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9 Chapter 8 - Send and Empty.
Notas iniciais
Há uma pequena parte de mim
dentro de você ... e eu espero que você veja este mundo
através dos meus olhos, Mas eu espero que você não veja
as lágrimas que eu choro ...Mas se eu for — ah sim
Bem, isso não vai demorar muito – Reamonn, If I Go .
Largado ao chão no meio da pista de dança de onde quase que centenas de corpos se remexiam dentro da grande cúpula de espumas, o copo de Gim levado pelos pés dos dançarinos desengonçados até alguns metros de si, viu exatamente o momento em que os lábios antes unidos num ato que o deixou profundamente enjoado se separaram, e prontamente, uma faísca esperançosa se acendeu no peito de Percy. Ele se levantou cambaleante e ainda enojado deu um passo à frente, esperando apenas uma oportunidade de acabar com o mal pela raiz. Nico não poderia ter o mesmo destino que o seu, jamais, jamais desejaria para Nico algo que o deixara tão profundamente machucado. Ele ainda podia sentir as cicatrizes.
Observou de longe quando Jonathan acendeu o cigarro entre os dedos e o depositou nos lábios do garoto que tanto admirava, a sua tamanha vontade de soca-lo por tudo que fez a si e que estava seguindo os mesmo fatos com Nico, era descomunal e tamanha, entretanto, o que poderia fazer quanto às escolhas cegas do garoto que apenas queria proteger do monstro que o de olhos azuis era. Quando enfim foi tomado por uma coragem momentânea, cansou-se de esperar alguma brecha para tirá-lo de perto do mais velho ao seu lado, e andando em passos firmes, lutando contra os corpos que o empurravam de um lado ao outro. A poucos centímetros de distância de Nico, ele sentiu os vidros que eram os olhos de Jonathan observando seus gestos e suas tentativas de chegar até ambos, mas não como antes, isso não o intimidou de modo algum como quando era de costume.
Quase a frente de Nico, bastou um passo para que pudesse estar lado a lado ao garoto. Nervoso e ainda com as lágrimas agonizantes querendo sair furtivamente de seus olhos, segurou o braço de Nico o trazendo para perto, a fumaça de aroma de tabaco o inebriou, mas não o bastante para esquecer o assunto que o fazia ter crises de más lembranças que queria tratar com o garoto.
– Precisamos conversar – o adolescente soltou a fumaça no ar, saindo tão devagar de seus lábios que por um momento, Percy deixou de se concentrar na briga que teriam, porque certamente era isso que iria acontecer, uma terrível briga entre ambas as partes. Nico respirou fundo tentando não transparecer de que de seu peito, seu coração explodia em marteladas ininterruptas de surpresa, amor e medo. Ele se odiava. Se odiava por amar a quem tanto o desprezava e o fazia sofrer, e não sabia por qual motivo, aquilo que fazia seu coração bater tão forte, ainda resistia como uma rosa vermelha lustrosa e bela no inverno mais branco e gelado. Nico olhou para o chão deixando as cinzas do cigarro caírem sobre a pista de dança e a nicotina surtir ao seu favor dando-lhe ao menos um pouco de coragem para enfrentar o seu pesadelo sem desmoronar. Pesadelo e o seu sonho, porque Percy era a sua tormenta, e seu alívio mais letal.
– E se eu não quiser – Respondeu emprestando a suas palavras seu sarcasmo recém adquirido pela sua coragem também recém ganha. Percy gemeu e sentiu um misto de desespero e dor por ver os efeitos tão conhecidos por si surgirem no garoto que por assim dizer, estava completamente apaixonado em tão pouco tempo.
– Por ... por favor – uma lágrima escorreu sem querer de seus olhos, e instintivamente Nico mudou de posição, parando de frente para Percy, ainda tendo o mesmo segurando um de seus braços. Nico olhou o moreno levantar sua cabeça e como se seu olhar implorasse para seu pedido ser atendido, o mais novo cedeu, cedeu tão gloriosamente submisso a um sentimento que sabia que seria difícil de dissipar. Dirigiu-se para Jonathan, respirando fundo enquanto levava o cigarro mais uma vez aos lábios. O garoto precisava estar muito alto para conseguir ter a conversa que sabia que teriam.
– Eu volto logo – ele declarou e desvencilhou-se da mão de Percy em seu braço direito e abrindo caminho em direção ao outro lado mais calmo e afastado da boate, empurrando sem nenhuma delicadeza ou importância os corpos que se remexiam sem nexo. Percy o seguiria se não fosse por ser puxado para trás por mãos que sabia muito bem a quem pertenciam tão perfeitamente apenas pelo modo rude e dominador de seu toque.
– Saudades em me ver Perseu meu amor? – O moreno dono dos olhos verdes se afastou imediatamente, enojado pelo ato alheio que lhe trazia tanta dor.
– Se afaste de mim – ele disse enraivecido, o desprezo carregado em cada nota de suas palavras. Jonathan ergueu as mãos para o alto como se se declarasse inocente, e Percy não conteve seu grunhido de fúria que fora expelido por sua boca sem seu querer.
– Não cumprimentar velhos amigos é falta de modos, meu bem – Percy agarrou a gola de sua camisa olhando em suas profundas safiras que reconhecia ser tão negras quanto a maldade de presos por seus crimes.
– Você não é meu amigo – declarou, as lágrimas transbordando em seus olhos, explodindo em magoa e lembranças em sua alma. Jonathan riu.
