Indústria do Amor
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Uma correria, essa era a frase que descrevia a cidade nas últimas 2 semanas. Caminhões e mais caminhões não paravam de atravessar Liniensinopólis levando os materiais necessários para começar a construção da indústria de roupas. Mas não só isso, umas 10 famílias se mudaram para a cidade nesses dias, tudo isso por causa da nova fonte de renda que estavam se instalando. Era o sonho da velha Maria, agora era teria vários assuntos para fofocar, mas o que realmente fazia os olhos da senhora brilha é que a antiga fazendo dos Costas estavam começando a receber algumas mobílias novas, uma equipe de faxina também passou dois dias lá. Ela não via a hora de conhecer pessoalmente aquelas pessoas que vira na foto.
Thomas continuava a fazer o que sempre fazia no seu dia-a-dia, ajudava seu pai a cuidar do pequeno negócio da família, uma madeireira que servia não apenas a Liniensinopólis, mas a outras cidades da região. Muitas das entregas eram feitas por ele e o seu amigo Luiz. Mas apesar das atividades não terem mudado, tirando o fato de haver mais pedidos do que o normal, Thomas achava seu pai um pouco agitado. Não ficava muito tempo em casa, nem o habitual almoço em família estava ocorrendo. Certamente tinha alguma coisa errada e Thomas era muito esperto para saber disso. Ele nunca foi o garoto do bobo de uma pequena cidade do interior, sempre foi muito esperto e questionador. Inclusive, ao olha-lo, dificilmente alguém irá falar de que ele é de uma cidade como Liniensinopólis. Começando primeiramente pelo seu nome. Não era um nome muito comum para uma cidade de 5 mil habitantes, além disso, seu próprio jeito de falar carregava um ar cultural e intelectual acima dos cidadãos médio do local. Seu jeito sério e comportado combinava perfeitamente com sua educação. Isso foi um dos motivos que fez Aline se apaixonar por ele, mesmo Thomas sendo 6 anos mais velho do que ela. Sem contar com o belo olhos azuis que ele tinha, herança da sua mãe que veio a falecer quando Thomas ainda era um menino. Sem dúvidas o rapaz era um garoto bonito, muito bonito.
Ele precisava conversar com o seu pai, queria saber o que estava ocorrendo para poder ajuda-lo. Outra característica do Thomas, ele tinha um coração muito bom. Essa deveria ser sua melhor qualidade. Enquanto fechava a madeireira, Thomas pensava em como conversar com o seu pai. Não passaria dessa noite.
Thomas destrancava a porta de madeira da sua casa que tinha um ar um pouco rústico, um fato um pouco curioso sobre a cidade, sua arquitetura lembrava muito uma pequena cidade alemã, isso se deve ao fato de que os primeiros moradores decidiram se inspirar na arquitetura germânica ao construir a cidade, colocou sua mochila sobre a cadeira que tinha ao lado da janela e caminhou até a cozinha. Ele adorava o cheiro de natureza que a cidade tinha, um horto cobria 80% do espaço ao redor da cidade. Alguns lagos e cachoeiras dentro do horto trazia um visual natural muito belo. Sem dúvidas ele amava isso. Ouviu um barulho de porta, era seu pai, finalmente poderia conversar com ele sobre o que estava roubando o tempo do seu velho, queria fazer algo, tirar qualquer sobrecarga desnecessária sobre os ombros do Francisco.
— Pai, preciso falar com o senhor — começou Thomas enquanto andava até a sala jogando uma maça para cima e pegando-a
— Ah, que coincidência, tenho um assunto muito importante para tratar contigo, filho — Francisco se assentava na cadeira onde Thomas tinha colocado a sua bolsa e com uma mão no queixo enquanto olhava por fora da janela, parecia pensativo. Thomas notava o olhar longe do pai, sem dúvidas ele estava refletindo muito antes de comentar alguma coisa. — Bom, continuou, pode falar, eu deixo você ser o primeiro Thommy
— Nesses últimos dias, com todos esses acontecimentos, eu percebi que o senhor anda um pouco ocupado. Não que o senhor não seja ocupado, mas parece que algo anda roubando seu tempo e eu gostaria de saber o que está rolando para poder te ajudar em algo.
Um riso escapou dos lábios de Francisco, ele tinha um filho maravilhoso em todos os aspectos, era seu bem mais precioso, Ângela dera o maior presente que ele poderia ter na vida. — Parece que seu jeito de observar tudo não muda, isso é bom — disse Francisco —mas sim, tem algo que eu estava resolvendo nesses dias. Thomas, estamos de mudança. O rosto do rapaz se transformou em uma expressão de dúvidas, mudança? Como assim? Eles sairiam de Liniensinopólis? Mudariam para onde? Percebendo a expressão no rosto do filho, Francisco continuou.
— Não se preocupe, não sairemos da cidade, estamos de mudança para a antiga fazenda dos Costas.
Isso pareceu deixar tudo ainda mais confuso, como assim eles iriam para a fazenda dos Costas? Ela não tinha sido comprada pelo senhor Albuquerque? Não fazia o mínimo sentido.
— Eu pensei que já tinha dono, como assim vamos se mudar para lá? —Questionou Thomas ainda sem entender.
— Filho, você entende que o povo da cidade ainda está em dúvidas de como será com a vinda dessa empresa para cá, certo? — Thomas balançou a cabeça concordando e pedindo que o pai continuasse — pois bem, alguns moradores foram falar com o sr, Silva e disse que era melhor que alguém cuja a cidade confiasse estivesse perto para poder passar mais segurança para eles, e bom, fomos escolhidos. O sr. Albuquerque já foi notificado da ideia e aprovou de primeira, parece que ele realmente está disposto a conseguir a aprovação da cidade. Além disso, a fazenda é grande, moraremos lá somente 18 meses, depois disso a indústria estará pronta e estabilizada, assim a família Albuquerque não precisará mais morar aqui. Precisamos fazer isso.
Thomas refletia sobre o que foi falado, era uma situação estranha, se sentia desconfortável com tudo isso. Mudar de casa para morar com uma família totalmente desconhecida não era que todo mundo aceitasse de boa. Além disso, a foto da família no final do vídeo trouxe alguns sentimentos que ele tentava esquecer, Thomas tinha um algum tipo de rejeição por gente que tinha dinheiro. Isso era algo que ele não contava para ninguém, nem mesmo para o seu amigo Luiz.
— Entendo – Thomas falou pensativo — Quando será a mudança?
— Na verdade, a gente já tem que embalar as coisas, mudamos amanhã, quinta-feira, já que a família chega na sexta e uma festa de boa vinda será realizada no sábado. E não se preocupe com a madeireira, o sr. Albuquerque me garantiu que ele colocará duas pessoas muito competente para administrar a empresa enquanto estivermos focados neles. – Thomas concordou com a cabeça ainda baixa, levantou seus olhos e disse
— Posso fazer as entregas pelo menos? – Francisco começou a rir balançando a cabeça, certamente tinha um grande filho, nem sabia se merecia ter ele, mas tinha, então só podia agradecer por essa dádiva – Não só pode, mas deve. Confio a Madelaine somente nas suas mãos, Thommy.
Fale com o autor