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8 Chapter 7 - The cup on the Floor.
Notas iniciais
Garoto triste, sim, você ...
Estou me sentindo quente com o toque
E eu quero dizer que sinto muito a sua falta , Mas algo me deixa em silêncio ...
Eu posso ver meu doce garoto se mexendo ...
Estou me sentindo mais quente e em chamas Eu suponho que ninguém realmente Me fez me sentir tão bem Te desejo carinho, garoto é você que eu desejo...
Você me empurra, eu me afasto ...
Seu cigarro está aceso ...
– Lana Del Rey — Weast Coast–
Olhando pela janela lustrosa e limpa do carro de Jonathan, Nico nem sequer escutou quando uma pergunta foi dirigida a sua pessoa. Ele estava assim, desdê que a ideia repugnante de que Annabeth se deitou junto a Percy, tocando-o, sentindo-o, fazendo e tendo a permissão de tudo o que mais queria fazer em Percy livremente. Nico fora cutucado sutilmente e só então se deu conta de que ele e seus pensamentos não eram os únicos presentes no carro que os levava para um destino de que nem se lembrava qual era.
– Está tudo bem gracinha? Você me parece tão distante.
Nico negou com a cabeça esfregando os olhos com a manga da blusa.
– Não, eu só estou um pouco tenso, só isso.
– Hum, nada que a minha gloriosa massagem não resolva – o sorriso debochado e certeiro ao comentário brincalhão deram um toque final a tudo, tirando de Nico uma risada atoa – Mas você não me respondeu a minha pergunta – Nico assentiu e se endireitou no banco.
– Perdão, pode repeti-la.
– Eu perguntei aonde você queria ir.
– Na verdade eu não faço a mínima ideia agora, como a 20 minutos atrás em que eu te liguei e não fazia a mínima ideia de onde queria que fossemos , então , eu pensei , acho que ele teria um cardápio para hoje, e pelo visto acho que você tem um lugar em mente porque creio eu que não estaríamos por vinte minutos em silêncio com você dando voltas por aí sem rumo.
– Bom meu caro Watson, você tem razão, eu já tinha uma coisa em mente assim que você ligou, resta saber se você vai aprovar a minha cartilha.
– Mande.
– Que tal darmos um pulinho na praia e ficarmos lá a tarde toda? Sem problemas, sem preocupações, sem nada que nos impeça de apenas ficarmos relaxados curtindo o momento de uma tarde de preguiça.
Nico ponderou por alguns segundos, e logo a palavra praia foi associada ao dia em que Percy e ele passaram a tarde inteira em Coney Island, ele sacudiu a cabeça e apertou os olhos, a última coisa de que precisava eram mais referencias das que já tinha o fazendo lembrar de Percy a todo instante, com um breve olhar receoso, negou com a cabeça simplesmente.
– Sabe, eu e areia, não é uma combinação muito boa – Jonathan riu e deu de ombros.
– Tudo bem, nada de praia, mas você roubou a minha ideia de tarde relaxante .
– Oh pobrezinho – Nico fingiu pena – Creio eu que você consegue fazer melhor, vamos.
– Eu sempre consigo fazer melhor- Jonathan piscou e virou uma rua – Quer ir ao Central Park em Manhattan?
– Viu, conseguiu – Nico assentiu — é pode ser, espaço aberto, ar fresco, tudo um bom conjunto para uma tarde relaxante.
– Ok, Manhattan, aí vamos nós, se importa de escutar algumas músicas chatas da rádio dentro desses 33 minutos de viagem? – Nico negou, e recostou sua cabeça no vidro como antes, como se esperasse pacientemente o seu intento final, o que não era de todo uma mentira.
Jonathan assentiu, suspirou e acelerou um pouco o Toyota Etios Sedan preto pegando a NY – 9A N. Nico estava longe, mergulhado em seu subconsciente confuso e melancólico, ele devia acreditar no que a cobra de olhos cinzentos falava? Ou devia seguir o seu coração teimoso e sem cérebro que se agarrava a esperança de que Percy sentia mesmo que uma pequena pontinha de sentimento por si e nunca faria isso? Era muito improvável na cabeça de Nico que a segunda opção fosse real, mas mesmo assim a esperança palpitante, sufocante e fervente explodia em seu peito.
Ele sentia raiva de si, uma raiva que o inundava como um mar em tempestade e um navio de cruzeiro sendo engolido pelas ondas. Ele queria acreditar, mas levando em conta todas as possíveis coisas importantes que só aconteciam com pessoas que Nico achava mais bem sucedidas do que ele, era difícil de se acreditar que algo realmente se tornasse real em sua vida. Mas mesmo assim, não perdia as esperanças e essa era uma de suas muitas virtudes.