– É claro que não, como pude esquecer – ele tomou o controle das mãos de Percy e aproximou suas cinturas, Percy gemeu, mas não de prazer pelo ato, e sim de nojo. Tentou se desvencilhar, mas o corpo que o prendia era proporcionalmente maior e mais forte que si , as mãos de Jonathan correram por sua coluna como se reconhecesse o caminho – Como pude esquecer de nossas noites a fio sem dormir, fazendo o que nossos corpos adoravam – sussurrou ao pé do ouvido do moreno mais baixo, fazendo-o o grunhir de ódio. Empurrou-o para longe de si e tocou seus próprios braços como se pedisse colo a si mesmo.
– O que você adorava fazer, eu nunca sentia prazer nos últimos tempos, você não se preocupava comigo, você só queria o que eu podia proporcionar para você Jonathan, ou melhor Mason, na verdade, eu não sei quem você é mais – Percy se aproximou e limpou uma das lágrimas que caiam contra a sua vontade pelo toque inesperado e indesejado – Mas eu sei do que você é capaz, e eu não vou deixar que faça isso com Nico, não com Nico, e lembre-se , nunca mais toque em mim, eu tenho uma ordem judicial contra você, portanto, não se aproxime mais de mim, e nem dele, eu vou faze-lo abrir os olhos para o seu verdadeiro eu – ele se afastou em seguida, tropeçando nos próprios pés e ainda olhando nas grandes orbes malévolas e embebedadas de um orgulho venenoso caótico. E ele sabia o quanto caos ele poderia causar.
– Pobre e ingénuo Perseu Jackson – ele acenou diabolicamente para si e sumiu na escuridão do canto mais afastado do bar entre a multidão de bêbados quase adormecidos que se remexiam como zumbis, os olhos pregados e abertos, como se quisessem admirar quando a morte enfim os buscaria. Percy virou-se de costas, e não pode conter a náusea angustiante que se alastrou por seu corpo parando ao pé de seu estômago. Tentou concentrar-se apenas em seguir seus olhos em busca do corpo esguio e tão apreciado por si de Nico, mas na verdade, era meio difícil parar os olhos em uma só coisa e não se lembrar das imagens que lhe eram trazidas a mente pelo toque daquele que esperava não ver mais pelo resto de sua vida.
Enfim depois de varrer diversas vezes com seus olhos o grande salão lotado e de fugir dos atentos de Annabeth, encontrou Nico, enchendo seus pulmões da fumaça intoxicante que a tanto conhecia o gosto amargo em sua boca. Rumou para ele, como se tivesse seu coração na mão, apertando-o em busca de um alívio para a dor desesperada de perder alguém a quem amava, porque ele o amava, e em sua então mais nova constatação, não pode conter em suas lágrimas virem, não pode conter o quanto se importava, não pode conter o quanto o queria bem, não pode conter, apenas não pode mais segurar a corda de sua falsa não importância por medo, medo do que? Do que sentia medo já que a seus olhos via tão claramente de que Nico poderia vir a sentir o mesmo que fazia seu peito acelerar, já que então o beijo não fora apenas por experimentar, já que então poderia tão livremente tocá-lo com seu consentimento, porque era uma então maravilhosa descoberta.
Andou em passos que como vacilantes em direção ao garoto e com toda coragem que reuniu, parou em frente ao mesmo, observando a expressão mais pura e fria pregada em suas profundas orbes enegrecidas. O cigarro entre os dedos dessa vez, exalava um cheiro diferente, uma mistura de tabaco com algum aroma que realmente deixava desejar senti-lo no ar por seu perfume, mas Percy sabia o que era, e sabia o quão era perigoso uma faísca daquilo em sua mente.
– Nico – chamou-o e por um momento pausou, apenas esperando algo significante em resposta. Nico o olhou e soltou a fumaça por entre os lábios rosados, revirando os olhos em um desdém superficial, mas o melhor que conseguia fingir, pelo menos era o que tentava parecer. Entretanto, por dentro, Nico era uma bomba atômica de dúvidas, seus sentimentos ainda eram tão vivos que quase os podia sentir exalar de seu corpo no ar o quanto desejava que Percy ao menos retribuísse alguma coisa, porém, Jonathan era algo tão mais real e seguro, que apenas sua presença o confortava com o fato de ter alguém que o adorava de algum modo, e isso fazia de Jonathan sua melhor opção, entretanto, não seria tão fácil acabar com uma coisa que sabia que o faria sofrer mais do que já estava sofrendo, mas precisava ser feito, e ele estava pronto para isso, ou será que estava se enganando?.
– Diga logo, não tenho todo o tempo do mundo, te dou cinco minutos – Nico ditou com arrogância suas palavras, mas no mesmo instante ao ver os olhos verdes um tanto quanto magoados por suas palavras, se arrependeu, entretanto, algo em sua mente estalou como um osso se quebrando, seu ego inflou, mas no mesmo instante, fora substituído por uma raiva esmagadora – Por acaso você está me seguindo? – ‘’ isso seria possível? Como alguém pode ser tão cruel a esse ponto’’ fora sua suposta tese que desencadeou o seu premeditado fim. Era como um espelho, e o vidro se partiu ao meio como se fosse jogado ao chão com violência, apenas com a mera ideia de que Percy o seguira com alguma desculpa esfarrapada em sua defesa, para tê-lo ao lado, pelo mero e mais puro prazer de tortura-lo com sua amizade. Ele estava cansado. Nico estava cansado, cansado de não ser notado, cansado de não ser valorizado como o devido, cansado de ter tão pouco quando dava tanto.
– Não – Percy engoliu em seco o modo rude como o garoto o tratou e não sabia por qual motivo o outro tê-lo feito, mas de certa forma, o magoou. Se recompôs e tentou recompor o próprio assunto em sua mente – Nico, eu quero que se afaste de Jonathan – ele terminou torcendo as mãos atrás do corpo e olhando relutante para a reação do garoto que fora diferente da anterior.
