Incubus Love
22 Marital Happiness
Notas iniciais
Sanji estava tão animada no dia anterior para o encontro do dia seguinte que sequer trocou de corpo quando chegaram em casa, já pronta para sair em público com seu corpo feminino. Ela havia acordado sorridente naquele dia e nem mesmo o mau humor de Zoro conseguiria fazê-la se irritar. Estava mais radiante que nunca, até mesmo quando obrigou o padre a tomar um banho ela continuou sorrindo enquanto o banhava e trocavam beijos e toques nada inocentes. Ela gostava daquela rotina.
Fez questão de vestir o humano do jeitinho elegante e casual que o deixava ainda mais bonito, nem se parecia com o padre entediante de sempre e depois que ele estava pronto, ela mesma se trocou com facilidade, usando o suéter rosa que era maior que seu corpo, com mangas tão grandes que escondia quase suas mãos inteiras, junto com a saia franzida que havia comprado no dia anterior. Poderia simplesmente ter transformado as roupas que usava naquilo sem gastar dinheiro? Obviamente, mas qual seria a graça?
Quando estavam em público, Zoro já havia se acostumado àquela situação, a interagir com Sanji enquanto estava em seu corpo feminino, embora ainda fosse estranho às vezes estar habituado a olhar para Sanji na mesma altura e ter que olhar para baixo toda vez que estavam em público, já que ela era mais baixinha.
Uma coisa mais irritante ainda, que nada tinha a ver com o corpo feminino, era o fato de ter que lembrar a cada segundo que não podia tocar na loira como estava acostumado a fazer em casa. Mesmo que tivessem viajado para a cidadezinha ao lado, ainda não era seguro e com certeza encontrariam pessoas que o conheciam, que sabiam que ele era um padre. Zoro achava que dava muito trabalho esconder coisas, mas se Sanji queria sair de casa, ele não podia negar.
Havia um parque de diversões na cidade, Sanji contou que ficara sabendo disso em uma das suas conversas com uma senhora da última vez que saíram para fazer compras. Zoro às vezes se espantava com o quanto Sanji sentia necessidade de falar com todo mundo, provavelmente já conhecia mais gente naquela cidade do que ele próprio, mesmo sendo o padre da paróquia de lá.
Mas, a habilidade de Sanji se demonstrava muito útil cada vez que eles conseguiam informações sobre como chegar no parque, porque se dependesse de Zoro com certeza estariam perdidos.
— Então... Estamos aqui. O que quer fazer primeiro, Kokku? — Zoro perguntou a Sanji que parecia maravilhada observando a entrada do parque. A iluminação havia acabado de ser acesa quando o lugar começou a funcionar e ficava realmente muito bonito ao crepúsculo, a roda gigante ainda vazia e parada piscando em lampadazinhas multicoloridas e o carrossel dando sua primeira volta iluminada.
Se durante a manhã os olhos de Sanji já estavam brilhando, ao chegar no parque ela estava até sem reação de tão lindo que era. Sorrindo enorme para Zoro, ela agarrou seu braço, discretamente o colocando em meio a seus pequenos seios e começou a arrastá-lo pelos lugares. O primeiro destino foi uma cabine de fotos, em que ela jogou o moreno lá dentro e tirou tantas fotos que Zoro poderia até cochilar de tão demorado.
Com ele sentado na cadeira, ela ficava em pé atrás, abraçando-o pelo pescoço e sorrindo. Em algumas fotos puxava seu rosto e selava os lábios apenas para deixar a foto bonita. E seu corpo se transformou no habitual para que tivessem lembranças com ele também, repetindo as fotos, beijando Zoro, como se aquilo fosse o mais normal de tudo. Assim como no corpo menor, Sanji em seu normal também estava sorrindo exageradamente.
Voltou a se transformar quando foram sair, segurou a mão do moreno, pegou as fotos e as guardou muito bem na pequena bolsinha presa em seu pescoço, Sanji realmente estava feliz de estarem ali juntos.
— Nunca vou entender o que tem de tão interessante em fotografias. — Zoro disse entediado. A única vantagem era que pelo menos dentro daquela cabine puderam se tocar, não fingir que eram primos e ficar irritantemente se policiando para não fazer algo suspeito sem querer como agora.
Entretanto, olhou para Sanji tão feliz ainda apertando a bolsinha na qual havia guardado as fotos, sorrindo com uma expressão de contentamento, e talvez houvesse outra vantagem naquela cabine afinal.
Mas, Zoro já sabia disso, desde que concordou em sair da sua caverna para passar o dia onde quer que Sanji quisesse. Que provavelmente faria qualquer coisa se significasse que ela sempre sorrisse assim, andaria em todos aqueles brinquedos ridículos e experimentaria todas as barracas infantis que houvessem ali.
E foi exatamente o que ele fez. Sanji o arrastou primeiro para o brinquedo mais espalhafatoso que pôde encontrar, o carrossel. Era absurda a ideia, mas Zoro concordou mesmo assim, sendo arrastado e recebendo olhares de julgamento dos funcionários do parque enquanto tentava montar num pônei de metal que com certeza não havia sido feito pensando num homem tão grande quanto ele.