Nico se sentia oco, como se toda a alegria que Coney Island lhe proporcionara apenas tivesse sido um sonho de uma criança de oito anos e seu sonho de consumo mais aguardado. E agora estava ali, esgotado mentalmente de todas as coisas que lhe deixaram feliz e em dúvida, a sufocante dúvida que dilacerava o seu coração e fazia com que ele acreditasse realmente, que Percy apenas o considerava um bom amigo, e que agora, ele não queria nem mesmo olhar em sua cara.
Suspirou longamente, a cabeça grudada no corpo, mas voando no espaço vazio e escuro. Mal percebeu o solavanco de uma lombada, e muito menos quando Jonathan parou numa vaga quase de frente para o Parque. O moreno de cabelos claros estava pronto para sair, quando notou que nem o sinto ao menos Nico havia tirado.
– É você está mesmo precisando da minha massagem.
Nico despertou de seu transe e coçou a nuca, perdido, olhou para o lado encontrando as orbes azuladas vibrantes de Jonathan o observando compenetrado.
– Planeta terra chamando Nico, Planeta terra, alguém aí dentro.
O rapaz riu de seu próprio sarcasmo conjuntamente com Nico que a altura no campeonato já tinha retirado enfim, os cintos que praticamente o grudavam no assento acolchoado do carro.
– Sim comandante Mills.
Nico bateu um continência e olhou em volta.
– Chegamos?
– Sim.
– Então o que estamos esperando para dar um fora desse carro?
Nico riu de seu próprio comentário e abriu a porta do carro vagarosamente pondo os pés calçados do velho All Star Converse surrado para fora, e quando piscou os olhos, os cachos castanho de Jonathan já se encontravam em seu campo de visão, ele estendeu a mão para si, o puxando de encontro ao corpo.
Por um momento, as coisas se tornaram confortavelmente quentes. O hálito morno e refrescante de Jonathan se chocava contra o seu, a batida forte de seu coração e os músculos contraídos e rígidos de seu abdômen contra o seu corpo que julgava tão frágil, era um sensação inebriante, ainda mais quando sentia a mão de pele quente e sedosa de encontro com a sua, irradiando ondas ultravioleta para todo o seu corpo; O rosto se inclinou para mais perto e os olhos se estreitaram, orbes nas orbes, castanhas com azuis eletrizantes, um sorriso de canto e ele escutou o clique da porta do carro, suas bochechas coraram quando percebeu enfim, que tudo era uma pequena cena para fechar a porta do carro atrás que ele deixara aberta.
– Vamos? – a voz meio rouca de Jonathan soou nos seus tímpanos o despertando de sua bolha particular e o fazendo assentir sem ter certeza.Nico desvencilhou-se do meio abraço e parou da borda da calçada do lado oposto em que o carro estava estacionado na frente. Ambos atravessaram a rua em distantes lados, Nico preferia se distanciar um pouco, e não fantasiar sobre outra coisas que possivelmente poderia mais tarde, lhe tirar o sono.
Ao longe dava para se ver uma família fazendo um piquenique ao ar livre, enquanto um garoto de não muito mais que 12 anos, jogava um frisbee para o cachorro da família. Do outro lado um casal de namorados fez Nico ter uma pequena pontada de dor, e uma visão de que ali, poderia ser ele e Percy, apenas curtindo uma tarde juntos, o fez solta rum pequeno grunhido de repreensão a si mesmo, mas esse era um dos sonhos que Nico nunca imaginou que se tornaria realidade ou que um dia poderia vir a ser real, ali, apenas restava a esperança de que por sorte acontecesse.
Apertou os olhos por um momento quando uma fresta de sol pinicou seus olhos ao passar por um local onde as copas das árvores não cobriam e quando os abriu novamente, a distância que estipulara entre ele e Jonathan, havia sido quebrada pelo mesmo. Nico estremeceu quando as mãos fortes tomaram seus ombros e aplicaram um pouco de pressão num meio aperto.
– Pronto para se deleitar com as minhas mãos?
– Vamos ficar andando por aí enquanto você me faz sua famosa massagem? – Nico indagou com desdém enquanto Jonathan riu e negou com a cabeça.
– Não gracinha, eu tenho um lugar especial que tem uma vista surreal na hora do pôr do sol, prepare-se, minhas mãos nos seus ombros ... – ele pausou, inclinando seu corpo preparado para frente e encostando os lábios secos e mornos na pele do lóbulo de Nico, que ao mínimo toque, se arrepiou completamente – É só uma pequena prévia – completou botando um pouco mais de pressão nos ombros tensos de Nico e movimentando a mão forte minimamente. Nico gemeu e inclinou um pouco a cabeça para trás, sentindo prazer com o ato mínimo – Vamos – com isso, Jonathan tirou as mãos dos ombros do mais jovem e se pôs a andar com um sorriso brincalhão e provocador nos lábios, o que fez Nico grunhir de insatisfação e segui-lo.