– Novamente esse assunto – Nico revirou os olhos, virando-se de costas, nervoso, ele puxou a fumaça para os seus pulmões uma ultima vez e jogou o cigarro no chão, pisando com o Converse gasto em cima do mesmo – Eu não vou me afastar dele – declarou enquanto se virava de frente soltando a fumaça enquanto falava. Percy grunhiu e puxou os próprios cabelos fortemente, entretanto o desespero era tanto que quase não se importou com a mera dor adquiriu no ato.
– Você não entende, não o conhece como eu, ele vai ... droga Nicolas – Percy virou-se em direção a parede escura e a socou com força o suficiente para sentir seus ossos estralarem. Nico sentiu sua nuca queimar, ele se sentia uma vontade repugnante de perdoá-lo e tão obedientemente atender ao seu pedido, mas ele repreendeu-se, e embora Jonathan tivesse o defeito de embebedar-se e drogar-se com cigarro de certo modo, ele gostava de si e o fazia sentir-se bem e livre como sempre queria ser, coisa que Percy não dava a si, e levando em conta todos os fatos listados em sua mente, tomando suas próprias rédeas.
– E o que você sabe tanto que o atormenta? que o faz pensar que tem o direito de interferir em meus relacionamentos e em minhas escolhas, você não é nada meu, na verdade, agora , nem amigo meu mais é, Perseu – levantou seu queixo fechando seus olhos e tentando conter o choro profundo que cismava em querer aparecer furtivamente. Percy por outro lado sentiu seu peito arder e em reposta virou-se de frente tentando não desmoronar enquanto se defendia com diversos argumentos.
– Eu o conheço a quase um ano Nicolas, sei o suficiente para assegurá-lo de que ele não é uma boa escolha a ser feita, encontre uma boa garota, sei que é difícil escolher algo com tantas coisas confusas nessa idade, mas vai por mim, você irá me agradecer, só por favor, me atenda , ele ... ele não é bom – Percy sentia sua garganta se fechar, presa em uma voz quebrada e que quase rasgava sua garganta ao ser proferida. Ele tentou aproximar-se e tocar-lhe o ombro, mas só o que suas palavras surtiram foi uma raiva descomunal causada pela ideia proposta pelas mesma que insistia em dizer que era apenas dúvida do menino. Nico riu como se isso o fizesse descontar um pouco do que sentia no ar em busca de que suas costas não ficassem tão pesadas, em busca de que as palavras que queria ditar realmente, não fossem proferidas com clareza.
– Você acha que é dúvida minha? — Nico trincou seu maxilar não controlando as lágrimas que se esvaíram pelo canto de seus olhos – Eu não sou nenhum idiota para não saber em que caminho vou me meter se segui-lo, na verdade, não há caminho que descobriremos em que fim vai dar se não o pegarmos Perseu Jackson – O garoto aproximou-se do mais velho , que sentiu as pernas trêmulas devido a proximidade consideravelmente perigosa – Eu sou dono da minha própria vida, e não é você nem o bosta do meu pai que vai me mandar me afastar de quem me faz tão bem, Jonathan me valoriza, me dá a atenção que eu quero, diferente de você e de todo o resto – colocou o braço sobre a boca, sentindo toda a bebida alcoólica ingerida bater no começo de sua garganta como se fosse uma pequena mão batendo numa porta de madeira em busca de permissão para entrar – Você .... – pausou, enquanto que Percy apenas absorveu cada palavra que era dita pelo menor com raiva tão explicita que cada nota contaminava a si mesmo com uma culpa gélida, ele não imaginava que sua amizade o fazia tão mal – Seu ... seu merda – Nico grunhiu e cuspiu as palavras com todo o ressentimento e dor que guardava a tanto tempo desdê de que sofrera suas decepções quanto a pessoa a sua frente. As palavras surpreenderam Percy, mas não pelo fato de seu teor, e sim pelo fato de ser proferida com tanta amargura – Você acha que pode ter tudo, que pode me humilhar, não se faça de desentendido, eu sei que você sabia, sabia de tudo, eu sei que sabia – e Nico caiu de joelhos. Ele caiu, deixando cair também parte de seu coração, que sangrava numa dor dilacerante. E Percy caiu junto, desesperado, desesperado por querer ajuda-lo, desesperado por querer amá-lo, e desesperado por acabar com aquele sofrimento que nem ao menos sabia porque motivo o garoto que amava sentia.
– Nico ... – a voz cortada saiu por entre seus lábios vacilante e dolorida. Ele tentou tocar com a ponta dos dedos a bochecha pálida do menino, mas o mesmo, tão ganancioso por não sentir mais nada, apenas se afastou ríspido com o intuito de que sabia que se ele o tocasse, poria tudo a perder. Ele sabia que seu coração era dele e que bastava um toque para o muro de titânio derreter e se transformar na mais larva fervente.
– Não ... – o garoto soluçou, se apoiando sobre os pés e esfregando os olhos com força desnecessária fazendo a pele abaixo dos mesmos ficar tão vermelha quanto já estava devido ao choro – Não ... – Nico estava perdido, estava a uma linha de ceder, mas ele só precisava de um motivo, um único motivo do qual ansiava que fosse lhe dito. Ainda havia esperança de que todo o sofrimento fosse dissipado pelas únicas três palavras que a tanto queria que os lábios do moreno dono dos olhos de serpente dissesse ‘’ Eu Te Amo’’, era tudo o que ele precisava dizer – Seu desgraçado .... porque .... porque eu ... porque ... – ele não conseguia completar suas palavras, elas morriam na boca, o medo de proferi-las e só piorar uma situação que sabia que teriam um fim que estava tão longe de ser feliz . O garoto esfregou a testa com violência e mordeu o lábio inferior tão fortemente no intuito de esvair sua dor e seu desespero que o fez sangrar. Ainda havia esperança, sua tão imbecil, manipulável e dolorosa esperança, acompanhada de sua mais tão conhecida decepção. E Percy esperava as palavras, esperava que o garoto dissesse o que tanto queria. Ah, se soubessem.
