosos, Percy se dirigiu para a porta. As mãos trêmulas e o coração em pleno ápice de explodir. Quando uma de suas mãos alcançou a maçaneta, resolveu por uma vez mais olhar para trás, apenas para se despedir daquele que fez seu coração bater uma vez mais dentro de sua vida monótona e sem graça. Dentro de seus dias cinza e sem emoção, Nico foi à cor que deixou seu mundo um pouco menos trágico, solitário e depressivo. A única coisa que queria era poder tê-lo em seus braços para sempre. Olhou uma vez mais para trás observando cada pequeno traço, cada detalhe. Lembrou-se de cada momento. Mas acima de tudo, de sua promessa ‘’ Eu nunca mais vou te perder de vista. Ouviu?’’
Percy apertou sua mão em torno da maçaneta com mais força, os olhos vidrados no chão assim que os tirou de Nico. Milhões de pensamentos em sua mente e todos eles relacionados a o quanto se achava fraco naquele momento. O quanto não tinha coragem o suficiente de se declarar para o amor de sua vida. Respirou profundamente enquanto sentia que não podia mais reprimir seu desejo de desabar perante tudo. Em sua mente, suas palavras ecoavam como um aviso de que havia fracassado novamente em seus planos, em seus desejos, em suas metas. Era um covarde.
O moreno grunhiu e mordeu o lábio inferior com toda a força que conseguiu. O gosto férreo do sangue invadindo sua boca, segundos depois. Se não tivesse coragem agora, jamais teria outra chance de dizer, de se declarar, de falar tudo o que sentia. De dizer o quanto amava, e ama Nico.
Levantou a cabeça e abruptamente virou-se para Nico que se assustou com o ato repentino. Ele não tinha nada a perder mais, a não ser a última chance de no mínimo ter uma reconciliação amigável com o garoto. Não importava se tudo o mais falhasse, ele prometera nunca mais perder Nico de vista, e jamais perderia novamente.
Tomado de uma coragem fulminante que dominou seu corpo, pouco se importou com os avisos de vá embora dito pelo seu medo estúpido, quando rumou com passos firmes e decididos até a cama de Nico, o pegando pelos braços e aproximando os dois corpos. Os olhos vidrados nos orbes negros. As lágrimas caindo de seus olhos num choro profundo carregado de emoção.
– Eu não vou embora Nico, eu não vou. Mesmo que você queira que eu vá e nunca mais volte a olhar para você. Você pode me bater, pode me ignorar, mas pode me ouvir, eu sei que pode. Por isso me escute. Você não precisa dizer nada, só precisa me escutar. Escutar o que eu tenho a dizer. – Percy pausou, deixando escapar um longo soluço dolorido em meio ao choro e as palavras. Nico, virou o rosto para o lado oposto das orbes esmeraldinas emocionadas, não pretendendo fazer-se mais uma vez acreditar em palavras que sabia que iriam lhe trazer dor. O garoto sabia que ele nunca diria o que ele mais queria ouvir. Era apenas mais uma ilusão.
– Percy, por favor.
– Não Nico, você tem que me escutar. Ouça, eu posso ter sido um babaca em te deixar ir com Mason, ou sabe-se lá o nome daquele filho da puta infeliz. Mas quando eu olhei para você naquele beco, totalmente indefeso, eu me esqueci de nossas brigas, eu mal me importei com suas palavras porque a única coisa que eu queria era te ter nos meus braços. – Nico, sem pensar duas vezes tornou a olhar para Percy que largou seus braços e transferiu suas mãos para o rosto de Nico. O garoto não podia acreditar no que havia acabado de escutar.
– O que está dizendo?
– Estou tentando explicar que, talvez eu tenha sido cego em acreditar que o que eu sentia era errado. Indecente para os padrões da sociedade. Eu me martirizava por isso, afinal, você era apenas um garoto, e eu, um homem feito completamente sem juízo. – Percy pausou acariciando os fios negros de Nico com carinho, enquanto o garoto apenas ouvia atenciosamente de suas palavras até o som de sua respiração descompassada -Eu não sei o que você estava fazendo naquela noite em que eu te atropelei, só sei que agradeço por ter entrado no caminho do meu carro. Não que te atropelar tenha sido gratificante, mas trouxe você para minha vida. Eu agradeço imensamente por isso.
– Você está ficando louco, só pode. – Percy riu, o sorriso sincero que sempre fazia Nico perder o pouco juízo que ainda tinha.