Não demorou muito, e em não muito mais que trinta passos dados, os dois se encontravam em um grande campo aberto de grama verde. Alguns cantos estavam lotados de pessoas com seus lençóis e toalhas de piqueniques estendidas, pessoas deitadas, sentadas, conversando, ou mexendo em seus celulares e tablet’s, e em alguns outros cantos mais afastados havia grande quantidade de espaço livre. Jonathan seguiu para um deles ao lado esquerdo da multidão que apreciava o sol de domingo em família ou sozinho, perto de uma grande árvore de raiz protuberante.
Nico mordeu o lábio inferior quando Jonathan estendeu a mão para puxá-lo no intuito de sentá-lo junto a si, já que a muito, já tinha se acomodado confortavelmente recostado na raiz da árvore. Relutantemente, tocou com a mão fria a quente de Jonathan, sendo prontamente puxado para perto de seu corpo que repousava sereno, Jonathan fechou os olhos e cruzou as mãos sobre o colo, respirando profundamente.
– Isso não é maravilhoso?
Indagou Jonathan abrindo os olhos e expondo as belas safiras. Nico virou a cabeça de lado, confuso.
– O que?
Perguntou perdido enquanto se ajeitava, sentado na grama fofa com as costas eretas grudadas numa parte da raiz e do caule da árvore.
– É, você está mesmo longe – Jonathan riu mostrando suas duas covinhas nos cantos de ambas as bochechas, uma coisa que Nico nunca tinha notado nos dois encontros que tiveram, o que no caso, este contava como o segundo – Venha cá – ele tocou a nuca de Nico com a ponta dos dedos o fazendo levantar o tronco de seu encosto. Com um mero movimento, virou Nico de costas para si, mas a sua frente, e enfim começou a passear só a ponta dos dedos pela pele – Me reviro a essa sensação na boca do estômago Nicolas – o hálito quente tocou sua pele suavemente como o sopro de um vento de verão, Nico fechou os olhos e gemeu pela sensação relaxante da pressão cautelosa que os dedos do mais velho faziam em seu pescoço enquanto o som reconfortante como um cobertor vivo beijava a sua pele – Essa sensação de liberdade, esse vento gostoso batendo no rosto – cada palavra ao pé do ouvido, Nico por um momento sentiu sua nuca formigar e suas bochechas esquentarem quando os lábios de Jonathan se aproximaram mais, ele quase podia sentir o meio sorrindo brincando entre as duas carnes róseas que compunham sua boca muito bem desenhada – Esse sol, esse lugar, cada detalhe, de longe pode ser apenas mais um parque em que as pessoas frequentam para lazer, ou só mais uma das poucas reservas em Nova York que guardam espécies de árvores diversas cercadas de prédios cinzentos e modernos, mas de perto ... – ele pausou, e Nico quase sentiu o queixo dele em seu ombro – De perto é tudo tão belo e fascinante, que é pecado não se desfrutar desse pouco pedaço de natureza, pra mim, é uma sensação surreal, não acha?
Nico suspirou brevemente ao sentir suas têmporas serem estimuladas. Ele riu e sentiu o calor em ondas percorrendo seu corpo. Ele quase podia sentir que Jonathan não se afastaria enquanto ele não lhe desse a resposta, mas será que nesse momento, ele queria que ele se afastasse? Nico ponderou por alguns segundos e jogou sua cabeça para trás quando as mãos desceram para os ombros e os apertaram com firmeza, um sentimento de puro deleite percorreu o seu corpo. A garganta rouca arranhava, quase não dava para pronunciar uma palavra, mas com dificuldade reuniu um mínimo esforço e respirou fundo.
– É...incrível.
– Sim, essa é a palavra, incrível.
Jonathan concordou e voltou a sua antiga posição, longe, mas ao mesmo tempo perto o suficiente para fazer a nuca do mais jovem arder com o olhar que provavelmente era dirigido a suas costas. Mais alguns minutos se passaram com as mãos fortes em seus ombros, tocando os pontos certos e desfazendo os nós de tensão, até que Nico estava completamente mole nas mãos de Jonathan. Por fim, terminou a massagem com um leve aperto e duas pequenas batidinhas no ombro, que Nico entendeu como um aviso para que se deslocasse até seu lugar anterior, apoiado ao tronco da árvore como antes.
– Valeu a pena esperar trinta e três minutos para receber atenção das minhas mãozinhas?
Nico riu e fechou os olhos, soprando algumas mexas de cabelo que caíram em seus olhos, apenas apreciando o som que ainda fazia um pequeno carinho em sua pele fria.
– Foi bonzinho.
– Bonzinho?