– Nico... eu ... eu sei que é a coisa mais absurda que se possa pedir a você, mas eu não quero que se machuque, por favor ... me entenda, só... me entenda — O homem esperou que a verdade em seus olhos transmitisse tudo o que precisava para convence-lo, mas para Nico, não era o suficiente, mesmo sabendo que só de olhar, suas palavras pareciam verdadeiras, mas ele imaginava, que no fundo, um quê de ego inflado preparava-se venenoso para despontar por entre os olhos que agora julgava tão traiçoeiros, logo após que o atendesse como um bom submisso que era. Que ‘’ era’’, ou que é, porque ele só precisava de um motivo.
– Então me dê ... me dê um motivo para eu acreditar que isso é o certo a fazer – Nico se aproximou ainda esperançoso, ele fungou, limpando parte de seu rosto molhado pelas lágrimas salgadas com a manga da blusa de frio – Só me dê um maldito motivo Perseu – O deixou em aberto sua expressão, esperando por uma resposta que sabia que nunca viria. ‘’ Droga, porque eu sou tão burro? ‘’ indagou-se, repreendendo-se por ainda ter esperança com uma coisa impossível. Mas ele era humano, e sabia que humanos tinham o incrível defeito de ver a esperança em tudo o que causava, dor, e Nico, sempre sentiria a esperança em sua doce tormenta.
Percy olhou em direção ao garoto. A garganta fechada e os lábios secos por uma resposta que sabia que seria retribuída com desdém e nojo. Quando poderia imaginar que sua presença era tão dolorosa para o menino por quem tanto sentia amor? . Ele engoliu em seco, e em sua última tentativa dolorida e desesperada de traze-lo de volta, suspirou, limpando suas lágrimas esvaídas do rosto e pondo toda a sua verdade e o seu sentimento exposto. Ele realmente queria acreditar que aquilo era apenas um pesadelo, e que tudo voltaria ao normal quando tudo acabasse, e no fim, ele estaria apenas com Nico, apenas com ele. E foi naquele momento que percebeu o quanto o amava. O quanto não poderia perde-lo, o quanto sentia que o queria e que não poderia deixar ir.
– Não faça isso, por favor... por favor não fique com ele... por favor – Percy sentiu sua voz ser repuxada com uma linha de costura em seu carretel, mas parecia que quanto mais tentava parecer verdadeiro, mas a verdade lhe escorria pelos dedos e só fazia Nico ficar mais longe de si. Mas essa era a verdade, Nico nunca fora e nunca seria seu. Ele era um covarde. E fora nesse momento de covardia que falhou mais uma vez.
Nico levantou-se, o peito latejando em uma dor que não era transparecida por seu dono. O garoto de cabelos negros fechou seu rosto numa expressão dura e fria, deixando secar o líquido salgado por sobre a pele. E sua tese realista fora cumprida. A verdade que sabia que seria inevitável, a verdade que sabia que seria proferida. Nenhuma palavra que transmitia amor jamais seria proferida pela criatura que mais amava. Afinal o amor, foi feito apenas para os fortes, e outro, permaneciam apenas incompreendidos, e esse era o seu destino, ser completamente e eternamente incompreendido.
– Então isso é um adeus Perseu – Nico sentiu que naquelas palavras havia realmente um adeus, um adeus tão doloroso quando a faca do fim fincada em seu peito. O fim era consolador, mas não um alívio. E ali, diante daquele a quem tanto perdeu tempo observando todos os dias fazendo chuva, frio, sol o até mesmo sendo uma tarde calma, percebeu o quanto tudo o que prezava era superficial. Em seu peito havia um vazio, uma parte removida vagava pelo vento junto com seu adeus, e ele sabia que ela nunca mais iria voltar depois que virasse as costas e seguisse em frente, porque aquela história não havia futuro, era apenas o seu sonho adolescente indo embora de uma vez por todas. E o quanto sentiria falta dele. Nico desmoronou naquele instante, e Percy ao soletrar diversas vezes as palavras de Nico, também o fez.
Nico virou-se de costas e andou, deixando parte de seu coração para trás, sendo carregado pesadamente com o vento quase escasso apenas proporcionado pelo ar condicionado central da boate. E quando Nico virou-se de costas, Percy gritou por dentro, sentindo toda a dor, sentindo se dilacerar e contorcer por dentro. Porque lá, não havia mais nada a que se prender novamente desdê um ano atrás, ele estava novamente sem rumo e sem estrada. E Nico, mais uma vez apenas um emaranhado de problemas e decepções. Ambos, eram apenas areia e vazio. Porque tudo o que começava, havia um fim, e aquele era o fim mais doloroso possível para ambos.
Percy mastigou a parte interna de sua bochecha enquanto via o corpo daquele que mais amava partindo e sumindo na multidão. Era um adeus, e ele ainda não conseguia acreditar. O choque e o torpor das palavras tomando conta gradativamente de seu corpo, e em um impulso ao seu despertar, correu em direção ao caminho do qual o amado sumiu, correu, correu tão desesperado por encontra-lo empurrando a multidão o quanto pode. Queria dizer o motivo, queria dizer que o amava mais que tudo e que não podia deixa-lo partir, mas o quão ele fora covarde, o quão ele era covarde. O moreno puxou os fios de seus próprios cabelos entre os dedos com força no intuito de se punir por ser tão idiota, e naquele momento, o ar não chegava até seus pulmões, seus ouvidos não escutavam mais a paz que a voz dele lhe dava, seus olhos não via mais a beleza de sua simplicidade, ou sua voz proferindo um ‘’ Eu odeio areia’’. Ele amava praia, mas por Nico, Percy poderia odiar a água mais calma do mar do fim de tarde.