– Talvez nós dois estejamos ficando loucos, Nicolas. Talvez eu tenho ficado maluco no dia em que fui te procurar naquela escola e tenha mandado o mundo para merda. No dia em que te levei para Coney Island, naquele bendito parque de diversões onde eu deveria ter tomado seus lábios nos meus. Principalmente no dia em que pedi que me ajudasse naquele beco onde tomei uma baita surra. Foi o dia em que nos beijamos e cara, eu nunca me senti tão pleno e completo quanto naquela noite. Eu só queria ter te dito para você o quanto gostei daquele beijo e quanto eu daria para repeti-lo mil vezes – Nico se aproximou minimamente, fitando o mais velho com uma expressão de descrença total.
– Não brinque com meus sentimentos, Perseu Jackson.
– Eu reconheço que fiquei completamente maluco no dia em que briguei com você por Jonathan. Eu fiquei louco de ciúmes e não só porque eu sabia quem ele era, mas também porque vocês dois estavam se aproximando, e para mim era inadmissível. – Percy engoliu em seco, os olhos marejados e a garganta dolorida pelos constantes soluços enquanto Nico se encontrava completamente atônito e choroso segurando as mangas de sua jaqueta jeans. – Quando te vi beijar Jonathan, minha primeira reação foi ficar completamente perdido. Eu perdi todas as minhas esperanças. Quando nós discutimos na última vez, eu me senti um covarde por não te impedir de ir. Por não ser corajoso o suficiente para não me declarar para você antes.
Percy respirou profundamente enquanto seus dedos acariciavam as bochechas do menino carinhosamente.
– Me desculpe pelas coisas que eu disse Nico. Eu fui um idiota e reconheço, mas para mim era insuportável ver você com ele. Alguém que tanto me magoou. Quando nos afastamos, eu me senti vazio. Eu praticamente vivia para o trabalho. Mas nos momentos em que eu me encontrava sozinho, pensava por um momento que havia sido a melhor escolha já que na maior parte do tempo eu me reprimia por desejar um garoto. Isso seria considerado pedofilia. No entanto, eu... Eu não consegui parar de pensar em você um minuto sequer. Eu não me desculpava nem sob tortura, por ter te deixado partir. Por não ter te dado o motivo que eu sei que você queria escutar. – Percy se afastou por um minuto descendo suas mãos pelos braços de Nico e chegando a cintura aproximando o garoto mais da borda da cama e olhando em seus olhos – Mas naquele beco, eu nem mesmo me importei se poderia me machucar, eu simplesmente fui atrás de você. E podemos dizer que sua irmã foi meio que um cupido.
– Percy... – Nico, tentou pronunciar alguma coisa, no entanto, não sabia por onde começar senão por o acusar de tudo ser uma grande brincadeira de mal gosto.
– Não precisa dizer nada. Eu... Eu só quero que saiba que a partir do momento em que eu vi você naquele beco, eu sabia que não podia te deixar novamente. Me desculpe se eu te fiz chorar inúmeras vezes Nicolas. Me desculpe por ter partido seu coração. Enquanto você dormia nessa cama de hospital e eu fitava você, tão sereno, pensava que eu deveria ter dito o motivo. Mas eu fui um tolo, eu sou um tolo. Sou um covarde. Eu vou entender se você me expulsar desse quarto mesmo depois de tudo o que eu disse. Mas o motivo que eu queria ter dito para você não ir embora, simplesmente era... — Percy aproximou os rostos, encostando sua testa na de Nico – Que eu te amo Nicolas Di Ângelo. Eu te amo incondicionalmente.
A mente de Nico girou. Completamente fora de órbita e longe de qualquer pensamento racional. Seus olhos se dirigiram aos de Percy, temerosos de que tudo não tivesse passado de um sonho bom ou de uma de suas melhores alucinações desdê que começara a se intoxicar com tabaco. O garoto empurrou Percy minimamente, mas dessa vez, apenas para subir suas mãos para o rosto do homem. Contornando suas pálpebras apertadas e os lábios rachados e vermelhos. Sentindo a pele quente e bronzeada sobre seus dedos. Negou com a cabeça, descrente de que tudo fosse realidade enquanto as lágrimas corriam livremente por seu rosto. A euforia tomando conta de seu peito enquanto dividia sua atenção entre soluçar de uma dor tão boa, ou rir de uma felicidade tão regeneradora.