Nico abriu os olhos para um Jonathan que se fazia de indignado, com uma mão curvada dramaticamente apontando para o próprio peito.
– Oras, contente-se com meu elogio, ele vale equivalente a um quilo de ouro.
– Ah, mas que honra Senhor Di Ângelo, meu coração chega as quebrar minha caixa torácica de tanta emoção.
Ele bateu palmas e fingiu uma voz angelical como a de uma fã falando e dando os louros para o seu ídolo. Nico não se conteve e soltou uma gargalhada, se curvando para frente e segurando a barriga, Jonathan fez o mesmo, mas parou antes de Nico, puxando algo do bolso do qual Nico não pôde identificar. Por fim, Nico ergueu-se, ainda rindo, mas diminuindo aos poucos o fluxo, limpou o canto dos olhos que continham lágrimas de risada e suspirou recuperando o fôlego perdido, quando um cheiro forte inundou suas narinas, o fazendo ter um leve tontura.
Jogou a névoa entorpecente para fora de si e olhou para o lado, vendo Jonathan calmamente levar aos lábios um cigarro e soltar a fumaça vagarosamente pela boca cor de rosa. O queixo de Nico caiu.
– Você ... você fuma!
– Fica tranquilo, é só um cigarro de tabaco.
– Por que? Não me diga que você fuma outras coisas além disso?
Jonathan suspirou e deu mais uma tragada no cigarro entre os dedos.
– A vida de ninguém é perfeita Nico.
Respondeu soltando a fumaça pela boca, se esvaindo no vento.
– Isso é uma droga Jonathan, faz mal as pessoas, você como médico deveria saber isso.
– Ora Nicolas, só tem tabaco aqui, não há outros componentes mais fortes.
– Tabaco ou não tabaco, ainda assim é droga.
– Se não sabe, a maconha está sendo legalizada e usada para intuitos medicinais, e tabaco não é crime usufruir, ainda estou dentro das leis.
Nico levantou-se com dificuldade, ainda tomado pelo torpor de ter seu corpo totalmente estimulado. Andou alguns poucos passos ouvindo os grunhidos de Jonathan atrás de si, quando foi parada por um desafio.
– Experimente, vamos, quero ver se é tão forte a resistir – Nico negou ainda de costas, e se pôs a andar novamente – Nossa Nico, eu pensei realmente que você tinha uma aura aventureira mais profunda, mas vejo que estava imensamente enganado, você está morrendo de medo – o mais jovem cerrou os punhos e se virou em direção ao desafiador visivelmente mais experiente.
– Eu não estou com medo – disse entre dentes.
– Prove – ele estendeu a mão que tinha entre os dedos o cigarro pela metade, a fumaça se esvaindo no vento , e a cinzas caindo da grama – Vamos Nico, me prove que é tão corajoso quanto acho que é , ou o que te deixou tão tenso e aprofundado nos pensamentos enquanto viajávamos pra cá, te deixa tão fraco a ponto de não cuidar de suas próprias aventuras – Nico grunhiu e apertou os olhos. Seu coração palpitou em revolta, sim , ele era fraco, fraco por dar importância, fraco por acreditar, seus próprios interesses eram apenas Percy e sua árdua batalha de tentar conseguir seu coração ou havia muito mais que Nico queria para si ? Ele dava tanta importância a tudo, e tudo era tão precioso, cada detalhe era preciosos, e cada detalhe o destruía como uma fagulha, uma farpa de madeira, ou um caco de vidro a mais que grudava em seu coração que não pensava.
Ele era igual a todos, a todos os que se importavam com a ética, os bons costumes, a moral, ele era igual a ... seu pai. O bom e velho Hades Di Meno, o grande empresário que sempre gostava de manter as aparências. Isso foi a gota d’água para Nico, ele era igual a ele, e ele se odiou internamente, como se o próprio inferno estivesse sendo carregado em seu estômago, e toda a lava e a lama do fundo do limbo se acumulando na sua garganta e subindo como uma ânsia.
Nico abriu os olhos e encarou as orbes azuis faiscantes de Jonathan. Mordeu fortemente o lábio inferior e andou apenas um passo a frente. Jonathan revirou os olhos e se levantou, aproximando-se bem perto de Nico, o cheiro do cigarro envolvendo a mente e nublando a coerência.
– Você é só mais um fantoche sem vontade própria? Ou é de verdade Nico? – o mais velho brincou com o cigarro entre os dedos de ambas as mãos – Você nunca vai viver uma grande aventura se não arriscar – Nico encarou a boca de Jonathan e segurou o cigarro entre os seus próprios dedos, tirando o mesmo de fora do alcance do dono.