Andou em passos sem rumo em direção a porta da boate, que fora aberta pelo brutamonte que a guardava como se fosse ela igualável a uma joia raríssima em jogo. Respirou. Enchendo seu pulmão com o ar cortante carregado com a sua culpa que exalava por todos os cantos. Culpa? Por ter sido tão covarde e deixar que o monstro se apoderasse da vitória. Por deixar aquele que amava nas mãos daquele que tanto o fizera mal, e que viria a fazer mal a Nico, ele sabia disso. Só não entendia uma peça, o motivo de seu repentino envolvimento com o mesmo, o motivo de tanto ódio ser expelido em sua direção. Era isso que não entendia. Mas não teve nem tempo de elaborar uma tese sobre qual seria um dos prováveis motivos, pois meio minuto depois de se livrar de seu confinamento, as mãos de Annabeth já lhe afagavam os ombros com manha. Ele desvencilhou-se , pronto para pensar em alguma desculpa que lhe parecesse conveniente quando a bomba lhe foi jogado sobre os braços.
– Percy me desculpe, não era minha intenção, eu não queria faze-lo chorar daquela maneira, oh céus, imagino o quanto ele deve estar bravo com você por minha culpa — Annabeth tinha um quê de culpa em sua voz, e na verdade, pela primeira vez, ela não estava mentindo. Porque por mais estranho que parecesse, naquele momento, ela sabia como o garoto que disse tantas asneiras se sentia. Era como um Deja-vú , era como se a mesma cena se repetisse. Entretanto, do lado oposto de sua batalha mental entre culpa e glória, estava um Percy, totalmente confuso e derrotado.
– Do que está falando Senhorita Chase? – indagou virando-se de frente para melhor encará-la, a loira torceu os dedos e mastigou nervosamente a parte interna de sua própria bochecha, em sua nuca, um formigamento agonizante que fazia seu estômago embrulhar.
– De Nico, vi quando ele passou chorando desolado, se lhe serve de consolo, vocês podem retomar sua amizade, eu posso provar que ... fui eu que causei todo o transtorno – Percy meneou a cabeça lateralmente e ergueu os olhos marejados na direção dos venenos cinzentos, e num impulso de curiosidade e raiva, tomou-lhe os braços brancos em suas mãos, os apertando com violência.
– O que você fez?- a loira piscou os olhos estremecendo, dessa vez, ela realmente estava com medo de sua própria resposta, as vezes, ser uma cobra, custava muito de suas experiências, e naquele momento, ela mais parecia o rato do que a manipuladora de sempre. Porém, por mais que sua consciência gananciosa implorasse para mentir, toda a situação que viu acontecer mais uma vez em sua mente a fez ser honesta pelo menos uma vez, o que não queria dizer que iria desistir de seus planos.
– Eu ... eu ... disse algumas coisas ruins para o Nico – Percy apertou seus braços, os sacudindo minimamente, não sabia quais motivos mentirosos fizeram com que Nico tomasse aquele rumo que certamente não seria nada bom para si, mais sabia exatamente que a partir daquele momento, nada do que Annabeth dissesse para se defender, o faria a odiar menos.
– O que você disse exatamente? – Annabeth recuperou seu fôlego, olhando olhos nos olhos verdes visivelmente feridos internamente. Ele a sacudiu mais forte – Me diga! – ele gritou aos seus ouvidos , tendo como resposta um gemido frustrado e medroso da parte da garota.
– Eu disse que não o procurasse mais – ela soltou finalmente, mas se prontificando em pensar em algo coerente para aliviar algo que poderia realmente aniquilar com todas as suas possíveis chances de seus planos serem bem sucedidos, entretanto, nada garantiria que surtiria um efeito positivo. Percy a soltou, sentindo em seu peito sua raiva crescer cada vez mais, e a vontade de dizer o que realmente queria que Annabeth fizesse, só ser reforçada a sair descontroladamente pela sua boca por vontade inteiramente própria — Mas eu não queria causar todo esse transtorno, eu só queria que você se firmasse mais no seu trabalho, você tem faltado no trabalho, tem sido relapso a tudo que convêm dele, esteve aéreo por toda a semana, e o único motivo só podia ser ele, me descul... – ela não terminou de dizer suas palavras pois as mãos que antes estavam nos seus braços, voltaram a se apossar dos mesmos só que dessa vez com mais força.
– Você tem ideia do que fez ?? – ele gritou, as lágrimas de raiva e dor escorrendo furtivamente por seus olhos, Annabeth se assustou pelo modo como as palavras foram proferidas, tanto quanto o estado que o moreno claramente se encontrava.
– Eu não queria causar todo aquele transtorno, me desculpe – mas nada surtiria efeito, nada justificava que a culpa de tudo tinha sido dela, e nada estivera tão certo na mente de Percy quanto naquele momento.
– Desculpar? Você não tem ideia do que fez, você se meteu na minha vida – ele a largou com ira, começando a andar em direção a algum lugar em que Annabeth não estivesse presente. A loira se pôs a andar rapidamente em direção a Percy, certa de que conseguiria reverter tal situação, afinal, ela sempre conseguia vencer, ou pelo menos era isso que imaginava.