A visão realmente deveria ser cômica, o padre tentando não parecer ridículo em cima daquele animal enquanto o brinquedo girava. Sanji não parecia ter tantos problemas já que seu corpo atual era muito menor que o dele, pelo contrário, parecia muito animada gargalhando à sua frente. Zoro já começava a sentir seu rosto esquentar.
— Espero que não esteja rindo de mim, Kokku. — Ele disse tentando repreendê-la, mas se tornava impossível quando sua voz soava envergonhada por estar naquela situação.
— Pode acreditar que com certeza eu estou, marimo. — Sanji riu ainda mais alto, se divertindo com o rosto corado do moreno que estava realmente fofo em cima do pônei rosa, combinava perfeitamente com ele.
O lado bom daquela fachada de primos, era que Sanji podia grudar no braço de Zoro, ou segurar sua mão, sem nenhum problema. Mesmo que algum conhecido os visse, iria achar que era apenas carinho familiar, o que sem dúvidas não era. A forma que eles entrelaçavam os dedos, a troca de olhares carinhosos, os sorrisos, os toques discretos, tudo deixava claro que eles eram um casal, e Sanji estava feliz com isso.
Então, assim que saíram do carrossel, já foi agarrando o braço forte do moreno e o arrastando até outro brinquedo. E outro. Outro. E mais um. Quando estavam na casa assombrada, ela se aproveitou da escuridão e se encolheu nos braços fortes que acolhiam seu corpo, fingindo estar com medo, o que obviamente não era verdade, apenas queria ser acolhida pelo outro. Quando foram para a sessão de jogos, Zoro conseguiu ganhar uma pelúcia enorme de uma raposa para ela em um jogo de tiros. Era impressionante alguém que não sabia diferença entre direita e esquerda ter uma mira tão boa.
Na verdade Zoro nem pretendia tentar ganhar aquela pelúcia, mas o fato de Sanji ter provocado dizendo que ele não conseguiria o fez ter vontade de ganhar aquelas pelúcias todas só para esfregar na cara dela. No fim, acabou se contentando com uma, mas Sanji não parecia nem um pouco derrotada, pelo contrário, estava com o mesmo sorriso bobo que esteve a noite inteira, abraçando o brinquedo enquanto andavam em direção às barracas de comida.
O padre tentou dissuadi-la e dizer que ele não queria, que Sanji sabia que ele não gostava de doces, mas foi em vão. Ela o obrigou a provar de tudo que existia com ela, algodão-doce, maçãs-do-amor, todas as coisas doces e enjoativas que Zoro detestava, mas Sanji dizia que não queria comer sozinha então o homem de cabelos verdes suspirava e aceitava.
Era um lugar muito família para vender bebidas alcoólicas, então Zoro nem poderia beber e até mesmo as comidas salgadas não eram lá tanto do seu agrado. Talvez seu paladar apenas estivesse mimado e acostumado com a comida de casa.
— Não sei porque a gente está comendo aqui se a sua comida é bem melhor. — Ele disse enquanto terminava um saquinho de pipocas e observava distraído a roda gigante na frente deles.
Os olhos de Sanji praticamente se encheram de lágrimas com aquele quase elogio. Desde que havia adquirido o gosto por cozinhar, estava se esforçando e estudando muito para aprender e se aperfeiçoar, tanto que durante as horas em que Zoro treinava, Sanji sempre ficava lendo livros de culinária de diversos países e, claro, vez ou outra admirando o corpo moreno pingando suor no tapete da sala. Ficava realmente feliz de seu trabalho duro ser reconhecido.
A reação de Sanji era tão linda que Zoro teve vontade de beijá-la, embora soubesse muito bem que não podia, não ali. Ela ficou ainda mais próxima de si, e insistiu manhosamente em pegar sua mão de novo como esteve fazendo a noite inteira, mas Zoro relutantemente puxou de volta seu próprio braço.
— Seja mais discreta. — Ele sussurrou em tom de repreensão, embora não gostasse muito mais daquela situação do que ela.
Odiava ter que se esconder como se estivesse fazendo algo de muito errado. Bom, na verdade estava. Porque existiam regras e ele havia ignorado tais preceitos há tanto tempo que agora já parecia o correto. Mas mesmo assim o irritava. Estar com Sanji e não poder fazer nada com ela porque estavam em público, ter que se reprimir e fingir que não havia nada entre eles. Até mesmo aguentar os olhares dos homens sobre ela sem poder explodir de ciúmes.
Sanji ficou irritada ao ser rejeitada daquele jeito, inflando imediatamente as bochechas e bufando, como uma criança mimada. Ela então saiu na frente pisando duro no chão, mas ao se lembrar do ótimo senso de direção do moreno precisou voltar e segurá-lo pelo pulso, como se fosse uma criança perdida e realmente era. Ela continuou irritada por algum tempo, durante todos os minutos em que tiveram que esperar na fila da roda gigante, bufando e evitando contato visual com o padre idiota. Zoro era um imbecil.
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