Andou dois passos para trás de costas para os prédios de Manhattan e por fim, ele encarou o que segurava na mão, indagando ao seu subconsciente indeciso e cheio de dúvidas se deveria ou não arriscar tudo. E a única resposta, fora computada pela mão que levou a droga aos lábios do mais novo. Os olhos fecharam, e a boca sugou toda a fumaça para dentro dos pulmões, a boca amargou, mas uma sensação surreal tomou seu cérebro e todos os seus neurônios restantes que funcionavam.
Cinco segundos. E por cinco segundos sua mente girou. Flutuou para um subespaço bem longe de seu corpo. A sensação inebriante tomando conta de cada músculo, amolecendo seus neurônios , tirando sua pouca sanidade restante e o fazendo jogar a cabeça para trás. Gemeu fraco, e nos cincos segundos, tudo o que pensou foi querer mais . Ali não havia Percy, não havia Annabeth, não havia o seu pai, nem as lembranças tenebrosas do acidente de sua mãe, não havia Hazel, e muito menos Jonathan. Havia só um misto de emoções boas que o fizeram rir sem querer, mas o escuro o puxou de volta. Uma corrente enferrujada e grossa presa nos seus pés, o puxando pra baixo com um ruído fúnebre e sombrio.
Cincos segundos se passaram, acabara o tempo, e Nico estava de volta. Ele abriu os olhos para o rosto de sorriso sem dentes de Jonathan , soltou a fumaça por entre os lábios, a fazendo deslizar como uma onda de água doce.
Nico jogou o pedaço restante do cigarro na grama e pisou em cima, olhou para cima e deu um meio sorriso. A mente se recuperando do êxtase de sensações que aquela simples tragada lhe proporcionara. Ele não queria mais estar ali. Ele queria enfrentar aquela praia, enfrentar aquilo que o atormentava, nada mais o freava, ou será que freava? Pouco importava, não achava que era mais importante ligar para o que os outros pensavam, em cinco segundos, tudo mudou como um instalar de dedos, ele começou a andar de costas, de frente para Jonathan, andar para trás.
– Aonde está indo?
– Quero ir a praia, você me acompanha? ou está com medo demais que eu caia no mar e me suicide porque coloquei um cigarro na boca.
Jonathan riu do humor negro recém aumentado de Nico e assentiu de braços cruzados.
– Você é imprevisível.
– Eu me tornei imprevisível, e a culpa é sua.
Nico apontou com o dedo indicador e Jonathan se fingiu de indignado. Nico indicou com a cabeça a direção do carro e respirou impaciente. Era pouco tempo para ter mudado de ideia tão rápido, mas o impulso muda as pessoa momentaneamente, talvez fosse isso que estivesse sentindo, o impulso tomando conta de seu corpo, mas era um impulso bom, que ele realmente queria aproveitar. A adrenalina da escolha correndo na veia. O recém portal de prazer descoberto. Aquela fumaça inebriante que se instalou na sua mente, foi embora, mas deixou vestígios, e todos eles indicavam, uns aos outros com um pedido suplicante de quero mais. E Nico queria mais. Ele bufou impaciente, afetado.
– Você vem ou não?
Jonathan ergueu as mãos pra cima em rendição e assentiu, andando em direção a Nico, que a essa altura, estava quase na calçada em direção ao outro lado da rua ...
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Já era a Quinquagésima Quarta vez que Percy olhava no relógio, e isso, desdê que Annabeth chegara a sua porta com uma garrafa de vinho importada entre os braços na noite anterior.
Estava no quinto episódio da terceira temporada de uma série que passava na tevê, uma que Annabeth alegou compulsivamente que era sua preferida, mas Percy não estava se importando. Ele não queria Annabeth ali, ele queria que ao seu lado estivesse Nico, e não ela. Dando seu meio sorriso, olhando para si, falando qualquer coisa que com certeza chamaria mais a sua atenção do que qualquer palavra que a boca de Annabeth proferira.
Sua cabeça estava estourando, e de algum modo, suportar Annabeth virara tortura, e não pena. Por fim, se levantou do canto do sofá, quase fazendo Annabeth bater a cabeça no encosto, já que ela estava quase que completamente deitada em cima de si. Percy desarrumou os cabelos, puxando os fios da nuca em agonia. Ele queria fugir dali, e poder ao menos uma vez, pensar em o que dizer quando procurar Nico, porque desistir, não era uma das coisas que estavam em sua lista mental, mas despachar Annabeth era, e isso estava no primeiro lugar da lista. Ela o olhou confusa, as mexas loiras caindo em cascatas pelo colo e as costas.
– O que foi? Você me parece tão irritado.
Percy grunhiu baixo, ele estava pronto para explodir, mas não era uma de suas virtudes magoar um garota, ainda mais quando estas não sabiam de sua verdadeira opção. Ele sorriu amarelo e respirou fundo, limpando as mãos suadas na bermuda surf.