– Mas foi por um bom motivo, ora, você não vai ficar bravo comigo por causa disso vai? Tenho certeza de que você e o seu amigo farão as pazes, na verdade foi até um motivo meio torpe para ele chorar, afinal, eu não fiz nada demais – ela o puxou pela manga da camisa, o olhando faceira, para logo em seguida puxar-lhe a gola da camisa em busca de mais proximidade – E eu imaginei que poderíamos terminar essa noite, de uma forma mais prazerosa do que ficar debatendo por aquele adolescente sem cérebro – prontamente as mãos de Annabeth foram tomadas com uma das mãos de Percy, sendo levadas para longe de si com tanto nojo quanto sentira das palavras que a mesma proferira. E enfim, aquilo seria o fim. Percy estava cansado de ser bom, de ser exemplar, e talvez fosse por isso que tudo desse errado, talvez, só o que precisasse era ser o oposto do que era.
– Não vai acabar de um modo mais prazeroso Annabeth, e sabe porque? Eu respondo por você, por que eu sou Gay – o baque das palavras alheias lhe causaram uma náusea entorpecente de que aquilo só podia ser uma brincadeira, mas o ataque de palavras duras em direção a loira, não tinha acabado – E o adolescente sem cérebro a quem se referiu, é por quem eu estou perdidamente apaixonado – Annabeth sentiu seus joelhos perderem a força ao escutar tais palavras, e naquele momento, parecia que nada fazia sentido, a sua manipulação se fora, e tudo que restara de si era confusão e raiva – E não importa que sua toalha caia na minha frente, ou que você me roube beijos dos quais não desejo sem dúvida de questões, ou que todo ato que faça tenho um toque de erotismo, tudo o que me transmite é o quão manipuladora você pode ser para conseguir o que quer – ele pausou, se aproximando da loira atônita a sua frente – Eu nunca vou desejar você – e a largou, com tal força proporcional a sua raiva, que os saltos não a seguraram e não a impediram de se desequilibrar e cair no chão.
Percy não se importou se ela havia caído, ou se havia se machucado, na verdade, naquele momento, ele nunca se sentira tão vivo por assumir algo que há tempos havia guardado somente para si. Entretanto, não se sentia menos triste ou com menos raiva, afinal, naquele momento, ele se sentia apenas Areia e Vazio. Mas do lado alheio, não importava a dor da queda ao chão. Os olhos marejados de Annabeth não demonstravam dor, e sim, a mais pura e explicita raiva, ao longe ela podia ver seus planos sendo arruinados por aquele que quis ao menos não ter o mesmo destino que o seu, por aquele que ingenuamente por um momento quis ajudar. Ela fechou os punhos batendo com toda a força os mesmo no chão, alucinada e perdida.
– Não – ela murmurou, a voz cortada e rouca, totalmente e perdida no que lhe custou ser boa – Eu não posso perder para um pirralho – ela gritou em meio ao beco, que transmitiu sua voz imitada, ecoando para além dos ventos, juntamente com cada nota de raiva que se alongava e se estendia no som. Por um momento, tudo o que se ouviu foi silêncio, e em seguida, algo de que a muito guardava, havia se quebrado, sua pouca bondade. Annabeth olhou para frente, para a rua banhada de faróis de carros e luzes diversas, do qual ela sabia que o corpo daquele que queria, e teria, havia sumido na multidão – Tudo bem, eu posso jogar sujo – a garota levantou-se e ajeitou sua saia no lugar, andando tão calmamente quanto a sua fúria que se alongava venenosa e pronta para armar seu real plano. E ela jogaria, ela realmente jogaria sujo ...
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Nico não ousou olhar para trás enquanto perfurava a multidão de zumbis a sua volta. Tudo o que mais queria fazer era sumir num vazio profundo, um subespaço ou um portal para uma dimensão em que Percy não existisse para lembrá-lo de que ele ainda permanecia em seu coração. Entretanto, de nada adiantaria, pois Percy estava em cada lugar que olhava, cada lugar que tocava, Percy estava em si, e era inevitável não se olhar nos espelhos da maldita boate abafada pela música e pelo suor causado pela fricção dos corpos seminus, e ver cada lembrança de que passaram, o que poderia ser pouco, mas para Nico era o bastante para não conseguir arrancá-lo da memória como um droga viciante letal. Seu estômago se embrulhou e a sua mente girou.
Enfim quando seu campo de visão localizou Jonathan, seus pés mais que depressa o guiaram ao seu intuito enquanto as lágrimas cortavam seu rosto, e o corpo respondia com soluços indesejados, do qual se envergonhava por ser tão inútil a ponto de não segurá-los. A poucos centímetros de distancia de Jonathan, ele bateu os dois braços no balcão do bar onde agora se encontrava tão ao lado do outro que há minutos atrás procurava. Levantou um dos dedos para o Barman que passava com dois copos na mão. O mesmo parou a frente de Nico, o encarando de cima a baixo. O garoto limpou as lágrimas e respirou profundamente, para amenizar por alguns segundos os soluços, apenas o suficiente para falar e formar na ponta de sua língua, alguma palavra que tivesse sentido.
– Alguma coisa que seja muito forte, por favor – pediu, a voz tão trêmula quanto as mãos. O barman se esticou em direção ao garoto, chegando perto o bastante para olhar em seus olhos.
– Garoto, você não tem dezoito anos, tem ? – o Barman indagou, frisando as sobrancelhas e pousando os dois copos no balcão. Mas antes que algum tipo de resposta fosse dita, Jonathan interveio, se pondo entre o barman e Nico.
– Apenas dê a bebida ao garoto – dito isso, um pequeno maço de dinheiro foi estendido em sua direção, brincando por entre os dedos brancos e longos de Jonathan. O barman bufou e coçou a nuca, olhou para os lados e em seguida recolheu o dinheiro, pondo-o no bolso e seguindo em direção à prateleira de garrafas que chegavam até a serem empoeiradas. Nico desviou a atenção do barman por alguns minutos, apenas para olhar para Jonathan mais uma vez, e olhar em seguida para o chão. O mesmo revirou os olhos e respirou fundo, erguendo o queixo de Nico com os dedos e lhe beijando o canto dos lábios carinhosamente, olhando em seguida para seus olhos quase negros, agora avermelhados e inchados pelo choro que ainda teimava em sair dos mesmos como cascatas quentes e cortantes.
