Incubus Love
21 Wicked Domesticity
Notas iniciais

Era a primeira vez que Sanji passava tanto tempo ao lado de alguém e surpreendentemente não estava se sentindo estranho com a situação. Viver com Zoro era tão normal que às vezes parecia o correto a se fazer. O humano era diferente de todos que já conhecera, e diferente significava o mais chato, irritante, insuportável e implicante de todos. Era confuso como conseguiam brigar o tempo todo e nunca guardar mágoas um do outro, Sanji não sabia bem como explicar. Ele gostava de passar quase o dia inteiro ao lado daquele padre, fosse quando estavam dormindo com as pernas enroscadas ou quando estava expulsando-o da cozinha com chutes por ter ousado roubar algo enquanto cozinhava, com o único objetivo de provocá-lo. Era uma convivência pacífica, apesar de tudo.
Desde o dia do casamento de brincadeira, Zoro nunca retirou a aliança que Sanji entregou. O loiro achava que o objeto sumiria, assim como as roupas que cobriam seu corpo, mas foi a única coisa que sobrou. Infelizmente, quando o dia seguinte nasceu e o padre se deu conta que não poderia ficar andando em público com aquilo em seu dedo, o demônio teve uma ideia e colocou a aliança em uma tornozeleira, deixando em um lugar que Zoro poderia usar sem preocupações. Quando colocou no tornozelo moreno, Sanji o viu sorrindo e sentiu seu coração falhar com aqueles sentimentos que não sabia explicar. Ele nunca acreditou nas palavras de Kid que parecia cada vez mais distante, mas a situação atual o deixava bastante pensativo. Talvez ele tivesse realmente razão.
Depois que o padre acidentalmente acabou convidando o íncubo para morar ali, as manhãs de Zoro nunca mais foram as mesmas. Não que ele realmente tenha convidado, mas sabia que a permissão era tudo que Sanji precisava para nunca mais ir embora de sua casa.
Da primeira vez, Zoro acordou e o viu ali deitado com ele, sem ir embora no meio da noite, sem deixar seu lado da cama frio e vazio para trás e não pôde evitar de sorrir. Hoje em dia, havia se tornado costumeiro, natural. A presença de Sanji já era usual para ele, afinal, manhãs não deveriam ser assim tão diferentes.
Apenas o eram porque Zoro continuava com aquele casamento de mentira na cabeça. Cada vez que faziam uma refeição, tomavam banho juntos, se preparavam para dormir, faziam amor e acordavam no dia seguinte na mesma cama, Zoro percebia o quão doméstico tudo era.
Decidir o que comprar no mercado, ouvir as reclamações de Sanji sobre a bagunça, até mesmo matar baratas para o loiro, embora não soubesse exatamente como um demônio poderia ter medo de algo tão insignificante, tudo isso era a definição de uma vida de casados. Então talvez seus desejos aquele dia não estivessem fora do lugar, não fossem apenas uma brincadeira irônica. Talvez aquele anel que havia ficado para trás tivesse mais significado.
Quando pensou em deixar a igreja, achou que não havia nenhuma vida para ele fora dela, porque a vida de padre foi o que sempre conheceu. Mas talvez aquilo, viver com Sanji, fosse sua vida agora.
Ainda mantinha alguns dos velhos hábitos, claro. Por exemplo, não poderia relaxar no seu regime de treinamento, ou seu corpo se tornaria fraco e inútil. Já não era mais tão jovem e não poderia se dar ao luxo de esperar que seu metabolismo apenas o ajudasse a manter os músculos que conservava com tanta disciplina. Por isso, treinava religiosamente todos os dias, gastando horas em séries que não tinham números definidos, iam até Zoro se estafar.
Aparentemente Sanji estava decidido a encará-lo com uma cara de profundo tédio enquanto se exercitava aquele dia. Não importava qual posição tentasse, o íncubo sempre arranjava um jeito de permanecer com os olhos voltados para ele, transbordando insatisfação e drama, mas Zoro apenas não tinha como lidar com isso enquanto estava focado. Então apenas resolveu ignorá-lo e tentar terminar o que fazia. O que acabou se provando ser impossível.
Por mais agradável que fosse morar com Zoro, para Sanji, era ainda mais entediante. O moreno não gostava de sair, ele apenas ia até a igreja e no máximo ao mercado, enquanto Sanji era muito sociável e inquieto para ficar satisfeito com aquilo, então sempre resmungava que eles deveriam sair mais. Sanji era curioso, ele gostava de coisas humanas, não adquiriu o vício com o cigarro à toa. Ele queria experimentar lugares novos, sabores, conhecer pessoas, mas tudo que acabava fazendo era ser abusado de vez em quando e aparecer na igreja para deixar Zoro um tanto nervoso enquanto discursava aquelas baboseiras sem sentido.
No entanto, a cada dia que se passava, ele ficava mais e mais entediado, a rotina se tornando cansativa e desgastante, até que sua paciência esgotou.