– Nada eu só... só não aguento mais ficar em casa, sendo trancafiado por essas paredes em pleno domingo as ... – pausou um momento olhando mais uma vez para o relógio que fazia tic tac sem parar acima da televisão no centro da sala – Sete horas da noite, quando o dia inteiro eu fiquei aqui, queria me divertir um pouco mais, se é que me entende – Percy insinuou com um meio sorriso, o que fez Annabeth soltar uma risada maliciosa. Percy corou entendendo o intuito que sua insinuação de ‘’ Caia fora’’, se tornou um ‘’ Você quer ir pro quarto comigo’’.
– Se você queria outra coisa, era só ter me ... – mas antes que Annabeth dissesse a última palavra, ele a interrompeu, gesticulando com ambas as mãos e a cabeça num claro sinal de negação que deixou a loira completamente perdida, parada no meio do caminho, com os pés no chão e sentada na pontinha do sofá.
– Não é nada disso que você está pensando, eu só queria ... sair, ar fresco.
Annabeth assentiu com o olhar um pouco decepcionado, que Percy optou por ignorar, ele estava prestes a pedir que Annabeth fosse embora, quando ela se levantou sorriu manhosa.
– Bem, que tal nós jantarmos juntos ou sairmos para qualquer lugar?
‘’ Droga, mas que encosto’’ Percy sorriu, pronto para dizer que preferia um programa mais reservado, sozinho, e que queria apenas um tempo para espairecer, deixar para outro dia o que eles poderiam fazer juntos, quando foi interrompido por um gritinho.
– Está decidido, vamos, eu vou te levar a um lugar que tire de você essa careta melancólica pensativa, embora eu ache você sexy com ela, só me deixe tomar um banho , eu já volto.
Percy desatou ao chão enquanto Annabeht andava em direção aos outros cômodos da casa, provavelmente para o seu quarto, onde deixara em cima da poltrona a sua bolsa vermelha de tamanha exageradamente grande.
– Ah meu deus.
Resmungou baixinho enquanto respirava fundo. Ele queria, e ia ficar sozinha, isso não ficaria por assim mesmo. Percy levantou-se do chão e andou vagarosamente pensando no que dizer na mesma direção em que Annabeth sumira, ele se indagava como despachá-la sem ter que ser grosso e de um modo que não a magoasse, quando ela apareceu no corredor apenas de toalha. E ele não soube se foi proposital, ou sem querer, mais um fino gritinho ecoou pelo corredor, enquanto a toalha deslizava pelas suas coxas ao chão, ela pôs as mãos na boca num pequeno sinal de susto e deu uma pequena risada cheia de vergonha.
Percy encarou perplexo a cena, e simplesmente se virou de costas. Suas bochechas queimaram e sua mente se revirou, de trás de si, apenas uma palavra.
– Ops ...
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O som de uma música antiga de que Percy tinha a total certeza que Annabeth não conhecia, soava no ar. Ela tamborilava animadamente os dedos no volante do carro enquanto apenas murmurava o ritmo com a boca fechada, o moreno dos olhos esmeraldinos bufou e se aprofundou no assento de couro do carro perfumado com o aroma enjoativo de baunilha.
O problema de soltar mais um de seus suspiros, é que estes puxariam mais uma das justificativas irritantes de Annabeth sobre o episódio quase que proposital da toalha.
– Percy eu ... olha eu juro que foi sem querer, você me assustou e a toalha caiu, eu juro que não foi proposital, me perdoe por lhe causar tanto transtorno.
Apesar de tudo, Percy tentava acreditar que elas também eram sinceras. Ele assentiu mais uma vez de muitas outras que já o tinha feito.
– Tudo bem Annabeth, sem que foi um acidente, não precisa se preocupar.
Annabeth deu um pequeno sorriso sem graça, como se alega-se que estava bem sem realmente dar importância.
– Mas porque você ainda não me parece tranquilo?
– Trabalho.
– Eu também estou totalmente atarefada, e nem por isso é o fim do mundo Perseu.
Ela disse com um pouco de desdém na voz, mas estranhamente, toda a situação de Annabeth ser o grude de sua vida o irritou, e impulsivamente, Percy bateu com os punhos fechados no painel do carro, furioso. Esse ato um tanto impensado fez com que Annabeth desse um pulo em um claro sinal de susto, nisso, num desvio de quase um segundo, ela tirou os olhos do trânsito, o que foi suficiente para que um carro cortasse pela frente numa manobra arriscada, e de raspão, os carros se chocaram, uma buzina a despertou, ajudando a batida que foi o suficiente para desviar do carro.