– Não brinque... Não brinque com meus sentimentos Percy. Por favor, não brinque. – A voz trêmula denunciava o quanto ainda não acreditava que tudo era real e sólido. Percy sorriu e se aproximou de Nico, tomando suas mãos e depositando dois cálidos beijos nas palmas de cada uma. O garoto abaixou o rosto, sentindo as lágrimas escorrerem e fazerem seu caminho pela bochecha até chegar ao pescoço, em seguida sumindo no pano da camisola do hospital.
Nico, levantou a cabeça e sorriu. Um gemido escapou de sua garganta enquanto apertava suas pálpebras e sentia seu corpo flutuar no torpor de uma emoção totalmente desconhecida. As mãos apertadas nas de Percy.
– Eu jamais faria isso se me desse uma chance de fazê-lo feliz. – O moreno mais velho pronunciou com a voz rouca e o peito tão cheio de esperanças que lhe doía o coração. Percy também sorriu. Apertando as mãos de Nico com força, como se para não deixa-lo escapar por entre seus dedos.
– Então me faça. Faça-me feliz Percy. Faça-me feliz, por favor. – Nico, suspirou profundamente e abraçou Percy, o apertando fortemente contra si enquanto repousava seu rosto no pescoço do mesmo, inalando o cheiro amadeirado do perfume masculino. Percy sorriu, enfiando os dedos nos fios negros e macios de Nico. Os olhos fechados apenas aproveitando cada fração de segundos do melhor momento que tivera dentro de dois meses. Ambos completamente descrentes que tal momento fosse de fato real.
– Me prove que isso é real Percy. Isso tudo... Eu acho que ainda estou alucinando. – Sussurrou Nico baixinho com os dedos apertados no grosso pano do jeans. Percy sorriu e afastou os dois corpos. As mãos, antes pousadas nos ombros de Nico, desceram pelos braços apertando com cautela até chegar à cintura de onde segurou com uma de suas mãos enquanto a outra ocupava o posto de acariciar uma das maçãs do rosto de Nico cautelosamente.
– Eu sou real. Eu sou seu.
Percy aproximou o rosto do de Nico, observando olhar vidrado no seu em expectativa de seu próximo ato. O moreno mais velho sorriu e acariciou os traços com a ponta dos dedos. Contornou a pele macia com os dedos, passando pelo nariz e guardando seu contorno na memória. Passou pelos olhos que se fecharam com o carinho, apenas aproveitando o toque delicado e carinhoso. Por fim, parou nos lábios. Macios e avermelhados. Tocou os narizes e enfiou os dedos por entre as madeixas negras, apenas sentindo as respirações se tocarem no ato de respirar.
Umedeceu os lábios enquanto se aproximava minimamente e por fim, selava os lábios com os seus. Apenas um tocar, sem malícia ou segundas intenções. Apenas sentindo o gosto um do outro. Foi nesse momento que Nico se tocou de que realmente não era um sonho ou uma alucinação, era real. Suas mãos subiram para os cabelos de Percy, puxando os fios entre os dedos enquanto seus lábios se moviam de modo calmo, apenas apreciando estarem unidos.
Aos poucos, a profundidade do beijo ultrapassava a linha da gravidade e do tempo. Os lábios se roçaram enquanto minuciosamente, a língua de Percy buscava pela de Nico, ainda tímida como da vez em que se lembrava. Mas dessa vez, ele estava acordado. Acordado o suficiente para fazer daquele momento único. Sorriu entre o beijo passeando suas mãos pelas costas do menino o puxando mais para si se possível e inalando seu cheiro. Os olhos fechados apenas sentindo a textura dos lábios doces e pequenos. Era definitivamente sua perdição.
Nico girou seu rosto para o lado oposto, explorando desajeitadamente cada canto da boca alheia junto a sua. Enquanto Percy buscava deixar o garoto o mais confortável possível para ter liberdade de fazer o que quisesse. Devagar, a sanidade de ambos se extinguia e um beijo calmo e romântico já não era mais o suficiente para suprir tudo o que precisavam demonstrar um para o outro.