– Imagino que a conversa deva ter sido terrível – Nico se desvencilhou do carinho, olhando para o copo de líquido transparente depositado a sua frente pelo barman que mantinha os braços cruzados na frente do garoto.
– É Vodca pura, vai apreciar se gosta de algo que queime sua garganta – em seguida se retirou, dando espaço para Nico responder Jonathan, que esperava ansioso pela resposta.
– Não quero falar sobre isso – em minutos, o pequeno copo fora virado por entre os lábios rosados de Nico, despejando todo o líquido por sua garganta, descendo tão fervente que Nico quase não conseguiu respirar. Tossiu e curvou o corpo para frente, sentindo sua mente se anuviar, repleta de uma dormência apreciada, sem Percy, sem mundo perfeito hipócrita e narcisista.
– Certo, certo, mas vá de vagar, a noite ainda é uma criança, e pretendo nos divertir muito ainda – Jonathan declarou, enquanto passava as mãos numa massagem vagarosa pelas costas de Nico, que ainda tossiu pela ardência da bebida. Respirou fundo, por fim, agarrou a gola da camisa de Jonathan e passou seus braços pelo pescoço do mesmo.
– O que estamos esperando então? vamos embora daqui, por favor – Nico pediu ao homem, totalmente manhoso e ao mesmo tempo um tanto quanto choroso, que o segurou pela cintura e lhe mordeu a junção entre o ombro e o pescoço, mas ao contrário do efeito que deveria causar, Nico só se sentiu incomodado e enjoado. Jonathan assentiu, e sem mais dizer nada, puxou Nico pela mão e o guiou devagar por entre os corpos que não se cansavam, em direção à saída. Poucos metros da saída, Jonathan virou-se para Nico e lhe indicou com a cabeça tudo a sua volta.
– Quer mais alguma coisa? Mais um gole de bebida? Ou — mas Nico o cortou, assumindo o controle da situação e puxando Jonathan mais rápido do que o próprio o puxara minutos antes.
– Só quero que me tire daqui, por favor – Jonathan levantou a mão livre para o alto e riu, seguindo Nico por vontade própria e de bom grado – Para bem longe daqui – Nico o puxou uma última vez quando passaram da porta, sentindo o ar fresco lhe açoitar o rosto como um fino floco de gelo provocando uma briga. Mas Nico não se importou, tudo o que queria fazer era esquecer, tudo o que ele queria fazer, era ir embora dali, para um lugar bem longe, onde pudesse esquecer. Puxou Jonathan pela mão, apressado em direção ao carro, tudo em que pensava era fugir, entretanto, não diria que este também era o plano do dito cujo do qual puxava pela mão.
Decidido a tomar as rédeas da situação, Jonathan o puxou pela mão de encontro a si, enlaçando sua cintura e enterrando seu rosto no pescoço de Nico, a poucos metros de chegar ao carro. Nico surpreendeu-se, sua respiração descompassada pela ansiedade de sair daquele lugar, e pela rapidez de seus passos desesperados, mas mesmo surpreso, ele retribuiu o meio abraço cheio de intenções. Jonathan se moveu minimamente, olhando nos olhos de Nico e aproximando os lábios apenas os roçando.
– Nico, Nico, tem tantas coisas que eu quero fazer com você – Nico engoliu em seco, também pelo teor das palavras, mas mais pela queimação em sua nuca, uma sensação molhada e um repuxo no estômago, e com a dor de cabeça, veio a náusea. Revirando e desvirando seu estômago, o embrulhando, e elevando a comida, a fazendo bater numa porta imaginária, avisando que ela ia sair por onde entrara.
– Jonathan ... – Nico sussurrou , apertando o estômago com as mãos e revirando os olhos. O homem sorriu ao escutar sua voz sendo pronunciada por algo que julgava ser um gemido, mas mal esperou quando o garoto se curvou para baixo e vomitou. Nico sentiu sua força se esvair ao cair de joelhos e despejar tudo que comeu, ou melhor, que bebeu no chão, naquele momento, nunca se sentira tão mal e tão fraco. E no minuto seguinte que tudo em seu estômago se fora, caiu para trás, sentindo-se tão fraco quando uma Maria mole de padaria. Jonathan prontamente deu a volta no conteúdo amarelado que se espalhava pelo chão, pegando Nico pelos braços e o colocando em seu colo assim que seu corpo esguio atingiu o chão. Atordoado pelo susto Jonathan verificou se tudo estava bem com o garoto, e constatou que ele apenas havia desmaiado, suspirou aliviado e o ergueu sobre os braços, tateando com dificuldade seus bolsos antes , pegando a chave do carro e o abrindo, colocando com todo o cuidado que tinha Nico no banco do carona, juntamente com o sinto. Logo em seguida, o banco do motorista foi preenchido por si.
Observou o garoto adormecido no banco ao lado e mordeu o lábio inferior, esgueirando-se por entre os bancos e tocando o rosto alvo do menino com a ponta dos dedos frios, aparentemente não causando nenhuma reação que pudesse acordá-lo. Sorriu perversamente, tocando nos fios negros do cabelo do garoto.
– Não tem problema Nico, teremos todo o tempo do mundo – ele lhe beijou os lábios róseos levemente – Você vai ser meu , de qualquer jeito – ele riu, ajeitando-se no banco e dando a partida no carro...