Ela deu um pequeno gritinho de susto, e enfim quando o carro já estava bem atrás deles novamente, Annabeth afrouxou o aperto no volante e suspirou profundamente em alívio. Ela seguiu rapidamente por uma rua e virou a esquerda numa esquina, entrando por um portão moderno aberto de um estacionamento que Percy não se deu ao luxo de identificar.
Suspirou pesadamente enquanto apertava os olhos e grunhia, ao seu lado, Annabeth suspirou e estacionou o carro de mau jeito em uma das vagas do local. Por fim, ela o encarou, tocando suas têmporas com a mão de unhas vermelhas.
– O que aconteceu? Você me assustou, quase batemos o carro Percy.
Ele respirou pesarosamente, frustrado, a cada lufada fresca que recebia, eram como se tivessem pequenas mãos de unhas afiadas que subiam e desciam na sua garganta. Ele encarou a loira vestida em trajes de festa a sua frente. Ele encostou a cabeça no banco e negou com a cabeça.
– Me perdoe, eu estou nervoso, e cansado, quando essas emoções se misturam, não terminam em coisas boas com resultados promissores, pode continuar a dirigir, eu prometo que vou tentar ao máximo ser gentil, mais descontraído e tentar me divertir, de verdade.
– Bem, tudo bem, mas já chegamos.
Percy observou tudo a sua volta. Do lado de fora uma pequena porta de bar se encontrava guardada por um segurança bem preparado que quase cobria a entrada inteira, de ambos os lados haviam uma pequena cerca de restrição para o caso de lotado, e acima de sua cabeça desprovida de cabelos, um letreiro enorme possuía o nome do que Percy presumiu ser uma boate pelo som estridente da música alta que ecoava até do lado de fora. ‘’ Boate Half-Blood’’ ele leu mentalmente sem esboçar nenhum som, apenas mexendo os lábios enquanto recitava as palavras. Olhou para o lado rapidamente, vendo Annabeth morder os lábios pintados por um batom vinho escuro quase negro, ele fez um gesto com a cabeça em direção a porta e abriu a do carro, arrastando-se para fora do mesmo.
– Você não vem?
Annabeth deu uma pequena risada e saio do carro, trancando as portas quase que automaticamente. Eles rumaram para a porta, e Percy entrou no local, esperando Annabeth que entregava dois convites que Percy nem havia percebido que ela estava segurando.
A luz escura e as pessoas pintadas de neon que se remexiam ao som de Cool. O lugar fechado. Ele sentiu o odor de bebida, corpos e cigarro, não era agradável, mas era viciante. Uma mistura de perfumes que confundiam sua mente, atrás de si, duas mãos se apossaram de seu peitoral num meio abraço desajeitado. Annabeth, que quase estava nas pontas dos pés, obviamente por ser centímetros mais baixa que Percy.
– Quando achou esse lugar? – ele sussurrou sobre o zumbido forte e a batida ensurdecedora da música no talo dos últimos volumes. A loira deu de ombros.
– Eu e Octavian viemos aqui uma vez por conta de um affaire dele, ele estava mesmo interessado no cara, e como eu sou uma ótima amiga, não poderia deixa-lo de lado.
Ela lhe mandou uma breve piscadela e se desvencilhou do abraço que ela mesma dera, contornou o pescoço de Percy com os braços e chegou mais perto, o que o deixou consideravelmente mais desconfortável do que já estava naquele ambiente, ela encostou as testas de ambos e sorriu.
– Vou buscar uma bebida para nós – ela falou suficientemente alto para que só Percy escutasse e se afastou, andando de costas e esbarrando nas pessoas, pouco se importando, e pelo que parecia, elas faziam o mesmo – Que bom que você veio comigo, não saia daí , eu já volto – ela gritou ao longe, para logo depois sumir no formigueiro humano que consistia naquele lugar. Ele bufou assim que perdeu de vista a longa cascata de fios de ouro que era seu cabelo, andou alguns passos até um sofá inutilizado distante e olhou para as pessoas na pista de dança, observou tudo calmamente, até que os olhares se encontraram.
Castanhos avelã, nos verdes esmeraldinos profundos e desolados.
Nico empalideceu-se e deixou o cigarro de seus lábios cair no chão, sendo rapidamente pisoteado pelas pessoas que se esfregavam a sua volta. Sua mente estava num completo estado de Nirvana, e ele até julgou que o baseado mais forte que acabara de sorver o tinha dado o poder de ter alucinações. Nico esfregou os olhos e parou de rir, deixando a fumaça inebriante escorrer suavemente por seus lábios.
Percy segurou um gemido de exclamação na garganta enquanto se levantava e dava um passo em direção daquele a quem fuzilava com suas orbes de serpente.
