Incógnita
4 3. A Senhora
Notas iniciais
Bem, nada disso interessa, então vou para de prender vocês e deixa-los lerem o novo capítulo que acabou de sair do forno!
xoxo
Os raios de sol que escapavam entre os buracos da cortina destruída por traças da única janela do quarto me acordaram, mas continuei deitada, consumida pelo sentimento de nostalgia.
Eu não me lembrava de nada, nem mesmo de quem eu era ou se alguém estava procurando por mim. Eu me sentia excluída de todo o mundo, como se eu fosse de outro planeta e então de repente eu apareci em um campo abandonado sem uma única lembrança.
Pulei da cama e fui para o banheiro, onde me limpei e desembaracei os cabelos. Peguei minhas roupas atrás do frigobar, vesti-as e saí do quarto, deixando nada meu lá.
Na recepção a mulher da noite anterior continuava lá, mas agora ela assistia a uma televisão portátil enquanto roía as unhas de um vermelho flamejante. Entreguei a chave para ela e peguei o caminho para o restaurante.
Infelizmente, quando cheguei lá, ainda estava fechado. Olhei ao redor e do outro lado da rua havia uma biblioteca. Quando eu entrei já sabia o que esperar, estantes com diversos livros para pesquisa, poltronas, uma recepção, e escadas levavam para escritórios no primeiro andar, e mais distante computadores para realizar pesquisas.
Peguei um livro que estava sob uma das mesas e comecei a folheá-lo. O livro estava em outro idioma, mas as ilustrações prenderam a minha atenção: um homem com cabeça de touro, um deus segurando um tridente, animais estranhos e de olhos brilhantes, e o principal: garotos fortes com cicatrizes nas costas que tinham a estranha sombra no chão com asas.
Eu queria entender a legenda daquela imagem... e eu precisava fazê-lo.
Meu olhar continuou focado nas costas do garoto, onde estavam as cicatrizes, até eu olhar o relógio da biblioteca e ver que ele marcava 3 horas e 30 minutos. Peguei o livro que estava em cima da mesa e fiz o meu cadastro com a mulher que estava sentada atrás do balcão.
– Você vai levar este livro? – perguntou a mulher ruiva.
– Vou sim.
– Certo, só um instante que vou imprimir a nota. – ela foi para dentro e voltou com um pedaço de papel na mão. – Assine aqui. O livro deve ser devolvido daqui a uma semana, no sábado.
Saí da biblioteca com o livro debaixo do braço e fui para o restaurante do outro lado da rua.
– Boa tarde, Ava. – disse Leila depois que eu entrei. Ela estava atrás do balcão arrumando alguns papeis.
– Boa tarde, Leila.
– Como foi a sua noite?
– Nada impressionante. E a sua?
– Também.
– Bem, o que eu devo fazer hoje?
– Hoje você vai servir as mesas, mas como não chegou ninguém ainda, você pode ir lá dentro para se arrumar e ajudar em algumas coisas na cozinha.
– Tá certo – eu disse enquanto pegava o avental – Vou guardar as minhas coisas e lavar as mãos.
Fui para o banheiro dos funcionários e guardei a minha jaqueta junto com o livro em um armário onde tinha o meu nome, limpei as mãos e fui para a cozinha onde encontrei o chefe Chen preparando arroz.
– Olá Ava. Tudo bom? Você poderia conferir os talheres e os pratos para mim, por favor?
– Claro, chefe Chen. – fiz o que ele pediu e saí da cozinha para atender aos clientes que já esperavam.
Aquela tarde o restaurante estava cheio, talvez por ser fim de semana, e por isso eu não conseguia atender todas as mesas sozinha, então eu recebia a ajuda de mais duas pessoas, o John e a Emily, com quem eu logo fiz amizade.
Logo já estava anoitecendo, mas o restaurante não parou um minuto sequer.
– Ava, você pode atender aquela mulher ali naquela mesa? Por que um garotinho derrubou o refrigerante e eu tenho que ir lá limpar.
– Claro, Emily. Já estou indo. – olhei ao redor e vi a mulher já um pouco idosa estudando o cardápio enquanto bebia água.
– Olá senhora, boa noite. O que vai pedir? – a mulher levantou o rosto para mim com olhos muito curiosos.
– Vou querer um macarrão com molho japonês e um suco de maracujá.
– Voltarei em um minuto.
Fiz o pedido da senhora na cozinha e quando ficou pronto levei para ela.
Eu ainda estava com alguns problemas de equilíbrio, e enquanto eu colocava o prato com macarrão na frente da mulher, o prato quase virava nela, não fosse ela me ajudar a segurar o prato. Só quando eu coloquei o prato já na mesa, foi que eu percebi que a mulher ficara paralisada desde o momento em que nossas mãos se tocaram para evitar derrubar o macarrão.
– A senhora está bem? Me desculpe. É que este é o meu primeiro dia aqui, e eu ainda estou me acostumando com o equilíbrio. – eu disse assustada.
– Não. Está tudo bem comigo, mas com você não está nada bem, não é verdade?
– Do que você está falando?
– Eu sei Ava. Só que você não.
– O quê?
– Encontre-me no fim do seu expediente na frente da biblioteca, do outro lado da rua.
Fale com o autor