Pegando um pequeno impulso, Nico ergueu um pouco de seu corpo conseguindo se sentar melhor e agarrar o pescoço com mais afinco, aprofundando o contato de seus lábios e perdendo a noção de tempo. Ousou um pouco mais e mordiscou o lábio de Percy, algo que deixou o mais velho consideravelmente afetado e instigado a segurar a cintura de Nico com mais força, explorando cada canto da boca do mais novo com um prazer indescritível, viciando-se mais no gosto que só ele tinha. Nico gemeu baixo assim que Percy sugou seu lábio inferior, extraindo o som que lhe cabia perfeitamente como uma música melodiosa, para logo em seguida retornar a atacar os lábios que tanto desejava com mais vigor, regendo ambas as línguas numa dança desconexa e sem ritmo. Todo calor presente naquele ato de pura paixão. Os dentes rangeram e Nico estremeceu quando sua língua fora sugada de modo indecente. Percy apenas sorriu, completamente absorto no prazer do beijo. Os lábios se roçaram com mais afinco e desejo e Nico sentiu que poderia nunca mais querer ficar longe do gosto viciante que Percy transmitia para si.
O ar já não chegava mais aos pulmões de ambos no ápice do beijo quando os lábios se separaram e o mais velho trilhou com a língua um caminho até o pescoço do mais jovem. Os olhos ainda fechados e a respiração ofegante, recuperando todo o ar que pouco se importaram em deixar escapar.
– Ah – Nico abriu a boca soltando um pequeno gemido quando seu pescoço fora o alvo de uma longa sugada seguida de uma pequena mordida. Percy sorriu maroto, soprando a mancha avermelhada que aos poucos se formava na pele alva. Inalou o cheiro suave, acariciando com a ponta dos dedos o local onde á pouco mordera.
Nico num ato repentino e totalmente desejoso, agarrou a gola da jaqueta jeans de Percy, puxando-o para cima em direção aos seus lábios novamente. O dono dos olhos esmeraldinos não pensou duas vezes em atacar de bom grado a pequena carne rósea inchada, demorando-se em mordê-la no processo, ainda completamente ofegante. Pouco se importou com o tempo que marcava no relógio ou com o aparelho cardíaco que marcava as batidas agora totalmente aceleradas de Nico. Ambos sorriram. Os lábios unidos e as mãos ocupadas e acariciar qualquer parte do corpo do outro que estivesse ao alcance.
As línguas se tocaram mais uma vez antes de o beijo cessar. Os dois garotos apaixonados rindo como bobos. As testas encostadas e os pulmões desejosos de fôlego.
– Foi um bom pretexto. – Percy sussurrou ofegante enquanto plantava um selinho nos lábios vermelhos do outro. Nico negou com a cabeça, ainda de olhos fechados.
– Que pretexto? – O garoto perguntou divertido.
– Aquele que me fez te beijar intensamente agora pouco.
– Ora, não foi um pretexto. Eu apenas queria saber se tudo o que me disse era real. – Nico abriu os olhos, encarando Percy com um brilho divertido no olhar.
– Vou acreditar que você é um garotinho inocente. – Nico gargalhou, arrependendo-se no mesmo instante, ainda pelo mesmo motivo da queimação forte em seu estômago.
– Ai – gemeu, respirando profundamente e fazendo Percy acordar e perceber que ainda estavam no hospital e que Nico ainda precisava de cuidados médicos – Pelo menos não estava dormindo na primeira vez que nos beijamos – O moreno mais velho fingiu-se de ofendido e bufou.
– Eu havia levado uma surra.
– Mas me parecia bem animado. – Percy corou e negou com a cabeça, roçando a ponta dos narizes ainda com as mãos apertadas na cintura de Nico.
– Você definitivamente não é um garotinho inocente Nicolas.
– Sou um anjo Senhor Jackson – Nico sorriu e aproximou o rosto do de Percy, depositando um pequeno e rápido selinho nos lábios avermelhados do mais velho.
– Pode acreditar que estarei acordado nos próximos beijos que virão. – Nico riu.
– Vou cobrar cada um deles. – O garoto corou enquanto dizia, arranhando a nuca de Percy com suas curtas unhas. Os lábios se uniram mais uma vez, mas dessa vez, apenas juntos, apreciando o tempo passar sem esperar. Os olhos fechados apreciando apenas.
O momento não poderia ser melhor. Somente os dois e seus sentimentos enfim revelados e confraternizados. No entanto, uma voz interrompeu tal momento.
– Nicolas!? – A voz grave fez com que os dois se separassem abruptamente, as mãos ainda unidas e ambos ofegantes. Nico congelou em suas bases, os batimentos acelerados e os olhos capturando a expressão incrédula da pessoa que menos esperava que adentrasse seu quarto.
– P-Pai?...
... Continua...
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