O moreno mais jovem e consideravelmente afetado pela droga que corria quente em suas veias esbarrou em Jonathan que deixou cair um dos copos de Tequila que tinha trazido para ambos pela quarta vez seguida. Jonathan seguiu o olhar perplexo de Nico e estranhou pela primeira vez desdê que chegaram no local depois da praia em que tomaram um banho de água salgado totalmente proposital. O moreno de cabelos castanhos seguiu a linha do foco de Nico até chegar ao moreno assustado do outro lado de onde se mantinha na multidão de pessoas que estavam na boate. Jonathan sorriu, e do outro lado, Percy sentiu seu sangue congelar ao ver os olhos traiçoeiros como vidros lacrados daquele que um dia fora seu antigo namorado que de um certo modo foi a causa de seus sonhos largados e do seu terrível acidente com quem ainda tinha pesadelos sombrios.
– Nico? Ele é a causa de sua tensão? – por um momento, a mente de Jonathan se pôs totalmente a par da situação, e um sorriso imenso como o do gato risonho de Alice brotou entre seus lábios finos e rosas – Nico você é gay? – a pergunta fora lhe feita de supetão, e fez a espinha de Nico espasmar.
– É claro que não, eu nem conheço esse cara – retrucou dando de ombros e tentando pegar o outro copo restante da bebida quente, desviando o olhar por um segundo, mas foi impedido de alcançar o copo transparente pelos dedos frios de Jonathan que levantaram seu queixo.
– Nico me diga a verdade, ou vai me dizer que aquela loira vulgar é do seu tipo? acho que não – Nico olhou em direção a Percy por um momento enquanto via Annabeth se inclinar sobre o corpo imóvel de Percy.Mas na pele daquele que era atacado por uma breve mordida no lóbulo e mão era cheia com um copo de vidro de onde continha um líquido verde do nome a qual desconhecia. Percy se afastou e andou em direção a pista, sendo interrompido pelo braço torto de uma Annabeth completamente confusa.
– Percy o que está ...
– Agora não Annabeth! – Percy respondeu firme a cortando de toda e qualquer tentativa de pergunta. Ele abaixou seu braço e começou a andar quase sendo completamente esmagado pelos corpos que se remexiam um nos outros ao som da batida entorpecedora. Nico olhou para Jonathan que ainda se mantinha ao seu lado com um olhar esmagadoramente questionador, e sem pensar duas vezes quando desviou os olhos para o dono dos olhos esmeraldinos, por impulsou agarrou o pescoço alvo e forte com ambas as mãos e chocou as bocas com força. Percy travou no lugar. O maxilar trincado e o coração na mão, pulsando em uma dor dilacerante que se formou ao pé do estômago, se transformando numa bola de neve enjoativa e podre.
Foi apenas um selar de lábios, e o torpor fugiu da mente de Nico o trazendo para a realidade dos fatos. Havia beijado uma pessoa a força. 1 – essa pessoa era um homem. 2 – não sabia se era o tipo que essa pessoa gostava. 3 – se não fosse com certeza estava perdido. Ele largou Jonathan abrindo os olhos com força e os arregalando, dando dois passos para trás rapidamente, Jonathan o seguiu, dois passos a frente, quase colando os corpos novamente como antes.
– Jonathan me descul... – ele nem ao menos terminou a frase, e enfim, os lábios foram colados com força e uma luxúria carnal desconhecida e borbulhante. Dentes com dentes, lábios com lábios, corpos com corpos. Percy apertou os olhos e engoliu em seco a cena que via a sua frente, uma lágrima raivosa e magoada escorreu de seus olhos. Solitária. ‘’ Não, ele não está ...’’.
Sim, estava. Com os braços colados e embolados no pescoço de Jonathan , tendo sua cintura enlaçada pelos braços fortes, nas ponta dos pés, os cabelos bagunçados, negros como a noite e um tecido fino de seda um tear, agarrados com força pelas mãos grandes do moreno mais velho com quem dividira momentos atarde inteira. As maçãs de suas bochechas vermelhas, ofegante, seu peito que subia e descia depressa. A saliva, o gosto viciante de bebida e tabaco, nos lábios, na língua, o cheiro de água salgada e perfume.
As línguas se roçaram, e o choque elétrico fez o corpo de Nico estremecer despudoradamente. Afetado. Nico gemeu, e Jonathan fez o mesmo, rindo entre os lábios carnudos e avermelhados de Nico. Ele o apertou mais contra o seu corpo, e do outro lado da pista, Percy soltou um pequeno gemido de dor, os lábios entre abertos, expressando sua dor silenciosa num lamento torturante, ele teve vontade de gritar, e mais uma lágrima desceu da fonte , quente, rasgando do caminho de suas bochechas até seu pescoço, de onde uma barba fina e rala crescia, o copo de Gim em sua mão, ao chão , enquanto o líquido se derramava ao seus pés na pista, como o seu coração sangrando por dentro ...
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