— Eu não aguento mais ficar preso nessa casa sem graça. — O demônio disse de forma manhosa e dramática, se jogando de costas no sofá, com os braços abertos e a expressão mais entediada de todas. Zoro era realmente uma pessoa sem graça nenhuma. Ultimamente até vê-lo malhando quase pelado estava sendo tedioso. — Eu tenho certeza que se estivesse em uma prisão teria mais ânimo para viver do que nessa casa entediante.
— Você é muito dramático. — Zoro falou, desistindo dos abdominais que estava fazendo e deixando o corpo pesado cair no chão da sala.
Estava na ponta da língua o questionamento de que Sanji era livre para ir onde quisesse se ali não era do seu agrado, mas não se atrevia a fazê-lo. Mesmo que fosse por brincadeira, ele não gostava de pensar naqueles termos. De pensar que Sanji poderia realmente desaparecer com um estalar de dedos, então escolhia acreditar que o loiro continuava ali porque queria e gostava. E, no fundo, Zoro realmente queria que ele gostasse, embora se esforçasse ao máximo para provocá-lo e irritá-lo diariamente, apenas na mesma medida que Sanji fazia com ele.
Sanji o olhava do sofá como se ele fosse literalmente desfalecer de tédio, se empenhando ao máximo naquela performance exagerada e agindo como se estivesse derretendo, os membros longos espalhados pelo móvel e a expressão dramática.
— Tá certo, Kokku, você venceu, pode parar com isso. — Zoro disse exasperado por ter que aguentar aquilo. Mas era sua culpa por ter começado a morar com a criatura mais exagerada e hiperbólica que existia. — Vamos sair num encontro, ou qualquer merda dessas.
— Finalmente! — Sanji praticamente pulou do sofá saltitante, sorrindo enorme e vitorioso, provando que tudo aquilo de antes era realmente apenas o mais puro drama. Não que não estivesse realmente entediado, mas no fundo era só exagero. — Eu já planejei tudo.
Então o loiro começou a contar sua ideia, mostrando as pesquisas que havia feito para decidir um lugar bom o suficiente que pudessem ir e aproveitar. A cara de tacho de Zoro enquanto ele explicava cada detalhe chegava a ser engraçada, por mais raivosa que fosse. Não se importava nadinha, não era sua culpa que havia se casado com o humano mais tedioso de todos.
Talvez ele tenha exagerado nos detalhes e longas explicações, porque quando viu o moreno estava cochilando a seu lado e Sanji deu um merecido chute em uma das coxas grossas.
— É melhor que tenha entendido direitinho cada ponto, como se comportar, para o seu próprio bem. — Sanji sorriu de forma ameaçadora, parecendo realmente um demônio assustador.
— Uh… Claro.... — Zoro respondeu, embora realmente não fizesse ideia do que Sanji havia falado. Mas não era como se Zoro não soubesse se comportar em público, não importava a merda de lugar que fosse. Ele que era o humano ali, oras. Se deveria ter alguém que não sabia se comportar não era ele.
Obviamente, Sanji não concordava nem um pouco com a sua afirmação, começando por achar que deveria vesti-lo ele mesmo. Aquilo geralmente não acontecia porque os únicos lugares que Zoro frequentava eram a igreja e o mercado, então provavelmente o demônio não se importava com que roupa usasse, já que quase sempre era a batina. Agora que precisavam sair em um suposto encontro, Sanji vasculhou seu guarda-roupa por horas como se estivesse tentando escavar em busca de um tesouro perdido.
— Não seria mais prático você usar seus poderes ou algo do tipo? — Zoro questionou enquanto Sanji ainda tentava achar algo que não fossem bermudas e camisetas surradas ou roupas formais de usar na igreja.
— Não seria mais prático você usar seus poderes ou algo do tipo? — Sanji o imitou da forma mais infantil de todas, enquanto se enfiava no fundo do armário em busca de qualquer coisa usável, o que não existia naquela casa. Zoro era realmente relaxado com roupas, ele devia amar que seu “trabalho” tinha praticamente um uniforme.
Como se não bastasse ter enganado o padre para que fossem em um encontro, Sanji ainda o arrastou até uma loja de roupas em busca de algo casual e elegante, arrastando Zoro por várias lojas e o fazendo provar incontáveis roupas, até encontrar a perfeita. Era simples, mas ficava muito bem no corpo dele.
Sanji não se incomodava de ter que usar sua aparência feminina sempre que estavam em público, a primeira vez que foram vistos juntos, estava no corpo não muito habitual e Zoro teve a ideia genial de apresentá-la como sua prima ou algo do tipo, então precisava sempre fingir ser isso. O que era até bom, já que por ser supostamente da família, sempre que estava muito perto do moreno não chamava tanta a atenção ou causava suspeitas.
Quando voltaram para casa, já estava muito tarde para que fossem ao encontro, mas ela estava feliz porque a camiseta preta levemente colada no corpo musculoso, junto com a calça jeans que parecia ser feita sob medida para deixar aquele corpo uma tentação, eram perfeitas para o encontro que viria no dia seguinte. E claro, também aproveitou para comprar uma roupa bastante elegante para ele mesmo, assim como uma nova regata azul que faria o moreno usar quando estivessem em casa, para razões não pervertidas, claro.
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