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Nico abriu os olhos, sentindo os raios solares que despontavam no horizonte através das cortinas transparentes de um quarto que definitivamente não era o seu. Tentou se levantar, mas sua cabeça latejou com tanta força que mais parecia um sino pendurado em ambos os lados de cada ouvido. Não se lembrava de muita coisa, mas se lembrava do essencial, se lembrava de ir com Jonathan, de escolhe-lo, e principalmente de deixa-lo para trás, ‘’ Ele’’, a quem tanto amou mesmo que platonicamente, e quem tanto ama , mesmo com todas as feridas.
O garoto sentou-se com dificuldade, sentindo estômago repuxar e os sinos em seus ouvidos tilintarem, fazendo toda a sua linda de raciocínio sumir com a ressaca infernal que sabia em que se encontrava, por tudo o que havia bebido na noite anterior. Resolveu que não se importaria com isso, e talvez tal sensação ruim sumisse, mas havia uma que ele sabia que não sumiria com pensamentos positivos ou momentos que poderiam vir a ser felizes, a sensação de perda em seu coração.
Nico se ajeitou sentado na cama, olhando para o lado e vendo Jonathan dormir tão sereno quanto uma das nuvens que acobertavam os fios dourados que se estendiam do sol. Um lágrima furtiva escapou por seus olhos, enquanto seu peito se apertava ao se lembrar dos momentos angustiantes e o quanto ele queria voltar atrás. Mas seria estúpido de sua parte ser feito novamente de idiota por seus próprios sentimentos. Lembrou-se de cada momento, desdê o acidente de carro, aos cuidados que Percy tomou consigo, o beijo daquela maldita loira, Coney Island , a fuga da escola, e todas as revistas, lembranças, chuvas e crepúsculos que passou o observando, se sentindo um verdadeiro voyeur maníaco e estupidamente apaixonado. Todas as lembranças o trouxeram uma sensação de quebra, e ele não pode conter as lágrimas e os soluços silenciosos que escaparam por entre os lábios.
Ele levantou a cabeça, olhando para a janela entre aberta a sua frente, observando o sol nascer ao horizonte, e o seu coração se apertar contra o peito, miúdo e dolorido, e por mais que ele tentasse dizer a si mesmo que Jonathan o faria feliz mais do que qualquer outra pessoa, mesmo com seus muitos defeitos de vícios entre outros, ele era a melhor opção, e Nico sabia, sabia que deveria seguir em frente, mas era tão difícil, tão dolorido, ele o amava tanto que lhe chegava a cortar por dentro numa dor aguda.
Nico chorou, não por ser fraco, mas por amar, por amar demais e receber tão pouco, ele sabia que seria difícil esquecer, difícil superar o quanto doía, o quanto já havia doído por motivos de ciúme ou por outros dos quais foram causados sem intenção, doído por amar demais. Entre todos os motivos que pessoas sofriam por amor, umas por serem injustiçadas, ou desencontros , por intenção de outros, ou apenas porque a coragem lhe faltava para falar com aquele que mais admirava, e as vezes deixavam o tempo agir, mas não significava que haveria resultados positivos, na realidade, tudo depende de nós mesmos, e Nico sabia e pensava o quanto dolorido era para si. Olhando assim para sol, pensou em quantos amores não correspondidos existiam, em quantos corações foram partidos, em quantas pessoas perderam outras importantes e quantos relacionamentos foram terminados antes do tempo. E na mente, só uma coisa se passou, em quanto o tempo era cruel, em quanto o amor era bom e ao mesmo tempo tão mal, e no quanto a vida era preciosa.
Nico chorou, mas ele superaria, e foi com esse pensamento otimista que deu um breve sorriso para o sol que surgia em todo o seu esplendor. Ele superaria, mas naquele momento, ele se sentia tão vazio, como areia e vazio, a areia dos castelos caídos e o vazio das perdas constantes. Ele o esqueceria, ele tinha fé, mas será que essa era a melhor escolha? Esse era o fim ? ...
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Percy ergueu a cabeça dos joelhos, as lágrimas correndo livremente por seus olhos enquanto ele observava o sol beijar o mar, observando as ondas quebrando nos seus pés e acariciando sua pele com a água fria. Ele se perguntava o porque, o porque de todos os seus relacionamentos sempre darem errado, e o porque mais ainda o amor ser tão cruel ao ponto de faze-lo se apaixonar por um menino, um menino que tinha sido o timbre de sua vida, um menino que o encantou em tão pouco tempo e o deixou em menos tempo ainda .
Olhando para o sol naquele momento, ele observava o quanto o amor poderia ser cruel e frágil como uma pequena parte de um conto. Percy pegou mais uma pedrinha da pilha insignificante que fizera ao seu lado, jogando-a no mar e a vendo afundar, afundar como estava afundando agora, afundado na mágoa, no desespero e na tristeza. Ele pegou mais uma pedra, atirando com toda a fúria que tinha, questionando-se o que fizera de errado, no quanto foi burro em não perceber o quanto estava fazendo tudo errado. Se tivesse demonstrado mais, se tivesse tido coragem, se tivesse lutado mais, talvez tudo o que precisasse fazer era dizer o quanto Nico era importante para si, e o quanto queria que ele ficasse ao seu lado e nunca mais saísse.
Mas ele não podia voltar atrás, e agora, esse era o fim. O maldito fim que sempre chegava quando ele perdia o medo, o medo de amar e ser amado. Aquele era o fim, o fim para os dois. E enquanto Nico se encontrava perdido em pensamentos olhando para o sol e pensando em inúmeras maneiras de tirá-lo de seu coração, Percy se encontrava mergulhado numa profunda nostalgia dos poucos momentos, mas igualmente bons que tiveram juntos, e no quanto naquele momento, descobrira que o amava perdidamente. Mas o tempo não voltaria, e aquele era o fim, a Areia e Vazio que assombravam ambas as mentes, junto com o fim ...
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